Jair Bolsonaro e o seu “governo verde-oliva”, segundo Eliane Cantanhêde 4

Ao contrário de Michel Temer, que carece do instituto da legitimidade, Jair Bolsonaro está sustentado pelo voto popular e tem o direito de montar o governo que bem entender e achar mais próximo daquilo acredita. Se vai dar certo ou não só o tempo dirá.

Foto: Brasil 247

O termo “governo verde-oliva” foi usado em recente artigo da lavra da jornalista Eliane Cantanhêde, da GloboNews e do jornal O Estado de São Paulo, no que seria uma crítica às indicações de vários militares para cargos de primeiro escalação feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro – até o momento chegam a seis ou sete o número de milicos que ocuparão gabinetes na Esplanada dos Ministério e também no Palácio do Planalto a partir de 1º de janeiro de 2019.

Sinceramente, não consigo ver motivos para tantas críticas e muito menos pânico por conta da escolhas de militares para postos estratégicos do futuro governo federal.

Ora, o próprio presidente eleito é oficial da reserva do Exército brasileiro e nunca escondeu sua paixão (para alguns obsessão) pelas forças armadas.

A rigor, os militares são embalados por sentimentos nacionalistas, pela defesa intransigente da soberania nacional, disciplina organizacional e visão estratégica do Estado brasileiro. Aliás, muitas expressões e conceitos da Administração vêm das instituições militares.

As críticas de Eliane Cantanhêde, que foram replicada até por sites ligados à esquerda, tem um verniz, digamos, meio alarmista beirando um sensacionalismo para chamar atenção da opinião pública. Eis um trecho do artigo da nobre jornalista: “O novo governo vai assumindo o jeito, a cara, a cor e o cheiro dos militares do exército”. Completa mais na frente: “Bolsonaro está montando um governo verde-oliva, com grande influência dos militares”.

Há uma espécie de sofrimento por antecipação coletiva por parte da grande imprensa e das esquerda em geral. Ocorre que a política se combate é com a política real e concreta, e o governo Bolsonaro sequer começou!

Ao contrário de Michel Temer, que carece do instituto da legitimidade, Jair Bolsonaro está sustentado pelo voto popular e tem o direito de montar o governo que bem entender e achar mais próximo daquilo acredita. Se vai dar certo ou não só o tempo dirá.

Cabe as oposições cumprir o papel que as urnas lhes impuseram em outubro de 2018.

À imprensa, sem querer ser a dona das verdades e se comportar mais como partido político, cabe ser o instrumento de informação e o organismo de defesa da sociedade contra eventuais abusos de autoridades, sejam elas quais forem, e ao mesmo tempo uma vigilante da democracia brasileira.

Enfim, o tal “governo verde-oliva” da jornalista Eliane Cantanhêde está mais para uma retórica política, inteligente, diga-se, o que não significa ser “partidária”, do que para algo que possa se configurar como um prognóstico aterrorizador de um real e concreto governo militar “verde-oliva” que atente contra a nosso democracia.

O Brasil não aceita mais certas aventuras autoritárias.

OPINIÃO: Sobre o futuro governo Jair Bolsonaro 4

Sem trégua das esquerdas e da grande mídia, aquela que a imprensa “progressista” apelidou de PIG (Partido da Imprensa Golpista), Bolsonaro vai formando o seu governo basicamente em negociações com as bancadas setoriais do Congresso Nacional, com pouca interlocução com os grandes partidos tradicionais.

Vamos lá.

O deputado federal fluminense Jair Messias Bolsonaro, de 63 anos, foi eleito presidente da República com 57.797.847 (55,13% dos válidos).

Para início de conversa, vamos admitir: sendo Bolsonaro ou Haddad eleito, o Brasil “ressacado” das eleições estaria neste mesmo clima de acirramento politico, pois o pleito de 2018 foi deslocado para os extremos.

Imaginemos o professor Haddad eleito presidente. Alguém tem dúvidas de que se os assim chamados “Bolsomínios” estariam estéricos, loucos, criticando, esperneando e conspirando contra o presidente petista vitorioso?

