Palavras de origem africana no vocabulário brasileiro 2

via Raiz do Samba

Afora o Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné-Equatorial, que adotou o idioma como oficial recentemente. Timor-Leste é o único a ter o Português como língua oficial na Ásia. Nossos irmãos africanos fazem parte do PALOP, acrônimo que significa justamente Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Tudo obra de Portugal, responsável por essa bagunça chamada lusofonia (o conjunto dos países que possuem Português como língua oficial) que acabou dando seu jeito de seguir caminho. Mas, diferente do Brasil, onde línguas nativas ficaram restritas a suas tribos indígenas, nos países euro-colonizados da África, ainda se falam línguas nativas (nagô, ioruba, quicongo, umbundo e quimbundo). Só pra constar.

Rolou uma marmota por parte dos invasores que misturavam africanos de diversos países e culturas (sim, porque África é um extenso continente com 54 países culturalmente diversificados e não um país restrito de miséria como a grande mídia te acostumou a ver) com intenções de que com a confusão cultural, eles não pudessem se unir entre si para se rebelar. Até certo ponto, rolava, como ainda acontece, de haver desunião entre as classes menos abastadas da sociedade, mas isso não significou a morte por abandono dessas línguas. Ao contrário, a partir dali, surgiria uma cultura praticamente nova com os elementos que sobreviveram ao tráfico negreiro. Muita coisa de nossa cultura vem de África e dos africanos que foram sequestrados para cá (dos quais descendemos em maioria, já que no auge do crime da escravidão, a população negra era, como se manteve, maioria).

A linguagem é um dos pontos altos das coisas cotidianas que trazemos do continente-mãe. E como a cultura negra é a essência do Samba, ou seja, é a raiz do Samba, então, não falar necessariamente do samba musical não é fugir do foco, não é mesmo? Então, vamos a um dicionário improvisado que fui reunindo em diversos sites educacionais e culturais internet afora. Você vai notar que muitas dessas palavras, tu tá aí falando adoidado todo dia e nem sabe que vêm de dialetos línguas (valeu a dica, Niyi) africanas. Muito interessante, pois somos acostumados a não buscarmos o passado, como se o jornal da TV já bastasse pra gente estar informado. Mas é pegar num livro, num artigo de internet e a gente voa no conhecimento. Veja aí que nem só dentro do samba e do candomblé estão palavras africanas da diáspora. Use e abuse do CTRL+F e saia buscando suas palavras mais usadas e/ou preferidas, porque tem coisas muito interessantes nesse “dicionário” que eu montei na base do ‘cataqui/catali’. Rá! (Lembrando que como foi uma pesquisa de internet, algumas coisas podem não estar condizentes, mas eu atualizo conforme me avisam, ok?).

A

ABADÁ – Túnica folgada e comprida. Atualmente, no Brasil, é o nome dado a uma camisa ou camiseta usada pelos integrantes de blocos e trios elétricos carnavalescos.

ABARÁ – Quitute semelhante ao acarajé. A massa feita de feijão fradinho e os temperos são os mesmos. Os bolinhos envoltos em folhas de bananeira são cozidos em banho-maria.

ACARÁ – Peixe de esqueleto ósseo.

ACARAJÉ – Bolinho feito de massa de feijão-fradinho frito no azeite de dendê e servido com camarões secos.

AFOXÉ –  Dança, semelhante a um cortejo real, que desfila durante o carnaval e em cerimônias religiosas.

AGOGÔ – Instrumento musical formado por duas (ou três) campânulas ocas de ferro.

ALUÁ – Bebida feita de milho, arroz cozido ou com cascas de abacaxi.

AMUO  – sm. Mau humor passageiro, revelado no aspecto, gestos ou silêncio; arrufo, calundu.

ANGOLA – Nome dado a uma das mais conhecidas modalidades do jogo de capoeira e, também, a um dos cinco países africanos de língua portuguesa.

ANGU – Massa de farinha de milho ou de mandioca. Angu-de-caroço: Coisa complicada.

AXÉ – Saudação; força vital e espiritual.

AZOEIRA – Barulhada, zoeira, bagunça.

B

BABÁ – Ama-seca; pessoa que cuida de crianças em geral; pai-de-santo; a origem é controvertida sendo, para alguns estudiosos originária do quimbundo, e para outros do idioma iorubá.

BABACA – Tolo; boboca.

BAGUNÇA – Baderna, desordem.

BALANGANDÃS  – Enfeites,originalmente de prata ou de ouro, usados em dias de festa.

BAMBAMBàou BAMBA – Maioral, bom em quase tudo que faz.

BAMBERÊ – Cantiga de ninar entoada por negras velhas da Região Amazônica. (“Bamberê, bamberá / criança que chora quer mamá / Moça que namora quer casá / Galinha que canta quer botá / Bamberê, bamberá)

BAMBOLÊ – Aro de plástico ou metal usado como brinquedo.

BANCAR – Fazer o papel de; fazer-se de.

BANGÜÊ – Padiola de cipós trançados na qual se leva o bagaço da cana.

BANGUELA – Desdentado. Os escravos trazidos do porto de Benguela, em Angola, costumavam limar ou arrancar os dentes superiores.

BANGULÊ  – Dança de negros ao som da puíta, palma e sapateados.

BANTO  – Nome do grupo de idiomas africanos em que a flexão se faz por prefixos.

BANTOS – Povos trazidos do sul da África, principalmente de Angola e Moçambique, que espalharam sua cultura, idiomas e modos.

BANZAR – Meditar, matutar.

BANZÉ – Confusão.

BANZO – Tristeza fatal que abatia os escravizados com saudades de sua terra natal.

BAOBÁ – Árvore de tronco enorme, reverenciada por seus poderes mágicos.

BATUQUE – Dança com sapateado e palmas, com som de instrumentos de percussão. É uma variante das rodas de capoeira, praticada pelos negros trazidos de Angola para o interior da Bahia. No sul do Brasil, é sinônimo de rituais religiosos e, no interior do Pará, é uma espécie de samba.

BERIMBAU – Instrumento musical, composto de um arco de madeira com uma corda de arame vibrada por uma vareta, tendo uma cabaça oca como caixa de ressonância.

BIRITA – Cachaça; gole de cachaça.

BITELO – Grande; de tamanho exagerado.

BOBÓ – Um tipo de purê feito de aipim ou inhame.

BOCA-DE-PITO – Pitada; tragada em cigarro, charuto ou cachimbo; disposição para fumar provocada pela ingestão de café ou bebida alcoólica.

BOMBA – Certo doce de forma cilíndrica ou esférica feito de massa cozida e glaçado na parte superior.

BOROCOXÔ – Molenga. Entristecido.

BRUACA –  Espécie de mala ou sacola que se levava no lombo de animais.

BUGIGANGA – Objeto de pouco ou nenhum valor ou utilidade.

BUNDA – Nádegas, na língua falada pelos bundos de Angola.

BÚZIOS – Conchas marinhas usadas antigamente na África como moedas e, em nossos dias, em cerimônias religiosas e em jogos de previsão.

