Zé Inácio sai em defesa da prefeita França do Macaquinho

Na avaliação do parlamentar petista, estão querendo fazer com a prefeita França do Macaquinho o mesmo que fizeram com o ex-presidente Lula, ou seja, persegui-la e tirá-la do processo político-eleitoral por saberem da força popular que a prefeita possui em Santa Luzia.

O deputado estadual Zé Inácio (PT), usou a tribuna da Assembleia Legislativa, na quarta-feira, 14, para sair em defesa do mandato da prefeita de Santa Luzia, França do Macaquinho (PP), além de exaltar a sua gestão à frente do município, considerada como uma da melhores do Maranhão.

O parlamentar petista fez ainda uma referência ao apoio popular que gestora conta, após ter participado, na terça-feira, 13, Santa Luzia, durante uma grande manifestação em defesa do mandato de França do Macaquinho, quando cerca de 15 mil pessoas ocuparam as ruas da cidade em defesa do seu mandato.

“A população se mobilizou de forma espontânea fez um grande ato democrático, um ato em apoio à prefeita França do Macaquinho que permanece no comando da gestão daquele município porque a população reconhece o trabalho da prefeita, reconhece que ela vem fazendo um grande trabalho em favor da população. Na verdade, a prefeita França é considerada uma das melhores gestoras do Maranhão, com aprovação em torno de 70% da população e isso ficou claro quando cerca de 15 mil pessoas ocuparam as ruas da cidade em defesa do mandato da prefeita”, assegurou o deputado.

Perseguição política

No seu pronunciamento, Zé Inácio fez referência ainda à tentativa da oposição local em apear a prefeita do poder numa espécie de golpe judicial, completamente desprovido de provas contra a gestora municipal.

Na avaliação do parlamentar, estão querendo fazer com a prefeita França do Macaquinho o mesmo que fizeram com o ex-presidente Lula, ou seja, persegui-la e tirá-la do processo político-eleitoral por saberem da força popular que a prefeita possui em Santa Luzia.

“Quero destacar que, na última quinta-feira [8], todos nós fomos surpreendidos com uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral que cassou o mandato da prefeita. Acreditando no Poder Judiciário, no Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, nós ingressamos com medidas pertinentes que permitiram que a prefeita permanecesse no cargo. Digo mais, como tenho acompanhado o processo e dada a fragilidade das provas, provas inclusive que foram juntadas aos autos e produzidas de forma irregular, de forma clandestina, eu não tenho dúvidas de que o TRE-MA não validará essas provas que não terão fundamento necessário para manter a decisão anterior. A prefeita foi para a campanha só com a cara, a coragem e o apoio popular que lhe deu a expressiva votação que lhe consagrou vitoriosa e fez com que ela fosse eleita em 2016. Agora ela caminha para uma reeleição, ela é imbatível e por isso tenta criar uma situação que é de tirá-la do processo eleitoral, assim como fizeram com o Lula para não ser candidato porque sabiam que ele ganharia eleição, em primeiro turno”, concluiu Zé Inácio.

JOSÉ DIRCEU: “Temos que aprender com os coxinhas” 8

Luís Antônio Giron, IstoÉ

O ex-ministro José Dirceu de Oliveira e Silva, ou Zé Dirceu, admite que a esquerda precisa aprender com os protestos populares que depuseram Dilma Rousseff em 2016 se quiser voltar ao poder. De acordo com o petista, a resistência popular nas ruas se faz necessária agora. “Temos que apreender com os coxinhas. Organizar o povo e fazer o que eles fizeram, colocando nas ruas seis milhões de coxinhas ou de setores conservadores das classes médias que se opunham ao governo — o que é legítimo”. Para Dirceu, que lançou recentemente lançou suas “Memórias – volume I” (Geração Editorial), abarcando os anos de 1968 a 2005, o Brasil precisa de uma repactuação. “Se eles não concordarem, vai acontecer o mesmo que aconteceu à ditadura militar: uma hora ela cai”. Ele avalia que o País de 1968 era muito conservador e autoritário e “mudou para melhor”. Mas estaria havendo, no seu entender, uma “perigosa regressão de direitos sociais, cultural, em razão do fundamentalismo religioso e do falso moralismo” personificado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro.

Você afirmou que assistir aos noticiários na televisão dentro do presídio foi um “agravo de pena”. Qual, afinal, o papel da televisão junto aos presidiários?

