A Europa renasce

Por Eden Jr.*

Já em meados de agosto do ano passado, a Comissão Europeia (braço executivo da União Europeia que propõe legislação, acordos políticos e promove a entidade), em comunicado, lançou o prenúncio de que a longa e dolorosa crise econômica e social que abalou o bloco de 28 países – bem como boa parte do mundo – iniciada há 10 anos e detonada pela quebra do banco americano Lehman Brothers, havia chegado ao final.

Na ocasião, a Comissão indicava que a União Europeia crescia pelo quinto ano consecutivo, depois de enfrentar a pior recessão de sua história. Medidas como: regulação do setor financeiro; apoio aos países com problemas de caixa; ajustes para melhorar as finanças públicas dos Estados-Membros e estímulos aos investimentos – para combater o desemprego dos jovens – haviam alcançado o resultado pretendido. O desemprego encontrava-se no nível mais baixo desde 2008, os bancos eram considerados mais sólidos, as contas públicas estavam se ajustando e o investimentos aumentavam.

Agora, no final de janeiro a boa nova foi confirmada. O Escritório Estatístico das Comunidades Europeias (Eurostat), divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) da Zona do Euro – o grupo de 19 nações da União Europeia que adotam o euro como moeda –  elevou-se 2,5% em 2017, o melhor desempenho desde 2007, quando a expansão foi de 3%. Foi o quarto ano consecutivo de incremento na região, dado que demostra que a recuperação é consistente. Dessa vez os propulsores do avanço foram a indústria, o comércio e os investimentos. Outro indicador que comprova a uniformidade da retomada é o crescimento de vários países: Espanha (2,5%), Portugal (2,1%), Itália (1,3%), França (1,7%), e até mesmo a Grécia (1,6%) – severamente abalada pelo descontrole de suas contas públicas e que se tornou um reiterado sinal de alerta para o Brasil, que também enfrenta forte desarranjo fiscal.

A Espanha poderá enfrentar alguns percalços em sua recuperação, dado os problemas internos advindos da tentativa de separação da Catalunha. Situação ainda não totalmente resolvida e que provoca muita instabilidade e incerteza, em razão da relevância econômica que a região tem, pois representa aproximadamente 20% do PIB espanhol.

O consumo sofreu elevação em virtude da queda do desemprego – a maior chaga da crise – e desde 2013 foram gerados cerca de 7 milhões de vagas, sendo que o nível de desocupação recuou de 9,6% para 8,7%, de 2016 para 2017. Contudo, a taxa de desemprego ainda é heterogênea na região. Alemanha e Holanda estão praticamente em situação de “pleno emprego”, com desemprego de 3,6% e 4,4%, enquanto que Grécia, com 20,5%, e Espanha, com 16,7%, ainda sentem agudamente o drama social da escassez de postos de trabalho.

Corroborando as expectativas auspiciosas para o “Velho Continente”, o Fundo Monetário Internacional (FMI) atualizou – durante o Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente no mês de janeiro em Davos, na Suíça – suas estimativas para o comportamento da economia mundial para o biênio 2018/2019. Segundo a entidade, a Zona do Euro crescerá 2,2% este ano e 2% em 2019, prognóstico melhor, inclusive, que o traçado para o Brasil, que de acordo com o Fundo avançará 1,9% e 2,1% nos dois anos.

A crise das dívidas de nações como Grécia, Portugal e Irlanda deram o tom do precipício europeu. Todavia, depois de socorros financeiros vindos do FMI e da própria União Europeia, que em contrapartida exigiram remédios amargos (que geraram cortes nos sistemas de aposentadorias, demissões de servidores públicos e privatizações) o esforço começa a dar resultados. Agências de classificações de riscos, como a Fitch e a Standard & Poor’s (S&P), melhoraram a avaliação da Grécia, da Espanha e da Turquia.

No período em que os políticos e a própria sociedade brasileira fazem milhões de malabarismos e contorcionismos retóricos, para não realizar o inevitável ajuste fiscal – ou seja, fazer com que as nossas necessidades caibam no orçamento público – a Europa nos oferece um exemplo: “depois da tempestade (e do sacrifício) vem a bonança”.

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