Sobre o atentado a Jair Bolsonaro 10

Como este país ficou esquizofrênico! Uma “facada” em candidato que costuma fomentar a cultura do ódio e da violência vira quase uma comoção nacional, quando deveria servir como um aviso para os que desdenham da democracia e jogam loas ao autoritarismo.

Estava disposto a escrever sobre o tal atentando contra o candidato a presidente Jair Bolsonaro, mas encontrei um excelente texto do jornalista e ex-deputado Milton Temer que contempla exatamente o que este humilde blogueiro pensa sobre o evento ocorrido ontem, em Minas Gerais, quando um homem esfaqueou o “mito” da direita.

Só acrescentaria ao texto do Milton Temer, o fato explicito da Rede Globo ver o episódio do esfaqueamento como uma forma de fazer as pazes com Bolsonaro, depois que o presidenciável expus as vísceras da emissora durante entrevista ao Jornal Nacional.

Não é demais lembrar que dias antes do atentado, o noticiário dava conta de que Bolsonaro teve um encontro com os Marinho (veja aqui).

Como este país ficou esquizofrênico! Uma “facada” em candidato que costuma fomentar a cultura do ódio e da violência vira quase uma comoção nacional, quando deveria servir como aviso para os que desdenham da democracia e jogam loas ao autoritarismo.

Quando da Globo a setores esquerda se unem “pela democracia” pró-Bolsonaro penso que este país tão cedo dará certo de tanta hipocrisia que o assola.

Pobre dos nossos filhos, netos, bisneto…

Salve as cinzas do Museu Nacional!

Fiquem com o artigo VÍTIMA, MAS TAMBÉM RÉU, da lavra do grande Milton Temer.

Sim, isso me ocorre por conta do simbolismo das imagens de Bolsonaro sendo carregado depois do atentado. E não vou aceitar de forma passiva que o filho de Bolsonaro saia do hospital afirmando, antes mesmo de qualquer avaliação sobre o estado do pai, que ali estava “o novo presidente da República”.

BOLSONARO foi vítima de ataque inominável. Mas ataque gerado pelo clima que ele muito concorreu para instalar, ao longo de sua própria carreira política, principalmente nesses últimos tempos de mais exposição mediática.

ENSINAR uma quase bebê a usar uma metralhadora. Santificar o torturador Brilhante Ulstra na declaração de voto pelo impeachment de Dilma. Ameaçar metralhar “petralhas”, bombardear a Rocinha e condecorar assassinos em invasões de favelas. Tudo isso, para além de citar quilombolas pelo peso em arroubas, ou legitimar estupros, são apenas alguns itens de um vasto repertório de ameaças ao conceito mínimo de civilidade que Bolsonaro exalou em suas seguidas declarações e atos.

NÃO SURPREENDE, portanto, que Flavio Bolsonaro já explicite a utilização do atentado que coloca seu pai em estado até de risco de morte, segundo é dito nas notícias, em ato de campanha. Uma campanha a ser conduzida, agora, nos termos que interessam ao candidato. Ou seja, sem participar de debates ou sabatinas onde suas debilidades se evidenciam. Sendo noticiado apenas pela evolução de seu estado de saúde.

QUE OS DEMOCRATAS ATENTEM. A condenação radical de atentados e agressões em uma disputa entre diferentes no debate político não pode levar à omissão sobre a responsabilidade de quem promove e atiça o caldo de cultura para tais atentados e agressões.

DEPOIS DA SANTA-DO-PAU OCO, que consegue ser a favor de tudo sem se definir sobre nada, transformar apóstolo da tortura em mártir da democracia é o que pode acontecer de mais falacioso contra essa suposta democracia.

Luta que Segue!!