BOMBEIROS-MA: O sonho do pequeno Pedro

Pedro é um garoto de apenas 4 anos, risonho, feliz e brincalhão como a maioria dos meninos de sua idade. Ele sempre foi fascinado pelos bombeiros, quando ouve a sirene do caminhão de incêndio então, corre para olhar o grande carro vermelho passar.

Pedrinho quer se tornar um bombeiro quando crescer, mas antes, precisa vencer uma importante batalha, o menino luta contra um câncer no estômago e apesar de muito pequeno para esse combate, mostrou-se um gigante ao declarar seu sonho de ser um dia, um herói.

Na última quarta-feira, 3 de outubro, Pedro completou 4 anos e pediu a seus pais que um bombeiro fosse convidado para sua festa de aniversário, o subtenente BM Elias Fonsceca, ao receber a solicitação da família, tratou de fazer algo mais, e com apoio do comandante geral do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, Cel Célio Roberto; e do comandante do Centro Tático Aréreo (CTA), coronel Ismael, organizou um verdadeiro dia de bombeiro em homenagem ao garoto.

Ao chegar nas instalações do CTA, Pedrinho estava surpreso em olhar as aeronaves de perto, em seguida, mostrou muita coragem na simulação de salvamento em altura. Mas o melhor ainda estava por vir, acompanhado de seus pais, Pedro fez um sobrevoo pela ilha de São Luís e ficou encantado com cada detalhe visto lá do alto.

De volta, ao pousar no hangar no CTA, uma equipe do Batalhão de Busca e Salvamento (BBS) o recebeu com as sirenes das viaturas do Corpo de Bombeiros ligadas, o momento foi marcado por muita emoção, os militares prestaram continência ao menino e em seguida o levaram no caminhão de incêndio até a sua casa, onde participaram de sua festa de aniversário.

“Queria agradecer muito a equipe envolvida que se empenhou na realização desse sonho, isso tudo é uma forma de compensar o sofrimento que ele vem passando com o tratamento da doença, todos nós estamos lutando pela vida dele”, declarou a Sra. Lura Tuany, mãe de Pedrinho.

O dia em que viveu um pouco do seu sonho tão cedo não será esquecido pelo garoto. Os Bombeiros saíram muito satisfeitos por ganharem um novo amigo e depois de sentirem de perto a alegria presente naquele sorriso, estão certos de que Pedrinho sairá vitorioso dessa batalha.

(Fonte: Site do CBM-MA)

No dia da eleição, por favor, transe

Por Dolores

Aconteça o que acontecer neste domingo, transe. Não importa quais botões você escolheu apertar na urna, quais combinações achou ideais: transe. Se é fã do candidato A, B ou C (do D também, até mesmo do F está valendo), enfim, não importa, o que é realmente fundamental é que você faça o quê? Transe.

Porque, em tempos frenéticos, seja com desfecho de vitória ou derrota, há algo de que se esquece e, no fim das contas, é a única coisa que salva e alivia a mente do caos democrático monotemático. O sexo distrai, constrói, dá esperança, alivia. Gozar lava a alma, molha tudo, muda o foco.

Aproveite a volta da seção eleitoral, já vá tirando tudo antes mesmo de fechar a porta de casa, arranque sapatos, a calça, desabotoe o sutiã dela, vá lambendo a orelha bem lá dentro, mordendo de leve a nuca, largue o título no chão mesmo, ajoelhe, enfie o moço todo na boca, engula a menina, chafurde entre as nádegas do seu eleitor favorito e chupe tudo até não sobrar uma gota.

Esqueça, por uns bons momentos – nada de rapidinha hoje, que dia de eleição exige afinco  – que amanhã o país já amanhece diferente, que o futuro pode ou não existir, que a segunda-feira talvez tenha sol ou trevas profundas, e mergulhe nos cabelos todos do ser amado, enfiando a cara com dedicação entre os pentelhos todos com a ideia de esquecer do mundo.

