UEMA: Salários atrasados seria culpa da “Copa” 22

Esses trabalhadores são contratados via Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (FAPEAD), uma das fundações que operam para UEMA e tida como responsável por tudo que é tipo de tarefas “administrativas” e “operacionais”

“Com os desencontros em virtude da copa não houve o repasse de dinheiro para a Uema (…) Macedo disse que a folha já ta prontinha nas mãos do reitor, mas ainda não há dinheiro para que a folha seja enviada”.

As palavras acima seriam um trecho de uma conversa em WhatsApp entre funcionários contratados da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), que estão todos com os seus salários atrasados.

O “Macedo” citado seria José Henrique Macedo, assessor da Reitoria e considerado pela fonte do Blog do Robert Lobato “um senhor mais grosso que papel de enrolar prego”.

Esses trabalhadores são contratados via Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (FAPEAD), uma das fundações que operam para UEMA e tida como responsável por tudo que é tipo de tarefas “administrativas” e “operacionais”.

Estariam ainda com os ordenados atrasados, bolsistas, estagiários, monitores, além da secretárias dos mestrados.

Talvez os responsáveis pela gestão da Universidade Estadual do Maranhão não se sensibilizem com a situação dos funcionários contratados/terceirizados porque alguns deles ganham verdadeiras fábulas através de artimanhas que juntam vários “mil reais” aqui e ali, até formar um vencimento de fazer inveja a ministros do STF – em breve o Blog do Robert Lobato vai revelar com documentos essas artimanhas.

Outro lado

Em contato com o reitor Gustavo Costa para saber sobre o porquê do atraso no vencimento dos contratados da UEMA, o magnífico esclareceu:

“Bom dia prezado, Robert, o dia do repasse é hoje dia 10/7 como sempre ocorre. De amanhã até sexta todos terão recebido. Refiro-me aos terceirizados. Quem recebe na folha já recebeu”.

É aguardar e conferir.

SANTA RITA: Prefeitura desenvolve uma série de atividades para celebrar o fim do semestre letivo

A Prefeitura de Santa Rita encerrou o semestre letivo da rede municipal de ensino na sexta-feira (6). Para celebrar a data, escolas desenvolveram uma série de atividades alusivas ao período junino e também por conta da Copa do Mundo, com belíssimas danças, apresentações culturais e comidas típicas foram oferecidas para as crianças, resgatando assim as manifestações culturais.

Além disso foi desenvolvido o Projeto Alimentação Saudável sendo na E.M Senhora Santana e tem como objetivo principal favorecer a reflexão de bons hábitos alimentares como os benefícios das frutas, verduras e legumes.  O projeto visa também ajudar as crianças a se prevenirem de diversas doenças como a hipertensão, diabetes, obesidade e etc.

Já na E.M Nauziro Silva, professores e alunos apresentaram as fábulas “A cigarra e a formiga” e também “O Leão e os ratinhos”. Momento de aprender um pouco mais através das histórias infantis.

Também teve espaço para o esporte, o Projeto Copa 2018 desenvolvido por alunos do turno vespertino do Colégio Militar Orlando Gasileu. Foram desenvolvidas atividades e mostra de comidas típicas regionais de cada país participante da Copa do Mundo. Finalizando o período letivo do primeiro semestre, os alunos resgatam as manifestações culturais de outros países através desse projeto.

O prefeito Hilton Gonçalo ficou extremamente satisfeito com o desenvolvimento das atividades, afinal uma das suas prioridades é preparar Santa Rita para o futuro através das futuras gerações.

O uso da autoridade para não admitir os próprios erros 2

A autoridade que admite e assume o seu erro não se enfraquece

Por Eduardo Carmello*, via Vya Estelar

Juízes, professores, administradores, líderes, pais e mães. Tudo ficaria bem melhor no que se refere ao relacionamento interpessoal maduro e também à produtividade no trabalho se assumissem uma postura de falibilidade (estão prontos para admitir e assumir seus próprios erros e corrigi-los, a favor da relação justa).

Mas, ao invés disso, preferem esconder os erros e incompetências, sobrepondo-os com o escudo da “autoridade”. Todo mundo viu que o juíz errou ao marcar o pênalti, que não existiu. Mas, já que ele sentenciou que o mesmo aconteceu, então não se pode voltar atrás. Como dizia José de Alencar, “Não havia meio de fazê-lo voltar atrás”.
Todo mundo sabe que o professor está desatualizado e tendencioso politicamente na matéria que ele leciona. Mas, se ousarmos atualizá-lo e evidenciar seu viés político, poderemos ser expulso da sala por desacato à autoridade ou ouvir aquela famosa frase “Quem manda nessa sala de aula sou eu”.

Conhecemos muito bem nossos administradores e líderes. Por vezes demoramos 30 minutos editando a “forma” como vamos conversar com ele sobre sua falta de habilidade em gerenciar projetos e conduzir reuniões, colocando a culpa sempre na equipe. Fazemos isso morrendo de medo dele se ofender, inflamar, de sofrer retaliação ou até de ser transferido de setor, pois “Quem é você para dizer como eu devo fazer o meu trabalho?”.