C

CAÇAMBA – Balde para tirar água de um poço; local onde se depositam detritos.

CACHAÇA – Bebida alcoólica; pinga; durante muito tempo, os negros escravizados, banhados em suor, giravam manualmente as rodas dos engenhos de açúcar e, do vapor originário da fervura do caldo da cana, escorria pela parede e pingava do teto (daí o porque o nome “pinga”)a bebida de sabor clássico, que ardia nos olhos e foi batizada de “pinga”.

CACHIMBO – Tubo de fumar, com um lugar escavado na ponta para se colocar o tabaco.

CACIMBA – Poço ao ar livre, onde se retém a água da chuva para diversas finalidades. Cova que recolhe água de terrenos pantanosos.

CAÇULA – O mais novo.

CACULÉ – Cidade da Bahia.

CACUNDA – Corcunda. Corcova. Costas.

CAFIFE – Diz-se de pessoa que dá azar.

CAFOFO – Lugar que serve para guardar objetos usados; nos dias atuais, serve também para designar moradia pequena, mas aconchegante.

CAFUÁ – Esconderijo. Casebre.

CAFUCA – Centro; esconderijo.

CAFUCHE – Irmão do Zumbi.

CAFUCHI – Serra.

CAFUNDÓ – Lugar afastado, de acesso difícil.

CAFUNÉ – Coçar a cabeça de alguém.

CAFUNGÁ – Pastor de gado.

CAFUZO – Mestiço de negro e índio.

CALANGO – Lagarto. Dança afro-brasileira.

CALOMBO – Inchaço. Quisto, doença.

CALUMBÁ – Planta

CALUNDU – sm. Mau humor; amuo.

CALUNGA – sf. 1. Coisa qualquer de tamanho reduzido. 2. Boneco pequeno. O mar; boneca carregada pelas damas do paço nos desfiles de reis e rainhas dos Maracatus de nação em Pernambuco; símbolo da realeza e do poder dos ancestrais.

CAMUNDONGO – Rato pequeno.

CANDOMBLÉ – Casas ou terreiros de diferentes nações – Angola, Congo, Jêje, Nagô, Ketu e Ijexá – onde são praticados os rituais trazidos da África. Esses cultos são dirigidos por um Babalorixá (pai-de-santo) ou por uma Ialorixá (mãe-de-santo). Um dos mais tradicionais é o de Gantois,em Salvador, na Bahia. No passado, o candomblé foi muito perseguido.

CANDONGA – Intriga, mexerico.

CANGA – Tecido com que se envolve o corpo. Peça de madeira colocada no lombo dos animais.

CANJERÊ – Feitiço, mandinga.

CANJICA – Papa de milho verde ralado.

CAPANGA – Guarda-costas. Bolsa pequena que se leva a tiracolo.

CAPENGA – Manco. Com andar de bêbado.

CAPOEIRA – Jogo de corpo, agilidade e arte, que usa técnicas de ataque e de defesa com os pés e as mãos. As rodas são acompanhadas por palmas, pandeiros, chocalhos, berimbaus e cânticos de marcação.

CARIMBO – Instrumento de borracha. Marca. Sinal.

Carimbó – Tipo de dança afro-brasileira originária da região norte do Brasil.

CARURU – Iguaria da culinária afro-brasileira, feita com folhas, quiabos e camarões secos.

CASSANGUE – Grupo de negros da África.

CATIMBA – Manha. Astúcia.

CATIMBAU – Prática de feitiçaria.

CATINGA – Fedor; mau cheiro.

CATITA – Pequeno, baixo, miúdo. Nome dado no Nordeste a um ratinho novo.

CATUNDA – Sertão.

CATUPÉ – Cortejo afro-mineiro. As fardas de seus integrantes são enfeitadas de fitas, sendo que dançam e cantam acompanhados por instrumentos de percussão.

CAXAMBU – Grande tambor usado na dança harmônica.

CAXANGÁ – Jogo praticado em círculo. Os versos de uma velha cantiga, baseada nessa brincadeira, são bem populares.

CAXIXÍ – Chocalho pequeno feito de palha.

CAXUMBA – Inflamação das glândulas salivares.

CAZUMBÁ – Negro velho, personagem do Boi-Bumbá paraense.

CAZUMBI – Alma penada.

CHILIQUE – Desmaiar. “Ter um troço”.

CHUCHU – Fruto comestível.

COCHILAR – Breve soneca. Sono leve.

CONGADAS ou CONGOS – Danças dramáticas com enredo e personagens característicos, como reis, rainhas, príncipes, princesas, embaixadores, chefes de guerra e guerreiros, que se despedem, no final das apresentações, cantando.

COQUE – Bater na cabeça com o nó dos dedos. Tipo de penteado onde o cabelo é todo preso num arranjo único no alto da cabeça; há uma corrente que acredita ser o nome proveniente do inglês “cock”, que significa galo, e outra que associa o nome a barulho que é feito e também ao “galo” na cabeça.

CUBATA – Choça de pretos; senzala. Palhoça

CUÍCA – Instrumento musical que emite um ronco peculiar.

CUMBA – Forte, valente.

CUMBE – Povoação em Angola.

D

DENDÊ – Fruto de uma palmeira (dendezeiro), de onde é extraído o azeite.

DENGO – Gesto de carinho. Manha, birra.

DENGOSO – Manhoso. Chorão.

DIAMBA – Um tipo de erva alucinógena.

E

EBÓ – Oferenda feita aos orixás para se resolver os mais diferentes desejos e problemas.

EFÓ – espécie de guisado de camarões e ervas, temperado com azeite de dendê e pimenta.

EMBALAR – Acalentar; balançar; fazer adormecer.

EMPACAR – Não continuar. Não prosseguir. Diz-se quando o animal firma teimosamente as patas para não prosseguir viagem.

ENCABULAR – Envergonhar-se. Ficar vexado por algum motivo.

ENGABELAR – Enganar. Iludir jeitosamente. Trapacear. Engodo. Embuste.

ESCANGALHAR – Desordem. Confusão. Desmantelo. Dano causado por estrago.

ESPANDONGADO – Desajeitado. Defeituoso. Arruinado. Desarrumado. Relaxado. Descomedido. Arreliado.

EXU – Divindade que é considerada o intermediário entre o Céu e a Terra. Aquele que está em todos os lugares. Dono das encruzilhadas. Representa a ambivalência humana, os comportamentos e desejos contraditórios.

F

FAROFA – Mistura de farinha com água, azeite ou gordura.

FOFOCA – Intriga. Mexerico

FUÁ – Briga. Rolo. Desordem. Intriga. Diz-se também do eqüino arisco.

FUBÁ: Farinha de milho.

FULEIRO – Reles. Ordinário. Sem Valor. Farrista.

FULO: Irritado. Zangado.

FURDUNCIO – Também pronunciado e escrito como “Forduncio”, significa festança popular. Divertir-se com alarido. Barulho. Desordem.

