Você tem medo de desagradar os outros?

Saiba como fortalecer sua autoconfiança

Thaís Petroff, via Vya Estelar

Não é incomum conhecermos pessoas que sentem necessidade de agradar outras ou medo de desagradá-las.

Há a necessidade de se sentir aceito e a opinião do outro tem um peso muito grande sobre como a própria pessoa se percebe.

Se você se identifica com essa descrição, já parou para pensar o que te faz sentir assim?

Com que muitas vezes se torna mais importante agradar ao outro do que a si mesmo ou até abrir mão de coisas importantes para você em prol de não desagradar outra pessoa?

Talvez você tenha respondido que se sente inseguro(a) ou tem baixa autoestima. Se foi isso que pensou você acertou.

Para podermos ser assertivos e lidarmos com a possibilidade de desagradar o próximo (e ligado a isso o medo da rejeição) precisamos ter autoconfiança.

Nosso valor como pessoa nada tem a ver com a opinião dos outros

Saber do nosso valor como pessoa e que este nada tem a ver com a opinião dos outros a nosso respeito, ou seja, que se alguém discordar de nós ou mesmo não gostar de alguma escolha ou comportamento nosso, que isso não diminui o seu valor ou te torna alguém pior.

Como fazer isso?

Para poder ter mais autoconfiança e não depender tanto da opinião dos outros, primeiro é preciso saber o que você pensa e deseja. Sem autoconhecimento isso é impossível.

Portanto, o primeiro passo é ir percebendo cada vez mais o que você pensa e/ou sente diante das diversas situações que te aparecem.

Uma maneira bastante fácil de fazer isso é se perguntar sempre que te fazem um convite, que você precisa tomar uma decisão, que você precisa ter uma ação, o que você realmente pensa sobre isso ou como gostaria de proceder.

Mesmo que no início seja difícil de fazer o que você realmente gostaria (por medo de desagradar o outro) isso já te auxiliará a ir tomando mais consciência das suas opiniões e desejos.

Conforme você for percebendo isso melhor, vá aos poucos testando em uma situação ou outra colocar sua opinião e/ou vontade. Se for necessário comunique ao outro que isso é algo importante para você.

Boas relações são aquelas onde há respeito e cuidado. Se o outro não demonstra atenção ou abertura para suas vontades e opiniões, cabe uma reflexão sobre a funcionalidade e qualidade dessa pessoa em sua vida.

Conforme você for praticando isso aos poucos, perceberá que a insegurança vai diminuindo e paralelamente sua autoconfiança estará crescendo.

O mais difícil é começar, como um carro que precisa de muito mais força para sair da inércia (por isso a primeira marcha e a ré são as marchas mais potentes do carro) mas, após começar a andar, a força a ser despendida vai diminuindo pouco a pouco.

Permita-se!

O grande engano está em olhar para fora antes de olhar para dentro

Aprenda a fechar os olhos…

por Samanta Obadia, via Vya Estelar

Existem momentos na vida em que o que os outros são ou fazem nos pesa demais, nos oprime. Na verdade, o que nos deixa mal é a nossa insatisfação pessoal. Mas perceber isso não é nada fácil. Depende de um longo caminho ao interior de si mesmo, que grande parte da humanidade não está disposta a percorrer. Pois é muito difícil lidar com nossos vazios e, consequentemente, com a inveja que alimentamos de quem aparenta estar mais feliz do que nós.

Estar triste, muitas vezes, nem é o maior problema. Mas suportar a alegria do outro diante da ausência da nossa é o que mais dói. Quando nossos ‘vales’ nos deixam afundar, o que devíamos buscar é a ajuda de alguém ou de algo que nos puxe pra cima.

Contraditoriamente, a maioria de nós, coloca uma música triste, busca a compulsão que nos atola no pior lugar de nós, e começa a arrastar as correntes de um passado mais feliz ou de um futuro almejado que ainda não chegou.

Abrir a janela para ver se a grama do vizinho está mais verde do que a nossa não é mais um recurso, até porque poucos de nós temos casa e jardim.

Contudo, há um simples movimento que com certeza nos deprimirá rapidamente e muito mais, nos levando ao fundo do poço: num toque, acessamos as redes sociais, onde todos são felizes, lindos, bem-sucedidos e em eventos fabulosos.

Por que a tragédia de nossas vidas é tão atraente?

Por que a tristeza e a melancolia têm poesia?

Por que nos comparamos aos outros se percebemos nossas diferenças e somos tão diversos?

Que necessidade de ser igual, de ser melhor é essa que nos remete a um lugar tão medíocre padronizado?

Por que acreditamos que temos de desejar o mesmo que os outros desejam?

