Turquia assusta 2

Por Eden Jr.*

O mundo está mais imprevisível. Depois da erupção de distúrbios econômicos na Argentina, do ciclo de elevação dos juros americanos e do acirramento das divergências comerciais entre Estados Unidos e China, agora foi a vez da Turquia colocar em xeque a prosperidade global. Isso a despeito do Fundo Monetário Internacional (FMI) ter projetado, em julho último, que o crescimento global será de 3,9% neste ano.

O novo imbróglio planetário teve início com o anúncio feito pelo presidente americano, Donald Trump, de que dobraria as tarifas de importação do aço e do alumínio exportados da Turquia para os EUA, para 50% e 20% respectivamente. Existem duas versões para essa majoração de impostos. Uma oficial, de que a motivação teria o objetivo de dar um novo alento para a indústria americana de aço e alumínio, que vem perdendo competitividade perante seus concorrentes. E outra mais aceita – dado o perfil inconstante do mandatário americano – de que a elevação foi uma retaliação à prisão, pelo presidente turco Recep Erdogan, do pastor estadunidense Andrew Brunson, acusado de espionagem e terrorismo, atos ligados à tentativa de golpe de estado ocorrido em 2016 no país. Inclusive, nas últimas semanas o governo americano tinha agido para libertar o pastor.

As perturbações econômicas repercutiram logo na moeda turca, a lira, que tem enfrentado uma crise de confiança e passou por forte desvalorização em relação ao dólar e ao euro. Para defender a divisa local, o presidente Erdogan tem estimulado, sem muito sucesso, uma espécie de “cruzada nacional”, ao incentivar que os turcos troquem ouro e outras moedas pela lira, buscando assim, brecar a desvalorização da lira. Uma implicação imediata da queda da lira é que paira o temor de um amplo calote das empresas turcas, que estão com nível alto de endividamento, tanto perante os bancos locais quanto aos estrangeiros. Fato que redunda em pressão sobre todo o sistema bancário.

Fora isso, a economia turca padece de problemas que já vinham se acentuando recentemente, apesar do crescimento do país ter sido de 7,4% ano passado, o que a colocou entre as nações de mais forte expansão, juntamente com China e Índia. A inflação, que vem se acelerando e está na casa dos 16% em valores anualizados até julho, é uma dessas dificuldades. Para tentar brecar a escalada dos preços, o remédio mais recomendado seria a elevação dos juros pelo Banco Central local. Contudo, o presidente Erdogan indicou que os juros não vão subir, pois podem deprimir o crescimento, fato que deixa clara a falta de autonomia da autoridade monetária. A inflação deve ser retroalimentada pela queda da lira, pois ficará mais caro importar produtos indispensáveis, como petróleo, gás e energia elétrica. As contas públicas são outra fonte de dúvidas. O endividamento do governo sofre ampliação rapidamente nos últimos anos: saiu de 39% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 e atingiu 60%.

Entretanto, Erdogan também já avisou que não adotará os impopulares cortes de despesas. E como cerca de 40% dessa dívida é em moeda estrangeira, vai ficar cada vez mais caro honrar esse compromisso, tendo em vista a desvalorização da lira.

Outro flanco da Turquia é o comércio internacional. Os persistentes déficits nas transações comerciais com o resto do mundo causam perplexidade entre os analistas. O rombo turco com seus parceiros comerciais foi de 32 bilhões de dólares em 2015 para 47 bilhões em 2017, e ficou em 31 bilhões somente no primeiro semestre deste ano. Diante das atuais incertezas, não se sabe o que o país fará para continuar sustentando um comércio internacional cada vez mais deficitário.

O grande questionamento que se faz é até onde a turbulência da Turquia – que representa apenas 1,7% do PIB global e é tão-somente a 17ª maior economia do planeta – pode impactar o desempenho mundial. Os desdobramentos são de naturezas e magnitudes diversas. Na Argentina – que angaria desconfiança em razão dos abalos sofridos recentemente, com o peso desvalorizando 70% nos últimos 12 meses, que enfrenta déficits fiscal e no comércio exterior e previsão, para este ano, de queda no PIB de 1% e de inflação de 30% – o Banco Central alçou os juros a 45% ao ano (a maior taxa do mundo). Esse movimento do BC argentino vai dificultar a melhora econômica.