Evidentemente que o preso quer lazer, quer distância. Mas o preso quer trabalhar e estudar também. De qualquer maneira, é muito importante o lazer da televisão para o preso: a maioria dos filmes é enlatado e não tem qualidade, mas tem novelas, os seriados, o “Globo Repórter”, tem muitas coisas boas na televisão, como “Domingo Espetacular” e parte do “Fantástico”, aos domingos. Há qualidade na televisão. O problema é que não há informação plural diversificada. Não há o contraditório, esse é o grande problema. Os programas diurnos sobre a questão policial e do crime instigam essa mentalidade que o Bolsonaro representa. Os programas plantaram as sementes para o Bolsonaro ter essa votação.

Suas memórias se entrelaçam à história do Brasil dos últimos 50 anos. A imagem que você tinha do Brasil nos anos 1960 — oligárquico, escravagista, injusto — é a mesma que você tem do Brasil de hoje?

Nós não conhecíamos o Brasil. Quando eu saí depois do sequestro do embaixador, pus na minha cabeça que eu tinha de estudar o Brasil. Tanto que em Cuba estudei muito o Brasil depois do treinamento militar, entre 1972 e 1974, quando eu estava para voltar de novo ao País. Estudei, fichei, fiz análise, de projetos do governo ditatorial, de conjuntura, li os clássicos da história do Brasil, estudei a infraestrutura e a agricultura. Quando eu voltei em 1975 e vivi clandestino seis meses, todo mês eu visitava uma região do Brasil para conhecer. No PT, conheci o Brasil profundamente como secretário geral e presidente. Quem vai governar o Brasil tem que conhecer o País. De gabinete não se governa. O País de 1968 era muito conservador e autoritário. O Brasil mudou para melhor, até porque implantamos uma democracia. Agora está havendo uma regressão de direitos sociais, cultural, porque Bolsonaro significa uma regressão cultural perigosa por causa do fundamentalismo religioso e do falso moralismo — porque é falso o moralismo dele. A sociedade avançou no século XXI, no direito da mulher, dos homossexuais, das etnias, no respeito às diferenças e à diversidade. Mas aconteceu também a desigualdade, a miséria, a pobreza, a concentração de renda. São problemas tão graves como aqueles e precisam ser enfrentados. Querem regredir, querem desmontar a superestrutura constitucional de direitos, educacional e cultural que garante a diversidade e pluralismo. Daí essa história de escola sem partido, que na verdade é escola sem pluralismo.

Uma das passagens mais importantes de suas memórias está na reflexão sobre a luta armada durante a ditadura. Por que você conclui que a luta armada foi justificável?

O que eu digo é que moralmente está justificado. Mas do ponto de vista de como combinamos as ações armadas com a luta política parlamentar e de massas, foi um equívoco. Mas são coisas diferentes. Eu posso analisar como engenheiro de obra feita, porque fui partícipe disso. Mas temos que reconhecer que foi um erro.

Por que você não conta no livro que participou diretamente da luta armada nos anos 1970, apesar de ter recebido lições de guerrilha urbana com Carlos Marighella e recebido treinamento militar em Cuba?

Voltei ao Brasil em 1970 e participei da luta do Molipo [Movimento de Libertação Popular, organização guerrilheira apoiada por Cuba, formado por estudantes] em São Paulo. Não vou falar o que eu fiz. Quando eu fizer 80 anos, eu falo. Não vou me vangloriar pelo que fiz ou deixar de fazer. Até porque não vejo heroísmo de ter participado da resistência armada à ditadura. Era a cabeça da nossa geração, acreditávamos naquilo. Eu participei, sim. Mas não vem ao caso quando, onde e como.

Hoje a luta armada seria justificável?

A luta armada não se justifica mais. O Brasil já sofre de muita violência para agora introduzirmos no Brasil as forças armadas ou a resistência armada popular. O que temos que fazer é fazer a resistência popular nas ruas. Temos que aprender com os coxinhas. Organizar o povo e fazer o que eles fizeram, colocando na rua seis milhões de coxinhas ou de setores conservadores das classes médias que se opunham ao governo — o que é legítimo. E derrubaram pelo parlamento e pelo Poder Judiciário. E, se houvesse resistência, teriam derrubado pela força, porque estavam determinados. O país precisa do contrário da luta armada. O País precisa ser pacificado. O país precisa de uma repactuação. Se eles não concordarem, vai acontecer o mesmo que aconteceu à ditadura militar: uma hora ela cai. Se nós derrubamos a ditadura, por que não vamos derrubar a ditadura da toga, do parlamento, das elites e da mídia?