Fora os pais (eu, inclusive) que se assustam e imediatamente se irritam, quando os filhos (de 3 a 55 anos) escancaram uma verdade na nossa cara. Um erro, um mal funcionamento, uma atitude desrespeitosa, que deve ser ignorada ou relevada, pois somos “os pais”. Quantas vezes nos protegemos no nosso escudo de autoridade quando eles revelam nossas incoerências, ambiguidades e equívocos na “difícil arte de educar”.

Constato nos meus trabalhos que quando a pessoa erra e dá a “carteirada” da autoridade, muitos de nós até obedecem, para não piorar as coisas. Mas não esquecemos seus erros, diminuindo drasticamente o respeito, a confiança e a admiração que temos pela pessoa.

E, quando a mesma admite e assume seu erro, corrigindo a decisão equivocada, a ordem se restabelece, o respeito, a confiança e admiração aumentam.

A “autoridade” que admite e assume o seu erro não se enfraquece. Pelo contrário, sai mais fortalecido e respeitado por aqueles que prezam a justiça, o relacionamento maduro, a inteligência e o mérito.

*Diretor da Entheusiasmos Consultoria em Talentos Humanos, consultor e palestrante entre os 5 mais reconhecidos do país, segundo o Top of Mind de RH do jornal O Estado de S. Paulo. Autor dos livros Resiliência: a transformação como ferramenta para construir empresas de valor (2008, Editora Gente) e Supere: a arte de lidar com as adversidades (2004, Editora Gente).

UMA LIÇÃO DE VIDA QUE VEM DA BÉLGICA: “Tenho algumas coisas a dizer” 8

Recomendo a leitura até o final do impressionante depoimento do belga Romelu Lukaku ao “The Players Tribune”, tradução de Bruno Bonsanti, do sítio “Trivela”.

Eu me lembro do momento exato em que soube que estávamos quebrados. Ainda consigo visualizar minha mãe na geladeira e o olhar no rosto dela.

Eu tinha seis anos de idade e cheguei de casa para almoçar durante o intervalo da escola. Minha mãe me dava a mesma coisa todos os dias: pão e leite. Quando você é uma criança, nem pensa sobre isso. Mas acho que era tudo que podíamos comprar.

Naquele dia, eu cheguei em casa e entrei na cozinha e vi minha mãe na geladeira com uma caixa de leite, como sempre. Mas, naquela vez, ela estava misturando algo. Ela estava balançando, sabe? Eu não entendi o que estava acontecendo.

Ela estava misturando água no leite. Não tínhamos dinheiro suficiente para o resto da semana. Estávamos quebrados.

Meu pai havia sido um jogador profissional de futebol, mas estava no fim da sua carreira e não havia mais dinheiro. A primeira coisa que perdemos foi a TV a cabo. Acabou o futebol. Acabou o Match of the Day (famoso programa esportivo britânico). Acabou o sinal.

Chegava em casa à noite e as luzes estavam apagadas. Sem eletricidade por duas, três semanas de uma vez.

Eu queria tomar banho, e não havia mais água quente. Minha mãe esquentava a chaleira no fogão, e eu ficava em pé no chuveiro jogando água quente na minha cabeça com um copo.

Houve ocasiões em que minha mãe precisava pedir pão “emprestado” da padaria no fim da rua. Os padeiros nos conheciam, eu e meu irmãozinho, então deixavam que ela pegasse uma fatia de pão na segunda-feira e pagar apenas na sexta.

Eu sabia que tínhamos problemas. Mas, quando ela estava misturando água no leite, eu percebi que já era, sabe? Essa era nossa vida.

Eu não disse uma palavra. Não queria estressá-la. Eu apenas comi meu almoço. Mas eu juro por Deus, eu fiz uma promessa a mim mesmo naquele dia. Era como se alguém tivesse estalado os dedos e me acordado. Eu sabia exatamente o que fazer.

Eu não podia ver minha mãe vivendo daquele jeito. Não, não, não. Eu não aceitaria aquilo.

As pessoas no futebol amam falar sobre força mental. Bom, eu sou o cara mais forte que você vai conhecer. Porque eu me lembro de me sentar no escuro com meu irmão e minha mãe, rezando, e pensando, acreditando, sabendo… que um dia aconteceria.

Não contei minha promessa para ninguém por um tempo. Mas, alguns dias, eu chegava em casa da escola e encontrava minha mãe chorando. Então, eu finalmente a disse um dia: “Mãe, tudo vai mudar. Você vai ver. Eu vou jogar futebol pelo Anderlecht e vai acontecer rápido. Vamos ficar bem. Você não precisará mais se preocupar”.

Eu tinha seis anos. 

Eu perguntei para o meu pai: “Quando eu posso começar a jogar futebol profissional?”

Ele disse: “Dezesseis anos”

Eu disse: “Ok, dezesseis anos, então”.

Aconteceria. Ponto final.

Deixa eu dizer uma coisa – todo jogo que eu já disputei foi uma final. Quando eu jogava no parque, era uma final. Quando eu jogava no recreio do jardim de infância, era uma final. Eu estou falando sério para caralho. Eu tentava rasgar a bola todas as vezes que eu chutava. Força total. Não estava chutando com o R1, brother. Não era chute colocado. Eu não tinha o novo Fifa. Eu não tinha um Playstation. Eu não estava brincando. Eu estava tentando te matar.

