Um terço dos latino-americanos aceitaria postar ‘nudes’ em troca de dinheiro

Pesquisa da Kaspersky Lab integra campanha para conscientizar as pessoas sobre os riscos que elas estão expostas na internet e nas redes sociais quando agem despreocupadamente

De acordo com nova pesquisa da Kaspersky Lab feita com internautas em seis países da América Latina: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, 23% dos latino-americanos lamentaram compartilhar uma publicação nas redes sociais por conter imagens vergonhosas de si mesmos ou de outras pessoas em festas ou situações sociais. Outros 19% lamentaram a postagem porque ela continha informações pessoais relacionadas à sua moradia, família, trabalho, localização ou contas bancárias e quantias em dinheiro. Enquanto isso, 18% se arrependem de ter publicado comentários negativos para outros usuários em relação à sua personalidade, etnia ou sexo. No entanto, apenas 6% se arrependem de ter publicado fotos com pouca roupa.

Em relação a este último dado, 30% dos latino-americanos estariam dispostos a publicar uma foto nua nas redes sociais por dinheiro, dos quais 44% correspondem a homens e apenas 17% a mulheres. Os argentinos são o povo que lideram este quesito, com 45% dos internautas dispostos a fazê-lo, seguidos pelos mexicanos (31%) e chilenos (27%). Em seguida estão o Brasil (26%), Peru (25%) e Colômbia (24%).

O relatório é o primeiro estudo exclusivamente regional, em conjunto com a consultoria de pesquisa de mercado CORPA, para analisar os usuários de dispositivos móveis com relação ao cibercrime e cibersegurança na América Latina. O estudo faz parte da campanha Ressaca Digital, promovida pela empresa para conscientizar as pessoas sobre os riscos as quais estão expostas na internet e nas redes sociais quando agem despreocupadamente.

O principal objetivo da campanha Ressaca Digital é evitar que os usuários se arrependam após realizar um post, nova conexão ou download por impulso, reduzindo assim possíveis vazamentos de dados pessoais, roubo de identidade, viralização de imagens íntimas, perdas financeiras ou a violação de direitos do menor de idade.

O título “Ressaca Digital” vem da inspiração no próprio comportamento dos usuários quando estão em uma festa em suas redes sociais. “Por exemplo, eles fornecem muitos dados pessoais e bancários e confiam mais do que deveriam no desconhecido. No dia seguinte, essa ressaca, pouco a pouco, os faz lembrar dos erros e imprudência – e já não há como voltar atrás”, explica Dmitry Bestuzhev, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky Lab na América Latina.

Daqueles que estão dispostos a publicar imagens sem roupas, 58% são argentinos versus 33% das argentinas . Em seguida aparecem os homens mexicanos com 48%, em comparação com 16% das mulheres mexicanas, e os peruanos com 42%, contra 12% de suas compatriotas femininas. Depois, aparecem os brasileiros (41%), chilenos (39%) e, finalmente, colombianos (35%).

Para Carlos Araos, Ph.D em Ciências da Informação e especialista em ciberpsicologia na Universidade Adolfo Ibáñez no Chile, esse comportamento arriscado de alguns usuários está relacionado ao papel da internet na América Latina. “O que aprendemos com base em outros estudos é que, em comparação com outras regiões onde o uso da internet foca-se na busca por informações ou para entretenimento, os adolescentes e jovens-adultos latino-americanos usam a internet para se manter em contato com seus pares e grupos de amigos com a mesma faixa etária. Neste contexto, a importância que damos às plataformas digitais é criada com base na imagem que queremos transmitir de nós mesmo ou, pelo menos, no controle em que somos percebidos pelas outros. Em outras palavras, nossas vidas digitais é pautada em compartilhar uma parte de nós mesmos e, eventualmente, chegamos a ignorar a preocupação com relação à privacidade”, afirma o especialista.

O acadêmico acrescenta ainda que o percentual de pessoas em cada país que aceitaria publicar fotos íntimas é muito elevado se considerarmos o uso potencial e descontrolado que pode ser feito com as imagens, principalmente nas redes sociais.

Intimidade em risco

A pesquisa identificou ainda que outros 43% dos entrevistados afirmaram ter recebido imagens íntimas de pessoas próximas. Além disso, a investigação revelou que 27% afirmaram ter tirado fotos ou filmado a si mesmo em uma situação íntima com seu dispositivo móvel – e 32% deles são jovens entre 18 e 24 anos.

Identificou-se ainda que, em média, mais de 70% dos entrevistados armazenam suas fotos e vídeos em seus celulares e que 40% compartilham a senha do aparelho com outra pessoa – situação que pode levar a um vazamento de informações e exposição indesejada. Além disso, 28% dos entrevistados aceitariam dar sua senha e o dispositivo móvel a um estranho por 15 minutos em troca de 20 mil dólares.

