LULA: Nem vítima e nem vilão 4

Ver Lula, ali, flechado por uma Justiça que não observa a justiça, mas tão somente despreza e ignora que diante de si está alguém que, se não é apenas uma “ideia”, é um símbolo da história do Brasil.

Assim falou Lula: “Eu não sou um ser humano, sou uma ideia. E não adianta tentar acabar com as ideias”.

O ex-presidente está certo e está errado. A Dialética explica; ou pelo menos tenta explicar. Senão sejamos.

Lula está certo quando diz que é “uma ideia”.

De fato, Lula foi uma “ideia” de toda uma geração que sonhou e lutou por país mais justo, fraterno e solidário. Aliás, a “Ideia” surgiu, em verdade, na década de 80 com a fundação PT que não havia apenas a “Ideia”, mas várias ideias e muitos e infinitos ideais.

Procuro uma palavra para definir aquele fatídico interrogatório de Lula sobre o sítio de Atibaia, na quarta-feira, 14.

Entre muitas que procurei, a que mais se aproximou do que senti foi indignação!

Mas, não é uma indignação qualquer. É algo que se aproxima da comiseração e aí aqui que mora o perigo.

Ver Lula, ali, flechado por uma Justiça que não observa a justiça, mas tão somente despreza e ignora que diante de si está alguém que, se não é apenas uma “ideia”, é um símbolo da história do Brasil.

Poderia ser Sarney, Collor, FHC, Dilma, seja quem fosse!

No caso do Lula, choca pela fúria dos julgadores.

Se o ex-presidente deve, que pague!

Mas, para se pagar o que se deve tem que ter a prova da dívida.

Pelo que se viu desde sempre não há prova que Lula deve algo a alguém à Justiça. Sequer uma nota promissória.

De qualquer forma, é foda ver Lula, ali, na frente daquela bela juíza, competente, diga-se, brincar com ar de imploração ao pedir “me leva com você”, quando o advogado José Roberto Batochio pediu para se retirar da audiência.

Não faz sentido algum Lula apodrecer na cadeia quando muitos estão por aí livres, leves e soltos.

Contudo, ao que parece, Lula já foi condenado a “prisão perpétua”.

Lula, como qualquer ser humano, possui virtudes e vícios.

Ele pode até não ser vítima.

Mas está longe de ser um vilão.

Frente de esquerda sem o PT é coisa para a direita ver 4

Lutar pela bandeira do “Lula livre” não impede que o Haddad lidere uma pauta oposicionista com a responsabilidade de quem disputou a presidência da República a partir de um programa democrático, republicano e moderado.

Que o PT errou muito isso até muitos petistas não sectários estão carecas de saber. Assim como acertou muito também. Aliás, não seria exagero algum afirmar que o Brasil com o PT, mesmo antes do partido eleger Lula presidente, incluiu várias pautas caras na sociedade brasileiras que eram completamente estranhas ao país pré-PT.

Nesse sentido, é um equívoco monumental alguns partidos de esquerda acharem ser possível a construção de “Frente de Esquerda” isolando o PT. Aliás, é mais do que um equívoco: é uma desonestidade histórica com o partido.

Nesse sentido, Fernando Haddad está correto ao afirmar que “Frente de esquerda sem o PT ou é miopia ou uma esquerda que não é tão esquerda assim”.

O ex-candidato petista a presidente da República, derrotado no segundo turno por Jair Bolsonaro, fazia alusão à articulação encabeçada por Ciro Gomes (PDT), que conta ainda com o PCdoB e setores do PSB.

Mas, se por um lado Haddad está correto na sua ironia sobre a tal “Frente de Esquerda” sem o PT, por outro erra ao não assumir de uma vez por todas o papel de líder da oposição da esquerda democrática ao futuro governo.

Lutar pela bandeira do “Lula livre” não impede que o Haddad lidere uma pauta oposicionista com a responsabilidade de quem disputou a presidência da República a partir de um programa democrático, republicano e moderado.

Ao ficar vacilando na sua condição de liderança de oposição, Haddad cria um vácuo que aos poucos vai sendo ocupando por atores como Ciro Gomes e outros.

Não é demais lembrar que o próprio Lula já “lançou” Fernando Haddad como principal liderança oposicionista logo após o resultado do segundo turno da eleição presidencial. Deve o petista, portanto, tomar para si o papel que a eleição de 2018 lhe deu ou vai perder o bonde da história para algum aventureiro de esquerda ou disfarçado de esquerda, o que é pior.

