Como um boato pode acabar com a sua reputação

9 dicas para driblar a crise pós boato, se você é porta-voz e representa empresa pública ou privada, ou então é a própria marca

Aurea Regina de Sá, via Administradores.com

O boato é uma informação falsa que soa como verdade. Ele pode vir da boca de um amigo, do chefe ou do parceiro, pessoas em quem você confia e, portanto, não vai achar que é mentira. Mas, há uma onda muito forte de boatos também nas redes sociais. O movimento que invade a internet do mundo inteiro é um alerta para quem propaga informação incorreta e para quem ‘compra’ notícias falsas, as ‘Fake News’.

O boato é uma faca de dois gumes: pode destruir a imagem da vítima, alvo da difamação, e também a do promotor da inverdade, porque mostra suas verdadeiras motivações que podem ser interesses comerciais, desejo de vingança por conta do orgulho ferido, inveja ou interesses eleitoreiros.

– interesses comerciais: se uma empresa lança um boato sobre um concorrente poderá ter mais lucro por algum tempo, enquanto a marca difamada investe para justificar que não tem culpa;

– desejo de vingança por orgulho ferido ou inveja: se uma pessoa cria uma inverdade sobre outra, poderá ter o prazer de ver o outro envolvido em situações constrangedoras até conseguir provar o contrário;

– interesses eleitoreiros: se um político divulga um boato sobre outro pode ter a intenção de prejudicar a caminhada do concorrente na busca por votos e sair na frente na disputa eleitoral.

Em todos os casos, a intenção do promotor de boatos é de se sentir bem, mesmo que isso pareça algo perverso, já que a motivação é a de prejudicar o outro. A sensação de inferioridade por não ser ou parecer como o outro e a consequente necessidade de se tornar visível fazem do criador de falsas informações alguém importante, ainda mais quando ele percebe a repercussão da ‘notícia’ que produziu.

O sociólogo norte americano Jack Levin, co-autor de Gossip: The Inside Scoop (Fofoca: o Furo Privilegiado, ainda não disponível no Brasil), destaca a importância de diferenciar o significado de termos como fofoca e boato. Para Levin, fofoca é uma mensagem sobre o comportamento de outras pessoas, especialmente quando os alvos não estão presentes. O estudioso afirma que boato é um processo pelo qual os indivíduos tentam definir uma situação ambígua. “Eles, então, espalham notícias informalmente porque as fontes oficiais não existem ou estão inacessíveis”, revela.

Partindo do princípio de que o Brasil é uma democracia e a imprensa é livre, as fontes oficiais não só existem como estão disponíveis. Com o acesso de 116 milhões de brasileiros conectados à internet, em 2016, que representa 64,7% da população com idade acima de 10 anos, (dados do IBGE de fevereiro de 2018) não dá pra usar a desculpa de que a informação foi propagada por que não havia como checar.
Saiba como checar uma informação recebida pelas redes sociais

Para evitar uma conclusão precipitada e parar de dizer frases como: ‘eu ouvi dizer que….’ ou ‘não sei direito, mas acho que é isso’, siga os passos abaixo e certifique-se antes de publicar qualquer informação:

1º passo: duvide, sempre questione. A primeira pergunta que deve ser feita é ‘será que isso aconteceu mesmo?’

2º passo: busque referências na internet, que possam atestar a informação ou contradizê-la. Acesse sites de notícias que sejam avaliados com alto nível de credibilidade. Não acredite em um só veículo: analise, compare, reflita. Neste momento dispense sua crítica sobre a política editorial de determinados veículos de imprensa. De qualquer maneira, na imprensa, uma notícia é checada antes de ser publicada.

3º passo: acesse sites que conferem boatos. Com o surgimento das fake News, cresce o esforço para esclarecer informações e aumentar a conscientização das pessoas,

4º passo: NÃO espalhe notícias falsas, nem por brincadeira. Pessoas mais ingênuas e as que não investem na checagem, acreditam em qualquer informação e isso reflete, inclusive, no futuro do país, porque elas votam mal e elegem candidatos fabricados em cima de fake News,

5º passo: não seja conivente com a mentira, interfira, interrompa a multiplicação da mensagem duvidosa, advirta os integrantes de grupos e seus seguidores nas redes sociais. Não coloque mais lenha na fogueira e deixe de ser marionete a serviço da desinformação,

6º passo: seja cidadão, pratique a empatia e desenvolva a capacidade de crítica para contribuir com a melhoria da sua vida e a dos outros.
Como avaliar se uma informação é verdadeira ou falsa

A informação imprecisa, que não apresenta o autor e nem a fonte pesquisada, pode ter indícios de que não tem teor verdadeiro. O fato de ser publicada em um site, blog ou rede social não significa que foi produzida com o cuidado da checagem, prática do jornalismo sério e ético. A apresentação de fatos também não garante a credibilidade da informação, porque os fatos podem ter sido inventados para confundir o leitor e criar um conceito negativo sobre aquele que é foco da notícia. Continuar lendo

Esporte: Empresas adotam práticas de investigação antes de apostarem em investimento esportivo

Ambiente de negócios complexo e forte escrutínio público cobram mais atenção do setor no país com gestão de riscos e ampliam consultas sobre práticas em governança

São Paulo – O receio de ter a imagem vinculada aos recentes escândalos de corrupção que envolvem o mundo esportivo no país está levando empresas a contratarem serviços de levantamento reputacional e avaliação de riscos antes de fecharem patrocínios.

As companhias estão buscando a Kroll, líder global em gestão de riscos, investigações, compliance, segurança cibernética e resposta a incidentes, para avaliar as ameaças associadas a agremiações esportivas, ligas, federações, confederações e atletas profissionais através de vários serviços oferecidos pela consultora, incluindo o due diligence em suporte a transações comerciais e financeiras, investigações internas, investigações de fraude e, cada vez mais, proteção de dados digitais.