“Os respondentes justificam esta decisão porque sabem que mais tarde poderão trocar sua senha, mas a verdade é que compartilhá-la com terceiros, mesmo que sejam familiares ou amigos, é o primeiro passo para acabar, eventualmente, sendo vítima de roubo, chantagem ou golpe. Se a senha fosse a chave para nosso diário, compartilharíamos ela facilmente com os outros? Certamente não e é isso que devemos fazer com as senhas dos nossos smartphones, PCs ou tablets: mantê-las seguras e protegidas”, ressalta Bestuzhev.

Em relação ao comportamento das informações nas redes sociais, a pesquisa mostrou que um terço das pessoas possuem um perfil público no Facebook – sendo que 37% deles tem entre 35 e 50 anos. Em relação às contas do Instagram, mais da metade dos latino-americanos usam um perfil público, principalmente jovens entre 18 e 24 anos (39%). O risco aumenta se considerarmos que, em média, 80% dos latino-americanos deixa seus perfis em redes sociais logados em seus dispositivos móveis.

“O risco de ter um perfil público reside no fato de que informações pessoais podem ser vistas por qualquer pessoa e a o proprietário desconhece as intenções de quem o visita e qual será o uso que esta pessoa dará às fotos ou dados publicados”, explica Bestuzhev.

(Fonte: idgnow.com.br)

CASO CYRELA : Por requerimento do Deputado Zé Inácio é criada a CPI que irá investigar empreiteira 2

Por proposição do Deputado Zé Inácio (PT), foi publicado nesta quinta-feira 08/11, no diário da Assembleia Legislativa a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que irá investigar as denúncias de irregularidades nos imóveis construídos pela empresa Cyrela no Maranhão.

O Requerimento de nº 129/18, que originou a comissão, é de autoria do Deputado Estadual Zé Inácio (PT). Na próxima segunda-feira 12/11, será realizada reunião da comissão para eleição do presidente, vice, relator e elaboração do plano de trabalho.

“A abertura da CPI é um clamor da população que nos buscou na Assembleia, após várias ações judiciais já tramitarem para reparar os danos sofridos, mas precisamos aprofundar essa investigação sobre a Cyrela que tem descumprindo os direitos dos consumidores”, disse Zé Inácio.

No Diário da Assembleia já consta a lista dos deputados que irão compor a CPI. A comissão será composta por sete parlamentares e sete suplentes, que deverão no prazo de 120 dias apurar as responsabilidades e irregularidades dos empreendimentos nos condomínios Jardim Toscana e Jardim Provence, no bairro Altos do Calhau, Vitória, no bairro Forquilha, e Pleno Residencial, no bairro Jaracati, que apresentaram imensuráveis falhas e problemas na  construção dos empreendimentos como: vazamento de gás, irregularidades no sistema elétrico, hidráulico, revestimento cerâmico e infiltrações.

As 5 competências-chave para quem quer liderar

A liderança é a maior responsável pelo desempenho organizacional. E uns atributos do líder são mais responsáveis do que outros.

por Márcio Silva, via Revista HSM

Márcio Silva, coach executivo.

O comportamento em liderança determina 50% a 70% da cultura de uma organização. Por sua vez, a cultura organizacional impacta aproximadamente 35% do desempenho organizacional. Os 65% restantes desse desempenho são determinados por cinco outros fatores não relacionados com os comportamentos das pessoas. Isso faz com que o comportamento em liderança e a cultura organizacional sejam os maiores fatores que afetam o desempenho organizacional. É por isso que Jack Welch, ex-CEO da GE, rotulou a cultura organizacional como uma vantagem competitiva duradoura e sustentável.

Como sabemos que liderança é algo muito importante, precisamos entender as competências necessárias para ser um líder eficaz. Na Marshall Goldsmith Stakeholder Centered Coaching, enfatizamos as competências mais importantes de líderes que trabalham em um ambiente de negócios internacionais com base em pesquisas feitas com 100 organizações multinacionais de 120 países em seis continentes. São cinco: comunicação, engajar pessoas, inclusão sem fronteiras, garantia de sucesso e melhoria continua.

– Comunicação – Um dos pontos da comunicação é a necessidade do líder demonstrar integridade ou congruência. Um dos grandes inimigos dessa integridade é a pressão por resultados. A ânsia de bater metas e gerar resultados muitas vezes coloca o líder em situações onde sua integridade é colocada à prova e, quando esse é um valor importante para o líder, vai gerar desconforto em relação a trazer resultado a todo custo. Nesse momento, saber dizer não é fundamental. Mas o importante é saber junto com o não esclarecer os motivos da sua negativa. Nessa hora, os valores do líder (quando bem demonstrados) geram em todos os envolvidos mais admiração que repulsa. O problema é que, muitas vezes para evitar o embate, o líder acaba perdendo a oportunidade de se destacar perante clientes, fornecedores e a própria empresa. Cada vez mais, a integridade tem sido rara, em contra partida, muito desejada e valorizada pelas empresas.

