As três questões mais importantes da vida

Se você tem a resposta para as três questões mais importantes da sua vida, é meio caminho andado, caso contrário, procure descobrir o quanto antes e abrevie o caminho para uma vida mais rica, mais digna e mais produtiva.

Jerônimo Mendes, administradores.com.br

Quem não sabe para onde vai, qualquer lugar serve. Será mesmo?

O provérbio é antigo, porém atual. Entra ano e sai ano, vale para todas as cores, classes, credos e culturas. Alguns estão mais avançados na resposta, mas a maioria não; é uma questão de empenho, propósito, determinação, otimismo e muita persistência, ou seja, uma conjunto de forças que devem ser trabalhadas constantemente.

Mais da metade das pessoas que conheço ainda não se encontrou na vida. Algumas nunca conseguirão se encontrar proque estão presas ao refrão imortalizado por Zeca Pagodinho: “deixa a vida me levar“.

A realidade é que se isso for levado ao pé-da-letra, a vida vai acabar te levando para um lugar que você não quer ir e, acredite, será difícil voltar. É quase impossível mudar alguém depois de certa idade, pois, como diz um velho provérbio japonês, é difícil desentortar um bonsai.

Para alguns, isso não é bom nem ruim, pois depende do que se quer da vida, do seu grau de ambição, dos seus objetivos e metas, se é que existem. Há quem queira viver um dia de cada vez, sem qualquer pretensão em relação ao futuro. Cada um sabe de si.

Potanto, enquanto o ano está apenas começando, dá tempo de fazer uma breve reflexão e exercitar a resposta para três questões importantes que vão fazer uma diferença enorme na sua vida em menos tempo do que se espera.

A primeira questão é a mais difícil, afinal, como foi dito antes, são poucas as pessoas que conseguem encontrar a resposta para um dos principais dilemas da vida profissional. Abraham Maslow dizia que “não é normal saber o que queremos; é uma realização psicológica rara e difícil”, portanto, é para poucos.

Então, vamos para as questões mais importantes da sua vida pessoal e profissional:

1) Quem você é? Diz respeito aos seus valores, às suas crenças (em que você acredita, o que você defende), aos seus pontos fortrs e aos seus pontos fracos. Diz respeito à pessoa em que você se transformou até agora.

2) O que você quer? Diz respeito à clareza quanto aos seus objetivos e metas, sua causa, suas paixões, aquilo que lhe dá sentido de contribuição e de realização ou a palavra do momento: o seu mindset. Quando você possui um mindset forte, claro e poderoso, as chances de sucesso são maiores. Diz respeito à pessoa em que você quer ser transformar a partir de agora.

3) Como você vai conseguir? Diz respeito ao plano, ao caminho a ser seguido, ao mapa que o levará a encurtar o caminho para uma jornada menos dolorosa. Na prática, você tem um mapa, um coach, um mentor, um método que o ajude a colocar em prática o que você tem em mente? Suas ideias estão minimamente estruturadas no papel?

De maneira simples e direta, quanto mais cedo você obtiver as respostas para essas questões intrigantes, maior a chance de você se dar bem na vida. E não estou falando do ponto de vista financeiro somente, mas do ponto de vista econômico, social e esperitual, o último estágio da Pirâmide de Maslow: autorrealização.

Portanto, dá tempo ainda de fazer uma boa reflexão a respeito. Estude com mais carinho do que faria para seu empregador, pense um pouco mais em você, busque no fundo da sua alma as respostas que poderão definir o caminho para uma vida inteira.

Depois dos setenta ou oitenta anos, somente duas questões vão martelar a sua cabeça sem dó nem piedade: por que eu não fiz isso antes? Costumo dizer que a resposta é mais cruel: eu poderia ter feito isso.

Desejo-lhe toda sorte do mundo ao longo da vida, mas não se esqueça de que a sorte é uma mera convergência entre preparação e oportunidade.

Sucesso, sempre!

