Coração é bicho vagabundo. Não confie nele! 2

“Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo
Em mim”

Assim cantou Caetano Veloso na música “Coração Vagabundo”.

Símbolo do amor e de tudo que é sentimento nobre, o coração é um bicho vagabundo mesmo em todos os sentidos.

Do ponto de vista fisiológico/clínico, o coração pode trair qualquer um a qualquer momento. Seja um gordo sedentário ou um jovem atlético bem cuidado, o coração pode pagar uma peça sem avisar.

Não são poucos os casos, por exemplo, de jogadores de futebol morrem em pleno campo por conta de um ataque cardíaco.

Minha mãe mesmo, aos 42 anos, dormiu e não acordou mais após um ataque fulminante no miocárdio. E olha que Dona Waldeliz era magrinha, não bebia e nem fumava, porém… Nos deixou precocemente.

Mas o coração não é só vagabundo do ponto de vista orgânico.

Ele também é ordinário do ponto de vista afetivo, naquilo mais simboliza: o amor.

Quem vai negar que um dia o seu coração não pulsou (forte) por outro e/ou outra? Quem é capaz de dizer que nunca teve o coração, se não dividido, ao menos propenso a ser dividido?

Na verdade ninguém administra com 100% de segurança o coração, nem o órgão que irriga o sangue pelo nosso corpo, muito menos o órgão metafórico que simboliza o mais nobre dos sentimento que é o amor.

De fato o coração é vagabundo.

Pode nos trair a qualquer momento.

Cuidado com ele…

O que aprendi com o Transtorno Afetivo Bipolar

Um depoimento corajoso de quem aprendeu mais sobre si mesma após descobrir o transtorno bipolar

Luciana Candido, via Vida Simples

Este é um texto egoísta, egocêntrico, autocentrado e tudo mais que tiver a ver comigo mesma. Por quê? Porque em maio completo cinco anos sem crise. Podia parar por aqui: isso já é o suficiente para eu me dar parabéns.

Tenho Transtorno Afetivo Bipolar. Até onde lembro, comecei a apresentar os sintomas aos 17 anos. Fui diagnosticada aos 23 e, desde então, não interrompi o tratamento. Exceto quando mudei para outro estado e me vi perdida, sem médico, sem terapia… Foi justamente neste momento que tive a crise mais pesada da minha vida e que achei que não tinha mais volta.

É indescritível. Eu simplesmente não entendia porque tinha de continuar viva, sentindo aquela dor toda. Não fazia sentido: por que eu tinha de continuar vivendo se não escolhi estar no mundo? Viver era exaustivo, e eu não tinha mais forças.

Em setembro de 2012, resolvi que faria uma última tentativa. Juntei o restinho de força que me sobrara e fui buscar terapia. Nunca parei de tomar a medicação, mas faltava a parte mais importante do tratamento. O problema é que não havia encontrado ninguém até então e não tinha forças para buscar ajuda.

Em setembro de 2012, arrastei-me até uma clínica e tive minha primeira sessão com a minha atual terapeuta. Dá para deduzir que os parabéns são para ela também. Foi difícil. Eu só queria um anestésico qualquer que tirasse rápido aquela dor que começava a ultrapassar o limite do humanamente suportável. Estava muito cansada, e sabia que não ia conseguir carregar aquilo por muito tempo mais. E fui levando.

No dia 13 de abril de 2013, um episódio – que de importante, hoje, só guarda o fato de ter me empurrado para fora do poço – me fez dizer chega. Foi o meu gatilho do bem. Eu vinha dando passos desde setembro, mas ainda não havia virado a chave. Precisava olhar para mim mesma e assumir o controle de tudo aquilo. Esse “tudo aquilo” era a minha vida.

Isso quer dizer que desde então tudo foi fácil e bonito? De jeito nenhum.

Menos de um ano depois, tive de passar por uma das experiências mais doloridas que já tive fora das crises: o luto de uma separação. No entanto, também tive umas das minhas melhores férias antes disso, viajei de carro até o Uruguai, me diverti muito, retornei à vida social saudável, vivi um dos momentos mais importantes da história do país, em junho de 2013, entre tantas outras coisas.