Enfim, a verdade é que “Frente de Esquerda” sem o PT, de esquerda de fato não é.

É apenas coisa para a direita ver.

O “Mito”, Moro e a mídia 8

Dando tudo certo no governo Bolsonaro, Sérgio Moro poderá se dar ao luxo de escolher dois caminhos durante o período em que passar exercendo o cargo de ministro da Justiça e Segurança: deixar o Ministério no meio do mandato para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal em 2020; ou ficar até o final do governo e ser o nome do presidente Jair Bolsonaro para sucedê-lo na Presidência da República.

Daqui a instantes, o juiz Sérgio Moro (sem partido?), tem encontro agendado com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Na pauta a possível participação do “xerife” da operação Lava Jato no futuro governo do “Mito”.

A Lava Jato investigou, julgou e prendeu uma leva de personalidades da alta cúpula da política nacional, entre deputados, senadores, governadores e a mais emblemáticas de todas: o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, que ainda encontra-se preso na polícia federal lá na famigerada “República de Curitiba”.

A ideia de levar Sérgio Moro para o governo federal não é originalmente de Bolsonaro, mas do ex-candidato a presidente Álvaro Dias (Pode).

De qualquer forma, caso Moro aceite assumir o Ministério da Justiça e Segurança, como está previsto, isso causará desdobramentos políticos diversos. Senão vejamos.

Em primeiro lugar, ficará claro que Sérgio Moro, muito mais do que um magistrado, é um político com posição ideológica clara, caso contrário não toparia participar, a princípio de governo algum, ainda mais de um com ideário conservador e de direita.

Em segundo lugar, ficará ainda mais evidente que a detenção do ex-presidente Lula foi para cumprir parte do calendário eleitoral de 2018. E mais do que isso: sempre foi o objetivo central da Lava Jato prender o líder petista, já que uma vez em liberdade disputaria a presidência da República com chances reais de vitória.

Em terceiro lugar, ao assumir o cargo de ministro de Estado, Moro pode perder a condição de “queridinho” da grande mídia tradicional que torce o nariz para Bolsonaro por conta das suas declarações e posições polêmicas diante de alguns dos maiores veículos da imprensa deste país.

Por fim, Moro ministro num governo que não se sabe muito bem ao certo no que pode dar, onde terá que conviver no mundo de fantasias e realidades, alguns cruéis, como é o caso de Brasília, pode ser uma experiência amarga para o ainda magistrado.

Todavia, dando tudo certo no governo Bolsonaro, Sérgio Moro poderá se dar ao luxo de escolher dois caminhos durante o período em que passar exercendo o cargo de ministro da Justiça e Segurança: deixar o Ministério no meio do mandato para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal em 2020; ou ficar até o final do governo e ser o nome do presidente Jair Bolsonaro para sucedê-lo na Presidência da República.

Como diria o imperador Júlio Cesar: Alea jacta est ou “A sorte está lançada”.

Setores da esquerda e da imprensa agem como Aécio Neves e não aceitam a eleição de Bolsonaro 6

Não gostar do resultado da eleição, não significa conspirar contra quem venceu, como fazem alguns porra-loucas das esquerdas mancomunados com uma imprensa que cada dia faz menos jornalismo e age mais como partido político, o mesmo PIG, ou seja, Partido da Imprensa Golpista.

Há setores expressivos da esquerda brasileira que estão agindo tal qual o ex-candidato a presidente da República, Aécio Neves (PSDB), quando não somente não aceitou, como tripudiou sobre a vitória de Dilma Rousseff em 2014.

Insatisfeito com o resultado das urnas, na época o tucano pediu a recontagem dos votos. Não dando certo o “golpe” por essa via, partiu para a radicalização ao liderar as articulações pelo impeachment da então presidente petista. O resto da história todos sabemos.

Agora a mesma esquerda que foi vítima do “golpe” que contou com apoiado da mesma imprensa “sulista” que detonou o PT, Lula e Dilma, mostram-se enfurecidos com a vitória de Jair Bolsonaro e não dão trégua ao presidente eleito pelo PSL nem mesmo neste momento da transição que, em verdade, ainda nem iniciou de fato. Pior: praticam os mesmos métodos de rancor e ódio da direita que eles juram combater.

É apostando no “quanto pior, melhor” que pseudodemocratas e esquerdistas de ocasião estão sendo embalados numa narrativa de uma esquerda burra, autoritária, intolerante e que finge aceitar as diferenças, quando de fato representa e encarna exatamente o outro extremo do espectro político-ideológico brasileiro.