Aspire os cheiros. Aja feito um animal movido a eles. De que importa qual dezena veio antes do “confirma” quando todo aquele oásis se apresenta deitado no seu colchão? Um corpo oferecido e aberto, suando em sintonia, vazando mel por todos os cantos, empesteando o ar de perfume de dobras e mucosas? Capriche, manobre, endureça o máximo que pode.

E, aconteça o que acontecer, transe. Coma com força e carinho, sente na cara de quem adora, rebole, empurre. Vamos desaprender um pouco das funções de sobrevivência, e focar na saciedade hedonista de quem não faz ideia do que vai estar do lado de fora da janela ao abri-la no dia seguinte. Sobretudo porque vai que o universo acaba? Ao menos há a certeza de que chegaremos deliciados ao buraco negro do fim do mundo.

(Fonte: Coluna “X do Sexo”, Folha de São Paulo)

O que é transtorno de ajustamento? 4

Transtorno de adaptação pode evoluir para um quadro depressivo

Soraya Rodrigues, via Vya Estelar

A nossa vida é permeada por mudanças contínuas. Quando algo muda de maneira significativa ou quando acontece algo traumático, parece que nosso mundo desmorona em mil pedaços. Sentimo-nos absortos e sem sabermos sequer por onde começar a organizar os destroços, visto que estes eventos nos reportam a um estado de sofrimento intenso e significativo. Esse sofrimento pode levar a dissociações, onde serão mobilizados recursos egoicos como meio de sobrevivência psíquica.

Transtorno de adaptação ou transtorno de ajustamento é caracterizado por sintomas depressivos e ansiosos resultantes do impacto psicológico de evento externo marcadamente estressante ou catastrófico, e que altera drasticamente a vida da pessoa, de maneira desagradável e duradoura, gerando sofrimento patológico e perturbação psíquica, emocional e funcional.

Breves considerações sobre o transtorno de adaptação ou de ajustamento:

A nossa vida é permeada por uma constante dialética que nos permite experimentar os opostos. Somos convidados a vivenciar os dois lados da moeda em nosso percurso existencial. Alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, ilusões e desencantos. Um estado não existiria sem o seu respectivo oposto; e assim vamos nos equilibrando, nos construindo e nos constituindo com nossas idiossincrasias, ou seja, o conjunto de características que são peculiares a cada indivíduo como pessoa única.

Desse modo, a interpretação e resposta comportamental a determinados eventos é, também, necessariamente personalizada.

Por outro lado, a vida é criativa e sempre apresenta mudanças. Estas necessitam de um processo adaptativo. Determinados acontecimentos tais como: um divórcio que nos coloca em uma situação de reconstrução interna e externa, um desemprego que nos tira de nossa zona de conforto, a aposentadoria que chega, trazendo geralmente a sensação de vazio e inutilidade; uma hospitalização prolongada, uma doença crônica, mudanças bruscas e não elaboradas, dentre outras podem mexer com nossos recursos emocionais, gerando estresse, acompanhados muitas vezes de desmotivação, infelicidade e alterações disfuncionais de acordo com sua gravidade e intensidade interpretativa pessoal. Entram nesse contexto, principalmente, as crises existenciais que chegam sem aviso prévio, como a morte de um ente querido, o fim de um relacionamento ou mesmo de idealizações há tanto tempo construídas e alimentadas.

Tudo que finaliza, de maneira geral, e que provoca sofrimento psíquico, necessita de uma postura adaptativa para o enfrentamento da nova realidade que se apresenta, no intuito de trazer de volta o equilíbrio, o bem-estar e a qualidade de vida perdida. Seria uma espécie de homeostase emocional.

