O que aprendi ao ouvir a minha mãe 4

Se propor a ouvir histórias de família abre caminhos profundos, além de recordações e memórias. Com ouvido atento, além de conhecer a estrada que antepassados percorreram, você pode utilizar muito desse conhecimento para entender o presente e pensar no futuro

Os aprenzidados de uma conversa profunda com a própria mãe | Crédito: Shutterstock.

Eduardo Alves, via Vida Simples

Desde criança, ouço histórias envolvendo familiares, alguns presentes na minha vida e outros que já não estavam por aqui quando comecei a entrar em contato com os causos que os envolviam. Há algum tempo, resolvi mergulhar nas lembranças guardadas na memória da minha mãe e decidi convidá-la para uma conversa na qual o tema fosse este. O objetivo era resgatar histórias de família e estudá-las como inspiração para produção literária. A vida, que é esse mar, avançou sob o rio das palavras e os dois, juntos, me inundaram de reflexões e afeto a cada frase que minha mãe compartilhava. Aprendi muito mais do que eu esperava.

Conversamos por dois dias. No primeiro, a convidei para a minha casa e preparei um bolo de cenoura. O objetivo era adocicar nossos lábios e facilitar a prosa. Minha mãe não está acostumada com gravador e com exposição. Eu não queria me mostrar ávido por aquele momento, mas a ansiedade me batia à porta. Já ouvi inúmeras vezes seus contos, mas minhas emoções não eram as mesmas naquele dia. No segundo, fui até a casa dela no começo da tarde e, com um café em mãos, retomamos do ponto em que paramos. Esses dias foram diferentes, pois não é só ela querendo externalizar, sou eu querendo escutar. Meus ouvidos estavam mais atentos do que nunca.

A Dona Rosa, minha mãe de bolso como carinhosamente costumo chamá-la (ela tem 1,52m e digo que posso levá-la comigo para onde quiser) não passou aquele momento falando de mim, como era meu receio inicial ao me propor a ouvir uma mulher que não se cansa de dizer o quanto me ama e fui esperado. Ela abriu seu baú mais profundo, pegou as linhas que formam a sua biografia e teceu sua Narrativa de Vida até os dias de hoje. Ela me deu seu mais lindo trabalho de crochê.

Ela voltou no tempo com muita facilidade e segurou em suas mãos a infância tão suave e querida que teve, compartilhou sua alegria em morar no Ipiranga, bairro de São Paulo, suas histórias de criança, a bela relação construída com seu pai, o imenso carinho pela mãe, a compreensão dos irmãos, o afeto pelos demais que foram acolhidos mais tarde em sua casa.

Também falou da juventude e do Roberto Carlos, sua paixão dos 15 anos. Compartilhou sobre como começou trabalhar cedo para ajudar em casa e, como na vida de todos nós, suas frustrações. A mudança de São Paulo e o impacto que isso teve em toda a sua história. Ela jamais esqueceu o quanto esse fato lhe afastou das coisas que a alegravam.

Expôs uma vida de dedicação à família, seu objetivo incansável de vê-los felizes; a sua atual dedicação à mãe, que passa da casa dos 80 anos. A renúncia de si própria muitas vezes para o bem do próximo. A constante preocupação com o outro.

E, sem perceber, nos não ditos, naquilo que não queria tocar, dividia comigo os sacrifícios que aceitou para buscar o bem-estar de todos. Nunca havia visto tanta generosidade nela como nesse dia. E foi tanta que ela não me contou parte da história que eu conhecia. A mulher forte que ela resgatou dentro de si ao se separar tendo um filho, ainda pequeno, e uma adolescente sob sua responsabilidade. Ela também não mencionou ter tido três empregos ao mesmo tempo para poder cuidar dos filhos, devolver um lar a eles, não lhes deixar faltar nada. Das dores e dos amores de um casamento à revelia da família. Também não comentou dos medos que sentiu nessa época e antes, mas, eu os via nos seus olhos azuis. A gente sempre conversou pelo olhar.

Eu entendo ela não falar disso. Não foi fácil e talvez ainda não seja. Mas, para mim, que tenho isso como uma recordação dos 9 anos, me sinto muito orgulhoso dela ter sido essa Gigante. Eu nunca vou esquecer do que vi e me serviu de exemplo.

Fui surpreendido com memórias que não me haviam sido apresentadas e fiquei muito feliz por, além de reviver com ela momentos já conhecidos, abrir caminho para livros da sua vida que há muito não eram visitados.