Na Itália, os juros subiram pela possiblidade de revogação da “Lei Fornero” (que endureceu as regras de aposentadorias), o que pode resultar no aumento da já elevada dívida pública, além de haver questionamentos quanto ao vigor do sistema bancário. Especialmente do maior banco do italiano, o Unicredit, que tem altas somas emprestadas ao governo turco. O Banco Central Europeu (BCE) está receoso com a exposição de bancos europeus, como BBVA e BNP Paribas, que que têm significativas participações em instituições financeiras turcas. Bancos das cinco principais nações do continente – Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha – têm mais de 171 bilhões de euros aplicados na Turquia.

Já no Brasil, o real tem se depreciado. O dólar se valorizou mais de 20% neste ano, e na última semana rompeu a barreira dos quatro reais, atingindo a terceira maior cotação da história. Contudo, a alta da moeda americana no Brasil não tem relação somente com a crise turca, mas sobretudo, com os sucessivos déficits públicos e com o avanço da corrida eleitoral. Isso pois, as pesquisas divulgadas trazem como favoritos candidatos que não têm se mostrado comprometidos com reformas econômicas, circunstância que traz adversidades para o crescimento de longo prazo.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)

Viva o professor Natalino Salgado! 4

São pessoas como o nosso eterno reitor da Ufma,  nosso imortal da Academia Maranhense de Letras, que ainda me motiva a acreditar que o Maranhão pode dar certo. Aliás, que o Maranhão nasceu para dar certo.

Amanheci com a vontade de falar/escrever sobre gente do bem (deixa Flávio Dino pra lá).

Aí veio em minha cabeça de imediato o professor Natalino Salgado.

Professor Natalino é uma prata da casa!

Prata da casa baixadeira, maranhense, nordestina, enfim!

Nosso professor rompeu os limites da sua cidade natal (Cururupu), do seu estado e hoje é conhecido e reconhecido nacionalmente, quiça internacionalmente!

Ex-reitor da Universidade Federal do Maranhão, aliás, o melhor reitor que a Ufma já teve, professor Natalino Salgado é uma personalidade que está acima, muito acima da pequinês política que impera no nosso estado.

Os candidatos ao governo do Maranhão sem exceção, por exemplo, deveriam ouvir o professor Natalino Salgado para saber o que o doutor pensa sobre o estado principalmente na área da saúde.

Digo “principalmente na saúde” porque é a área que o nosso mestre domina, mas pela inteligência e experiência de vida que possui, ele pode contribuir em muitos outros setores, como a educação, cultura, ciência e tecnologia etc.

Enquanto cidadão maranhense, tenho orgulho de conhecer e ser amigo do professor Natalino Salgado.

São pessoas como o nosso eterno reitor da Ufma,  nosso imortal da Academia Maranhense de Letras, que ainda me motiva a acreditar que o Maranhão pode dar certo. Aliás, que o Maranhão nasceu para dar certo.

Viva o professor Natalino Salgado!

Qual é a primeira e melhor vitória da vida?

Uma pista: trata-se de uma vitória ‘destinada’ a poucos

Por Juliana Vannucchi, via Vya Estelar

Em nosso cotidiano, é muito comum direcionarmos nossos esforços para conquistas.

Geralmente, na sociedade atual, essas conquistas que nos movem costumam ser de cunho material, ou então, relacionadas a algum tipo de status, como por exemplo, adquirir um celular novo que almejamos, comprar uma televisão nova ou uma peça de roupa que esteja na moda, comprar um automóvel novo, ou, pensando na questão do starts, conquistar um novo cargo no ambiente de trabalho, adquirir um novo ou nova amante e assim por diante.

