Os presidenciáveis e a Previdência 4

Os tucanos, historicamente favoráveis aos ajustes na Previdência, mas que titubearam e não apoiaram em bloco a reforma proposta por Michel Temer, propugnam reformular o formato atual, com a instituição, por exemplo, de idade mínima e da proibição de acúmulo de benefícios.

Por Eden Jr.*

Os números sobre a Previdência brasileira são inequívocos – ou pelo menos deveriam ser. Entretanto, o país que se “dá ao luxo” de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ­– flagrantemente capturada por interesses corporativistas – para confrontar todas as estatísticas oficiais, deste e dos governos passados, e afirmar que não há déficit na Previdência, é um caso à parte em todo o mundo. Voltando do universo paralelo, os últimos dados da Secretaria do Tesouro Nacional informam que entre janeiro e julho deste ano a Previdência dos trabalhadores da iniciativa privada, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), acumulou saldo negativo de R$ 107 bilhões (valor equivalente a mais de cinco vezes o orçamento total dos três Poderes do Estado do Maranhão em 2018).

O mesmo demonstrativo revela que nos primeiros sete meses do ano as contas do INSS vêm piorando, ano a ano, governo a governo, ficando no vermelho em R$ 33 bilhões (2011); R$ 33 bilhões (2012); R$ 41 bilhões (2013); R$ 36 bilhões (2014); R$ 47 bilhões (2015); R$ 78 bilhões (2016) e R$ 80 bilhões (2017). Por outro lado, considerando-se apenas as contas do Tesouro Nacional e do Banco Central, o Governo Federal teria superávit, até julho, de R$ 68 bilhões. Mas quando se inclui o déficit do INSS, a contabilidade do Governo Central (Tesouro, Banco Central e INSS) fica negativa em R$ 39 bilhões.

Em 2017 o INSS fechou no vermelho em R$ 182 bilhões. Os fundos de aposentadoria dos servidores públicos da União, estados e municípios – os chamados regimes próprios – também sofrem da mesma disfunção e exibem sucessivos déficits. A Previdência dos servidores federais registrou em 2017 um rombo de R$ 86 bilhões. Segundo levantamento da Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda, o conjunto dos fundos de previdências do funcionalismo estadual apresentou um buraco de R$ 93 bilhões no ano passado.

Grosso modo, existem dois tipos de Previdência. Tanto o INSS quanto o regime dos servidores federais e parte dos fundos dos funcionários estaduais e municipais funcionam num sistema de repartição. Nele a contribuição dos trabalhadores da ativa e do empregador (empresas e governos) cobrem o pagamento dos aposentados. Nesse caso, para o equilíbrio é imprescindível que o mercado de trabalho esteja em franca expansão, de modo a gerar um contingente de trabalhadores em atividade bem maior do que o de aposentados. Hoje vemos uma forte crise econômica, que reduziu a quantidade de empregados. Daí a necessidade de ajustes.

No sistema de capitalização a contribuição de empregados e empregadores é depositada, durante a vida laboral, em contas individuais e esses recursos são aplicados por administradoras no mercado (ações, títulos públicos, imóveis, etc.), para render e garantir a aposentadoria dos trabalhadores. Nesse modelo, operam fundos como o Funpresp (dos servidores federais que ingressaram a partir de 2013), de empresas estatais, como a Funcef (da Caixa Econômica), ou privadas, como o Valiaprev (da Vale). No regime de repartição, há uma espécie de solidariedade e pacto geracional, pois, todos os trabalhadores contribuem para a aposentadoria de todos os aposentados. Já no sistema de capitalização, o viés é de individualidade, tendo em vista que cada um é responsável por constituir a sua própria aposentadoria.