Podemos também mencionar ganhos que podem gerar estresse, como mudança de estado civil, o nascimento de um filho, ou mesmo uma promoção, pois apesar de positivas, também estas solicitam um processo adaptativo por parte do indivíduo e podem ser também geradoras de estresse. Com relação a traumas, seja em consequência de um estresse físico ou psicossocial, novas adaptações devem ser feitas para que seja construída uma nova realidade. Assim, nossa vida muda de maneira significativa quando acontece algo traumático. Parece que nosso mundo se desmorona em mil pedaços, nos fazendo sentir absortos e sem sabermos sequer por onde começar a organizar os destroços, visto que estes eventos nos reportam a um estado de sofrimento intenso e significativo, que podem levar a dissociações, onde serão mobilizados recursos egoicos como meio de sobrevivência psíquica, onde sequer reunimos forças para recomeçar. Precisamos de um aparato neste momento critico.

De acordo com a gravidade e/ou intensidade do evento, podem surgir desequilibrios neuropsicobiológicos por conta de uma resposta física e emocional mal-adaptada. Esta nos mobiliza a uma readaptação e a um reposicionamento diante da vida, a partir de estratégias de enfrentamento eficazes, ou seja, coerentes e adequadas àquela nova realidade e suas consequências. Quando este intuito não é logrado, o organismo passa a responder aos eventos estressógenos de maneira inadaptada, surgindo, portanto, os sintomas característicos do transtorno de adaptação, com queixas emocionais e somáticas.

O sofrimento passa a se materializar no próprio corpo. Alguns traços de personalidade e fatores característicos do indivíduo contribuem para a ocorrência e agravamento do quadro adaptativo, visto que existem pessoas que são mais frágeis psicologicamente diante de eventos traumáticos e estressógenos. Sendo assim, cada pessoa possui uma maneira particular de perceber e administrar mudanças, sejam elas desagradáveis ou não.

Sendo assim, é necessário trabalhar a perda e o sofrimento psíquico para que um transtorno de adaptação não evolua para um quadro depressivo, ansioso ou misto. O trabalho preventivo é a palavra-chave quando o assunto é mudança. E já que todos estamos sujeitos a elas, sendo uma constante em nossas vidas, porque não trabalharmos as possibilidades à nossa volta, sejam elas de perdas ou ganhos? Parece redundante, mas concordo com o ditado: “melhor prevenir que remediar”.

Entenda a nomofobia: o medo irracional de ficar sem o celular

Quase dois terços da população mundial possui celular

Edson Toledo, Vya Estelar

 

Há um estudo feito pela We Are Social e Hootsuite que revela dados interessantes: entitulado de Digital in 2018 Global Overview. E saber ler estes resultados têm implicações importantes não só para as empresas, governos e sociedade em geral,mas também para os profissionais de saúde mental.

Foi Tim Berners-Lee que colocou a World Wide Web (mais conhecida pela sigla www) à disposição do público a mais de 25 anos, a Internet foi se tornando parte integrante da vida cotidiana da maior parte da população mundial.

No mundo, por exemplo, mais da metade da população mundial usa a internet. Mas não é apenas a internet que está crescendo rapidamente, é possível identificar uma série de pontos importantes neste relatório:

• Mais da metade do mundo acessa a internet e usa um smartphone;
• Quase dois terços da população mundial tem celular;
• Mais de 50% do tráfego da web mundial vem de telefones celulares;
• Aumento constante do uso de redes sociais via mobile.

Há também dados curiosos sobre o Brasil:

• 34% dos brasileiros ainda não são usuários de internet;
• Mais de 60% ainda não fazem compras online;
• 85% dos internautas acessam a internet diariamente em uma média de 9 horas;
• As maiores redes sociais do Brasil são: Youtube, Facebook e WhatsApp;
• Há mais celulares do que pessoas no Brasil.

Considerando esses números, o comportamento de crianças, adolescentes e parte dos adultos, chega-se a um cenário propício para o desenvolvimento e difusão de um novo tipo de dependência.