Não se trata de gostar ou não de Bolsonaro; muito menos defender suas ideias ou seu programa de governo, mas tão somente aceitar a vontade popular expressada nos mais de 55 milhões de voto que o tal capitão obteve nas urnas.

Não gostar do resultado da eleição, não significa conspirar contra quem venceu, como fazem alguns porra-loucas das esquerdas mancomunados com uma imprensa que a cada dia faz menos jornalismo e age mais como partido político, o mesmo PIG, ou seja, Partido da Imprensa Golpista. Ou a expressão só valia quando a esquerda estava no poder?

O fato é que é chagada hora de mais luz e menos calor na política nacional.

Não é se comportando como os derrotados de 2014, e muito menos se deliciando com o apoio do “PIG”, que a oposição a Bolsonaro obterá algum êxito num futuro próximo.

É a opinião do Blog do Robert Lobato.

CIRO EM ESTADO PURO: Ciro Gomes diz que o PT elegeu Bolsonaro e chama Leonardo Boff de ‘bosta’ 10

O terceiro colocado nas eleições presidenciais, Ciro Gomes (PDT), quebrou o silêncio e voltou a fazer duras críticas ao PT, a Lula e a Fernando Haddad; ele nega ter ‘lavado as mãos’, diz que Gleisi Hoffmann e Frei Betto são ‘bajuladores’ e que negou ser vice na chapa do ex-presidente Lula porque aquilo “era uma fraude”; em tom de ressentimento e demonstrando ainda estar com a cabeça nas eleições, Ciro chegou a chamar o teólogo Leonardo Boff de ‘bosta’ – sic – e se queixou do acordo firmado entre PT e PSB que o deixou isolado na disputa; ele ainda diz que “o PT elegeu Bolsonaro” e que foi “traído por Lula”; sobre ter deixado o país em pleno segundo turno das eleições, ele diz que se sentiu “impotente”

247 – O terceiro colocado nas eleições presidenciais, Ciro Gomes (PDT), quebrou o silêncio e voltou a fazer duras críticas ao PT, a Lula e a Fernando Haddad. Ele nega ter ‘lavado as mãos’, diz que Gleisi Hoffmann, Leonardo Boff e Frei Betto são ‘bajuladores’ e que negou ser vice na chapa do ex-presidente Lula porque aquilo “era uma fraude”. Em tom de ressentimento, Ciro se queixa do acordo firmado entre PT e PSB que o deixou isolado na disputa e diz que “o PT elegeu Bolsonaro”. O pedetista reafirma que foi “traído por Lula” e que deixou o país em pleno segundo turno das eleições porque se sentiu “impotente”

Na entrevista concedida ao jornalista Gustavo Uribe, do jornal Folha de S. Paulo, Ciro Gomes explica porque não declarou voto a Haddad: “Não declarei voto ao Haddad porque não quero mais fazer campanha com o PT”.

Ele ainda comenta a frase dita tempos atrás sobre sair da vida pública caso Bolsonaro vencesse: “Eu disse isso comovidamente porque um país que elege o Bolsonaro eu não compreendo tanto mais, o que me recomenda não querer ser seu intérprete. Entretanto, do exato momento que disse isso até hoje, ouvi um milhão de apelos de gente muito querida. E, depois de tudo o que acabou acontecendo, a minha responsabilidade é muito grande. Não sei se serei mais candidato, mas não posso me afastar agora da luta. O país ficou órfão”.

Ciro surpreendeu em vários momentos a reportagem do jornal, indo na contramão do discurso de esquerda. Sobre os ataques feitos à Folha por Jair Bolsonaro, ele lavou as mãos. O jornalista Gustavo Uribe pergunta “e os ataques feitos pelo Bolsonaro à Folha? É uma ameaça?”. Ciro respondeu: “Não considero, não. A Folha tem capacidade de reagir a isso e precisa ter também um pouco de humildade, de respeitar a crítica dos outros”.

Sobre sua viagem à Europa em pleno segundo turno das eleições, Ciro alegou “impotência”: “Descaso não, rapaz, é de impotência. De absoluta impotência. Se tem um brasileiro que lutou, fui eu. Passei três anos lutando”.