Diante desse cenário desafiador, especialmente quanto à sustentabilidade do sistema previdenciário do Brasil, é indispensável saber as propostas dos principais candidatos ao Planalto sobre o tema, isso a duas semanas das eleições. A candidata da Rede, Marina Silva, e sua equipe, há tempos têm se manifestado favoravelmente à Reforma da Previdência, com a migração do modelo de repartição para o de capitalização. A questão é que com essa transição de regimes, de repartição para capitalização, surge o chamado “custo de transição”. Uma vez que o Estado, por um lado, continua com a responsabilidade do pagamento dos benefícios da massa de aposentados, e por outro, perde o fluxo das receitas das contribuições dos não aposentados, que doravante é aportado em contas individuais. Para tanto, os “marineiros” querem usar recursos advindos de privatizações para cobrir a despesa com a mudança de regime. Ciro Gomes, que até meados de 2017 afirmava não haver déficit previdenciário, agora propõe que seja feita a reforma. O pedetista planeja a constituição de um esquema com três pilares: um de repartição, com um teto menor do que os atuais R$ 5,6 mil do INSS; um de capitalização, para os que puderem contribuir e ter benefícios mais altos, e um assistencial, para quem não pode contribuir, que receberia apenas um salário mínimo.

Os tucanos, historicamente favoráveis aos ajustes na Previdência, mas que titubearam e não apoiaram em bloco a reforma proposta por Michel Temer, propugnam reformular o formato atual, com a instituição, por exemplo, de idade mínima e da proibição de acúmulo de benefícios. Geraldo Alckmin rejeita a introdução, nos próximos anos, de um modelo de capitalização, pois acredita que não haveria recursos para financiar a transição entre os sistemas, o que só agravaria o problema fiscal. O economista de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, sugere que sejam implantados apenas dois padrões de aposentadoria: um de capitalização, para os que tenham renda maior e possam contribuir mais, e outro de cunho social, que garanta rendimento mínimo, destinado àqueles que não conseguiram poupar. O petista Fernando Haddad e seus assessores econômicos acreditam que o atual sistema é sustentável, sendo necessário promover apenas pequenas mudanças pontuais, e afastam a necessidade de uma reforma urgente e ampla. A retomada do crescimento econômico, que redundará na elevação das receitas, trará a sustentabilidade para a Previdência, dizem eles.

Diante dos déficits crescentes e sucessivos na Previdência, sendo esses a principal fonte do colossal desequilíbrio das contas públicas, é indispensável tratar com a devida seriedade o tema. O PT é o único, dentre os principais postulantes à presidência, que desconsidera a necessidade de realizar imediatamente uma Reforma da Previdência, e preconiza somente reparos tópicos. Para evitar qualquer tipo de engodo pós-eleições, especialmente com uma questão que é alvo de toda a sorte de demagogia e atinge sensivelmente a vida de dezenas de milhões de brasileiros, é imprescindível a sociedade estar atenta para os compromissos de campanha. Não deve permitir que se venda um produto e depois se entregue outro.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)

Derrote um sociopata com uma única palavra

via Fãs da Psicanalise

Não é necessariamente sobre ganhar ou perder, mas, quando se trata de tentar lidar com um sociopata, encontrei uma palavra que tem o potencial de derrotá-los: Pena!

Eu sei, por definição, que os sociopatas não sentem empatia ou têm uma consciência totalmente formada, mas compartilham traços de um narcisista, então, na minha experiência, a pior coisa que você pode fazer é expressar pena por alguém que o maltrata devido ao comportamento sociopata. Quer se trate de um amigo, um parente ou namorado, na maioria das vezes ninguém quer se envolver com um sociopata, mas, se você se encontrar preso na armadilha deles, sua única salvação é ter pena deles.

Os sociopatas são habilidosos na arte da manipulação. Se você se envolver profundamente com um deles, você pode ser tão manipulado que começa a questionar sua própria sanidade. Você pode se sentir preso em sua teia de mentiras, e uma vez que eles não sentem a dor que infligem em suas vítimas, muitas vezes você pode ficar preso, lutar e se perder de si mesmo. Isso não significa necessariamente que você deve se desapontar consigo mesmo, mas, se você honestamente não puder se livrar de um sociopata, tente dizer a eles que você sente pena deles.

No passado, eu convivia com alguém que era um sociopata. Levou anos para entender o comportamento deles, e mesmo quando consegui reconhecer suas características, ainda me sentia preso. Tive que planejar minha fuga. Eu estava sempre perdendo as discussões e sofria diariamente, então tentei encontrar empatia para lidar com isso. Um dia, simplesmente entendi. Isso é triste. Este comportamento deles se origina de uma educação difícil, e minha raiva e frustração se transformaram em pena.