Quando eu comecei a ficar mais alto, alguns dos professores e pais começaram a me estressar. Eu nunca vou esquecer a primeira vez que ouvi um dos adultos dizer: “Ei, quantos anos você tem? Que ano você nasceu?”

E eu fiquei, tipo, o quê? Tá falando sério?

Quando eu tinha 11 anos, eu jogava pela base do Lièrse, e um dos pais do outro time literalmente tentou me impedir de entrar no gramado. Ele disse: “Quantos anos tem essa criança? Onde está o documento dela? Da onde ela veio?”

Eu pensei: “Da onde eu vim? O quê? Eu nasci na Antuérpia. Eu vim da Bélgica”.

Meu pai não estava lá porque ele não tinha carro para me levar aos jogos for a de casa. Eu estava completamente sozinho e precisava me impor. Eu fui pegar meu documento, na minha mala, e mostrei para todos os pais, e eles o passaram de mão em mão, inspecionando, e eu lembro do sangue me subindo à cabeça… e pensei: “Oh, eu vou matar o seu filho mais ainda agora. Eu já ia matá-lo, mas, agora, eu vou destruí-lo. Você vai levar seu filho para casa chorando agora”.

Eu queria ser o melhor jogador de futebol da história da Bélgica. Era esse meu objetivo. Não apenas bom. Não apenas ótimo. O melhor. Eu jogava com muita raiva por causa de muitas coisas… por causa dos ratos que viviam no nosso apartamento…. porque eu não podia assistir à Champions League… pela maneira como os outros pais olhavam para mim.

Eu estava em uma missão.

Quando eu tinha 12 anos, eu marquei 76 gols em 34 partidas.

Eu marquei todos eles usando as chuteiras do meu pai. Quando nossos pés ficaram do mesmo tamanho, nós as compartilhávamos.

Um dia, eu liguei para o meu avô – o pai da minha mãe. Ele era uma das pessoas mais importantes da minha vida. Ele era minha conexão com a República Democrática do Congo, da onde minha mãe e meu pai vieram. Então, eu estava no telefone com ele um dia, e eu disse: “Estou indo bem. Eu fiz 76 gols e ganhamos a liga. Os grandes times estão começando a me notar”.

E geralmente ele queria ouvir sobre os meus jogos. Mas, naquela vez, estava estranho. Ele disse: “Yeah, Rom, yeah, isso é ótimo. Mas você pode me fazer um favor?”

Eu disse: “Sim, qual?”

Ele disse: “Você pode cuidar da minha filha, por favor?”

Eu me lembro de ter ficado confuso. Sobre o que o vovô estava falando?

Eu disse: “A mamãe? Sim, estamos bem. Estamos ok”.

Ele disse: “Não. Você tem que me prometer. Você pode me prometer? Cuide da minha filha. Apenas cuide dela para mim. Ok?”

Eu disse: “Sim, vovô. Entendi. Eu prometo”.

Cinco dias depois, ele morreu. E, então, eu entendi o que ele queria dizer.

Eu fico muito triste pensando nisso porque eu gostaria que ele tivesse ficado vivo mais quatro anos para me ver jogar pelo Anderlecht. Para ver que eu cumpri minha promessa, sabe? Para ver que tudo ficaria bem.

Eu disse para minha mãe que eu conseguiria chegar lá quando tivesse 16 anos.

Eu errei por 11 dias.

24 de maio de 2009.

A final do playoff. Anderlecht versus Standard Liège.

Aquele foi o dia mais doido da minha vida. Mas precisamos retroceder um pouco. Porque no começo da temporada, eu mal estava jogando pelo sub-19 do Anderlecht. O treinador me colocou na reserva. E eu pensava: “Como vou conseguir um contrato profissional no meu 16º aniversário se ainda estou no banco pelo sub-19?”.

Então, fiz uma aposta com o treinador.

Eu disse para ele: “Eu garanto algo a você. Se você me colocar para jogar, eu vou fazer 25 gols até dezembro”.

Ele riu. Ele literalmente riu da minha cara.

Eu disse: “Vamos fazer uma aposta”.

Ele disse: “Ok, mas se você não fizer 25 gols até dezembro, você vai para o banco de reservas”.

Eu disse: “Certo, mas, se eu vencer, você vai limpar todas as minivans que levam os jogadores para casa depois do treino”.

Ele disse: “Ok, fechado”.

Eu disse: “E mais uma coisa. Você tem que fazer panqueca para nós todos os dias”.

Ele disse: “Ok, certo”.

Foi a aposta mais estúpida que o homem já fez.

Eu tinha 25 gols em novembro. Estávamos comendo panqueca antes do Natal, bro. Que sirva de lição.

Você não mexe com um garoto que está com fome.

Eu assinei contrato professional com o Anderlecht no meu aniversário, 13 de maio. Fui direto comprar o novo Fifa e um pacote de TV a cabo. Já era o fim da temporada, então estava em casa relaxando. Mas a liga belga estava doida naquele ano, porque Anderlecht e Standard Liège terminaram empatados em pontos. Então, haveria um playoff de duas partidas para decidir o título.

Durante o jogo de ida, eu estava em casa assistindo à TV como um torcedor.

Então, no dia anterior ao jogo de volta, eu recebi uma ligação do técnico dos reservas.

“Alô?” “Alô, Rom. O que você está fazendo?”