FUNGAR – Fazer ruído com o nariz ao inspirar o ar. Assoar o nariz. Coriza na fossa nasal. Fuçar.

FUTUM – Mau cheiro. Fedor. Peixe morto na superfície da água.

FUXICO – Falar mal dos outros. Artesanato popular feito com pedaços de panos. Costurar superficialmente. Alinhavar. Amarrotar.

FUZARCA – Farra. Desordem. Bagunça.

FUZUÊ – Festa. Confusão. Turbilhão nas águas de um rio.

G

GALALAU – Pessoa muito alta.

GAMBÉ – Designação de um policial na gíria dos travestis, menores e delinqüentes em geral.

GANDAIA – Farra. Bagunça. Vadiagem. Ofício de trapeiro. Pessoa sem préstimo. Inerte.

GANGA ZUMBA – Título dado aos chefes guerreiros. Um dos mais famosos líderes da confederação de Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas.

GANZÁ – Chocalho.

GARAPA – Caldo da cana. Bebida formada pela mistura de mel-açúcar-água.

GERINGONÇA – Coisa malfeita e de duração precária. Objeto ou coisa estranhos cujo nome e finalidade não se conhece.Ginga – Bamboleio. Balanço com o corpo. Dançar com o corpo ao som de uma música ou instrumento. Movimento corporal na capoeira, na dança e no futebol. Sacerdotisa do culto Omolocô. Remo que se usa para fazer a embarcação balançar.

GINGA – Movimento corporal na capoeira, na dança e no futebol.

GOGÓ – Pomo-de-Adão. Garganta. Laringe

GONGUÊ – Instrumento musical semelhante ao agogô.

GOROROBA – Comida feita com restos de diversos alimentos. Diz-se também do indivíduo lento, molengão ou covarde.

GRIGRI – Amuleto que protege o seu possuidor.

GUANDU – O mesmo que andu (fruto do anduzeiro), ou arbusto de flores amarelas, tipo de feijäo comestível.

GUIMBA – Resto ou ponta do cigarro.

H

 – Interjeição de surpresa, espanto ou de admiração entre os Iorubás. Manifestação de incompreensão. Não entendimento.

I

IAIÁ – Tratamento dado às moças e meninas na época da escravidão. Na Luanda antiga, era o tratamento respeitoso que as filhas e netas dos escravos davam às patroas.

IEMANJÁ: deusa africana, a mãe d’água dos iorubanos.

IMPALA – Espécie de antílope africano. O nome batizou também um modelo de automóvel da Chevrolet.

IMPLICAR – Provocar. Amolar. Intrometer. Contender. (Atualização, a etimologia da palavra vem do Latim).

INHAME – Designação comum de um tipo de tubérculo comestível menor que a mandioca; homem de corpo defeituoso. Coisa ou objeto disforme ou deformada.

IORUBANO – Habitante ou natural de Ioruba (África).

J

JABÁ – Suborno oferecido a programador de emissora de rádio ou televisão para que inclua na programação determinada obra musical. Certo tipo de abóbora.

JABACULÊ – Gorgeta. Propina. Dinheiro.

JAGUNÇO – Capanga. Combatente das forças de Antonio Conselheiro na Guerra de Canudos. Cangaceiro.

JEGUEDÊ – Dança negra.

JERERÊ – Nome dado ao cigarro de maconha. Faísca. Centelha.

JERIBATA – Álcool; aguardente.

JILÓ – Fruto verde de gosto amargo.

JONGO – Dança tradicional afro-brasileira.

L

LAMBADA – Golpe dado com o chicote, tabica ou rebenque. Copo ou gole de bebida alcoólica. Dança de salão de origem amazônica. Significa bater, castigar, ferir, atingir com golpe ou pancada.

LAMBANÇA – Desordem. Sujeira. Serviço malfeito. Embuste. Trapaça em conversa ou jogo.

LAMBÃO – Indivíduo que não sabe lidar com as coisas sem sujar-se.

LAMBUJA – Vantagem que um jogador concede ao parceiro ou rival. Aquilo que se ganha ou dá além do combinado.

LAPADA – Lambada. Bofetada. Espécie de pá semelhante ao remo.

LARICA – Apetite desenfreado após a ingestão da maconha. Dificuldade. Aperto. Apuro.

LENGA-LENGA – Conversa, narrativa ou discurso enfadonho.

LERO-LERO – Conversa fiada. Palavreado vazio.

LIBAMBO – Bêbado (pessoas que se alteram por causa da bebida).

LUNDU – Primitivamente dança africana.

M

MAASSAGANA – Confluência, junção de rios em Angola.

MACULELÊ – Folguedo popular de origem baiana, misto de jogo de dança com bastões ou facões.

MACUMBA – Nome pejorativo dado aos cultos afro-brasileiros. Audaz. Ousado. Certo tipo de reco-reco. Cada uma das filhas de santo nos terreiros de origem Banta. Antigo jogo de azar. Antiga denominação que se dava à maconha.

MACUMBEIRO – adj. sm. Diz-se de, ou praticante da macumba. .

MALUCO – Alienado mental. Endoidecido.

MALUNGO – Título que os escravos africanos davam aos que tinham vindo no mesmo navio; irmão de criação.

MAMONA – Fruto da família das esforbiáceas. Rícino.

MAMULENGO – Fantoche. Teatro de fantoches.

MANDINGA – Bruxaria. Feitiço. Talismã. Qualidade de jogo de capoeira.

MANGAR – Zombar. Caçoar.

MANGUE – Comunidade geográfica localizada em áreas onde o solo é formado por uma lama escura e mole. Terreno lamacento.

MANHA – Choro infantil sem causa. Birra. Malícia. Ardil. Artimanha. Habilidade manual.

MARACATU – sm. Oriundo da região do Estado de Pernambuco (PE), é um cortejo carnavalesco que segue uma mulher que, num bastão, leva uma bonequinha enfeitada, a calunga. 2. Certo tipo de dança afro-brasileira. Em Recife/PE, os maracatus de nação representam embaixadas africanas com todo o séquito real.

MARACUTAIA – Trapaça. Embuste. Engodo. Golpe.

MARAFA(O) – Vida desregrada. Licenciosa. Cachaça. Vinho. Diz-se também do tipo de vida, por exemplo: “Viver na marafa…”, viver entregue ao vício da bebida e da vadiagem.

MANO – Tratamento respeitoso entre os antigos sambistas cariocas (“Mano” Elói, “mano” Décio etc.). Irmão.

MARIMBA– Peixe do mar. 2. Artifício de amarrar uma linha a algum objeto (pedra, garrafa, etc) para resgatar pipas onde não se alcança com as próprias mãos (RJ).

MARIMBONDO – Certo tipo de vespa.

MATUTO – Indivíduo que vive no mato. Na roça. Pessoa ignorante e ingênua.

MAXIXE – Fruto do maxixeiro. Certo tipo de chuchu espinhoso. Dança brasileira de salão.

MIÇANGA – Conta de vidro miúda. Ornatos feitos com esse tipo de conta. Colar.