No entanto, eu nunca tinha dito a palavra pena para enfrentar essa pessoa. Até que, um dia, no meio de uma discussão, ela disse: “Não tenha pena de mim!” Ela ficou muito nervosa, e ali mesmo eu sabia que tinha tido uma pequena vitória. Eu não podia acreditar. O simples pensamento de alguém com pena do sociopata era demais, e isso me assustou. Por que a pena seria um gatilho?

Bem, se eu realmente olhasse sob a superfície de um sociopata, eu perceberia que eles vivem uma vida de mentiras que parecem impossíveis de destruir. Estão presos em sua própria mente e comportamento, e mesmo que tivessem vontade de querer mudar, seriam realmente capazes de mudar? Assumindo que a resposta seja não, saber disso apenas frustraria um sociopata, e que alguém tivesse pena deles por algo que eles não podem mudar claramente colocaria essa pessoa acima deles.

Então, se você é alguém preso em algum tipo de relacionamento com um sociopata, tente. Tente dizer a eles que você tem pena deles e ficará surpreso. Como eu disse, não se trata de ganhar ou perder, mas às vezes é bom vencer um sociopata. Expressar pena pelo menos desencadeia algum tipo de resposta deles, o que lhe dá um motivo para se sentir melhor.

(Link original: psychcentral)
*Traduzido e adaptado por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise

ESPECIAL: Projeto Somos Humanos mobilizará o MA em torno de causas sociais e humanitárias 6

O Somos Humanos é mais do que um projeto que contempla uma gama de ações sociais e humanitárias. Trata-se, em primeiro lugar, de uma experiência de vida ou melhor dizendo de SUPERAÇÃO DE VIDA.

Vai de vento em polpa o projeto Somos Humanos.

Idealizado pelo empresário Janderson Landim, o projeto Somos Humanos tem como palavra-chave: TRANSFORMAÇÃO.

O Somos Humanos é mais do que um projeto que contempla uma gama de ações sociais e humanitárias. Trata-se, em primeiro lugar, de uma experiência de vida, ou melhor dizendo, de SUPERAÇÃO DE VIDA.

O projeto chega ao Maranhão como uma ponte de amor ao próximo entre o desejo e a realidade, e tem como objetivo atingir o maior número possível de famílias dos mais de 200 municípios maranhenses que precisam de atenção e cuidado específicos e, que , em muitos momentos, se veem sem saída.

ARTISTAS CONFIRMADOS

Para se ter uma dimensão da grandeza do projeto, na noite de lançamento do Somos Humanos os convidados contarão com a presença de alguns artistas nacionais, tais como: Helen Ganzarolli, Sheila Melo , Carla Dias e Raul Gazola

O lançamento do projeto vai acontecer nos dias 22 e 23 de setembro no HOTEL RIO POTY, em São Luís, e quer contar com sua participação; basta se inscrever no endereço eletrônico www.somoshumanos.net.br e garantir a representação do seu município no evento.

Cada representante vai se tornar embaixador de sua cidade. Será o porta-voz!
Identificando as dificuldades e particularidades da localidade.

Assista ao vídeo abaixo e conheça um pouco mais do projeto Somos Humanos, esse grande empreendimento social, a partir das palavras do próprio idealizador do projeto Janderson Landim. Confira.

Conheça o Projeto “Somos Humanos”, que vai mudar a realidade das famílias maranhenses

Com o objetivo, em primeiro lugar, de servir ao próximo, o projeto Somos Humanos, idealizado pelo empresário Janderson Landim e abraçado por um grupo de pessoas que se disponibilizaram em levar amor às pessoas, é um conjunto de Ações Sociais continuadas que vai abranger o maior número possível de famílias dos mais de 200 municípios maranhenses.

Com o sonho de mudar realidades, o Somos Humanos vem se solidificando como uma ponte entre o desejo e a realidade.

Apresentação do Somos Humanos

O lançamento do Somos Humanos no Maranhão vai acontecer nos dias 22 e 23 de Setembro no Hotel Rio Poty e quer contar com a participação de representantes de cada município maranhense, ou seja, de cada cidade vão ser escolhidas duas pessoas – as quais se inscreveram, anteriormente, em nosso site www.somoshumanos.net.br – e convidadas a participarem do Evento e receberem Formação do Projeto Somos Humanos, no que, no tocante da apresentação do Projeto, vão ter a liberdade de expor as maiores necessidades de sua comunidade. Todas as despesas dos participantes serão pagas pelo Projeto!