Sobre a coalizão com outras forças políticas — como o PMDB — que você coordenou para viabilizar o governo Lula, o que você faria diferente se pudesse voltar atrás?

Governo governa por ordem e comando do eleitor. O eleitor forma a Câmara e o Senado. Se você não tem maioria, em grande parte por causa do sistema eleitoral que temos, tem de fazer alianças. O problema é quem comanda a orientação do governo, o partido que elegeu o presidente ou os aliados. Nunca os aliados comandaram o governo do Lula, pelo menos enquanto eu estava lá. O erro não é fazer alianças, e sim não ter uma sustentação, mobilização e pressão popular constante e crescente sobre o parlamento, como a oposição fez com a presidente Dilma até derrubá-la.

A esquerda se uniu a forças conservadoras nessas coalizões e não conseguiu penetrar de fato nos mecanismos burocráticos que fazem o Estado funcionar. Minha impressão é que os governos de esquerda preferiram terceirizar a organização dos dispositivos burocráticos de poder a capacitar seus quadros para lidar mais intimamente com os mecanismos do poder. Houve um erro operacional nesse aspecto e foi isso que permitiu a corrupção?

A corrupção existe tão ou maior nas empresas privadas. Ela só existe por causa das empresas privadas. Não houve governo que criou mais leis e instrumentos para combater a corrupção que os de Lula e Dilma. O problema da burocracia estatal e das corporações são os concursos, são planos de cargo e carreira. O pensamento de direita capturou esses órgãos, que passaram a fazer política partidária, quando eram órgãos que deveriam ser republicanos. Talvez essa tenha sido a grande ilusão nossa. Porque alianças, concursos públicos e reestruturação de carreiras, tudo isso tínhamos que fazer, senão o Estado não funciona. O problema é que essas pequenas carreiras na Polícia Federal, Ministério Público, AGU, CGU, Receita, TCU sempre serviram aos poderosos. Elas se transformaram em superburocracias corporativistas, que querem autonomia do executivo, do legislativo, que querem controle. São pequenas corporações ditatoriais. Isso precisa ser resolvido no Brasil no futuro.

É possível construir uma agenda equilibrada e duradoura que mescle políticas sociais e liberalismo em um país tão desigual como o Brasil sem sobrecarregar os cofres públicos?

Os cofres públicos estão sobrecarregados por causa dos juros e das isenções fiscais dos Refis liberadas por Michel Temer, num total de mais de R$ 100 bilhões. O problema do Brasil não é combinar liberalismo com o social, mas fazer uma reforma tributária e bancária que crie um excedente social, que é o imposto, o suficiente para manter um estado de bem-estar social. Porque pensar no Brasil onde só o mercado vai cuidar do cidadão é jogar na miséria e na pobreza, como acontece em ciclos e ciclos, 30 ou 40% da população. O País explode.

Você escreveu o primeiro volume das memórias em circunstâncias precárias. Apesar disso, foi a prisão que o inspirou a escrever. Você se impôs uma disciplina?

Tirando o almoço coletivo, eu escrevia todo sábado e domingo, que são dias de baixo-astral na prisão, quando a gente se lembra da família e dos amigos. Escrevi 700 páginas com o mesmo papel e a mesma caneta, sentado numa cama, com uma luz ruim ligada o tempo todo porque a luz em uma sala é uma luz que não se escolhe para escrever.

Na juventude, você estudou Marx, Lênin, Tróstki etc. De que maneira esses pensadores o influenciaram?

Antes de ler Marx e Lênin, li Capistrano de Abreu, Pandiá Calógeras, Haddock Lobo, Celso Furtado, Fernando Henrique Cardoso. Tive acesso à literatura mundial muito jovem. Eu nunca fui marxista porque nunca transformei aquilo em religião ou ortodoxia. Mas li os principais livros de Marx, só que nunca estudei “O Capital”. Lênin era um grande político. Isso não quer dizer que adotei o leninismo como concepção de partido. Lênin foi um dos maiores líderes políticos do século XX. Li Isaac Deutsch. Nunca fui antitrotskista. As divergências internas do PT com o trotskismo não aconteceram porque eles eram trotskistas. Foi porque a política deles era equivocada. Nunca fui stalinista. Até porque rompi com o Partido Comunista Brasileiro por causa do espírito de em 1968, eu me opus à invasão da Tchecoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia, coordenadas pela União Soviética. Tenho influência forte de Cuba, do fidelismo e do Régis Debray. Nunca fui foquista. Sou socialista, de esquerda, mas não sou marxista-leninista. Tive influência de Max Weber e de Hermann Hesse, e de Gibran Kalil Gibran. Curzio Malaparte, que é um escritor fascista, escreveu duas obras primas — os romances “Kaputt” e “A Pele” — nas quais você toma um choque sobre o que era guerra e a vida. Nunca tive preconceito.