“A despeito das especificidades regulatórias e organizacionais locais, o segmento esportivo profissional vive um ambiente de negócios extremamente complexo e desafiador no Brasil, que cobra um amadurecimento em termos de governança”, afirma Ian Cook, diretor sênior no escritório da Kroll em São Paulo.

De acordo com Cook, esse processo é inevitável à medida que organizações e profissionais do esporte operam cada vez mais sob uma estrutura empresarial sofisticada e estão sujeitos a impactos financeiros, operacionais, legais e reputacionais.

“Clientes do universo esportivo, assim como seus pares em outros setores da economia, estão vivenciando as mesmas necessidades por controles internos efetivos, assim como por estratégias de combate à corrupção, de promoção de compliance, transparência e princípios éticos”, explica.

Em nível global, a Kroll há muitos anos oferece serviços de gestão de riscos para este setor. Recentemente, Alex Horne, ex-presidente da Football Association, entidade que regula o futebol inglês, juntou-se ao time de especialistas da companhia como consultor para o segmento esportivo profissional.

Com mais de 11 anos na Football Association, onde também ocupou os cargos de CFO e COO, além de ter atuado como diretor geral do lendário Wembley Stadium, em Londres, Horne traz um profundo conhecimento sobre os desafios enfrentados pelo mundo afora por clubes e organizações, seja em operações financeiras e comerciais, em investigações de problemas internos e na gestão de questões reputacionais.

“A quantidade de recursos que o setor esportivo movimenta cresce de forma significativa, e essa realidade anda lado a lado com a responsabilidade de preservar a integridade da marca por organizações e atletas. Diariamente, eles devem equilibrar cuidadosamente a promoção de seus perfis com a salvaguarda de sua reputação”, comenta Horne.

Histórico de casos

Há anos, a Kroll tem auxiliado clubes de futebol europeus com serviços de due diligence para determinar a adequação de potenciais investidores. Nesses projetos, os objetivos são tanto a identificação da origem dos fundos como a análise de aportes em diferentes formatos de patrocínio.

“Além da preocupação financeira e operacional, as agremiações esportivas estão com cada vez mais frequência buscando se resguardar de passivos e de problemas que possam impactar a integridade de suas marcas futuramente”, explica Cook.

A Kroll também auxilia clientes do setor com investigações que abrangem desde suporte a litígios até a validação de controles internos. Em um projeto junto a uma organização internacional de ciclismo, por exemplo, a Kroll investigou a participação e conivência de dirigentes do órgão em casos de doping envolvendo profissionais da modalidade.

Em outro caso, a empresa ajudou a identificar o autor de uma campanha difamatória nas redes sociais contra um atleta de elite. Usando sofisticadas técnicas de segurança cibernética, os especialistas da Kroll conseguiram vincular múltiplos nomes de usuário a uma única fonte.

Sobre a Kroll

A Kroll é líder mundial em gestão de riscos e investigações corporativas. Há mais de 40 anos, ajuda seus clientes a tomarem decisões sobre negócios, pessoas e ativos, por meio de uma ampla gama de serviços para prevenir e mitigar riscos. Com sede em Nova York e mais de 35 escritórios em 20 países, a Kroll tem uma equipe multidisciplinar de quase 1000 colaboradores e serve a uma clientela global de escritórios de advocacia, instituições financeiras, empresas, organizações sem fins lucrativos, agências governamentais e indivíduos. Para mais informações visite www.kroll.com/brasil

O Governo do Maranhão começa a liberar créditos do Bolsa Escola 2018 na próxima semana.

Cerca de 1.800 estabelecimentos estão aptos a realizar a venda de material escolar aos beneficiários do Bolsa Escola neste ano. O quantitativo é 22% maior do que o alcançado no ano passado

“Dia 31, na próxima quarta-feira, estará disponível crédito em cartões das nossas crianças para que possam garantir a compra de seu material escolar”, conta o secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Neto Evangelista, responsável pelo Bolsa Escola.

O Bolsa Escola concede crédito para famílias cadastradas no Bolsa Família, do Governo Federal, com filhos em idade escolar.

Trata-se de um complemento de renda feito pelo Governo do Maranhão para garantir caderno, livro, canetas e outros itens escolares às crianças e aos adolescentes.

Esta é a terceira edição do Bolsa Escola. Para liberar os créditos, o Governo do Maranhão estava aguardando o Governo Federal revisar a lista dos beneficiados do Bolsa Família, já que esta é a base de quem será alcançado pelo programa maranhense.

Com a revisão concluída, o Governo do Estado pôde organizar o cronograma para a concessão do crédito.

Quem tiver dúvidas pode acessar www.bolsaescola.sedes.ma.gov.br/site/ ou usar os aplicativos referentes ao programa.

Comércios credenciados

Cerca de 1.800 estabelecimentos estão aptos a realizar a venda de material escolar aos beneficiários do Bolsa Escola neste ano. O quantitativo é 22% maior do que o alcançado no ano passado.

Por meio de um cartão magnético tipo débito, as famílias beneficiárias poderão realizar compras nas lojas e comércios autorizados em seus próprios municípios para a venda de material escolar.

Confira a mensagem do secretário Neto Evangelista:

As dez piores cidades do Brasil para empreender 4

Os rankings internacionais sobre competição e competitividade, mostram que o Brasil ainda não aprendeu o que é isso!

Alfredo Passos, via Administradores.com

O Brasil agora ocupa a 80ª colocação entre as nações avaliadas, após  atingir, no ano passado, sua pior posição na lista. Na América Latina, o Brasil só tem desempenho melhor que Guatemala, Argentina, Equador, Paraguai e Venezuela. O Chile continua liderando o ranking regional.

A melhora brasileira ocorreu em aspectos como combate à corrupção e pelo aumento da liberdade do judiciário, segundo o Relatório Global de  Competitividade 2017-2018.