A partir daí, cada representante municipal vai se tornar embaixador de sua cidade, legitimando o Projeto em sua localidade, identificando as dificuldades e particularidades da região. Desta forma, o Somos Humanos chegará ao local com uma grande rede humanitária de auxílio.

Serão ações estruturadas e intencionais, que partem da reflexão e do diagnóstico sobre uma determinada problemática de cada município e buscar contribuir, em alguma medida, para um mundo com mais possibilidades.

Ações Somos Humanos

As ações vêm com inúmeras atividades na área da saúde, educação e bem-estar, durante todo um final de semana no município: Médicos, Dentistas, Oftalmologistas, Cabeleireiro, Manicure, Atividades para crianças, Kit’s individuais.

Saiba mais

As inscrições para a participação no evento Somos Humanos podem ser feitas pelo site www.somoshumanos.net.br.

As pessoas selecionadas terão direito a: Translado vinda e volta; Hospedagem; Alimentação.

Na oportunidade do evento, haverá palestras, atividades de formação e trocas de informações entre os Embaixadores do Somos Humanos.

Setembro amarelo: mês internacional de prevenção ao suicídio 2

O argumento final contra o suicídio é a própria vida

Por Karina Okajima Fukumitsu, para Vya Estelar

Que possamos agir mais e falar menos neste mês de setembro amarelo que se inicia. Que nos ocupemos em ofertar espaços de hospitalidade para que possamos construir uma morada existencial. A morada existencial não se constrói na violência e se formos violentos conosco, não aceitando o que é nosso, tornar-nos-emos transgressores de nossas existências e das nossas vidas.

Nesse sentido, julgo que o que se pretende com este artigo (veja aqui a primeira parte), é lançar um convite para a inovação do modo como estamos fazendo a prevenção ao suicídio. Em vez de falar apenas dos números e sobre o sofrimento dos envolvidos e impactados pelo suicídio, precisamos nos inserir em ações, em oferta de espaços de acolhimento e em atitudes que colocam “nossas mãos na massa” (http://karinafukumitsu.com.br/). Atualmente, dedico meu tempo para atuar tanto em escolas quanto em equipamentos de saúde pública e sinto que saí do falatório e tenho agido, ministrando cursos, orientando, informando, capacitando e conhecendo de perto as principais dificuldades envolvidas no amplo âmbito do suicídio. Passo horas a fio debruçando meus esforços para estar com os profissionais com o único objetivo de, enquanto não houver apoio das políticas públicas, encontrarmos estratégias de ações e de cuidados em saúde mental congruentes com suas necessidades.

Como nada é por acaso, enquanto escrevia este artigo, vi um post de Adriana Amaral em sua rede social, no qual estava escrito que “nossas palavras precisam estar apoiadas em ações”. Acredito ser possível a construção de uma morada existencial que consista em ser lócus, onde haja a crença de que é possível enfrentar as adversidades utilizando a característica peculiar do ser humano, que é a da transcendência, e ir além daquilo que conhecemos, descobrindo mais a respeito de nós mesmos.

A morada do processo de morrência talvez represente o “não-lugar”, que busca o resgate do equilíbrio da sanidade mental com as exigências diárias; do acolhimento do sofrimento existencial e do desrespeito para com o humano.

Que possamos agir mais e falar menos neste mês de setembro amarelo que se inicia. Que nos ocupemos em ofertar espaços de hospitalidade para que possamos construir uma morada existencial. A morada existencial não se constrói na violência e se formos violentos conosco, não aceitando o que é nosso, tornar-nos-emos transgressores de nossas existências e das nossas vidas.

A prevenção aos suicídios é prática que deve acontecer todos os dias e não somente em um mês, sobretudo por ressaltar a importância de manter a esperança de que é possível acolher o sofrimento humano. É, portanto, prática a ser inserida no dia a dia, ofertando esperança, amor e acompanhamento tête-à-tête na oferta de espaços de hospitalidade que favorecerão novas moradas existenciais.

Encerro com a importante frase de Alvarez (1999, p. 135): “Em outras palavras, o argumento final contra o suicídio é a própria vida”. Minha conduta diária está pautada em ser uma guardiã da vida que oferta amor, generosidade, cuidado e esperança. A cada tsuru (origami que significa o pássaro da esperança) presenteado ao final dos meus encontros com pessoas interessadas pelo tema, concretizo meu ensejo de que a esperança continue em nossos corações para que a vida possa valer a pena.

