Dia dos Pais: por que falta de tempo para os filhos não tem nada a ver com disponibilidade

Vida profissional não é empecilho para se ter envolvimento emocional com os filhos; há como achar um ponto de equilíbrio.
Por Eduardo Shinyashiki, via Vya Estelar
O Dia dos Pais é uma data em que a reflexão sobre o relacionamento familiar é muito bem-vinda. Afinal de contas, os pais influenciam diretamente em muitos fatores da vida dos filhos, como a forma de enxergar o mundo e de reagir aos estímulos externos, por exemplo.

Para o saudável desenvolvimento afetivo das crianças, é fundamental que os pais estejam envolvidos em suas vidas, muito mais com disponibilidade emotiva do que de tempo. E, ao contrário do que muitos pensam, a vida profissional não é empecilho para isso. A receita para esse equilíbrio é simples: ter claras as próprias prioridades, pessoais e profissionais, dosar bem as energias e o tempo dedicados a essas prioridades.

Em síntese, o papel paterno representa a relação dos filhos com o mundo externo, ou seja, a abertura para a sociedade, o impulso para se tornarem adultos. Indica também o ingresso da criança ao contexto social, em contraposição ao universo íntimo representado pela relação entre mãe e filho. Ao mostrar, de maneira clara e serena, que existem regras e limites, o pai ajuda os filhos a crescerem emotivamente preparados para enfrentar com segurança o mundo externo.

São vários os pontos na atuação do pai que determinam a criação de uma base firme para a vida futura de seus filhos. E numa era em que muitos vivem conectados a smartphones e notebooks, sem limites e dosagem do tempo – que poderia ser dedicado a momentos de qualidade e olho no olho -, podemos falar sobre a importância da conexão entre pais e filhos.

Estudos afirmam que quanto mais os filhos se sentem em conexão com o pai, mais confiam na vida, em si mesmo e nos outros.
Quando a relação de confiança e proximidade é estabelecida quando criança, ela dura por toda a vida. E isso só acontece quando se constroem laços baseados no respeito à diversidade e à individualidade, e não na busca incansável de uma simples reprodução de comportamentos.

Cada um tem a sua própria jornada e, assim, melhor que guiar alguém, é caminhar ao lado. Transmita aos seus filhos valores sólidos, que fazem parte do seu dia a dia, e um legado será construído de forma tão forte que nada poderá corrompê-lo.

Permita que hoje e a cada dia da sua vida, sejam construídos momentos memoráveis com seus filhos, que podem ser um olhar, um sorriso, um abraço e, talvez, o mais importante: viver com eles aquilo que você sempre sonhou em viver com os seus pais, mas que por algum motivo não foi possível. Viva a intensidade desses momentos e o poder do agora na sua vida. Eternize este presente.
Feliz Dia dos Pais!

Fonte: Eduardo Shinyashiki é mestre em Neuropsicologia e Liderança Educadora, especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional e pessoal

Dilema: Ser legal

Dá para ser alguém legal, bondoso e bem-sucedido?

Alain de Botton, via Vida Simples

Aprendemos que devemos ser legais, bacanas, bonzinhos. Mas, contraditoriamente, quando somos assim no trabalho, ou nos assumimos dessa forma publicamente, corremos o risco de ser tachados de bobos ou de alguém que nunca vai chegar ao topo, ao sucesso. Está na hora de mudarmos esse padrão e termos relações mais compassivas
Decidir se tornar uma pessoa mais doce e amável parece ser uma ambição profundamente insípida e desanimadora. Teoricamente, amamos a docilidade, mas, na prática, o conceito parece ser vergonhosamente insignificante, fraco, tedioso e até desinteressante. Ser uma pessoa legal, boa, generosa parece algo que tentaríamos apenas quando outras alternativas mais ousadas e recompensadoras fracassassem. Na verdade, “ser legal” é uma ideia profundamente mal apreciada. Muito do que valorizamos é preservado pela gentileza e compatível com ela. É uma virtude com diversas qualidades sutis. O que se destaca é a forma como você faz isso. Ser alguém legal, bacana, generoso com o outro pode não ter o apelo imediato do dinheiro e da fama, mas é uma qualidade tremendamente importante mesmo assim, que negligenciamos a nosso próprio risco. Ser legal é uma virtude aguardando nossa redescoberta e nossa valorização renovada e sem conflitos. Qual se parece mais com você?