MILONGA – Desculpas descabidas. Manhas. Dengues. Mexericos. Intrigas. Feitiço. Sortilégio Bruxedo. 2. Música e dança de origem platina.

MINGAU – Papa de farinha de cereais com leite, açúcar e outros ingredientes. Em língua oeste-africana, era um tipo de milho cozido em água e sal. Na linguagem Banta, é o ato de molhar o pão no pirão ou molho. (Retificação: Esta palavra vem do Tupi).

MOCAMBO – Cabana. Palhoça. Habitação miserável. Couto de escravos fugidos na floresta.

MOCHILA – Alforge. Bornal que se leva às costas.

MOCORONGO – Mulato escuro. Caipira. Indivíduo natural de Santarém/PA. Palhaço da folia de reis. Mosquito transmissor do impaludismo.

MOCOTÓ – Pata de bovino utilizada como alimento. Tornozelo.

MOLAMBO – Trapo. Pano velho rasgado ou sujo. Roupa esfarrapada. Indivíduo fraco e sem caráter. Corpo velho, cansado, moído.

MOLENGA – Mole. Indolente. Preguiçoso. Medroso e covarde.

MOLEQUE – Negrinho. Indivíduo irresponsável. Canalha. Patife.

MONDONGO – Indivíduo sujo e desmazelado. Boneco de pano sem governo.

MONGO – Sujeito bobo. Moleirão. Débil mental.

MOQUECA – Guisado de carne ou peixe tradicional da culinária afro-brasileira.

MORINGA – Garrafão ou bilha de barro para conter e refrescar água potável. Cântaro.

MUAMBA – Cesto ou canastra para transporte de mercadorias. Furto de mercadorias nos portos. Contrabando. Negócio escuso. Do Quimbundo: Carga.

MUCAMA – Escrava doméstica. Concubina. Escrava que era amante do seu senhor.

MULUNGA – Árvore.

MUNGUZÁ – Iguaria feita de grãos de milho cozido, em caldo açucarado, às vezes com leite de coco ou de gado. O mesmo que canjica.

MUQUIFO – Lugar sujo e em desordem. Palavra ligada ao Kicongo, significa também latrina. Casebre. Choupana

MURUNDU – Montanha ou monte; montículo; o mesmo que montão.

MUTAMBA – Árvore.

MUTRETA – Trapaça. Confusão.

MUVUCA – Confusão. Algazarra.

MUXIBA – Pelanca. Pedaços de carne magra. Retalhos de carne que se dá aos cães. Mulher feia. Bruxa. Seios flácidos de mulher.

MUXINGA – Açoite; bordoada.

MUXONGO – Beijo; carícia.

N

NENÊ – Criança recém-nascida ou de poucos meses. Provém do Umbundo “nene”, que quer dizer pedacinho, cisco.

O

ODARA – Bom. Bonito. Limpo. Branco. Alvo.

OGUM ou OGUNDELÊ – Deus das lutas e das guerras.

ORIXÁ– Divindade de religiões afro-brasileiras. Divindade secundária do culto jejênago, medianeira que transmite súplicas dos devotos suprema; divindade desse culto; ídolo africano.

P

PAMONHA – Certo tipo de iguaria derivada do milho. Diz-se também da pessoa molenga. Inerte. Desajeitada. Preguiçosa. Lenta.

PATOTA – Turma. Grupo.

PENDENGA – Litígio. Rixa. Contenda.

PERRENGUE – Dificuldade ou aperto financeiro. Diz-se também da pessoa fraca. Covarde. Animal imprestável.

PIMBA – Pênis de menino

PINDAÍBA – Falta de dinheiro. Miséria feia. (Atualização: Esta palavra é de origem Tupi).

PINGA – Aguardente extraída do caldo da cana.

PIRÃO – Papa grossa de farinha de mandioca. (Atualização: Esta palavra é de origem Tupi).

PITO – Cachimbo. Cigarro. Repreensão. Censura. Dar bronca.

PITOCO – Objeto ou utensílio o qual já falta uma parte essencial. Parte amputada ou a restante no corpo humano.

PUITA: corpo pesado usado nas embarcações de pesca em vez fateixa.

Q

QUEIMANA – Iguaria nordestina feita de gergelim .

Quenga – Guisado de quiabo com galinha. Mulher prostituída. Meretriz.

QUENGO – Cabeça. Região próxima da nuca.

QUIABO – Fruto de forma piramidal, verde e peludo.

QUIBEBE – Papa de abóbora ou de banana.

QUIBUNGO – Invocado nas cantigas de ninar, o mesmo que cuca, festa dançante dos negros.

QUILOMBO – Valhacouto de escravos fugidos. 2. Quer dizer acampamento ou fortaleza. Folguedo popular alagoano em forma de dança dramática.

QUIMBEBÉ – Bebida de milho fermentado.

QUIMBEMBE – Casa rústica, rancho de palha.

QUIMGOMBÔ – Quiabo.

QUINDIM – Doce feito com a gema do ovo, côco e açúcar. Na Bahia significa também meiguice, dengo, encanto, carinho.

QUITUTE: Comida fina, iguaria delicada. Iguaria. Acepipe. Canapé.

QUIZÍL(I)A – Antipatia ou aborrecimento. Ojeriza. Aversão. Implicância.

QUIZUMBA – Confusão. Briga.

R

REQUENGUELA – Engelhado. Encolhido. Tímido. Fraco. Sem substância.

S

SAMBA – Dança cantada de origem africana de compasso binário (da língua de Luanda, semba = umbigada). Nome genérico de um ritmo de dança afro-brasileiro.

SAPECA – Diz-se de moça muito namoradeira ou assanhada. Diz-se também da criança muito arteira.

SARAPATEL – Guisado feito com sangue e miúdos de certos animais, especialmente o porco.

SARARÁ – Alourado. Arruivado.

SARAVÁ – Palavra usada como saudação nos cultos afro-brasileiros, significa “salve”.

SENZALA: alojamento dos escravos.

SERELEPE – Vivo. Buliçoso. Astuto. Esperto.

SOBA – Chefe de trigo africana.

SONGAMONGA – Pessoa dissimulada. Sonsa. Débil. Boba.

SOVA – Dar pancadas com a mão. Espancar.

T

TAGARELA – Pessoa que fala muito e à toa.

TANGA – Pano que cobre desde o ventre até as coxas.

TANGO – Dança argentina popularizada no Brasil, proveniente do espanhol “tango” e do Kimbundo “tangu” (pernada), que era uma forma de bailado de negros ao som de tambores e outros instrumentos.

TRAMBIQUE – Negócio fraudulento. Vigarice. Logro.

TRIBUFÚ – Maltrapilho. Negro feio.

TU – Diz-se do negro tido como sendo bruto. Boçal. Grosseiro. Oposto ao negro bom e passivo; “…Este samba/que é misto de maracatú/é samba de preto velho/ samba de preto TÚ…”; Pode ser também uma redução de Bantú.