Referências

Alvarez, A. (1999). O deus selvagem: um estudo do suicídio. São Paulo: Companhia das Letras.
Fukumitsu, K. O. (2013). Suicídio e Luto: história de filhos sobreviventes. São Paulo: Digital Publish & Print.
Fukumitsu, K. O. (2016). A vida não é do jeito que a gente quer. São Paulo: Editora Digital Publish & Print.
Saramago, J. (1995). Ensaios sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras.

Fonte: Karina Okajima Fukumitsu é terapeuta e pós-doutora pelo Instituto de Psicologia da USP

As invasões bárbaras 12

Por Eden Jr.*

Quando na tarde da última quinta-feira, dia seis, chegaram as primeiras informações acerca do ataque sofrido pelo candidato à Presidência da República do Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro, uma parte da população estava entre a incredulidade e a perplexidade. Uma outra – lamentavelmente hipnotizada por teorias conspiratórias nonsenses – fez chacota da tentativa de assassinato e até mesmo cogitou algum tipo de complô perpetrado pelos grandes grupos de comunicação, sob comando de forças americanas, para vitimizar Bolsonaro e assim selar sua vitória na corrida presidencial.

Pelo menos não se pode reclamar de falta de coerência, pois quem acredita que auditores, policiais, promotores, juízes, desembargadores e ministros de tribunais superiores se mancomunam para perseguir um “inocente” ex-presidente da República, também admite que policiais, enfermeiros e médicos – de três hospitais distintos – podem engendrar um embuste para beneficiar um irascível candidato a presidente.

Entretanto a realidade é que Adélio Bispo de Oliveira, que engrossa o contingente de mais de 13 milhões de desempregados do país, tentou tirar a vida do candidato do PSL com um golpe de faca durante ato de campanha realizado em Juiz de Fora/MG. A insanidade cometida por Adélio – que foi filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) entre 2007 e 2014 – foi mais um lance brutal da escalada inconsequente, sem regras e sem limites, em que se converteu a disputa política.

Em realidade, chegamos ao paroxismo, porque sucessivas circunstâncias de agressividade, de natureza e gravidade variadas, em nossa contenda política, foram toleradas ou mesmo menosprezadas, o que acabou descambando nesses abomináveis lances de violência física. A crítica, a benevolência ou o desdém para com os atos de selvageria passaram a depender da corrente política seguida por agressores ou agredidos. Falta uma mínima dose de serenidade.

É simbólico que muitos tenham tratado como molecagem o incidente da “inofensiva bola de papel” arremessada em outubro de 2010 contra a cabeça do então presidenciável do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), José Serra, em evento de campanha no bairro de Campo Grande na cidade do Rio de Janeiro. Aí o que valeu não foi a intensidade, mas o gesto em si de descaso e de fúria para com o adversário – que para tantos se transformou em inimigo.

Outros episódios – que foram agravados ou desprezados, a depender da simpatia partidária de quem os analisava, mas que na realidade deveriam ter sido todos repudiados contundentemente, isso se estivéssemos em um ambiente político civilizado – podem ser facilmente recordados. A bomba arremessada no diretório regional do Partido dos Trabalhadores (PT) no centro de São Paulo em 2015. A hostilidade cometida neste ano pelos petistas, Manoel Marinho e Leandro Marinho, contra o empresário Carlos Alberto Bettoni, no momento em que ele participava de manifestação contra o PT em frente do Instituto Lula, em São Paulo, e que resultou em traumatismo craniano. Os tiros disparados, em maio último, em ônibus da caravana do ex-presidente Lula, no Paraná – isso depois desse mesmo comboio ter sido alvo de ovos e pedras em Santa Catarina. A agressão ao professor aposentado José Carlos Pithan, de 71 anos, quando participava de manifestação contra o ex-presidente petista na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, em março deste ano.