Com atenção 
O bom ouvinte sabe que nos beneficiamos imensamente do encorajamento para elaborar, entrar em detalhes, ir um pouco além. Precisamos de alguém que, em vez de retrucar, simplesmente diga uma rara palavra mágica: “Continue…”.  Quem é legal de uma forma atenciosa é movido por um desejo de entender adequadamente as pessoas, cavar um pouco mais fundo e conhecer melhor o outro. Ele para enquanto o outro fala, faz comentários de apoio, gestos suaves e positivos: um suspiro de solidariedade, um balanço encorajador com a cabeça. Tudo isso para que nós, que falamos, possamos nos sentir acolhidos e entendidos.

 De uma forma aberta
Há determinadas pessoas que são capazes de desconsiderar a nossa essência logo de cara – as quais generosamente chamamos de “mente-aberta”. Elas pressupõem que ser humano é algo confuso e imoral e que qualquer pessoa que encontrem provavelmente carregará em si aspectos longe de ideais, estando às vezes à beira da loucura. Ser legal de uma maneira aberta significa deixar o julgamento de lado e não ter medo do que está dentro da alma do outro. É algo motivado por um desejo de ver o lado bom das pessoas, independentemente das circunstâncias em que encontremos essa bondade.

Com educação 
Por mais que amem a verdade, boas pessoas têm um compromisso ainda maior com outra coisa: ser gentis com as outras. Entendem (e permitem) a facilidade com que uma verdade pode produzir convicções nada úteis na mente dos outros e, portanto, não estão excessivamente comprometidas com a precisão em cada aspecto. Ser legal de uma forma educada é algo motivado por um desejo de proteger o sentimento do outro. É entender que querer o melhor para as outras pessoas às vezes exige que as protejamos com a educação, escolhendo nossas palavras com cuidado para não perturbá-las nem causar preocupação desnecessária.

Com acolhimento 

A pessoa acolhedora pode não ter uma teoria explícita sobre o que está fazendo, mas a raiz de sua conduta se baseia em uma compreensão de que não importa o quão sólido e digno alguém pareça ser por fora, nos bastidores inevitavelmente haverá um lado seu em dificuldade, possivelmente sem jeito, facilmente desconcertado, rodeado por apetites físicos, à beira da solidão – e frequentemente precisando de nada mais sutil ou elevado do que um pequeno elogio. Ser legal de uma forma acolhedora significa que você deseja profundamente que os outros se sintam aceitos – apreciados e valorizados independentemente de seus defeitos ou peculiaridades.

De uma forma tímida 

A timidez está enraizada na discrição e no silêncio, mas também tem dimensões profundas. É preenchida por uma consciência de que podemos estar incomodando alguém com nossa presença, baseada em uma noção aguda de que um estranho pode ficar insatisfeito ou incomodado conosco. A pessoa tímida é comoventemente atenta aos perigos de ser uma perturbação. Ser tímido frequentemente significa que você não quer incomodar ninguém. Você fica preocupado com o conforto dos outros e, assim, prefere ficar fora das coisas em vez de assumir o risco de não ser bem-vindo.

