ESPAÇO FEMININO: História em quadrinhos conta como a vagina virou um tabu na sociedade

A relação da humanidade com a genitália feminina é revisitada nos quadrinhos de Liv Strömquist.

Por que a genitália feminina é um assunto tão tabu? É essa pergunta que a cartunista Liv Strömsquist tenta responder no livro “A Origem do Mundo: uma história cultural da vagina ou da vulva vs. o patriarcado” (ed. Quadrinhos na Cia, R$ 69,90). Usando a linguagem dos quadrinhos, com muita ironia, bom humor e uma extensa pesquisa histórica, ela reconta como a relação da humanidade com a vagina e a vulva mudou ao longo dos tempos.

Lendo os quadrinhos, é possível saber sobre sociedades antigas que adoravam vaginas e como alguns cientistas que, segundo Liv, “que se interessaram um pouco demais por aquilo que se costuma chamar de ‘genitália feminina'” ajudaram a transformá-las em algo vergonhoso, um assunto sobre o qual não se fala.

É uma HQ para ler sorrindo, a cada página pensando: “nossa! Então é por isso que eu quero diminuir meus grandes lábios” ou “uau! Então foi assim que o clitóris sumiu dos livros”. E, ao final, sair com o delicioso alívio de saber que está, sim, tudo ótimo com a sua vagina – o problema é a sociedade mesmo.

POR Helena Bertho
da Universa

A Rede Globo matou o futebol brasileiro e vai continuar matando 16

De sorte que o futebol brasileiro morreu com a Rede Globo e o seu monopólio. Ela matou a arte, matou a garra, matou a torcida, matou a qualidade da transmissão, matou a análise, matou o amor pela bola. 

Gustavo Conde*, via 247

O bom de torcer contra a seleção ‘patrioteira’ de futebol é que mais cedo ou mais tarde, ela vai cair. Daí que o choro dos adultos que ainda se prestam a esse papel – de torcer para um pool de nichos corruptos organizados que é CBF, Globo e jogadores-sonegadores – não me comove.

Prefiro torcer para meu filho, no futebolzinho do fim de semana, muito mais emocionante e visceral. Aliás, o choro das crianças com a “derrota da seleção” (ai, que drama) também não me comove. Eles não sabem pelo que devem chorar nesse momento.

Eu chorei quando o Brasil perdeu em 82 e em 86. Lembro bem. Isso faz parte do meu caráter e eu sei o quanto é bom vivenciar uma dor, mesmo que ela seja proveniente de uma fraude. É o significante, a estruturação da subjetividade e tudo isso faz parte da realidade simbólica a qual não temos acesso, mas que é fundamental para a organização do nosso desejo. Ponto.

Em 82, havia “espírito” e a seleção já adentrava o combate ao golpe daquela época. Tinha Sócrates. Um jogador politizado já seria suficiente para que eu torcesse para “esta” seleção de 2018, por exemplo. Unzinho que fosse. Um que não fosse covarde. Ou seja: minha torcida em 82 habita minha memória sem passar vergonha.

Em 86, foi bem chato ver Zico perder aquele pênalti. Eu tinha 12 anos. Sofri. Mas também não me arrependo de ter “sofrido”. Era o primeiro ano de democracia no país e a gente respirava um pouco melhor. Havia esperança, havia empolgação real, utopia, sonho, ‘latino-americanidade’ (era a Copa do México, afinal).

Em 90, foi um vexame. Uma seleção horrorosa. O brasileiro torceu de nariz tapado. A derrota para a Argentina, naquele jogada de gênio em que Maradona enfiou a bola para Caniggia, foi qualquer coisa de cinematográfico. É bom perder para quem sabe jogar bola. É a construção do caráter.

Em 94, foi aquela catarse meio besta. Uma seleção mediana que foi ganhando de 1 a 0 e chegou lá. Ganhar nos pênaltis foi super estranho. Eu comemorei meio que por obrigação. Comemoração de futebol para mim foram os títulos do São Paulo em 91 e 92, os mundiais. Ali, eu senti um pouco do que era viver o futebol como torcedor, a inteligência do jogador, do técnico etc.

A copa da França, em 1998, era para ser algo bacana. Mas eu já tinha a consciência da mediocridade que era Galvão Bueno, CBF e Rede Globo. Isso afeta sim, e muito. E, afinal, aquela copa foi um vexame. A seleção era pessimamente administrada, sofria ingerência da Globo e do marketing. Tudo já era muito podre.

E a podridão da “convulsão” de Ronaldo foi difícil de engolir, como diria Zagalo – outro partícipe domesticado de todo o imbróglio que era e é a Rede Globo “Dona da Seleção” de Televisão. A narrativa extraoficial é que Ronaldo teve um ataque nervoso ao saber que o Pedro Bial teve um affair com a namorada dele, a Suzana Werner. Mas tudo isso deve ser fofoquinha, claro.