“Saindo para jogar bola no parque”.

“Não, não, não, não, não. Faça suas malas. Agora mesmo”.

“Por quê? O que eu fiz?”

“Não, não, não. Você precisa sair para o estádio agora. O time principal pediu por você”.

“Yo….o quê? Eu?!”

“Sim. Você. Venha. Agora”.

Eu literalmente corri para o quarto do meu pai.

“YO! Levanta, porra. Precisamos correr, cara!”. “Huh? O quê? Pra onde?”.

“ANDERLECHT, CARA”.

Eu nunca vou esquecer. Eu cheguei ao estádio e praticamente corri para o vestiário. O roupeiro disse: “Ok, garoto, que número você quer?”.

E eu disse: “Me dá a 10”.

Hahahahahaha sei lá, eu era muito jovem para ter medo, acho.

E ele: “Jogadores da base usam números acima do 30.

Eu disse: “Ok, bem, três mais seis é igual a nove, e esse é um número legal, então me dá a 36”.

Naquela noite, no hotel, os jogadores adultos me fizeram cantar uma música para eles no jantar. Eu nem me lembro qual escolhi. Minha cabeça estava girando.

Na manhã seguinte, meu amigo literalmente bateu na porta da minha casa para ver se eu queria jogar futebol e minha mãe disse: “Ele saiu para jogar”.

Meu amigo: “Jogar onde?”

Ela disse: “Na final”.

Saímos do ônibus no estádio, e cada jogador estava usando um terno legal. Menos eu. Eu saí do ônibus usando um terrível agasalho e todas as câmeras de TV estavam na minha cara. A caminhada para o vestiário foi de talvez 300 metros. Talvez uma caminhada de três minutos. Assim que coloquei meu pé no vestiário, meu telefone começou a explodir. Todo mundo havia me visto na televisão. Eu recebi 25 mensagens em três minutos. Meus amigos estavam ficando loucos.

“Bro?! Por que você está no jogo?!”

“Rom, o que está acontecendo? POR QUE VOCÊ ESTÁ NA TV?”.

A única pessoa que respondi foi meu melhor amigo. Eu disse: “Brother, eu não sei se vou jogar. Eu não sei o que está acontecendo. Mas continua vendo TV”.

Aos 18 minutos do segundo tempo, o treinador me colocou em campo.

Eu corri no gramado pelo Anderlecht aos 16 anos e 11 dias.

Perdemos a final naquele dia, mas eu já estava no céu. Eu cumpri a promessa para a minha mãe e para meu avô. Aquele foi o momento em que eu soube que ficaríamos bem.

Na temporada seguinte, eu ainda terminava o meu último ano do colégio e jogava na Liga Europa ao mesmo tempo. Eu precisava levar uma grande mochila para o colégio para poder pegar um voo no fim da tarde. Vencemos a liga com folga. Foi…uma loucura!.

Eu realmente esperava que tudo isso acontecesse, mas talvez não tão rápido. De repente, a imprensa estava crescendo em torno de mim, e colocando todas essas expectativas nas minhas costas. Especialmente com a seleção nacional. Por algum motivo, eu não estava jogando bem pela Bélgica. Não estava funcionando.

Mas, yo – pera lá. Eu tinha 17 anos! 18! 19!

Quando as coisas corriam bem, eu lia os artigos de jornal e eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga.

Quando as coisas não corriam bem, eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga descendente de congoleses.

Se você não gosta do jeito como jogo, tudo bem. Mas eu nasci aqui. Eu cresci na Antuérpia, em Liège e em Bruxelas. Eu sonhava em jogar pelo Anderlecht. Eu sonhava em ser Vincent Kompany. Eu começava uma frase em francês e terminava em holandês, e colocava um pouco de espanhol e português ou lingala, dependendo do bairro em que eu estivesse.

Eu sou belga. Somos todos belgas. É isso que faz este país legal, certo?

Eu não sei por que algumas pessoas do meu próprio país querem que eu fracasse. Eu realmente não entendo. Quando fui para o Chelsea e não estava jogando, eu os ouvi dando risada de mim. Quando fui emprestado para o West Brom, eu os ouvi dando risada de mim.

Mas tudo bem. Essas pessoas não estavam comigo quando colocávamos água no nosso cereal. Se vocês não estavam comigo quando eu não tinha nada, vocês realmente não podem me entender.

Sabe o que é engraçado? Eu perdi dez anos de Champions League quando era criança. A gente não podia pagar. Eu chegava à escola e todas as crianças estavam falando sobre a final e eu não sabia o que havia acontecido. Eu me lembro de 2002, quando o Real Madrid jogou contra o Bayer Leverkusen, e todo mundo falava “aquele voleio! Meu Deus, aquele voleio!”.

E eu tinha que fingir que sabia do que estavam falando.

Duas semanas depois, estávamos sentados na aula de computação, e um dos meus amigos baixou o vídeo da internet, e eu finalmente vi Zidane mandar aquela bola no ângulo com a perna esquerda.

Naquele verão, eu fui para minha casa para assistir ao Ronaldo Fenômeno na final da Copa do Mundo. A história de todo o resto daquele torneio eu ouvi das crianças da escola.

Eu lembro que eu tinha buracos nos meus sapatos em 2002. Grandes buracos.

