PT: Em reunião da CNB/Nordeste, Zé Inácio defende adiamento do PED/2019 2

A proposta de Zé Inácio tem uma lógica política e partidária, qual seja a de construir as bases para a unidade petista necessária para o enfrentamento das lutas que se aproximam sob o governo Bolsonaro.

Em reunião da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), a maior força interna do PT, o deputado estadual Zé Inácio defendeu o adiamento do Processo de Eleição Direta do PT (PED/PT) previsto para acontecer no segundo semestre de 2019 em todo o país. O encontro da tendência teve início nesta quarta-feira, 28, na sede da CUT, em Brasília.

A proposta do parlamentar maranhense foi acatada pela Coordenação da CNB/Nordeste, em uma espécie de pré-reunião regional, e vai ser apresentada na reunião desta quinta-feira da CNB/Nacional, com a presença de representantes da corrente de todas as regiões do Brasil.

Na avaliação de Zé Inácio, exposta para as lideranças petistas do Nordeste, “o PT acertou na política de alianças no Nordeste haja vista o resultado eleitoral bastante satisfatório tanto para a Câmara Federal, Senado e principalmente para o Haddad, que venceu em todos os estados nordestinos no segundo turno”. E complementou afirmando que “esse cenário que saiu da urnas no Nordeste obriga o partido a repensar a realização do PED em 2019, sendo mais razoável adiar o processo em nome da unidade partidária e consequente do fortalecimento do PT”.

Unidade também no Maranhão

Zé Inácio é eleito para a Coordenação da CBN/Nordeste.

A proposta de Zé Inácio tem uma lógica política e partidária, qual seja a de construir as bases para a unidade petista necessária para o enfrentamento das lutas que se aproximam sob o governo Bolsonaro.

Outro aspecto importante da “Proposta Zé Inácio”, digamos assim, é sinalização positiva para a questão local, já que ao defender o adiamento do PED 2019 o deputado abre mão de disputar a presidência do PT no Maranhão, atualmente comandada por Augusto Lobato que pertence a outro campo político.

O fato é que Zé Inácio foi feliz na sua proposição, tanto que recebeu muitos elogios das lideranças da CNB/Nordeste, além de ser indicado para integrar a Coordenação Regional da tendência.

Agora é aguardar como a CNB/Nacional receberá a “Proposta Zé Inácio” na reunião desta quinta-feira.

Caso seja aprovada também pelo comando nacional da corrente, o passo seguinte é trabalhar no convencimento dos membros do Diretório Nacional do PT.

É aguardar e conferir.

Frente de esquerda sem o PT é coisa para a direita ver 4

Lutar pela bandeira do “Lula livre” não impede que o Haddad lidere uma pauta oposicionista com a responsabilidade de quem disputou a presidência da República a partir de um programa democrático, republicano e moderado.

Que o PT errou muito isso até muitos petistas não sectários estão carecas de saber. Assim como acertou muito também. Aliás, não seria exagero algum afirmar que o Brasil com o PT, mesmo antes do partido eleger Lula presidente, incluiu várias pautas caras na sociedade brasileiras que eram completamente estranhas ao país pré-PT.

Nesse sentido, é um equívoco monumental alguns partidos de esquerda acharem ser possível a construção de “Frente de Esquerda” isolando o PT. Aliás, é mais do que um equívoco: é uma desonestidade histórica com o partido.

Nesse sentido, Fernando Haddad está correto ao afirmar que “Frente de esquerda sem o PT ou é miopia ou uma esquerda que não é tão esquerda assim”.

O ex-candidato petista a presidente da República, derrotado no segundo turno por Jair Bolsonaro, fazia alusão à articulação encabeçada por Ciro Gomes (PDT), que conta ainda com o PCdoB e setores do PSB.

Mas, se por um lado Haddad está correto na sua ironia sobre a tal “Frente de Esquerda” sem o PT, por outro erra ao não assumir de uma vez por todas o papel de líder da oposição da esquerda democrática ao futuro governo.

Lutar pela bandeira do “Lula livre” não impede que o Haddad lidere uma pauta oposicionista com a responsabilidade de quem disputou a presidência da República a partir de um programa democrático, republicano e moderado.

Ao ficar vacilando na sua condição de liderança de oposição, Haddad cria um vácuo que aos poucos vai sendo ocupando por atores como Ciro Gomes e outros.