O carisma da primeira-dama Michelle Bolsonaro 2

Se é verdade que o Brasil está sob comando de um governo conservador nos costumes, não é menos verdade que ontem, durante a cerimônia de posse presidencial, Michelle Bolsonaro roubou a cena e mandou um recado para a nação brasileira de que não será uma mera primeira-dama e muitos menos fará o estilo “recatada e do lar”

Entre os principais momentos da posse do presidente Jair Bolsonaro, não há como deixar de mencionar o discurso da primeira-dama Michelle Bolsonaro feito em libras, que é linguagem brasileira de sinais para comunicação com deficientes auditivos.

Para além de quebra de protocolos, o gesto protagonizado pela esposa do novo presidente, além de inédito, sinaliza que a Michelle poderá ter um papel de destaque no novo governo pelo seu engamento em causas sociais, como a da inclusão de portadores de deficiência física e, claro, pelo carisma marcante da primeira-dama.

Em tempos de narrativas sobre empoderamento feminino, o que se viu ontem em Brasilia foi um gesto que dá força a tal narrativa, hoje quase um monopólio das esquerdas. Aliás, uma das posturas arrogantes das esquerdas é exatamente achar que o processo de emancipação da mulher só pode ser dado em governos situados no espectro político-ideológico esquerdista. Ledo engano.

Se é verdade que o Brasil está sob comando de um governo conservador nos costumes, não é menos verdade que ontem, durante a cerimônia de posse presidencial, Michelle Bolsonaro roubou a cena e mandou um recado para a nação brasileira de que não será uma mera primeira-dama e muitos menos fará o estilo “recatada e do lar”. É aguardar e conferir.

A seguir, o discurso em libras de Michelle Bolsonaro.

SEGUNDO MANDATO: Novas promessas e críticas a Bolsonaro marcam posse de Flávio Dino 4

Para não perder o costume de tentar chamar a atenção da mídia nacional, Flávio Dino fez críticas indiretas ao presidente Jair Bolsonaro e ainda tirou onda com o governo do “capitão”.

Novas promessas, muitas das quais que poderiam ter sido implementadas no primeiro mandato, e críticas ao presidente Jair Bolsonaro deram a tônica dos discursos de posse de Flávio Dino para o segundo mandato de governador do Maranhão.

O comunista garantiu que no segundo mandato terá mais zelo com o “equilíbrio fiscal de receitas e despesas”, avançará nos quesitos transparência e honestidade, além de que manterá respeito aos direitos humanos.

No geral, os discursos de Flávio Dino, tanto no ato de posse na Assembleia Legislativa do Maranhão quanto da sacada do Palácio dos Leões, pareciam mais que o governador reeleito estava assumindo um primeiro mandato, já que ouviu-se mais promessas de “boas novas” do que uma prestação de contas, ainda que sumária, sobre o que foi feito de grandioso nos primeiros quatro anos de sua gestão.

Indiretas a Bolsonaro

Para não perder o costume de tentar chamar a atenção da mídia nacional, Flávio Dino fez críticas indiretas ao presidente Jair Bolsonaro e ainda tirou onda com o governo do “capitão” afirmando que está disposto a emprestar dinheiro do estado para finalizar construções de creches remanescentes do governo Dilma, mas que encontram-se paralisadas nos municípios.

“Sou defensor da democracia, não acredito em guerra, em ódio ou em armas (…) Amanhã  [hoje, quarta-feira, 2] vou dirigir ofício ao Ministério da Educação oferecendo ajuda financeira para a conclusão de creches federais paradas em nosso Estado”, discursou,.

E assim foi, em síntese, a festa de posse do segundo mandato do governador Flávio Dino. Que, aliás, já vazou do Maranhão para curtir merecidas férias até porque ninguém é de ferro.

Nem o gordinho comunista.

Advogado comemora sucesso do ‘Natal Solidário’ 2

O advogado e militante social, Abdon Marinho, comemorou o sucesso de mais um ” Natal Solidário” que ele promove já alguns anos fazendo a alegria de várias crianças carentes e seus pais.