Doze anos depois, eu estava jogando a Copa do Mundo.

Agora, estou prestes a jogar outra Copa do Mundo e meu irmão está comigo desta vez (o texto foi provavelmente escrito antes da convocação final porque Jordan Lukaku, irmão de Romelu, estava na pré-convocação, mas não chegou à lista final). Duas crianças da mesma casa, da mesma situação, que deram certo. Sabe de uma coisa? Eu vou me lembrar de me divertir dessa vez. A vida é curta demais para estresse e drama. As pessoas podem dizer o que quiserem sobre nosso time, sobre mim.

Cara, escuta – quando éramos crianças, não podíamos pagar para ver Thierry Henry no Match of the Day! Agora, estamos aprendendo com ele todos os dias no time nacional (Henry é auxiliar de Roberto Martínez, técnico da Bélgica). Estou junto com a lenda, em carne e osso, e ele está me dizendo tudo sobre como atacar os espaços como ele costumava fazer. Thierry deve ser o único cara no mundo que vê mais jogos do que eu. Nós debatemos tudo. Estamos sentados e tendo debates sobre a segunda divisão da Alemanha.

“Thierry, você viu o esquema do Fortuna Düsseldorf?”

Ele: “Não seja tonto. Claro que vi”.

Isso é a coisa mais legal do mundo para mim.

Eu apenas realmente, realmente gostaria que meu avô estivesse vivo para ver isso.

Não estou falando da Premier League.

Nem do Manchester United.

Nem da Champions League.

Nem da Copa do Mundo.

Não é disso que estou falando. Eu apenas queria que ele estivesse vivo para ver a vida que temos agora. Eu gostaria de ter mais uma conversa com ele por telefone, para poder dizer para ele…

“Viu? Eu disse para você. Sua filha está bem. Não há mais ratos no nosso apartamento. Ninguém mais dorme no chão. Não há mais estresse. Estamos bem agora. Estamos bem.

…Eles não precisam mais checar nossos documentos. Eles conhecem nosso nome”.

Sabe o que gera engajamento? Humor

A palavra de lei do brasil é: a zoeira never ends. Seguir nesse caminho requer destreza – e não é para todas as empresas – mas pode gerar ótimos resultados

Jorge Albuquerque, Administradores.com

Se você não é bombardeado por mensagens, vídeos e gifs engraçados, inúmeras vezes ao dia, você certamente está morando fora do país e não interage conosco. Você pode até pensar que isso é novidade, coisa da geração atual e tudo mais, entretanto, ao meu ver, só está agora nos meios digitais o que o brasileiro sempre foi: uma pessoa divertida.

Essa “pegada” da comicidade está tão forte e enraizada que começou a chegar até nossas empresas. Elas agora utilizam memes, fazem referência à cultura pop e possuem informalidade na comunicação. Isso tudo, provavelmente, graças a uma percepção de dados de mercado, enxergando grande potencial nas novas formas de humor desenvolvidas pelas redes sociais.

Você acha que essas empresas fazem isso apenas por comodismo ou achar engraçado? Funcionários “normais” até que poderiam fazer por esses motivos, mas essas ações vêm da diretoria e visam apenas uma coisa: lucro. A comicidade, entretenimento e informalidade trazem engajamento dos usuários e repercussões na mídia.

Palavras como repercussão, impacto e engajamento estão sempre atreladas ao conceito de SEO, termo em inglês para Search Engine Optimization. Em português significa otimização para mecanismos de busca.

Aliado a uma tendência mundial da informalidade, downsizing, startups, jovens irreverentes, além de boa parte das maiores empresas do mundo seguirem essa linha (como Facebook, Google e Netflix), criamos um mercado, pelo menos a nível B2C, bastante dinâmico e engraçado.

Acredito que, junto ao humor, conteúdos sobre conflitos (notícias, fofocas, problemas) e celebridades (atores, atletas, blogueiros) fazem um tripé das maiores buscas, curtidas e compartilhamentos dos tempos atuais. Se existir uma notícia sobre Neymar terminar com Bruna Marquezine e uma foto engraçada, temos certamente uma vaga garantida no Google Trends.

Isso nada mais é do que as empresas surfando na onda dos conteúdos virais. Elas não estão “inventando a roda”, atrelar a imagem de produtos e/ou marcas à astros e celebridades já é uma estratégia batida. O diferente, dessa vez, são duas coisas: ver grandes varejistas, indústrias e empresas sérias “apelando” para a comicidade e a importância que o humor vem tomando à medida que a internet ganha força.

Fazer uma propaganda afirmando a qualidade do seu produto, todos seus benefícios e um preço matador pode não trazer tanto engajamento quanto uma postagem usando um clássico meme com Rodrigo Hilbert e sua perfeição.

O humor e a informalidade trazem as empresas para mais perto de seus usuários. A não ser que você esteja vendendo conteúdos para classe A++ Plus VIP, boa parte da sua comunidade vai entender as suas referências e as repercussões, se a estratégia for bem executada, será bastante positiva.

Antigamente, seriedade era sinônimo de profissionalismo. Padrões, elegância, etiqueta estava atrelado a tudo que era bom, a informalidade sempre remetia a coisas baratas, de uma qualidade normal ou ruim e, em resumo, coisa de empresa pequena. Hoje em dia, não é que houve uma inversão, mas agora propagandas engraçadas e ações de marketing são feitas por empresas bilionárias também!