Mas, pouco animador é a posição brasileira entre 137 países. Além disso tem-se municípios que os gestores públicos ainda fazem muito pouco.

Assim temos cidades com poucas vantagens para investidores e consequentemente para o empreendedorismo.

Maceió

Muito se fala em cidades que acolhem bem a atividade empreendedora, porém, é
possível apontar no Brasil capitais que não parecem tão receptiva a quem
deseja começar o negócio próprio. De acordo com o levantamento anual da
Endeavor sobre capitais mais empreendedoras do País, Maceió está na
última colocação, ou seja, é o lugar menos favorável para empreender.

Teresina
A capital do Piauí também está entre as piores cidades para empreender de
acordo com a Endeavor. “São cidades com estrutura bastante precária”,
aponta o coordenador de pesquisa e mobilização Endeavor e responsável
pelo levantamento João Melhavo. “Se olharmos para o ambiente regulatório
dessas cidades, percebemos um desafio gigante”, analisa.

Fortaleza
“Essas capitais têm como problemas comuns a falta de infraestrutura, a
distância dos grandes centros e problemas internos como falta de
segurança”, analisa Melhavo, que avalia capitais como Fortaleza
como locais ainda pouco favoráveis ao empreendedorismo.

Belém
A capital do Pará, também aparece no ranking da Endeavor como uma
cidade pouco favorável a empreendedores. Para Melhavo, um dos pontos
mais sensíveis dessas capitais são os marcos regulatórios, que são as
leis em relação a tributação, abertura e fechamento de empresas.
“O Brasil tem o sério desafio de toda hora mudar as regras do jogo.
Temos em média 200 mudanças a cada três anos no ICMS, o mesmo que uma a
cada quatro dias. Isso é uma loucura pra o empreededor”, comenta.

Cuiabá
Fora do Nordeste, região do País em que os índices de empreendedorismo são
desfavoráveis, a capital do Mato Grosso também encontra dificuldades
para atrair investidores, o que é, na perspectiva do especialista da
Endeavor, um fator que dificulta a vida do empresário. “O investimento
de risco, o venture capital, está distante dessas capitais. São cidades
em que o empreendedor tem menos condições de buscar investimento”,
analisa Melhavo.

São Luís
A segurança pública, ou ausência dela, é outro fator que influencia
diretamente na forma como uma cidade recebe o empreendedorismo. “Na
região Nordeste, as taxas de homicidios estão acima das do Sul e do
Sudeste”, avalia Melhavo sobre capitais como São Luís.

Manaus
“Uma coisa que poderia ser feita em curto prazo para a melhora nos índices
dessas cidades é uma otimização do ambiente regulatório”, comenta João
Melhavo. “Para se abrir uma empresa, leva-se em média 138 dias. São
quase 5 meses para você abrir um negócio. Isso é possível de ser
transformado”, avalia o especialista. Cidades como Manaus (foto),
enfrentam esse tipo de entrave, que as faz serem mal avaliadas.

Natal
Natal, a capital do Rio Grande do Norte, também aparece no ranking da Endeavor
como uma das cidades menos favoráveis ao empreendedorismo no Brasil.

Salvador
A capital baiana está entre as dez cidades brasileiras pouco receptivas a
novos negócios. Entre os critérios avaliados pela Endeavor para o
levantamento, estão qualificação profissional, índices de segurança
pública, burocracia e capacidade de atrair investimentos.

Aracaju
À frente das capitais citadas anteriormente, porém ainda com índices
negativos para o empreendedor, está Aracaju. Para Melhavo, é possível
reverter a pouca receptividade com ações de curto e longo prazo. “Rever
processos e simplificar burocracia são atitudes do poder público que em
pouco tempo podem melhorar muito a situação do empreendedorismo nessas
cidades”, pontua.

“Competição e competitividade são palavras que os políticos, especialmente os deputados federais e senadores, ainda não conseguiram alcançar seu real sentido”.

Fonte: Endeavor/Estadão.

O empresário com síndrome de Down que criou um negócio milionário

DA BBC BRASIL

Ao completar 21 anos, em 2016, John Cronin confessou ao pai, Mark, que gostaria de ter
um negócio quando terminasse o ensino médio, mas ainda não tinha ideia do ramo em
que poderia atuar.

“Minha primeira sugestão foi uma loja que vendesse algo divertido, mas não sabíamos direito o que vender”, diz John, que vive em Long Island, em Nova York.

Depois, pensou em abrir um food truck, mas um problema fez com que os dois
mudassem de ideia: “Nós não sabemos cozinhar”, brinca Mark.

Logo eles tiveram uma ideia. “John sempre usou, a vida toda, meias coloridas, meiodoidas. Era algo que ele realmente gostava, e aí sugeriu que a gente vendesse meias”,conta o pai.

“Meias são divertidas, são criativas e coloridas. E elas me deixam ser eu mesmo”,
afirmou John, que tem síndrome de Down.

Foi assim que surgiu a “John’s Crazy Socks” (“As meias malucas do John”, em tradução
literal). Em um ano no mercado, eles contam que já conseguiram lucrar US$ 1,4 milhão
e arrecadaram US$ 30 mil para caridade. O negócio ficou tão famoso que chegou a
vender meias para o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e o ex-presidente
americano George W. Bush

BILHETES
A loja online tem cerca de 1,4 mil tipos diferentes de meias, com todos os desenhos que
se possa imaginar –de gatos e cachorros a até caricaturas de o presidente dos EUA,
Donald Trump.

Cada pedido é enviado no mesmo dia com um pacote de doces e um bilhete de agradecimento escrito a mão. E se o endereço for perto, John vai entregar as meias pessoalmente.

Como é “a cara” do negócio, John também frequenta eventos, fala com clientes e
fornecedores e cria campanhas como a “Meia do Mês”.

