Centro de Laçamentos: José Reinaldo quer fundo para comunidades quilombolas de Alcântara

O Centro de Laçamentos e os quilombolas

por José Reinaldo, deputado federal

Uma nova fase de forte desenvolvimento mundial terá como base as possibilidades de novos serviços oferecidos em escala global para uso comercial das novas e complexas tecnologias espaciais. A entrada da iniciativa privada no setor visando grandes negócios impactará o mundo para sempre, pois mudará o enfoque atual dos programas espaciais mais voltado para a defesa e a segurança para a prestação de serviços essenciais ao mundo inteiro. Isso será uma realidade em pouco tempo. Dentro em breve teremos, em qualquer lugar do planeta, a oferta dos mesmos serviços, com a mesma qualidade no mundo desenvolvido nos lugares mais remotos. Isso envolverá bilhões de dólares.

Poderemos ocupar uma posição estratégica no mundo, podendo participar e tirar grande proveito econômico e social de tudo isso o que nos ajudará a queimar etapas em nosso incipiente desenvolvimento. Temos um enorme e valioso trunfo: o melhor centro de lançamento de foguetes e satélites do mundo, que permite mandar 30% a mais de carga nos foguetes, com custos muito menores desde o lançamento até na sua colocação em órbita. Uma dádiva de Deus.

E não somos nós que reconhecemos isso. O mundo inteiro acompanha com grande interesse o que acontece no CLA.

Para que isso aconteça é necessário um indispensável entendimento com as comunidades quilombolas que habitam essas áreas. A experiência anterior não deixou formado um caminho que satisfizesse amplamente essas comunidades pois tudo que foi feito até agora foram ações pontuais como a construção de casas, escolas, centros de saúde mas não modificou o nível de vida deles e isso dificulta uma solução satisfatória para todos os envolvidos, e por isso mesmo, nunca se sentiram parte integrante e beneficiários do programa, e assim resistem a serem realocados por não serem beneficiários, permanentemente, de todo esse mundo novo. Ao não se sentirem integrados ao programa resistem e são usados por aqueles que não querem ver o Brasil como parte muito importante desse grande negócio. Podem-se ver esses defensores do “status quo” se mudando para Alcântara nessas fases, para “defender” os quilombolas.
Esse enfoque apenas pontual e não permanente ajuda a disseminar a resistência. Não se sentem incluídos, se sentem prejudicados.

Assim é inteiramente justo que essas comunidades pobres que vão ceder as suas terras sejam beneficiadas, sempre, por essa atividade. Precisam ser sócios dos lançamentos e se beneficiarem a cada vez que um foguete for lançado, e não apenas uma vez quando da relocação mas, permanentemente. Precisam se sentir parte daquilo tudo.
Como fazer isso? Como fazer com que eles sejam beneficiários permanentes do programa espacial?

Eu convoquei a Frente Parlamentar Para Modernização do CLA, que criei e presido, na Câmara dos Deputados para discutir o assunto.

Mas, tenho uma proposta a fazer. A criação de um Fundo de Desenvolvimento das Comunidades Quilombolas de Alcântara, que seria gerido pelo CLA, para garantir a correta aplicação dos recursos, mas a destinação dos recursos seria decidida por um conselho diretor composto de representante da prefeitura de Alcântara, pela fundação Palmares e outras entidades representativas dessas comunidades. O Fundo será alimentado por uma percentagem do valor a ser cobrado por cada lançamento no CLA. E pode ser financiado qualquer tipo de projeto do interesse dessas comunidades.

Alcântara será um importantíssimo Centro de Lançamento se resolver seus problemas. O interesse é global. As entidades do setor, de vários países, públicas e privadas, já visitaram o nosso centro. Para terem ideia do que estamos falando hoje existem em órbita, lançados por todos os países, um pouco mais de 1.300 satélites. Só a SpaceX, empresa privada que me procurou em Brasília e que já esteve em Alcântara, pretende lançar mais de 13.000 satélites. O Mercado global das atividades aeroespaciais que é de 330 bilhões de dólares vai dar um pulo e conforme previsão será de 12,7 trilhões de dólares. Nada é maior do que isso.

A Visiona empresa espacial da Embraer e da Telebrás me pediu para marcar um horário para que seu presidente viesse a Brasília para fazer uma exposição para mim sobre o que estão programando. Marquei para hoje as 10 horas da manhã.

O curso de engenharia aeroespacial vai começar neste ano. Anderson, o reitor do ITA, manda mensagem dizendo que o potencial de Alcântara estimula inovação em mestrado de engenharia, A UEMA deve assinar com o CLA um curso de mestrado em Computação Aplicada a engenharia aeroespacial com acordo previsto para ser assinado em abril.

O que não tinha nenhuma importância, como muitos pensavam, está se tornando um fortíssimo fator para o nosso desenvolvimento.

Vale a pena sonhar e lutar para que isso se torne realidade.

É o que estamos fazendo.

Deixe uma resposta