Hoje entrar em contato com estas histórias, ouvir sobre meus avós, tataravós, tios, tios da minha mãe, me conecta melhor com o que sou hoje. Ver hábitos que estão em mim e identificá-los no passado, entender evoluções a partir da construção do que meus antepassados foram um dia faz tanto sentido para explicar caminho de hoje.

Esse aprendizado foi mais rico do que qualquer banco de escola, reunião de trabalho ou curso que eu tenha feito ao longo da vida. Aprendi sobre os causos que acompanham a minha família, me vi nas histórias na medida que identificava nelas algo que, de alguma maneira, estão presentes em mim. Me ajudam a entender o material que me forma, não só fisicamente, quando vejo fotografias, mas afetivamente, quando entendo a carga emocional envolvida nessas relações.

Vejo como o curso dessa água vem carregando histórias que agora passam por mim e clarificam pensamentos e questionamentos que me faço ao longo da vida. Ter essas memórias comigo é ter paz.

Eduardo Alves é jornalista e costuma publicar suas ideias e seus textos cheios de alma aqui: https://medium.com/kayua

Academia Sueca não entregará Nobel de Literatura em 2018

Decisão foi tomada em meio à crise desencadeada por um escândalo de violações e agressões sexuais; próximo ganhador será anunciado em 2019

Via Estadão

ESTOCOLMO – A Academia Sueca anunciou na madrugada desta sexta-feira, 4, que não entregará o prêmio Nobel de Literatura em 2018, pela primeira vez em quase sete décadas, em razão de um escândalo de violações e agressões sexuais. O próximo ganhador será anunciado em 2019.

A decisão foi tomada durante uma reunião semanal em Estocolmo, com base na explicação de que a Academia não está em posição de escolher um vencedor após a onda de escândalos de assédios sexuais e crimes financeiros.

“Nós achamos necessário dedicar um tempo para reconquistar a confiança do público na Academia antes que o próximo vencedor possa ser anunciado”, declarou o secretário permanente da instituição, Anders Olsson. Ele também alegou que a decisão é uma forma de respeitar os que já ganharam e os que ainda ganharão o prêmio.

O Nobel de Literatura só deixou de nomear vencedores durante as duas guerras mundiais (1914, 1918, 1940 a 1943) e em 1935, quando, segundo a Academia, não foi encontrado nenhum vencedor que merecesse a honraria.

Em novembro, 18 mulheres acusaram uma conhecida personalidade da cultura francesa, com quem a prestigiada instituição tinha vínculos estreitos, de violência e/ou assédio sexual. O episódio foi motivado por uma onda de escândalos sexuais envolvendo Jean-Claude Arnault, uma grande figura cultural na Suécia e marido da poeta Katarina Frostenson, membro da Academia.

Diante das circunstâncias, sete de um total de 18 membros renunciaram, incluindo a secretária permanente, Sara Danius. Eles estão designados de forma vitalícia e não têm autorização para renunciar, mas podem optar por não participar das reuniões e decisões.

O escândalo provocou especulações nos meios de comunicação sobre o destino do prêmio de Literatura, que foi entregue em 2017 ao autor britânico-japonês Kazuo Ishiguro, e no ano anterior ao cantor e compositor americano Bob Dylan.

O rei da Suécia, Carlos XVI Gustavo, que é o principal responsável pela Academia fundada em 1786, concordou em modificar os estatutos para permitir que os membros renunciem e sejam substituídos, garantindo assim a sobrevivência da instituição. /REUTERS, AP e AFP

GESTÃO E ECONOMIA: Por que o Ceará avançou e o Maranhão parou no tempo 34

O Maranhão nunca conseguiu ser um “Ceará”, embora reúna todas as condições e potencialidades para ser um “tigre” do Nordeste.

Chegou até este editor um instigante artigo da lavra do editor-executivo dos núcleos de Negócios e Economia do grupo O Povo, Jocélio Leal, publicado no seu blog, no site do referido grupo e intitulado “Ceará, terra de paradoxos”.

No texto, o autor discorre sobre algumas contradições ocorridas no estado nordestino que nas últimas décadas teve um “boom” na gestão pública e na economia privada, mas que ainda não conseguiu avançar a contento, por exemplo, no combate ao analfabetismo que atinge cerca de 15% da população cearense.

Contudo, alguns dos dados sobre o Ceará levantados por Jocélio Leal são surpreendentes e fazem com que, nós maranhenses, reflitamos do porquê do nosso estado está parado no tempo do ponto de vista econômico e do empreendedorismo. Senão vejamos.