Só sei que os 3 a 0 para a França na final foi tão bizarro como o 7 a 1 para a Alemanha. Uma vergonha. Uma vergonha, não pela derrota em si, mas pela maneira com que essa derrota foi construída, com desinformação, chantagem e ameaças de patrocinadores. A partir dessa copa, ficou difícil levar a seleção brasileira a sério.

Em 2002, eu estava na Unicamp, curtindo muito a linguística. Era paixão mesmo. Torci, vibrei, mas não lembro de nada. Ronaldo com aquele cabelinho me dava nos nervos. Lembro do gol do Ronalducho e só. Basta. Ali, o Brasil jogou solto e mereceu vencer mesmo – se bem que o nível técnico daquela copa foi péssimo; até a Alemanha era um time ruim (só tinha o goleiro que, na final, jogou mal).

2006 e 2010, já era Rede Globo demais para a cabeça. Era só intriguinha e futriquinha. Nenhum time consegue ser campeão ou empolgar assim. O jornalismo da Globo matou o futebol da seleção, com suas entrevistas mal feitas (que estressavam o grupo), sua perguntas estúpidas e suas exigências contratuais. Acompanhar a seleção era assistir a um circo sem graça (ou a uma novela sem fim).

O vexame para Alemanha, em 2014, coroou o “globismo” da seleção brasileira. Quem perdeu mesmo ali foi a Rede Globo de Televisão. Tomou um cacete de 7 a 1. Foi uma questão emocional que abalou todo o time, questão emocional inoculada pela tensão que a Globo provoca com suas exigências e suas narrativas galvão-buênicas que reverberam nos vestiários. Eu ri muito com o 7 a 1. Foi gostoso de ver (na verdade, eu queria mais).

De sorte que o futebol brasileiro morreu com a Rede Globo e o seu monopólio. Ela matou a arte, matou a garra, matou a torcida, matou a qualidade da transmissão, matou a análise, matou o amor pela bola.

Essa, meus caros leitores, é a minha história de amor com a vulga seleção brasileira de futebol que, como tudo nessa vida, acaba.

*Gustavo Conde é linguista, colunista do 247 e apresentador do Programa Pocket Show da Resistência Democrática pela TV 247

UMA LIÇÃO DE VIDA QUE VEM DA BÉLGICA: “Tenho algumas coisas a dizer” 8

Recomendo a leitura até o final do impressionante depoimento do belga Romelu Lukaku ao “The Players Tribune”, tradução de Bruno Bonsanti, do sítio “Trivela”.

Eu me lembro do momento exato em que soube que estávamos quebrados. Ainda consigo visualizar minha mãe na geladeira e o olhar no rosto dela.

Eu tinha seis anos de idade e cheguei de casa para almoçar durante o intervalo da escola. Minha mãe me dava a mesma coisa todos os dias: pão e leite. Quando você é uma criança, nem pensa sobre isso. Mas acho que era tudo que podíamos comprar.

Naquele dia, eu cheguei em casa e entrei na cozinha e vi minha mãe na geladeira com uma caixa de leite, como sempre. Mas, naquela vez, ela estava misturando algo. Ela estava balançando, sabe? Eu não entendi o que estava acontecendo.

Ela estava misturando água no leite. Não tínhamos dinheiro suficiente para o resto da semana. Estávamos quebrados.

Meu pai havia sido um jogador profissional de futebol, mas estava no fim da sua carreira e não havia mais dinheiro. A primeira coisa que perdemos foi a TV a cabo. Acabou o futebol. Acabou o Match of the Day (famoso programa esportivo britânico). Acabou o sinal.

Chegava em casa à noite e as luzes estavam apagadas. Sem eletricidade por duas, três semanas de uma vez.

Eu queria tomar banho, e não havia mais água quente. Minha mãe esquentava a chaleira no fogão, e eu ficava em pé no chuveiro jogando água quente na minha cabeça com um copo.

Houve ocasiões em que minha mãe precisava pedir pão “emprestado” da padaria no fim da rua. Os padeiros nos conheciam, eu e meu irmãozinho, então deixavam que ela pegasse uma fatia de pão na segunda-feira e pagar apenas na sexta.

Eu sabia que tínhamos problemas. Mas, quando ela estava misturando água no leite, eu percebi que já era, sabe? Essa era nossa vida.

Eu não disse uma palavra. Não queria estressá-la. Eu apenas comi meu almoço. Mas eu juro por Deus, eu fiz uma promessa a mim mesmo naquele dia. Era como se alguém tivesse estalado os dedos e me acordado. Eu sabia exatamente o que fazer.

Eu não podia ver minha mãe vivendo daquele jeito. Não, não, não. Eu não aceitaria aquilo.