Ao responder se votou em Fernando Haddad, Ciro mais uma vez se nega a responder diretamente e manifesta profunda irritação, fazendo uma crítica raivosa ao teólogo Leonardo Boff: “Vou continuar calado, mas você acha que votei em quem com a minha história? Eles podem inventar o que quiserem. Pega um bosta como esse Leonardo Boff [que criticou Ciro por não declarar voto a Haddad]. Estou com texto dele aqui. Aí porque não atendo o apelo dele, vai pelo lado inverso. Qual a opinião do Boff sobre o mensalão e petrolão? Ou ele achava que o Lula também não sabia da roubalheira da Petrobras? O Lula sabia porque eu disse a ele que, na Transpetro, Sérgio Machado estava roubando para Renan Calheiros. O Lula se corrompeu por isso, porque hoje está cercado de bajulador, com todo tipo de condescendências”.

Depois, Ciro nomeia quem ele considera os ‘bajuladores’ e acusa o PT de fraude: “É tudo. Gleisi Hoffmann, Leonardo Boff, Frei Betto. Só a turma dele. Cadê os críticos? Quem disse a ele que não pode fazer o que ele fez? Que não pode fraudar a opinião pública do país, mentindo que era candidato?”

Sobre ser convidado a ser vice de Lula, ele diz: “Porque isso é uma fraude. Para essa fraude, fui convidado a praticá-la. Esses fanáticos do PT não sabem, mas o Lula, em momento de vacilação, me chamou para cumprir esse papelão que o Haddad cumpriu. E não aceitei. Me considerei insultado”.

Em postagem nas redes sociais, irmão de Flávio Dino admite ter apoiado Ciro Gomes no primeiro tuno da eleição presidencial 6

O que chama atenção na postagem de Sálvio Dino é que ele teve a sua ficha de filiação ao PT abonada pelo ex-presidente Lula, no que seria de se julgar que o apoio e voto do mano do governador deveriam ser para Ferando Haddad desde o primeiro turno da eleição presidencial.

O advogado Sálvio Dino fez uma postagem nas redes sociais onde expressa uma certa indignação com personalidades públicas como o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa; e ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por ambos tentarem “limpar as suas biografias há menos 24h da votação” – numa referência ao fato das duas autoridades antipetistas declararem voto em Haddad no último momento do segundo turno.

Contudo, a carga crítica do irmão do governador Flávio Dino (PCdoB) foi mais pesada em relação ao ex-candidato a presidente pelo PDT, Ciro Gomes.

“Pior ainda foi Ciro Gomes, que se escondeu. Nunca mais o apoiarei, como fiz no primeiro turno”, detonou o causídico.

O que chama atenção nesse trecho da postagem de Sálvio Dino é que ele teve sua ficha de filiação ao PT abonada pelo ex-presidente Lula quando da sua visita a São Luis através da caravana “Lula pelo Brasil”, no que seria de se julgar que o apoio e voto do mano do governador deveriam ser para Fernando Haddad desde o primeiro turno da eleição presidencial.

Aí quando é com blogueiro Bob Lobato querem a cabeça do pobre…

BOLSONARO-17: Um voto crítico de um socialista convicto 43

Vou dar esse voto no “17” acreditando que o Maranhão vai precisar de interlocução no planalto, já que na planície a coisa está feia com um governador ideologizado totalmente de oposição a um eventual governo Jair Bolsonaro.

Milito na esquerda socialista/marxista desde o final da década de 80.

Meus primeiros flertes com o pensamento socialista foi com uma professora de História chamada Leila, uma simpática coroa lá do Colégio Franco Maranhense.

Depois veio o professor Joan, também de História, que fez eu ser cada vez mais de esquerda.

Contudo, foi só no Rio de Janeiro, em 1989, que consolidei minha ideologia esquerdista impulsionado por um companheiro do PCB, do Piauí, quando me convidou para uma plenária do partido convocada pelo então reitor da UFRJ, professor Horácio Macedo, de saudosa memória.

Poucas pessoas sabem, mas apenas uma vez deixei de votar no PT para presidente.

Foi exatamente em 1989, quando votei em Leonel Brizola no primeiro turno daquela eleição presidencial embalado pela adesão do “Cavaleiro da Esperança”, Luis Carlos Prestes, à candidatura do líder trabalhista.

Em 2010, apesar do apelo do também saudoso Jackson Lago, por pouco não votei em José Serra (PSDB) para presidente. Na época havia uma indignação de boa parte da esquerda maranhense por conta da cassação do ex-governador. Mesmo assim votei na Dilma.

Fui vice-presidente e tesoureiro estadual do PT no Maranhão. Tenho uma história nesse partido e protagonizei um papel importante no caso do “mensalão”, quando fui procurado por Domingos Dutra e Augusto Lobato, lá no SESC Itapecuru, para falar sobre o que sabia.