Santa Helena: Programa Saúde na Escola realiza ações com crianças na zona rural

A prefeitura de Santa Helena em parceria com a Secretaria da Saúde, através do PSE (Programa Saúde na Escola)…

A prefeitura de Santa Helena em parceria com a Secretaria da Saúde, através do PSE (Programa Saúde na Escola) realizam ações sobre a saúde bucal na comunidade de São Raimundo.

A equipe de saúde levou palestras de escovação, aplicação de flúor e distribuição de escovinhas para todas as crianças da escola da comunidade. As crianças puderam tirar as dúvidas e aprender como é realizada uma escovação correta.

O Programa Saúde na Escola atua nas escolas da rede pública municipal e leva para crianças, adolescente, jovens e adultos novas oportunidades e esclarecimentos para cuidar da saúde e evitar problemas futuros.

Prefeitura de Santa Helena – União, trabalho e compromisso.

(Por Gleicy Ferreira)

SÃO JOSÉ DE Ribamar: Luis Fernando empossa novos integrantes do Conselho Municipal da Juventude e lança o Inova Jovem

O prefeito Luis Fernando Silva empossou os titulares e suplentes da gestão 2018/2020 do Conselho Municipal da Juventude. A solenidade ocorreu nesta sexta-feira (08) no Salão do Turismo e contou com a presença do vice-prefeito, Eudes Sampaio, do secretário nacional da juventude, Assis Junior, do presidente do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), Anderson Pavin, além de mais de 40 conselheiros nacionais da Juventude, que cumpriam agenda no Maranhão, incluindo o conselheiro Neilson Marques, ribamarense e também membro da equipe do Governo Municipal.

Durante a cerimônia, além de parabenizar os conselheiros e toda a juventude, o prefeito Luis Fernando lembrou a trajetória exitosa dos jovens na superação da interrupção brusca das políticas públicas para a Juventude, em decorrência da péssima administração a que o município foi submetido entre os anos de 2011 e 2016.

“A juventude é o pilar da minha administração. Nós precisamos ter um olhar diferente para a juventude e por essa razão, lá em minha primeira gestão, deixei criada a Secretaria da Juventude, que foi destruída. Deixamos programas de capacitação para os nossos jovens, que também foram abandonados. Destruíram sonhos, mas retomamos tudo desde o dia 1º de janeiro do ano passado”, lembrou o gestor.

Luis Fernando disse ainda que a posse do Conselho Municipal de Juventude, é mais uma etapa da reconstrução dos sonhos e planos dos jovens. “Esta é uma luta de todos nós e vamos seguir erguendo a mesma bandeira, que é o desenvolvimento exitoso das políticas públicas voltadas à juventude”, disse.

Na oportunidade foi lançado também o Inova Jovem, programa que compreende o Pano da Juventude que visa estimular os jovens negros em situação de vulnerabilidade para o empreendedorismo. O secretário nacional da juventude, Assis Filho, avaliou como positiva a política que vem sendo implementada pelo prefeito Luis Fernando em prol do desenvolvimento dos jovens ribamarenses.

“Luis Fernando dispensa comentários. Gestor sério e de grande competência, é um dos poucos prefeitos que lança um olhar com atitude para o avanço de políticas públicas que englobem os jovens e, claro, os inclua de forma participativa e decisiva”, parabenizou.

Assis também falou sobre a importância da formatação do conselho com sua representatividade no poder público e sociedade civil. “O conselho é peça fundamental para o desenvolvimento de ações voltadas a esse público jovem e é claro que esperamos que a retomada seja fundamental para o futuro dos jovens ribamarenses”, destacou.

Conselho Municipal da Juventude

O Conselho é formado por dez componentes, representados pelo poder público e sociedade civil. É um órgão de caráter consultivo e fiscalizador, criado por lei para estudar, analisar, elaborar, discutir e propor planos, programas e projetos relativos à juventude no âmbito municipal. Também tem a função de participar da elaboração e da execução de políticas públicas da juventude em colaboração com os órgãos públicos municipais; além de desenvolver estudos e pesquisas relativas à juventude. Tem como objetivo subsidiar o planejamento das ações públicas no município; fiscalizar e exigir o cumprimento da legislação referente aos direitos dos jovens; entre outras atribuições.

Uma homenagem a Agnaldo Timóteo, o boêmio, não o “boieiro” 4

“Na galeria do amor é assim
Muita gente a procura de
Gente
A galeria do amor é assim
Um lugar de emoções
Diferentes
Onde gente que é gente se
Entende” (A Galeria do Amor)

Cresci ouvindo Agnaldo Timóteo, um dos cantores preferidos do seu Bazinho, meu pai.

Timóteo é um dos mais talentosos intérpretes da Música Popular Brasileira, ainda que alguns ditos “intelectuais” acham que MPB é só coisa para Chico, Caetano, Gil, Zé Ramalho, Djavan etc.

Mineiro de Caratinga, Agnaldo Timóteo foi “descoberto” pela legendária Ângela Maria, de quem foi motorista. Trata-se de uma das maiores e melhores vozes do bolero brasileiro.