As pessoas no futebol amam falar sobre força mental. Bom, eu sou o cara mais forte que você vai conhecer. Porque eu me lembro de me sentar no escuro com meu irmão e minha mãe, rezando, e pensando, acreditando, sabendo… que um dia aconteceria.

Não contei minha promessa para ninguém por um tempo. Mas, alguns dias, eu chegava em casa da escola e encontrava minha mãe chorando. Então, eu finalmente a disse um dia: “Mãe, tudo vai mudar. Você vai ver. Eu vou jogar futebol pelo Anderlecht e vai acontecer rápido. Vamos ficar bem. Você não precisará mais se preocupar”.

Eu tinha seis anos. 

Eu perguntei para o meu pai: “Quando eu posso começar a jogar futebol profissional?”

Ele disse: “Dezesseis anos”

Eu disse: “Ok, dezesseis anos, então”.

Aconteceria. Ponto final.

Deixa eu dizer uma coisa – todo jogo que eu já disputei foi uma final. Quando eu jogava no parque, era uma final. Quando eu jogava no recreio do jardim de infância, era uma final. Eu estou falando sério para caralho. Eu tentava rasgar a bola todas as vezes que eu chutava. Força total. Não estava chutando com o R1, brother. Não era chute colocado. Eu não tinha o novo Fifa. Eu não tinha um Playstation. Eu não estava brincando. Eu estava tentando te matar.

Quando eu comecei a ficar mais alto, alguns dos professores e pais começaram a me estressar. Eu nunca vou esquecer a primeira vez que ouvi um dos adultos dizer: “Ei, quantos anos você tem? Que ano você nasceu?”

E eu fiquei, tipo, o quê? Tá falando sério?

Quando eu tinha 11 anos, eu jogava pela base do Lièrse, e um dos pais do outro time literalmente tentou me impedir de entrar no gramado. Ele disse: “Quantos anos tem essa criança? Onde está o documento dela? Da onde ela veio?”

Eu pensei: “Da onde eu vim? O quê? Eu nasci na Antuérpia. Eu vim da Bélgica”.

Meu pai não estava lá porque ele não tinha carro para me levar aos jogos for a de casa. Eu estava completamente sozinho e precisava me impor. Eu fui pegar meu documento, na minha mala, e mostrei para todos os pais, e eles o passaram de mão em mão, inspecionando, e eu lembro do sangue me subindo à cabeça… e pensei: “Oh, eu vou matar o seu filho mais ainda agora. Eu já ia matá-lo, mas, agora, eu vou destruí-lo. Você vai levar seu filho para casa chorando agora”.

Eu queria ser o melhor jogador de futebol da história da Bélgica. Era esse meu objetivo. Não apenas bom. Não apenas ótimo. O melhor. Eu jogava com muita raiva por causa de muitas coisas… por causa dos ratos que viviam no nosso apartamento…. porque eu não podia assistir à Champions League… pela maneira como os outros pais olhavam para mim.

Eu estava em uma missão.

Quando eu tinha 12 anos, eu marquei 76 gols em 34 partidas.

Eu marquei todos eles usando as chuteiras do meu pai. Quando nossos pés ficaram do mesmo tamanho, nós as compartilhávamos.

Um dia, eu liguei para o meu avô – o pai da minha mãe. Ele era uma das pessoas mais importantes da minha vida. Ele era minha conexão com a República Democrática do Congo, da onde minha mãe e meu pai vieram. Então, eu estava no telefone com ele um dia, e eu disse: “Estou indo bem. Eu fiz 76 gols e ganhamos a liga. Os grandes times estão começando a me notar”.

E geralmente ele queria ouvir sobre os meus jogos. Mas, naquela vez, estava estranho. Ele disse: “Yeah, Rom, yeah, isso é ótimo. Mas você pode me fazer um favor?”

Eu disse: “Sim, qual?”

Ele disse: “Você pode cuidar da minha filha, por favor?”

Eu me lembro de ter ficado confuso. Sobre o que o vovô estava falando?

Eu disse: “A mamãe? Sim, estamos bem. Estamos ok”.

Ele disse: “Não. Você tem que me prometer. Você pode me prometer? Cuide da minha filha. Apenas cuide dela para mim. Ok?”

Eu disse: “Sim, vovô. Entendi. Eu prometo”.

Cinco dias depois, ele morreu. E, então, eu entendi o que ele queria dizer.

Eu fico muito triste pensando nisso porque eu gostaria que ele tivesse ficado vivo mais quatro anos para me ver jogar pelo Anderlecht. Para ver que eu cumpri minha promessa, sabe? Para ver que tudo ficaria bem.

Eu disse para minha mãe que eu conseguiria chegar lá quando tivesse 16 anos.

Eu errei por 11 dias.

24 de maio de 2009.

A final do playoff. Anderlecht versus Standard Liège.