Pela rede social do Facebook, Abdon Marinho agradeceu “a todos os amigos que contribuíram com o nosso Natal Solidário. Na alegria de cada criança a certeza que estamos fazendo um mundo melhor.”

A seguir, a transmissão ao vivo do “Nata Solidário” feita pelo advogado. Confira:

CASO “JOÃO DE DEUS”: “Em meio século de trabalho com pacientes graves, nunca vi um milagre”, diz Drauzio Varella 2

Charlatães

por Drauzio Varella

Todo charlatão que se preza alega receber eflúvios energéticos do além túmulo. Em busca de alívio para os mais variados males, os crédulos vão até ele.

Basta correr o primeiro boato de que o parente do filho do amigo de algum vizinho sarou ao receber um passe para que a fama do charlatão se espalhe. Em pouco tempo, começam as romarias em sua porta.

Se o espertalhão aprendeu certos truques há mais de um século desmascarados pelos mágicos, como enfiar tesouras em narizes, raspar córneas e fazer cortes superficiais através dos quais retiram falsos tumores sem que os incautos sintam dor ou se deem conta da prestidigitação, os testemunhos de poderes extrassensoriais correm o mundo.

A credulidade humana não tem nacionalidade nem respeita fronteiras.

Ele se alimenta da insegurança do outro. Apregoa o dom de incorporar “entidades” que mobilizam energias transcendentais, capazes de restabelecer a ordem nas células do organismo enfermo.

Ninguém questiona a natureza dessa energia: cinética, térmica, potencial, atômica? Ninguém estranha por que ela não faz um tapete voar nem ferver a água de um copo.

O prestígio do charlatão é potencializado pelas personagens públicas que consegue atrair. Cada médico, juiz, presidente da República, intelectual ou artista de renome que procura seus serviços atrai publicidade e lhe confere atestado de idoneidade espiritual.

As motivações que levam gente esclarecida a ir atrás do sobrenatural são as mesmas que mobilizam a pessoa mais simplória. Credulidade é condição contagiosa, não respeita escolaridade, posição social, cultura ou talento artístico.

Trato de doentes com câncer há 50 anos. Assisti ao desapontamento de inúmeras famílias que viajaram centenas de quilômetros com seus entes queridos —muitas vezes debilitados—​ atrás da promessa de curas mágicas que jamais se concretizaram.

A vítima se aproxima do charlatão na esperança de um milagre. Poucos se conformam com a finitude da existência e aceitam as restrições impostas pelas leis da natureza: milagres não existem, são criações do imaginário humano.

Se existissem, em meio século de atividade profissional intensa com pacientes graves, eu teria visto pelo menos um, ainda que fosse uma redução ínfima nas dimensões de uma metástase. Cem por cento das chamadas curas espirituais que tive a oportunidade de avaliar não resistiram à análise racional mais elementar.

Como nem sempre estão bem definidos os limites de separação entre superstições, crendices e religião, quem ousa denunciar as artimanhas do charlatão é tido como contestador da religiosidade alheia e enfrenta a ira popular.

Duvidar da eficácia de suas ações é afrontar a palavra do “enviado de Deus” e as convicções dos fiéis. Tentar convencê-los de que são ludibriados por um malandro que lhes incute esperanças vãs é considerado sacrilégio.

Veja o caso desse cidadão autodenominado João de Deus. Durante décadas iludiu, trapaceou e cortou pessoas com instrumentos inadequados sem o menor cuidado com a esterilização.

Para retirar um ponto cirúrgico de um paciente em meu consultório, preciso de autorização explícita da Anvisa, sem a qual posso ser multado pela fiscalização caso guarde no armário uma pinça e uma tesoura cirúrgica. Tanto rigor com os médicos e permissividade covarde e conivente com esses incorporadores de espíritos.