– A empresa que lidera o mercado de águas no País é cearense. Conforme o Euromonitor Internacional, o Grupo Edson Queiroz é líder nacional no mercado de água engarrafada, com 10,7%. A empresa cearense adquiriu a Nestlé Waters Brasil, a quinta colocada no ranking, com 1,9% do mercado – um oceano de água doce de R$ 24 bilhões no ano passado e 10,3 bilhões de litros.

– Alimentos. A líder de massas e biscoitos do País tem sede no Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. A M. Dias Branco é uma gigante detentora de impressionantes 32% de market share (fatia de mercado) no Brasil. Na Bovespa, atingiu R$ 20.390 bilhões.

– Telecomunicações. No Interior do Estado, fica um dos cases nacionais no setor. A Brisanet, com sede em Pereiro (CE), atende 170 mil famílias no interior do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte com serviços de telecomunicações – internet, TV e telefonia. Já entregou mais 10 mil quilômetros de fibra ótica até no fim do mês passado. Acaba de fechar R$ 20 milhões com o BNDES, em operação que o Banco do Nordeste tinha o maior interesse.

– Um dos destaques no segmento de saúde privada é de Fortaleza. O Hapvida tem cerca de 4 milhões de clientes em 11 estados. É um case de eficiência como empresa e está em pleno período de silêncio que antecede sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

–  O SAS. Uma plataforma de educação que desenvolve conteúdo, tecnologia e serviços de excelência para mais de mais de 700 escolas, sendo que 80 novas escolas só em 2018 e mais 430 mil alunos. Tem planos de igualmente ir para a Bovespa. E nem se fale nos índices de aprovação no ITA, IME e Enem. Vide as escolas privadas locais. Farias Brito, 7 de Setembro, Master e outros. Ou também no varejo farmacêutico. A Pague Menos tem mais de 1 mil lojas, mas quer duas mil e um IPO.

INVESTIMENTOS PRIVADOS e CULTURA EMPREENDEDORA

Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP)

Chega a ser constrangedor, e mesmo vergonhoso, observar que o Ceará teve a coragem de romper com um clico de atraso que há anos imperava no estado, e o Maranhão sequer dá sinais de que pode efetivamente ser um local seguro do ponto de vista político, jurídico e institucional para investimentos privados.

Por estas terras persiste a economia estatal sob sucessivos governos, inclusive no atual; de abusar dos recursos públicos aumentando gastos com a folha de pagamento, para isso, basta ver o caso do programa “Mais Capelães”, que hoje somam mais de uma centena de nomeados pelo governador Flávio Dino (PCdoB).

Falta para o Maranhão estabelecer as condições para que seja criada uma cultura empreendedora, seja na forma de encarar a gestão pública para que dê resultados que a sociedade/contribuintes exigem, seja setor produtivo privado estimulando micro, pequenos, médios e grande negócios.

O fato é que governo Flávio Dino, e dele que temos que cobrar pois prometeu um paraíso nas eleições de 2014 e o que se vê hoje é um Maranhão estagnado, inviabilizado e liquidado administrativamente, com o sério risco de a qualquer momento não conseguir honrar com o pagamento do funcionalismo.

Não por acaso que reportagem da revista Valor Econômico, divulgada nesta segunda-feira (30), confirma essa tendência de crise e pobreza extrema no estado, conforme macrodados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) -, a revista aponta que, entre 2016 e 2017 o número de maranhenses vivendo com menos de US$ 60 por mês cresceu assustadoramente em São Luís (48%) e segue crescendo no interior (1%).

Esse é o Maranhão.

Que nunca conseguiu ser um “Ceará”, embora reúna todas as condições e potencialidades para ser um “tigre” do Nordeste.

Uma lástima!

Análise: Belchior e a dimensão política das letras do autor

Há um ano, o Brasil perdia um cantor e compositor em sintonia fina com a realidade do povo brasileiro

Belchior é considerado um dos maiores expoentes da música brasileira / Arquivo

Pedro Silva, via Brasil de Fato

Antonio Carlos Gomes Moreira Belchior Fontenelle Fernandes (ele brincava dizendo que era o maior nome da MPB), nascido em Sobral, região norte do estado do Ceará, desde muito cedo se dedicou à música e alçou voos inimagináveis para um “rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior.”

Inúmeras matérias e análises sobre seu legado foram feitas nos últimos dias em jornais e blogs do país, mas gostaria de destacar, em mais um texto/homenagem, a dimensão política das letras do autor, sobretudo, se pensarmos nos desafios históricos da constituição do Brasil enquanto país-nação e sobre os caminhos para chegarmos a esta utopia.