Pois é. Haddad perdeu. Eleito foi Bolsonaro.

Ora, se temos uma crise de legitimidade personificada na figura do presidente Temer, agora coisa muda de figura: temos um presidente legal e legitimamente eleito, goste-se ou dele.

A rigor, ninguém pode se dizer “surpreso” pelos nomes indicados para integrar o futuro Governo Federal.

Candidato de perfil conservador e de direita, eleito presidente Jair Bolsonaro está sendo fiel ao que disse antes e durante a campanha. Tivesse fazendo algo ao contrário e ganhando elogios de setores da esquerda, o capitão estaria praticando estelionato eleitoral.

Sem trégua das esquerdas e da grande mídia, aquela que a imprensa “progressista” apelidou de PIG (Partido da Imprensa Golpista), Bolsonaro vai formando o seu governo basicamente em negociações com as bancadas setoriais do Congresso Nacional, com pouca interlocução com os grandes partidos tradicionais.

Críticas aqui e ali por indicação de alguns nomes, penso que o presidente eleito poderia tido maior cuidado com duas das principais pastas: Saúde e Educação.

Para a primeira foi indicado Henrique Mandetta, investigado por suposta fraude em licitação, tráfico de influência e caixa 2 no contrato para implementar um sistema de informatização na saúde em Campo Grande (MS), no período no qual foi secretário. Pegou mal.

Já para a Educação foi indicado colombiano Ricardo Vélez. O fato de ser colombiano é o menos grave, já que o filósofo está radicado no Brasil há muitos anos.

O maior problema do senhor Ricardo Vélez é o fato de levar para um Ministério tão sensível, como é o do Educação, uma carga ideológica muito pesada. O que menos a educação brasileira precisa são de batalhas ideológicas, enfrentamentos com setores organizados do setor e radicalização de posições como o projeto da tal “Escola sem Partido”.

Outro setor que o “Mito” pode ter problemas é no Ministério das Relações Exteriores. O diplomata Ernesto Araújo – não se sabe se também foi indicado pelo doidão do Olavo de Carvalho -, tem posições o tanto quanto polêmicas para quem vai exercer um cargo cujo titular precisa de muito equilíbrio e jogo de cintura nas tratativas com outras nações e organismos internacionais.

Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo têm que entender que o Brasil não é os Estados Unidos, que o presidente eleito não é Donald Trump e o futuro chanceler não um secretário de Estado com poderes como têm os americanos que ocupam a chancelaria estadunidense.

Esses três futuros ministro, portanto, podem ser as principais fontes de dores de cabeça para Bolsonaro, caso leve a cabo todas as suas concepções enquanto cidadãos.

De qualquer forma, cabe aos brasileiros que votaram e não votaram em Bolsonaro torcer para que o país dê certo e que daqui a quatro possam avaliar, aprovar ou reprovar o futuro governo nas urnas novamente.

Todo governo merece uma trégua.

Inclusive o de Jair Bolsonaro.

É a opinião do Blog do Robert Lobato.

PS. Em breve faremos uma análise específica sobre a equipe econômica indicado por Bolsonaro, com o “general” Paulo Guedes à frente. Aguardem.

Ciro Gomes diz que Bolsonaro não representa risco à democracia 2

Segundo o pedetista, não haveria meios para se aplicar um golpe à essa altura do campeonato

Ciro Gomes voltou a se contrapor ao PT e disse que ele e seu partido, diferente dos petistas, não farão uma “oposição raivosa” ao próximo governo Foto: José Cruz/Agência Brasil

Seguindo o posicionamento que adotou desde o fim do primeiro turno das eleições deste ano, Ciro Gomes (PDT) voltou a se contrapor ao PT durante palestra para investidores da XP, na semana passada. Segundo a revista Veja, o pedetista repetiu o discurso de que ele e seu partido, diferente dos petistas, não farão uma “oposição raivosa” ao próximo governo.

Ainda de acordo com a publicação, durante sua participação na palestra, Ciro Gomes teria dito que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), “não representa risco à democracia”, pois, segundo ele, “falta vontade do capitão e porque não haveria meios para se aplicar um golpe à essa altura do campeonato”.