TUNDA – Surra. Sova. Crítica severa.

TUTANO – Substância mole e gordurosa no interior dos ossos.

TUTU –  Maioral. Manda-chuva. Indivíduo valente e brigão. Feijão cozido e refogado ao qual se vai adicionando farinha até dar a consistência de pirão. Dinheiro. Grana.Suborno. 2. Iguaria de carne de porco salgada, toicinho, feijão e farinha de mandioca.

U

URUCUBACA – Azar. Má sorte. Diz-se também de uma praga rogada por pessoa inimiga.

URUCUNGO –  sm. Berimbau (instrumento musical).

 

V

VATAPÁ – sm. Da culinária (comida), iguaria de origem africana, à base de peixe ou galinha, com camarão seco, amendoim etc., temperada com azeite de dendê e pimenta.

X

XARÁ – Pessoa que tem o mesmo nome que outra.

XENDENGUE: magro, franzino.

XEPA – As últimas mercadorias vendidas nas feiras livres, mais baratas e de qualidade inferior. Sobras. Coisa inferior.

XODÓ – Amor. Sentimento profundo que se demonstra por algo ou alguém. Carinho.

Z

Zabumba – Tambor grande. Bumbo.

ZAMBI ou ZAMBETA: cambaio, torto das pernas. zumbi: sm. Fantasma que vaga pela noite, segundo lenda afro-brasileira. Nota: Nome do herói nacional Zumbi dos Palmares.

ZANGAR – Causar zanga (de zangado). Mau humor. Birra. Irritação. Diz-se também de coisa estragada ou azeda.

ZANZAR – Andar à toa. Sem destino.

ZIQUIZIRA – Doença ou mal-estar cujo nome não se conhece.

ZOEIRA – Conhece-se também por Azueira. Algazarra. Falatório.

ZOMBAR – Tratar com descaso. Escarnecer. Gracejar.

ZUNZUM – Boatos. Cochichos. Mexericos.

BRASIL, O PAÍS DAS COMPARAÇÕES: Pelé/Garrincha, Chico/Caetano, Cazuza/Renato, Ivete/Claudia Leitte, FHC/Lula… 4

Ao final das comparações, vamos chegar à conclusão de que todos são bons no que fazem e que o brasileiro deve ser orgulhar do que tem.

Penso que só a Psicologia Social pode explicar o porquê do brasileiro gostar tanto de comparações.

Seja no esporte, arte, música, política, enfim, sempre estamos lá nós fazendo comparações.

Quem é melhor, Pelé ou Garrincha? Chico Buarque ou Caetano Veloso? Cazuza ou Renato Russo? Ivete Zagalo ou Claudia Leitte? FHC ou Lula?

Vez e outra nos encontramos frente a essas comparações.

Ocorre que cada um bom no que faz e, assim, fica difícil chegar a um consenso sobre quem é melhor do que quem.

Quando vemos o que Pelé fez no futebol e os dribles desconcertantes de Garrincha não é fácil e nem justo fazer comparações, seja a favor de um ou do outro.

Escutar “Trocando em Miúdos” e depois se ligar em “Vaca Profana”, fica complicado dizer que Chico Buarque é melhor do que Caetano Veloso ou vice-versa.

No rock nacional idem.

Como e com quais critérios podemos afirmar que Cazuza é melhor do que Renato Russo, ou que o autor de “Faroeste Caboclo” é melhor do que compositor de “O Tempo não para”, dois monstros em termos de letras e poesias? Complicadíssimo!

Na política não é diferente, ainda que o povo, no geral, não esteja nem aí para saber quem é melhor do que quem. Na verdade, em se tratando de política, infelizmente, o povão prefere apontar o “menos pior”.

Fernando Henrique Cardos ou Luis Inácio Lula da Silva? O primeiro assegurou a estabilidade econômica, o segundo fez uma revolução social no país. Quem é o melhor?

E assim segue o brasileiro fazendo comparações: Melhor seleção, a de 70 ou de 82; melhor cantor de bolero, Nelson Gonçalves ou Altemar Dutra; melhor atriz, Regina Duarte ou Betty Faria; melhor ator, Francisco Cuoco ou Tarcísio Meira? etc, etc, etc.

Ao final das comparações, vamos chegar à conclusão de que todos são bons no que fazem e que o brasileiro deve ser orgulhar do que tem.

E nem Roberto Carlos é uma unanimidade.

Ainda que seja o “cara”.

Ótimo e abençoado sábado para todos.

Até amanhã.

A fofoca e o triplo filtro de Sócrates 2

Soraya Rodrigues de Aragão, via Vya Estelar

A famigerada maledicência, também conhecida popularmente como fofoca, é um dos problemas interpessoais e relacionais mais antigos que se tem conhecimento, sendo uma postura antiética e irresponsável. Por esse motivo, é uma atitude que pode promover consequências funestas ou mesmo desagradáveis. A fofoca pode estar relacionada com a falsidade e a inveja e desse modo ser geradora de intrigas, conflitos e discórdia.

A fofoca existe desde tempos imemoráveis, quando o homem desenvolveu a linguagem, provavelmente no paleolítico. Sendo assim, o processo de comunicação não é só uma inclinação natural do ser humano, mas faz parte da sua natureza intrinseca. Somos dotados de linguagem e esta obviamente nos permite estar sempre em comunicação, em interação, em socialização, em troca de informações, tendo como objetivo facilitar a nossa vida. Mas, até que ponto essa comunicação ultrapassa os limites da ética e do relacionamento saudável com os demais, chegando mesmo a desrespeitar os limites da integridade e da moralidade nos nossos relacionamentos?

Sócrates, um filósofo grego, explicitou em um diálogo, com um amigo, como podemos lidar de maneira inteligente com a maledicência. Nesse discurso, ele explica que toda e qualquer informação que nos chega deve passar criteriosamente pelos filtros da verdade, bondade e utilidade para que dessa forma possa ser propagada.

Em outras palavras, a informação a ser passada adiante para outras pessoas deve:

• 1 – Ser absolutamente um fato verídico, sem alterações ou deturpações ou interpretações subjetivas da realidade;

• 2 – Deve ter como objetivo precípuo um ato de bondade, com o propósito de ajudar e servir o próximo, ou seja, que não almeje prejudicar ou manchar a imagem de pessoas, grupos, sociedades ou organizações;

• 3 – E por último, que seja sempre uma informação obrigatoriamente útil para favorecer as pessoas e a comunidade.

A fofoca surge por motivos diversos: porque queremos ser aceitos em um grupo, porque queremos chamar atenção dos outros, por vingança, ciúme, ou simplesmente porque queremos “passar o tempo”. No entanto, o motivo principal é o de não termos objetivos definidos, ou seja, além de estarmos nos espelhando nos outros, estamos desocupados.

Então, quando estamos desocupados e insatisfeitos, sem objetivos e propósitos de vida, nossa autoestima baixa e percebemos a vida do outro como mais interessante, dando espaço a sentimentos como a inveja e o ressentimento.