Em uma democracia há certos princípios, como o absoluto respeito às decisões judiciais e à liberdade de imprensa, que são inarredáveis, mas que vêm, com certa frequência, sendo flexibilizados neste infame contexto político que vivemos. Foi o caso da Mesa Diretora do Senado, quando desobedeceu à sentença de dezembro de 2016 do ministro do STF Marco Aurélio Mello, que afastava provisoriamente Renan Calheiros da presidência da Casa. Episódio semelhante foi o descumprimento da determinação – diga-se tresloucada – de mandar soltar o ex-presidente Lula, expedida pelo desembargador Rogério Favreto, que atuava como plantonista do Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4). O constrangimento a que foi submetida a jornalista da Globo, Míriam Leitão, que durante um voo entre Brasília e Rio de Janeiro foi hostilizada por militantes petistas. Ou mesmo a ofensa desferida neste ano por esquerdistas contra a repórter da TV Band, Joana Treptow, durante a cobertura da prisão do ex-presidente Lula no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo/SP.

Não há de se justificar, nem de longe, o ataque covarde sofrido por Bolsonaro em razão do perfil belicoso e autoritário do candidato. No primeiro dia de setembro, Bolsonaro afirmou que iria “fuzilar a petralhada do Acre”, durante sua passagem pela capital acreana, Rio Branco. Uma declaração ignóbil, sem a menor dúvida. A situação está no STF, como deveria ser, e o candidato terá que se explicar pela fala e poderá ser punido pelo que disse.

É prematuro prognosticar as repercussões do ocorrido para o certame eleitoral. A última pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada na quarta-feira, dia cinco, dava vantagem para Bolsonaro, com 22% das intenções de votos, seguido por Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) com 12%, Geraldo Alckmin (PSDB) com 9% e Fernando Haddad (PT) com 6%. Esse levantamento pouco captou a influência do recém iniciado horário eleitoral gratuito na TV e no rádio, bem como do indeferimento, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da candidatura de Lula.

É necessário esperar que os fatos sejam depurados e aguardar como a sociedade vai absorver o sucedido. Porém, se tem como certo que qualquer presidente que seja eleito, só terá capacidade de remover o país da grave crise econômica e social em que está mergulhado, se conseguir, minimamente, conciliar a nação, superar o clima de conflagração e seguir as regras democráticas, sem surtos de autoritarismos e violência.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)

Grito dos Excluídos denuncia estrutura excludente do sistema neoliberal

Desde sua primeira edição, em 1995, a manifestação tem como mote ‘A vida em primeiro lugar’

No feriado de 7 de setembro serão realizadas as já tradicionais manifestações do Grito dos Excluídos, um conjunto de ações articuladas pelos movimentos sociais em todo o Brasil. Desde sua primeira edição, em 1995, a manifestação tem como mote “A vida em primeiro lugar”, e em 2018, chegando a seu vigésimo quarto ano, o tema específico é “Desigualdade gera violência: basta de privilégio”.

Durante entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (30), Roselene Vanceto, da coordenação nacional do Grito dos Excluídos, diz que os questionamentos propostos pela mobilização têm relação com o tipo de sociedade se deseja construir. “A gente está discutindo um modelo de Estado. Hoje, ele privilegia o mercado e lucro e, ao povo, resta o Estado mínimo, como o corte de políticas públicas e sociais. É um momento importante para a gente discutir um projeto para a nação”, afirma, em entrevista à repórter Ana Rosa Carrara, da Rádio Brasil Atual.

O professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Plínio de Arruda Sampaio Júnior destaca que a população pobre das periferias é a que mais sofre com a violência estrutural gerada pela desigualdade.

“A violência que estamos vivendo é a barbárie do capitalismo. 62 mil mortos por ano e a maioria é negra, jovem e trabalhadora. Um a cada quatro trabalhador está desempregado ou subutilizado. É contra essa violência que o povo precisa se organizar”, explica.

Bruna Silva, mãe de Marcos Vinicius, adolescente de 14 anos assassinado pela Polícia Civil durante ação no Complexo da Maré, no dia 20 de junho, diz como a intervenção militar no Rio de Janeiro, que já completou seis meses, reflete na vida dos moradores de favelas.

“Hoje em dia você pega um ônibus e o que vê de policial com fuzil apontado para a população. A intervenção chegou para todos nós, pobres, porque ela só está matando inocente e criança. Quando mataram meu filho, eles deram um tiro no pé, pois me deixaram viva e estou aqui para apontar o dedo na cara deles”, afirma a mãe.