Em entrevista para o jornal Estado de S. Paulo, nesta segunda-feira (19), o senador eleito Cid Gomes (PDT), irmão de Ciro, já havia afirmado o PDT irá fazer uma oposição “programática” ao novo governo e que se o PT quiser se juntar a eles, terá que fazer uma “revisão” de sua postura histórica como oposição sistemática

(Fonte: Diário do Nordeste)

A polêmica em torno do “Mais Médico” é a prova de que o Brasil está esquizofrênico 12

Todo esse debate, se é que se pode chamar de debate, em torno do “fim” do Programa Mais Médico é a prova cabal que o Brasil está esquizofrênico, ou melhor dizendo: deixaram o nosso país com um grave quadro de esquizofrenia.

Em 1994, o Governo Federal lançou o Programa de Saúde da Família (PSF).

O PSF surge como estratégia de reorganização e reorientação do modelo tecno-assistencial de saúde no país.

Segundo especialistas, a concepção do PSF visou “substituir o modelo ortodoxo, hospitalocêntrico e curativista, por um modelo de respeito à integralidade e a universalidade da assistência, atendendo aos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).” (Cfe. Portal da Educação).

Já em 2003, Governo Federal, sob a presidência de Dilma Rousseff, lança o Programa Mais Médico (PMM), com o objetivo de ampliar o número de médicos nas regiões de maior vulnerabilidade social e sanitária, tanto em municípios pequenos ou médios porte, quanto na periferia dos grandes centros, por meio de uma chamada pública para contratação desses profissionais para a rede de atenção básica – em verdade, o PMM já nasce em meio a polêmica de contratar médicos estrangeiros, na sua maioria cubanos.

Polêmicas à parte, o PMM pode ser considerado um produto bem sucedido do PSF, que tinha o conceito de atendimento de saúde assistida no modelo justamente de Cuba, cuja humanização médica é uma das principais características.

Agora é anunciado o fim do Mais Médico, pelo menos nos moldes do que foi concebido em 2013 com o governo do PT.

O Brasil esquizofrênico

O presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou, via redes sociais, que: “Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”.

De uma forma de outra, o Programa Mais Médico traz no seu DNA uma, digamos, carga ideológica que não pode ser ignorada e vem desde o Programa de Saúde da Família.

Com o fim do PMM “petista”, algumas questões fundamentais devem ser colocadas: “Morre” o programa ou o conceito é que será modificado? Outra: O futuro governo Bolsonaro tem a dimensão exata do que pode acontecer com a saúde do país se os médicos cubanos resolverem deixar o país imediatamente? E a última: Quantos desses profissionais cubanos estão dispostos a desertar da “Ilha” e continuar no Brasil com o PMM sob uma nova realidade?

De qualquer forma, todo esse debate, se é que se pode chamar de debate, em torno do “fim” do Programa Mais Médico é a prova cabal que o Brasil está esquizofrênico, ou melhor dizendo: deixaram o nosso país com um grave quadro de esquizofrenia.

Ninguém se entende mais. Todos são contra a qualquer coisa que vem do “outro lado”, sem falar nos oportunismos políticos e no festival de hipocrisia que impera na sociedade.

A impressão é de que o Brasil se transformou numa espécie de Maranhão onde tudo é resumido em ser “isso” ou “anti-isso”. Não há mais ponto de equilíbrio!

Nosso país precisa de um divã.

O problema é saber quem seria o terapeuta ideal…

Dr. Pêta dá “puxão de orelha” em Flávio Dino 6

Dr. Pêta foi no âmago da questão! E olha que não se tem notícias de que o Palácio dos Leões está em atraso com o glorioso Jornal Pequeno…

O colunista dominical, legendário Dr. Pêta, do Jornal Pequeno, deu o que no popular a gente costuma chamar de “puxão de orelha” no governador Flávio Dino (PCdoB).

O motivo do puxavão é a insistência do comunista maranhense de tentar chamar a atenção do presidente eleito Jair Bolsonaro fazendo críticas dia após dias, pelas redes sociais, mas o “capitão” até agora nem “tchum” para o governador reeleito.