Todos nós somos únicos e especiais. Ao observar a vida do outro, nossa vida fica esquecida, trava, não se desenvolve e nem prospera, já que não estamos focando nos nossos propósitos. Faça sua vida mais interessante, mais fascinante, pois você também possui muitas qualidades e recursos. Desenvolva-os.

A fofoca também tem outro ponto negativo: torna qualquer ambiente hostil, seja na vida pessoal ou social, pois ela fere o direito das pessoas, trazendo consequências negativas, algumas vezes irreparáveis. Todo mundo sabe como uma fofoca começa, daí ela vai se distorcendo, tal qual na brincadeira do telefone sem fio; com sedimentações de informações adicionais e distorções. No final de tudo, ninguém sabe como se chegou a uma história totalmente diferente e cheia de criatividade. Muito menos se sabe quem disse, quem inventou e propagou.

A fofoca não tem identidade. Porém, certamente existem pessoas prejudicadas e com imagens manchadas, sendo difícil contornar a situação ou até mesmo revertê-la. Então, para que se envolver em situações infrutíferas ou danosas? Que tal ocuparmos o nosso tempo com algo que nos beneficie?

Devemos rever nossas posturas e valores, nos posicionarmos como pessoas de bem e para o bem, semeando sempre a concórdia e a paz, sendo instrumento de crescimento e bem-estar comum. Para este fim, precisamos filtrar os boatos, as informações que nos chegam, não interagindo com as fofocas e nem fazendo julgamentos precipitados.

Utilizar sempre o filtro da verdade, bondade e utilidade. Se assim o fizermos, nos absteremos dos julgamentos precipitados, das antipatias infundadas e das aversões interpessoais sem critérios. (…) porque os outros disseram…(…) porque o outro fez isso ou aquilo, nesse “disse-me-disse” que não leva a nada de bom.

Acredito que devemos discutir ideias, propósitos, situações. Discutir sobre questões politicas e sociais, e não discutir sobre o comportamento direto das pessoas; pior, opinar sobre a vida delas sem ter consentimento das mesmas e sem acrescentar nada que as beneficiem.

O mundo necessita de pensadores, de questionadores, de avaliadores, de pessoas que façam a diferença, que se preocupem com coisas essenciais, que promovam mudanças e que se preocupem com os outros de forma positiva e responsável.

Para refletir:

Como disse Freud: “Quando eu falo do outro, na realidade eu estou falando mais de mim que do outro.” Não esqueça: é de uma pequena fagulha que se provoca um incêndio. Portanto, quando for emitir ou receber alguma informação não esqueça se você está utilizando os três filtros: verdade, bondade e utilidade.

São Luís será sede da XVII Jornada Maranhense de Psiquiatria

São Luís será sede da XVII Jornada Maranhense de Psiquiatria e do II Encontro Estadual de Médicos Residentes em Psiquiatria no Maranhão. Com tema Psiquiatria e Responsabilidade Social o evento terá presença de nomes da área no cenário nacional, entre eles Dra. Ivete Gattás e Dr. Diego Freitas Tavares, além de um minicurso sobre Transtorno do Espectro Autista.

O evento acontece nos dias 23 e 24 de novembro, no auditório do Conselho Regional de Medicina do Maranhão, no bairro do Renascença. As inscrições poderão ser efetuadas no local, com valores de R$60 para profissionais e R$30 para estudantes. Aos participantes será entregue certificado de 20 horas. Mais informações com Lucélia, pelo telefone (98) 98831-0910.

Confira a programação:

JORNADA DE PSIQUIATRIA – PROGRAMAÇÃO

 

Derrote um sociopata com uma única palavra

via Fãs da Psicanalise

Não é necessariamente sobre ganhar ou perder, mas, quando se trata de tentar lidar com um sociopata, encontrei uma palavra que tem o potencial de derrotá-los: Pena!

Eu sei, por definição, que os sociopatas não sentem empatia ou têm uma consciência totalmente formada, mas compartilham traços de um narcisista, então, na minha experiência, a pior coisa que você pode fazer é expressar pena por alguém que o maltrata devido ao comportamento sociopata. Quer se trate de um amigo, um parente ou namorado, na maioria das vezes ninguém quer se envolver com um sociopata, mas, se você se encontrar preso na armadilha deles, sua única salvação é ter pena deles.

Os sociopatas são habilidosos na arte da manipulação. Se você se envolver profundamente com um deles, você pode ser tão manipulado que começa a questionar sua própria sanidade. Você pode se sentir preso em sua teia de mentiras, e uma vez que eles não sentem a dor que infligem em suas vítimas, muitas vezes você pode ficar preso, lutar e se perder de si mesmo. Isso não significa necessariamente que você deve se desapontar consigo mesmo, mas, se você honestamente não puder se livrar de um sociopata, tente dizer a eles que você sente pena deles.

No passado, eu convivia com alguém que era um sociopata. Levou anos para entender o comportamento deles, e mesmo quando consegui reconhecer suas características, ainda me sentia preso. Tive que planejar minha fuga. Eu estava sempre perdendo as discussões e sofria diariamente, então tentei encontrar empatia para lidar com isso. Um dia, simplesmente entendi. Isso é triste. Este comportamento deles se origina de uma educação difícil, e minha raiva e frustração se transformaram em pena.

No entanto, eu nunca tinha dito a palavra pena para enfrentar essa pessoa. Até que, um dia, no meio de uma discussão, ela disse: “Não tenha pena de mim!” Ela ficou muito nervosa, e ali mesmo eu sabia que tinha tido uma pequena vitória. Eu não podia acreditar. O simples pensamento de alguém com pena do sociopata era demais, e isso me assustou. Por que a pena seria um gatilho?

Bem, se eu realmente olhasse sob a superfície de um sociopata, eu perceberia que eles vivem uma vida de mentiras que parecem impossíveis de destruir. Estão presos em sua própria mente e comportamento, e mesmo que tivessem vontade de querer mudar, seriam realmente capazes de mudar? Assumindo que a resposta seja não, saber disso apenas frustraria um sociopata, e que alguém tivesse pena deles por algo que eles não podem mudar claramente colocaria essa pessoa acima deles.

Então, se você é alguém preso em algum tipo de relacionamento com um sociopata, tente. Tente dizer a eles que você tem pena deles e ficará surpreso. Como eu disse, não se trata de ganhar ou perder, mas às vezes é bom vencer um sociopata. Expressar pena pelo menos desencadeia algum tipo de resposta deles, o que lhe dá um motivo para se sentir melhor.

(Link original: psychcentral)
*Traduzido e adaptado por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise

Setembro amarelo: mês internacional de prevenção ao suicídio 2

O argumento final contra o suicídio é a própria vida

Por Karina Okajima Fukumitsu, para Vya Estelar

Que possamos agir mais e falar menos neste mês de setembro amarelo que se inicia. Que nos ocupemos em ofertar espaços de hospitalidade para que possamos construir uma morada existencial. A morada existencial não se constrói na violência e se formos violentos conosco, não aceitando o que é nosso, tornar-nos-emos transgressores de nossas existências e das nossas vidas.