E os escritores de direita?

Considero Vargas Llosa e Nelson Rodrigues grandes escritores, apesar de serem de direita. Sempre combati a ideia de você não ter acesso à literatura de homens de direita. Seria um escândalo.

Setores da esquerda e da imprensa agem como Aécio Neves e não aceitam a eleição de Bolsonaro 6

Não gostar do resultado da eleição, não significa conspirar contra quem venceu, como fazem alguns porra-loucas das esquerdas mancomunados com uma imprensa que cada dia faz menos jornalismo e age mais como partido político, o mesmo PIG, ou seja, Partido da Imprensa Golpista.

Há setores expressivos da esquerda brasileira que estão agindo tal qual o ex-candidato a presidente da República, Aécio Neves (PSDB), quando não somente não aceitou, como tripudiou sobre a vitória de Dilma Rousseff em 2014.

Insatisfeito com o resultado das urnas, na época o tucano pediu a recontagem dos votos. Não dando certo o “golpe” por essa via, partiu para a radicalização ao liderar as articulações pelo impeachment da então presidente petista. O resto da história todos sabemos.

Agora a mesma esquerda que foi vítima do “golpe” que contou com apoiado da mesma imprensa “sulista” que detonou o PT, Lula e Dilma, mostram-se enfurecidos com a vitória de Jair Bolsonaro e não dão trégua ao presidente eleito pelo PSL nem mesmo neste momento da transição que, em verdade, ainda nem iniciou de fato. Pior: praticam os mesmos métodos de rancor e ódio da direita que eles juram combater.

É apostando no “quanto pior, melhor” que pseudodemocratas e esquerdistas de ocasião estão sendo embalados numa narrativa de uma esquerda burra, autoritária, intolerante e que finge aceitar as diferenças, quando de fato representa e encarna exatamente o outro extremo do espectro político-ideológico brasileiro.

Não se trata de gostar ou não de Bolsonaro; muito menos defender suas ideias ou seu programa de governo, mas tão somente aceitar a vontade popular expressada nos mais de 55 milhões de voto que o tal capitão obteve nas urnas.

Não gostar do resultado da eleição, não significa conspirar contra quem venceu, como fazem alguns porra-loucas das esquerdas mancomunados com uma imprensa que a cada dia faz menos jornalismo e age mais como partido político, o mesmo PIG, ou seja, Partido da Imprensa Golpista. Ou a expressão só valia quando a esquerda estava no poder?

O fato é que é chagada hora de mais luz e menos calor na política nacional.

Não é se comportando como os derrotados de 2014, e muito menos se deliciando com o apoio do “PIG”, que a oposição a Bolsonaro obterá algum êxito num futuro próximo.

É a opinião do Blog do Robert Lobato.

CIRO EM ESTADO PURO: Ciro Gomes diz que o PT elegeu Bolsonaro e chama Leonardo Boff de ‘bosta’ 10

O terceiro colocado nas eleições presidenciais, Ciro Gomes (PDT), quebrou o silêncio e voltou a fazer duras críticas ao PT, a Lula e a Fernando Haddad; ele nega ter ‘lavado as mãos’, diz que Gleisi Hoffmann e Frei Betto são ‘bajuladores’ e que negou ser vice na chapa do ex-presidente Lula porque aquilo “era uma fraude”; em tom de ressentimento e demonstrando ainda estar com a cabeça nas eleições, Ciro chegou a chamar o teólogo Leonardo Boff de ‘bosta’ – sic – e se queixou do acordo firmado entre PT e PSB que o deixou isolado na disputa; ele ainda diz que “o PT elegeu Bolsonaro” e que foi “traído por Lula”; sobre ter deixado o país em pleno segundo turno das eleições, ele diz que se sentiu “impotente”

247 – O terceiro colocado nas eleições presidenciais, Ciro Gomes (PDT), quebrou o silêncio e voltou a fazer duras críticas ao PT, a Lula e a Fernando Haddad. Ele nega ter ‘lavado as mãos’, diz que Gleisi Hoffmann, Leonardo Boff e Frei Betto são ‘bajuladores’ e que negou ser vice na chapa do ex-presidente Lula porque aquilo “era uma fraude”. Em tom de ressentimento, Ciro se queixa do acordo firmado entre PT e PSB que o deixou isolado na disputa e diz que “o PT elegeu Bolsonaro”. O pedetista reafirma que foi “traído por Lula” e que deixou o país em pleno segundo turno das eleições porque se sentiu “impotente”

Na entrevista concedida ao jornalista Gustavo Uribe, do jornal Folha de S. Paulo, Ciro Gomes explica porque não declarou voto a Haddad: “Não declarei voto ao Haddad porque não quero mais fazer campanha com o PT”.