Sem desconsiderar a densidade e complexidade estético-literária-filosófica que perpassa o conjunto de seu trabalho musical, avalio que o ponto de ligação e coerência da sua obra é a política. Esta compreendida também, em perspectiva gramsciana, enquanto cultura (visão de mundo, moral, valores e posição sobre a realidade).

Essa afirmação pode ser constatada desde seus primeiros discos, em assertivas e metáforas que demarcam explicitamente o sofrimento e a luta do povo brasileiro, “gente honesta, boa e comovida, que caminha para a morte pensando em vencer na vida”; no sentimento de latino americanidade, “para que o sol apareça sobre a América do Sul”; na denúncia contra a ganância das elites, já que “a única forma que pode ser norma é nenhuma regra ter, é nunca fazer nada que o mestre mandar, sempre desobedecer, nunca reverenciar” e na esperança que o “novo sempre vem” contra as várias formas de asceticismo e conservadorismo. Posição escrita e entoada de forma contundente, mas nada panfletária, arraigada por um lirismo e sensibilidade singulares, “canto torto feito faca”.

Postura compreendida pela própria identidade entre criador e criatura. De uma vida sertaneja e suburbana, membro de uma família com duas dezenas de filhos, um “jovem que desceu do norte e no sul viveu na rua” e teve que enfrentar uma “metrópole violenta que extermina os miseráveis, negros párias, teus meninos”. Nas memórias infantis de cantadores e de uma densa formação cristã, quando ainda “havia galos, noites e quintais”, “numa terra onde o céu é o próprio chão”.

No estudo de línguas e medicina e da fome e frio sentidos na pele, “com diploma de sofrer de outra universidade, com fala nordestina e querendo esquecer o francês”. No sucesso e admiração profunda de fãs e músicos e pela necessidade da reclusão e do reencontro consigo mesmo, como quem está “sempre em perigo e a vida sempre está por um triz, com um coração delinquente juvenil, suicida, sensível demais”.

Belchior, de forma universal e particular carregou e traduziu a alma e a voz de um povo, até a morte. Numa realidade marcada pela “violência, trogloditas, traficantes, neonazistas, farsantes, barbárie, devastação”, seu eco torna-se cada vez mais atual e necessário para edificação de uma pátria soberana, popular e “brasileiramente linda”.

As frases entre aspas foram retiradas, e em algumas com pequenas alterações, das seguintes canções, respectivamente: Apenas um rapaz latino americano; Pequeno perfil de um cidadão comum; Voz da América; Como o diabo gosta; Como os nosso pais; A palo seco; Fotografia 3×4; Baihuno; Galos, noites e quintais; Carisma; Tudo outra vez; Brincando com a vida; Baihuno, Brasileiramente linda.

* Pedro Silva é militante da Consulta Popular e professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE)

Pare de perder tempo com pessoas tóxicas

“Não sou eu, é ele” é o que a maioria de nós costuma dizer. Somos rápidos para culpar os outros pelo que sentimos

Darius Foroux, Administradores.com

Você já se irritou com o comportamento sórdido de um colega de trabalho, amigo ou mesmo familiar. Bom, se você deixa os outros lhe irritarem, a culpa não é deles.

“Não sou eu, é ele” é o que a maioria de nós costuma dizer. Somos rápidos para culpar os outros pelo que sentimos.

Dizemos que os outros nos fazem sentir de determinada maneira. Trata-se de um equívoco. Você devide como sentir acerca das coisas que acontecem na sua vida.

Não são os eventos que nos ferem. São as nossas percepções de tais eventos que nos ferem. Essa é uma das ideias mais importantes da filosofia estóica.

Em outras palavras, você decide qual significado atribuir às coisas que acontecem na sua vida. Se seu amigo mente sobre você para outras pessoas e você se irrita, você tomou a decisão de se irritar.

Afinal, você não controla os outros. É por isso que as pessoas com quem você passa seu tempo é uma questão de vida ou morte.

O grande filósofo estóico, Epiteto, disse o seguinte em seu Manual para a Vida.

“Evite se relacionar com pessoas que não compartilham os seus valores. A associação prolongada com essas ideias falsas só vai embaçar seu pensamento”.

É algo em que acredito. Já vi pessoas destruírem as vidas de outras o suficiente para não dar importância a essa ideia.

Aposto que você também já teve experiências com pessoas tóxicas, na falta de um termo melhor, na sua vida.

É algo em que acredito. Já vi pessoas destruírem as vidas de outras o suficiente para não dar importância a essa ideia.