Já Mark lida com os aspectos mais técnicos envolvidos em uma empresa.

“John é realmente uma inspiração”, elogia o pai, que reforça que não há qualquer
tratamento “especial” ao filho no trabalho.

“Ele trabalha muito nessa empresa. Nós chegamos no escritório antes de 9h e saímos, na maioria das vezes, depois de 20h”, conta.

Em pouco mais de um ano, eles já enviaram 30 mil pedidos.

Pai e filho também doam 5% dos lucros da empresa para a instituição “Special Olympics”, que organiza eventos esportivos para pessoas com deficiência –John compete no basquete, no futebol e no hóquei.

Além disso, eles criaram “meias de conscientização” para arrecadar dinheiro para instituições de caridade como a Associação Nacional da Síndrome de Down e a Sociedade de Autismo da América.

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Em três anos, conta dos Estados sai do azul para um rombo de R$ 60 bi

Com a arrecadação em queda por causa da crise e uma folha de pagamento ‘mais cara’, governadores não conseguiram fechar as contas e acumularam um déficit histórico no fim de 2017, aponta levantamento do economista Raul Velloso

Rio Grande do Norte enfrentou greve de policiais militares, civis e agentes penitenciários. Foto: Ricardo Araújo/Estadão

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

Em um período de três anos, os Estados saíram de um resultado positivo de R$ 16 bilhões em suas contas para um déficit de R$ 60 bilhões no fim de 2017. Isso significa que os governadores assumiram seus postos, em 2015, com o caixa no azul e, se não tomarem medidas drásticas até o fim deste ano, vão entregar um rombo bilionário para seus sucessores.

O levantamento feito a pedido do Estado pelo especialista em contas públicas Raul Velloso mostra o resultado de uma equação que os governos não conseguiram resolver: uma folha de pagamento crescente associada a uma queda na arrecadação de impostos por causa da crise econômica. “É o mandato maldito”, diz Velloso. “Diante da pior recessão do País, os Estados saíram de um resultado positivo para um déficit histórico.”

O Rio Grande do Norte foi o Estado cuja deterioração fiscal se deu mais rapidamente nesse período. Depois de ter acumulado um superávit de R$ 4 bilhões entre 2011 e 2014, entrou numa trajetória negativa até acumular um déficit de R$ 2,8 bilhões de 2015 a outubro de 2017.

Esse descompasso fiscal pode ser visto nas ruas. Com salários atrasados, a polícia civil entrou em greve e uma onda de violência tomou o Estado no fim do ano. Os policiais encerraram a paralisação, mas servidores da saúde continuam em greve (leia mais abaixo).

Além do Rio Grande do Norte, os casos de desajuste fiscal que ficaram mais conhecidos foram os do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Mas outros Estados seguem o mesmo caminho, como Goiás, Pernambuco e Sergipe. Eles estão entre os mais mal avaliados pelo Tesouro Nacional sob o ponto de vista de capacidade de pagamentos. “Há uma fila de Estados prontos para passarem por uma crise aguda (como a do Rio Grande do Norte)”, diz o economista Leonardo Rolim, consultor de orçamentos da Câmara.

Para o economista Marcos Lisboa, presidente do Insper, o grande vilão do déficit estadual é o aumento da folha de pagamento dos Estados, que precisa, a cada ano, arcar com um número maior de aposentados. “O envelhecimento da população é muito rápido e, por isso, o aumento dos gastos também.”

De acordo com o levantamento de Velloso, as despesas e receitas anuais dos Estados empataram em 2014, atingindo R$ 929 bilhões cada uma. Desde então, as receitas recuaram de forma mais abrupta: atingiram R$ 690 bilhões nos dez primeiros meses de 2017, enquanto as despesas somaram R$ 715 bilhões.

Do lado das receitas, além da crise reduzir a arrecadação com impostos, o corte de repasses do governo federal acentuou a dificuldade dos Estados. “Até 2014, o governo dava empréstimos que mascaravam a situação”, afirma a economista Ana Carla Abrão Costa, que foi secretária da Fazenda de Goiás até 2016.

Se, nos últimos anos, o desajuste fiscal já obrigou a maioria dos Estados a reduzir investimentos, neste ano, o corte deve ser ainda maior. Isso porque, como é último ano de mandato, os governadores não podem deixar restos a pagar para os que assumirem em 2019. Tarefa que, para Velloso, é impossível. “Não tem a menor condição de eles zerarem esses déficits.”

Já Rolim diz que os governadores poderão recorrer a manobras, como o cancelamento de restos a pagar. “É uma espécie de calote. Despesas com obras não concluídas, por exemplo, não tem problema, mas fornecedores poderão ficar sem receber.”

Para Ana Carla, as contas vão acabar fechando porque o ano é de eleição. “Como não podem deixar restos a pagar, os Estados vão buscar recursos extraordinários como nunca”, afirma.

O superintendente do Tesouro de Goiás, Oldair da Fonseca, afirmou que o governo trabalha com austeridade para não deixar restos a pagar para 2019. Ele destacou que o déficit de 2017 ficará em R$ 900 bilhões – em 2015, havia sido o dobro. O secretário das Finanças do Rio Grande do Norte, Gustavo Nogueira, afirmou que a raiz do problema é o déficit previdenciário. O governo de Pernambuco disse que não considera como despesa total as despesa empenhadas (autorizadas), como foi feito no levantamento, e que fechou o ano com receita para cobrir seus gastos. O de Sergipe não retornou.

O governo do Rio afirmou que sua situação foi muito prejudicada pela crise, já que sua economia é dependente da indústria do petróleo. O de Minas Gerais informou que já recebeu o Estado em situação delicada e que a folha de pagamento tem deteriorado as contas ainda mais.