Aquele foi o dia mais doido da minha vida. Mas precisamos retroceder um pouco. Porque no começo da temporada, eu mal estava jogando pelo sub-19 do Anderlecht. O treinador me colocou na reserva. E eu pensava: “Como vou conseguir um contrato profissional no meu 16º aniversário se ainda estou no banco pelo sub-19?”.

Então, fiz uma aposta com o treinador.

Eu disse para ele: “Eu garanto algo a você. Se você me colocar para jogar, eu vou fazer 25 gols até dezembro”.

Ele riu. Ele literalmente riu da minha cara.

Eu disse: “Vamos fazer uma aposta”.

Ele disse: “Ok, mas se você não fizer 25 gols até dezembro, você vai para o banco de reservas”.

Eu disse: “Certo, mas, se eu vencer, você vai limpar todas as minivans que levam os jogadores para casa depois do treino”.

Ele disse: “Ok, fechado”.

Eu disse: “E mais uma coisa. Você tem que fazer panqueca para nós todos os dias”.

Ele disse: “Ok, certo”.

Foi a aposta mais estúpida que o homem já fez.

Eu tinha 25 gols em novembro. Estávamos comendo panqueca antes do Natal, bro. Que sirva de lição.

Você não mexe com um garoto que está com fome.

Eu assinei contrato professional com o Anderlecht no meu aniversário, 13 de maio. Fui direto comprar o novo Fifa e um pacote de TV a cabo. Já era o fim da temporada, então estava em casa relaxando. Mas a liga belga estava doida naquele ano, porque Anderlecht e Standard Liège terminaram empatados em pontos. Então, haveria um playoff de duas partidas para decidir o título.

Durante o jogo de ida, eu estava em casa assistindo à TV como um torcedor.

Então, no dia anterior ao jogo de volta, eu recebi uma ligação do técnico dos reservas.

“Alô?” “Alô, Rom. O que você está fazendo?”

“Saindo para jogar bola no parque”.

“Não, não, não, não, não. Faça suas malas. Agora mesmo”.

“Por quê? O que eu fiz?”

“Não, não, não. Você precisa sair para o estádio agora. O time principal pediu por você”.

“Yo….o quê? Eu?!”

“Sim. Você. Venha. Agora”.

Eu literalmente corri para o quarto do meu pai.

“YO! Levanta, porra. Precisamos correr, cara!”. “Huh? O quê? Pra onde?”.

“ANDERLECHT, CARA”.

Eu nunca vou esquecer. Eu cheguei ao estádio e praticamente corri para o vestiário. O roupeiro disse: “Ok, garoto, que número você quer?”.

E eu disse: “Me dá a 10”.

Hahahahahaha sei lá, eu era muito jovem para ter medo, acho.

E ele: “Jogadores da base usam números acima do 30.

Eu disse: “Ok, bem, três mais seis é igual a nove, e esse é um número legal, então me dá a 36”.

Naquela noite, no hotel, os jogadores adultos me fizeram cantar uma música para eles no jantar. Eu nem me lembro qual escolhi. Minha cabeça estava girando.

Na manhã seguinte, meu amigo literalmente bateu na porta da minha casa para ver se eu queria jogar futebol e minha mãe disse: “Ele saiu para jogar”.

Meu amigo: “Jogar onde?”

Ela disse: “Na final”.

Saímos do ônibus no estádio, e cada jogador estava usando um terno legal. Menos eu. Eu saí do ônibus usando um terrível agasalho e todas as câmeras de TV estavam na minha cara. A caminhada para o vestiário foi de talvez 300 metros. Talvez uma caminhada de três minutos. Assim que coloquei meu pé no vestiário, meu telefone começou a explodir. Todo mundo havia me visto na televisão. Eu recebi 25 mensagens em três minutos. Meus amigos estavam ficando loucos.

“Bro?! Por que você está no jogo?!”

“Rom, o que está acontecendo? POR QUE VOCÊ ESTÁ NA TV?”.

A única pessoa que respondi foi meu melhor amigo. Eu disse: “Brother, eu não sei se vou jogar. Eu não sei o que está acontecendo. Mas continua vendo TV”.

Aos 18 minutos do segundo tempo, o treinador me colocou em campo.

Eu corri no gramado pelo Anderlecht aos 16 anos e 11 dias.

Perdemos a final naquele dia, mas eu já estava no céu. Eu cumpri a promessa para a minha mãe e para meu avô. Aquele foi o momento em que eu soube que ficaríamos bem.

Na temporada seguinte, eu ainda terminava o meu último ano do colégio e jogava na Liga Europa ao mesmo tempo. Eu precisava levar uma grande mochila para o colégio para poder pegar um voo no fim da tarde. Vencemos a liga com folga. Foi…uma loucura!.

Eu realmente esperava que tudo isso acontecesse, mas talvez não tão rápido. De repente, a imprensa estava crescendo em torno de mim, e colocando todas essas expectativas nas minhas costas. Especialmente com a seleção nacional. Por algum motivo, eu não estava jogando bem pela Bélgica. Não estava funcionando.

