O PT e o governo Bolsonaro: Uma reflexão 4

Fazer oposição sistemática e cega a um governo que promete fazer algumas reformas que o Brasil precisa não é algo inteligente da parte do PT. Basta lembrar dos anos 90 quando o partido de Lula boicotou projetos importantes implementados pelo governo FHC, inclusive o Plano Real, mas que anos depois viria tirar proveito para fazer a revolução social no país durante os governos Lula e Dilma.

A eleição presidencial de 2018 colou o PT na oposição ao atual governo federal sob o comando de Jair Bolsonaro.

Ocorre que não é somente o resultado eleitoral que empurra o PT para fazer oposição, mas principalmente as linhas e concepções políticas e ideológicas que separam o partido das posições do atual presidente.

Todavia, o PT não é mais aquele partido dos anos 80/90 quando basicamente a sua tarefa estratégica era de fazer oposição aos governos de então e pautar temas caros à sociedade como justiça social, inclusão, combate à fome, fortalecimento da cidadania, entre outros que historicamente foram negligenciados pelas elites deste país. Foi nesse contexto que o partido cresceu e se tornou o que é hoje.

O PT passou 14 anos no poder central da República e sabe o quanto é difícil gerir um país com as complexidades do Brasil. A experiência adquirida durante todo esse tempo que foi governo obriga o petismo ao menos dialogar com o atual governo quando estiver em jogo projetos de interesse do país e do Estado brasileiro.

Fazer oposição sistemática e cega a um governo que promete fazer algumas reformas que o Brasil precisa não é algo inteligente da parte do PT. Basta lembrar dos anos 90 quando o partido de Lula boicotou projetos implementados pelo governo FHC, inclusive o Plano Real, mas que anos depois viria tirar proveito para fazer a revolução social no país durante os governos Lula e Dilma. Ou seja, o governo FHC fez reformas que jamais o PT as fariam se tivesse vencido quaisquer das eleições que disputou antes de 2002.

Da mesma forma, o PT pode tirar proveito das reformas que estão sendo propostas pelo governo Bolsonaro caso o partido volte ao poder daqui a quatro anos, por que não?

Fazer oposição, repito, é uma exigência das urnas que foi imposta ao PT, porém não significa que isso deve ser feita de forma irresponsável e burra.

É a opinião do Blog do Robert Lobato.

Wellington do Curso mantém postura de oposição ao governo Dino 4

Wellington, da tribuna da Assembleia Legislativa, durante pronunciamento em que denunciou a tentativa de Flávio Dino “dar outro calote nos professores após ser reeleito”.

Enquanto no Rio de Janeiro o juiz Sérgio Moro aceitava o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para assumir ministro da Justiça e Segurança, aqui no Maranhão o deputado estadual Wellington do Curso (PSDB), em conversa com o Blog do Robert Lobato, afirmava que continua e continuará na trincheira de oposição do governo Flávio Dino (PCdoB).

“As pessoas precisam entender a dinâmica do parlamento. A formação dos blocos parlamentares é uma da peças do jogo e do embate político. Eu posso eventualmente estar num bloco com deputados governistas, mas ter minha a postura de oposição garantida e respeitada. Continuarei na trincheira oposicionista, mas sempre de forma republicana, democrática e propositiva“, assegurou o parlamentar.

De fato, o parlamento é por essência uma casa política do dissenso, daí os debates e embates que marcam o processo legislativo em qualquer lugar do mundo.

E, no caso do deputado Wellington do Curso, não há porque duvidar ou desconfiar de que ele possa dar uma guinada governista apenas por estar eventualmente num mesmo bloco com deputados da base.

Mais importante do que ser ou não de oposição é trabalhar pelo Maranhão e honrar o mandato popular que o povo maranhense ou outorgou nas urnas por mais quatro anos.

Sem falar que teremos eleições municipais em 2020 e bravo deputado Wellington do Curso sempre é um nome cotado para entrar, mais uma vez, na disputa pela prefeitura de São Luis.

Mas, isso é assunto para outra postagem.

Marco D’Eça chama a oposição nas catracas. Concordo! Mas, em parte… 16

Não adianta sofrer por antecipação. O jogo ainda não está jogado e dizer que competição está vencida não ajuda, pelo contrário, é fazer o jogo dos adversário. É fazer gol contra, ainda que a intenção seja o inverso

Em editorial publicado seu blog (veja aqui), o jornalista, blogueiro e editor de política do jornal O Estado do Maranhão, de propriedade da família Sarney, chamou a oposição ao governador Flávio Dino “nas catracas”, como se diz no popular.

A análise do miranteano está repleta de acertos, além de ser uma leitura necessária como se funcionasse como um “acorda, gente!”.

As angústias de Marco D’Eça, que atua como uma espécie de líder da oposição na blogosfera maranhense, é a mesma de muitos que estão insatisfeitos com os rumos que o Maranhão tem tomado sob o comando do governador Flávio Dino.

Marco D’Eça tem razão em muito do que colocou no seu editorial e concordo com ele, mas em parte. Explico.

Em primeiro lugar, não se pode comparar a força de um governador pré-candidato à releição com a dos seus adversários que não têm o mesmo poder de barganha e sequer o que oferecer mesmo a quem não quer votar em Flávio Dino, mas, se vê sem opção – pelo menos até aqui.

Em segundo lugar, governo é governo seja em São Paulo, no Maranhão ou quaisquer estados da Federação. É por isso que o governador maranhense tem, como bem lembrou Marco D’Eça, “lideranças do peso do prefeito de São Luís, Edivaldo Júnior (PDT); do presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), e do presidente da Famem, Cleomar Tema Cunha (PSB)”.

Ora, ora, ora… Será que meu amigo “Sarará” queria que fosse diferente?

Quantos desses políticos citados no editorial de D’Eça, fora os não citados, já estiveram do lado do grupo Sarney no auge do poderio da “oligarquia”?

O amigo só esqueceu de mencionar que, além da maioria da classe política, o Judiciário (TJ-MA,TRE-MA) e o Ministério Público também estão todos juntos e misturados no pacote da atual hegemonia comunista da mesma forma que estiveram em tempos não muito longínquos.

Em terceiro lugar, não é justo e muito menos correto exigir da oposição uma ação mais afetiva como numa concorrência com a força do Palácio dos Leões. Isso não existe!

O que ocorre, aí meu caro Marco D’Eça se descuidou em não colocar, é que a oposição, principalmente ligada ao grupo Sarney, não sabe ou não tem interesse de tirar proveito político da máquina do Governo Federal enquanto contraponto à força do Palácio dos Leões.

Ao que parece, todos os saneysistas de carteirinha, na Câmara e no Senado, estão mais preocupados com os cargos e sinecuras federais que podem beneficiá-los pessoal e eleitoralmente do que para fazer o enfrentamento político contra os comunistas e, por conseguinte, contra o favoritismo de Flávio Dino em 2018.

No mais, não adianta sofrer por antecipação. O jogo ainda não está jogado e dizer que competição está vencida não ajuda, pelo contrário, é fazer o jogo dos adversário. É fazer gol contra, ainda que a intenção seja o inverso.

 

Por fim, prefiro ficar com a sabedoria popular de inspiração bíblica que ensina: “Cada dia com a sua agonia”.

É a opinião do Blog do Robert Lobato.