Ele ainda comenta a frase dita tempos atrás sobre sair da vida pública caso Bolsonaro vencesse: “Eu disse isso comovidamente porque um país que elege o Bolsonaro eu não compreendo tanto mais, o que me recomenda não querer ser seu intérprete. Entretanto, do exato momento que disse isso até hoje, ouvi um milhão de apelos de gente muito querida. E, depois de tudo o que acabou acontecendo, a minha responsabilidade é muito grande. Não sei se serei mais candidato, mas não posso me afastar agora da luta. O país ficou órfão”.

Ciro surpreendeu em vários momentos a reportagem do jornal, indo na contramão do discurso de esquerda. Sobre os ataques feitos à Folha por Jair Bolsonaro, ele lavou as mãos. O jornalista Gustavo Uribe pergunta “e os ataques feitos pelo Bolsonaro à Folha? É uma ameaça?”. Ciro respondeu: “Não considero, não. A Folha tem capacidade de reagir a isso e precisa ter também um pouco de humildade, de respeitar a crítica dos outros”.

Sobre sua viagem à Europa em pleno segundo turno das eleições, Ciro alegou “impotência”: “Descaso não, rapaz, é de impotência. De absoluta impotência. Se tem um brasileiro que lutou, fui eu. Passei três anos lutando”.

Ao responder se votou em Fernando Haddad, Ciro mais uma vez se nega a responder diretamente e manifesta profunda irritação, fazendo uma crítica raivosa ao teólogo Leonardo Boff: “Vou continuar calado, mas você acha que votei em quem com a minha história? Eles podem inventar o que quiserem. Pega um bosta como esse Leonardo Boff [que criticou Ciro por não declarar voto a Haddad]. Estou com texto dele aqui. Aí porque não atendo o apelo dele, vai pelo lado inverso. Qual a opinião do Boff sobre o mensalão e petrolão? Ou ele achava que o Lula também não sabia da roubalheira da Petrobras? O Lula sabia porque eu disse a ele que, na Transpetro, Sérgio Machado estava roubando para Renan Calheiros. O Lula se corrompeu por isso, porque hoje está cercado de bajulador, com todo tipo de condescendências”.

Depois, Ciro nomeia quem ele considera os ‘bajuladores’ e acusa o PT de fraude: “É tudo. Gleisi Hoffmann, Leonardo Boff, Frei Betto. Só a turma dele. Cadê os críticos? Quem disse a ele que não pode fazer o que ele fez? Que não pode fraudar a opinião pública do país, mentindo que era candidato?”

Sobre ser convidado a ser vice de Lula, ele diz: “Porque isso é uma fraude. Para essa fraude, fui convidado a praticá-la. Esses fanáticos do PT não sabem, mas o Lula, em momento de vacilação, me chamou para cumprir esse papelão que o Haddad cumpriu. E não aceitei. Me considerei insultado”.

Em postagem nas redes sociais, irmão de Flávio Dino admite ter apoiado Ciro Gomes no primeiro tuno da eleição presidencial 6

O que chama atenção na postagem de Sálvio Dino é que ele teve a sua ficha de filiação ao PT abonada pelo ex-presidente Lula, no que seria de se julgar que o apoio e voto do mano do governador deveriam ser para Ferando Haddad desde o primeiro turno da eleição presidencial.

O advogado Sálvio Dino fez uma postagem nas redes sociais onde expressa uma certa indignação com personalidades públicas como o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa; e ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por ambos tentarem “limpar as suas biografias há menos 24h da votação” – numa referência ao fato das duas autoridades antipetistas declararem voto em Haddad no último momento do segundo turno.

Contudo, a carga crítica do irmão do governador Flávio Dino (PCdoB) foi mais pesada em relação ao ex-candidato a presidente pelo PDT, Ciro Gomes.

“Pior ainda foi Ciro Gomes, que se escondeu. Nunca mais o apoiarei, como fiz no primeiro turno”, detonou o causídico.

