O carnaval do Maranhão não se resume à pessoa do governador Flávio Dino 8

O comportamento do governador maranhense pode ser muito bem resumido num trecho da cantiga “Sampa”, de Caetano Veloso, que diz assim: “É que Narciso acha feio o que não é espelho”

Narcisismo é algo complicado e dependendo do nível pode ser muito perigoso, tanto para para o próprio narcisista quando pessoas próximas a ele.

Ao reclamar de forma que beira o patológico contra o fato de não aparecer na TV Mirante, afiliada da Globo, durante o carnaval, o governador Flávio Dino comete vários equívocos, todos originados na sua personalidade narcisista.

Em primeiro lugar, é estranho alguém se martirizar porque não consegue aparecer na “telinha” de uma emissora que integra um sistema de comunicação que é tratado costumeiramente de forma desrespeitosa pelo governador e o seus auxiliares mais próximos. Aliás, desrespeitos que não se limitam ao sistema em si, mas também a alguns dos seus profissionais de jornalismo.

Em segundo lugar, fica feio para um governador jovem ficar o tempo inteiro atacando o ex-presidente Sarney, um idoso de quase 90 anos, e acusando-o de ser a mente por traz do hipotético boicote da TV Mirante a sua pessoa.

Em terceiro lugar, quem acompanha os telejornais da TV Mirante sabe que houve, sim!, um registro diário do carnaval não apenas de São Luis, mas de diversas cidades do Maranhão em todas as regiões do estado.

Ocorre que para Flávio Dino só vale se durante as reportagens miranteanas o comunista aparecer tocando tambor com uma claque palaciana, sob o comando do diretor do Procon, Duarte “Shoktox” Júnior, gritando “Dino, eu te amo”. Aí não dá, né?

Esse tipo de comportamento do governador maranhense pode ser muito bem resumido num trecho da cantiga “Sampa”, de Caetano Veloso, que diz assim: “É que Narciso acha feio o que não é espelho”.

Mas nada que uma boa terapia não resolva ou animize o transtorno…

O circo dos horrores na BR-135 14

Não sei se o governador quando vai para esse tipo de evento toma umas “kriptonitas” antes para encarar a parada, mas, sem sacanagem, aquilo que o Maranhão viu ontem parece coisa de bêbado

Em qualquer estado da Federação com um mínimo de civilidade política, um ato oficial como o da inauguração do primeiro trecho da duplicação da BR-135 seria uma festa democrática e um ato de cidadania. Mas, no Maranhão, pra variar, não funciona assim!

Saiu tudo errado.

Na frente de ministros de Estado, políticos maranhense, incluindo o governador, deram de show de causar vergonha alheia ampla, geral e irrestrita.

E pelo ângulo que se olhar fica difícil saber quem foi o protagonista mais bizarro desse verdadeiro circo dos horrores promovido por parte da classe política local, incluindo o governador do estado.

Como anfitrião, Flávio Dino foi muito, mas muito mal-educado. Diria até grosseiro!

Não sei se o governador quando vai para esse tipo de evento toma umas “kriptonitas” antes para encarar a parada, mas, sem sacanagem, aquilo que o Maranhão viu ontem parece coisa de bêbado.

Como é que um chefe de Poder Executivo de um estado afronta autoridades locais e nacionais sem a menor constrangimento, debocha de adversários, tira sarro com a cara cerimonialistas do Executivo Federal e acha que é tudo normal, que tudo pode porque no Maranhão não tem mais dono etc, etc, etc?

Mais engraçado, não fosse ri-dí-cu-lo, foi a claque formada por secretários e gestores de governo, que para mostrar serviço ao chefe, partiram para cima deputados e senadores com xingamentos de tudo que é jeito mandando às favas o que se costuma chamar de “liturgia do cargo”.

Ora, se algum deputado ou senador adversário do governador fez alguma provocação, que o Excelentíssimo Senhor Flávio Dino respondesse à altura do cargo, fazendo ouvidos de mercador ou, com elegância digna dos estadistas, pedia desculpas aos presentes por eventuais ofensas que sofreu naquele momento.

Mas, não. Como se tivesse uma necessidade patológica para mostrar que quem manda é ele, Flávio Dino quebrou todos os protocolos, desafiou a todos e tudo, colocou deputados contra senadores, enfim, deu o seu show à parte.

O fato é que esse episódio já entrou para a galeria dos “causos” mais sinistros da história política do Maranhão de todos os tempos.

E graças, principalmente, mas exclusivamente, do governador Flávio Dino, o Narciso.