Não queremos ser legais

Nossa noção do que é ser legal pode parecer pessoal, mas tem uma longa história, trazendo o sedimento de pelo menos quatro grandes correntes culturais que vale a pena tentar entender. A primeira delas é nosso legado do cristianismo: é bonzinho, legal, mas fraco. Durante séculos, o cristianismo foi a força mais poderosa que moldou nossos horizontes intelectuais e esteve profundamente comprometido em promover a bondade no mundo. Com a melhor estética e recursos intelectuais, louvou o perdão, a caridade, a ternura e a empatia. No entanto – e infelizmente para a bondade, o ser legal com o outro –, o cristianismo não a deixou simplesmente ali. Também sugeriu que pode haver uma oposição fundamental entre ser legal e ser bem-sucedido. Pessoas bem-sucedidas não eram, como os crentes ouviam, exatamente muito legais – e pessoas legais não eram, exatamente, bem-sucedidas. Parecia que candidatos ao reino dos céus tinham uma escolha a fazer: ser legais ou ter sucesso. Com um só golpe, a dicotomia maculou profundamente o apelo da bondade a qualquer um com a mais remota chama de ambição saudável e secular no coração. O cristianismo pode ter lutado para nos incentivar a ser legais e bondosos, mas, ao conectar a bondade tão firmemente com o fracasso, criou uma permanente sensação de que essa era, essencialmente, uma qualidade de interesse sobretudo para perdedores. A segunda corrente está relacionada ao legado do romantismo: bonzinho, mas tedioso. Nos últimos 200 anos, fomos muito influenciados pelo movimento cultural conhecido como romantismo e, para os românticos, a pessoa admirável é sinônimo de alguém empolgante, intenso e criativo, volátil e espontâneo, que pode perturbar a tradição e ousar. E ser até mesmo enérgico ou rude, em nome de seguir o chamado do coração. O oposto diametral dessa figura heroica era alguém calmo e respeitável, discreto e conservador, modesto e quieto – em outras palavras, a pessoa tediosa. Aqui, também, parece haver uma escolha radical a fazer: impulsivo, imprevisível e brilhante ou quieto, convencional e sempre indo cedo para a cama. A terceira corrente diz respeito ao legado do capitalismo: bonzinho, mas falido. O capitalismo acrescentou a essa lista de cargos de gentileza mais uma acusação: apresentar uma interpretação do mundo como uma arena profundamente competitiva na qual todas as empresas estavam comprometidas em forjar uma batalha contínua por participação de mercado, em uma atmosfera marcada por impiedade, determinação e impaciência. Quem tinha sucesso precisava saber como destruir a concorrência, sem um pingo de emoção. Uma pessoa legal e boa, não disposta a reduzir salários ou superar um oponente, acabaria falida. A quarta e última corrente é a do erotismo: legal, mas nada sexy. Uma última, e mais pessoal, associação paira sobre a bondade. Ela diz respeito à crença de que ser legal não pode ser sexualmente desejável, porque as qualidades que nos tornam eróticos estão vinculadas à posse de lados brutais, dominadores, que brigam com a ternura e o aconchego. Mais uma vez, uma escolha esquisita se apresenta: entre o amigo agradável com quem ir ao parque e a companhia perigosa com quem desaparecer porão adentro com algemas e um chicote. Apesar de tudo isso, gostamos da bondade e dependemos dela. A questão é que as lembranças ligadas a isso foram suprimidas por uma cultura que injustamente não nos faz sentir inteligentes por aprová-la. Todas as qualidades que aprendemos a pensar como opostas a ser legal são altamente compatíveis e, às vezes, dependentes dela. Independentemente do quanto estamos comprometidos com o sucesso, durante boa parte da vida, somos criaturas vulneráveis à mercê da bondade dos outros. Só conseguimos ter sucesso porque outras pessoas, normalmente nossas mães, abriram mão de parte de sua vida para serem generosas conosco. Quanto à empolgação, essa também pode ser uma fase, como todos aqueles que deram contribuições reais para a humanidade sabem. Dias tranquilos, rotina doméstica e horários regulares para dormir são precondições necessárias para picos criativos. Não há nada mais estéril do que uma exigência para que a vida seja sempre empolgante. Por outro lado, o capitalismo pode recompensar a competição entre empresas, mas depende da colaboração dentro delas. Nenhuma companhia pode funcionar por muito tempo sem confiança e laços de afeto pessoal. Para frustração dos chefes, dinheiro não pode garantir o comprometimento necessário dos funcionários; apenas sentido e espírito de companhia garantirão. Finalmente, a excitação sexual da obscenidade só seduz adequadamente em condições de confiança. Não importa o quanto fantasiemos sobre uma noite com um conquistador impiedoso, seria alarmante encontrar um exemplo real. Precisamos saber que alguém é de fato bondoso antes de um chicote, algemas e palavras indecentes se tornarem algo interessante. Tanto do que valorizamos é, na verdade, preservado pela bondade e compatível com ela. Podemos ser legais e bem-sucedidos, legais e empolgantes, legais e ricos e legais e potentes. Ser alguém legal, bonzinho – como muitos rotulam –, é uma virtude que aguarda nossa redescoberta e nossa valorização renovada e sem conflitos.
A série Dilemas é uma parceria entre a revista vida simples e a The School of Life e traz artigos assinados por professores da chamada “Escola da Vida”. A série tem como objetivo nos ajudar a entender nossos medos mais frequentes, angústias cotidianas e dificuldades para lidar com os percalços da vida.
Alain de Botton é filósofo, escritor e ficou conhecido por aplicar conceitos filosóficos para resolver dilemas do dia a dia. É um dos idealizadores da The School of Life e autor de diversos livros sobre amor, viagens e arquitetura.