Os perigos do ‘disse me disse’ no ambiente de trabalho

O que fazer para evitar boatos e qual o ônus legal que uma empresa pode sofrer quando não combate este hábito?

Daniel Cristofi e Dhyego Pontes, Administradores.com

Em uma pesquisa realizada pelo LinkedIn, com divulgação na TV Justiça, sobre o que mais incomodava profissionais brasileiros em suas rotinas de trabalho, foi constatado que o excesso de fofocas era o principal aborrecimento para mais de 80% dos entrevistados. Segundo especialistas em gestão pessoal, a fofoca pode afetar não só o clima organizacional, mas o próprio desempenho dos empregados, impactando, diretamente, no foco, concentração e inteligência emocional dos colaboradores de uma empresa.

Com tantos prejuízos, o que as organizações devem fazer para enfrentar a geração de boatos em seus espaços? E, do ponto de vista do direito trabalhista, que medidas podem ser tomadas por aqueles que se sentirem prejudicados por uma fofoca? Abordaremos estes temas ao longo deste artigo.

Uma empresa ou funcionário pode sofrer sanções trabalhistas em caso da ocorrência de fofocas no espaço laboral?

No geral, sim. Embora não seja um tema incontroverso, tribunais regionais do trabalho tendem a julgar como procedentes, processos de danos morais ou pedidos de indenização movidos em razão de fofocas no ambiente do trabalho. Já que é claro perante os entes fiscais e justiça do trabalho que é de responsabilidade do empregador a conduta de seus colaboradores com seus companheiros de trabalho.

É o caso, por exemplo, de processo de 2005 julgado 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, que condenou instituição financeira a pagar R$ 55.205, visando compensar dor de vítima que teve exposto o não cumprimento de metas de produtividade, segundo informações do ConJur. Ficou determinado ainda que a instituição deveria impedir que este comportamento se repetisse.

Outro caso, de 2017, julgado pelo TRT da 2ª região de São Paulo, acolheu o pedido de indenização por danos morais de um funcionário que teve fatos de sua vida expostos de modo vexatório por superiores. A desembargadora, Sônia Mascaro Nascimento, e os magistrados, condenaram a empresa a pagar R$ 10 mil em razão da ofensa.

O que torna procedente tais processos, consiste no fato de que, fofocas e boatos podem configurar dano moral e, neste sentido, serem passíveis de indenização, conforme explica o inciso X do Artigo 5º da Constituição Federal Brasileira:

“São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.”

Para que um empregado possa mover uma ação por dano moral nestes casos, são imprescindíveis provas que demonstrem a incidência das fofocas o envolvendo, bem como, possíveis prejuízos causados pelos boatos. Tais provas podem ser de ordem testemunhal ou documental – e-mails, mensagens via aplicativos, conversas no Facebook ou até mesmo gravações, para que assim fique evidenciada a ocorrência, extensão e dano da conduta lesiva.

Qual postura adotar diante de um boato no ambiente de trabalho?

Profissionalismo é sempre a melhor postura a ser tomada por funcionários diante de uma fofoca. Isso envolve a discrição e, acima de tudo, não colaborar para que um boato se espalhe, uma vez que, além de prejudicar um colega de trabalho, o funcionário pode sofrer sanções tanto internas como legais, haja vista que medidas como advertências, suspensões e em última instância até a dispensa por justa causa podem ser tomadas pelo empregador com intuito de coibir práticas lesivas aos empregados e principalmente ao ambiente de trabalho.

Que medidas podem auxiliar o profissional a não ser vítima de fofocas?

Qualquer profissional também pode adotar algumas ações que minimizem as chances de que ele se torne vítima de boatos em uma empresa. Evitar a superexposição, tanto para colegas quanto em redes sociais (que hoje fazem parte do dia a dia organizacional) é um importante passo neste sentido. Outra ação útil recomendada por especialistas é manter-se neutro em discussões e evitar a formação de “panelinhas” que podem favorecer a difusão de boatos.

Por parte das empresas, políticas claras de combate as fofocas, adotando, inclusive, punições internas para funcionários que estimularem a prática, são instrumentos necessários tanto para dar mais segurança para uma organização em eventuais casos envolvendo a justiça trabalhista, quanto para evitar que seu ambiente interno e a produtividade de seus colaboradores sejam afetados em virtude do excesso de boatos. Além disso, deve ser facilitado o acesso de seus colaboradores a canais de denúncia, que não deve ser limitado e exclusivamente realizado perante ao superior hierárquico direto do empregado denunciante, já que muitas vezes o superior é o responsável pela prática e conduta lesiva.

É, por fim, papel dos gestores, contribuir para a inibição das fofocas. Afinal de contas, como vimos aqui, elas podem gerar prejuízos muito mais sérios do que, talvez, pudéssemos supor, na fila do café.

Daniel Cristofi — Especialista em Previdenciário e membro da Grounds, empresa de consultoria inteligente especializada nas áreas contábil, tributária, trabalhista, previdenciária e financeira.

Dhyego Pontes — Especialista em Direto Trabalhista e membro da Grounds, empresa de consultoria inteligente especializada nas áreas contábil, tributária, trabalhista, previdenciária e financeira.

ELEIÇÕES 2018: Ricardo Murad vai apresentar diretrizes do seu “Plano de Governo” 12

O ex-secretário de Saúde usou ainda a rede social do Facebook para comentar os números da pesquisa Vox Populi contratada pela Jakarta Publicidade

O ex-secretário de Saúde do governo Roseana Sarney (PMDB), Ricardo Murad, vai, ainda este ano, apresentar à imprensa e à sociedade em geral o que seria as diretrizes do seu “Plano de Governo”.

Quem teve acesso ao documento afirma tratar-se de algo “arrojado” e “diferente de tudo do que já se viu em termos de objetivos, metas e projetos socioeconômicos bem definidos e viáveis”.