O que chama atenção nesse trecho da postagem de Sálvio Dino é que ele teve sua ficha de filiação ao PT abonada pelo ex-presidente Lula quando da sua visita a São Luis através da caravana “Lula pelo Brasil”, no que seria de se julgar que o apoio e voto do mano do governador deveriam ser para Fernando Haddad desde o primeiro turno da eleição presidencial.

Aí quando é com blogueiro Bob Lobato querem a cabeça do pobre…

BOLSONARO-17: Um voto crítico de um socialista convicto 43

Vou dar esse voto no “17” acreditando que o Maranhão vai precisar de interlocução no planalto, já que na planície a coisa está feia com um governador ideologizado totalmente de oposição a um eventual governo Jair Bolsonaro.

Milito na esquerda socialista/marxista desde o final da década de 80.

Meus primeiros flertes com o pensamento socialista foi com uma professora de História chamada Leila, uma simpática coroa lá do Colégio Franco Maranhense.

Depois veio o professor Joan, também de História, que fez eu ser cada vez mais de esquerda.

Contudo, foi só no Rio de Janeiro, em 1989, que consolidei minha ideologia esquerdista impulsionado por um companheiro do PCB, do Piauí, quando me convidou para uma plenária do partido convocada pelo então reitor da UFRJ, professor Horácio Macedo, de saudosa memória.

Poucas pessoas sabem, mas apenas uma vez deixei de votar no PT para presidente.

Foi exatamente em 1989, quando votei em Leonel Brizola no primeiro turno daquela eleição presidencial embalado pela adesão do “Cavaleiro da Esperança”, Luis Carlos Prestes, à candidatura do líder trabalhista.

Em 2010, apesar do apelo do também saudoso Jackson Lago, por pouco não votei em José Serra (PSDB) para presidente. Na época havia uma indignação de boa parte da esquerda maranhense por conta da cassação do ex-governador. Mesmo assim votei na Dilma.

Fui vice-presidente e tesoureiro estadual do PT no Maranhão. Tenho uma história nesse partido e protagonizei um papel importante no caso do “mensalão”, quando fui procurado por Domingos Dutra e Augusto Lobato, lá no SESC Itapecuru, para falar sobre o que sabia.

Não tenho arrependimento algum do que fiz, mas não faria novamente, confesso!

Pois bem. O Brasil está numa encruzilhada. Não é hora para omissões e Robert Lobato nunca foi de ficar omisso politicamente! Mais do que um blogueiro, sou um agente e militante político!

Vou dar um voto crítico no 17 amanhã, domingo 28.

Não acho que Bolsonaro seja o que o Brasil precisa, como também não acho que o professor Haddad seja essa “Brastemp” como querem fazer a gente acreditar. Aliás, nem Lula acha, tanto que demorou uma vida para escolher o “poste” ou a “Dilma de saia”, como muitos lulistas de carteirinha se referem a Fernando Haddad.

E falando em Lula, tenho lá minhas dúvidas se realmente o ex-presidente deseja ver Haddad eleito presidente. Se quisesse não teria publicado uma carta que, ao contrário de apoio ao candidato petista, na verdade é um tiro de morte na candidatura do “13”.

Também tenho lá minhas dúvidas se Lula queria ou não o impeachment da Dilma, mas isso é outra história que um dia tratarei em livro.

Vou dar esse a voto no “17” acreditando que o Maranhão vai precisar de interlocução no planalto, já que na planície a coisa está feia com um governador ideologizado totalmente de oposição a um eventual governo Jair Bolsonaro.

Não se trata de um voto de amor; de paixão muito menos.

Trata-se tão somente de um voto. Um voto de um socialista convicto!

Um voto também de lealdade a amigos e aliados.

Até segunda-feira, 29.

E seja o que Deus e os eleitores quiserem.

Em editorial, Estadão trata do ego de Lula

O Blog do Robert Lobato reproduz editorial do Estadão sobre a carta do ex-presidente Lula em apoio a Fernando Haddad, publicada pelo líder-maior do PT nesta semana.

O editorial é muito duro com Lula, mas tem razão em alguns pontos.

O Blog do Robert Lobato irá comentar, à luz do editorial do Estadão, sobre a carta do ex-presidente, que se encontra preso em Curitiba (PT).

Por enquanto fiquem com o texto do jornal que já declarou apoio a Jair Bolsonaro.

O ego de Lula

Lula não consegue soar democrático nem quando isso poderia favorecer o campo petista. Sua carta é uma reafirmação das mistificações que fazem de Lula um dos demagogos mais perniciosos da história nacional.