Tem gente que pede socorro fazendo silêncio 2

Que possamos enxergar mais essas dores não vistas

Fonte: imagem Pixabay

Queria deixar um recado pra vocês. Tem gente que pede socorro fazendo silêncio, sabiam?

Muitas dores são sentidas e camufladas com o silêncio das palavras. O número de pessoas com depressão que nos procuram e atendemos na clínica só cresce infelizmente.

Lentamente a pessoa depressiva diminui a produção de serotonina e de noradrenalina no cérebro, e, assim, a vida vai ficando sem graça e sem prazeres. As dores vão sendo caladas pelos que não procuram ajuda. Desse modo, não podia deixar de conversar uns minutinhos com vocês aqui sobre a temática: suicídio! Pois é, muitas vezes, é nesse momento que essa opção vem à tona com os pensamentos disfuncionais das pessoas em sofrimento.

Escutar alguém falar sobre a desvalia da vida, sobre a falta de motivação para viver e de seguir em frente, ou que quer desistir da vida, ou até mesmo o oposto disso, ou seja, um silêncio que chega, muitas vezes, a machucar os outros ao redor, são sinais de alerta! A preocupação aumenta quando o desejo de morrer está ligado à vontade de se matar.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio precisa “deixar de ser tabu”. Segundo estatísticas do órgão, tirar a própria vida já é a segunda principal causa da morte em todo o mundo para pessoas de 15 a 29 anos de idade – ainda que, estatisticamente, pessoas com mais de 70 anos sejam mais propensas a cometer suicídio. Por conseguinte 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos. Para cada caso fatal há pelo menos outras 20 tentativas fracassadas.

No Brasil, o índice de suicídios na faixa dos 15 a 29 anos é de 6,9 casos para cada 100 mil habitantes.

Todos esses dados nos deixam estarrecidos, pois são números altíssimos que, muitas vezes, ficamos paralisados com a tamanha falta de sentido de vida que tantos ainda sentem.

Que possamos enxergar mais essas dores não vistas. Que sejamos capacitados cada vez mais, como seres humanos, de julgarmos menos sobre quem se foi e quem fica. Porque tanto um como o outro precisam mesmo de ajuda e acolhimento emocional.

Convido você a refletir junto sobre a vida e a morte bem como sobre de que forma podemos ter um olhar diferenciado e acolhedor por quem tanto precisa de nós! E lembre-se sempre: tem gente que pede socorro fazendo silêncio!

Site de estudantes arrecada doações para crianças em tratamento

Plataforma “Somos Todos Heróis”, criada por alunos da USP, faz do financiamento coletivo um projeto social

Da esquerda para a direita, a equipe do Somos Todos Heróis: Marco Schaefer, Igor Marinelli e Fuad Schiavon (Crédito: Divulgação)

Raphael Concli/Jornal da USP, via Vida Simples

Com menos de um ano, Ana Clara sofreu um grave acidente de carro. Perdeu a mãe, um tio e sofreu uma grave lesão medular. Hoje ela luta para se recuperar. Além de roupas e alimentos, Ana precisa ser transferida da Santa Casa de São Carlos para outro hospital, onde possa responder melhor aos tratamentos. Ela é uma das crianças heroínas que foram atendidas pelo projeto social Somos Todos Heróis, um site de financiamento coletivo voltado a arrecadar doações para quem precisa de ajuda: seja um tratamento médico, a realização de uma cirurgia, auxílio para compra de alimentos ou materiais escolares.