– Engajar pessoas – Um dos pontos do engajemento é justamente treinar pessoas. Esse é um grande desafio e o líder precisa estar atento. O desejo de treinar pessoas tem muito mais a ver com a intenção de colaborar com o outro que consigo mesmo. Uma vez que a pessoa treinada pode deixar a organização, muitos líderes evitam treinar pessoas. É até comum não delegar para não treinar ou delegar sem treinar. Esse é um erro. O treinar pessoas cria uma cultura de acolhimento e além disso desenvolve uma parceria entre o líder e o liderado. Já é aceito que investir tempo e dinheiro treinando profissionais que vão embora dá menos prejuízo do que trabalhar com profissionais e equipes incompetentes.

– Inclusão sem fronteiras – A globalização exigiu dos líderes o desafio de agregar diferentes culturas e também entendê-las. Posicionar-se como “minha cultura é a superior” tem feito que líderes deixem de colaborar com a cultura das empresas. As empresas perenes são justamente aquelas que praticam a inclusão e não a exclusão de culturas diferentes. Os líderes de sucesso tem visto como um potencial de uma situação poder incluir pessoas de diferentes culturas em diferentes partes de seus negócios, desenvolvendo até diferentes players e lucrando com isso.

– Garantir o sucesso – Um líder busca formas de garantir resultados para seus clientes, empresa e liderados. Para isso, ele tem de saber envolver todos no processo e medir os avanços em cada estágio do desenvolvimento de um projeto, de um desafio ou dos objetivos a serem alcançados por seus liderados. Hoje a tecnologia é aliada para garantir esses resultados e medir o avanço ocorrido; por isso, a capacidade de garantir resultados está atrelada ao interesse e à capacidade do líder de descobrir e explorar a tecnologia e a inovação. E envolver as pessoas reside na disposição do líder de pedir ajuda, opinião, apoio e até feedback de seus subordinados, e estendendo essa prática de pedir sugestões a seus superiores e pares.

– Melhoria continua – Liderar processos de mudança é um dos pontos que diferenciam os grandes líderes. Quando mudar? Como mudar? Por que mudar? O que mudar? São perguntas que todo líder que busca o desenvolvimento constante precisa colocar em seu DNA. As respostas são dadas não pelo líder, mas pelas pessoas que ele lidera. E a mudança principal não está nos outros, e sim no próprio líder. Ele deve ser o primeiro e o principal motivador, idealizador, patrocinador e praticante da melhoria continua. O efeito de gerar resultados pode trazer a falsa sensação do “eu sei como fazer do jeito certo”. Apesar de isso ter uma parcela de verdade, está longe de ser 100% confiável. Na verdade, o que trouxe o líder até aqui, não será o que irá levá-lo aonde ele deseja estar.

SOBRE O AUTOR

*** Master coach internacional certificado pela International Coaching Council, Márcio Silva atua como coach profissional desde 2002 e é business partner no Brasil da Marshall Goldsmith Stakeholder Centered Coaching, a SCCoaching, uma das mais conceituadas instituições de coaching do mundo, presente em 55 países. Silva está organizando a vinda de Marshall Goldsmith ao Brasil nos dias 1 e 2 de setembro. Este artigo foi escrito com exclusividade para revistahsm.com.br.

Contribuições de Freud à Psicologia do Amor

Freud destaca características que determinam a escolha da pessoa amada, demonstrando conflitos que ocorrem entre a capacidade de amar e desejar sexualmente o mesmo objeto.

Por Rodrigo de Souza, via Conti Outra

O modelo como alguns homens amam reproduz certas condições que são construídas no interior do processo de subjetivação do Complexo de Édipo. Em suas contribuições à psicologia do amor, no artigo “Sobre a tendência universal à depreciação na esfera do amor”, Freud (1912) destaca características que determinam a escolha da pessoa amada, demonstrando conflitos que ocorrem entre a capacidade de amar e desejar sexualmente o mesmo objeto. A harmonia de uma relação amorosa normal sustenta-se entre o equilíbrio das correntes eróticas e afetivas.

As correntes afetivas correspondem aos primeiros vínculos amorosos da criança com a mãe, cujas correntes eróticas, por sua vez, estão interligadas, visto que a sexualidade da criança se desenvolve junto ao corpo materno, que a recobre de amor e sensualidade. Freud, nos Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, de 1905, foi claro ao evidenciar o chuchar como modelo da sexualidade infantil. Ou seja, – mesmo tendo a fome saciada, – a criança insiste em continuar mamando no seio materno, para satisfazer, assim, algo da ordem do erótico que se manifesta ali.

Com a entrada do menino na puberdade, as correntes eróticas que antes estavam misturadas com as correntes afetivas, precisam se separar do primeiro objeto de amor, de modo a redirecioná-las a outros objetos amorosos para fora da família. Trata-se, portanto, de seguir as regras impostas pela barreira do incesto ao exigir que a criança aprenda a amar e a desejar um outro objeto substituto. No entanto, tendo a mãe como primeiro modelo de amor, o adolescente, por fim, agora liberado para amar e transar, não consegue se organizar afetivamente a não ser pelo mesmo modelo primário reproduzido com a mãe, marca esta que o acompanhará ao longo da vida adulta.