Houve momentos em que a depressão bateu à porta. As recaídas nos dão alertas, e o mais incrível foi conseguir identificar antes que a crise entrasse. As crises não têm motivos, elas têm apenas gatilhos. Quando sentia que estava rondando, dava um tempo a mim mesma, não batia de frente com a doença. Em dois ou três momentos mais críticos, precisei de licença médica. Dormia um dia inteiro, chorava, me jogava no sofá e marcava hora para levantar. E todas as vezes eu levantei. Foi bem difícil, mas valorizo cada vez que consegui sentar na cama, escovar os dentes, comer.

Mas a vida não é só depressão. Tem a mania. Tenho dificuldades para falar sobre essa parte, não sei se por constrangimento, ou por amnésia alcoólica, ou pelas duas coisas misturadas. A depressão é aquela coisa: você sofre muito, normalmente sozinho. Na mania, a gente faz coisas que depois tem vontade de morrer, mas não é de depressão, é de vergonha mesmo.

Teve muitos porres, coisas que eu disse e fiz bêbada que eu queria que tivesse um shift + del da vida. Dias sem comer, dias comendo até as paredes, compromissos assumidos não cumpridos, tagarelice, acordar de madrugada para correr, projetos mirabolantes e tantas coisas que nem lembro. Devo ter a maior coleção autoral de músicas de um verso só, livros de uma página, desenhos incompletos.

Às vezes, acordava meio Carmen Miranda: “e o mundo não se acabou!” Eu sabia que depois disso o carrinho ia descer a ladeira. Então, em vez de dizer “nunca mais faço isso”, assumia as sandices. Pedi desculpas muitas vezes, aprendi a dizer não e quase quebrei o cartão de crédito. Também aprendi algumas técnicas de investigação tentando saber o que tinha acontecido na noite anterior.

E, sem saber, eu estive com a medicação errada durante a maior parte destes cinco anos.

Tudo isso foi episódico. Não cheguei nem perto do inferno que eu já tinha experimentado.

Em outubro, mudei de psiquiatra e acertamos a medicação. Recentemente, parei de beber. Não totalmente, nem quero, mas cortei as fugas e agora bebo muito pouco. Bom, as fugas eram quase tudo. Não tenho dinheiro. Engordei. Tenho ficado muito tempo sozinha. Minha coluna está arrebentada. O remédio me dá tremores e borra a visão.

Isso tudo se torna fácil quando lembro o que deixei para trás. Não acho que estou curada. Não tem cura. Não há nenhuma garantia de que eu não vá ter uma crise no futuro, mas faço o que posso para mantê-la lá fora. Estou estudando coisas que há tempos queria e não conseguia. Estou aprendendo outro idioma. Pratico atividade física e tomo muita água.

Estou leve e feliz.

É. Acho que estou indo bem. Não sou exemplo de nada para ninguém nem pretendo ser. Sou apenas um espécime, uma amostra, num universo imenso de pessoas como eu, de que é possível não só controlar a doença, mas viver.

Hoje me questiono sobre o que define o equilíbrio. Pessoas sem transtornos são sempre equilibradas? Pessoas com transtornos, como eu, não podem desequilibrar nunca sem que isso seja associado à doença? O que é equilíbrio? É estável? Instável? Indiferente? Como disse o Trovador Solitário, “consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade”.*

Há pessoas maravilhosas ao meu redor que são importantíssimas nessa trajetória e têm um lugar especial na minha vida. Não esqueci e nunca vou esquecer. Só achei importante dar uma olhada para mim e para o que eu fiz, porque eu não quero nunca esquecer que eu tenho o controle da minha vida, aconteça o que acontecer, esteja eu com quem estiver.

*Legião Urbana, Sereníssima

Decisões conscientes

Refletir sobre nossas atitudes é entender aquilo que realmente faz sentido para cada um de nós

Paula Abreu, via Vida Simples

Certa vez, escrevi sobre como deixamos de refletir antes de tomar decisões — muitas delas importantes — na nossa vida.  Sobre como muitas pessoas têm um carro sem nunca se questionarem se realmente precisam de um. Ou como casais decidem ter filhos sem avaliar se realmente ter um filho se encaixa no estilo de vida que levam — ou pretendem levar — e no tempo livre de que dispõem. Por conta desses questionamentos, uma leitora me escreveu o seguinte: “Nossa, mas se eu for pensar a cada vez que for tomar uma decisão, não vai ser muito cansativo?”. De fato, começar a fazer escolhas conscientes pode ser um tanto cansativo no começo. Muitas coisas na vida são assim.

