As invasões bárbaras 12

Por Eden Jr.*

Quando na tarde da última quinta-feira, dia seis, chegaram as primeiras informações acerca do ataque sofrido pelo candidato à Presidência da República do Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro, uma parte da população estava entre a incredulidade e a perplexidade. Uma outra – lamentavelmente hipnotizada por teorias conspiratórias nonsenses – fez chacota da tentativa de assassinato e até mesmo cogitou algum tipo de complô perpetrado pelos grandes grupos de comunicação, sob comando de forças americanas, para vitimizar Bolsonaro e assim selar sua vitória na corrida presidencial.

Pelo menos não se pode reclamar de falta de coerência, pois quem acredita que auditores, policiais, promotores, juízes, desembargadores e ministros de tribunais superiores se mancomunam para perseguir um “inocente” ex-presidente da República, também admite que policiais, enfermeiros e médicos – de três hospitais distintos – podem engendrar um embuste para beneficiar um irascível candidato a presidente.

Entretanto a realidade é que Adélio Bispo de Oliveira, que engrossa o contingente de mais de 13 milhões de desempregados do país, tentou tirar a vida do candidato do PSL com um golpe de faca durante ato de campanha realizado em Juiz de Fora/MG. A insanidade cometida por Adélio – que foi filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) entre 2007 e 2014 – foi mais um lance brutal da escalada inconsequente, sem regras e sem limites, em que se converteu a disputa política.

Em realidade, chegamos ao paroxismo, porque sucessivas circunstâncias de agressividade, de natureza e gravidade variadas, em nossa contenda política, foram toleradas ou mesmo menosprezadas, o que acabou descambando nesses abomináveis lances de violência física. A crítica, a benevolência ou o desdém para com os atos de selvageria passaram a depender da corrente política seguida por agressores ou agredidos. Falta uma mínima dose de serenidade.

É simbólico que muitos tenham tratado como molecagem o incidente da “inofensiva bola de papel” arremessada em outubro de 2010 contra a cabeça do então presidenciável do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), José Serra, em evento de campanha no bairro de Campo Grande na cidade do Rio de Janeiro. Aí o que valeu não foi a intensidade, mas o gesto em si de descaso e de fúria para com o adversário – que para tantos se transformou em inimigo.

Outros episódios – que foram agravados ou desprezados, a depender da simpatia partidária de quem os analisava, mas que na realidade deveriam ter sido todos repudiados contundentemente, isso se estivéssemos em um ambiente político civilizado – podem ser facilmente recordados. A bomba arremessada no diretório regional do Partido dos Trabalhadores (PT) no centro de São Paulo em 2015. A hostilidade cometida neste ano pelos petistas, Manoel Marinho e Leandro Marinho, contra o empresário Carlos Alberto Bettoni, no momento em que ele participava de manifestação contra o PT em frente do Instituto Lula, em São Paulo, e que resultou em traumatismo craniano. Os tiros disparados, em maio último, em ônibus da caravana do ex-presidente Lula, no Paraná – isso depois desse mesmo comboio ter sido alvo de ovos e pedras em Santa Catarina. A agressão ao professor aposentado José Carlos Pithan, de 71 anos, quando participava de manifestação contra o ex-presidente petista na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, em março deste ano.

Em uma democracia há certos princípios, como o absoluto respeito às decisões judiciais e à liberdade de imprensa, que são inarredáveis, mas que vêm, com certa frequência, sendo flexibilizados neste infame contexto político que vivemos. Foi o caso da Mesa Diretora do Senado, quando desobedeceu à sentença de dezembro de 2016 do ministro do STF Marco Aurélio Mello, que afastava provisoriamente Renan Calheiros da presidência da Casa. Episódio semelhante foi o descumprimento da determinação – diga-se tresloucada – de mandar soltar o ex-presidente Lula, expedida pelo desembargador Rogério Favreto, que atuava como plantonista do Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4). O constrangimento a que foi submetida a jornalista da Globo, Míriam Leitão, que durante um voo entre Brasília e Rio de Janeiro foi hostilizada por militantes petistas. Ou mesmo a ofensa desferida neste ano por esquerdistas contra a repórter da TV Band, Joana Treptow, durante a cobertura da prisão do ex-presidente Lula no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo/SP.

Não há de se justificar, nem de longe, o ataque covarde sofrido por Bolsonaro em razão do perfil belicoso e autoritário do candidato. No primeiro dia de setembro, Bolsonaro afirmou que iria “fuzilar a petralhada do Acre”, durante sua passagem pela capital acreana, Rio Branco. Uma declaração ignóbil, sem a menor dúvida. A situação está no STF, como deveria ser, e o candidato terá que se explicar pela fala e poderá ser punido pelo que disse.