Só o seu nome quero gritar
Mas se eu grito todo mundo
De repente vai saber
Que eu morro de saudade
E de amor por você

Aí, que vontade de gritar
Seu nome bem alto no infinito
Dizer que o meu amor é grande
Bem maior do que meu próprio grito

Mas só falo bem baixinho
E não conto pra ninguém
Pra ninguém saber seu nome
Eu grito só meu bem. (O Grito)

Há uma cantiga de Agnaldo Timóteo que gosto muito. É meia cafona, mas, sei lá o porquê, mexe com meus sentimentos mais profundos. Talvez seja pelo fato de fazer-me lembrar de como uma ex-namorada de juventude se sentia ao subir no altar com quem ela de fato não queria.

Branca e radiante vai a noiva,
logo a seguir o noivo amado.
Quando se unirem os corações, vão destruir ilusões.

Aos pés do altar está chorando,
todos dirão que é de alegria.
Dentro sua alma está gritando,
Ave Maria…

Chorará também, ao dizer o sim,
e ao beijar a Cruz, pedirá perdão.
E eu sei que esquecer não poderia,
se era outro amor a quem queria. (A Noiva)

Como baixadeiro que viveu bons e inesquecíveis momentos nos campos alagados de Palmeirândia, não posso deixar passar batida uma canção que remota a essas minhas eternas lembranças:

O meu amor na estação a me esperar
Pegarei novamente a sua mão
E seguiremos com emoção
Pros verdes campos do lugar
E reviver os momentos de alegria
Com meu amor a passear
Nos verdes campos do meu lar. (Os Verdes Campos da Minha Terra)

E para São José de Ribamar, minha terra natal, não fica com ciúmes de Palmeirândia, vamos de “Livre”.

Livre, livre
Livre, nasci como a brisa
Que as praias alisa
E encrespa as ondas do mar
Livre de braços abertos
Os olhos desertos
Do que faz a gente chora. (Livre)

E quem nunca foi num cabaré, nos velhos cabarés, que a boemia chamava, e ainda chama, romanticamente do “puteiro”?

A casa de Irene,
De noite, de dia,
Tem gente que chega,
Tem gente que sai,
A casa de Irene, enfim alegria,
Na casa de Irene, a tristeza se vai
 (A Casa de Irene)

Há uma música de Roberto Carlos, aliás, poucos sabem que é de autoria do rei, chamada os “Brutos também amam” – as feministas que me perdoem. Agnaldo Timóteo conheceu Roberto ainda moço, nos tempos da Jovem Guarda.

Agnaldo nunca perdoou o fato de Roberto Carlos jamais tê-lo convidado para participar do seu programa de fim de ano na Rede Globo.

Que pena tudo terminar
Da maneira que acabou
O seu amor não foi bastante
Pra querer-me como eu sou
Você um dia vai saber
Que eu te amei como ninguém
Minhas lágrimas reclamam
Elas dizem no meu pranto
Que os brutos também amam (Os Brutos Também Amam)

Enfim, o Blog do Robert Lobato poderia ficar esta sexta-feira inteira comentando e relembrando as mais lindas cantigas de Agnaldo Timóteo, que são muitas. Ele merece.

Agnaldo Timóteo merece todas as honras dos maranhenses, ainda mais dos aposentados do “IPEM”.

O que Timóteo não merece é ser explorado no seu talento por um governo que deseja fazer da maior festa popular do Maranhão numa “Casa de Irene”

E para finalizar, o nosso querido e eterno boêmio, não o “boieiro”, Agnaldo  Timóteo em das suas belas canções.

A casa dos meus sonhos
É feita de ilusão
E vive sempre cheia de amor
Amor e solidão. (A Casa do Sol Nascente)

Vida Longa a Agnaldo Timóteo

O boêmio.

Presidente Othelino Neto propõe criação de medalha alusiva à Semana Mundial do Meio Ambiente

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PC do B), protocolou, nesta terça-feira (5), junto à Mesa Diretora, projeto de Decreto Legislativo propondo a criação da Medalha do Mérito “Nascimento Moraes Filho – Amigo do Meio Ambiente”.

O objetivo, de acordo com o decreto assinado pelo parlamentar, é homenagear, no período em que se comemora a Semana Mundial do Meio Ambiente, pessoas físicas e jurídicas, nacionais ou estrangeiras, que se destacarem na execução de trabalhos científicos e políticos de sustentabilidade ambiental.

Conforme a proposição, a comenda entregue ao homenageado deverá ter de um lado a imagem do célebre ativista ambiental José Nascimento Moraes Filho, acompanhada da expressão “Amigo do Meio Ambiente”, e do outro lado, a imagem do Planeta Terra com uma árvore em destaque.

O Dia Mundial do Meio Ambiente começou a ser comemorado em 1972, com o objetivo de promover atividades de proteção e preservação do meio ambiente, e alertar o público e governos de cada país sobre os perigos de negligenciarmos a tarefa de cuidar do mundo em que vivemos.

No Brasil, ainda se celebra a Semana Nacional do Meio Ambiente, como consequência da data criada pela ONU.

O que aprendi ao ouvir a minha mãe 4

Se propor a ouvir histórias de família abre caminhos profundos, além de recordações e memórias. Com ouvido atento, além de conhecer a estrada que antepassados percorreram, você pode utilizar muito desse conhecimento para entender o presente e pensar no futuro

Os aprenzidados de uma conversa profunda com a própria mãe | Crédito: Shutterstock.