Mas, yo – pera lá. Eu tinha 17 anos! 18! 19!

Quando as coisas corriam bem, eu lia os artigos de jornal e eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga.

Quando as coisas não corriam bem, eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga descendente de congoleses.

Se você não gosta do jeito como jogo, tudo bem. Mas eu nasci aqui. Eu cresci na Antuérpia, em Liège e em Bruxelas. Eu sonhava em jogar pelo Anderlecht. Eu sonhava em ser Vincent Kompany. Eu começava uma frase em francês e terminava em holandês, e colocava um pouco de espanhol e português ou lingala, dependendo do bairro em que eu estivesse.

Eu sou belga. Somos todos belgas. É isso que faz este país legal, certo?

Eu não sei por que algumas pessoas do meu próprio país querem que eu fracasse. Eu realmente não entendo. Quando fui para o Chelsea e não estava jogando, eu os ouvi dando risada de mim. Quando fui emprestado para o West Brom, eu os ouvi dando risada de mim.

Mas tudo bem. Essas pessoas não estavam comigo quando colocávamos água no nosso cereal. Se vocês não estavam comigo quando eu não tinha nada, vocês realmente não podem me entender.

Sabe o que é engraçado? Eu perdi dez anos de Champions League quando era criança. A gente não podia pagar. Eu chegava à escola e todas as crianças estavam falando sobre a final e eu não sabia o que havia acontecido. Eu me lembro de 2002, quando o Real Madrid jogou contra o Bayer Leverkusen, e todo mundo falava “aquele voleio! Meu Deus, aquele voleio!”.

E eu tinha que fingir que sabia do que estavam falando.

Duas semanas depois, estávamos sentados na aula de computação, e um dos meus amigos baixou o vídeo da internet, e eu finalmente vi Zidane mandar aquela bola no ângulo com a perna esquerda.

Naquele verão, eu fui para minha casa para assistir ao Ronaldo Fenômeno na final da Copa do Mundo. A história de todo o resto daquele torneio eu ouvi das crianças da escola.

Eu lembro que eu tinha buracos nos meus sapatos em 2002. Grandes buracos.

Doze anos depois, eu estava jogando a Copa do Mundo.

Agora, estou prestes a jogar outra Copa do Mundo e meu irmão está comigo desta vez (o texto foi provavelmente escrito antes da convocação final porque Jordan Lukaku, irmão de Romelu, estava na pré-convocação, mas não chegou à lista final). Duas crianças da mesma casa, da mesma situação, que deram certo. Sabe de uma coisa? Eu vou me lembrar de me divertir dessa vez. A vida é curta demais para estresse e drama. As pessoas podem dizer o que quiserem sobre nosso time, sobre mim.

Cara, escuta – quando éramos crianças, não podíamos pagar para ver Thierry Henry no Match of the Day! Agora, estamos aprendendo com ele todos os dias no time nacional (Henry é auxiliar de Roberto Martínez, técnico da Bélgica). Estou junto com a lenda, em carne e osso, e ele está me dizendo tudo sobre como atacar os espaços como ele costumava fazer. Thierry deve ser o único cara no mundo que vê mais jogos do que eu. Nós debatemos tudo. Estamos sentados e tendo debates sobre a segunda divisão da Alemanha.

“Thierry, você viu o esquema do Fortuna Düsseldorf?”

Ele: “Não seja tonto. Claro que vi”.

Isso é a coisa mais legal do mundo para mim.

Eu apenas realmente, realmente gostaria que meu avô estivesse vivo para ver isso.

Não estou falando da Premier League.

Nem do Manchester United.

Nem da Champions League.

Nem da Copa do Mundo.

Não é disso que estou falando. Eu apenas queria que ele estivesse vivo para ver a vida que temos agora. Eu gostaria de ter mais uma conversa com ele por telefone, para poder dizer para ele…

“Viu? Eu disse para você. Sua filha está bem. Não há mais ratos no nosso apartamento. Ninguém mais dorme no chão. Não há mais estresse. Estamos bem agora. Estamos bem.

…Eles não precisam mais checar nossos documentos. Eles conhecem nosso nome”.

Homenagem de Sarney a Cafeteira 4

Epitácio Cafeteira

por José Sarney

O tempo desfaz uma das maiores ilusões que abastece o ego político: o pensar que sobreviveremos e seremos sempre lembrados pelo que realizamos.

Mas o verdadeiro político — e como temos falsos profetas, também temos falsos políticos — é aquele que pensa sempre coletivamente, nunca de forma egoísta, extremamente individual: pensamos sempre que o que vamos fazer é em favor dos outros. Assim construímos escolas, fazemos estradas, hidrelétricas, e acreditamos, quase como se fosse uma religião, em ideias, e delas construímos nossas ilusões.