A “penúltima” provocação de Flávio Dino foi esta aqui:

Na avaliação do Dr. Peta, “a postura adotada [por Flávio Dino] contra o futuro ocupante do Palácio do Planalto, dois meses antes de ele assumir o governo, não parece a mais correta”. E continua: “Justamente por não ‘esperar para ver o que acontece’ foi que Flávio Dino fez uma previsão equivocada ao afirmar, algum tempos atrás, que a candidatura Bolsonaro era coisa muito residual, que não vai crescer porque é uma criatura, que não é uma proposta política que deve ser levada a sério”.

Ou seja, Dr. Peta foi no âmago da questão! E olha que não se tem notícias de que o Palácio dos Leões está em atraso com o glorioso Jornal Pequeno…

Fiquem com a íntegra da equilibrada avaliação do Dr. Peta sobre as meninices de Flávio Dino em relação a Bolsonaro.

Quem elegeu Bolsonaro? 10

Por Eden Jr.*

Os irmãos Gomes – Cid e Ciro – talvez tenham sido os políticos mais reluzentes a colocar em discussão as razões que levaram Jair Bolsonaro (PSL) a se tornar Presidente da República. Dias depois do encerramento do primeiro turno, em ato favorável ao candidato do PT, Fernando Haddad, o senador eleito pelo PDT, Cid Gomes, afirmou que “quem criou Bolsonaro” foram a arrogância e ausência de mea-culpa dos petistas. Em entrevista à Folha de São Paulo nesta semana, Ciro Gomes (PDT), terceiro colocado na corrida presidencial, disparou: “o PT elegeu Bolsonaro”.

Convenhamos, Bolsonaro pode até vir a fazer um excelente governo, mas suas credenciais históricas não autorizam tal otimismo. Bolsonaro já deu declarações de cunho homofóbico e de desrespeito às mulheres e aos negros – se ele fala isso em público, imagina “entre os seus”. Ele se disse o novo, embora atue como parlamentar há quase 30 anos e tenha “colocado” três de seus filhos na vida pública. Na Câmara dos Deputados abraçou questões corporativistas e estatistas. Agora, diz ter sido convertido ao liberalismo econômico por seu guru, Paulo Guedes. Bolsonaro – pasmem! – exibiu até um “certo orgulho” na campanha ao afirmar seu completo desconhecimento sobre economia. O presidente eleito relata ser o defensor da moral e da família, embora admitisse ter usado o auxílio moradia para “comer gente”.

Contudo, é forçoso reconhecer – e compreender – que Bolsonaro é um fenômeno eleitoral. Conseguiu chegar ao Planalto em um partido inexpressivo, com pouquíssimos recursos financeiros e tempo de TV, não teve alianças políticas relevantes e nem apoio do grande empresariado ou de sindicatos. Fatores de diferentes dimensões (política, econômica, jurídica e sociológica, entre outras) e de níveis de influências variados determinaram a vitória do pesselista.

Na esfera política, sem dúvida o PT foi o principal responsável. Errou antes e durante a campanha. Nos últimos tempos, o PT quis impor sua versão fantasiosa a respeito de marcantes eventos contemporâneos, afrontando assim a maioria da sociedade, que tem discernimento da realidade dos fatos. Lembram-se dois. O impeachment da ex-presidente Dilma – tratado como “golpe de estado, jurídico ou parlamentar”, ao sabor da ocasião ­–, que apesar das naturais controversas que cercam um episódio dessa magnitude, seguiu a ordem constitucional. O processo do “Triplex”, que resultou na prisão do ex-presidente Lula – tida como condenação “sem provas” ou “injusta”, a depender do palanque – foi conduzido dentro da lei, com ampla defesa e atuação vasta da Justiça (juízes de primeira e de segunda instâncias e de cortes superiores) e do Ministério Público.

O petismo também errou na tática eleitoral. Antes mesmo de definidos os candidatos, já era de se supor que um pleiteante do PT teria extrema dificuldade de vencer no segundo turno qualquer outro adversário, dado o extremo desgaste da legenda. Deveria ter apoiado um candidato de seu espectro político, como Ciro Gomes, que tanto serviu aos governos petistas. Porém, o hegemonismo do PT não permitiu tal gesto.