É prematuro prognosticar as repercussões do ocorrido para o certame eleitoral. A última pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada na quarta-feira, dia cinco, dava vantagem para Bolsonaro, com 22% das intenções de votos, seguido por Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) com 12%, Geraldo Alckmin (PSDB) com 9% e Fernando Haddad (PT) com 6%. Esse levantamento pouco captou a influência do recém iniciado horário eleitoral gratuito na TV e no rádio, bem como do indeferimento, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da candidatura de Lula.

É necessário esperar que os fatos sejam depurados e aguardar como a sociedade vai absorver o sucedido. Porém, se tem como certo que qualquer presidente que seja eleito, só terá capacidade de remover o país da grave crise econômica e social em que está mergulhado, se conseguir, minimamente, conciliar a nação, superar o clima de conflagração e seguir as regras democráticas, sem surtos de autoritarismos e violência.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)

Denúncia: Há possibilidade de governo perdoar dívidas das distribuidoras Eletrobras vendidas 2

Em entrevista ao programa à Rádio Folha AM 1020 (Boa Vista – RR), no domingo (2/9), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Urbanitários do Estado de Roraima (Stiu-RR), Gissélio Cunha (foto), disse que as dívidas da Boa Vista Energia e demais distribuidoras da Eletrobras que foram vendidas, serão transferidas para a União, caso o Projeto de Lei Complementar nº 77/2018, que já foi aprovado na Câmara dos Deputados, passe no Senado Federal.

“Estamos indo nessa semana para Brasília para fazer um corpo a corpo com os senadores, para tentar barrar o PLC 77. E fazemos um apelo ao Ministério Público para que atue na nossa causa que é de toda a sociedade roraimense. Parte da dívida da Boa Vista Energia com a Eletronorte que chega perto dos R$ 900 milhões, vai ser transferida para a União, ou seja, para o nosso bolso”, alerta o sindicalista.

Gissélio lembra que a empresa que comprou a Boa Vista Energia comprou também a concessão. “A população vai ficar sujeita ao monopólio de uma única empresa, inclusive comunidades indígenas, ribeirinhas. A venda pode resultar em um aumento inicial na tarifa de energia de 19,03 % a partir de primeiro de novembro”, alertou.

“Somos um sistema isolado da Federação, a solução para Roraima é interligar ao sistema nacional. E a gente faz um apelo à sociedade para que acompanhe a situação do sistema energético de nosso estado, já que falta compromisso político”, completa.

Venda
O consórcio Oliveira-Atem arrematou por R$ 50 mil a Boa Vista Energia uma das distribuidoras da Eletrobras, realizado na quinta-feira, 30 de agosto, na Bolsa de Valores de São Paulo. O consórcio foi o único a oferecer proposta pela distribuidora de Roraima e venceu o leilão pelo lance mínimo.

A Oliveira Energia é sediada em Manaus e opera na geração energia termelétrica, administrando cerca de quarenta usinas termoelétricas no Amazonas e em Roraima. A Atem é uma distribuidora de combustíveis. (fonte: Folha BV)

Nossa luta não tem trégua! Agora toda a pressão junto aos senadores para não aprovarem o projeto sobre as distribuidoras, uma vez que, em liminar, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o governo de privatizar empresas estatais sem prévia autorização do Congresso

(Fonte: Federação Nacional dos Urbanitários-FNU)

Turquia assusta 2

Por Eden Jr.*

O mundo está mais imprevisível. Depois da erupção de distúrbios econômicos na Argentina, do ciclo de elevação dos juros americanos e do acirramento das divergências comerciais entre Estados Unidos e China, agora foi a vez da Turquia colocar em xeque a prosperidade global. Isso a despeito do Fundo Monetário Internacional (FMI) ter projetado, em julho último, que o crescimento global será de 3,9% neste ano.

O novo imbróglio planetário teve início com o anúncio feito pelo presidente americano, Donald Trump, de que dobraria as tarifas de importação do aço e do alumínio exportados da Turquia para os EUA, para 50% e 20% respectivamente. Existem duas versões para essa majoração de impostos. Uma oficial, de que a motivação teria o objetivo de dar um novo alento para a indústria americana de aço e alumínio, que vem perdendo competitividade perante seus concorrentes. E outra mais aceita – dado o perfil inconstante do mandatário americano – de que a elevação foi uma retaliação à prisão, pelo presidente turco Recep Erdogan, do pastor estadunidense Andrew Brunson, acusado de espionagem e terrorismo, atos ligados à tentativa de golpe de estado ocorrido em 2016 no país. Inclusive, nas últimas semanas o governo americano tinha agido para libertar o pastor.