Não tenho arrependimento algum do que fiz, mas não faria novamente, confesso!

Pois bem. O Brasil está numa encruzilhada. Não é hora para omissões e Robert Lobato nunca foi de ficar omisso politicamente! Mais do que um blogueiro, sou um agente e militante político!

Vou dar um voto crítico no 17 amanhã, domingo 28.

Não acho que Bolsonaro seja o que o Brasil precisa, como também não acho que o professor Haddad seja essa “Brastemp” como querem fazer a gente acreditar. Aliás, nem Lula acha, tanto que demorou uma vida para escolher o “poste” ou a “Dilma de saia”, como muitos lulistas de carteirinha se referem a Fernando Haddad.

E falando em Lula, tenho lá minhas dúvidas se realmente o ex-presidente deseja ver Haddad eleito presidente. Se quisesse não teria publicado uma carta que, ao contrário de apoio ao candidato petista, na verdade é um tiro de morte na candidatura do “13”.

Também tenho lá minhas dúvidas se Lula queria ou não o impeachment da Dilma, mas isso é outra história que um dia tratarei em livro.

Vou dar esse a voto no “17” acreditando que o Maranhão vai precisar de interlocução no planalto, já que na planície a coisa está feia com um governador ideologizado totalmente de oposição a um eventual governo Jair Bolsonaro.

Não se trata de um voto de amor; de paixão muito menos.

Trata-se tão somente de um voto. Um voto de um socialista convicto!

Um voto também de lealdade a amigos e aliados.

Até segunda-feira, 29.

E seja o que Deus e os eleitores quiserem.

Em editorial, Estadão trata do ego de Lula

O Blog do Robert Lobato reproduz editorial do Estadão sobre a carta do ex-presidente Lula em apoio a Fernando Haddad, publicada pelo líder-maior do PT nesta semana.

O editorial é muito duro com Lula, mas tem razão em alguns pontos.

O Blog do Robert Lobato irá comentar, à luz do editorial do Estadão, sobre a carta do ex-presidente, que se encontra preso em Curitiba (PT).

Por enquanto fiquem com o texto do jornal que já declarou apoio a Jair Bolsonaro.

O ego de Lula

Lula não consegue soar democrático nem quando isso poderia favorecer o campo petista. Sua carta é uma reafirmação das mistificações que fazem de Lula um dos demagogos mais perniciosos da história nacional.

O Estado de S.Paulo 25 Outubro 2018 | 05h00 Por mais que o PT tenha se esforçado para fingir que seu candidato à Presidência, Fernando Haddad, não é um mero preposto de Lula da Silva, há algo que nenhum truque de marketing será capaz de mudar: o PT sempre foi e continuará a ser infinitas vezes menor do que o ego de Lula. Na reta final da campanha eleitoral, justamente no momento em que Haddad mais se empenha para buscar apoio fora da seita lulopetista, o demiurgo de Garanhuns, decerto inquieto na cela em que cumpre pena por corrupção, resolveu divulgar uma carta para exigir – a palavra adequada é essa – que todos reconheçam a inigualável grandeza de seu legado como governante e que votem no seu fantoche se estiverem realmente interessados em salvar a democracia brasileira, supostamente ameaçada pelos “fascistas”.

O tom da mensagem é o exato oposto do que seria recomendável para quem se diz interessado em angariar a simpatia daqueles que, embora não tenham a menor inclinação para votar em Jair Bolsonaro (PSL) para presidente, tampouco gostariam de ver o PT voltar ao poder. Para esses eleitores, somente se o PT reconhecesse, de maneira honesta e sem adversativas, seu papel preponderante na ruína econômica, política e moral do Brasil nos últimos anos, cujos frutos mais amargos foram o empobrecimento do País e a desmoralização da política, talvez houvesse alguma chance de mudar de ideia. Mas isso é impossível, em se tratando de Lula da Silva, que se considera o mais importante brasileiro vivo e o maior líder que este país jamais terá.

Na carta em que diz que “é o momento de unir o povo, os democratas, todos e todas em torno da candidatura de Fernando Haddad, para retomar o projeto de desenvolvimento com inclusão social e defender a opção do Brasil pela democracia”, Lula não reserva uma única vírgula ao desastre econômico do governo de Dilma Rousseff, outra de suas inesquecíveis criações. Ao contrário: afirma que Dilma sofreu impeachment em razão de uma imensa conspiração de “interesses poderosos dentro e fora do País”, incluindo “todas as forças da imprensa” e “setores parciais do Judiciário”, para “associar o PT à corrupção” – omitindo escandalosamente o fato de que Dilma foi cassada exclusivamente por ter fraudado as contas públicas com truques contábeis e pedaladas. O petrolão, embora tenha sido motivo mais que suficiente para que o PT fosse defenestrado do poder para nunca mais voltar, não foi levado em conta no processo.