Pense em um bebê aprendendo a andar. Ele levanta titubeando, se segura em um móvel e, quando sente que está de pé, se empolga e solta as mãos. Dá um pequeno passo, no máximo dois, e cai. Mas, em seguida, levanta e recomeça. Centenas de vezes. Certamente é cansativo… Até o momento em que não é mais! Vai ficando mais fácil, natural, se transforma em um hábito. A mesma coisa acontece quando aprendemos a andar de bicicleta ou dirigir.

Mesmo que você nunca tenha se dado conta da incrível possibilidade de controlar a sua própria mente, isso não significa que ela nunca foi controlada. Só significa que, até o momento, um outro alguém estava no controle.

Os seus valores, as suas crenças familiares ou culturais, a forma como você se posiciona diante do trabalho ou das dificuldades, dos relacionamentos, o seu desejo de ter coisas, e até mesmo que coisas você deseja ter, tudo isso foi escolhido por você a partir do mundo externo. Se você não controla a sua mente e não escolhe conscientemente a sua vida, nem mesmo os seus desejos são realmente seus.

Para sua felicidade, mudar essa situação está nas suas mãos. A cada novo dia, você tem a oportunidade de refazer as suas escolhas. De rever os caminhos que escolheu percorrer, as coisas, as pessoas, as opiniões e as conquistas a que escolheu dar valor. E ainda os seus conceitos sobre felicidade e sucesso.

Ao fazer isso, talvez descubra que a carreira que você foi pressionado a escolher aos 17 anos não faz mais sentido hoje. Ou que o relacionamento abusivo ou fracassado que você teima em manter para agradar a família não lhe faz bem. Ou que você detesta fazer crossfit, mas treina só porque está na moda, e o que gostaria mesmo é de escalar montanhas nos finais de semana.

Além de rever as escolhas que fez no passado, pode também começar a fazer novas escolhas com mais consciência. Você mesmo. Faça isso. Defina seus desejos. E, dessa forma, descubra seus próprios valores e crenças. Reprograme a sua atitude. Escolha sua vida.

Paula Abreu é coach e autora do livro Escolha Sua Vida. Oferece meditação gratuita no acreditaemedita.com.br

Polarização da sociedade gera comportamentos coletivos irracionais marcados pelo ódio

Psicólogo social afirma que redes sociais estimulam reações em grupo pouco fundamentadas e muito apaixonadas

Redação Vya Estelar

A situação política do Brasil nos últimos anos tem resultado na polarização da sociedade e em uma crise de representatividade generalizada.

Os sentimentos disseminados de indignação e desesperança contagiam os indivíduos, que passam a se comportar de forma coletiva, muitas vezes movidos exclusivamente por suas paixões, gerando acirrados confrontos. A opinião é de Antonio Euzébios Filho, professor do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP.

O professor explica que as redes sociais e seu caráter impessoal reforçam essa tendência ao tratar de temas complexos, como é a política, de forma rasa ou mesmo através de notícias falsas.

Opiniões desenvolvidas a partir de conteúdos desse tipo tendem a fomentar um comportamento irracional dos grupos, marcado pelo ódio e pela tentativa de anulação do outro.

O assassinato da vereadora Marielle Franco, que parecia ser motivo para comoção geral, gerou sérios desgastes. O caso é um exemplo dessa tentativa de se anular não só o indivíduo, mas uma proposta política alternativa, o que, para Antonio Euzébios, representa ódio de classe, acima de tudo.

Apesar do cenário de confusão ideológica observado hoje no Brasil e no mundo, o professor insiste em que a saída para esse problema passa pela elaboração de um projeto coletivo que rompa com tudo aquilo que é negativo para o País.

O incitamento ao individualismo precisa ser combatido. É injusta a responsabilização do indivíduo por problemas derivados de um sistema falido. Sendo assim, só a coletividade e a clareza em torno de um projeto político que rompa com o que está colocado, serão capazes de fazer com que nossa democracia amadureça, finaliza.