As conquistas acima citadas podem ser importantes de alguma maneira – embora eu prefira não afirmar que de fato sejam ou em que grau são, pois não posso ser taxativa, já que não se trata de uma verdade absoluta.

Contudo, quantos de nós estamos conquistando nós mesmos? Ou, em outras palavras, quantos de nós, olhamos cautelosamente para nosso interior, exploramos nossas próprias mentes, corpos e emoções, a fim de compreendê-los melhor? Poucos fazem isso, embora seja algo que muitos deveriam fazer. E por que poucos fazem? É uma tarefa difícil, já que, em muitos momentos, voltar-se para si próprio pode ser algo incômodo. Afinal, não somos feitos apenas de luz, temos também um lado sombrio que nos pesa e que influencia nossa vida. É definitivamente mais prático e menos doloroso conquistar o que está fora de nós, criando uma imagem nossa que outras pessoas veem, mas que não nos traduz em plenitude. Mas a verdadeira conquista sobre si mesmo, significa justamente encarar nossa plenitude, abraçá-la e amá-la do jeito que ela é, pois assim, estaremos criando afinidade com nosso próprio eu, e controlando-o sempre que necessário.

Não adianta, no final das contas, conquistar o exterior e perder o controle do interior. Definitivamente, antes de se projetar para fora, é sensato olhar para si mesmo, buscar se conhecer (na medida do possível – saiba um pouco sobre isso) e exercitar a mente e o corpo, equilibrando-os dentro de suas necessidades subjetivas. Eis esta a conquista de si mesmo e a grande vitória platônica.

“A primeira e melhor vitória é conquistar a si mesmo” – Platão.

LUTA E RESISTÊNCIA: Zé Dirceu lançará “livro de memórias” em São Luis 6

Será uma boa oportunidade para aqueles que não conhecem verdadeiramente quem é o Zé Dirceu, passarem a conhecê-lo e daí fazer melhor juízo sobre a biografia desse grande brasileiro.

“Meus amigos e minhas amigas, militantes e resistentes nesta luta, estamos aqui novamente. Desta vez venho pedir sua ajuda e força nesta caminhada. Em agosto será lançado o meu livro de memórias.”

As palavras acima é do ex-chefe da Casa Civil, o petista José Dirceu, em alusão ao lançamento do seu livro de memórias escrito durante o tempo que o bravo militante da esquerda socialista e democrática esteve preso de forma “injusta”, conforme ele considera.

Ex-presidente do PT, ex-deputado federal, principal arquiteto político que levou Lula à presidência da República, Zé Dirceu é um personagem da política brasileira que divide a sociedade entre os que o amam e os que o odeiam.

Certamente entre os que o amam conhecem a sua história de luta por democracia, justiça social, desenvolvimento econômico e defesa da nossa soberania enquanto nação.

Os que odeiam o petista estão aqueles que agem por puro ódio e preconceito de classe, ou por não conhecerem verdadeiramente a biografia deste grande brasileiro, ou ainda por conhecem apenas a partir da imprensa nacional conservadora anti-petista.

O deputado Zé Inácio (PT) revelou ontem, 24, durante almoço com a imprensa, que Zé Dirceu fará o lançamento do seu livro de memórias em São Luis no dia 1º de outubro de 2018, às 19h em local ainda a ser definido.

O evento será uma boa oportunidade para aqueles que não conhecem verdadeiramente quem é o Zé Dirceu, passarem a conhecê-lo e daí fazer melhor juízo sobre a biografia, repito, desse grande brasileiro.

Confira o vídeo em que Zé Dirceu faz a chamada para o lançamento da sua obra, que já pode ser considerada histórica. Confira:

A ressignificação da liderança em tempos incertos

Só há uma certeza: a zona de conforto será um local que o novo líder nunca mais poderá visitar. Você está preparado?

por Irene Azevedoh, via Revista HSM

Liderança sempre foi um assunto importantíssimo para o ambiente corporativo, mas, no atual momento, tornou-se crucial. Em pesquisa recente, o #nowornever informou que 72% dos CEOs acreditam que os próximos três anos serão mais críticos para seus segmentos do que as últimas décadas. Sem falar que uma entre três empresas correm o risco de quebrar, enquanto há 50 anos esse número era de 1 em 20, segundo o Boston Consulting Group (BCG).