Pois é, e tem até nome! Trata-se da nomofobia, derivado da expressão inglesa “no mobile phone phobia”, cujo nome foi criado para definir o comportamento daqueles que se angustiam diante da impossibilidade ou incapacidade de comunicar-se pelo celular ou computador. O fato é que com as novas tecnologias e a presença dos telefones celulares em quase todos os níveis da rotina de um indivíduo, já são muitos os que desenvolvem uma relação pouco saudável com o aparelho, caindo em níveis de dependência patológicos.

A nomofobia é definida como um medo irracional de ficar sem o celular, de que se acabe o crédito, que não haja cobertura ou que acabe a bateria. Podemos incluir até o medo de sair de casa sem o aparelho. O que marca o comportamento daqueles que sofrem com esse problema é justamente a necessidade de ter o aparelho sempre perto, ao alcance da mão e da visão. Em alguns casos estar próximo do aparelho vale mais que realmente estar manipulando o celular/computador o tempo todo.

A empresa inglesa SercurEnvoy, que presta serviços móveis, apresentou os resultados de uma pesquisa onde aponta que quase 70% dos entrevistados afirmam sofrer de nomofobia. Segundo a pesquisa, as mulheres estariam mais sujeitas a desenvolver esse tipo de dependência. Outro dado que chama a atenção, é que quase 50% dos homens entrevistados afirmaram possuir dois ou mais aparelhos de celular.

Outro dado apresentado no estudo, que entrevistou jovens entre 18 e 24 anos, seriam os líderes no ranking da nomofobia. Oito de cada dez entrevistados estariam entre as vítimas desse tipo de problema.

O ponto que chama a atenção são as crianças que cada vez mais cedo começam a usar o celular. São milhões de crianças, desde a tenra idade e adolescentes com acesso livre e irrestrito. Sabe-se que o quanto mais precoce ocorrer uma dependência, mais negativas serão suas consequências físicas e psicológicas no longo prazo. Em termos comportamentais se observa nesses jovens uma falta de habilidade nos relacionamentos interpessoais, com dificuldades no estabelecimento de vínculos de amizade e/ou afetivos duradouros, conforme pesquisas publicadas sobre o tema.

Quando se pensa no impacto psicológico desse tipo de comportamento, seja na juventude ou vida adulta, é preciso considerar o enfrentamento de um quadro complexo, já que a nomofobia quase nunca aparece sozinha. O indivíduo normalmente já vem de uma situação de ansiedade, estresse ou transtornos de humor/personalidade.

Problemas físicos podem ocorrem, incluindo fadiga, patologia ocular, dores musculares, tendinites, cefaleia, distúrbios do sono e sedentarismo. Além disso, é evidente a maior propensão em se envolver em um acidente automobilístico e de sofrer quedas ao andar.

Talvez você seja nomofóbico; saiba os cinco sinais – clique aqui

Agora, se você se identificou com este post, talvez você precise de uma avaliação de um profissional de saúde mental.

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra ou psicólogo e não se caracteriza como sendo um atendimento.

Derrote um sociopata com uma única palavra

via Fãs da Psicanalise

Não é necessariamente sobre ganhar ou perder, mas, quando se trata de tentar lidar com um sociopata, encontrei uma palavra que tem o potencial de derrotá-los: Pena!

Eu sei, por definição, que os sociopatas não sentem empatia ou têm uma consciência totalmente formada, mas compartilham traços de um narcisista, então, na minha experiência, a pior coisa que você pode fazer é expressar pena por alguém que o maltrata devido ao comportamento sociopata. Quer se trate de um amigo, um parente ou namorado, na maioria das vezes ninguém quer se envolver com um sociopata, mas, se você se encontrar preso na armadilha deles, sua única salvação é ter pena deles.

Os sociopatas são habilidosos na arte da manipulação. Se você se envolver profundamente com um deles, você pode ser tão manipulado que começa a questionar sua própria sanidade. Você pode se sentir preso em sua teia de mentiras, e uma vez que eles não sentem a dor que infligem em suas vítimas, muitas vezes você pode ficar preso, lutar e se perder de si mesmo. Isso não significa necessariamente que você deve se desapontar consigo mesmo, mas, se você honestamente não puder se livrar de um sociopata, tente dizer a eles que você sente pena deles.