O Grito dos Excluídos acontece em várias cidades do país, articulado por movimentos e pastorais sociais. A versão mais antiga é realizada na cidade de Aparecida, no estado de São Paulo, em conjunto com a Romaria dos trabalhadores e trabalhadoras.

Na cidade de São Paulo estão confirmados dois atos com concentração a partir das 9h. Um deles acontece na Praça da Sé, região central da cidade, e o outro começa na Praça Oswaldo Cruz e termina no Parque Ibirapuera. Manifestações estão previstas em diversas regiões do país e no estado de São Paulo serão realizados atos em Guarulhos, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Jundiaí e Aparecida. (fonte: CUT)

Urbanitários em luta: contra à privatização do setor elétrico e do saneamento.

Denúncia: Há possibilidade de governo perdoar dívidas das distribuidoras Eletrobras vendidas 2

Em entrevista ao programa à Rádio Folha AM 1020 (Boa Vista – RR), no domingo (2/9), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Urbanitários do Estado de Roraima (Stiu-RR), Gissélio Cunha (foto), disse que as dívidas da Boa Vista Energia e demais distribuidoras da Eletrobras que foram vendidas, serão transferidas para a União, caso o Projeto de Lei Complementar nº 77/2018, que já foi aprovado na Câmara dos Deputados, passe no Senado Federal.

“Estamos indo nessa semana para Brasília para fazer um corpo a corpo com os senadores, para tentar barrar o PLC 77. E fazemos um apelo ao Ministério Público para que atue na nossa causa que é de toda a sociedade roraimense. Parte da dívida da Boa Vista Energia com a Eletronorte que chega perto dos R$ 900 milhões, vai ser transferida para a União, ou seja, para o nosso bolso”, alerta o sindicalista.

Gissélio lembra que a empresa que comprou a Boa Vista Energia comprou também a concessão. “A população vai ficar sujeita ao monopólio de uma única empresa, inclusive comunidades indígenas, ribeirinhas. A venda pode resultar em um aumento inicial na tarifa de energia de 19,03 % a partir de primeiro de novembro”, alertou.

“Somos um sistema isolado da Federação, a solução para Roraima é interligar ao sistema nacional. E a gente faz um apelo à sociedade para que acompanhe a situação do sistema energético de nosso estado, já que falta compromisso político”, completa.

Venda
O consórcio Oliveira-Atem arrematou por R$ 50 mil a Boa Vista Energia uma das distribuidoras da Eletrobras, realizado na quinta-feira, 30 de agosto, na Bolsa de Valores de São Paulo. O consórcio foi o único a oferecer proposta pela distribuidora de Roraima e venceu o leilão pelo lance mínimo.

A Oliveira Energia é sediada em Manaus e opera na geração energia termelétrica, administrando cerca de quarenta usinas termoelétricas no Amazonas e em Roraima. A Atem é uma distribuidora de combustíveis. (fonte: Folha BV)

Nossa luta não tem trégua! Agora toda a pressão junto aos senadores para não aprovarem o projeto sobre as distribuidoras, uma vez que, em liminar, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o governo de privatizar empresas estatais sem prévia autorização do Congresso

(Fonte: Federação Nacional dos Urbanitários-FNU)

Nenhum estado atinge a meta do Ideb 2017 no ensino médio. Índice avançou apenas 0,1%

No ensino médio, nenhum estado atingiu a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2017. Além disso, cinco estados brasileiros apresentaram redução no valor do índice. Os dados do Ideb foram apresentados nesta segunda-feira, 3, pelo Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), durante coletiva de imprensa na sede do MEC.

“Temos um quadro de crescimento nos anos iniciais, especialmente das redes municipais. Tivemos avanços do sexto ao nono ano, mas ainda insuficientes, e uma estagnação do ensino médio, que cada vez mais se distancia da meta. Há uma necessidade muito grande de fazermos logo mudanças estruturantes”, disse o ministro da Educação, Rossieli Soares, destacando a Reforma do Ensino Médio, aprovada no ano passado. “É necessário avançar nessa reforma para trazer este novo ensino médio para o Brasil”, acrescentou.

A presidente do Inep, Maria Inês Fini, destacou a parceria do Instituto com o MEC. “O Inep cria as evidências e o Ministério da Educação estabelece as políticas a partir delas. Esta parceria de interpretação de resultados com a secretaria de educação básica é um fato muito positivo e que acentua o papel do Inep no cenário da educação brasileira”.