A menos que tenha mediunidade suficiente para imobilizar vírus e bactérias, quantas infecções locais e transmissões de hepatite B e C, HIV e outras doenças esse curandeiro provocou impunemente?

A sociedade fica chocada ao saber que ele abusou de centenas de mulheres indefesas. Sinceramente, só me surpreendi com o número: esperar comportamento ético de alguém que ficou milionário explorando a boa fé de milhões de doentes é ingenuidade pueril.

Veja você, caríssima leitora, a situação humilhante da mulher no Brasil: no decorrer de 40 anos, um homem branco e poderoso se aproveita sexualmente de mulheres em situação de vulnerabilidade, sob o olhar complacente de auxiliares que com ele convivem, sem ser denunciado à polícia.

Não fossem os depoimentos apresentados no programa do Pedro Bial, quantas ainda seriam estupradas?

Que sensação de impotência, fragilidade, solidão e vergonha tantas mulheres viveram sem ter como reagir, com medo da opinião pública, acuadas pela influência religiosa e social de um criminoso desprezível.

MARANHÃO 2018: Falando de coisas boas (Parte I) 2

Poderia escrever que o Maranhão nos últimos quatro anos foi uma merda do ponto de vista socioeconômico. Estão aí os dados do IBGE que denunciam que a partir de 2016, mais de 312 mil famílias maranhenses voltaram à condição de miseráveis. Ou ainda apontar que o Poder Judiciário maranhense é 5º pior do país em termos de transparência, como bem postou o blog Atual 7, (veja aqui e aqui).

Mas, apesar do governador Flávio Dino (PCdoB) e do presidente do TJ-MA José Joaquim Figueredo, quero lembrar 2018 com coisas boas na esperança de que 2019 seja melhor para os maranhenses. Vamos lá.

Na política, por exemplo, 2018 revelou lideranças novas que chegam ao legislativo estadual e federal reoxigenando a política maranhense independente de gostar ou não de alguns deles.

No Senado Federal estarão lá Weverton Rocha (PDT), que tomará posse legitimado numa votação astronômica maior do que a do próprio governador Flávio Dino; e a nossa brava Eliziane Gama (PPS), que, como um Fênix, ressurgiu das cinzas de 2016.

Independentemente das preferências políticas e ideológicas, ou ter simpatia ou não pelo nosso querido “Maragato” e a nossa estimada irmã, é claro que dois jovens sentando nas cadeiras azuis do Senado Federal deve ser motivo de elogios até porque quebraram paradigmas.

Passando para a Câmara Federal, não tem como desconhecer a chegada do jovem e promissor Pedro Lucas Fernandes (PTB) que estreará como deputado federal com a responsabilidade de honrar o legado do seu pai, o ainda deputado Pedro Fernandes, e mais ainda: consolidar-se como liderança dessa nova geração de políticos maranhenses.

Temos ainda a eleição, também de deputado federal, do ex-petista Bira do Pindaré, hoje hospedado no PSB. Dizem as boas e más línguas que Bira é o nome do coração de Flávio Dino para disputar a prefeitura de São Luis e 2020, ainda que no meio do seu caminho haja uma pedra chamada Felipe Camarão – mas isso é assunto para outra postagem.

Outro jovem político que vai tomar posse no Poder Legislativo federal é Eduardo Braide (PMN), eleito com quase 190 mil votos sendo o mais votado na capital São Luis o que o coloca como um dos nomes favoritos para vencer pleito municipal de 2020.

Ouro jovem que chega à Brasília na condição de deputado federal é Edilazio Júnior (PSD), um dos quadros do grupo Sarney que promete engrossar o coro contra o governo Flávio Dino na Câmara dos Deputados ao lado do deputado reeleito Hildo Rocha (MDB).

Tem ainda o homem forte do governo Flávio Dino, o secretário de Comunicação e Articulação Política, jornalista Márcio Jerry (PCdoB), que também garantiu assento na Câmara Federal.