A morte de Cafeteira me faz pensar como o tempo corrói essas ilusões. Assim é com certa melancolia que o vejo desaparecer, e com ele a lembrança de tudo que realizou. Poucos políticos em nossa terra foram tão populares. Ele tinha um jeito e um modo de saber comunicar-se com o povo e estabelecer uma comunicação saborosa, que tocava a alma das pessoas.

Conheci Cafeteira, em 1961, quando eu era deputado federal. Ele trabalhava na agência do Banco do Brasil, no Congresso, e era meu interlocutor constante, que pouco a pouco foi ganhando intimidade.

Em 1962 a oposição rachou-se, e o PSP, que era o maior partido dela, não quis fazer mais a aliança das Oposições Coligadas. O objetivo era isolar-me para que, mesmo se obtivesse uma grande votação, não alcançasse a legenda necessária para reeleger-me.

Então, na ausência de políticos que quisessem compor a nossa chapa — eu, então na União Democrática Nacional e seu presidente estadual —, convidei o ex-deputado Pedro Braga, brilhante intelectual e político de grande talento; o Dr. Cesário Coimbra, do PTB, partido pequeno; e aventurei-me a convidar o Cafeteira para que também tentasse entrar na política do Maranhão. Ele aceitou.

Fomos para uma chapa de quatro candidatos, que se dizia ser de nenhuma perspectiva de qualquer vitória. Mas obtive grande votação (já então se falava em meu nome para governador), e nossa chapa, em que ninguém colocava fé, saiu não apenas com um deputado de grande votação — eu, então, com 32 mil votos, necessários para conquistar duas cadeiras; o segundo colocado foi o Pedro Braga, que obteve 3.200 votos; Cafeteira e Cesário Coimbra, suplentes.

Pedi licença algumas vezes, dando oportunidade a Cafeteira de assumir a Câmara dos Deputados. Foi numa dessas oportunidades que ele, com grande senso político, apresentou uma emenda constitucional dando autonomia a São Luís para eleger o seu prefeito, cargo para o qual ele foi eleito. Aí iniciou um caminho brilhante de prefeito, deputado federal, governador e senador. Foi assim que ele, com grande talento, exerceu sua carreira, que marcou a história política do Maranhão.

Tivemos, por essas vicissitudes da vida e da política, de muitas vezes estarmos separados, adversários duros, em partidos diferentes. Tive, entretanto, uma grande sorte, e ele também dizia a mesma coisa, de reencontrá-lo, e, depois de ser seu adversário, nós nos reaproximamos, e eu o indiquei para governador, quando era presidente da República, e nele votei. Depois novamente ficou ao nosso lado, compondo a chapa de Roseana para governadora, ele para senador.

Já então vivíamos os tempos da nossa primeira amizade, o afeto e a estima e a solidariedade que marcaram os últimos anos da sua vida.

Confesso que foi com profunda emoção que senti a sua morte. Fui o seu companheiro solidário e amigo durante a última década. Aí conheci outra faceta de sua personalidade: seu estoicismo no longo sofrimento, que acompanhei de perto. Conheci sua família, sua filha Janaína e seus netos, e uma pessoa extraordinária, que o encheu de afeto e, com sacrifício, dele zelou como um anjo, sua esposa, Isabel, exemplo dessas mulheres bíblicas.

O Maranhão perdeu um grande político. A geração das nossas lutas de oposição do tempo de Millet, Alexandre Costa, La Rocque, Neiva Moreira, Odylo Costa, filho, Manuel Gomes, Nunes Freire, Luís Rocha, Alarico Pacheco, Lino Machado, Genésio Rêgo, Clodomir Cardoso, Satu Belo e tantos outros. Era uma época diferente, em que não existia o ódio nem a perseguição. Nem era necessário mudar de calçada para não encontrar o seu opositor.

O tempo já consumiu cada um deles, e com eles aquele clima da luta que nos envolvia, criando e dissolvendo afetos, mas todos marcados pela paixão da vida pública.

A Baixada e a Praia Grande 6

por Chico Gomes*

Historicamente, o território da Baixada Maranhense foi palco de um enredo formado por brancos europeus colonizadores, negros africanos e índios nativos ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX. Nessa microrregião eram geradas riquezas oriundas da produção do algodão, da cana-de-açúcar, do arroz, da farinha de mandioca, da pecuária, do extrativismo do babaçu etc., comercializadas na Capital e destinadas ao consumo interno e à exportação para a Europa, principalmente do açúcar e do algodão.

A Baixada Maranhense contribuiu decisivamente para conduzir o Maranhão ao segundo lugar nacional na produção de algodão e uma das províncias mais prósperas do nosso país, ombreada com Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco.

A fartura proveniente da nossa região impulsionou a construção dos suntuosos casarões de até quatro pavimentos, que serviam de residência para as famílias abastadas (fazendeiros da Baixada e ricos comerciantes de São Luís) e abrigavam os pontos comerciais da Praia Grande.