A dificuldade, que se apresenta para este tipo particular de dinâmica do amor, reside na difícil tarefa de equilibrar as correntes eróticas e afetivas, sem levar o homem a incorrer em impotência psíquica ao não conseguir desejar a mulher para quem ofereceu seu amor.

Segundo Freud, – existe apenas um pequeno número de pessoas capazes de combinar adequadamente as duas correntes. Em outras palavras, amar sem que isto implique uma diminuição do desejo sexual. Quando essa harmonia não ocorre, o homem precisa recorrer a outra mulher que não seja digna de seu amor como, por exemplo, a prostituta, para assim extravasar seus impulsos sexuais selvagens inibidos pelo fantasma do amor incestuoso.

O que está em voga, nesses casos, para que o desejo sexual se mantenha vivo, é a possibilidade de poder depreciar e inferiorizar outra mulher. Expressões que compõem o jogo erótico como “sua vagabunda”, “vadia”, “cachorra”, ou tapas na cara, puxões de cabelo, dentre outros artifícios, fazem parte do repertório daquele que Freud designa como impotente psíquico devido ao fato de precisar se desvincular de toda e qualquer possibilidade de amar para se manter viril e desejoso.

Destaco aqui a fala de um paciente casado que sempre entrava em atrito com a amante quando ela o demandava afetivamente, exigindo dele algo para além do sexo casual. Esta pretensão da amante de querer namorá-lo o irritava porque, com isso, ela o impossibilitava de usá-la como objeto de seu desejo sexual. “É para isso que serve a amante, dizia ele, para que eu faça com ela o que eu não consigo fazer com a mulher para quem o meu amor está endereçado, a mãe do meu filho.” Ou seja, a esposa está para o amor assim como a amante para o desejo sexual. Este mesmo paciente relatou que decidiu ter um filho para tentar inibir ou deslocar as tentativas da esposa de querer tratá-lo como um bebê.

Freud, em 1914, no artigo sobre o narcisismo: uma introdução, destaca dois destinos da identificação amorosa: o narcísico e o anaclítico. O narcísico ocorre quando o sujeito ama a si próprio a partir do outro. Em outras palavras, ama no outro aquilo que foi, que é ou que gostaria de ser. A identificação amorosa anaclítica diz respeito ao tema sobre o qual estou abordando. Trata-se de amar no outro algum traço que remonte à parentalidade da primeira infância, como no caso agora citado do paciente que estava identificado com o fantasma da mãe reeditado na relação com a esposa.

Há um outro episódio no qual um paciente me declarou que sentia atração sexual por moradoras de rua e, – sempre quando possível, transava com elas, – afirmando que as condições precárias de higiene e clandestinidade o excitavam. Dominado pelos impulsos eróticos mais animalescos, sua satisfação sexual elevava-se à enésima potência através de uma certa mistura de medo, nojo, receio e desejo. Havia uma queixa em torno da frustração de não mais conseguir gozar plenamente com a esposa, alegando que o sexo cumpria apenas a função de satisfazer uma necessidade biológica de querer gozar para, em seguida, dormir. A impotência a qual Freud se refere para explicar o fato do homem não conseguir desejar quem ama não é peniana, e sim psíquica. Isto não quer dizer, vale lembrar, que também não possa haver impotência sexual em alguns casos. De modo geral, há ereção no órgão, o que não há, é “ereção” nas fantasias eróticas.

A forte fixação na mãe como modelo primário de amor o impede de recorrer às fantasias mais imorais que enriquecem a relação sexual, tal qual aquelas que acontecem com a amante. Existem vários graus de impotência psíquica. Há quem ao não conseguir depreciar a própria esposa para abrir as portas do desejo sexual precise buscar fora do casamento mulheres passíveis de depreciação e inferiorização, como no caso da moradora de rua. No entanto, o contrário também é verdadeiro. Vejamos este outro fragmento de caso clínico: uma paciente teve que fazer uma cirurgia nas costas e recorrer ao marido para ajudá-la a tomar banho em virtude do fato de estar quase toda enfaixada e imobilizada. Conclusão: sua vulnerabilidade frente ao marido e o mal cheiro que exalava das faixas o excitavam como na época em que começaram a namorar. Bastou ela se recuperar para o desejo sexual se apagar e seguir os moldes do sexo “arroz com feijão”; ou, como socialmente convencionado, “sexo papai e mamãe”.

Exemplos como estes ilustram o quanto a prevalência do amor diminui a libido sexual como marca atemporal da interdição do incesto que obriga a criança a não desejar a quem ama. Se o homem reproduz com a mulher amada o mesmo protótipo a partir do qual aprendeu a amar, sendo a mãe, sempre sagrada e idealizada, o erotismo, por outro lado, perde sua potência. Depreciar, portanto, seja saindo com a mendiga, com a prostitua ou com a esposa enfaixada, apresenta-se como recurso para este tipo de homem se afastar do inimigo número um do desejo sexual: o amor. Freud traduziu muito bem esta problemática, ao afirmar que os homens governados por esse conflito, quando amam, não desejam, e quando desejam, não podem amar.