No passado, eu convivia com alguém que era um sociopata. Levou anos para entender o comportamento deles, e mesmo quando consegui reconhecer suas características, ainda me sentia preso. Tive que planejar minha fuga. Eu estava sempre perdendo as discussões e sofria diariamente, então tentei encontrar empatia para lidar com isso. Um dia, simplesmente entendi. Isso é triste. Este comportamento deles se origina de uma educação difícil, e minha raiva e frustração se transformaram em pena.

No entanto, eu nunca tinha dito a palavra pena para enfrentar essa pessoa. Até que, um dia, no meio de uma discussão, ela disse: “Não tenha pena de mim!” Ela ficou muito nervosa, e ali mesmo eu sabia que tinha tido uma pequena vitória. Eu não podia acreditar. O simples pensamento de alguém com pena do sociopata era demais, e isso me assustou. Por que a pena seria um gatilho?

Bem, se eu realmente olhasse sob a superfície de um sociopata, eu perceberia que eles vivem uma vida de mentiras que parecem impossíveis de destruir. Estão presos em sua própria mente e comportamento, e mesmo que tivessem vontade de querer mudar, seriam realmente capazes de mudar? Assumindo que a resposta seja não, saber disso apenas frustraria um sociopata, e que alguém tivesse pena deles por algo que eles não podem mudar claramente colocaria essa pessoa acima deles.

Então, se você é alguém preso em algum tipo de relacionamento com um sociopata, tente. Tente dizer a eles que você tem pena deles e ficará surpreso. Como eu disse, não se trata de ganhar ou perder, mas às vezes é bom vencer um sociopata. Expressar pena pelo menos desencadeia algum tipo de resposta deles, o que lhe dá um motivo para se sentir melhor.

(Link original: psychcentral)
*Traduzido e adaptado por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise

Principalmente na mulher: ‘doenças da beleza’ são reais e cruéis

Em uma sociedade tão estimulada por imagens, é possível que sejamos todos cúmplices desta construção de valores

Redação Vya Estelar

Ao passar os olhos pelos noticiários, além das negativas manchetes sobre política, crise e violência, também é possível notar muitos casos sobre erros em procedimentos estéticos, por vezes realizados por pessoas sem qualificação. E, surpreendentemente, em um mesmo telejornal convivem notícias sobre a prisão do médico Denis César Barros Furtado que realizava bioplastias em seu apartamento (o Dr. Bumbum) e, “dicas de saúde e beleza”. Estas últimas, promovendo mudanças na alimentação, treinamentos físicos intensos e cuidados embelezadores diversos em corpos esbeltos e bem torneados, com forte valorização da concepção de beleza vigente em nossa sociedade. Um curioso ciclo de estímulos, referenciais e consequências, que se repete sem muita reflexão sobre causas e efeitos.

Diante dos casos de pessoas que perderam as suas vidas, ao se submeterem a alterações estéticas em clínicas clandestinas, é necessário resistir à tentação de julgamento antecipado. As “doenças da beleza” são reais e cruéis, em especial com as mulheres. E em uma sociedade tão estimulada por imagens, é possível que sejamos todos cúmplices desta construção de valores, que para algumas pessoas, podem representar motivação convincente para justificar qualquer sacrifício.

Os Transtornos Dismórficos Corporais, ou TDC, que até podem estar relacionados a outras patologias e vivências subjetivas de cada indivíduo, em grande parte dos casos poderão ser classificados também como um transtorno obsessivo compulsivo (TOC). E mesmo que nem sempre contemplem uma rígida restrição alimentar, em muitos sintomas, revelam características similares às da bulimia e da anorexia (veja aqui), e às das não tão comentadas, porém atuais, ortorexia (saiba mais) e vigorexia (saiba mais). No TDC a preocupação com um ou mais defeitos da aparência, que podem ser sutis ou até inexistentes, causa angústia e, em muitos casos, afeta a capacidade funcional da pessoa. Ou seja, o que pode começar, por exemplo, como o hábito de verificar a silhueta no espelho e conferir um ou outro detalhe, algumas vezes ao dia, evolui para uma insatisfação tão intensa com o tamanho dos seios, que a pessoa deixa de participar em situações sociais com receio de expor a sua “deformidade”.