“Ah, Bob, mas citar Márcio Jerry como coisa boa em 2018 é demais”, pode reclamar um leitor que não vai lá muito com a “lata” do deputado federal comunista eleito.

Bom, de qualquer forma, e seja como foi eleito, Márcio tem uma história na esquerda maranhense que, queira-se ou não, merece ser reconhecida. Sem falar que na condição de deputado federal torna-se um nome forte na corrida pela sucessão do prefeito Edivaldo Júnior (PDT).

E vou ficando por aqui.

Até a parte II.

DIREITOS DE PERSONALIDADE: Mulher é condenada por acessar rede social de ex e publicar texto autodepreciativo

Por Jomar Martins, via ConJur

Acessar o perfil de ex-cônjuge em rede social, publicando mensagem como se fosse o titular da conta, viola direitos de personalidade assegurados no inciso X do artigo 5º da Constituição. Caracterizado o ato ilícito, há a obrigação de reparar a parte ofendida, como dispõe o artigo 927 do Código Civil.

Por isso, a 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul acolheu apelação de um homem que teve a sua conta no Facebook invadida pela ex-companheira, revoltada por não receber a pensão alimentícia da filha. O colegiado reformou a sentença de improcedência, arbitrando a indenização por danos morais em módicos R$ 300, considerando as razões da ré e o pouco caso do autor com a segurança de sua senha.

Fazendo-se passar pelo ex-cônjuge, a ré postou na página dele uma mensagem em tom autodepreciativo: “eu sou pessoa sem caráter, vagabundo” e “deixei minha filha passar fome e estou me divertindo’’. O homem então ajuizou ação indenizatória contra a ex-companheira, já que a postagem atraiu vários comentários questionando o seu caráter. Pediu 20 salários mínimos pelos danos morais causados.

À 2ª Vara Cível da Comarca de Santa Cruz do Sul, a ré admitiu ter utilizado a senha do ex-companheiro para publicar a mensagem. Disse que estava em ‘‘estado de desespero’’, pois este não pagava a pensão alimentícia para a filha, mesmo sendo cobrado há vários meses. Afirmou ter acessado a conta para descobrir no que ele gastava o salário. Admitiu que foi acometida de ‘‘um surto de descontrole’’ ao descobrir que o salário do autor era gasto todo em festas, enquanto ela passava dificuldades. Por fim, sustentou que ‘‘estava no direito’’ de extravasar suas angústias e preocupações.

Questões conjugais
O juiz André Luís de Moraes Pinto reconheceu que a postagem tinha nítida potencialidade para violar os direitos de personalidade da parte autora, pois excedeu a mera crítica pessoal, dando indícios de ato ilícito. Entretanto, ponderou que a conjuntura em que se deu a manifestação trouxe à tona questões conjugais que descambaram para ações judiciais, exigindo solução diversa da condenação por responsabilidade civil.

Em consulta ao sistema eletrônico do TJ-RS, o julgador verificou a existência de várias ações entre as partes litigantes, incluindo revisão de guarda da filha, pensionamento e medidas protetivas, além de dois processos-crime contra a honra. Além disso, ressaltou que a parte autora não comprovou ter pagado, no prazo certo, a obrigação alimentar.

Para o julgador, esse quadro oferece ‘‘justificativa razoável’’ para elidir a responsabilidade da ré, pressionada pela situação vivenciada e inconformada com o fato de o pai não pagar a pensão.

‘‘O ato, tal como praticado, desvela o desespero pelo qual foi tomada. Contudo, esta decisão não significa um salvo-conduto para autora no futuro, devendo extrair aprendizado do que se sucedeu e procurar conter seus impulsos, optando por buscar caminhos adequados, por meio dos quais irão transitar seus reclames. É o que entendo mais justo na situação em liça. Pelo fio do exposto, julgo improcedente a pretensão civil’’, escreveu na sentença.