As perturbações econômicas repercutiram logo na moeda turca, a lira, que tem enfrentado uma crise de confiança e passou por forte desvalorização em relação ao dólar e ao euro. Para defender a divisa local, o presidente Erdogan tem estimulado, sem muito sucesso, uma espécie de “cruzada nacional”, ao incentivar que os turcos troquem ouro e outras moedas pela lira, buscando assim, brecar a desvalorização da lira. Uma implicação imediata da queda da lira é que paira o temor de um amplo calote das empresas turcas, que estão com nível alto de endividamento, tanto perante os bancos locais quanto aos estrangeiros. Fato que redunda em pressão sobre todo o sistema bancário.

Fora isso, a economia turca padece de problemas que já vinham se acentuando recentemente, apesar do crescimento do país ter sido de 7,4% ano passado, o que a colocou entre as nações de mais forte expansão, juntamente com China e Índia. A inflação, que vem se acelerando e está na casa dos 16% em valores anualizados até julho, é uma dessas dificuldades. Para tentar brecar a escalada dos preços, o remédio mais recomendado seria a elevação dos juros pelo Banco Central local. Contudo, o presidente Erdogan indicou que os juros não vão subir, pois podem deprimir o crescimento, fato que deixa clara a falta de autonomia da autoridade monetária. A inflação deve ser retroalimentada pela queda da lira, pois ficará mais caro importar produtos indispensáveis, como petróleo, gás e energia elétrica. As contas públicas são outra fonte de dúvidas. O endividamento do governo sofre ampliação rapidamente nos últimos anos: saiu de 39% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 e atingiu 60%.

Entretanto, Erdogan também já avisou que não adotará os impopulares cortes de despesas. E como cerca de 40% dessa dívida é em moeda estrangeira, vai ficar cada vez mais caro honrar esse compromisso, tendo em vista a desvalorização da lira.

Outro flanco da Turquia é o comércio internacional. Os persistentes déficits nas transações comerciais com o resto do mundo causam perplexidade entre os analistas. O rombo turco com seus parceiros comerciais foi de 32 bilhões de dólares em 2015 para 47 bilhões em 2017, e ficou em 31 bilhões somente no primeiro semestre deste ano. Diante das atuais incertezas, não se sabe o que o país fará para continuar sustentando um comércio internacional cada vez mais deficitário.

O grande questionamento que se faz é até onde a turbulência da Turquia – que representa apenas 1,7% do PIB global e é tão-somente a 17ª maior economia do planeta – pode impactar o desempenho mundial. Os desdobramentos são de naturezas e magnitudes diversas. Na Argentina – que angaria desconfiança em razão dos abalos sofridos recentemente, com o peso desvalorizando 70% nos últimos 12 meses, que enfrenta déficits fiscal e no comércio exterior e previsão, para este ano, de queda no PIB de 1% e de inflação de 30% – o Banco Central alçou os juros a 45% ao ano (a maior taxa do mundo). Esse movimento do BC argentino vai dificultar a melhora econômica.

Na Itália, os juros subiram pela possiblidade de revogação da “Lei Fornero” (que endureceu as regras de aposentadorias), o que pode resultar no aumento da já elevada dívida pública, além de haver questionamentos quanto ao vigor do sistema bancário. Especialmente do maior banco do italiano, o Unicredit, que tem altas somas emprestadas ao governo turco. O Banco Central Europeu (BCE) está receoso com a exposição de bancos europeus, como BBVA e BNP Paribas, que que têm significativas participações em instituições financeiras turcas. Bancos das cinco principais nações do continente – Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha – têm mais de 171 bilhões de euros aplicados na Turquia.

Já no Brasil, o real tem se depreciado. O dólar se valorizou mais de 20% neste ano, e na última semana rompeu a barreira dos quatro reais, atingindo a terceira maior cotação da história. Contudo, a alta da moeda americana no Brasil não tem relação somente com a crise turca, mas sobretudo, com os sucessivos déficits públicos e com o avanço da corrida eleitoral. Isso pois, as pesquisas divulgadas trazem como favoritos candidatos que não têm se mostrado comprometidos com reformas econômicas, circunstância que traz adversidades para o crescimento de longo prazo.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)

Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU, morre aos 80 anos 2

O diplomata ganês ocupou durante dez anos o cargo mais alto da Organização das Nações Unidas (ONU), denunciou a guerra no Iraque e chegou a receber o Prêmio Nobel da Paz

Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU Foto: REUTERS/Valentin Flauraud/File Photo.

O ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, faleceu aos 80 anos, neste sábado, 18. A fundação que carrega seu nome anunciou sua morte, por meio de um comunicado, apenas indicando que ele teria sofrido uma doença súbita. Nascido em Gana em 1938, o africano foi um dos ganhadores do prêmio Nobel da Paz.

Chefe da diplomacia das Nações Unidas entre 1997 e 2006, ele foi internado às pressas num hospital de Berna, na Suíça. Os detalhes sobre seu funeral ainda estão sendo organizados.

António Guterres, atual secretário-geral da ONU, emitiu um comunicado expressando sua “profunda tristeza”. “De muitas formas, Annan era a ONU. Ele subiu dentro da organização para lidera-lá ao novo milênio, com dignidade e determinação”, escreveu. O português insistiu que Annan foi seu mentor e indicou que, “em tempos turbulentos”, ele nunca deixou de agir.

Annan mantinha uma estreita amizade com Sergio Vieira de Mello, o brasileiro que liderou a ONU por algumas das maiores crises humanitárias e que morreu há 15 anos em Bagdá.

Annan ainda teve seu mandato marcado pela decisão de denunciar como “ilegal” a guerra de George W. Bush no Iraque. A partir de então, ele passou a ser alvo de ataques por parte da diplomacia americana. Meses depois de sua declaração, Annan viu seu filho acusado de envolvimento em escândalos de corrupção. O africano ficou abalado com a ofensiva contra ele e sua família e, por meses, chegou a perder sua voz.

Saque do PIS/Pasep para todas as idades começa nesta terça-feira

Em julho, o pagamento foi suspenso para o cálculo do rendimento do exercício 2017-2018; na primeira etapa do cronograma, encerrada no dia 29 de junho, 1,1 milhão de trabalhadores fizeram o saque

Têm direito ao saque as pessoas que trabalharam com carteira assinada antes da Constituição de 1988 Foto: Estadão;

Agência Brasil

A partir desta terça-feira, 14, trabalhadores de todas as idades que tiverem direito a cotas dos fundos dos programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) poderão sacar seus recursos. O prazo ficará aberto até 28 de setembro e quem perder o prazo só será possível receber as quantias dos dois fundos em caso de aposentadoria e em outras situações específicas.

A ampliação do saque trabalhadores com menos de 60 anos foi anunciada pelo governo no último dia 13. A ação beneficiará cotistas que trabalharam com carteira assinada entre 1971 e 1988. Antes da medida, o dinheiro só poderia ser sacado por maiores de 60 anos. O governo estima que os trabalhadores nessa faixa etária têm cerca de R$ 16 bilhões nas contas do PIS/Pasep.

Em julho, o pagamento foi suspenso para o cálculo do rendimento do exercício 2017-2018. Na primeira etapa do cronograma, encerrada no dia 29 de junho, 1,1 milhão de trabalhadores fizeram o saque, retirando uma soma de R$ 1,5 bilhão.

Têm direito ao saque as pessoas que trabalharam com carteira assinada antes da Constituição de 1988. As cotas são os recursos anuais depositados nas contas de trabalhadores criadas entre 1971, ano da criação do PIS/Pasep, e 1988.

Quem contribuiu após 4 de outubro de 1988 não tem direito ao saque. Isso ocorre porque a Constituição, promulgada naquele ano, passou a destinar as contribuições do PIS/Pasep das empresas para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que paga o seguro-desemprego e o abono salarial, e para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para saber o saldo e se tem direito ao benefício, o trabalhador pode acessar os sites do PIS e do Pasep. Desde o dia 8 de agosto, o crédito para correntistas da Caixa e do Banco do Brasil está sendo feito automaticamente. Para os cotistas do PIS, também é possível consultar a Caixa Econômica Federal no telefone 0800-726-0207 ou nos caixas eletrônicos da instituição, desde que o interessado tenha o Cartão Cidadão. No caso do Pasep, a consulta é feita ao Banco do Brasil, nos telefones 4004-0001 ou 0800-729-0001.