Não é demais lembrar que o próprio Lula já “lançou” Fernando Haddad como principal liderança oposicionista logo após o resultado do segundo turno da eleição presidencial. Deve o petista, portanto, tomar para si o papel que a eleição de 2018 lhe deu ou vai perder o bonde da história para algum aventureiro de esquerda ou disfarçado de esquerda, o que é pior.

Enfim, a verdade é que “Frente de Esquerda” sem o PT, de esquerda de fato não é.

É apenas coisa para a direita ver.

Em entrevista à Mirante AM, Zé Inácio defende união dos deputados da Baixada na AL e faz balanço eleitoral positivo do PT

O petista concedeu uma longa entrevista abordando várias questões importantes do interesse da sociedade maranhense em geral, em particular para o povo da baixada.

Muito importante a defesa feita por Zé Inácio (PT) em prol da união dos deputados estaduais da Regão da Baixada na Assembleia Legislativa do Maranhão

Em entrevista na manhã desta quarta-feira, 21, concedida ao programa Ponto Final (Mirante AM), apresentado por Roberto Fernandes, o parlamentar petista, reeleito com quase 32 mil votos, disse acreditar que a Baixada poderá ter mais força com a eleição de três deputados da região.

“Eu acho que os deputados que foram eleitos na região na Baixada, alguns com origem na região da Baixada e outros com atuação na Baixada é importante ter essa sintonia e articulação para defender as pautas em defesa da Baixada. Eu acredito que a boa relação entre os deputados que foram eleitos poderá contribuir muito para que tenhamos uma atuação em conjunto na defesa da Baixada”, destacou.

Além de Zé Inácio, a partir de fevereiro de 2019, o parlamento maranhense contará com mais dois deputados “baixadeiros”: Leonardo Sá (PRTB) e Thaiza Genésio (PP).

Ainda na entrevista à Mirante AM, Zé Inácio afirmou que continuará defendendo temas importantes que foram destaques nos primeiros 4 anos.

“Nós temos uma expectativa de continuar e ampliar as pautas que defendemos no primeiro mandato, dentre elas a questão racial, educação, saúde, agricultura familiar, defesa das comunidades quilombolas, mobilidade urbana, segurança pública, enfim são temas que defendemos e vamos continuar trabalhando na Assembleia”, assegurou.

Ponte Bequimão-Central

Zé Inácio não deixou passar batida uma questão cara para a Região da Baixada maranhense, que é a obra da ponte Bequimão-Central e disse que continuará lutando para a conclusão da obra.

“A ponte Bequimão-Central que é um sonho da população dos municípios dessa região e 10 municípios serão beneficiados. Continua a cobrança muito grande para que a obra venha a ser concluída. Nós não temos dúvida de que ela será concluída. A única questão é que ela está se dando de forma muito lenta por conta de diversos fatores, mas essa é uma outra pauta que nós estaremos numa posição muito firme de cobrar o governo do Estado que tem uma posição firme de fazer essa obra. Na verdade a obra nunca parou, os serviços é que estão sendo executados de forma muito lenta. Eu acredito que a partir do ano que vem, a obra ganhará um ritmo mais acelerado e esse é o nosso papel como deputado cobrar a conclusão da obra que é importante para o crescimento econômico da região”, considerou.

O PT

Outro assunto abordado na entrevista o resultado das eleições deste.

Como não poderia deixar de ser, Zé Inácio faz uma avaliação sobre o desempenho do PT nas eleições 2018, considerando positivo o resultado para o partido mesmo com a derrota na disputa presidencial.

“Primeiramente é importante destacar que nesses últimos dois três anos, o PT sofreu um desgaste muito grande. O partido foi criminalizado. Várias lideranças nossas foram perseguidas sobre o ponto de vista político e ainda assim com esse desgaste, a minha opinião é de que o PT saiu um partido fortalecido nos municípios, com os movimentos sindicais. Nós fizemos a maior bancada na Câmara dos Deputados. Nós elegemos 4 governadores. Somos o segundo partido que mais elegeu deputados estaduais a nível nacional e na eleição presidencial com a retirada da candidatura do Lula, nós tivemos que colocar o Fernando Hadad e mesmo com a derrota nas urnas o partido saiu fortalecido. O partido agora tem que se organizar para disputar a eleição de 2020 e depois pensar em 2022. Com o massacre midiático que o PT sofreu isso fez com que o partido tivesse uma rejeição muito grande, mas nós conseguimos confrontar dois projetos políticos bem distintos e nós temos que respeitar o projeto vencedor que foi o de Jair Bolsonaro que foi eleito para fazer o que ele tem dito. Ele já disse que vai acabar com o Mais Médicos e retirar os médicos cubanos. Esse é um exemplo típico dos debates que nós teremos entre o projeto que foi apresentado pelo PT e o programa da ulta-direita respaldada no neo-liberalismo. O PT agora tem que se comportar como Oposição, mas fazendo uma Oposição responsável para que não possa aprofundar a crise política que tomou conta do país nos últimos anos”, explicou.