Conduta reprovável
A sentença acabou reformada pelos integrantes da 9ª Câmara Cível do TJ-RS, por entenderem que as eventuais condutas reprováveis do autor não excluem a responsabilidade da demandada, podendo, apenas, atenuá-la. Ou seja, essas condutas podem ser ponderadas no momento de quantificar o quantum indenizatório.

O relator da apelação, desembargador Eugênio Facchini Neto, observou que há meios de as pessoas resolverem os seus problemas, mas certamente invadir o Facebook de ex-companheiro, para depreciá-lo, não está entre eles. Assim, os atos praticados pela ré são suficientes para levar ao reconhecimento do dever de reparação moral.

‘‘Afinal, reafirmo, a circunstância de a ré estar alegadamente desesperada em razão de o autor não estar pagando a pensão alimentícia da filha — fato que a teria feito ter um dito ‘surto de descontrole’ ao descobrir, por meio do acesso desautorizado ao Facebook, que o demandante estaria gastando dinheiro em festas —, não consiste em excludente de ilicitude’’, explicou no acórdão.

Após analisar o caso concreto, Facchini Neto arbitrou o valor da indenização por danos morais em R$ 300, valor a ser corrigido desde 1º de setembro de 2015 — data da postagem na rede social. O relator destacou a falta de cuidado do autor na administração de sua conta na rede social, já que a ré conseguiu acesso ao perfil porque ele não tomou a cautela de trocar a senha.

‘‘Sopeso, também, a ausência de demonstração do alcance que as mensagens tiveram; ou seja, das reais repercussões que elas tenham tido perante terceiros e dos efeitos negativos provocados ao requerente’’, concluiu no voto.

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Processo 026/1.16.0004965-0 (Comarca de Santa Cruz do Sul)

Não basta ser criativo

Muita gente confunde criatividade com imaginação. Enquanto a criatividade é a capacidade de conectar pontos, a imaginação é a capacidade de criar pontos, não necessariamente conectá-los

Marcos Hashimoto*, via administradores.com.br

Vários alunos me procuram com ideias ‘inovadoras’ de negócio, mas o fato é que a maioria destas ideias não são verdadeiramente diferentes. Ou eles não procuram o suficiente para saber que existem ideias semelhantes ou suas ideias são apenas pequenas variações do que já existe, não o suficiente para ser considerado ‘inovação’ pelo mercado. Muitas ideias, entretanto, são tão diferentes, tão criativas, que provavelmente não darão em nada, pois não se sustentam no quesito viabilidade.

A verdade é que os alunos não conseguem ter grandes ideias de ruptura porque a maioria deles não tem a experiência e conhecimento mínimos em uma determinada área para ter ideias realmente inovadoras, não importa o quão criativo eles sejam.
No entanto, esta experiência e conhecimento tem dois lados. Se por um lado, a falta de experiência e conhecimento não dá nenhuma credibilidade e argumento para sustentar as ideias propostas, por outro lado, quanto mais experiência e conhecimento adquirirmos por meio de cursos, livros, trabalhando na área, com especialistas, mais difícil passa a ser pensar de forma diferente do que já existe hoje, pois nosso cérebro já está cheio de certezas, a chamada ‘xícara cheia’, não dando espaço para novas abordagens e pensamento crítico. Portanto, é importante ter conhecimento e experiência para sabermos do que estamos falando, mas ter um espírito questionador e crítico, que dê espaço para as novas ideias.

Muita gente confunde criatividade com imaginação, por isso cabe uma breve explicação da diferença. Enquanto a criatividade é a capacidade de conectar pontos, a imaginação é a capacidade de criar pontos, não necessariamente conectá-los. A imaginação é natural do cérebro humano e, se alimentada desde criança, continua fértil enquanto adulto.

Basicamente, a criatividade é a arte de ligar os pontos. Existem dois tipos de pontos a ser ligados. O primeiro que são gerados a partir de nossa imaginação e o segundo que são gerados a partir destes conhecimentos e experiências. Quanto mais diversificados forem esses pontos mais criativas são as nossas ideias.