TDC é doença silenciosa, que começa e evolui através de pequenas “manias”, normalmente relacionadas à preocupação com saúde e beleza – atenção socialmente valorizada. Um sentimento de ansiedade pelo horário do treino na academia ou por “queimar as calorias ingeridas no jantar”, e que com o tempo, se transforma em angústia. A pessoa sofre por não dedicar ainda mais que as longas horas aos exercícios, ou à rigidez com que a dieta é empreendida, ou à recorrência com que cirurgias estéticas são realizadas, entre muitos exemplos. Quem padece de TDC precisa de auxílio médico especializado.

A aceitação social sempre será relevante para os seres humanos. Porém, na sociedade interconectada digitalmente, as palavras estão notadamente perdendo espaço para as imagens. E nesse contexto, as inocentes “selfies” adquirem função de construção identitária, e indicam a aceitação do indivíduo em seus grupos de afinidade. Aquela “vaidade imatura” começa a ganhar relevância e, por vezes, a se tornar perigosa.

Fonte: José Toufic Thomé é Médico pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Psiquiatra e Psicoterapeuta Psicodinâmico

Setembro amarelo: mês internacional de prevenção ao suicídio 2

O argumento final contra o suicídio é a própria vida

Por Karina Okajima Fukumitsu, para Vya Estelar

Que possamos agir mais e falar menos neste mês de setembro amarelo que se inicia. Que nos ocupemos em ofertar espaços de hospitalidade para que possamos construir uma morada existencial. A morada existencial não se constrói na violência e se formos violentos conosco, não aceitando o que é nosso, tornar-nos-emos transgressores de nossas existências e das nossas vidas.

Nesse sentido, julgo que o que se pretende com este artigo (veja aqui a primeira parte), é lançar um convite para a inovação do modo como estamos fazendo a prevenção ao suicídio. Em vez de falar apenas dos números e sobre o sofrimento dos envolvidos e impactados pelo suicídio, precisamos nos inserir em ações, em oferta de espaços de acolhimento e em atitudes que colocam “nossas mãos na massa” (http://karinafukumitsu.com.br/). Atualmente, dedico meu tempo para atuar tanto em escolas quanto em equipamentos de saúde pública e sinto que saí do falatório e tenho agido, ministrando cursos, orientando, informando, capacitando e conhecendo de perto as principais dificuldades envolvidas no amplo âmbito do suicídio. Passo horas a fio debruçando meus esforços para estar com os profissionais com o único objetivo de, enquanto não houver apoio das políticas públicas, encontrarmos estratégias de ações e de cuidados em saúde mental congruentes com suas necessidades.

Como nada é por acaso, enquanto escrevia este artigo, vi um post de Adriana Amaral em sua rede social, no qual estava escrito que “nossas palavras precisam estar apoiadas em ações”. Acredito ser possível a construção de uma morada existencial que consista em ser lócus, onde haja a crença de que é possível enfrentar as adversidades utilizando a característica peculiar do ser humano, que é a da transcendência, e ir além daquilo que conhecemos, descobrindo mais a respeito de nós mesmos.

A morada do processo de morrência talvez represente o “não-lugar”, que busca o resgate do equilíbrio da sanidade mental com as exigências diárias; do acolhimento do sofrimento existencial e do desrespeito para com o humano.

Que possamos agir mais e falar menos neste mês de setembro amarelo que se inicia. Que nos ocupemos em ofertar espaços de hospitalidade para que possamos construir uma morada existencial. A morada existencial não se constrói na violência e se formos violentos conosco, não aceitando o que é nosso, tornar-nos-emos transgressores de nossas existências e das nossas vidas.