(Com informações do blog do Zeca Soares).

Zé Inácio sai em defesa da prefeita França do Macaquinho

Na avaliação do parlamentar petista, estão querendo fazer com a prefeita França do Macaquinho o mesmo que fizeram com o ex-presidente Lula, ou seja, persegui-la e tirá-la do processo político-eleitoral por saberem da força popular que a prefeita possui em Santa Luzia.

O deputado estadual Zé Inácio (PT), usou a tribuna da Assembleia Legislativa, na quarta-feira, 14, para sair em defesa do mandato da prefeita de Santa Luzia, França do Macaquinho (PP), além de exaltar a sua gestão à frente do município, considerada como uma da melhores do Maranhão.

O parlamentar petista fez ainda uma referência ao apoio popular que gestora conta, após ter participado, na terça-feira, 13, Santa Luzia, durante uma grande manifestação em defesa do mandato de França do Macaquinho, quando cerca de 15 mil pessoas ocuparam as ruas da cidade em defesa do seu mandato.

“A população se mobilizou de forma espontânea fez um grande ato democrático, um ato em apoio à prefeita França do Macaquinho que permanece no comando da gestão daquele município porque a população reconhece o trabalho da prefeita, reconhece que ela vem fazendo um grande trabalho em favor da população. Na verdade, a prefeita França é considerada uma das melhores gestoras do Maranhão, com aprovação em torno de 70% da população e isso ficou claro quando cerca de 15 mil pessoas ocuparam as ruas da cidade em defesa do mandato da prefeita”, assegurou o deputado.

Perseguição política

No seu pronunciamento, Zé Inácio fez referência ainda à tentativa da oposição local em apear a prefeita do poder numa espécie de golpe judicial, completamente desprovido de provas contra a gestora municipal.

Na avaliação do parlamentar, estão querendo fazer com a prefeita França do Macaquinho o mesmo que fizeram com o ex-presidente Lula, ou seja, persegui-la e tirá-la do processo político-eleitoral por saberem da força popular que a prefeita possui em Santa Luzia.

“Quero destacar que, na última quinta-feira [8], todos nós fomos surpreendidos com uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral que cassou o mandato da prefeita. Acreditando no Poder Judiciário, no Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, nós ingressamos com medidas pertinentes que permitiram que a prefeita permanecesse no cargo. Digo mais, como tenho acompanhado o processo e dada a fragilidade das provas, provas inclusive que foram juntadas aos autos e produzidas de forma irregular, de forma clandestina, eu não tenho dúvidas de que o TRE-MA não validará essas provas que não terão fundamento necessário para manter a decisão anterior. A prefeita foi para a campanha só com a cara, a coragem e o apoio popular que lhe deu a expressiva votação que lhe consagrou vitoriosa e fez com que ela fosse eleita em 2016. Agora ela caminha para uma reeleição, ela é imbatível e por isso tenta criar uma situação que é de tirá-la do processo eleitoral, assim como fizeram com o Lula para não ser candidato porque sabiam que ele ganharia eleição, em primeiro turno”, concluiu Zé Inácio.

JOSÉ DIRCEU: “Temos que aprender com os coxinhas” 8

Luís Antônio Giron, IstoÉ

O ex-ministro José Dirceu de Oliveira e Silva, ou Zé Dirceu, admite que a esquerda precisa aprender com os protestos populares que depuseram Dilma Rousseff em 2016 se quiser voltar ao poder. De acordo com o petista, a resistência popular nas ruas se faz necessária agora. “Temos que apreender com os coxinhas. Organizar o povo e fazer o que eles fizeram, colocando nas ruas seis milhões de coxinhas ou de setores conservadores das classes médias que se opunham ao governo — o que é legítimo”. Para Dirceu, que lançou recentemente lançou suas “Memórias – volume I” (Geração Editorial), abarcando os anos de 1968 a 2005, o Brasil precisa de uma repactuação. “Se eles não concordarem, vai acontecer o mesmo que aconteceu à ditadura militar: uma hora ela cai”. Ele avalia que o País de 1968 era muito conservador e autoritário e “mudou para melhor”. Mas estaria havendo, no seu entender, uma “perigosa regressão de direitos sociais, cultural, em razão do fundamentalismo religioso e do falso moralismo” personificado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro.