Aposto que você também já teve experiências com pessoas tóxicas, na falta de um termo melhor, na sua vida.

Há dois tipos de pessoas
Pessoas com valores;
Pessoas sem valores.
Acredito que menos de 1% da população tem valores, que nada mais são do que respostas para questões como:

Como eu trato outras pessoas?
Como eu me trato?
O que é certo e o que é errado?
Eis uma maneira fácil de detectar pessoas sem valores: quando você vê que alguém se tornou uma pessoa completamente diferente em um segundo — é aí que sabemos que essa pessoa não tem valores.

Por exemplo, na nossa empresa recentemente contratamos um estagiário tóxico. Ele se transformou numa pessoa completamente diferente daquela que havíamos contratado.

É claro, o erro foi nosso. Mesmo que ele tenha falado bastante sobre valores durante o processo de entrevista, não detectamos nenhum sinal suspeito.

E tudo correu bem durante a primeira semana. Mas assim que o estagiário encontrou um parceiro entre os demais estagiários, tudo começou a mudar.

De repente, com esse novo parceiro, começaram as fofocas, tentativas de manipulação dos outros e de criar dissidências. Felizmente, identificamos rapidamente o comportamento e comunicamos a nossa política de tolerância zero para comportamentos tóxicos.

Não é algo difícil de acontecer em organizações. As pessoas escondem suas verdadeiras cores. Eu diria que elas escondem o fato de não terem cor alguma.

Quando você não tem valores, automaticamente gravita para o comportamento humano natural, que é extremamente obscuro. Recentemente li 12 rules for life (sem edição em português), do Dr. Jordan Peterson, um psicólogo clínico e professor na Universidade de Toronto.

Sua proposta fundamental é que pessoas são naturalmente más e que viver é sofrer. Para provar a hipótese, Peterson detalha exemplos convincentes da história.

Ele está certo. As pessoas sempre mentiram, mataram e traíram ao longo da vida.

Mas há uma alternativa
Você pode facilmente entrar pelo ralo dos comportamentos sórdidos. Basta perder tempo suficiente com pessoas ruins — eventualmente, você se tornará uma delas.

Você também pode gastar seu tempo com fofocas, mentiras e manipulações. Talvez vocẽ até se sinta bem com isso. A sensação de poder, não importa como é adquirida, dá prazer às pessoas. É assim que nossa mente trabalha.

Portanto, quando você reconhecer alguém que não tem princípios, demonstre atitudes reprováveis e tenha várias caras — pule fora.

Cerque-se de pessoas que querem o melhor para você.

Não de pessoas que são invejosas, que não suportem ver o seu sucesso e que sejam negativas em tudo. Acredito que isso é importante para qualquer pessoas que queira viver uma boa vida.

Alguns anos atrás, quando comecei a viver uma vida consciente, precisei me despedir de pessoas que queriam apenas viver uma vida de prazer.

Também vi outros amigos que começaram a mudar suas vidas para melhor, mas foram puxados de volta para o poço sem fundo da escuridão por outras pessoas.

Mas, como você e eu sabemos, a vida também é cheia de pessoas amáveis. Não é ruim de todo.

Seja exigente com o seu tempo
“Você é a média das cinco pessoas com quem passa mais tempo”. Parece um velho clichê. Mas creio que ainda não entendemos por completo o impacto que outras pessoas têm em nós.

Como afirmou Epiteto, os outros podem embaçar seu pensamento. Vale a pena?

Encare da seguinte maneira: você daria R$ 1000 para cada pessoa na sua vida se elas pedissem? Se a resposta é não, pare de dar seu tempo a essas pessoas que não têm os mesmos valores que você.

Eu restringi a lista de pessoas com quem passo 90% do meu tempo apenas para meus familiares mais próximos e meus dois melhores amigos. O restante do meu tempo eu dedico ao trabalho e aos exercícios. É o que eu mais faço. E eu nunca aproveitei tanto a minha vida como agora.

Se você tem um trabalho que ama e pessoas que ama, então você não tem mais com o que gastar seu tempo.

Nada dará mais satisfação do que ter uma carreira significativa e uma família forte.

“Mas e se minha família for tóxica?”

Inspire seus familiares a mudarem para melhor. Eu não desisti da minha família. Mesmo que leve 10 anos, eu ainda tentarei ajudá-los.

Crie seus valores e agarre-se a eles
Para viver uma vida virtuosa, você precisa de princípios. Sem princípios (ou valores), não temos caráter. E sem caráter, não somos ninguém.