No segundo turno o partido arvorou-se como o aglutinador de uma aliança democrática, representante de todos que se opunham a Bolsonaro. Todavia, aí a história exigiu responsabilidade dos petistas. Logo eles, que sentenciaram: quem não declarasse voto em Haddad não tinha compromisso com a democracia e que a história iria cobrar quem se omitisse. Mas aonde estava mesmo o senso de responsabilidade histórica do PT ao votar contra: a Constituição de 1988? (que consolidou a redemocratização); o Plano Real? (que estabilizou a inflação crônica, que atingia principalmente os mais pobres) e a Lei de Responsabilidade Fiscal? (que organizou as finanças do país e foi esteio para o crescimento da era Lula) De mais a mais, se quisesse realmente ser a amálgama do espírito democrático, era indispensável que o PT fizesse um mea-culpa inequívoco e público, assumindo seus erros, e angariando, deste modo, a simpatia dos que tinham repulsa a Bolsonaro.

No campo político, o PSDB igualmente, tem sua parcela de culpa pela ascensão bolsonarista. Depois de sair vitorioso das eleições municipais de 2016, elegendo 804 prefeitos, os tucanos condescenderam com casos de corrupção, não perceberam que a sociedade esperava posicionamentos éticos contundentes e foram punidos pelos eleitores. Esse comportamento abriu a brecha para que Bolsonaro e seus adeptos fossem alçados ao posto de antagonistas do PT.

Além da própria Operação Lava Jato, que naturalmente desgastou a reputação da classe política, a atuação imprudente de membros do Judiciário e do Ministério Público também denegriu a imagem dos políticos, trouxe questionamentos sobre a própria parcialidade de investigadores e juízes e sedimentou, no inconsciente popular, uma sensação de desordem total e a necessidade de um “salvador da pátria”. Citam-se, como exemplos, nesse sentido: a divulgação contestável, pelo juiz Sérgio Moro, dos grampos telefônicos de diálogos de Dilma e Lula; os virulentos embates e as contraditórias decisões de ministros do STF e a tresloucada determinação de soltar Lula emitida pelo desembargador Rogério Favreto.

Não se pode esquecer dos efeitos devastadores da gigantesca crise econômica iniciada em 2014, que ainda vivemos, e que foi resultado, em maior parte, das incompetentes políticas econômicas adotadas no governo Dilma, e em menor grau, de efeitos retardados do colapso mundial de 2008. A recessão jogou milhões na fila do desemprego, gerou angustia e desesperança, levou ao descrédito a política tradicional, e adubou a percepção de necessidade “do novo” – seja qual fosse esse novo.

Ademais, deve-se lembrar que, a despeito da maioria dos grandes veículos de comunicação fazer uma cobertura equilibrada da turbulência econômica e política, houve setores que, injustamente, tentaram imprimir a pecha de corrupto unicamente ao PT. Isso fez com que amplas camadas do eleitorado – beneficiadas nos governos Lula – ficassem desiludidas e buscassem um “novo messias” para aplacar suas agruras.

Outrossim, não se pode ignorar um indecifrável clima de insatisfação política geral e difusa da sociedade, que já se pronunciava nas manifestações de julho de 2013, e que agregou sentimentos díspares: esquerdismo exacerbado, conservadorismo de costumes e um latente saudosismo dos tempos de “ordem e progresso” do regime miliar.

Embora o PT tenha sido o principal responsável pela eleição de Bolsonaro, não se pode atribuir culpa exclusiva a essa legenda por evento de demasiada protuberância, como quis a dupla Cid e Ciro. As razões para tal fato perpassam múltiplas instâncias. Agora é serenar os ânimos, com situação e oposição cumprindo suas funções, para que o país deixe para trás a crise e a disputa de 2022 se dê num patamar bem mais elevado. Circunstância que resultará em avanços para o processo eleitoral e para o Brasil.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)

O “Mito”, Moro e a mídia 8

Dando tudo certo no governo Bolsonaro, Sérgio Moro poderá se dar ao luxo de escolher dois caminhos durante o período em que passar exercendo o cargo de ministro da Justiça e Segurança: deixar o Ministério no meio do mandato para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal em 2020; ou ficar até o final do governo e ser o nome do presidente Jair Bolsonaro para sucedê-lo na Presidência da República.