Você afirmou que assistir aos noticiários na televisão dentro do presídio foi um “agravo de pena”. Qual, afinal, o papel da televisão junto aos presidiários?

Evidentemente que o preso quer lazer, quer distância. Mas o preso quer trabalhar e estudar também. De qualquer maneira, é muito importante o lazer da televisão para o preso: a maioria dos filmes é enlatado e não tem qualidade, mas tem novelas, os seriados, o “Globo Repórter”, tem muitas coisas boas na televisão, como “Domingo Espetacular” e parte do “Fantástico”, aos domingos. Há qualidade na televisão. O problema é que não há informação plural diversificada. Não há o contraditório, esse é o grande problema. Os programas diurnos sobre a questão policial e do crime instigam essa mentalidade que o Bolsonaro representa. Os programas plantaram as sementes para o Bolsonaro ter essa votação.

Suas memórias se entrelaçam à história do Brasil dos últimos 50 anos. A imagem que você tinha do Brasil nos anos 1960 — oligárquico, escravagista, injusto — é a mesma que você tem do Brasil de hoje?

Nós não conhecíamos o Brasil. Quando eu saí depois do sequestro do embaixador, pus na minha cabeça que eu tinha de estudar o Brasil. Tanto que em Cuba estudei muito o Brasil depois do treinamento militar, entre 1972 e 1974, quando eu estava para voltar de novo ao País. Estudei, fichei, fiz análise, de projetos do governo ditatorial, de conjuntura, li os clássicos da história do Brasil, estudei a infraestrutura e a agricultura. Quando eu voltei em 1975 e vivi clandestino seis meses, todo mês eu visitava uma região do Brasil para conhecer. No PT, conheci o Brasil profundamente como secretário geral e presidente. Quem vai governar o Brasil tem que conhecer o País. De gabinete não se governa. O País de 1968 era muito conservador e autoritário. O Brasil mudou para melhor, até porque implantamos uma democracia. Agora está havendo uma regressão de direitos sociais, cultural, porque Bolsonaro significa uma regressão cultural perigosa por causa do fundamentalismo religioso e do falso moralismo — porque é falso o moralismo dele. A sociedade avançou no século XXI, no direito da mulher, dos homossexuais, das etnias, no respeito às diferenças e à diversidade. Mas aconteceu também a desigualdade, a miséria, a pobreza, a concentração de renda. São problemas tão graves como aqueles e precisam ser enfrentados. Querem regredir, querem desmontar a superestrutura constitucional de direitos, educacional e cultural que garante a diversidade e pluralismo. Daí essa história de escola sem partido, que na verdade é escola sem pluralismo.

Uma das passagens mais importantes de suas memórias está na reflexão sobre a luta armada durante a ditadura. Por que você conclui que a luta armada foi justificável?

O que eu digo é que moralmente está justificado. Mas do ponto de vista de como combinamos as ações armadas com a luta política parlamentar e de massas, foi um equívoco. Mas são coisas diferentes. Eu posso analisar como engenheiro de obra feita, porque fui partícipe disso. Mas temos que reconhecer que foi um erro.

Por que você não conta no livro que participou diretamente da luta armada nos anos 1970, apesar de ter recebido lições de guerrilha urbana com Carlos Marighella e recebido treinamento militar em Cuba?

Voltei ao Brasil em 1970 e participei da luta do Molipo [Movimento de Libertação Popular, organização guerrilheira apoiada por Cuba, formado por estudantes] em São Paulo. Não vou falar o que eu fiz. Quando eu fizer 80 anos, eu falo. Não vou me vangloriar pelo que fiz ou deixar de fazer. Até porque não vejo heroísmo de ter participado da resistência armada à ditadura. Era a cabeça da nossa geração, acreditávamos naquilo. Eu participei, sim. Mas não vem ao caso quando, onde e como.

Hoje a luta armada seria justificável?