O Estado de S.Paulo 25 Outubro 2018 | 05h00 Por mais que o PT tenha se esforçado para fingir que seu candidato à Presidência, Fernando Haddad, não é um mero preposto de Lula da Silva, há algo que nenhum truque de marketing será capaz de mudar: o PT sempre foi e continuará a ser infinitas vezes menor do que o ego de Lula. Na reta final da campanha eleitoral, justamente no momento em que Haddad mais se empenha para buscar apoio fora da seita lulopetista, o demiurgo de Garanhuns, decerto inquieto na cela em que cumpre pena por corrupção, resolveu divulgar uma carta para exigir – a palavra adequada é essa – que todos reconheçam a inigualável grandeza de seu legado como governante e que votem no seu fantoche se estiverem realmente interessados em salvar a democracia brasileira, supostamente ameaçada pelos “fascistas”.

O tom da mensagem é o exato oposto do que seria recomendável para quem se diz interessado em angariar a simpatia daqueles que, embora não tenham a menor inclinação para votar em Jair Bolsonaro (PSL) para presidente, tampouco gostariam de ver o PT voltar ao poder. Para esses eleitores, somente se o PT reconhecesse, de maneira honesta e sem adversativas, seu papel preponderante na ruína econômica, política e moral do Brasil nos últimos anos, cujos frutos mais amargos foram o empobrecimento do País e a desmoralização da política, talvez houvesse alguma chance de mudar de ideia. Mas isso é impossível, em se tratando de Lula da Silva, que se considera o mais importante brasileiro vivo e o maior líder que este país jamais terá.

Na carta em que diz que “é o momento de unir o povo, os democratas, todos e todas em torno da candidatura de Fernando Haddad, para retomar o projeto de desenvolvimento com inclusão social e defender a opção do Brasil pela democracia”, Lula não reserva uma única vírgula ao desastre econômico do governo de Dilma Rousseff, outra de suas inesquecíveis criações. Ao contrário: afirma que Dilma sofreu impeachment em razão de uma imensa conspiração de “interesses poderosos dentro e fora do País”, incluindo “todas as forças da imprensa” e “setores parciais do Judiciário”, para “associar o PT à corrupção” – omitindo escandalosamente o fato de que Dilma foi cassada exclusivamente por ter fraudado as contas públicas com truques contábeis e pedaladas. O petrolão, embora tenha sido motivo mais que suficiente para que o PT fosse defenestrado do poder para nunca mais voltar, não foi levado em conta no processo.

Como jamais teve compromisso real com a democracia – que pressupõe respeito a quem tem opinião divergente, para que seja possível o consenso – e também nunca reconheceu a legitimidade de nenhum governo que não fosse o seu ou de seus títeres, Lula não consegue soar democrático nem quando isso poderia favorecer o campo petista. A carta, ao contrário, é uma reafirmação de todas as mistificações que fazem de Lula um dos demagogos mais perniciosos da história nacional.

Lá estão as patranhas que tanto colaboraram para fazer do antipetismo um movimento tão sólido e vibrante, conforme atestam as pesquisas de opinião. Lula, sempre no plural majestático, diz que “fizemos o melhor para o Brasil e para o nosso povo” e por isso “tentam destruir nossa imagem, reescrever a história, apagar a memória do povo”. O sujeito desse complô, claro, é indeterminado, mas unido no que Lula chamou de “ódio contra o PT”. Tudo porque, diz Lula, “tiramos 36 milhões de pessoas da miséria”, porque “promovemos o maior ciclo de desenvolvimento econômico com inclusão social”, porque “fizemos uma revolução silenciosa no Nordeste” e porque “abrimos as portas do Palácio do Planalto aos pobres, aos negros, às mulheres, ao povo LGBTI, aos sem-teto, aos sem-terra, aos hansenianos, aos quilombolas, a todos e todas que foram discriminados e esquecidos ao longo de séculos”. Nada mais, nada menos.

Esse panegírico só serve para mostrar que Lula é mesmo incorrigível – e que seu arrogante apelo para “votar em Fernando Haddad” e assim “defender o estado democrático de direito” contra a “ameaça fascista que paira sobre o Brasil” não vale o papel em que está escrito.

O que o PT e as esquerdas podem aprender com o discurso de Mano Brown? 2

O PT e as esquerdas brasileiras podem e devem aprender muito com o discurso de Mano Brown caso tenham a humildade de se despirem da arrogância política e ideológica que há temos os dominam. Mas, infelizmente, vão continuar preferindo fazer tal como no mito Édipo, que optou pela cegueira para não enfrentar a dura realidade diante de si.