Vamos usar como metáforas as bombas e pontes. As bombas explodem, rompem, criam rupturas, bagunçam e espalham tudo. As pontes conectam, ligam, unem duas partes. A imaginação é como as bombas, são necessárias para romper com o padrão existente, enquanto a criatividade é como a ponte, estabelece uma conexão entre dois ou mais pontos de forma a fazer sentido, uma ideia. Quando você lança uma bomba, você está usando sua imaginação, gerando coisas loucas que mudam completamente o que está acontecendo agora. Quando você usa a sua criatividade, você está tentando dar um sentido à bagunça que a bomba gerou, ligando os pontos e conectando fatos, experiências, conhecimento, dados, tudo o que estava espalhado, de forma a gerar algo que seja realmente grande. Portanto, a imaginação é a matéria-prima que alimenta o processo de criatividade.

Portanto, se você quiser ser mais criativo, aprenda duas coisas: Primeiro, fazer conexões. Quanto mais incomuns e estranhas, melhor. Você deve saber como criar uma ligação entre o funeral de sua tia querida com a nova marca escova de dentes lançada no mercado. Grandes conexões criativas unem duas ou mais coisas em sua memória que não tem nada a ver uma com a outra. Segundo, aumentar o número e a variedade destes pontos em sua mente, ou seja, o seu repertório de bombas. Para isso, viva diferentes experiências, aprenda outros idiomas, conheça pessoas de outras culturas, viaje para países exóticos, visite museus de arte ou museus históricos, leia sobre assuntos incomuns, saia para mochilar em outro país e várias outras coisas que não tem nada a ver com sua vida atual, nem a sua ideia de negócio futuro, mas vai ajudar a preparar seu cérebro pronto para o próximo passo: a inovação.

A inovação acontece quando percebemos que por trás de algumas dessas conexões existe algum valor, um propósito, uma causa, um resultado tangível. É este valor que diferencia a criatividade artística da criatividade inovadora. As artes expressam os sentimentos e visões do próprio artista, enquanto a inovação sempre tem um valor percebido pelos outros.

Quando a inovação acontece, os pontos conectados abrem caminhos para inúmeras possibilidades de gerar valor. É por isso que a maioria das inovações vêm de laboratórios científicos. Estes são os lugares onde novos conhecimentos estão sendo gerados, portanto, com mais possibilidades de gerar novas conexões relevantes. Quando temos imaginação e conhecimento novo e desenvolvemos nossa capacidade de conectar estes pontos, um mundo de novos caminhos para serem explorados se descortinam.

Por fim, os negócios inovadores acontecem quando surge um caminho para transformar este valor percebido em uma corrente contínua de receitas e crescimento. É importante saber que todo esse fluxo de negócios inovador não está necessariamente em uma única pessoa ou empreendedor. Pode-se ser imaginativo, mas sem experiência ou conhecimento, não conseguirá fazer conexões significativas. Se você tem tudo isso, mas não tiver habilidades de negócios, sua inovação vai ficar presa em um laboratório ou no máximo em uma patente e você vai se contentar com os royalties recebidos de uma grande corporação que utiliza sua patente. Protagonismo se dá com um conjunto de pessoas com essas habilidades diferentes que se unem para construir este projeto inovador, cada um deles contribuindo com sua própria maestria que complementa a de outras pessoas.

Se a sua equipe tiver: 1 pessoa com rica imaginação (bomba), 1 pessoa com muito conhecimento (um pesquisador), 1 pessoa com muita experiência prática, 1 pessoa criativa (ponte) e 1 pessoa com visão de negócio (administrador), então você está pronto para liderar a próxima inovação de ruptura que vai mudar o mundo!

Marcos Hashimoto*
Professor de Empreendedorismo da Universidade de Indianapolis e co-fundador da Polifonia, escola de Protagonismo Criativo de São Paulo. Serviços de consultoria em Estratégia Empresarial, Liderança e Empreendedorismo Corporativo: http://www.marcoshashimoto.com