Após três edições consecutivas sem alteração, o Ideb do ensino médio avançou apenas 0,1 ponto em 2017. Apesar do crescimento observado, o país está distante da meta projetada. De 3,7 em 2015, atingiu 3,8 em 2017. A meta estabelecida para 2017 é de 4,7. “Foi um crescimento inexpressivo. Estamos muito distantes das metas propostas. É mais uma notícia trágica para o ensino médio do Brasil”, destacou o ministro da Educação, Rossieli Soares.

Até 2015, os resultados do ensino médio, diferentemente do ensino fundamental, eram obtidos a partir de uma amostra de escolas. A partir da edição de 2017, o Saeb passou a ser aplicado a todas as escolas públicas e, por adesão, às escolas privadas. Pela primeira vez o Inep passou a calcular Ideb para as escolas de ensino médio. Apesar do crescimento observado, o país está distante da meta projetada. Neste cenário, cinco estados tiveram redução no valor do Ideb. O registro positivo vai para o Espírito Santo, estado com o melhor desempenho no país.

Anos iniciais – O país segue melhorando seu desempenho nos anos iniciais do ensino fundamental, alcançando, em 2017, um índice igual a 5,8. A meta proposta foi superada em 0,3 ponto. Apenas os estados do Amapá, Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul não alcançaram suas metas. O Ceará se destacou, superando a meta proposta para 2017, em 1,4 ponto. Oito estados alcançaram um Ideb maior ou igual a 6,0: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Ceará, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Distrito Federal. Os estados do Ceará, Alagoas e Piauí apresentaram os maiores crescimentos no período. Ainda é possível observar que os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais detêm os maiores Idebs do país nos anos iniciais do ensino fundamental.

Apenas os estados do Rio de Janeiro, Amapá e Rio Grande do Sul não alcançaram a meta proposta nesta edição, mas também é possível observar que o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul têm desempenho no Ideb superior à média nacional. Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Ceará têm as maiores taxas de aprovação. No outro extremo estão Pará, Sergipe e Bahia.

Anos finais – Os resultados do Ideb mostram que, apesar de o país ter melhorado seu desempenho nos anos finais do ensino fundamental, alcançando, em 2017, um índice igual a 4,7, a meta proposta não foi atingida. Das 27 unidades da Federação, 23 aumentaram o Ideb, todavia apenas sete alcançaram a meta proposta para 2017: Rondônia, Amazonas, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Mato Grosso e Goiás. O registro negativo foi a queda do Ideb nos anos finais do ensino fundamental no estado de Minas Gerais.

Os progressos mais expressivos foram alcançados por Amazonas, Ceará e Mato Grosso. No outro extremo, com pouca evolução no Ideb, Amapá, Roraima e Rio Grande do Sul. Cabe também destaque para os estados de Goiás, Santa Catarina, São Paulo e Ceará com os melhores desempenhos nos anos finais do ensino fundamental.

Melhorar o fluxo escolar continua sendo um grande desafio para o Brasil. Comparando as taxas de distorção idade-série para os anos finais do ensino fundamental em 2015 e 2017, Mato Grosso e São Paulo têm um histórico de baixa retenção e, por isso, o indicador é próximo de 10%. No outro extremo, entretanto, há estados com taxas de distorção idade-série superiores a 40%.

Ideb – O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, Ideb, é uma iniciativa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para mensurar o desempenho do sistema educacional brasileiro a partir da combinação entre a proficiência obtida pelos estudantes em avaliações externas de larga escala (Saeb) e a taxa de aprovação, indicador que tem influência na eficiência do fluxo escolar. Ou seja, na progressão dos estudantes entre etapas/anos na educação básica. Essas duas dimensões, que refletem problemas estruturais da educação básica brasileira, precisam ser aprimoradas para que o país alcance níveis educacionais compatíveis com seu potencial de desenvolvimento e para garantia do direito educacional expresso em nossa constituição federal.

Também estiveram presentes na coletiva a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Smole, a diretora de Avaliação da Educação Básica do Inep, Luana Bergmann, o diretor de Estatísticas Educacionais do Inep, Carlos Eduardo Moreno, o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Marcelo Costa, e a presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Cecília Mota.

(Assessoria de Comunicação Social)