A liberdade de ser o que se realmente é começa quando eu me permito pensar, perguntar, e experimentar-me antes de olhar para fora. O grande engano está em olhar para fora antes de olhar para dentro. Como disse sabiamente, William Shakespeare, “Quanto mais fecho os olhos, melhor vejo”.

Você confia verdadeiramente em si mesmo?

Individuação é um processo inerente à vida, através dele o ser humano torna-se o que realmente é

por Aurea Caetano, via Vya Estelar

O conceito junguiano de “Individuação” tem importância fundamental para a discussão acerca do processo de cura ou solução de problemas sobre o qual conversamos em texto anterior – veja aqui.

Para Jung, a individuação é um processo inerente à vida; através dele o ser humano torna-se o que realmente é, torna-se um ser inteiro, indiviso, único, sua melhor possibilidade de expressão.

A ideia da inteireza e unicidade aparece desde os antigos filósofos gregos, o “conhece-te a ti mesmo” é apenas um exemplo.

Hillman, importante pensador pós-junguiano propõe o que chama de “a teoria do fruto do carvalho”. Diz ele que cada um de nós tem dentro de si uma imagem, um daimon “cada um de nós tem seu feitio, cada um de nós é definitiva e até desafiadoramente um indivíduo singular”.

É essa singularidade que está em jogo quando pensamos em um processo de análise. Os conflitos ou problemas que surgem e que fazem com que sejamos procurados em nossos consultórios tem muito a dizer a respeito disso. Grande parte de nosso trabalho é abrir as janelas, deixar a luz entrar, limpar a casa, tirar o pó ou lixo lá acumulados para então decidir como lidar com aquilo que nos pertence, que nos aflige, que ocupa os porões de nossas casas. Definir o que fica e o que vai embora, o que pode ser reorganizado, o que não tem mais jeito e deve ser inutilizado, abrir espaço para o novo.

O fio condutor neste trabalho é o processo de individuação – estamos sempre tentando compreender qual o sentido daquele sintoma ou problema para aquela personalidade. Buscando sempre fazer contato, trazer à tona, o que é essencial, o que é realmente e desafiadoramente “o feitio de cada um”. É preciso discriminar que tipo de semente tenho dentro de mim, ou melhor, que tipo de semente verdadeiramente sou.

Conflitos surgem quando questões difíceis ou traumáticas obscurecem, incapacitam ou invalidam o caminho em direção à melhor realização do que é a minha semente.

Muitas vezes, esquecemos quem somos e o trabalho em psicoterapia passa por tentar fazer lembrar, despertar nossa individualidade, abrir espaço para que o processo de individuação possa acontecer.

Muitas vezes acreditamos que este é um processo fácil, se sou uma semente de carvalho então nada mais natural do que me tornar ao longo da vida um lindo espécime. Esquecemos desta forma nossa responsabilidade acerca deste processo.

Jung dizia que para que uma árvore possa brotar e crescer em todo seu esplendor é necessário, antes de mais nada, que ela possa estar bem plantada, com raízes profundas que possam sustentar seu pleno desenvolvimento.

Precisamos entrar em contato com aquilo que nos move, com o que faz de nós o que realmente somos e buscar nosso caminho verdadeiro. Este é o movimento que norteia o processo de análise e ele não é trilhado sem esforço. É preciso discriminar o que é real e o que é “acessório” ou ilusório e estar aberto a questionar isso o tempo todo. É preciso identificar e confiar em nosso bem mais precioso, nossa semente.

Meu filho fuma maconha e se autoflagela. O que faço?

Meu filho necessita ser avaliado por um time de especialistas

Danilo Baltieri, via Vya Estelar

Meu filho necessita ser avaliado por um time de especialistas

Depoimento de uma leitora:

“Olá! O que fazer quando seu filho é usuário de maconha e sente cólicas abdominais que o levam a se autoflagelar? Nenhum médico conseguiu encontrar a raiz das dores. Pesquisando encontrei uma síndrome chamada Cannabis Hyperemesis, alguém pode me ajudar por favor?”

Resposta: As ações da maconha (?9 – tetrahydrocannabinol; THC) não se restringem ao cérebro, mas também atingem muitos outros sistemas orgânicos. No sistema gastrintestinal, por exemplo, as atividades da maconha parecem ser mediadas por um grupo de receptores endógenos para canabinoides, conhecido como CB1.