Perguntas e Respostas: PIS/PASEP

Quem tem conta do PIS/Pasep?
Todos que tiveram emprego entre 1971 e 4 de outubro de 1988 e não sacaram o dinheiro – não há restrição no valor do salário (como no abono)

Quem pode sacar?
O governo ampliou o saque das contas do PIS/Pasep para trabalhadores de todas as idades. Antes, só tinham direito os que tinham mais de 60 anos

Como verificar se há dinheiro disponível?
Trabalhadores do setor privado devem procurar a Caixa e servidores públicos, o BB. Para consulta, basta CPF e data de nascimento. É possível consultar no site de cada banco.

Por que os saques são interrompidos em agosto?
Anualmente, as contas são remuneradas em agosto. Se o trabalhador esperar para sacar em setembro, receberá o rendimento. Se o fizer em julho, perde. Em 2017, o rendimento foi de 8,9%

Calendário
A partir de 18 de junho: Trabalhadores com 57 anos ou mais

Entre 30 de junho a 7 de agosto: interrupção dos saques para correção anual de valores

Em 8 de agosto: Crédito automático para trabalhador com conta na Caixa ou BB

De 14 de agosto a 28 de setembro: Trabalhadores com menos de 57 anos

Crise atinge os municípios

Por Eden Jr.*

A crise econômica que se instalou no país a partir de 2014 e fez o Produto Interno Bruto (PIB) cair por dois anos consecutivos, em 2015 e 2016, resultando numa perda acumulada de aproximadamente 8%, chegou também aos municípios. Isso é o que revela o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) divulgado recentemente, mas que tem como base dados oficiais referentes a 2016. Elaborado pelo setor de estudos econômicos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o IFDM acompanha três eixos: Emprego & Renda, Educação e Saúde. O resultado varia de 0 a 1.

Quanto mais próximo de 1, maior é considerado o desenvolvimento do município.
Na vertente Emprego & Renda são avaliadas informações do Ministério do Trabalho relativas à geração de emprego formal e de renda e a formalização do mercado de trabalho; na de Educação a fonte é o Ministério da Educação e são verificados tópicos como atendimento à educação infantil e abandono no ensino fundamental e na de Saúde as estatísticas vêm do Ministério da Saúde e dizem respeito a aspectos como proporção de atendimento adequado de pré-natal e óbitos infantis por causas evitáveis. Os dados abrangem 5.471 dos 5.570 municípios brasileiros e alcançam 99,5% da população brasileira.

Após dois anos de queda – 2014 com 0,6672 e 2015 com 0,6509 – o IFDM consolidado para todos os municípios brasileiros voltou a subir, alcançando 0,6678 em 2016. No ano de 2015 (0,6509) o IFDM atingiu o seu pior nível desde 2011, resultado muito influenciado pelo indicador Emprego & Renda, que caiu 15% de 2014 para 2015, não por acaso, pois essa foi a área mais atingida pela recessão. Tal retrocesso, praticamente obliterou o avanço alcançado nos outros dois indicadores, Educação e Saúde – que aumentaram nesse mesmo período 22% e 21%, respectivamente. Os números, contudo, apontam que essas duas áreas – Educação e Saúde – tiveram o menor crescimento em 10 anos, mostrando, inegavelmente, que a crise econômica teve desdobramentos na esfera social.

Em realidade, o colapso tragou três anos de desenvolvimento dos municípios, já que mesmo subindo em 2016 para 0,6678, o IFDM ainda é menor que o patamar de 2013 (0,6715).

O Brasil segue sendo um país extremamente desigual, visto que, por exemplo, nas Regiões Sul e Sudeste, cerca de 98% dos municípios encontram-se em situação de desenvolvimento moderado ou alto e no Sul do país não existe nenhuma cidade qualificada como de baixo desenvolvimento. O Centro-Oeste está se aproximando do nível do Sul-Sudeste, com 92% dos municípios tidos como de desenvolvimento moderado ou alto. Em contraste, as regiões Norte e Nordeste têm, na sequência, 60% e 50% de suas cidades com desenvolvimento regular ou baixo. É chocante que o Norte e o Nordeste concentrem 87% das municipalidades classificadas como de desenvolvimento regular ou baixo.

Em 2016, o eixo de Educação teve o menor progresso, de apenas 0,6%, em todo o intervalo avaliado da Firjan (entre 2005 e 2016), apesar de ter tido incremento constante nesse tempo. Isso fez com que os indicadores que compõem o IFDM Educação ficassem distantes das metas estabelecidas pelo Ministério da Educação no Plano Nacional da Educação (PNE). Nesse sentido, a meta 1 do PNE estipula que no máximo em 2016 o país deveria universalizar a educação infantil na pré-escola e até 2024 oferecer creches para pelo menos metade das crianças de até três anos de idade. Entretanto, em 2016, somente 80,4% de nossas crianças estavam na pré-escola e apenas 27% eram atendidas pelas creches.