Como em todo e qualquer começo de relação, onde o amor ainda está em fase de construção, é comum que, do ponto de vista do homem, que padece desse conflito, a vida sexual seja mais rica e excitante. A combinação entre amor e desejo sexual é sempre muito delicada, principalmente quando a mulher decai da posição de mulher e assume o papel de mãe na relação, levando o homem a reproduzir o modelo primário que impossibilita a livre-expressão do erotismo.

Um outro exemplo que nos ajuda a entender melhor o conflito entre amor e desejo ocorre quando um casal briga. Por que se diz que entre briga de marido e mulher não se mete a colher? Porque acaba na cama! Isto é, uma boa briga, ao fazer emergir os conteúdos agressivos, removendo com isso os efeitos românticos do amor, traz à tona as correntes eróticas antes inibidas, levando o casal a transar como nos velhos e bons tempos. Há casais que precisam recorrer constantemente ao artificio da briga como uma alternativa possível para a manutenção da qualidade da relação sexual. Para quem não consegue conferir um equilíbrio saudável entre as correntes afetivas e eróticas, a vida sexual fica empobrecida, sem sal. O conflito entre amor e desejo apresenta-se com frequência na minha clínica e, de modo geral, atesta a impossibilidade da pulsão sexual produzir satisfação completa, sempre aquém daquela vivida nos primórdios do bebê com a mãe.

Suicídio entre adolescentes no Japão bate recorde em 30 anos

Foram 250 casos registrados em 2017, o maior número desde 1996

O número de suicídios de adolescentes no Japão atingiram o recorde em três décadas, informou o Ministério da Educação do país. Em 2017, os registros oficiais japoneses mostram que 250 jovens do ensino fundamental ao ensino médio tiraram suas próprias vidas. O número é o maior desde 1986, e cinco vezes mais alto do que no ano passado.

As principais preocupações relatadas pelos adolescentes a pessoas próximas pouco antes da morte, ou em uma carta de suicídio, eram problemas familiares, bullying e angústia em relação a seus futuros.

No entanto, de acordo com as escolas desses jovens, há razões para acreditar que cerca de 140 das mortes não têm um motivo conhecido, já que os estudantes não deixaram uma última carta com possíveis explicações.

A maioria deles estava no ensino médio, cursado normalmente entre os 15 e 18 anos de idade.

O Japão tem uma das maiores taxas de suicídio do mundo. Em 2015, esse índice alcançou um de seus picos. Desde então, conforme medidas preventivas foram sendo introduzidas, os números na população geral — e não considerando-se apenas os jovens — caíram, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No total, os suicídios em todo o Japão caíram para cerca de 21 mil em 2017, segundo a polícia, contra um pico de 34,5 mil em 2003.

Entretanto, as taxas de suicídio entre adolescentes só crescem, tornando-se a principal causa de morte entre os jovens no país.

— O número de suicídios de estudantes permaneceu alto, e essa é uma questão alarmante que deve ser enfrentada — disse Noriaki Kitazaki, membro do Ministério da Educação, assim que esses números mais recentes foram divulgados.

(Fonte: O Globo)

DUELO DE TITÃS: Márcia Fellipe e Jerry Smith junto em Pinheiro

Para melhorar o que já estava bom, vem aí Márcia Fellipe e Jerry Smith , o primeiro show em que os dois cantores entrarão no palco juntos. Um verdadeiro “duelo de titãs”.

O duelo será durante a festa de comemoração da eleição de deputado estadual do Dr. Leonardo Sá (PRTB), que acontece no próximo dia 28 de novembro no Parque do Povão, na cidade de Pinheiro.

“E pra ficar perfeito, ainda teremos Dj Beto, Dj Bulaxa e Banda Miragem. Tudo está sendo organizado, preparado com muito amor e cuidado para o nosso povo, pois essa festa não é minha, ela é de vocês, é nossa!”, assegurou Dr. Leonardo Sá.

Qual é a consequência das polarizações?

Em suas memórias, escrevendo a respeito de sua relação com Freud, Jung alertava para o perigo da identificação com um dos polos

por  Aurea Caetano, via Vya Estelar

Tempos difíceis estes nos quais temos sido impelidos e quase obrigados a escolher entre um lado e outro lado, entre um polo e outro polo, entre uma turma e outra turma ou entre um partido e outro partido. Escolhas são importantes, necessárias para que a vida aconteça. Diferenças de fluxo geram movimento, distintas ideias e propostas quando discutidas e elaboradas podem nos levar à expansão da consciência, à ampliação de nosso campo vivencial. Podem facilitar e melhorar nossa existência no mundo aqui e agora.

Tem sido difícil encontrar espaço para o exercício da verdadeira dialética, da conversa e escuta simples e legítima. Lugar possível de prática de uma troca fundamental – a troca entre seres humanos, plenos em seus direitos e potências. Ambos os polos têm se mostrado em seus aspectos mais radicais, tentando dessa forma provocar uma reação exacerbada também de parte de seus seguidores. Esquecemos as ideias, as propostas e passamos a discutir as pessoas, os messias e salvadores que vão nos conduzir ao paraíso, quase um ato de fé cega.