Cada doação simboliza o envio de um acessório para fortalecer a criança e torná-la uma heroína ou herói. Cintos, varinhas, escudos, visão de raio laser, capas e anéis mágicos fazem parte do arsenal que pode “equipar” as crianças. Criado em 2016, o site não tem fins lucrativos e todos os valores doados são depositados via PagSeguro diretamente na conta dos responsáveis pela criança.

Linguagem atrativa

A ideia e implementação do site vem de Matheus Marchiori, aluno da Faculdade de Direito (FD) da USP, e de Igor Marinelli, estudante de Engenharia da Computação, curso oferecido em parceria pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). Amigos desde o ensino médio, ambos decidiram iniciar o Somos Todos Heróis a partir da insatisfação com outros projetos sociais de que participavam, em especial por conta da falta de doações para crianças ou instituições carentes.

A temática de super-heróis mostrou-se uma forma de alcançar diversas idades. Como conta Igor, é algo que “mexe com muitas lembranças dos adultos e, ao mesmo tempo, inspira as crianças a pensarem em ações socialmente responsáveis desde pequenas”. Em seus dez meses de existência, o site já possibilitou que cinco missões fossem cumpridas, incluindo a de Ana Clara.

A montagem das missões é feita por Igor, que vai à casa das crianças averiguar a solicitação de campanhas, procura novas crianças e faz o contato com famílias e instituições. Além dele, a equipe conta hoje com mais duas pessoas ativas: Fuad Schiavon, que cuida do design do site, e Marco Schaefer, programador e desenvolvedor, ambos também alunos de Engenharia da Computação em São Carlos. Matheus Marchiori compõe atualmente o conselho jurídico do projeto. E o time está aberto a quem quiser ajudar.

E agora, quem irá nos defender

O desenvolvimento da plataforma levou cerca de seis meses. Ainda que tenha um custo de manutenção baixo, o site conta com uma parceria com a empresa HomeHost do Rio de Janeiro, que lhe garante a hospedagem sem despesas. Porém, quando é feita uma campanha pela página do Facebook do projeto para incentivar a doação, os gastos com publicidade saem do bolso da equipe.

O site também deve receber novidades em breve. A equipe trabalha agora para gamificar mais a plataforma a fim de torná-la mais atrativa. Um sistema de conquistas está em desenvolvimento, no qual os usuários poderão subir de nível a partir de suas ações e doações e obter prêmios, como camisetas do Somos Todos Heróis.

Espiritualidade contemporânea

Nutro uma desconfiança profunda pela idolatria da vida como prosperidade eterna

Luiz Felipe Pondé

A espiritualidade está na moda. Muita gente diz que tem espiritualidade mas não tem religião. Com isso quer dizer que é legal, não é materialista, mas nada tem a ver com as barbaridades cometidas pelo cristianismo. Se tiver grana, será uma budista light. Aquele tipo de budista que frequenta templo de fim de semana e paga R$ 100 reais para lavar o chão a fim de sentir a dimensão espiritual do trabalho físico.

Poderia lavar de graça o banheiro da própria casa, mas esse banheiro não teria o mesmo valor do banheiro do mosteiro chique. Trata-se de um day temple e não day spa. Não vou entrar na questão técnica e histórica da relação entre espiritualidade e religião. Mas, sim, é possível uma pessoa cultivar uma busca de sentido na vida para além da banalidade das demandas e rotinas do cotidiano, estando ou não vinculada a alguma tradição religiosa.

O centro da busca é o reconhecimento de tensões nessa rotina que nos fazem sentir um esvaziamento de significado desta mesma rotina, sem necessariamente depender diretamente de conteúdos advindos das tradições religiosas à mão.

Mas um fato é necessário reconhecer, antes de tudo: as formas mais consistentes de busca espiritual estão associadas a temas concretos da vida e não a ET, Jedis, Thor ou bruxinhas de fim de semana.