A luta armada não se justifica mais. O Brasil já sofre de muita violência para agora introduzirmos no Brasil as forças armadas ou a resistência armada popular. O que temos que fazer é fazer a resistência popular nas ruas. Temos que aprender com os coxinhas. Organizar o povo e fazer o que eles fizeram, colocando na rua seis milhões de coxinhas ou de setores conservadores das classes médias que se opunham ao governo — o que é legítimo. E derrubaram pelo parlamento e pelo Poder Judiciário. E, se houvesse resistência, teriam derrubado pela força, porque estavam determinados. O país precisa do contrário da luta armada. O País precisa ser pacificado. O país precisa de uma repactuação. Se eles não concordarem, vai acontecer o mesmo que aconteceu à ditadura militar: uma hora ela cai. Se nós derrubamos a ditadura, por que não vamos derrubar a ditadura da toga, do parlamento, das elites e da mídia?

Sobre a coalizão com outras forças políticas — como o PMDB — que você coordenou para viabilizar o governo Lula, o que você faria diferente se pudesse voltar atrás?

Governo governa por ordem e comando do eleitor. O eleitor forma a Câmara e o Senado. Se você não tem maioria, em grande parte por causa do sistema eleitoral que temos, tem de fazer alianças. O problema é quem comanda a orientação do governo, o partido que elegeu o presidente ou os aliados. Nunca os aliados comandaram o governo do Lula, pelo menos enquanto eu estava lá. O erro não é fazer alianças, e sim não ter uma sustentação, mobilização e pressão popular constante e crescente sobre o parlamento, como a oposição fez com a presidente Dilma até derrubá-la.

A esquerda se uniu a forças conservadoras nessas coalizões e não conseguiu penetrar de fato nos mecanismos burocráticos que fazem o Estado funcionar. Minha impressão é que os governos de esquerda preferiram terceirizar a organização dos dispositivos burocráticos de poder a capacitar seus quadros para lidar mais intimamente com os mecanismos do poder. Houve um erro operacional nesse aspecto e foi isso que permitiu a corrupção?

A corrupção existe tão ou maior nas empresas privadas. Ela só existe por causa das empresas privadas. Não houve governo que criou mais leis e instrumentos para combater a corrupção que os de Lula e Dilma. O problema da burocracia estatal e das corporações são os concursos, são planos de cargo e carreira. O pensamento de direita capturou esses órgãos, que passaram a fazer política partidária, quando eram órgãos que deveriam ser republicanos. Talvez essa tenha sido a grande ilusão nossa. Porque alianças, concursos públicos e reestruturação de carreiras, tudo isso tínhamos que fazer, senão o Estado não funciona. O problema é que essas pequenas carreiras na Polícia Federal, Ministério Público, AGU, CGU, Receita, TCU sempre serviram aos poderosos. Elas se transformaram em superburocracias corporativistas, que querem autonomia do executivo, do legislativo, que querem controle. São pequenas corporações ditatoriais. Isso precisa ser resolvido no Brasil no futuro.

É possível construir uma agenda equilibrada e duradoura que mescle políticas sociais e liberalismo em um país tão desigual como o Brasil sem sobrecarregar os cofres públicos?

Os cofres públicos estão sobrecarregados por causa dos juros e das isenções fiscais dos Refis liberadas por Michel Temer, num total de mais de R$ 100 bilhões. O problema do Brasil não é combinar liberalismo com o social, mas fazer uma reforma tributária e bancária que crie um excedente social, que é o imposto, o suficiente para manter um estado de bem-estar social. Porque pensar no Brasil onde só o mercado vai cuidar do cidadão é jogar na miséria e na pobreza, como acontece em ciclos e ciclos, 30 ou 40% da população. O País explode.

Você escreveu o primeiro volume das memórias em circunstâncias precárias. Apesar disso, foi a prisão que o inspirou a escrever. Você se impôs uma disciplina?

Tirando o almoço coletivo, eu escrevia todo sábado e domingo, que são dias de baixo-astral na prisão, quando a gente se lembra da família e dos amigos. Escrevi 700 páginas com o mesmo papel e a mesma caneta, sentado numa cama, com uma luz ruim ligada o tempo todo porque a luz em uma sala é uma luz que não se escolhe para escrever.

Na juventude, você estudou Marx, Lênin, Tróstki etc. De que maneira esses pensadores o influenciaram?