Em suas memórias, escrevendo a respeito de sua relação com Freud, Jung alertava para o perigo da identificação com um dos polos:

“Cada vez que um acontecimento numinoso faz vibrar fortemente a alma, há perigo que se rompa o fio em que estamos suspensos. Então o ser humano pode cair num sim absoluto ou num não que também o é!… O perigo do numinoso é que ele impele aos extremos e então uma verdade modesta é tomada pela Verdade e um erro mínimo por uma aberração fatal. Tudo passa: o que ontem era verdade hoje é erro, e o que antes de ontem era considerado um erro será talvez uma revelação amanhã…”

Exercício que fazemos cotidianamente no trabalho analítico em nossos consultórios: ajudar nossos pacientes a considerar ambos os aspectos de um dilema, facilitar o trânsito, investigar as certezas, questionar as supostas verdades. Ao abrir espaço para a dúvida permitimos um novo olhar fugindo assim de uma visão unilateral, parcial que pode levar ao fanatismo.

Facilitamos o encontro de um fio condutor, fio esse que como nos diz Érico Veríssimo, deve ser “…do melhor aço e, portanto, resistente e ao mesmo tempo flexível. Fé sem flexibilidade, fé sem dúvida pode acabar em fanatismo” (Érico Veríssimo, Incidente em Antares).

* Psicóloga formada pela PUC-SP, trabalha em consultório com atendimento de adolescentes, adultos e casais. Mestranda em Psicologia Clínica na PUC-SP, analista junguiana formada pela SBPA- IAAP (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica)

“O Brasil ficou louco”, diz o fotógrafo Sebastião Salgado 4

Em entrevista à rádio francesa France Inter, o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que fugiu da ditadura nos anos 60 no Brasil para morar na França, falou sobre a vitória de Jair Bolsonaro e os fatores que levaram a extrema direita ao poder no país.

O fotografo Sebastião Salgado em entrevista a rádio francesa France Inter nesta segunda-feira 05 de novembro de 2018.

Rádio França Internacional – Para o premiado fotógrafo brasileiro, entrevistado pela apresentadora Lea Salamé, “o Brasil ficou louco”, mas já estava dando sinais de insanidade. “Quando Dilma Rousseff, eleita democraticamente, foi destituída, praticamente em um golpe de Estado, e um governo totalmente corrupto foi colocado no lugar, começamos a perder o controle do país”, declarou. “Colocamos na prisão aquele que poderia ser eleito diretamente no 1° turno, por corrupção, praticamente sem provas”, disse, em referência ao ex-presidente Lula. Para Salgado, Lula se tornou “praticamente um prisioneiro político”.

O premiado fotógrafo brasileiro ressalta que houve “muita corrupção do PT e que, para governar, o partido comprou muito apoio político”. Isso, em sua opinião, “se voltou contra as forças democráticas”. Ele também lembrou da alta taxa de rejeição de Bolsonaro, e de como, em poucos meses, ele se tornou o favorito das eleições presidenciais no Brasil, vencendo com cerca de 55% dos votos. “Mas também teve muita gente que não foi votar”, disse Salgado, se referindo à alta taxa de abstenção (21%) e votos nulos (2%) e brancos (7%), lembrando que, no total, mais de 87 milhões de brasileiros não votaram para Bolsonaro.

Ele também comentou a nomeação de alguns membros do governo, incluindo o juiz federal Sérgio Moro, que conduziu as investigações da operação Lavo Jato que levaram à prisão de Lula, e de antigos militares. Segundo Sebastião Salgado, as Forças Armadas estiveram neutras no processo eleitoral. Os generais que participarão do governo Bolsonaro, diz, são “velhos generais aposentados, muitos que se identificam com o golpe de Estado de 1964, mas não são as Forças Armadas, são antigos militares”, sublinha.

Questionado sobre o papel dos militares de hoje na proteção do país e contra decisões arbitrárias de Bolsonaro, o fotógrafo respondeu que as Forças Armadas de hoje não são as mesmas de antigamente. “São modernas, como as da França, que participam de missões técnicas e internacionais com a ONU. É diferente. Não são Forças Armadas golpistas de uma República das Bananas. Isso mudou.”

“Não há um retorno da ditadura”

Sebastião Salgado não enxerga a eleição de Bolsonaro como um retorno à ditadura. “Longe disso. O Brasil tem todas as instituições de um país democrata. Tudo o que ele pensa poder fazer no país necessita da aprovação do Congresso, onde ele não tem a maioria, e precisará fazer uma série de concessões. Falar é uma coisa, fazer é outra”, afirma.

Em relação à proposta da criação de um Ministério do Meio Ambiente e da Agricultura, que pode ser abandonada, o fotógrafo acredita que é uma prova de que Bolsonaro terá que voltar atrás de suas decisões. “Isso mostra a pressão que existe nos negócios internos. O Brasil se tornou o maior produtor agrícola do mundo e exporta carne, soja, café”, destaca. “O agronegócio é enorme e depende do mercado externo. Acabar com o Ministério do Meio Ambiente e destruir uma parte da Amazônia traz efeitos para a economia, haverá um movimento planetário de boicote”, lembra.