Da mesma forma, a temática Saúde, apesar de ter prosperado em 2016, e ter avançado também em todo o período examinado, foi nesse ano que a área menos progrediu, com aumento de cerca de 1,6%. Cenário lamentável, tendo em vista que 77 milhões de brasileiros – cerca de 37% da população – não tinham acesso à saúde básica. A pesquisa mostra que em 2016 um terço das gestantes brasileiras não usufruíram, nem mesmo, de sete consultas pré-natais, quantidade mínima recomendada pelo Ministério da Saúde, número que expõe as debilidades do nosso sistema de Saúde.

Em relação às 27 capitais, Florianópolis, Curitiba e São Paulo seguem sendo as mais bem colocadas no IFDM geral, qualificadas como de alto desenvolvimento. São Luís, tida como de desenvolvimento moderado, é a 16ª capital mais desenvolvida, ficando na colocação 932 entre os 5.471 municípios avaliados e na primeira posição no Maranhão.

No tocante ao tema Emprego & Renda, São Luís está bem colocada, sendo a quinta melhor capital do país, porém somos a 15ª na Educação e a 21ª em Saúde.

Os resultados do IFDM indicam que: (a) as políticas econômicas a serem implementadas vão influenciar diretamente na recuperação da confiança dos empresários e trabalhadores e, consequentemente, na geração de emprego e renda; (b) a restauração da disciplina fiscal, com a aprovação das reformas previdenciária e tributária, é indispensável, tanto para restabelecer o crescimento econômico, como para a manutenção de recursos para as prefeituras, o que, em última instância, levará ao desenvolvimento dos municípios; (c) o país seguiu distante das metas de Educação e Saúde, assinalando que há um grande percurso para se atingir o pleno desenvolvimento dos municípios; (d) a desigualdade regional ainda é marcante, com níveis de prosperidade concentrados no Sul e no Sudeste e índices precários no Norte e no Nordeste e (e) a falta de verbas não é essencialmente o problema, posto que boa parte dos valores disponibilizados para Educação e Saúde considera o número de pessoas atendidas, dessa forma, a principal barreira para o desenvolvimento dos municípios é a gestão ineficiente dos recursos, o que torna indispensável a capacitação dos gestores públicos.

Sem dúvida, essa é uma lista desafiadora para os candidatos aos governos estaduais e à Presidência da República.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)

Trabalho autônomo, liberal ou remoto. Qual devo escolher?

Ser um trabalhador autônomo, liberal ou remoto possui suas vantagens e desvantagens, mas saber suas características é essencial para que você consiga as melhores oportunidades

Sebastián Siseles, Administradores.com

Trabalhar por conta própria, fazer o seu próprio horário, ser o seu próprio chefe. Realidade de muitas pessoas que não possuem qualquer vínculo empregatício e trabalham por conta própria. Segundo uma pesquisa do IBGE, realizada em 2017, o Brasil conta com 11.115 milhões de pessoas que trabalham, mas não possuem carteira assinada e 23.198 milhões que atuam por conta própria, o que representa um total de 34,31 milhões de trabalhadores nesses formatos.

Um dos motivos desse aumento foi que muitas pessoas enxergaram uma maneira de vencer a crise econômica e encontrar novas possibilidades de garantir um rendimento financeiro no final do mês. Além disso, existem pessoas que adotam esse tipo de trabalho pensando no ganho de qualidade de vida.

Ser um trabalhador autônomo, liberal ou remoto possui suas vantagens e desvantagens, mas saber suas características é essencial para que você consiga as melhores oportunidades e tire todo o proveito do serviço que você está oferecendo.

Profissional autônomo

O profissional autônomo é aquela pessoa que trabalha por conta própria, que tenha ou não uma formação ou qualificação profissional. Trabalhadores autônomos têm uma independência maior e conseguem executar diversos tipos de tarefas. Entre eles estão pintores, encanadores, pedreiros e outros.

Profissional liberal

Já o profissional liberal é a pessoa que conta com formação universitária ou técnica e tem liberdade para executar a sua atividade de maneira independente, podendo ser empregado ou trabalhar por conta própria. Podemos colocar como exemplos médicos, advogados, arquitetos e dentistas.