“Quem se importa?”

Mais do que qualquer pessoa, você deveria se importar. É você quem se olha no espelho todos os dias. Você está feliz com o que vê?

Essa é a única medida que tenho para minha vida. Eu preciso gostar da pessoa que vejo no espelho. Se eu não gosto dela, eu mudo. É o que sempre fiz. E é o que faço até hoje.

Melhore
Qual a alternativa? Como Peterson concluiu em 12 rules for life, não há outra opção viável para a vida.

Só existe um caminho para a felicidade: seguir em frente.

Você precisa da promessa do que você poderia ser. Você precisa de um caminho para uma vida melhor. Nenhum de nós é perfeito.

Não importa se vamos alcançar ou não o nosso destino. O que importa é nossa melhoria constante.

BEQUIMÃO: Sebrae capacita professores de para atuar no programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos

Durante uma semana, 34 professores que atuam nas redes pública e privada de ensino da cidade de Bequimão, participarão do curso de formação de facilitadores da metodologia Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP). O curso iniciou nesta segunda-feira (2) e encerrará neste sábado (7) com carga horária de 45 horas/aulas. Inicialmente a escola municipal Benedita Gusmão Moraes, no bairro Ferro de Engomar, e o Colégio Bequimãoense de Educação Infantil e Ensino Fundamental Batutinhas, integrarão o programa.

O JEPP é uma metodologia de trabalho escolar promovida pelo Sebrae como forma de estimular o comportamento empreendedor dos alunos e culmina na elaboração de um plano de negócios. O programa é composto por nove cursos com conteúdo programático que favorece o desenvolvimento de habilidades e comportamentos empreendedores, levando o aluno a querer galgar novos horizontes e planejar o seu futuro.

O Sebrae pretende com o programa incentivar o empreendedorismo desde as séries iniciais do ensino fundamental, proporcionando aos alunos trabalhar de forma criativa e inovadora, para isso utilizando uma linguagem adequada com a idade e o contexto no qual o jovem está inserido.

A cidade, localizada no coração da floresta dos guarás, possui quase 24 mil habitantes, segundo dados do IBGE, lá, cerca de 350 alunos participarão do JEPP, uma das metodologias que integram o Programa Nacional de Educação Empreendedora do Sebrae.

A implantação da educação empreendedora em Bequimão é resultado de uma articulação da superintendência do Sebrae Maranhão, por meio do diretor superintendente, João Martins, junto a Prefeitura Municipal de Bequimão, com a execução da unidade regional do Sebrae em Pinheiro.

Foto: Rodrigo Martins

SÃO JOSÉ DE RIBAMAR: Reconstruído por Luis Fernando, Caminhão da Juventude certifica mais 277 jovens

A Prefeitura de São José de Ribamar entregou na noite desta segunda-feira (02) 277 certificados de conclusão dos cursos profissionalizantes oferecidos por meio do programa Caminhão da Juventude, coordenado pela Secretaria Municipal de Juventude (SEMJUV), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC).

A cerimônia de entrega dos certificados aconteceu no Colégio Militar 2 de Julho – Diomedes da Silva Pereira e beneficiou jovens do Bairro Outeiro e região com cursos de Informática Básica, Web design, Edição de Imagem, Fotografia Digital, Impressão 3D, Logística e Distribuição, além de Gestão Documental, Excelência em Vendas, Excelência em Atendimento ao Público, Ferramentas de Planejamento, Gestão Empresarial e Práticas Administrativas ministrados pelo SENAC.

Um dos principais objetivos dos diversos cursos é promover a inclusão social, por meio da qualificação técnica que produza novas oportunidades de trabalho, empreendedorismo e geração de renda.

O secretario de Juventude, Antonio Filho, lembrou que só este ano quase 300 jovens tiveram a oportunidade de se capacitar nas mais variadas áreas profissionais. “A qualificação profissional oportuniza a inserção destes jovens no mercado de trabalho, além de valorizar a grade curricular de todos os beneficiados”, destacou.

“Eu escolhi o curso de Excelência em Atendimento ao Público para obter mais conhecimentos e saber lidar no ambiente de trabalho. Como a prefeitura abriu essa oportunidade, através do Caminhão da Juventude, eu aproveitei para iniciar os conhecimentos nessa área para poder abrir o meu próprio negócio ou adquirir vaga no mercado. Foi importantíssima a iniciativa do prefeito Luis Fernando em reativar este equipamento. Com isso os jovens de nossa cidade só têm a ganhar”, ressaltou o formando Alexandre Rodrigues.