Sebastião Salgado, que está à frente de uma ONG que milita pelo reflorestamento, não acredita que a eleição de Bolsonaro terá um efeito negativo em seu trabalho. “Esse movimento é independente do governo, plantaremos 150 milhões de árvores e não precisamos de dinheiro público”, sublinha. “O grande problema ecológico de Bolsonaro é a Amazônia, porque ele prometeu uma abertura da Amazônia ao agronegócio. Mas eu me pergunto se o agronegócio precisa da Amazônia. Eles têm as terras mais férteis do mundo”, diz.

Segundo Salgado, as próprias Forças Armadas defendem a Amazônia e criaram a Funai. “As Forças Armadas são a principal instituição presente na Amazônia, e eu conheço um certo número de jovens generais que são contra a abertura da Amazônia”, afirma

OIT intima o Brasil sobre denúncia do Sindjus-MA de práticas antissindicais no judiciário brasileiro

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) admitiu as denúncias apresentadas pela da ISP, CSPB, Fenajud e pelo Sindjus-MA denunciado práticas antissindicais.

O Comitê de Liberdade Sindical da Organização Internacional do Trabalho (OIT) julgou a admissibilidade da denúncia conjunta apresentada pela Internacional de Serviço Público (ISP), Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados (Fenajud) e Sindicato dos Servidores da Justiça do Maranhão (Sindjus-MA) contra o Estado Brasileiro em razão de práticas antissindicais verificadas no Poder Judiciário do Estado do Maranhão.

As denúncias apresentadas pelo Sindjus-MA em conjunto com as demais entidades junto à OIT, em junho deste ano, relatando práticas antissindicais no Poder Judiciário Brasileiro, preencheram os requisitos de admissibilidade da organização para serem processadas e geraram uma intimação ao Governo Brasileiro para que se pronuncie quanto aos fatos e suas providências.

A expectativa das entidades é que a OIT faça uma recomendação ao Brasil para que este respeite integralmente as convenções internacionais das quais é signatário.

Caso contrário, o Brasil pode sofrer sanções, como ser considerado não cumpridor das Normas Internacionais do Trabalho junto à OIT, não participar de instâncias e fóruns e, até, sofrer sanções econômicas.

As Normas Internacionais do Trabalho elaboradas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) estabelecem convenções, protocolos e tratados internacionais que definem padrões e pisos mínimos a serem observados e cumpridos por todos os países que os ratificam.

Comitê de Liberdade Sindical reuniu-se com a OIT em junho deste ano para apresentar denúncias de práticas antissindicais.

Comitê de Liberdade Sindical reuniu-se com a OIT em junho deste ano para apresentar denúncias de práticas antissindicaisDiante da dificuldade de interlocução para tratar de assuntos referentes aos servidores, o Sindjus-MA constatou que o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) vem desrespeitando a Convenção 151 e a Convenção 98 da OIT, cujos governos signatários se obrigam a resolver os conflitos trabalhistas, prioritariamente pela via da conciliação ou da arbitragem. Essas Convenções dispõem quanto à Liberdade Sindical e Negociação Coletiva, que se aplicam aos representantes dos trabalhadores no ambiente de trabalho.

Um dos impasses com relação ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) diz respeito às greves realizadas nos anos de 2014 e 2015 no âmbito do Poder Judiciário do Maranhão, com o intuito, respectivamente, de garantir a implantação pelo tribunal da parcela dos 21.7% e garantir o pagamento da reposição anual e constitucional das perdas inflacionárias dos servidores representados pelo SindjusMA . “O Tribunal de Justiça não resolveu o conflito pela via da negociação e da conciliação, optando por judicializar e punir o movimento paredista da categoria. As faltas descontadas não foram até hoje devolvidas, mesmo tendo os servidores, através do sindicato, requerido o direito de repor os dias parados”, explicou o presidente do Sindjus-MA, Aníbal Lins.

Pelas Convenções da OIT, já ratificadas pelo governo brasileiro, é prática antissindical cercear, resistir, ou negar o direito das entidades sindicais, através de seus respectivos e legítimos representantes, a conduzirem a negociação coletiva das matérias de interesse dos trabalhadores junto aos órgãos competentes.

O Governo Brasileiro deve agora intimar o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) a se manifestar sobre as denúncias e quais providências foram tomadas em caso de descumprimento das convenções da OIT. A previsão é que no primeiro semestre do próximo ano, a OIT se pronuncie em caráter definitivo quanto as informações prestadas.