“Vim aqui representar a mim mesmo. Não vim representar ninguém. Não gosto do clima de festa. A cegueira que atinge lá, atinge aqui também”.

Com as palavras acima, o rapper Mano Brown inciou o seu discurso em ato pró-Haddad, realizado ontem, terça-feira, 23, na cidade do Rio de Janeiro.

Para um plateia formanda pelo próprio presidenciável do PT e sua vice Manu (PCdoB), e por artistas do porte de Chico Buarque e Caetano Veloso; intelectuais como o teólogo Leonardo Boff, além de  outros ilustres representantes da esquerda brasileira, entre eles Chico Alencar e Guilherme Boulos, ambos do PSOL, Mano Brown falou verdades duras, porém necessárias para uma elite da esquerda brasileira que se acham os donos da verdade, os iluminados que são portadores do monopólio da ética, da moral e da retidão político-ideológica.

O discurso de Mano Bromw é muito diferente, na forma e no conteúdo, de discursos do tipo daquele que Cid Gomes fez em Fortaleza na semana passada, também para um público do PT e aliados.

Enquanto o senador eleito pelo Ceará partiu para o bate-boca desqualificado expondo um certo ressentimento com o PT, Lula e o petismo, o Bromw fez um desabado pontuado, qualificado, democrático e inteligentemente bem construído. O rapper falou para dentro e para fora, não preocupando-se em agradar uma militância cega, burra e autoritária, que muitas vezes é dominada por certos sentimentos muito parecidos com aqueles dos adversários à direita.

O PT e as esquerdas brasileiras podem e devem aprender muito com o discurso de Mano Brown caso tenham a humildade de se despirem da arrogância política e ideológica que há temos os dominam. Mas, infelizmente, vão continuar preferindo fazer tal como no mito Édipo, que optou pela cegueira para não enfrentar a dura realidade diante de si.

A seguir o vídeo com o discurso do Mano Brown, que na verdade não é apenas um discurso, mas uma ode ao bom senso e à democracia popular. Confira.

Afinal, o PT deve ou não fazer “mea-culpa”? 4

O partido do Lula não tem outra escolha que não a de deitar no divã e fazer uma “terapia política” se quiser garantir um futuro eleitoralmente mais próspero a partir das eleições municipais de 2020.

Repercutiu bastante, ainda repercute, as declarações dadas por Cid Gomes (PDT), senador eleito pelo Ceará, durante ato que seria em apoio ao candidato a presidente Fernando Haddad, do PT, mas acabou gerando constrangimento amplo, geral e irrestrito para petistas.

“Tem de pedir desculpas, tem de ter humildade, e reconhecer que fizeram muita besteira” (…) É sim, é? Pois tu vai perder a eleição. Não admitir um mea-culpa, não admitir os erros que cometeu, isso é para perder a eleição e é bem feito. É bem feito perder a eleição”, disse o cearense, que teve o apoio do PT para senador e é irmão do ex-presidenciável Ciro Gomes, também do PDT.

O PT e os petistas não toleram essas sugestões de autocrítica e/ou mea-culpa. E Cid Gomes não foi o primeiro a sugerir tal postura para o PT.

Mesmo entre petistas ilustres, como Olívio Dutra, Tarso Genro, Jorge Viana, Eduardo Suplicy e intelectuais ligados ao partido como Frei Betto e Leonardo Boff, sempre defenderam um comportamento, digamos, mais humilde do PT em relação aos erros de conduta no campo político e ético – que foram muitos -, cometidos desde que a sigla subiu a rampa do Palácio do Planalto em 2003 tendo Lula à frente como líder máximo.

Contudo, o PT sempre se manteve resistente a fazer autocríticas. Aliás, os políticos e partidos de uma forma geral não são afetos a fazer mea-culpa, basta ver que o PMDB e o PSDB estão encolhendo eleitoralmente, mas não conseguem encontrar uma maneira de reconhecer seus erros. Com o PT não é diferente.

De qualquer forma, parece que o partido do Lula não tem outra escolha que não a de deitar no divã e fazer uma “terapia política” se quiser garantir um futuro eleitoralmente mais próspero a partir das eleições municipais de 2020.

E mesmo se for empurrado para a oposição através das urnas, como indicam as pequisas, o PT terá que se reinventar como ator importante da cena política nacional.

Em tempos que se mostram incertos, a democracia exige um PT reinventado.