Eduardo Alves, via Vida Simples

Desde criança, ouço histórias envolvendo familiares, alguns presentes na minha vida e outros que já não estavam por aqui quando comecei a entrar em contato com os causos que os envolviam. Há algum tempo, resolvi mergulhar nas lembranças guardadas na memória da minha mãe e decidi convidá-la para uma conversa na qual o tema fosse este. O objetivo era resgatar histórias de família e estudá-las como inspiração para produção literária. A vida, que é esse mar, avançou sob o rio das palavras e os dois, juntos, me inundaram de reflexões e afeto a cada frase que minha mãe compartilhava. Aprendi muito mais do que eu esperava.

Conversamos por dois dias. No primeiro, a convidei para a minha casa e preparei um bolo de cenoura. O objetivo era adocicar nossos lábios e facilitar a prosa. Minha mãe não está acostumada com gravador e com exposição. Eu não queria me mostrar ávido por aquele momento, mas a ansiedade me batia à porta. Já ouvi inúmeras vezes seus contos, mas minhas emoções não eram as mesmas naquele dia. No segundo, fui até a casa dela no começo da tarde e, com um café em mãos, retomamos do ponto em que paramos. Esses dias foram diferentes, pois não é só ela querendo externalizar, sou eu querendo escutar. Meus ouvidos estavam mais atentos do que nunca.

A Dona Rosa, minha mãe de bolso como carinhosamente costumo chamá-la (ela tem 1,52m e digo que posso levá-la comigo para onde quiser) não passou aquele momento falando de mim, como era meu receio inicial ao me propor a ouvir uma mulher que não se cansa de dizer o quanto me ama e fui esperado. Ela abriu seu baú mais profundo, pegou as linhas que formam a sua biografia e teceu sua Narrativa de Vida até os dias de hoje. Ela me deu seu mais lindo trabalho de crochê.

Ela voltou no tempo com muita facilidade e segurou em suas mãos a infância tão suave e querida que teve, compartilhou sua alegria em morar no Ipiranga, bairro de São Paulo, suas histórias de criança, a bela relação construída com seu pai, o imenso carinho pela mãe, a compreensão dos irmãos, o afeto pelos demais que foram acolhidos mais tarde em sua casa.

Também falou da juventude e do Roberto Carlos, sua paixão dos 15 anos. Compartilhou sobre como começou trabalhar cedo para ajudar em casa e, como na vida de todos nós, suas frustrações. A mudança de São Paulo e o impacto que isso teve em toda a sua história. Ela jamais esqueceu o quanto esse fato lhe afastou das coisas que a alegravam.

Expôs uma vida de dedicação à família, seu objetivo incansável de vê-los felizes; a sua atual dedicação à mãe, que passa da casa dos 80 anos. A renúncia de si própria muitas vezes para o bem do próximo. A constante preocupação com o outro.

E, sem perceber, nos não ditos, naquilo que não queria tocar, dividia comigo os sacrifícios que aceitou para buscar o bem-estar de todos. Nunca havia visto tanta generosidade nela como nesse dia. E foi tanta que ela não me contou parte da história que eu conhecia. A mulher forte que ela resgatou dentro de si ao se separar tendo um filho, ainda pequeno, e uma adolescente sob sua responsabilidade. Ela também não mencionou ter tido três empregos ao mesmo tempo para poder cuidar dos filhos, devolver um lar a eles, não lhes deixar faltar nada. Das dores e dos amores de um casamento à revelia da família. Também não comentou dos medos que sentiu nessa época e antes, mas, eu os via nos seus olhos azuis. A gente sempre conversou pelo olhar.

Eu entendo ela não falar disso. Não foi fácil e talvez ainda não seja. Mas, para mim, que tenho isso como uma recordação dos 9 anos, me sinto muito orgulhoso dela ter sido essa Gigante. Eu nunca vou esquecer do que vi e me serviu de exemplo.

Fui surpreendido com memórias que não me haviam sido apresentadas e fiquei muito feliz por, além de reviver com ela momentos já conhecidos, abrir caminho para livros da sua vida que há muito não eram visitados.

Hoje entrar em contato com estas histórias, ouvir sobre meus avós, tataravós, tios, tios da minha mãe, me conecta melhor com o que sou hoje. Ver hábitos que estão em mim e identificá-los no passado, entender evoluções a partir da construção do que meus antepassados foram um dia faz tanto sentido para explicar caminho de hoje.

Esse aprendizado foi mais rico do que qualquer banco de escola, reunião de trabalho ou curso que eu tenha feito ao longo da vida. Aprendi sobre os causos que acompanham a minha família, me vi nas histórias na medida que identificava nelas algo que, de alguma maneira, estão presentes em mim. Me ajudam a entender o material que me forma, não só fisicamente, quando vejo fotografias, mas afetivamente, quando entendo a carga emocional envolvida nessas relações.

Vejo como o curso dessa água vem carregando histórias que agora passam por mim e clarificam pensamentos e questionamentos que me faço ao longo da vida. Ter essas memórias comigo é ter paz.

Eduardo Alves é jornalista e costuma publicar suas ideias e seus textos cheios de alma aqui: https://medium.com/kayua