A prevenção aos suicídios é prática que deve acontecer todos os dias e não somente em um mês, sobretudo por ressaltar a importância de manter a esperança de que é possível acolher o sofrimento humano. É, portanto, prática a ser inserida no dia a dia, ofertando esperança, amor e acompanhamento tête-à-tête na oferta de espaços de hospitalidade que favorecerão novas moradas existenciais.

Encerro com a importante frase de Alvarez (1999, p. 135): “Em outras palavras, o argumento final contra o suicídio é a própria vida”. Minha conduta diária está pautada em ser uma guardiã da vida que oferta amor, generosidade, cuidado e esperança. A cada tsuru (origami que significa o pássaro da esperança) presenteado ao final dos meus encontros com pessoas interessadas pelo tema, concretizo meu ensejo de que a esperança continue em nossos corações para que a vida possa valer a pena.

Referências

Alvarez, A. (1999). O deus selvagem: um estudo do suicídio. São Paulo: Companhia das Letras.
Fukumitsu, K. O. (2013). Suicídio e Luto: história de filhos sobreviventes. São Paulo: Digital Publish & Print.
Fukumitsu, K. O. (2016). A vida não é do jeito que a gente quer. São Paulo: Editora Digital Publish & Print.
Saramago, J. (1995). Ensaios sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras.

Fonte: Karina Okajima Fukumitsu é terapeuta e pós-doutora pelo Instituto de Psicologia da USP

Viva o professor Natalino Salgado! 4

São pessoas como o nosso eterno reitor da Ufma,  nosso imortal da Academia Maranhense de Letras, que ainda me motiva a acreditar que o Maranhão pode dar certo. Aliás, que o Maranhão nasceu para dar certo.

Amanheci com a vontade de falar/escrever sobre gente do bem (deixa Flávio Dino pra lá).

Aí veio em minha cabeça de imediato o professor Natalino Salgado.

Professor Natalino é uma prata da casa!

Prata da casa baixadeira, maranhense, nordestina, enfim!

Nosso professor rompeu os limites da sua cidade natal (Cururupu), do seu estado e hoje é conhecido e reconhecido nacionalmente, quiça internacionalmente!

Ex-reitor da Universidade Federal do Maranhão, aliás, o melhor reitor que a Ufma já teve, professor Natalino Salgado é uma personalidade que está acima, muito acima da pequinês política que impera no nosso estado.

Os candidatos ao governo do Maranhão sem exceção, por exemplo, deveriam ouvir o professor Natalino Salgado para saber o que o doutor pensa sobre o estado principalmente na área da saúde.

Digo “principalmente na saúde” porque é a área que o nosso mestre domina, mas pela inteligência e experiência de vida que possui, ele pode contribuir em muitos outros setores, como a educação, cultura, ciência e tecnologia etc.

Enquanto cidadão maranhense, tenho orgulho de conhecer e ser amigo do professor Natalino Salgado.

São pessoas como o nosso eterno reitor da Ufma,  nosso imortal da Academia Maranhense de Letras, que ainda me motiva a acreditar que o Maranhão pode dar certo. Aliás, que o Maranhão nasceu para dar certo.

Viva o professor Natalino Salgado!

Toda e qualquer resposta simplista sobre suicídios tem grande possibilidade de erro

Suicídios: o que ainda precisa ser dito

Redação Vya Estelar

Por Maria J. Kovács

Suicídio é tema tabu, mesmo sendo um evento presente na história da humanidade desde a Antiguidade. O ato suicida pode ser visto como liberdade, domínio, autonomia e controle. Mas ainda é frequentemente julgado e condenado, visto como fraqueza ou covardia.