Apresentação estava marcada inicialmente para acontecer nesta quarta-feira, 6, mas foi adiada para o próximo dia 12 de dezembro.

Pela sua página pessoal no Facebook, o pré-candidato pelo PRP anunciou: “Reunião da Executiva do PRP remarcada para o dia 12 de dezembro. Mais próximo comunico hora e local. Estamos trabalhando para apresentar o conceito de um projeto estratégico para o Maranhão e precisamos de mais um pouco de tempo”.

Bom, quem conhece um pouco o perfil de Ricardo Murad sabe que se trata de um gestor realmente ousado, líder que valoriza os bons talentos da sua equipe, delega e cobra tarefas, enfim, é alguém que tem foco em resultados, característica fundamental para qualquer gestor público, ou melhor dizendo, para um “empreendedor público”.

Vox Populi

Ricardo Murad usou a rede social do Facebook também para comentar os números da pesquisa Vox Populi, contratada e apresentada pela Jakarta Publicidade, na tarde de ontem, 4, no Hotel Luzeiros.

O ex-secretário de Saúde mostrou-se confiante na vitória da oposição assegurando que que a pesquisa confirma a insatisfação do eleitorado com o governo de Flávio Dino.

Como digo, a população clama por um novo governo. Flavio Dino, eleito com 68% dos votos, a cada dia perde eleitores. Nessa pesquisa nacional divulgada hoje pelo instituto Vox Populi, está com apenas 37% das intenções de voto. Os nomes da oposição já somam 52%. O resultado confirma a insatisfação cada vez maior com o governo comunista que não cumpriu nada do que prometeu. E ainda estamos na fase embrionária do processo eleitoral.
Vamos que vamos. A vitória será da oposição”, postou.

Se realmente levar a cabo o projeto “Ricardo governador-44”, e nada levar a crer que não o fará, e conseguir o um tempo minimante razoável no horário gratuito, não há sombras de dúvidas de que o “Trator” dará trabalho para muita gente aí.

É aguardar e conferir.

Fomos ingênuos em crer no Vale do Silício, diz historiador Niall Ferguson 2

O professor e historiador escocês Niall Ferguson participará do Fronteiras do Pensamento em São Paulo

NELSON DE SÁ
VIA FOLHA DE SÃO PAULO

O historiador escocês Niall Ferguson, autor de “Civilização” (ed. Planeta, 2013, publicado originalmente em 2011), diz que o Brasil deve esperar em 2018 “uma repetição do que aconteceu nos EUA em 2016, quando a mídia social teve papel decisivo na eleição de Donald Trump”.

Para ele, “a promessa do Vale do Silício era que as redes sociais gigantes fariam o mundo melhor”, mas o que produziram foi “polarização, ‘fake news’ e visões extremistas”. Empresas como Facebook e Google “têm como prioridade gerar receita de publicidade, não fazer do mundo um lugar melhor”, diz.

Ferguson, 53, faz palestra nesta terça em São Paulo, às 20h30, no ciclo Fronteiras do Pensamento, com ingressos esgotados. A seguir, trechos de entrevista realizada por telefone, na segunda (27).

Folha – Num ensaio recente na revista “Foreign Affairs”, o sr. escreve sobre a “falsa profecia da hiperconectividade” e os impactos políticos das redes sociais. Quais são eles? O sr. poderia resumir a crítica do que chama de “visões messiânicas” espalhadas pelo Vale do Silício?

Niall Ferguson – A promessa do Vale do Silício era que as redes sociais gigantes on-line fariam o mundo melhor. Nós todos seríamos “netizens” [cidadãos da internet] igualmente conectados, igualmente capazes de publicar, igualmente capazes de confrontar o poder. Mas não saiu bem assim. E eu acredito que era previsível que não sairia.

Previsível?

Ainda que só soubesse um pouco de história e de ciência das redes, você podia ver que criar redes gigantes não produziria uma “comunidade global”, como diz a frase de Mark Zuckerberg [presidente do Facebook]. Que mais provavelmente produziria polarização, “fake news” [notícias falsas ], visões extremistas e outros problemas que se tornaram muito evidentes na eleição dos EUA no ano passado. Aquele tipo de problema era inerente ao projeto de redes sociais gigantes on-line, e fomos ingênuos de acreditar no que o Vale do Silício nos falou. Afinal, empresas como Facebook e Google têm como prioridade gerar receita de publicidade, não fazer do mundo um lugar melhor.

O sr. está no Brasil, que era festejado como um gigante que acordava e agora está submerso numa crise política e econômica sem fim, com a sombra da direita radical crescendo dia a dia. Quais são as suas ideias sobre este país?

Bem, sempre sou cuidadoso ao comentar países que estou visitando brevemente. Professores de Stanford e Harvard têm uma tendência de presumir que sabem mais sobre os países do que as pessoas que moram neles. Portanto, com a humildade necessária, deixe-me responder o seguinte:

Primeiro, eu acredito que a crise da classe política do Brasil é característica do nosso tempo, que não é, de modo nenhum, limitada à América Latina. Uma consequência da maior transparência trazida pela internet foi expor corrupção no hemisfério Norte assim como no Sul e estimular a frustração popular com os establishments políticos. Estamos vendo um fenômeno global, e o Brasil é um entre muitos países onde isso está ocorrendo.

Em segundo lugar, as dificuldades econômicas do Brasil provêm muito claramente daquela grande queda nos mercados de commodities, que aconteceu na segunda fase da crise financeira e parou com a festa econômica que estava acontecendo neste país. Acredito que isso [queda do preço das commodities] em grande parte passou, e estamos vendo fluxos tremendos de dinheiro para a América Latina no espaço do último ano. Portanto, minha sensação é que a crise econômica está chegando ao fim, mas a crise política, não.

O que pode advir disso?