(Fonte: SINDJUS)

Novas fichas para uma nova aposta no crescimento do Brasil

“Para dobrar a renda percapita é preciso que a taxa de investimento em produtividade aumente. Quando o investimento não é bom, a produtividade cai nos anos seguintes. Esse é um dos calcanhares de aquiles da economia brasileira” (João Alberto De Negri)

João Alberto De Negri (Fotos: Ricardo Machado/IHU)

Por: Ricardo Machado, via IHU Unisinos

Um estudo de mais de 800 páginas realizado e publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA sugere que o Brasil pode retomar o crescimento econômico a partir de três estratégias: dobrar a renda per capta em relação ao Produto Interno Bruto – PIB, reduzir as desigualdades econômicas e investir em tecnologias críticas. A análise e as projeções foram apresentadas pelo professor doutor João Alberto De Negri, durante o evento Trajetória macroeconômica brasileira 2003-2017 e as políticas de ciência, tecnologia e inovação, que integra a programação do II Ciclo de Palestras. Trajetória da Política Econômica Brasileira 2003-2017.

Como bom economista, Negri baseia suas projeções em dados econométricos, em perspectiva com cenários globais. Na opinião do pesquisador, é possível transformar o Brasil no espaço de uma geração, algo entre 20 a 30 anos. “Isso é factível desde que caminhemos rápido. Nossa trajetória recente diz que não dá para fazer, mas é possível sim. Precisaria metas claras, consistência e persistência ao longo do tempo”, propõe.

Claro que todas essas transformações passam por um ajuste de coordenadas do paradigma das políticas públicas. “No caso do Brasil, as políticas públicas precisam pensar uma forma de romper o que temos vivido há algumas décadas, não basta imaginar políticas públicas da mesma forma. O país precisa aprender a fazer as coisas de uma forma diferente”, pontua. O professor ainda alerta para o fato de o Brasil ter perdido, ao longo das últimas quatro décadas, a capacidade de crescimento da produtividade. “Atualmente não temos mais janela de crescimento demográfico para possibilitar a ampliação da produtividade, razão pela qual necessitamos uma outra forma de pensarmos as políticas públicas”, frisa.

Investimento público

Na opinião do conferencista, o investimento público perdeu importância quando se trata de crescimento econômico. “O investimento público não é tão importante como já foi. O Brasil não conseguirá crescer nos próximos anos sem um amplo leque de reformas. Não é um ajuste de trajetória, mas um amplo processo de transformação econômica, social e política”, pondera. “A nova geração de políticas públicas deverá ser feita de forma público-privado. É preciso pensar logo, suar a camisa e começar a fazer”, complementa.

Outro setor sensível da economia é o fiscal, cuja perspectiva de mudança a curto ou médio é de inalterabilidade. “O problema fiscal deve seguir nos próximos quatro ou cinco anos, com uma dívida pública elevada. Precisamos resolver o problema fiscal e da qualidade do gasto público, o que é um problema global. É muito difícil de analisar a qualidade do gasto público porque só se pode estimar o investimento que foi feito, mas nada podemos estimar sobre aquilo que não escolhemos investir, então é uma análise sempre muito complexa”, analisa.

Mudanças chaves

De acordo com Negri, a possibilidade de haver crescimento na economia depende de algumas mudanças chaves na qualidade dos investimentos. “Para dobrar a renda percapita é preciso que a taxa de investimento em produtividade aumente. Quando o investimento não é bom, a produtividade cai nos anos seguintes. Esse é um dos calcanhares de aquiles da economia brasileira”, postula. Sem aprofundar muito em como reduzir as desigualdades, o pesquisador ressaltou uma vez a importância de avançar nesse sentido.

Outro eixo importante é o da produção do que o economista chama de “tecnologias críticas”. Para tanto, sustenta o conferencista, é preciso investir em pesquisa. “Os investimento em pesquisa científica precisam crescer 10% ao ano para sair dos atuais 28 bilhões para 60 bilhões ao ano. Ciência e tecnologia são investimentos de longo prazo muito importantes, é preciso acreditar”, ressalta. Tecnologia, no sentido apresentado por Negri, diz respeito à “forma como produzimos as coisas (o que importa é a intensidade de conhecimento)”.

Por fim, o professor detalhou os dezesseis pontos centrais que orientam o trabalho intitulado Desafios da Nação produzido pelo IPEA.

  1. Crescimento Econômico: Retomar a expansão acelerada da renda per capita
  2. Regime Fiscal: Regras para o crescimento sustentado
  3. Mercado de Trabalho: Mudanças institucionais e produtividade
  4. Reforma da Previdência: aspectos de uma reforma obrigatória
  5. Reforma Tributária: racionalizar o sistema tributário
  6. Financiamento do Desenvolvimento: enfrentar os obstáculos do longo prazo
  7. Educação Básica: a obrigação da reforma ampla
  8. Educação Superior: os caminhos para a modernização
  9. Saúde: como ser universal com qualidade
  10. Risco regulatório: sobra regulamentação, falta governança
  11. Modelo de Concessões: mais eficiência, mais investimento
  12. Pesquisa e Inovação: aprimorar políticas públicas de incentito à C&T
  13. Petróleo e Gás: Da crise à recuperação
  14. Energias renováveis: definir políticas para o setor
  15. Inserção Internacional: desenvolvimento exige uma nova agenda internacional
  16. Sustentabilidade: Objetivos de desenvolvimento sustentável nos Desafios da Nação