Esse cenário faz com que as organizações estejam em constante transformação, necessitando assim que as lideranças assumam novos papéis facilitadores da transformação. E quais serão essas novas habilidades tão almejadas pelo mercado?

Antes, conhecer o negócio era essencial para um líder. Já hoje o importante mesmo é saber navegar por ambiguidades. Isso porque a liderança muitas vezes,neste contexto de transformação, não terá um norte tão bem definido, o negócio poderá mudar muito rapidamente e também ele terá que utilizar comportamentos e habilidades que nem sempre eram requisitados, e que representavam sua zona de conforto. Por exemplo, a delegação de tarefas – porém o delegar sem perder o controle.

Os líderes precisarão também envolver-se mais com as operações, mas, de novo, sem serem controladores. Além disso, terão de promover a experimentação, só que contendo o risco – ou seja, deverão ousar para manter-se competitivos, mas sem deixar de proteger o negócio. E, antes de tudo, terão de buscar pontos de vista distintos, mas impulsionar uma ação unificada. Uma iniciativa que requer agilidade para alternância entre diálogo e ação.

Com certeza você já ouviu também que o papel do líder é incentivar o trabalho em equipe bem como a colaboração, mas dentro deste contexto de transformação, ele ganha uma nova tarefa: o de conectar a organização. O objetivo é que todos os membros trabalham em rede.

Com esses desafios, o líder precisará, então, de orientação comportamental para gerenciar em meio ao paradoxo que chamarei de navegação no “núcleo” e na “borda”. Explicando melhor estes conceitos: comportamentos que se referem a “núcleo” impulsionam a geração de resultados consistentes e exatos por meio de conhecimentos, perícia operacional e práticas comprovadas. Exemplo de comportamentos “núcleo”: desenvolvimento de planos com base em dados existentes, desenvolvimento de sistemas e políticas, ênfase em consistência e acuracidade. Enquanto comportamentos que se referem a “borda” empurram criativa e estrategicamente para áreas de risco e possibilidade. Alguns exemplos de comportamentos “borda”: prazer na inovação, tomada de decisões em conjunto, coaching do desempenho de outras pessoas, permitindo-lhes criar soluções e brainstorming de novas idéias.

Com isso, o líder que então liderava a mudança, terá também que fazer a cultura evoluir. Esse é um papel bem mais complexo,pois exigirá dele um aprofundamento no DNA da organização. Enfim, a zona de conforto será um local que esse líder nunca mais poderá visitar. Afinal, transformação exige a navegação em ambientes desconhecidos com uma única certeza: o aprendizado será constante, ou seja, estará sempre desaprendendo para aprender.

* Irene Azevedoh é diretora de transição de carreira e gestão da mudança –da consultoria Lee Hecht Harrison (LHH) para a América Latina. Escreveu este artigo com exclusividade para o site HSM Publishing.

Toda e qualquer resposta simplista sobre suicídios tem grande possibilidade de erro

Suicídios: o que ainda precisa ser dito

Redação Vya Estelar

Por Maria J. Kovács

Suicídio é tema tabu, mesmo sendo um evento presente na história da humanidade desde a Antiguidade. O ato suicida pode ser visto como liberdade, domínio, autonomia e controle. Mas ainda é frequentemente julgado e condenado, visto como fraqueza ou covardia.

Toda e qualquer resposta simplista sobre suicídios tem grande possibilidade de erro. Nos últimos anos, observamos mudança na mentalidade de que o suicídio precisa ser ocultado. Não falar sobre suicídio não diminuiu seus índices, pelo contrário, eles têm aumentado. A perspectiva atual é falar sobre o tema, trazendo números e porcentagens, quais são as pessoas em risco, diferenças de gênero e, no extremo, chega-se a falar do número de tentativas de suicídio em minutos, dias, meses ou anos.