Daqui a instantes, o juiz Sérgio Moro (sem partido?), tem encontro agendado com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Na pauta a possível participação do “xerife” da operação Lava Jato no futuro governo do “Mito”.

A Lava Jato investigou, julgou e prendeu uma leva de personalidades da alta cúpula da política nacional, entre deputados, senadores, governadores e a mais emblemáticas de todas: o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, que ainda encontra-se preso na polícia federal lá na famigerada “República de Curitiba”.

A ideia de levar Sérgio Moro para o governo federal não é originalmente de Bolsonaro, mas do ex-candidato a presidente Álvaro Dias (Pode).

De qualquer forma, caso Moro aceite assumir o Ministério da Justiça e Segurança, como está previsto, isso causará desdobramentos políticos diversos. Senão vejamos.

Em primeiro lugar, ficará claro que Sérgio Moro, muito mais do que um magistrado, é um político com posição ideológica clara, caso contrário não toparia participar, a princípio de governo algum, ainda mais de um com ideário conservador e de direita.

Em segundo lugar, ficará ainda mais evidente que a detenção do ex-presidente Lula foi para cumprir parte do calendário eleitoral de 2018. E mais do que isso: sempre foi o objetivo central da Lava Jato prender o líder petista, já que uma vez em liberdade disputaria a presidência da República com chances reais de vitória.

Em terceiro lugar, ao assumir o cargo de ministro de Estado, Moro pode perder a condição de “queridinho” da grande mídia tradicional que torce o nariz para Bolsonaro por conta das suas declarações e posições polêmicas diante de alguns dos maiores veículos da imprensa deste país.

Por fim, Moro ministro num governo que não se sabe muito bem ao certo no que pode dar, onde terá que conviver no mundo de fantasias e realidades, alguns cruéis, como é o caso de Brasília, pode ser uma experiência amarga para o ainda magistrado.

Todavia, dando tudo certo no governo Bolsonaro, Sérgio Moro poderá se dar ao luxo de escolher dois caminhos durante o período em que passar exercendo o cargo de ministro da Justiça e Segurança: deixar o Ministério no meio do mandato para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal em 2020; ou ficar até o final do governo e ser o nome do presidente Jair Bolsonaro para sucedê-lo na Presidência da República.

Como diria o imperador Júlio Cesar: Alea jacta est ou “A sorte está lançada”.

Setores da esquerda e da imprensa agem como Aécio Neves e não aceitam a eleição de Bolsonaro 6

Não gostar do resultado da eleição, não significa conspirar contra quem venceu, como fazem alguns porra-loucas das esquerdas mancomunados com uma imprensa que cada dia faz menos jornalismo e age mais como partido político, o mesmo PIG, ou seja, Partido da Imprensa Golpista.

Há setores expressivos da esquerda brasileira que estão agindo tal qual o ex-candidato a presidente da República, Aécio Neves (PSDB), quando não somente não aceitou, como tripudiou sobre a vitória de Dilma Rousseff em 2014.

Insatisfeito com o resultado das urnas, na época o tucano pediu a recontagem dos votos. Não dando certo o “golpe” por essa via, partiu para a radicalização ao liderar as articulações pelo impeachment da então presidente petista. O resto da história todos sabemos.

Agora a mesma esquerda que foi vítima do “golpe” que contou com apoiado da mesma imprensa “sulista” que detonou o PT, Lula e Dilma, mostram-se enfurecidos com a vitória de Jair Bolsonaro e não dão trégua ao presidente eleito pelo PSL nem mesmo neste momento da transição que, em verdade, ainda nem iniciou de fato. Pior: praticam os mesmos métodos de rancor e ódio da direita que eles juram combater.

