Polarização da sociedade gera comportamentos coletivos irracionais marcados pelo ódio

Psicólogo social afirma que redes sociais estimulam reações em grupo pouco fundamentadas e muito apaixonadas

Redação Vya Estelar

A situação política do Brasil nos últimos anos tem resultado na polarização da sociedade e em uma crise de representatividade generalizada.

Os sentimentos disseminados de indignação e desesperança contagiam os indivíduos, que passam a se comportar de forma coletiva, muitas vezes movidos exclusivamente por suas paixões, gerando acirrados confrontos. A opinião é de Antonio Euzébios Filho, professor do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP.

O professor explica que as redes sociais e seu caráter impessoal reforçam essa tendência ao tratar de temas complexos, como é a política, de forma rasa ou mesmo através de notícias falsas.

Opiniões desenvolvidas a partir de conteúdos desse tipo tendem a fomentar um comportamento irracional dos grupos, marcado pelo ódio e pela tentativa de anulação do outro.

O assassinato da vereadora Marielle Franco, que parecia ser motivo para comoção geral, gerou sérios desgastes. O caso é um exemplo dessa tentativa de se anular não só o indivíduo, mas uma proposta política alternativa, o que, para Antonio Euzébios, representa ódio de classe, acima de tudo.

Apesar do cenário de confusão ideológica observado hoje no Brasil e no mundo, o professor insiste em que a saída para esse problema passa pela elaboração de um projeto coletivo que rompa com tudo aquilo que é negativo para o País.

O incitamento ao individualismo precisa ser combatido. É injusta a responsabilização do indivíduo por problemas derivados de um sistema falido. Sendo assim, só a coletividade e a clareza em torno de um projeto político que rompa com o que está colocado, serão capazes de fazer com que nossa democracia amadureça, finaliza.

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