Trabalho Remoto

Trabalho remoto é, como o próprio nome diz, qualquer atividade que pode ser realizada à distância, facilitada pelo uso de tecnologia e de comunicação. Por esse motivo é também chamado de teletrabalho. Existem diferentes concepções deste termo e outros similares como: trabalho à distância, como dito acima, e home office. É um formato que tem recebido cada vez mais adeptos e que está sendo adotada por diversas empresas.

Ao optar pelo home office é necessário ter um ambiente dentro de sua casa totalmente dedicado para suas atividades, isso traz mais concentração e faz com que se mantenha o foco na tarefa que está sendo executada. Também é preciso ficar atento com a carga horária, já que muitas empresas estendem suas atividades além dos horários tradicionais.

Dependendo do fluxo de trabalho do profissional autônomo ou liberal é possível ganhar mais dinheiro do que quem é contratado por empresas no formato tradicional. O caminho pode ser bastante recompensador, mas também é preciso tomar alguns cuidados como ter disciplina com horário, foco e organização para que você consiga entregar o seu trabalho com qualidade e dentro do prazo. Além disso, o trabalhador deve se programar para os meses com menos oportunidades, e, sempre manter uma reserva de recursos para os casos de imprevisto ou de acidente de trabalho. Essas são algumas formas de se evitar dificuldades financeira.

Com as características de cada tipo de trabalho apontado, escolher a que melhor se encaixa será mais fácil para começar a trilhar o seu próprio sucesso. Boa sorte!

Sebastián Siseles — Diretor Internacional do Freelancer.com, responsável pela expansão global do site. Formado em Direito pela Universidad de Buenos Aires, e em Marketing, com MBA pela University of Pittsburgh. Especialista em finanças corporativas e práticas gerais de negócios, o executivo também fundou várias empresas de comunicação e Internet.

SANTA HELENA: Prefeitura continua incentivando os Agricultores Rurais do munincípio 2

Por Gleicy Ferreira

Na manhã de hoje (01) a coordenação da Política Segurança Alimentar, representando a Prefeitura Municipal, visitou os Agricultores da Zona Rural, para traçar novos projetos para apresentação na Secretaria Municipal de Agricultura de Santa Helena.

A visita tem como objetivo instruir, ajudar, acompanhar e melhorar o cultivo dos agricultores do município, vale ressaltar que a Prefeitura já realiza vários projetos de incentivo ao produtor e inclusive conseguiu junto ao Governo do Estado recentemente, uma Patrulha mecanizada que também ajuda e muito as mães e pais de família que tiram do solo o seu sustento.

Acompanhar de perto o dia a dia das famílias rurais é uma nova forma de fazer gestão, trazer para pauta tudo que é dito por eles, porque ninguém melhor que os próprios sabem das suas necessidades.

O Plantio, a criação de animais, a fabricação da farinha, são alguns dos segmentos agrícolas que a Prefeitura de Santa Helena apoia e acredita no desenvolvimento.

“É muito importante a gente acompanhar os produtores porque eles são os responsáveis por boa parte do alimentos que chegam em nossa mesa, e é obrigação minha junto com minha equipe, está sempre sempre ao lado deles, ajudando no que for preciso, para que juntos a gente consiga melhorar cada vez mais a vida do nosso povo.” Finalizou Zezildo Almeida – Prefeito do Munícipio de Santa Helena-Ma.

 

A “guerra comercial”

Por Eden Jr.*

As disputas comerciais, que começaram entre Estados Unidos e China, e resvalaram para boa parte do mundo, já ameaçam o desempenho da economia global. O G20, grupo que reúne as mais ricas nações do mundo, afirmou no último dia 22, ao encerrar a reunião de Buenos Aires, que as tensões comerciais impactarão negativamente a performance da atividade econômica do planeta e sugere o entendimento entre os países. Presente também no evento, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a escalada protecionista pode remover até R$ 430 bilhões de dólares da economia até 2020. Esses números devem fazer o PIB mundial cair 0,5% e o da América Latinar diminuir 0,6%. Nesta quinta-feira, dia 26, em Joanesburgo, durante a reunião dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, principais potências emergentes) foi assinada declaração de apoio ao livre comércio, condenando o unilateralismo e o protecionismo, isso em virtude das ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

As divergências comerciais começaram no início deste ano, quando a Casa Branca impôs tributos de importação para máquinas de lavar e painéis solares. Na ocasião, a China foi o país mais atingido, tendo em vista que exporta esses itens para os EUA. Entre março e maio os americanos taxaram o aço e o alumínio exportados pelos chineses. Ato contínuo, o governo de Pequim retaliou e instituiu barreiras a produtos americanos. Porém, a dita “guerra comercial”, só começou, de fato, no dia seis deste mês, quando Donald Trump taxou em 25% artigos chineses, que equivalem a 34 bilhões de dólares em importações. A China respondeu na mesma moeda, e estabeleceu barreiras contra às exportações americanas, em igual valor, e acusou os EUA de iniciar a “maior guerra comercial” da história.