Antes de ler Marx e Lênin, li Capistrano de Abreu, Pandiá Calógeras, Haddock Lobo, Celso Furtado, Fernando Henrique Cardoso. Tive acesso à literatura mundial muito jovem. Eu nunca fui marxista porque nunca transformei aquilo em religião ou ortodoxia. Mas li os principais livros de Marx, só que nunca estudei “O Capital”. Lênin era um grande político. Isso não quer dizer que adotei o leninismo como concepção de partido. Lênin foi um dos maiores líderes políticos do século XX. Li Isaac Deutsch. Nunca fui antitrotskista. As divergências internas do PT com o trotskismo não aconteceram porque eles eram trotskistas. Foi porque a política deles era equivocada. Nunca fui stalinista. Até porque rompi com o Partido Comunista Brasileiro por causa do espírito de em 1968, eu me opus à invasão da Tchecoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia, coordenadas pela União Soviética. Tenho influência forte de Cuba, do fidelismo e do Régis Debray. Nunca fui foquista. Sou socialista, de esquerda, mas não sou marxista-leninista. Tive influência de Max Weber e de Hermann Hesse, e de Gibran Kalil Gibran. Curzio Malaparte, que é um escritor fascista, escreveu duas obras primas — os romances “Kaputt” e “A Pele” — nas quais você toma um choque sobre o que era guerra e a vida. Nunca tive preconceito.

E os escritores de direita?

Considero Vargas Llosa e Nelson Rodrigues grandes escritores, apesar de serem de direita. Sempre combati a ideia de você não ter acesso à literatura de homens de direita. Seria um escândalo.

Setores da esquerda e da imprensa agem como Aécio Neves e não aceitam a eleição de Bolsonaro 6

Não gostar do resultado da eleição, não significa conspirar contra quem venceu, como fazem alguns porra-loucas das esquerdas mancomunados com uma imprensa que cada dia faz menos jornalismo e age mais como partido político, o mesmo PIG, ou seja, Partido da Imprensa Golpista.

Há setores expressivos da esquerda brasileira que estão agindo tal qual o ex-candidato a presidente da República, Aécio Neves (PSDB), quando não somente não aceitou, como tripudiou sobre a vitória de Dilma Rousseff em 2014.

Insatisfeito com o resultado das urnas, na época o tucano pediu a recontagem dos votos. Não dando certo o “golpe” por essa via, partiu para a radicalização ao liderar as articulações pelo impeachment da então presidente petista. O resto da história todos sabemos.

Agora a mesma esquerda que foi vítima do “golpe” que contou com apoiado da mesma imprensa “sulista” que detonou o PT, Lula e Dilma, mostram-se enfurecidos com a vitória de Jair Bolsonaro e não dão trégua ao presidente eleito pelo PSL nem mesmo neste momento da transição que, em verdade, ainda nem iniciou de fato. Pior: praticam os mesmos métodos de rancor e ódio da direita que eles juram combater.

É apostando no “quanto pior, melhor” que pseudodemocratas e esquerdistas de ocasião estão sendo embalados numa narrativa de uma esquerda burra, autoritária, intolerante e que finge aceitar as diferenças, quando de fato representa e encarna exatamente o outro extremo do espectro político-ideológico brasileiro.

Não se trata de gostar ou não de Bolsonaro; muito menos defender suas ideias ou seu programa de governo, mas tão somente aceitar a vontade popular expressada nos mais de 55 milhões de voto que o tal capitão obteve nas urnas.

Não gostar do resultado da eleição, não significa conspirar contra quem venceu, como fazem alguns porra-loucas das esquerdas mancomunados com uma imprensa que a cada dia faz menos jornalismo e age mais como partido político, o mesmo PIG, ou seja, Partido da Imprensa Golpista. Ou a expressão só valia quando a esquerda estava no poder?

O fato é que é chagada hora de mais luz e menos calor na política nacional.

Não é se comportando como os derrotados de 2014, e muito menos se deliciando com o apoio do “PIG”, que a oposição a Bolsonaro obterá algum êxito num futuro próximo.

É a opinião do Blog do Robert Lobato.

CIRO EM ESTADO PURO: Ciro Gomes diz que o PT elegeu Bolsonaro e chama Leonardo Boff de ‘bosta’ 10

O terceiro colocado nas eleições presidenciais, Ciro Gomes (PDT), quebrou o silêncio e voltou a fazer duras críticas ao PT, a Lula e a Fernando Haddad; ele nega ter ‘lavado as mãos’, diz que Gleisi Hoffmann e Frei Betto são ‘bajuladores’ e que negou ser vice na chapa do ex-presidente Lula porque aquilo “era uma fraude”; em tom de ressentimento e demonstrando ainda estar com a cabeça nas eleições, Ciro chegou a chamar o teólogo Leonardo Boff de ‘bosta’ – sic – e se queixou do acordo firmado entre PT e PSB que o deixou isolado na disputa; ele ainda diz que “o PT elegeu Bolsonaro” e que foi “traído por Lula”; sobre ter deixado o país em pleno segundo turno das eleições, ele diz que se sentiu “impotente”