A espiritualidade nasce da percepção de mal-estar da condição humana e da tentativa de lidar (ou superar esse mal-estar) e não apenas do deslumbramento com a série “Vikings”. Essa busca se iniciou no alto paleolítico quando o Sapiens começou a perceber que havia algo de “errado” em sua condição (sofrimento, insegurança, morte, violência e por aí vai).

Em termos contemporâneos, acho que três tópicos, entre outros possíveis, se prestam a uma inquietação espiritual. Um diretamente ligado ao mundo corporativo, mas que o transcende, outro ao avanço da longevidade, e outro mais derivado do impacto do avanço da inteligência artificial.

As grandes tradições espirituais sempre falaram de sofrimentos reais e não de modas culturais, como no caso que descrevi acima (day temple, Jedis, ET e semelhantes). Um dos temas contemporâneos mais avassaladores é a obrigação de ter sucesso e prosperar. Nesse contexto, repousar é justificado, apenas, se o repouso for causa de maior avanço.

A pessoa é chamada a ver a si mesma e a sua vida como um recurso a ser explorado e transformado em ganho de alguma espécie. Formas variadas de “coaching” apressados, assim como workshops de fim de semana “ensinam” as pessoas que timidez é pecado, insegurança é “justamente” punida com fracasso financeiro, recusa de escolher o que é “novo” é uma nova forma de doença mental.

Nesse contexto de produtividade opressiva, formas falsas de espiritualidade associadas ao mundo corporativo ou do trabalho crescem como um discurso que daria ao imperativo do trabalhar 24 horas por dia (24/7, como dizem os americanos) uma aura de movimento quântico em direção ao sucesso eterno.

Por isso, qualquer espiritualidade contemporânea deve olhar de forma desconfiada para essas tentativas de associar o sucesso ao universo espiritual. Ou a ideia de que produtividade e eficácia implicam uma melhor gestão do karma.

Se a espiritualidade toca em temas “negativos”, ou seja, nas contradições que somos obrigados a enfrentar na vida, ela não poder ser infantil como essas formas de idolatria do sucesso. Nutro uma desconfiança profunda por quem, o tempo todo, vê a vida como uma empreitada para a prosperidade.

Talvez uma das maiores formas de prosperidade seja a longevidade. Produto de alto valor no mercado das utopias. Palestras de todos os tipos vendem a longevidade como algo que será, um dia, vendido nas prateleiras do free shop. A ideia é de que a morte será eliminada ou adiada 500 anos.

Do ponto de vista espiritual, sendo a morte um dos temas que mais despertam indagações, a (quase) eliminação dela, ou a transformação dela em “opção”, traria elementos muito significativos para as inquietações humanas. Por que optar por virar pó (morrer) quando você poderia viver pra sempre? É bom mesmo estar consciente de si para a eternidade ou por 500 anos? Temo que não. A primeira reação minha seria uma profunda melancolia e tédio.

Outro tópico avassalador é a entrada da inteligência artificial no universo humano. Aqui a experiência mais assustadora será a da humilhação cognitiva que vamos experimentar. A humilhação sempre foi um alimento espiritual poderoso.

Luiz Felipe Pondé
Escritor e ensaísta, autor de “Dez Mandamentos” e
“Marketing Existencial”. É doutor em filosofia pela USP

ESPAÇO FEMININO: História em quadrinhos conta como a vagina virou um tabu na sociedade 2

A relação da humanidade com a genitália feminina é revisitada nos quadrinhos de Liv Strömquist.

Por que a genitália feminina é um assunto tão tabu? É essa pergunta que a cartunista Liv Strömsquist tenta responder no livro “A Origem do Mundo: uma história cultural da vagina ou da vulva vs. o patriarcado” (ed. Quadrinhos na Cia, R$ 69,90). Usando a linguagem dos quadrinhos, com muita ironia, bom humor e uma extensa pesquisa histórica, ela reconta como a relação da humanidade com a vagina e a vulva mudou ao longo dos tempos.

Lendo os quadrinhos, é possível saber sobre sociedades antigas que adoravam vaginas e como alguns cientistas que, segundo Liv, “que se interessaram um pouco demais por aquilo que se costuma chamar de ‘genitália feminina'” ajudaram a transformá-las em algo vergonhoso, um assunto sobre o qual não se fala.