As embarcações que transportavam as nossas mercadorias para a Europa, traziam, no seu retorno a São Luís, lastros de pedras de cantaria e azulejos portugueses, os quais até hoje adornam as calçadas e fachadas dos sobrados desse cenário urbano e arquitetônico que vivenciou períodos áureos de progresso e opulência.

Todo o lucro obtido com a produção e o comércio permanecia concentrado nas mãos de uma aristocracia formada por fazendeiros e grandes comerciantes da Praia Grande. Os seus filhos estudavam nas melhores escolas da Europa ou nos centros mais desenvolvidos do nosso país – a Bahia e o Rio de Janeiro.

Como em todo o Brasil, na Baixada também os escravos africanos constituíram a base de sustentação da economia colonial e imperial. Sem o auxílio de máquinas e exaurindo a força dos seus braços, com jornadas de doze a quinze horas por dia, a vida útil de trabalho de um escravo durava de dez a quinze anos. Na Cafua das Mercês, na Praia Grande, funcionava o mercado de venda dos cativos procedentes da África e que abastecia com mão de obra graciosa as fazendas da Baixada e de outras regiões do Estado.

Na segunda metade do século XIX, os negros escravizados nas fazendas da Baixada, não suportando mais o perverso regime a que foram subjugados por séculos, promoveram diversas rebeliões, segundo relatos da professora e pesquisadora Mundinha Araujo, no seu brilhante livro “A Insurreição dos Escravos em Viana – 1867”.

Após essa sublevação libertária e de resistência à opressão escravagista, irradiada por toda a Baixada, os quilombos se multiplicaram e a economia baixadeira começou a estagnar. Vinte e um anos depois, com o advento da Lei Áurea, que aboliu o regime escravocrata de 350 anos (o mais longo da história das Américas), a atividade produtiva da Baixada entrou em decadência.

O declínio econômico da Baixada provocou a ruína do faustoso comércio da Praia Grande e o abandono dos luxuosos sobrados pelos seus moradores, que se deslocaram em sua maioria para o Rio de Janeiro.

Desde a época colonial até os tempos hodiernos, São Luís sempre foi vocacionada para o mercado externo, por meio de seus portos. Nos tempos da colonização, a maioria dos artigos exportados era produzido no continente, notadamente na Baixada, daí a conclusão de que o comércio da Praia Grande floresceu e conheceu o seu apogeu por força da pujança econômica da Baixada Maranhense.

Os barcos a vela realizavam a travessia para a Capital do Estado, atracando nos armazéns e de lá retornando com as mercadorias de consumo para abastecer as fazendas e o comércio da Baixada. A decadência de uma provocou a derrocada da outra.

Com o passar dos anos, a Praia Grande passou a ser identificada como o Centro Histórico de São Luís e, em dezembro de 1997, por reconhecimento da UNESCO, foi tombada como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.

Hoje, nós baixadeiros, reconhecemos e reivindicamos que, antes de ser patrimônio da humanidade, o Centro Histórico de São Luís é o patrimônio do trabalho, do suor e do sangue do povo da Baixada Maranhense. Tributamos grande respeito e amor a São Luís, essa querida cidade que nos acolheu de braços abertos e que continua imbricada às nossas vidas e à nossa região de origem. Veneramos a Baixada, nossa terra, nossa gente, nosso gentílico baixadeiro, sua cultura, suas tradições, sua beleza esplendorosa, seus encantos, sua imponência natural espelhada nos seus rios, lagos e campos coloridos de flores e habitados por diversificadas espécies de peixes, pássaros e outros animais silvestres.

O Brasil e o Maranhão têm uma grande dívida para com a Baixada. E especialmente para com a nossa gente laboriosa, nossa nação baixadeira, que produziu riquezas no passado e foi abandonada pelo Poder Público no presente. Urge resgatarmos o nosso legado histórico para que a Baixada volte a ser o celeiro do Maranhão e o melhor lugar para se viver. Estamos na luta para suplantar esse colossal desafio e, com certeza, os “Ecos da Baixada Maranhense” serão ouvidos e hão de conquistar a mais ampla repercussão.

Chico Gomes – Ex-deputado estadual e ex-prefeito de Viana.

Porque é Natal

por Leonardo Boff

O Natal nos faz lembrar nossas origens humildes. O Filho de Deus não quis nascer num palácio com tudo o que lhe pertence em pompa e glória. Não preferiu um templo com seus ritos, incensos, velas acesas e cânticos. Sequer buscou uma casa minimamente decente. Nasceu lá onde comem os animais, numa manjedoura. Os pais eram pobres operários, do campo e da oficina, a caminho de um recenseamento imposto pelo imperador romano.