É o ponto final que eu levantaria: nas eleições do ano que vem, os brasileiros vão encarar algumas grandes escolhas, e você já citou o fato de que há um candidato populista da direita radical. O que nós todos devemos esperar, e eu penso que isso se aplica também à eleição mexicana [em julho de 2018], é uma repetição do que aconteceu nos EUA no ano passado —quando a mídia social teve um papel decisivo na eleição de Donald Trump. Devemos esperar que Facebook e outras plataformas de mídia social tenham um papel muito maior do que antes. E o candidato que compreender melhor como usar essas plataformas terá uma chance muito forte de vencer.

O sr. vem alertando para um novo “crash” financeiro, dizendo que as luzes vermelhas estão se acendendo, como antes da crise econômica de 2008. Quais são essas luzes, o que anunciam? É possível evitar o que está a caminho?

Bom, não há como evitar crises financeiras, elas são parte recorrente da história. A ideia de uma economia mundial sem crises é ilusória. O que me deixa preocupado no momento é que estamos vendo, depois de quase dez anos de medidas extraordinárias de política monetária, uma mudança na postura dos grandes bancos centrais —começando com o Federal Reserve [nos EUA] e o Banco da Inglaterra, mas também com sinais do Banco Central Europeu e do Banco do Japão. Para usar a palavra favorita dos bancos centrais, “normalização”.

Não acredito que você possa ter juros em alta e balanço do Fed [os títulos de dívida que o banco recomprou ao longo da crise] em queda, sem consequências para a economia como um todo —dado que não só domicílios mas muitas outras entidades, inclusive governos, ainda estão muito endividados, pois não houve maior desalavancagem desde a crise; e dado que a inflação se recusa a voltar, nas economias desenvolvidas. Assim, você vê previsões de aumento de juros, mas pouco sinal de que a inflação vá subir. Ter juros reais maiores, endividando mais os domicílios e outras entidades, é uma perspectiva assustadora.

O que está levando a isso?

Os banqueiros centrais estão usando modelos ultrapassados de funcionamento da economia, que realmente surgiram na metade do século 20. Eles ficam procurando inflação e esperando a Curva Phillips [relação inversa entre inflação e desemprego], perdida há muito tempo, quando na verdade este é um mundo muito deflacionário, por causa da tecnologia. Tudo está ficando mais barato, e o trabalho está sendo cada vez mais substituído por robôs. A combinação de alta de juros e um mundo estruturalmente deflacionário deve acabar com a festa que vêm acontecendo nos mercados de ações, em algum momento do próximo ano, estimo.

Neste domingo, no “Sunday Times”, o sr. escreveu que estamos passando por uma nova revolução moral vitoriana, com o movimento #metoo sendo parte disso. É uma mudança tão grande assim?

Há uma grande mudança, no sentido de que o comportamento que era tolerado há muito tempo, em Hollywood, na cidade de Nova York, naquilo que poderíamos chamar de elite liberal, está sob escrutínio muito mais severo. O que começou com [o produtor] Harvey Weinstein fez aparecer, em poucas semanas, quase 40 casos de assédio por figuras públicas, inclusive o senador [democrata] Al Franken. E não vejo sinal de que esse processo de revelações vá parar. Para a maioria, as regras de combate entre homens e mulheres, no ambiente de trabalho, vêm mudando gradualmente, ao longo de anos. Agora percebemos que essa mudança não havia ocorrido no topo, seja em Wall Street ou em Hollywood.

Minha preocupação é que essas revoluções em conduta têm uma propensão ao exagero, o que pode ser uma das consequências do movimento #metoo [de mulheres que relatam assédio]. Quando o “New York Times” publica um artigo de opinião que sugere que todos os homens são estupradores, estamos numa quadra muito ruim, porque é sem sentido e se torna uma espécie de sexismo reverso, dirigido contra os homens.

O sr. é supostamente o modelo de Irwin, o professor da peça “The History Boys”, de 2004 [lançada como filme em 2006, “Fazendo História”]. O sr. se viu nele? Gostou da peça de Alan Bennett?

Bennett diz no programa e nos seus diários que eu fui o modelo para o personagem. Mas foi um choque para mim, quando fui ver a primeira montagem, em Londres, porque não sabia até ler o programa que estava envolvido.

Acho que o personagem de Irwin, na primeira metade, tem algumas características de Ferguson. Ele encoraja seus estudantes a escrever e pensar o contraditório, a questionar a visão estabelecida e a tornar seus ensaios históricos interessantes. Ele também encoraja seus estudantes a sobressaírem, quer que todos entrem para Oxford ou Cambridge. Eu certamente consigo me identificar com tudo isso, sempre encorajei meus alunos a ir contra a visão convencional e a aspirar por excelência. Mas, talvez você se lembre que, na segunda metade, Irwin tem uma espécie de crise pessoal e acho que se revela gay. Bem, aí a semelhança acaba.

O que o sr. vai abordar, aqui?

Estou dando uma palestra [no Fronteiras do Pensamento] intitulada “A Civilização Ocidental Acabou?”.

E qual é a sua resposta?

Eu acho que vai mal. No meu livro “Civilização”, escrevi que há seis instituições e ideias que tornaram o Ocidente grande e o fizeram dominante nos séculos 18, 19 e 20. Agora aquelas ideias e instituições são praticamente globais, não mais monopólio de europeus e norte-americanos. Mas, de maneira preocupante, as instituições que eram tão centrais para o sucesso do Ocidente parecem estar em declínio.

Em “A Grande Degeneração [ed. Planeta, 2013], defendi que, se você olhar para as finanças públicas, a regulação, o estado de direito e a sociedade civil, as coisas estavam indo mal para os EUA. Isso foi publicado há quase cinco anos, e as coisas estão piores hoje. O governo Trump se comprometeu a melhorar o problema da regulação excessiva e possivelmente do estado de direito, mas nas finanças públicas e na sociedade civil o quadro está piorando.