É uma HQ para ler sorrindo, a cada página pensando: “nossa! Então é por isso que eu quero diminuir meus grandes lábios” ou “uau! Então foi assim que o clitóris sumiu dos livros”. E, ao final, sair com o delicioso alívio de saber que está, sim, tudo ótimo com a sua vagina – o problema é a sociedade mesmo.

POR Helena Bertho
da Universa

SANTA HELENA: Prefeitura realiza “Julho Amarelo” para prevenir os riscos de hepatites virais

A Prefeitura de Santa Helena em parceria com a secretaria de Saúde do município realizam rotineiramente ações da saúde que envolvem os profissionais da área com a população que busca os mais diversos tipos de atendimentos.
Julho Amarelho como é batizado por ser o mês de conscientização das hepatites virais, trás consigo vários serviços que estão sendo oferecidos aos helenenses.
Durante todo o dia de hoje (18) está sendo realizado na Praça da Bandeira os atendimentos de Aferição da PA, Teste de Glicemia, Testes rápidos, Palestras, Orientações de saúde bucal, consultas médicas, vacinação, atendimento Nasf e muito mais.
A dedicação que as equipes de Saúde e que o Prefeito Zezildo Almeida tem com a população de Santa Helena é um feito que por alguns anos a cidade não viu.
Dedicação, trabalho e muitas pessoas sendo atendidas, quem comparece nas ações para se prevenir, sai satisfeito e claro com a saúde em dia, o que é mais importante.
Para o Prefeito Zezildo, essas ações estabelecem na cidade um elo de confiança entre poder público e população, pois os dois unidos conseguem mudar a vida de muita gente.
Prefeitura de Santa Helena- União, Trabalho e Compromisso.

Sobre a querida Hermanna que luta pela vida. 6

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Foto Facebook pessoal com a mãe Hilda.

Via Propagando

Muitos blogs noticiaram antecipadamente a morte da jovem médica radiologia Hermana da Ilha Maranhão, que teve uma parada cardiorrespiratória dentro de seu carro no estacionamento de um hospital de São Luís, sem se quer buscar a informação correta sobre o fato.

Hermana Maranhão além de médica ( trabalha em 3 hospitais) , é formada em relações internacionais e comércio exterior em São Paulo, fala fluentemente quatro idiomas,é pianista clássica e prestava serviços filantrópicos na pediatria.

Ela é muito religiosa e jamais cometeria suicídio. Todos os boatos sobre tentativas de suicídio anteriores são falsos. Hermana é casada, tem uma filha e ama a sua família ( Pai, Mãe e irmãos). 

É desrespeitoso as pessoas se aproveitarem de um momento crítico de outras pessoas, para criarem histórias fantasiosas, boatos, notícias falsas e tudo isso  para ganharem curtidas e compartilhamentos nas redes sociais.

Conforme informações da família, Hermana nunca foi depressiva, nunca usou medicamentos para emagrecer ou similares. É extremamente comprometida com o seu trabalho e tudo que se emprenhava a fazer.

Ela está viva e luta pela vida numa UTI em São Luís. O estado é delicado sim, mas para Deus nada é impossível.

A família e os amigos pedem que as pessoas orem por ela, uma menina cheia de alegria e amor, que está passando pelo pior momento de sua vida.

O Blog se solidariza com a família e os amigos e  está firme nessa corrente de oração, para que a vontade de Deus seja feita.

Com amor.

Ricardo Fonseca – Editor.

PS: Um suicida não faz isso num estacionamento de hospital.

FALÊNCIA DA SAÚDE: Cidadão desesperado denuncia morte por falta de atendimento no Macrorregional de Imperatriz 6

Um vídeo comovente chegou ao Blog do Robert Lobato e revela a falência em que se encontra o sistema de saúde do Estado do Maranhão.

Nas imagens, um cidadão denuncia a morte de quem provavelmente seria algum ente querido seu e atribui o falecimento à negligência do Macroreegional de Imperatriz em negar atendimento ao paciente.

Mais uma caso que mostra de como o “Governo de Todos Nós” é cada vez mais um “Governo de Todos Eles”.

Confira o desespero do rapaz.