Tão importante quanto a prevenção, é a posvenção; entenda

Os dados epidemiológicos servem como alerta e fomentam programas de intervenção. Os índices de suicídio nos convocam a prestar atenção nas pessoas ao nosso redor. Junto com programas de prevenção temos que desenvolver, em nosso meio, também programas de posvenção (termo ainda pouco conhecido no Brasil), que têm como objetivo principal cuidar do sofrimento de pessoas com ideação e tentativa de suicídio e familiares enlutados, oferecendo acolhimento e psicoterapia.

Levando-se em conta o que foi apresentado acima, vamos trazer outras questões para reflexão, agora considerando as pessoas já atingidas pelo fenômeno do suicídio, por ideação ou atos suicidas e pelos familiares que perderam pessoas queridas por esse evento. Essas pessoas necessitam de escuta, apoio, acolhimento e cuidados em longo prazo, não querem saber de números, estatísticas ou porcentagens. Precisam falar de seu sofrimento existencial.

Estatísticas apontam tendências, dados epidemiológicos, estatísticas, fundamentando programas de saúde mental. Pessoas afetadas pelo suicídio precisam de particularização, singularidade, respeito pela sua história que tem um início e que ainda não foi finalizada. Pessoas com ideação, tentativa de suicídio e familiares enlutados demandam atendimento de qualidade com profissionais capacitados, psicólogos, psiquiatras, psicoterapeutas, que possam acolher o sofrimento humano, cujo objetivo principal não deve ser evitar o suicídio a todo custo. Exemplificando, a atenção só voltada para impedir o suicídio pode restringir o sujeito, restringindo sua autonomia e liberdade.

Em casos extremos, pessoas podem ser amarradas no leito para que não realizem qualquer ação que possa colocar sua vida em risco. Essas ações podem resultar na diminuição do número de suicídios, mas o que podemos falar sobre a dor, falta de opção ou sofrimento dessa pessoa? Como profissionais de saúde mental nunca incentivaremos o suicídio, mas será que o impedir a todo custo não aumenta o sofrimento e a dor?

Temos poucas opções de cuidados contínuos em hospitais, Centros de Atenção Psicossocial e nas Unidades Básicas de Saúde. Entre as ONGS, cabe destacar o Centro de Valorização da Vida, que realiza de maneira exemplar o trabalho de atendimento em crise e o acolhimento. É fundamental que o “Setembro Amarelo”, além de programas de prevenção proponha também a contratação e capacitação de profissionais especializados para atender em continuidade pessoas em sofrimento existencial, que buscam a morte para aplacar a profunda dor psíquica que estão vivendo. Alertamos que o atendimento psicoterápico e psiquiátrico deve ser realizado por profissionais competentes e especializados e não por estagiários ou voluntários.

É preciso diferenciar acolhimento em crise realizado pelo Centro de Valorização da Vida, que é muito importante, por ser, em muitos casos, o primeiro passo para o atendimento de pessoas com ideação ou tentativa de suicídio de um atendimento especializado, como por exemplo, o atendimento psicoterápico e medicamentoso. Em muitos casos é necessário o atendimento psicológico e psiquiátrico especializado para lidar com a difícil tarefa de compreender emoções intensas, a ambivalência entre o desejo de viver e morrer, ampliar a visão estreita que considera a morte como única solução para o sofrimento. Sentir-se aceito, compreendido e não julgado, ter o sofrimento respeitado podem ser caminhos importantes para pessoas encontrarem sentido para continuar vivendo.

Fonte: Maria J. Kovács é professora do Depto. de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade do Instituto de Psicologia da USP

Ser humano ou ter humano, qual o estado em que você se encontra? 2

Ter implica em criar vínculos com o tempo

Por Ricardo J.A. Leme, via Vya Estelar

É possível ser livre de tudo que se tem e, também, por incrível que pareça, ser escravo de tudo que não se tem. Posso ser possuído pelo que não possuo!

