Você se permite sonhar?

Se não sabemos quais são nossos desejos mais profundos, podemos passar a vida sem ter feito nada para realizá-los, seguindo rumos que não são nossos

Liste seus sonhos numa folha de papel | Crédito: shutterstock.

Paula Abreu, via Vida Simples

No meu trabalho, ajudo as pessoas a estabelecer objetivos, fazer planos e se organizarem, se inspirarem e se motivarem para realizar esses sonhos. Mas, muitas vezes, o problema não é a falta de objetivo, metas, planejamento ou organização. O primeiro passo para realizar qualquer coisa na vida é sonhar.

Já perdi a conta de quantos clientes tive até hoje que me mostraram diferentes faces do verdadeiro problema: eles não sabiam quais eram seus sonhos. E, quando não sabemos quais são nossos sonhos, não fazemos nada para realizá-los. Vamos sendo levados pela vida, sem direção. Ou, pior, na direção do que outras pessoas escolheram para nós, e, por inércia, aceitamos.

Mesmo quando sabemos quais são nossos sonhos, podemos nunca ter parado para refletir sobre qual é o preço que estamos pagando, por não correr atrás deles — seja agora, seja no final da vida, ao constatar que nada fizemos para realizá-los. Quando faço essas perguntas aos meus clientes, escuto que o preço por não realizar seus sonhos é a tristeza, depressão, fracasso, baixa autoestima, e, no hipotético leito de morte, a sensação de ter jogado a vida fora.

Antigamente eu tinha um sonho: viajar o mundo. Mas, na época, eu não conseguia viajar quase nunca porque trabalhava como advogada e tinha pouco tempo. Até que, em abril de 2012, fui demitida e me vi, de uma hora para a outra, desempregada e com um filho de 3 anos para sustentar. E, para complicar ainda mais, resolvi aproveitar o empurrãozinho do universo para abandonar a carreira como advogada.

Eu poderia ter pensado: agora é que não vou mesmo viajar, porque “para isso preciso de muito dinheiro”. Na minha cabeça, eu estava abandonando uma carreira em que fazia dinheiro para então viver da escrita, e, como “não se ganha dinheiro escrevendo no Brasil”, eu tinha certeza de que seria pobre para sempre. Pobre, mas feliz. De lá pra cá, estive em Nova York, Londres, Paris, Amsterdã, Berlim e outros tantos lugares incríveis que nem conseguiria lembrar agora.

No começo da minha “nova” carreira, algumas dessas viagens só foram possíveis por circunstâncias especiais. Desde eu ter me hospedado no Brooklyn na casa de uma artista plástica que conheci e hospedei na minha casa, passando por dormir na casa de estranhos fazendo couchsurfing, até ir para o Saara e a Amazônia a trabalho, não só não pagando mas sendo paga para estar lá. Circunstâncias que eu acharia impossíveis na minha vida passada.

Agora eu proponho algo que talvez você não faça há tempos: sonhar. Pegue uma folha de papel e liste pelo menos dez sonhos seus, dos mais simples aos mais malucos e “impossíveis”. Não se limite por crenças negativas. Permita-se sonhar. É aí que tudo começa a acontecer.

Paula Abreu é coach e autora do livro Escolha Sua Vida. Oferece meditação gratuita no www.acreditaemedita.com.br

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