O carnaval do Maranhão não se resume à pessoa do governador Flávio Dino 8

O comportamento do governador maranhense pode ser muito bem resumido num trecho da cantiga “Sampa”, de Caetano Veloso, que diz assim: “É que Narciso acha feio o que não é espelho”

Narcisismo é algo complicado e dependendo do nível pode ser muito perigoso, tanto para para o próprio narcisista quando pessoas próximas a ele.

Ao reclamar de forma que beira o patológico contra o fato de não aparecer na TV Mirante, afiliada da Globo, durante o carnaval, o governador Flávio Dino comete vários equívocos, todos originados na sua personalidade narcisista.

Em primeiro lugar, é estranho alguém se martirizar porque não consegue aparecer na “telinha” de uma emissora que integra um sistema de comunicação que é tratado costumeiramente de forma desrespeitosa pelo governador e o seus auxiliares mais próximos. Aliás, desrespeitos que não se limitam ao sistema em si, mas também a alguns dos seus profissionais de jornalismo.

Em segundo lugar, fica feio para um governador jovem ficar o tempo inteiro atacando o ex-presidente Sarney, um idoso de quase 90 anos, e acusando-o de ser a mente por traz do hipotético boicote da TV Mirante a sua pessoa.

Em terceiro lugar, quem acompanha os telejornais da TV Mirante sabe que houve, sim!, um registro diário do carnaval não apenas de São Luis, mas de diversas cidades do Maranhão em todas as regiões do estado.

Ocorre que para Flávio Dino só vale se durante as reportagens miranteanas o comunista aparecer tocando tambor com uma claque palaciana, sob o comando do diretor do Procon, Duarte “Shoktox” Júnior, gritando “Dino, eu te amo”. Aí não dá, né?

Esse tipo de comportamento do governador maranhense pode ser muito bem resumido num trecho da cantiga “Sampa”, de Caetano Veloso, que diz assim: “É que Narciso acha feio o que não é espelho”.

Mas nada que uma boa terapia não resolva ou animize o transtorno…

Por que as pessoas estão a cada dia menos autênticas?

Estamos perdendo nossa alma junto com a aura autêntica das belas palavras enviadas para pessoas queridas

por  Samanta Obadia, via Vya Estelar

Que a maioria das pessoas tem pouco a dizer, nós sabemos. Mas por que todos acham que devem continuar repetindo coisas que não são suas?

Nestes dois últimos eventos de 2017, Natal e Ano Novo, percebi esse fenômeno repetitivo no envio de mensagens copiadas e coladas no Messenger e no Whatsapp, de maneira absurda. Parece que todos se viram obrigados a enviar mensagens para a lista de nomes de seus contatos.

Antipática essa minha crítica, não? Pois sim. Não dá para ser simpática à ideia de que as pessoas estão cada vez mais inautênticas e idiotizadas.

Não sou contra o uso da reprodução em série de convites, avisos e informativos úteis, desde que verdadeiros. Mas mensagens de felicitações? Essas devem ser autênticas e pessoais (com exceção das corporativas e comerciais).

Digamos que você goste de enviar mensagens para muitos amigos, ora pelo menos escolha a sua, seja um verso de um poeta que lhe represente ou uma imagem que você admire. Mas receber e repassar mensagens que não lhe representam. Para quê? Para repetir o que todo mundo está fazendo. É o cúmulo da reprodução impensada. É uma repetição robotizada e sem sentido.

Como dizia sabiamente, o filósofo Walter Benjamim: “A autenticidade de uma coisa é a suma de tudo o que desde a origem nela é transmissível, desde a sua duração material ao seu testemunho histórico. Uma vez que este testemunho assenta naquela duração, na reprodução ele acaba por vacilar, quando a primeira, a autenticidade, escapa ao homem e o mesmo sucede ao segundo; ao testemunho histórico da coisa. (…) O que murcha na era da reprodutibilidade da obra de arte é a sua aura. O modo em que a percepção sensorial do homem organiza é condicionado não só naturalmente, como também historicamente”. Ou seja, estamos perdendo nossa alma junto com a aura autêntica das belas palavras enviadas para pessoas queridas.