Toda e qualquer resposta simplista sobre suicídios tem grande possibilidade de erro. Nos últimos anos, observamos mudança na mentalidade de que o suicídio precisa ser ocultado. Não falar sobre suicídio não diminuiu seus índices, pelo contrário, eles têm aumentado. A perspectiva atual é falar sobre o tema, trazendo números e porcentagens, quais são as pessoas em risco, diferenças de gênero e, no extremo, chega-se a falar do número de tentativas de suicídio em minutos, dias, meses ou anos.

Tão importante quanto a prevenção, é a posvenção; entenda

Os dados epidemiológicos servem como alerta e fomentam programas de intervenção. Os índices de suicídio nos convocam a prestar atenção nas pessoas ao nosso redor. Junto com programas de prevenção temos que desenvolver, em nosso meio, também programas de posvenção (termo ainda pouco conhecido no Brasil), que têm como objetivo principal cuidar do sofrimento de pessoas com ideação e tentativa de suicídio e familiares enlutados, oferecendo acolhimento e psicoterapia.

Levando-se em conta o que foi apresentado acima, vamos trazer outras questões para reflexão, agora considerando as pessoas já atingidas pelo fenômeno do suicídio, por ideação ou atos suicidas e pelos familiares que perderam pessoas queridas por esse evento. Essas pessoas necessitam de escuta, apoio, acolhimento e cuidados em longo prazo, não querem saber de números, estatísticas ou porcentagens. Precisam falar de seu sofrimento existencial.

Estatísticas apontam tendências, dados epidemiológicos, estatísticas, fundamentando programas de saúde mental. Pessoas afetadas pelo suicídio precisam de particularização, singularidade, respeito pela sua história que tem um início e que ainda não foi finalizada. Pessoas com ideação, tentativa de suicídio e familiares enlutados demandam atendimento de qualidade com profissionais capacitados, psicólogos, psiquiatras, psicoterapeutas, que possam acolher o sofrimento humano, cujo objetivo principal não deve ser evitar o suicídio a todo custo. Exemplificando, a atenção só voltada para impedir o suicídio pode restringir o sujeito, restringindo sua autonomia e liberdade.

Em casos extremos, pessoas podem ser amarradas no leito para que não realizem qualquer ação que possa colocar sua vida em risco. Essas ações podem resultar na diminuição do número de suicídios, mas o que podemos falar sobre a dor, falta de opção ou sofrimento dessa pessoa? Como profissionais de saúde mental nunca incentivaremos o suicídio, mas será que o impedir a todo custo não aumenta o sofrimento e a dor?

Temos poucas opções de cuidados contínuos em hospitais, Centros de Atenção Psicossocial e nas Unidades Básicas de Saúde. Entre as ONGS, cabe destacar o Centro de Valorização da Vida, que realiza de maneira exemplar o trabalho de atendimento em crise e o acolhimento. É fundamental que o “Setembro Amarelo”, além de programas de prevenção proponha também a contratação e capacitação de profissionais especializados para atender em continuidade pessoas em sofrimento existencial, que buscam a morte para aplacar a profunda dor psíquica que estão vivendo. Alertamos que o atendimento psicoterápico e psiquiátrico deve ser realizado por profissionais competentes e especializados e não por estagiários ou voluntários.

É preciso diferenciar acolhimento em crise realizado pelo Centro de Valorização da Vida, que é muito importante, por ser, em muitos casos, o primeiro passo para o atendimento de pessoas com ideação ou tentativa de suicídio de um atendimento especializado, como por exemplo, o atendimento psicoterápico e medicamentoso. Em muitos casos é necessário o atendimento psicológico e psiquiátrico especializado para lidar com a difícil tarefa de compreender emoções intensas, a ambivalência entre o desejo de viver e morrer, ampliar a visão estreita que considera a morte como única solução para o sofrimento. Sentir-se aceito, compreendido e não julgado, ter o sofrimento respeitado podem ser caminhos importantes para pessoas encontrarem sentido para continuar vivendo.

Fonte: Maria J. Kovács é professora do Depto. de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade do Instituto de Psicologia da USP