Especialista explica o melhor uso para o tênis de rodinhas

O calçado mais desejado entre as crianças no momento pode representar um risco para a saúde

Rio de Janeiro (RJ), outubro de 2017 – Basta entrar em um shopping center e olhar para os lados e lá estão as crianças deslizando felizes pelos corredores, calçadas com a nova febre do momento: o tênis de rodinhas. Recentemente, a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos emitiu orientações para seus associados para a importância de que os pequenos utilizem capacete, protetores nos pulsos, nos joelhos e cotovelos, sempre que estiverem usando esse tipo de calçado. No entanto, é importante saber que essa diversão pode representar riscos à saúde. Rodrigo Sasson, médico do Núcleo de Ortopedia Pediátrica do Hospital Vitória, fala mais sobre o tema.

De acordo com o especialista, é recomendável que os pais atentem que, quanto mais tempo os filhos usarem o calçado, maiores serão os riscos de quedas e lesões, por isso a Sociedade Brasileira de Pediatria segue as mesmas recomendações da Academia Norte-americana. “Caso a criança se recuse a usar os protetores das articulações ou o capacete, é indicado que os pais não permitam a brincadeira.

Outro fator que deve ser levado em conta é que a criança esteja sob a observação de um adulto durante o uso desse tipo de calçado. Temos preocupantes relatos de casos graves de traumatismo craniano, após quedas mais violentas com o uso do tênis com rodinhas”, alerta.

O médico dá o exemplo da rotina do Núcleo de Pediatria do Hospital Vitória, que vem registrando um aumento de casos na emergência relacionados a quedas decorrentes do uso desses calçados. “Felizmente, a maior parte dos atendimentos são traumas leves, apenas com escoriações, mas já tivemos situações de fraturas, inclusive, com necessidade de intervenção cirúrgica”, observa.

Sobre as questões que envolvem problemas no desenvolvimento dos pequenos, o médico afirma que não há evidências científicas de alterações na marcha (caminhar), mas que o maior risco comprovado está ligado às lesões musculoesqueléticas, que podem ocasionar sequelas como fraturas e traumatismos.

Quanto à idade, o médico aponta que, embora não exista um consenso nesse sentido, na classe médica, há a indicação de que a melhor fase está relacionada às crianças entre 6 e 8 anos, por pertencer à faixa etária de maior equilíbrio e melhor entendimento dos limites, riscos.

Mais dicas do especialista:

· Em nenhuma hipótese, deixe as crianças sozinhas brincando com esses calçados;

· Oriente os pequenos quanto à importância de sempre usar os capacetes, bem como os protetores de joelhos e cotovelos;

· Evite o uso em lugares com grande circulação de pessoas;

· Lembre aos pequenos que esse é apenas um calçado não destinado a qualquer modalidade esportiva; logo, não é indicado para manobras e saltos radicais;

· Esse tênis deverá ser utilizado esporadicamente, como uma forma de diversão, e não como um calçado de rotina para atividades na escola e outros afazeres da criança.

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