Esta cena nos remete à situação presente no país e no mundo: milhões e milhões de pobres, muitos famélicos, outros tantos milhões de crianças cujos olhos quase saltam do rosto por causa da fome e da fraqueza. A maioria morre antes de atingir 3 anos. Eles atualizam para nós a condição escolhida pelo Filho de Deus.

Ao escolher aqueles que não são socialmente e os tidos como invisíveis, o Filho de Deus nos quis passar uma mensagem: há uma dignidade divina em todos estes sofredores. Face a eles devemos mostrar solidariedade e compaixão, não como pena, mas como forma de participar de sua paixão. Sempre haverá pobres neste mundo, já o disse a Bíblia. Razão a mais para sempre retomarmos a solidariedade e a compaixão. Se alguém caminha junto, estende a mão e levanta o caído, mais ainda, se alguém se faz companheiro, quer dizer, aquele que comparte o pão, o sofrimento se torna menor e a cruz mais leve.

Quem está longe dos pobres, mesmo o cristão mais piedoso, está longe de Cristo. Cabe sempre recordar a palavra do Juiz Supremo: ”O que fizer ou deixar de fazer a estes meus meus irmãos e irmãs mais pequenos: os famintos, os sedentos, os encarcerados e os nus, foi a mim que o fez ou deixou de fazer (Mt 25,40).

O Natal é uma festa da contradição: ela nos recorda o mundo que ainda não foi humanizado porque somos cruéis e sem piedade para com aqueles penalizados pela vida. O Natal nos recorda a mesma situação vivida pelo Verbo da vida, o Filho feito carne.

Por outro lado, no Natal nos alegramos que Deus em Jesus “mostrou a sua bondade e jovialidade para conosco” (Epístola a Tito 3,4). Alegra-nos saber que Deus se fez criança que não julga nem condena ninguém. Quer apenas, como criança, ser acolhido mais que acolher, ser ajudado mais que ajudar.

Apraz-me terminar esta pequena reflexão com os versos do grande poeta português, Fernando Pessoa. Poucos disseram coisas mais belas do que ele sobre o Menino Jesus:

Ele é a Eterna Criança, o Deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda certeza
Que Ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo,
Que nunca pensamos um no outro.
Mas vivemos juntos os dois
Com um acordo íntimo,
Como a mão direita e a esquerda.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, a mais pequena.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro de tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.

E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

Depois desta beleza singela e verdadeira só me resta desejar um Feliz Natal sereno a todos dentro de nosso mundo tão conturbado.

Leonardo Boff, publicado em 19 de dezembro de 2017 em Amerindia.

Então é Natal (Mensagem do Blog do Robert Lobato)

Mais um Natal chegando. Uma data muito especial por todo o simbolismo que carrega. E também a mística.

Uma data de mistérios e cercada por crenças, paixões e devoções.

Acreditar no nascimento de Menino Jesus no dia 25 de dezembro é o que menos importa.

O fundamental é ter a fé de que o Senhor nasceu para nos salvar. Pagou com a própria vida na tentativa de fazer um mundo melhor para seus filhos viverem.

Jesus Cristo foi um revolucionário. Não no sentido vulgar do termo, mas no sentido de que realmente transformou o mundo, que nunca mais foi o mesmo depois daquela crucificação no Calvário.

As escrituras dizem que Ele voltará para buscar os “escolhidos”. É dado o livre-arbítrio para o homem crer ou não nessa profecia. Eu, particularmente, prefiro achar que Ele virá sim.

Independente da fé cada um, das escolhas religiosas ou não, o Blog do Robert Lobato deseja um feliz e abençoado Natal aos leitores, parceiros, amigos e todos que, de uma forma ou outra, ajudam a fazer o dia a dia desta página, mesmo que eventualmente discordem da sua linha editoral.

Que Deus abençoe a todos.

Natalino Salgado lança nesta terça-feira (10), biografia de Neiva Moreira na AML

A Academia Maranhense de Letras realiza uma solenidade especial na noite desta terça-feira (10) a partir das 19h, para celebrar o centenário de nascimento de Neiva Moreira. E na programação está o lançamento do livro do vice-presidente Natalino Salgado Filho – Neiva Moreira: apóstolo da liberdade.

A biografia a ser lançada por Natalino Salgado é um trabalho bem apurado e que traz pela primeira vez uma profundidade da vida e obra de Neiva Moreira. O médico fez pesquisas em São Luís e até no Rio de Janeiro, onde achou documentos do jornalista.

O lançamento do livro de Natalino Salgado faz parte da programação que comemora os 100 anos de Neiva Moreira, que está sendo realizada pelo Instituto Jackson Lago. Segundo a presidente, Clay Lago, Neiva é um importante personagem da política nacional cujas contribuições e lutas pelo povo merecem lugar de destaque em nossa história. “Temos muitos motivos para comemorar seu centenário. Neiva foi um vencedor, por isso mantemos viva sua história e sua memória”, declarou.