247 – O terceiro colocado nas eleições presidenciais, Ciro Gomes (PDT), quebrou o silêncio e voltou a fazer duras críticas ao PT, a Lula e a Fernando Haddad. Ele nega ter ‘lavado as mãos’, diz que Gleisi Hoffmann, Leonardo Boff e Frei Betto são ‘bajuladores’ e que negou ser vice na chapa do ex-presidente Lula porque aquilo “era uma fraude”. Em tom de ressentimento, Ciro se queixa do acordo firmado entre PT e PSB que o deixou isolado na disputa e diz que “o PT elegeu Bolsonaro”. O pedetista reafirma que foi “traído por Lula” e que deixou o país em pleno segundo turno das eleições porque se sentiu “impotente”

Na entrevista concedida ao jornalista Gustavo Uribe, do jornal Folha de S. Paulo, Ciro Gomes explica porque não declarou voto a Haddad: “Não declarei voto ao Haddad porque não quero mais fazer campanha com o PT”.

Ele ainda comenta a frase dita tempos atrás sobre sair da vida pública caso Bolsonaro vencesse: “Eu disse isso comovidamente porque um país que elege o Bolsonaro eu não compreendo tanto mais, o que me recomenda não querer ser seu intérprete. Entretanto, do exato momento que disse isso até hoje, ouvi um milhão de apelos de gente muito querida. E, depois de tudo o que acabou acontecendo, a minha responsabilidade é muito grande. Não sei se serei mais candidato, mas não posso me afastar agora da luta. O país ficou órfão”.

Ciro surpreendeu em vários momentos a reportagem do jornal, indo na contramão do discurso de esquerda. Sobre os ataques feitos à Folha por Jair Bolsonaro, ele lavou as mãos. O jornalista Gustavo Uribe pergunta “e os ataques feitos pelo Bolsonaro à Folha? É uma ameaça?”. Ciro respondeu: “Não considero, não. A Folha tem capacidade de reagir a isso e precisa ter também um pouco de humildade, de respeitar a crítica dos outros”.

Sobre sua viagem à Europa em pleno segundo turno das eleições, Ciro alegou “impotência”: “Descaso não, rapaz, é de impotência. De absoluta impotência. Se tem um brasileiro que lutou, fui eu. Passei três anos lutando”.

Ao responder se votou em Fernando Haddad, Ciro mais uma vez se nega a responder diretamente e manifesta profunda irritação, fazendo uma crítica raivosa ao teólogo Leonardo Boff: “Vou continuar calado, mas você acha que votei em quem com a minha história? Eles podem inventar o que quiserem. Pega um bosta como esse Leonardo Boff [que criticou Ciro por não declarar voto a Haddad]. Estou com texto dele aqui. Aí porque não atendo o apelo dele, vai pelo lado inverso. Qual a opinião do Boff sobre o mensalão e petrolão? Ou ele achava que o Lula também não sabia da roubalheira da Petrobras? O Lula sabia porque eu disse a ele que, na Transpetro, Sérgio Machado estava roubando para Renan Calheiros. O Lula se corrompeu por isso, porque hoje está cercado de bajulador, com todo tipo de condescendências”.

Depois, Ciro nomeia quem ele considera os ‘bajuladores’ e acusa o PT de fraude: “É tudo. Gleisi Hoffmann, Leonardo Boff, Frei Betto. Só a turma dele. Cadê os críticos? Quem disse a ele que não pode fazer o que ele fez? Que não pode fraudar a opinião pública do país, mentindo que era candidato?”

Sobre ser convidado a ser vice de Lula, ele diz: “Porque isso é uma fraude. Para essa fraude, fui convidado a praticá-la. Esses fanáticos do PT não sabem, mas o Lula, em momento de vacilação, me chamou para cumprir esse papelão que o Haddad cumpriu. E não aceitei. Me considerei insultado”.

Em postagem nas redes sociais, irmão de Flávio Dino admite ter apoiado Ciro Gomes no primeiro tuno da eleição presidencial 6

O que chama atenção na postagem de Sálvio Dino é que ele teve a sua ficha de filiação ao PT abonada pelo ex-presidente Lula, no que seria de se julgar que o apoio e voto do mano do governador deveriam ser para Ferando Haddad desde o primeiro turno da eleição presidencial.