O déficit só vai crescer, com o novo projeto tributário republicano, e eu vejo, na sociedade civil, uma grave deterioração, em grande parte por causa das redes sociais, o que nos leva ao início da nossa conversa.

Isso já estava em “Degeneração”?

O que não previ, cinco anos atrás, foi que Facebook, Twitter e os demais polarizariam a discussão política de maneira tão extrema, a ponto de estarmos nos tornando uma espécie de sociedade incivil [grosseira] em que as pessoas são estimuladas a serem abusivas em seus debates on-line. A civilização ocidental está se tornando bastante incivilizada, pelo menos julgando pelas coisas que as pessoas escrevem on-line.

Como usar a influência para abrir portas

Influência não é fazer com que as pessoas façam o que você quer porque você tem superioridade moral. Influência é saber conquistar o apoio das pessoas

Daniel Goleman, via administradores.com.br

Você acredita que precisa estar em uma posição de poder para ter influência?

Pense novamente.

Embora seja verdade que executivos têm influência, não ache que você precisa chegar até uma posição de diretoria para poder ser influente. Independentemente da sua posição, você pode ter um efeito poderoso sobre aqueles que estão à sua volta, se não a organização completa.

A Influência é uma das doze Competências de Liderança de Inteligência Emocional e Social no modelo que desenvolvi com Richard Boyatzis. A competência da Influência refere-se à capacidade de ter um impacto positivo sobre os outros, persuadi-los, convencê-los, ou obter o seu apoio. Com a competência Influência, você conquista a aceitação de pessoas-chave.

É importante notar que a influência não é fazer com que as pessoas façam o que você quer porque você tem superioridade moral. Se suas ideias são ruins ou prejudicam as pessoas, então seus esforços serão menos convincentes. Mas se suas ideias são fortes, podem ser benéficas ou têm o potencial de serem aceitas, então a influência irá ajudá-lo a mobilizar os recursos necessários para que as coisas aconteçam.

O que é preciso para ter Influência?

Como muitas competências da IE, a Influência requer o uso habilidoso de outras competências. A Autoconsciência Emocional e o Autocontrole Emocional ajudam a evitar que você avance de forma prematura e busque seu objetivo sem entender plenamente o ponto de vista daqueles que serão afetados por suas decisões. Com tal consciência e controle, você sabe como seus sentimentos afetam suas ações e então pode escolher melhor como possibilitar seus objetivos. A Empatia e a Consciência Organizacional também são fundamentais para o desenvolvimento da Influência. São formas de consciência social, uma a nível individual, a outra no nível organizacional. A Empatia começa quando você escuta o outro para entender melhor suas preocupações. Quanto à consciência organizacional, para ser influente em qualquer grupo ou organização preciso conhecê-lo bem. Isso requer não apenas escutar, mas uma observação ativa, uma conscientização de sistemas e estar aberto a diferentes perspectivas.

Como a Influência funciona na prática

Em “Influence: A Primer”, a nova publicação da qual sou co-autor com o Dr. Boyatzis, Peter Senge e outros colegas, compartilhei a história de alguém que fazia uso da competência Influência para alcançar seus objetivos. Aqui está a história:

Um engenheiro hídrico de um país africano trabalhava para uma empresa global de energia. Ele sempre pensava em sua cidade natal, onde havia secas repetidas. O país sofria com crises de falta de água constantemente. Os poços que eram perfurados não eram suficientemente profundos, e nem todas as aldeias tinham poços. Ele pensou que seu empregador poderia criar uma divisão que ajudaria países como o seu com gerenciamento de água, mas não era provável que essa ideia ganhasse força dentro da empresa, a menos que houvesse uma maneira de produzir uma receita significativa.

O engenheiro passou muito tempo pensando sobre como poderia apresentar isso aos líderes de sua organização de uma forma que fosse atraente. Primeiro, ele foi de pessoa a pessoa em sua empresa, explicando sua visão e como fazê-la funcionar. Em cada conversa, sua tarefa era a influência, persuadir cada pessoa de que sua visão criativa era útil para a empresa e a coisa certa a fazer.

Ele pediu opiniões a seus colegas sobre como apresentar essa ideia aos executivos da empresa e recebeu comentários valiosos. Em seguida, passou algum tempo falando com os membros da comunidade que mais se beneficiariam com as melhorias de engenharia nas aldeias. Ele aprendeu que o ganho econômico poderia ser obtido porque os agricultores aumentariam suas produções, a economia local prosperaria e a empresa de energia seria vista com bons olhos por ajudar a fazer isso acontecer.

Finalmente, o engenheiro usou todos os comentários e ideias para montar uma apresentação bem elaborada para os principais diretores de sua empresa. Ele propôs uma maneira que faria com que a empresa recuperasse seu investimento e ainda ficasse com uma imagem muito positiva, agradando tanto a acionistas como a pequenos agricultores. Ele antecipou todas as possíveis perguntas que eles poderiam ter e preparou respostas com antecedência, até mesmo elaborando alguns planos de engenharia. Ele foi paciente, motivado, atencioso, e o mais importante: ouviu todas as partes interessadas de forma a fazer com que todos acreditassem que sua ideia era uma vitória para todos. Como resultado, a empresa decidiu começar uma divisão exatamente como ele havia imaginado.

O engenheiro exibiu um alto nível de Influência em ação. Ele não tentou simplesmente compartilhar sua ideia assim que pensou no assunto, quando seria algo mal planejado, com pouca pesquisa ou apoio. Em vez disso, ele tirou um tempo para considerar as perspectivas dos interessados e tomadores de decisão para apresentar a ideia de forma que considerasse os objetivos de cada grupo. E assim convenceu todos.

A Influência nos permite conquistar a aceitação dos outros o suficiente para tornar nossos sonhos reais.

Que ideia você traria à luz – com a dose certa de Influência?