As razões alegadas pelos americanos, para fixar restrições aos produtos da China, são a prática, pelos chineses, de furto de propriedade intelectual das firmas americanas; adoção de medidas que forçam companhias americanas a revelar segredos comerciais aos asiáticos – isso em troca de acesso ao mercado chinês – e desvalorização artificial da moeda chinesa, o yuan, o que torna o dólar mais caro e retira a competitividade dos produtos americanos.

Não satisfeito, em 10 de julho, o governo americano implementou outra rodada de aumento de tarifas, dessa vez sobre 200 bilhões de dólares em importações chinesas (entre os itens estão roteadores, móveis e bolsas), elevando ainda mais a tensão sobre o comércio entre os dois países. Essa nova taxação, fez os chineses reclamarem à Organização Mundial do Comércio (OMC) – instituição que regula o comercio mundial. Na sequência, os americanos da mesma forma recorreram à OMC, contra China, União Europeia (UE), Canadá, México e Turquia, questionando tarifas aplicadas por esses países, em represália ao governo Trump ter subido o imposto de importação do aço e do alumínio.

A UE entrou no imbróglio ao também decretar taxa extra de 25% sobre a importação de aço oriundo de qualquer país. O bloco justificou que a imposição de tarifas pelos americanos sobre o aço e o alumínio provocou mudança nas rotas comerciais, tendo como consequência o desvio de parte dessa produção para a Europa. Circunstância que causou danos às siderúrgicas e aos trabalhadores desse setor na região.

Contudo, as medidas protecionistas têm gerado efeitos negativos para os próprios Estados Unidos. Montadoras de veículos informaram ao Departamento de Comércio dos EUA que as novas tarifas sobre carros e peças elevarão o valor dos automóveis em 83 bilhões de dólares a cada ano. Isso em virtude de toda a cadeia de fabricação sofrer aumento de preços – em razão dos novos impostos – o que ocasionará o corte de milhões de postos de trabalho. A fábrica da BMW, localizada no estado americano da Carolina do Sul, é a maior da marca alemã em todo o mundo e de onde sai grande parte da exportação de veículos dos Estados Unidos. Gera milhares de empregos na região, pois há dezenas de empresas fornecedoras que fabricam componentes, que além de serem usados na produção dos automóveis, são também exportados. Ademais, as taxações elevam o valor dos carros feitos na Carolina do Sul e induzirão outros países a estabelecer restrições aos veículos americanos. Tudo isso somado, levará ao desemprego de trabalhadores – muitos dos quais votaram em Trump – e à quebradeira de companhias.

Donald Trump destinou cerca de 12 bilhões de dólares para pecuaristas e agricultores que perderam espaço nas exportações para China, que revidou ao aumento de tributos determinado pelos Estados Unidos. O problema é que vários outros setores, como o petroquímico e o automobilístico, igualmente atingidos pela “guerra comercial”, vão querer o mesmo benefício, que será impossível de ser estendido a todos.

Num episódio que trouxe alívio à disputa comercial, EUA e União Europeia chegaram a um acordo semana passada, para zerar momentaneamente barreiras, subsídios e tarifas. Além disso, os europeus comprarão bilhões de dólares de soja e gás natural dos norte-americanos. A trégua foi recebida com otimismo pelo mercado, e nesta quarta-feira, dia 25, as bolsas de Nova York e de São Paulo, subiram 0,68% e 1,34%, respectivamente, e o euro e o real sofreram forte valorização.

Importante notar, que a política protecionista implementada por Trump, que tem gerado toda essa confusão mundial, e inclusive ameaçado o emprego de milhões de americanos, é contrária às doutrinas econômicas liberais pregadas historicamente por seu partido, o Republicano. Fato que deve chamar atenção dos eleitores brasileiros no período de campanha, pois candidatos a presidente têm se apresentado como liberais, apesar de terem trajetória política ligada às causas protecionistas, corporativistas, intervencionistas e estatizantes.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)