Para o prefeito Luis Fernando, os cursos irão diversificar a oferta da mão de obra na cidade para o competitivo mercado.

“O nosso objetivo é resgatar a auto-estima da nossa gente, valorizando a juventude. Milhares de jovens já foram beneficiados com a reativação do Caminhão da Juventude. E hoje, com certeza os novos beneficiários terão condições necessárias para trabalhar com melhores perspectivas”, destacou o prefeito.

A solenidade de entrega dos certificados contou ainda com a presença do vice-prefeito Eudes Sampaio, vereadores Nonato Lima, Cristiano Pinheiro e Marlene Monroe, alem de secretários municipais e da comunidade em geral.

Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo foca em meninas e mulheres 6

As Nações Unidas celebram neste 2 de abril o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo sob o lema “Capacitando mulheres e meninas com autismo”. O secretário-geral da ONU, António Guterres, aproveitou a data para lembrar a reafirmação do “compromisso de promover a plena participação de todas as pessoas com autismo na sociedade e garantir o apoio necessário para que estas possam exercer seus direitos e liberdades fundamentais”.

As comemorações do Dia Mundial da Conscientização do Autismo também querem envolver mulheres e meninas com as organizações que as representam na formulação de políticas e decisões para abordar os desafios que elas enfrentam. A Assembleia Geral da ONU realiza uma série de eventos sobre a data na próxima quarta-feira (4), como debates com especialistas e ativistas para discutir questões específicas de mulheres e meninas com autismo.

Os temas abordados incluem os desafios e as oportunidades para o pleno exercício dos seus direitos em áreas como casamento, família e paternidade com igualdade de oportunidades.

Desafios

Em novembro de 2017, a Assembleia Geral adotou uma resolução chamando a atenção para os desafios específicos de mulheres e meninas com deficiência para implementar a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Essa decisão manifesta preocupação porque mulheres e meninas nessa situação estão sujeitas a “formas de discriminação diversas e interligadas, que limitam o usufruto de todos os seus direitos humanos e liberdades fundamentais”.

A ONU diz que as meninas com deficiência são menos propensas a terminar o ensino fundamental e têm maior probabilidade de serem marginalizadas ou terem acesso negado à educação.

De acordo com a organização, as mulheres com deficiência apresentam uma taxa de emprego mais baixa do que os homens na mesma situação e do que as mulheres sem deficiência.

Violência

A nível global, as mulheres com deficiência têm mais probabilidades de sofrer violência física, sexual, psicológica e econômica do que os homens. Outro problema é a desigualdade causada pela discriminação e pelo estigma associado ao gênero e à deficiência.

Os resultados da falta de acessibilidade e dos estereótipos são barreiras aos serviços de saúde sexual e reprodutiva e à informação sobre educação sexual abrangente. As mais afetadas são particularmente mulheres e meninas com deficiência intelectual, que inclui o autismo.

O autismo

O autismo é uma síndrome complexa e muito mais comum do que se pensa. Atualmente, o número mais aceito no mundo é a estatística do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão do governo dos Estados Unidos: uma criança com autismo para cada 110. Estima-se que esse número possa chegar a 2 milhões de autistas no país, segundo o psiquiatra Marcos Tomanik Mercadante citou em audiência pública no Senado Federal no fim de 2010, onde discute-se uma lei exclusiva para o autismo, liderada pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Mercadante é um dos autores da primeira (e por enquanto única) estatística brasileira, num programa piloto por amostragem na cidade de Atibaia (SP), que registrou naquela amostragem incidência de uma para cada 333 crianças,

No mundo, segundo a ONU, acredita-se ter mais de 70 milhões de pessoas com autismo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem. A incidência em meninos é maior, tendo uma relação de quatro meninos para uma menina com autismo.

(Fontes: Agência Brasil e Corautista)

O perigoso fascínio das moedas digitais

Por Eden Jr.**

As notícias dos últimos meses têm sido angustiantes para aqueles que embarcaram na aventura das moedas digitais, ou criptomoedas, aplicando parte de suas economias nessa modalidade de “investimento”. A bitcoin – a mais famosa das cerca de 1,2 mil moedas virtuais existentes – experimentou perdas significativas neste ano, de 35% (até dia 22 de março). Isso depois de ter passado por fabulosa valorização de 1.400% em 2017.