Porque é Natal

por Leonardo Boff

O Natal nos faz lembrar nossas origens humildes. O Filho de Deus não quis nascer num palácio com tudo o que lhe pertence em pompa e glória. Não preferiu um templo com seus ritos, incensos, velas acesas e cânticos. Sequer buscou uma casa minimamente decente. Nasceu lá onde comem os animais, numa manjedoura. Os pais eram pobres operários, do campo e da oficina, a caminho de um recenseamento imposto pelo imperador romano.

Esta cena nos remete à situação presente no país e no mundo: milhões e milhões de pobres, muitos famélicos, outros tantos milhões de crianças cujos olhos quase saltam do rosto por causa da fome e da fraqueza. A maioria morre antes de atingir 3 anos. Eles atualizam para nós a condição escolhida pelo Filho de Deus.

Ao escolher aqueles que não são socialmente e os tidos como invisíveis, o Filho de Deus nos quis passar uma mensagem: há uma dignidade divina em todos estes sofredores. Face a eles devemos mostrar solidariedade e compaixão, não como pena, mas como forma de participar de sua paixão. Sempre haverá pobres neste mundo, já o disse a Bíblia. Razão a mais para sempre retomarmos a solidariedade e a compaixão. Se alguém caminha junto, estende a mão e levanta o caído, mais ainda, se alguém se faz companheiro, quer dizer, aquele que comparte o pão, o sofrimento se torna menor e a cruz mais leve.

Quem está longe dos pobres, mesmo o cristão mais piedoso, está longe de Cristo. Cabe sempre recordar a palavra do Juiz Supremo: ”O que fizer ou deixar de fazer a estes meus meus irmãos e irmãs mais pequenos: os famintos, os sedentos, os encarcerados e os nus, foi a mim que o fez ou deixou de fazer (Mt 25,40).

O Natal é uma festa da contradição: ela nos recorda o mundo que ainda não foi humanizado porque somos cruéis e sem piedade para com aqueles penalizados pela vida. O Natal nos recorda a mesma situação vivida pelo Verbo da vida, o Filho feito carne.

Por outro lado, no Natal nos alegramos que Deus em Jesus “mostrou a sua bondade e jovialidade para conosco” (Epístola a Tito 3,4). Alegra-nos saber que Deus se fez criança que não julga nem condena ninguém. Quer apenas, como criança, ser acolhido mais que acolher, ser ajudado mais que ajudar.

Apraz-me terminar esta pequena reflexão com os versos do grande poeta português, Fernando Pessoa. Poucos disseram coisas mais belas do que ele sobre o Menino Jesus:

Ele é a Eterna Criança, o Deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda certeza
Que Ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo,
Que nunca pensamos um no outro.
Mas vivemos juntos os dois
Com um acordo íntimo,
Como a mão direita e a esquerda.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, a mais pequena.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro de tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.

E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

Depois desta beleza singela e verdadeira só me resta desejar um Feliz Natal sereno a todos dentro de nosso mundo tão conturbado.

Leonardo Boff, publicado em 19 de dezembro de 2017 em Amerindia.

Então é Natal (Mensagem do Blog do Robert Lobato)

Mais um Natal chegando. Uma data muito especial por todo o simbolismo que carrega. E também a mística.

Uma data de mistérios e cercada por crenças, paixões e devoções.

Acreditar no nascimento de Menino Jesus no dia 25 de dezembro é o que menos importa.

O fundamental é ter a fé de que o Senhor nasceu para nos salvar. Pagou com a própria vida na tentativa de fazer um mundo melhor para seus filhos viverem.

Jesus Cristo foi um revolucionário. Não no sentido vulgar do termo, mas no sentido de que realmente transformou o mundo, que nunca mais foi o mesmo depois daquela crucificação no Calvário.

As escrituras dizem que Ele voltará para buscar os “escolhidos”. É dado o livre-arbítrio para o homem crer ou não nessa profecia. Eu, particularmente, prefiro achar que Ele virá sim.

Independente da fé cada um, das escolhas religiosas ou não, o Blog do Robert Lobato deseja um feliz e abençoado Natal aos leitores, parceiros, amigos e todos que, de uma forma ou outra, ajudam a fazer o dia a dia desta página, mesmo que eventualmente discordem da sua linha editoral.

Que Deus abençoe a todos.