É apostando no “quanto pior, melhor” que pseudodemocratas e esquerdistas de ocasião estão sendo embalados numa narrativa de uma esquerda burra, autoritária, intolerante e que finge aceitar as diferenças, quando de fato representa e encarna exatamente o outro extremo do espectro político-ideológico brasileiro.

Não se trata de gostar ou não de Bolsonaro; muito menos defender suas ideias ou seu programa de governo, mas tão somente aceitar a vontade popular expressada nos mais de 55 milhões de voto que o tal capitão obteve nas urnas.

Não gostar do resultado da eleição, não significa conspirar contra quem venceu, como fazem alguns porra-loucas das esquerdas mancomunados com uma imprensa que a cada dia faz menos jornalismo e age mais como partido político, o mesmo PIG, ou seja, Partido da Imprensa Golpista. Ou a expressão só valia quando a esquerda estava no poder?

O fato é que é chagada hora de mais luz e menos calor na política nacional.

Não é se comportando como os derrotados de 2014, e muito menos se deliciando com o apoio do “PIG”, que a oposição a Bolsonaro obterá algum êxito num futuro próximo.

É a opinião do Blog do Robert Lobato.

Que “Mito” foi esse? 4

Bolsonaro é produto de vários fatores todos eles podendo ser resumidos ao nosso sistema político, partidário e eleitoral carcomido. O voto no “17” foi quase um “anti-voto” resguardada, claro, a convicção de muitos dos eleitores que realmente estavam e estão convencidos de que o capitão encara a mudança que o Brasil precisa.

Em entrevista concedida ao Jornal Nacional (TV Globo), na noite de ontem, terça-feira, 29, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) não soube explicar de onde saiu a alcunha de “Mito” que lhe impuseram desde que decidiu ser candidato ao Planalto.

“Mito, eu não sei de onde veio isso aí. Até brinquei, deve ser do meu apelido de criança, ‘parmito’”, disse para a um já entusiasmamo Willian Bonner, âncora do JN.

Gosto sempre de lembrar a frase antológica do Tom Jobim que diz: “O Brasil não é para principiantes”.

A eleição de Jair Bolsonaro é expressão máxima dessa frase do “maestro soberano”.

Como entender o fato de um cara que até pouco tempo atrás era mal conhecido pelas declarações polêmicas dadas na imprensa, posturas autoritárias na Câmara dos Deputados, filiados a um partido nanico, sem recursos de fundo partidário, tempo eleitoral no rádio e tevê, sem sequer fazer campanhas nas ruas e palanques, por ficar hospitalizado boa parte da eleição depois de levar uma facada, derrotar toda uma estrutura do status quo que há décadas imperava no país?

Bolsonaro é produto de vários fatores todos eles podendo ser resumidos ao nosso sistema político, partidário e eleitoral carcomido. O voto no “17” foi quase um “anti-voto” resguardada, claro, a convicção de muitos dos eleitores que realmente estavam e estão convencidos de que o capitão encara a mudança que o Brasil precisa.

Isso sem falar na “panela de pressão” conservadora que fervia em fogo brando, mas que com o tempo foi aumentado a temperatura em virtude dos esquemas de corrupção, de figuras ilustres de grandes partidos sendo presos, surgimento de movimentos como MBL, até… “boom!” Explodir tudo.

Resultado: além da eleição do Bolsonaro, o gigantismo do PSL que passa ser a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados com 51 parlamentares, políticos tradicionais mandados para casa, novos senadores eleitos, além de lideranças até então desconhecidas que governarão estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e o Distrito Federal, a maioria conservadora.

Enfim, não é possível prever com segurança o que nos espera a partir do dia 1º de janeiro de 2019. Entre o que já foi anunciado até pelo presidente eleito, o que mais me agrada é a proposta do fim do instituto da reeleição e ainda a reafirmação contundente do compromisso de Bolsonaro com as liberdades individuais, de imprensa, enfim, com a Constituição e o Estado de Democrático de Direito.

No mais é aguardar os próximos anúncios da equipe de transição ligada a Jair Bolsonaro e torcer por um choque de bom senso neste país.