Nesse sentido, julgo que o que se pretende com este artigo (veja aqui a primeira parte), é lançar um convite para a inovação do modo como estamos fazendo a prevenção ao suicídio. Em vez de falar apenas dos números e sobre o sofrimento dos envolvidos e impactados pelo suicídio, precisamos nos inserir em ações, em oferta de espaços de acolhimento e em atitudes que colocam “nossas mãos na massa” (http://karinafukumitsu.com.br/). Atualmente, dedico meu tempo para atuar tanto em escolas quanto em equipamentos de saúde pública e sinto que saí do falatório e tenho agido, ministrando cursos, orientando, informando, capacitando e conhecendo de perto as principais dificuldades envolvidas no amplo âmbito do suicídio. Passo horas a fio debruçando meus esforços para estar com os profissionais com o único objetivo de, enquanto não houver apoio das políticas públicas, encontrarmos estratégias de ações e de cuidados em saúde mental congruentes com suas necessidades.

Como nada é por acaso, enquanto escrevia este artigo, vi um post de Adriana Amaral em sua rede social, no qual estava escrito que “nossas palavras precisam estar apoiadas em ações”. Acredito ser possível a construção de uma morada existencial que consista em ser lócus, onde haja a crença de que é possível enfrentar as adversidades utilizando a característica peculiar do ser humano, que é a da transcendência, e ir além daquilo que conhecemos, descobrindo mais a respeito de nós mesmos.

A morada do processo de morrência talvez represente o “não-lugar”, que busca o resgate do equilíbrio da sanidade mental com as exigências diárias; do acolhimento do sofrimento existencial e do desrespeito para com o humano.

Que possamos agir mais e falar menos neste mês de setembro amarelo que se inicia. Que nos ocupemos em ofertar espaços de hospitalidade para que possamos construir uma morada existencial. A morada existencial não se constrói na violência e se formos violentos conosco, não aceitando o que é nosso, tornar-nos-emos transgressores de nossas existências e das nossas vidas.

A prevenção aos suicídios é prática que deve acontecer todos os dias e não somente em um mês, sobretudo por ressaltar a importância de manter a esperança de que é possível acolher o sofrimento humano. É, portanto, prática a ser inserida no dia a dia, ofertando esperança, amor e acompanhamento tête-à-tête na oferta de espaços de hospitalidade que favorecerão novas moradas existenciais.

Encerro com a importante frase de Alvarez (1999, p. 135): “Em outras palavras, o argumento final contra o suicídio é a própria vida”. Minha conduta diária está pautada em ser uma guardiã da vida que oferta amor, generosidade, cuidado e esperança. A cada tsuru (origami que significa o pássaro da esperança) presenteado ao final dos meus encontros com pessoas interessadas pelo tema, concretizo meu ensejo de que a esperança continue em nossos corações para que a vida possa valer a pena.

Referências

Alvarez, A. (1999). O deus selvagem: um estudo do suicídio. São Paulo: Companhia das Letras.
Fukumitsu, K. O. (2013). Suicídio e Luto: história de filhos sobreviventes. São Paulo: Digital Publish & Print.
Fukumitsu, K. O. (2016). A vida não é do jeito que a gente quer. São Paulo: Editora Digital Publish & Print.
Saramago, J. (1995). Ensaios sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras.

Fonte: Karina Okajima Fukumitsu é terapeuta e pós-doutora pelo Instituto de Psicologia da USP

Tem gente que pede socorro fazendo silêncio 2

Que possamos enxergar mais essas dores não vistas

Fonte: imagem Pixabay

Queria deixar um recado pra vocês. Tem gente que pede socorro fazendo silêncio, sabiam?

Muitas dores são sentidas e camufladas com o silêncio das palavras. O número de pessoas com depressão que nos procuram e atendemos na clínica só cresce infelizmente.

Lentamente a pessoa depressiva diminui a produção de serotonina e de noradrenalina no cérebro, e, assim, a vida vai ficando sem graça e sem prazeres. As dores vão sendo caladas pelos que não procuram ajuda. Desse modo, não podia deixar de conversar uns minutinhos com vocês aqui sobre a temática: suicídio! Pois é, muitas vezes, é nesse momento que essa opção vem à tona com os pensamentos disfuncionais das pessoas em sofrimento.

Escutar alguém falar sobre a desvalia da vida, sobre a falta de motivação para viver e de seguir em frente, ou que quer desistir da vida, ou até mesmo o oposto disso, ou seja, um silêncio que chega, muitas vezes, a machucar os outros ao redor, são sinais de alerta! A preocupação aumenta quando o desejo de morrer está ligado à vontade de se matar.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio precisa “deixar de ser tabu”. Segundo estatísticas do órgão, tirar a própria vida já é a segunda principal causa da morte em todo o mundo para pessoas de 15 a 29 anos de idade – ainda que, estatisticamente, pessoas com mais de 70 anos sejam mais propensas a cometer suicídio. Por conseguinte 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos. Para cada caso fatal há pelo menos outras 20 tentativas fracassadas.

No Brasil, o índice de suicídios na faixa dos 15 a 29 anos é de 6,9 casos para cada 100 mil habitantes.

Todos esses dados nos deixam estarrecidos, pois são números altíssimos que, muitas vezes, ficamos paralisados com a tamanha falta de sentido de vida que tantos ainda sentem.

Que possamos enxergar mais essas dores não vistas. Que sejamos capacitados cada vez mais, como seres humanos, de julgarmos menos sobre quem se foi e quem fica. Porque tanto um como o outro precisam mesmo de ajuda e acolhimento emocional.

Convido você a refletir junto sobre a vida e a morte bem como sobre de que forma podemos ter um olhar diferenciado e acolhedor por quem tanto precisa de nós! E lembre-se sempre: tem gente que pede socorro fazendo silêncio!

Site de estudantes arrecada doações para crianças em tratamento

Plataforma “Somos Todos Heróis”, criada por alunos da USP, faz do financiamento coletivo um projeto social

Da esquerda para a direita, a equipe do Somos Todos Heróis: Marco Schaefer, Igor Marinelli e Fuad Schiavon (Crédito: Divulgação)

Raphael Concli/Jornal da USP, via Vida Simples

Com menos de um ano, Ana Clara sofreu um grave acidente de carro. Perdeu a mãe, um tio e sofreu uma grave lesão medular. Hoje ela luta para se recuperar. Além de roupas e alimentos, Ana precisa ser transferida da Santa Casa de São Carlos para outro hospital, onde possa responder melhor aos tratamentos. Ela é uma das crianças heroínas que foram atendidas pelo projeto social Somos Todos Heróis, um site de financiamento coletivo voltado a arrecadar doações para quem precisa de ajuda: seja um tratamento médico, a realização de uma cirurgia, auxílio para compra de alimentos ou materiais escolares.