A ação do THC sobre estes receptores pode gerar retardo no esvaziamento gástrico, redução da secreção de ácido clorídrico, dor visceral, inflamação de partes do trato gastrintestinal e dificuldades para o relaxamento do esfíncter esofágico. Apesar deste efeito periférico – retardo do esvaziamento gástrico – poder, por si só, provocar náuseas e vômitos, este não é um sintoma comumente referido pelos usuários desta substância psicoativa. Isso se deve ao fato do THC também ter propriedades antieméticas (contra vômitos, náuseas, enjoos), oriundas da sua ação direta no próprio cérebro e estas atividades centrais inibidoras de náuseas e vômitos geralmente suplantam as ações periféricas.

A chamada Síndrome da Hiperemese Canábica foi descrita recentemente, no ano de 2004. Tipicamente, os portadores são jovens e apresentam história de consumo crônico de maconha. Na grande parte dos casos reportados na literatura, o quadro deu início após anos (3 a 15 anos) de uso da substância psicoativa e envolvendo sujeitos que faziam uso diário ou muito frequente da droga.

Critérios diagnósticos têm sido propostos para a Síndrome de Hiperemese Canábica, tais como:

a) consumo de THC por longo prazo;

b) náuseas e vômitos intermitentes e intensos;

c) redução significativa dos sintomas, quando o consumo de THC é interrompido;

d) busca frequente por pronto-socorros para obter o alívio do desconforto abdominal;

e) dor abdominal importante;

f) os sintomas são aliviados com banhos quentes;

g) os sintomas são mais frequentes pela manhã;

h) falta de antecedentes pessoais de problemas intestinais.

Alguns autores têm, também, dividido esta síndrome em três fases:

a) Fase Prodrômica ou Pré-Emética: nesta fase, o usuário de maconha acorda de manhã com leve sensação de náusea, tem medo de vomitar e reporta leve desconforto abdominal. Mesmo assim, seu padrão alimentar não tende a se modificar e o consumo da droga pode até mesmo aumentar, visto que o sujeito acredita que a maconha poderá “tratar” estes sintomas;

b) Fase Emética: nesta fase, o sujeito apresenta eventos paroxísticos (eventos súbitos) de intensa náusea, vômito e dor abdominal. De fato, são eventos súbitos e intermitentes (não contínuos), mas, muitas vezes, incapacitantes uma vez que o sujeito não consegue, nesta fase, desempenhar adequadamente suas atividades rotineiras. Um comportamento bastante reportado na literatura são os repetidos banhos quentes que os sujeitos tomam, como uma forma de aliviar o desconforto. Esta fase dura entre 24 e 48 horas, mas a recaída é elevada caso o sujeito mantenha o consumo de maconha;

c) Fase de recuperação: após a fase acima, o sujeito pode não sentir os sintomas gastrintestinais por semanas ou meses. Nesta fase, comumente, o sujeito volta a ganhar peso, mas, infelizmente, costuma retornar ao uso da maconha, acreditando, de fato, na sua inocuidade.

Na verdade, indivíduos que apresentam esta síndrome somente são corretamente diagnosticados após meses ou anos de investigação médica. Os sintomas da síndrome podem ser oriundos de diferentes doenças; logo, as investigações clínicas e laboratoriais realmente se impõem.

Um quadro clínico bastante similar à Síndrome da Hiperemese Canábica é a chamada Síndrome do Vômito Cíclico. Embora os sintomas sejam extremamente parecidos, na Síndrome do Vômito Cíclico, a coexistência de enxaquecas, sintomas depressivos e ansiosos é mais evidente. Além disso, o esvaziamento gástrico não costuma ser retardado.

O tratamento para esta condição combina ações clínicas e psiquiátricas. Naturalmente, na fase emética, dada a possibilidade de importante desidratação e desequilíbrio hidroeletrolítico, o sujeito precisa de atenção hospitalar. Algumas medicações de ação central podem ser aventadas nesta situação.

De qualquer forma, havendo a certeza, além de uma dúvida razoável, do diagnóstico da Síndrome de Hiperemese Canábica, é imprescindível que o portador cesse o consumo de maconha. Deixe-me repetir: o sujeito deve CESSAR o uso da maconha.

Comumente, nestes casos, existe grande dificuldade para o portador deixar de consumir THC. Assim, um tratamento psiquiátrico especializado deve compor o plano terapêutico.

É difícil, com apenas este relato, definir se de fato seu filho padece da Síndrome da Hiperemese Canábica, mesmo porque existe na sua pergunta uma palavra chamada “flagelo.” É fundamental que o médico psiquiatra que estiver acompanhando seu filho saiba exatamente ao que você está se referindo com esta palavra.

Boa sorte e não perca tempo! Seguramente, seu filho necessitará ser avaliado por um time de especialistas, incluindo psiquiatra e clínico especializado em doenças gastrintestinais (gastroenterologista).