A bitcoin foi criada pelo desenvolvedor de software Satoshi Nakamoto. Inicialmente esse japonês inventou um mecanismo de pagamento eletrônico sustentado em provas matemáticas, com a intenção de gerar uma “moeda independente” da interferência de bancos centrais e que pudesse ser transferida instantaneamente. Diferentemente das moedas tradicionais, as criptomoedas, não são impressas por um banco central, existindo apenas no mundo virtual. Elas são obtidas – “mineradas” – virtualmente, por uma comunidade aberta de usuários, que utilizam computadores de alto desempenho conectados pela internet. Essas máquinas tentam resolver equações matemáticas, que são lançadas na rede pelo software da bitcoin a cada dez minutos. O primeiro computador que conseguir solucionar a equação é premiado com um lote de 12,5 bitcoins. Segundo as regras – protocolo – da bitcoin, apenas 21 milhões de unidades dessa “moeda” podem ser criadas, fato que tende a valorizar seu preço, pois a torna limitada. No mundo há mais de um milhão de máquinas trabalhando freneticamente para resolver as questões e “minerar” bitcoins.

Para aqueles que não se predispõem a “minerar” bitcoins, podem comprar essas “moedas” em diversas bolsas virtuais existentes no mundo, inclusive no Brasil. Claro que quem decide “investir” nesse tipo de negócio tem que ficar atento para a reputação dessas operadoras. Sites como o “coinmap.org” apontam os estabelecimentos onde se pode comprar bens eletronicamente com bitcoins.

O sal, o gado e até mesmo ossos já foram utilizados como moedas. Com o tempo, as moedas foram sendo confeccionadas – por praticidade e segurança – em metal e em papel. As moedas tradicionais, como o real, o dólar ou o euro, têm três funções clássicas: “meio de pagamento” (são usadas na compra de bens e serviços); “reserva de valor” (preservam o poder de compra com o decorrer do tempo) e “medida de valor” (pela moeda pode-se medir o valor dos demais bens). A bitcoin, somente em parte é “meio de pagamento” (porque não é aceita em todas as operações de compra), apenas parcialmente serve como “reserva de valor” (pois devido à sua alta volatilidade pode se desvalorizar rapidamente) e dificilmente a ela pode ser atribuído o papel de “medida de valor” (já que somente um número restrito de bens pode ter seu valor expresso em bitcoin).

Uma das razões da valorização da bitcoin foi a possibilidade de se guardar anonimato nas transações, tendo em vista que ela não está submetida à fiscalização de órgãos estatais. Dessa forma, indivíduos que praticam atividades ilícitas, como narcotráfico e lavagem de dinheiro, se resguardam em criptomoedas. Nesse sentido, Christine Lagarde, chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou que na ausência de legislação, essas “moedas” tornaram-se “sistemas de lavagem de dinheiro e de financiamento do terrorismo”.

A espetacular apreciação da bitcoin nos últimos tempos chamou a atenção de várias autoridades internacionais, pois há riscos de perdas para os investidores menos informados. Janet Yellen, que foi presidente do “Federal Reserve” (FED) – o Banco Central Americano – até fevereiro deste ano, qualificou a criptomoeda como “altamente especulativa” e Ilan Goldfajn, mandatário do nosso Banco Central, afirmou que a “moeda não tem lastro, que as pessoas compram esperando apenas a valorização, num típico movimento de bolha ou pirâmide que existe na economia há séculos”. Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) brasileira desautorizou que os fundos de investimento aplicassem em criptomoedas, sob a alegação que não se sabe ao certo a natureza dessas “divisas” e que inclusive “não podem ser qualificadas como ativos financeiros”.

Gigantes da internet, como Facebook e Google, também estão pessimistas com o futuro das criptomoedas, tanto é que neste ano proibiram anúncios desses “ativos” em suas plataformas. Atitude motivada pela progressiva preocupação em relação a golpes e escândalos envolvendo essas “moedas”. Uma bitcoin, que atingiu a cotação máxima de 19.300 dólares em 16 de dezembro de 2017, valia 8.700 dólares neste último dia 22 de março (coindesk.com). Números que demostram a forte queda da “moeda”, que se deu, entre outros fatores: pela extrema especulação que sofreu recentemente; pela possibilidade de regulação do setor – o que afasta aqueles que a utilizam para atividades ilegais – e também pela restrita rede de estabelecimentos que a aceitam para compra de mercadorias. Parafraseando Tom Jobim – que afirmou: “O Brasil não é para principiantes” – pode-se dizer também que operar com moedas digitais não é para amadores.

*Sugestão do tema: Robert Lobato
**Doutorando em Gestão do Desenvolvimento – Economista – Mestre em Economia Economista (edenjr@edenjr.com.br)