Cada doação simboliza o envio de um acessório para fortalecer a criança e torná-la uma heroína ou herói. Cintos, varinhas, escudos, visão de raio laser, capas e anéis mágicos fazem parte do arsenal que pode “equipar” as crianças. Criado em 2016, o site não tem fins lucrativos e todos os valores doados são depositados via PagSeguro diretamente na conta dos responsáveis pela criança.

Linguagem atrativa

A ideia e implementação do site vem de Matheus Marchiori, aluno da Faculdade de Direito (FD) da USP, e de Igor Marinelli, estudante de Engenharia da Computação, curso oferecido em parceria pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). Amigos desde o ensino médio, ambos decidiram iniciar o Somos Todos Heróis a partir da insatisfação com outros projetos sociais de que participavam, em especial por conta da falta de doações para crianças ou instituições carentes.

A temática de super-heróis mostrou-se uma forma de alcançar diversas idades. Como conta Igor, é algo que “mexe com muitas lembranças dos adultos e, ao mesmo tempo, inspira as crianças a pensarem em ações socialmente responsáveis desde pequenas”. Em seus dez meses de existência, o site já possibilitou que cinco missões fossem cumpridas, incluindo a de Ana Clara.

A montagem das missões é feita por Igor, que vai à casa das crianças averiguar a solicitação de campanhas, procura novas crianças e faz o contato com famílias e instituições. Além dele, a equipe conta hoje com mais duas pessoas ativas: Fuad Schiavon, que cuida do design do site, e Marco Schaefer, programador e desenvolvedor, ambos também alunos de Engenharia da Computação em São Carlos. Matheus Marchiori compõe atualmente o conselho jurídico do projeto. E o time está aberto a quem quiser ajudar.

E agora, quem irá nos defender

O desenvolvimento da plataforma levou cerca de seis meses. Ainda que tenha um custo de manutenção baixo, o site conta com uma parceria com a empresa HomeHost do Rio de Janeiro, que lhe garante a hospedagem sem despesas. Porém, quando é feita uma campanha pela página do Facebook do projeto para incentivar a doação, os gastos com publicidade saem do bolso da equipe.

O site também deve receber novidades em breve. A equipe trabalha agora para gamificar mais a plataforma a fim de torná-la mais atrativa. Um sistema de conquistas está em desenvolvimento, no qual os usuários poderão subir de nível a partir de suas ações e doações e obter prêmios, como camisetas do Somos Todos Heróis.

Espiritualidade contemporânea

Nutro uma desconfiança profunda pela idolatria da vida como prosperidade eterna

Luiz Felipe Pondé

A espiritualidade está na moda. Muita gente diz que tem espiritualidade mas não tem religião. Com isso quer dizer que é legal, não é materialista, mas nada tem a ver com as barbaridades cometidas pelo cristianismo. Se tiver grana, será uma budista light. Aquele tipo de budista que frequenta templo de fim de semana e paga R$ 100 reais para lavar o chão a fim de sentir a dimensão espiritual do trabalho físico.

Poderia lavar de graça o banheiro da própria casa, mas esse banheiro não teria o mesmo valor do banheiro do mosteiro chique. Trata-se de um day temple e não day spa. Não vou entrar na questão técnica e histórica da relação entre espiritualidade e religião. Mas, sim, é possível uma pessoa cultivar uma busca de sentido na vida para além da banalidade das demandas e rotinas do cotidiano, estando ou não vinculada a alguma tradição religiosa.

O centro da busca é o reconhecimento de tensões nessa rotina que nos fazem sentir um esvaziamento de significado desta mesma rotina, sem necessariamente depender diretamente de conteúdos advindos das tradições religiosas à mão.

Mas um fato é necessário reconhecer, antes de tudo: as formas mais consistentes de busca espiritual estão associadas a temas concretos da vida e não a ET, Jedis, Thor ou bruxinhas de fim de semana.

A espiritualidade nasce da percepção de mal-estar da condição humana e da tentativa de lidar (ou superar esse mal-estar) e não apenas do deslumbramento com a série “Vikings”. Essa busca se iniciou no alto paleolítico quando o Sapiens começou a perceber que havia algo de “errado” em sua condição (sofrimento, insegurança, morte, violência e por aí vai).

Em termos contemporâneos, acho que três tópicos, entre outros possíveis, se prestam a uma inquietação espiritual. Um diretamente ligado ao mundo corporativo, mas que o transcende, outro ao avanço da longevidade, e outro mais derivado do impacto do avanço da inteligência artificial.

As grandes tradições espirituais sempre falaram de sofrimentos reais e não de modas culturais, como no caso que descrevi acima (day temple, Jedis, ET e semelhantes). Um dos temas contemporâneos mais avassaladores é a obrigação de ter sucesso e prosperar. Nesse contexto, repousar é justificado, apenas, se o repouso for causa de maior avanço.

A pessoa é chamada a ver a si mesma e a sua vida como um recurso a ser explorado e transformado em ganho de alguma espécie. Formas variadas de “coaching” apressados, assim como workshops de fim de semana “ensinam” as pessoas que timidez é pecado, insegurança é “justamente” punida com fracasso financeiro, recusa de escolher o que é “novo” é uma nova forma de doença mental.

Nesse contexto de produtividade opressiva, formas falsas de espiritualidade associadas ao mundo corporativo ou do trabalho crescem como um discurso que daria ao imperativo do trabalhar 24 horas por dia (24/7, como dizem os americanos) uma aura de movimento quântico em direção ao sucesso eterno.

Por isso, qualquer espiritualidade contemporânea deve olhar de forma desconfiada para essas tentativas de associar o sucesso ao universo espiritual. Ou a ideia de que produtividade e eficácia implicam uma melhor gestão do karma.

Se a espiritualidade toca em temas “negativos”, ou seja, nas contradições que somos obrigados a enfrentar na vida, ela não poder ser infantil como essas formas de idolatria do sucesso. Nutro uma desconfiança profunda por quem, o tempo todo, vê a vida como uma empreitada para a prosperidade.

Talvez uma das maiores formas de prosperidade seja a longevidade. Produto de alto valor no mercado das utopias. Palestras de todos os tipos vendem a longevidade como algo que será, um dia, vendido nas prateleiras do free shop. A ideia é de que a morte será eliminada ou adiada 500 anos.

Do ponto de vista espiritual, sendo a morte um dos temas que mais despertam indagações, a (quase) eliminação dela, ou a transformação dela em “opção”, traria elementos muito significativos para as inquietações humanas. Por que optar por virar pó (morrer) quando você poderia viver pra sempre? É bom mesmo estar consciente de si para a eternidade ou por 500 anos? Temo que não. A primeira reação minha seria uma profunda melancolia e tédio.

Outro tópico avassalador é a entrada da inteligência artificial no universo humano. Aqui a experiência mais assustadora será a da humilhação cognitiva que vamos experimentar. A humilhação sempre foi um alimento espiritual poderoso.

Luiz Felipe Pondé
Escritor e ensaísta, autor de “Dez Mandamentos” e
“Marketing Existencial”. É doutor em filosofia pela USP