Ter e Ser, duas dimensões que eventualmente se tocam, apenas se tocam. Ser humano ou ter humano, qual o estado em que você se encontra?

Eu sou!

Ter é estado claro aos cinco sentidos, mas ilusório ao tempo. O tempo flui e ensina que tudo relacionado ao ter sofre degaste. Ou seja, ter implica em criar vínculos com o tempo. Ter é temporário, não é bom nem ruim, temporário apenas. Aqueles que entendem a passagem terrena baseada na leitura de princípio e fim, são de algum modo reféns ou comparsas do tempo. Temos tempo? Quanto tempo de vida terei? Quando tinha sua idade… Se eu tivesse escolhido diferente… Quando eu crescer… Quando eu me aposentar… Enfim, nuances de expressão de teres humanos, humanos que passam.

Ter um nome, uma cidade onde se reside, um bairro, uma profissão, uma família, propriedades e afins, não me define enquanto ser! São apêndices circunstanciais da essencialidade do ser.

Ser mãe ou ter um filho não soa como realidades distintas a você?

A maternidade é experiência única a ilustrar com clareza a tensão que reside entre ser e ter. Conheço mães que nunca geraram filhos. Há mulheres que não tiveram filhos e têm o dom da maternagem, que é o cuidar. Também conheço mulheres que geraram filhos e nunca alcançaram o status de mães. Percebe a diferença? É sutil e grosseira simultaneamente.

O ser é inefável e se manifesta em presente e presença que não passa, permanece. Ele é uma veste do eterno e da eternidade, sem princípio ou fim, quando *eles descem à terra, esse maravilhoso espaço onde os sentidos imperam. Mas, se os sentidos me permitem ter experiências, dificultam que eu seja; enquanto sou, fluo, passo, me solto, comungo o mundo à minha volta, não me sinto apegado ao que sinto, visto que não tenho a experiência, senão sou a própria! Ora, sendo a experiência, ela acontece em mim, assim como simultaneamente eu aconteço nela, **ela me aprende enquanto eu a aprendo.

Confuso? Não se fores ser! Mas se a opção foi pelo ter, talvez esteja estranhando. ***São as entranhas que estranham.

Ser não é superior ao ter, apesar de maior. Ser é apenas diferente. Ter, são os dois lados da moeda, ser é a moeda. O ser é vertical, é antigravitacional e aspira, já o ter é horizontal e inspira, moldado pela gravidade. Pela gravidade do que tive, do que tenho e do que terei e pelo desespero do que poderia ter tido e do que poderia ter sido. Tudo se torna grave quando o ter asfixia o ser. Uma gravidade que força o corpo a se curvar fisicamente em reverência à terra, pois que a alma se recusou a reverenciá-la e assim ser liberta.

O ter humano é biológico, tem DNA, mapa celular, tem predisposição; o ser humano é biográfico, tem mapa celeste, é campo de possibilidades.

Ter não é menos que ser, senão diferente, aliás a própria diferença. Agora, problema é não se saber enquanto ser humano ou ter humano, aí sim é o princípio do equívoco na aventura da vida, que é temporal para o ter e atemporal ao Ser.

Assim sendo, quem sabe na próxima, se a vida permitir, possamos pensar juntos como sermos humanos?

* O eterno e a eternidade: quando eles descem à terra – uma metáfora do tempo presente.

** Perceba que aprender é solto, mais leve e sugere uma experiência de SER e TRANSFORMAR-SE. Quando aprendo algo deixo de ser, ou renovo meu ser. Quando apreendo algo aumento meu ser. Sutilezas que geralmente passam despercebidas, não é mesmo? De qualquer modo deixo aqui minhas desculpas pela liberdade poética.

*** É nas entranhas e no profundo de nosso ser que habitam nossos saberes mais consolidados, mais entranhados. A pessoa que vive ancorada no modo ter, tem as entranhas endurecidas, aprende por acúmulo, construindo torres. Alimentos novos podem causar estranheza, devido ao costume habitual de alimentos e informações formatados. Informações que a pessoa está habituada. A pessoa que vive no modo ser é livre e com entranhas porosas e desobstruídas a novos saberes, pensares e possibilidades de trocas. O modo ser minimiza a sensação de estranhamento comum ao modo ter. Mais uma vez me desculpo pela liberdade poética que entendo às vezes transcende o rigor e a formatação da prosa.

Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU, morre aos 80 anos 2

O diplomata ganês ocupou durante dez anos o cargo mais alto da Organização das Nações Unidas (ONU), denunciou a guerra no Iraque e chegou a receber o Prêmio Nobel da Paz

Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU Foto: REUTERS/Valentin Flauraud/File Photo.

O ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, faleceu aos 80 anos, neste sábado, 18. A fundação que carrega seu nome anunciou sua morte, por meio de um comunicado, apenas indicando que ele teria sofrido uma doença súbita. Nascido em Gana em 1938, o africano foi um dos ganhadores do prêmio Nobel da Paz.

Chefe da diplomacia das Nações Unidas entre 1997 e 2006, ele foi internado às pressas num hospital de Berna, na Suíça. Os detalhes sobre seu funeral ainda estão sendo organizados.

António Guterres, atual secretário-geral da ONU, emitiu um comunicado expressando sua “profunda tristeza”. “De muitas formas, Annan era a ONU. Ele subiu dentro da organização para lidera-lá ao novo milênio, com dignidade e determinação”, escreveu. O português insistiu que Annan foi seu mentor e indicou que, “em tempos turbulentos”, ele nunca deixou de agir.

Annan mantinha uma estreita amizade com Sergio Vieira de Mello, o brasileiro que liderou a ONU por algumas das maiores crises humanitárias e que morreu há 15 anos em Bagdá.

Annan ainda teve seu mandato marcado pela decisão de denunciar como “ilegal” a guerra de George W. Bush no Iraque. A partir de então, ele passou a ser alvo de ataques por parte da diplomacia americana. Meses depois de sua declaração, Annan viu seu filho acusado de envolvimento em escândalos de corrupção. O africano ficou abalado com a ofensiva contra ele e sua família e, por meses, chegou a perder sua voz.

Viver em democracia: a todo momento somos testados

Não raro, somos colados ao que defendemos

Por Blenda de Oliveira, via Vya Estelar

Como é desafiador o convívio na democracia! Vivemos um momento em que posicionamentos que não sigam o que alguns querem ouvir podem ser arriscados.

Numa simples discordância, pulam na sua jugular e logo qualquer um de nós faz parte das categorias de burros, ignorantes, fascistas, racistas, corruptos, contra a vida, contra a família, a favor da desordem, e por aí vamos…

Ser a favor de que uma mulher decida sobre seu corpo e a maternidade me faz uma assassina? Uma pessoa de segunda categoria? É isso?

Não ser a favor de que a lei seja branda com os bandidos e acreditar que alguns não têm recuperação me torna fascista? Intolerante?

Não tolerar qualquer forma de impedimento na liberdade individual (se não for para matar, traficar, roubar etc) me torna contra os bons costumes?

Ser a favor de toda forma de amor ou casamento me faz o quê? Uma doida?

Se eu quiser votar na direita, esquerda, centro, seja em quem for, mudo de identidade e passo a ter o nome do candidato?

Não raro, somos colados ao que defendemos.

Se votar nesse ou naquele, você É ESSE OU AQUELE?

Estamos num mundo cada vez mais difícil para definir categorias e enquadrar pessoas como se uma pessoa não pudesse ser mais que suas posições e opiniões.

As fronteiras desmoronam todos os dias, papéis se confundem, se misturam e mudam. MUDAM!

E vamos engalfinhando-nos para provar como somos corretos, poderosos e “do bem”. No fundo, ninguém está tão interessado em alternativas, mas, sim, nas próprias alternativas.

Apesar de tudo isso, sempre estarei defendendo uma vida democrática. Faço das tripas coração para continuar defendendo o direito à estupidez! Isso é democracia, um lugar de todos!