Como jamais teve compromisso real com a democracia – que pressupõe respeito a quem tem opinião divergente, para que seja possível o consenso – e também nunca reconheceu a legitimidade de nenhum governo que não fosse o seu ou de seus títeres, Lula não consegue soar democrático nem quando isso poderia favorecer o campo petista. A carta, ao contrário, é uma reafirmação de todas as mistificações que fazem de Lula um dos demagogos mais perniciosos da história nacional.

Lá estão as patranhas que tanto colaboraram para fazer do antipetismo um movimento tão sólido e vibrante, conforme atestam as pesquisas de opinião. Lula, sempre no plural majestático, diz que “fizemos o melhor para o Brasil e para o nosso povo” e por isso “tentam destruir nossa imagem, reescrever a história, apagar a memória do povo”. O sujeito desse complô, claro, é indeterminado, mas unido no que Lula chamou de “ódio contra o PT”. Tudo porque, diz Lula, “tiramos 36 milhões de pessoas da miséria”, porque “promovemos o maior ciclo de desenvolvimento econômico com inclusão social”, porque “fizemos uma revolução silenciosa no Nordeste” e porque “abrimos as portas do Palácio do Planalto aos pobres, aos negros, às mulheres, ao povo LGBTI, aos sem-teto, aos sem-terra, aos hansenianos, aos quilombolas, a todos e todas que foram discriminados e esquecidos ao longo de séculos”. Nada mais, nada menos.

Esse panegírico só serve para mostrar que Lula é mesmo incorrigível – e que seu arrogante apelo para “votar em Fernando Haddad” e assim “defender o estado democrático de direito” contra a “ameaça fascista que paira sobre o Brasil” não vale o papel em que está escrito.

Afinal, o PT deve ou não fazer “mea-culpa”? 4

O partido do Lula não tem outra escolha que não a de deitar no divã e fazer uma “terapia política” se quiser garantir um futuro eleitoralmente mais próspero a partir das eleições municipais de 2020.

Repercutiu bastante, ainda repercute, as declarações dadas por Cid Gomes (PDT), senador eleito pelo Ceará, durante ato que seria em apoio ao candidato a presidente Fernando Haddad, do PT, mas acabou gerando constrangimento amplo, geral e irrestrito para petistas.

“Tem de pedir desculpas, tem de ter humildade, e reconhecer que fizeram muita besteira” (…) É sim, é? Pois tu vai perder a eleição. Não admitir um mea-culpa, não admitir os erros que cometeu, isso é para perder a eleição e é bem feito. É bem feito perder a eleição”, disse o cearense, que teve o apoio do PT para senador e é irmão do ex-presidenciável Ciro Gomes, também do PDT.

O PT e os petistas não toleram essas sugestões de autocrítica e/ou mea-culpa. E Cid Gomes não foi o primeiro a sugerir tal postura para o PT.

Mesmo entre petistas ilustres, como Olívio Dutra, Tarso Genro, Jorge Viana, Eduardo Suplicy e intelectuais ligados ao partido como Frei Betto e Leonardo Boff, sempre defenderam um comportamento, digamos, mais humilde do PT em relação aos erros de conduta no campo político e ético – que foram muitos -, cometidos desde que a sigla subiu a rampa do Palácio do Planalto em 2003 tendo Lula à frente como líder máximo.

Contudo, o PT sempre se manteve resistente a fazer autocríticas. Aliás, os políticos e partidos de uma forma geral não são afetos a fazer mea-culpa, basta ver que o PMDB e o PSDB estão encolhendo eleitoralmente, mas não conseguem encontrar uma maneira de reconhecer seus erros. Com o PT não é diferente.

De qualquer forma, parece que o partido do Lula não tem outra escolha que não a de deitar no divã e fazer uma “terapia política” se quiser garantir um futuro eleitoralmente mais próspero a partir das eleições municipais de 2020.

E mesmo se for empurrado para a oposição através das urnas, como indicam as pequisas, o PT terá que se reinventar como ator importante da cena política nacional.

Em tempos que se mostram incertos, a democracia exige um PT reinventado.