O advogado Sálvio Dino fez uma postagem nas redes sociais onde expressa uma certa indignação com personalidades públicas como o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa; e ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por ambos tentarem “limpar as suas biografias há menos 24h da votação” – numa referência ao fato das duas autoridades antipetistas declararem voto em Haddad no último momento do segundo turno.

Contudo, a carga crítica do irmão do governador Flávio Dino (PCdoB) foi mais pesada em relação ao ex-candidato a presidente pelo PDT, Ciro Gomes.

“Pior ainda foi Ciro Gomes, que se escondeu. Nunca mais o apoiarei, como fiz no primeiro turno”, detonou o causídico.

O que chama atenção nesse trecho da postagem de Sálvio Dino é que ele teve sua ficha de filiação ao PT abonada pelo ex-presidente Lula quando da sua visita a São Luis através da caravana “Lula pelo Brasil”, no que seria de se julgar que o apoio e voto do mano do governador deveriam ser para Fernando Haddad desde o primeiro turno da eleição presidencial.

Aí quando é com blogueiro Bob Lobato querem a cabeça do pobre…

BOLSONARO-17: Um voto crítico de um socialista convicto 43

Vou dar esse voto no “17” acreditando que o Maranhão vai precisar de interlocução no planalto, já que na planície a coisa está feia com um governador ideologizado totalmente de oposição a um eventual governo Jair Bolsonaro.

Milito na esquerda socialista/marxista desde o final da década de 80.

Meus primeiros flertes com o pensamento socialista foi com uma professora de História chamada Leila, uma simpática coroa lá do Colégio Franco Maranhense.

Depois veio o professor Joan, também de História, que fez eu ser cada vez mais de esquerda.

Contudo, foi só no Rio de Janeiro, em 1989, que consolidei minha ideologia esquerdista impulsionado por um companheiro do PCB, do Piauí, quando me convidou para uma plenária do partido convocada pelo então reitor da UFRJ, professor Horácio Macedo, de saudosa memória.

Poucas pessoas sabem, mas apenas uma vez deixei de votar no PT para presidente.

Foi exatamente em 1989, quando votei em Leonel Brizola no primeiro turno daquela eleição presidencial embalado pela adesão do “Cavaleiro da Esperança”, Luis Carlos Prestes, à candidatura do líder trabalhista.

Em 2010, apesar do apelo do também saudoso Jackson Lago, por pouco não votei em José Serra (PSDB) para presidente. Na época havia uma indignação de boa parte da esquerda maranhense por conta da cassação do ex-governador. Mesmo assim votei na Dilma.

Fui vice-presidente e tesoureiro estadual do PT no Maranhão. Tenho uma história nesse partido e protagonizei um papel importante no caso do “mensalão”, quando fui procurado por Domingos Dutra e Augusto Lobato, lá no SESC Itapecuru, para falar sobre o que sabia.

Não tenho arrependimento algum do que fiz, mas não faria novamente, confesso!

Pois bem. O Brasil está numa encruzilhada. Não é hora para omissões e Robert Lobato nunca foi de ficar omisso politicamente! Mais do que um blogueiro, sou um agente e militante político!

Vou dar um voto crítico no 17 amanhã, domingo 28.

Não acho que Bolsonaro seja o que o Brasil precisa, como também não acho que o professor Haddad seja essa “Brastemp” como querem fazer a gente acreditar. Aliás, nem Lula acha, tanto que demorou uma vida para escolher o “poste” ou a “Dilma de saia”, como muitos lulistas de carteirinha se referem a Fernando Haddad.

E falando em Lula, tenho lá minhas dúvidas se realmente o ex-presidente deseja ver Haddad eleito presidente. Se quisesse não teria publicado uma carta que, ao contrário de apoio ao candidato petista, na verdade é um tiro de morte na candidatura do “13”.

Também tenho lá minhas dúvidas se Lula queria ou não o impeachment da Dilma, mas isso é outra história que um dia tratarei em livro.

Vou dar esse a voto no “17” acreditando que o Maranhão vai precisar de interlocução no planalto, já que na planície a coisa está feia com um governador ideologizado totalmente de oposição a um eventual governo Jair Bolsonaro.

Não se trata de um voto de amor; de paixão muito menos.

Trata-se tão somente de um voto. Um voto de um socialista convicto!

Um voto também de lealdade a amigos e aliados.

Até segunda-feira, 29.

E seja o que Deus e os eleitores quiserem.