A geração que não entende o conceito de gratidão

Os eternos credores do universo

POR RUTH MANUS, via Estadão

Gosto de uma série de coisas que hoje em dia podem facilmente ser consideradas como fora de moda: alguns modelos de calça que já não fazem muito sentido, alguns roteiros de viagem que se perderam no tempo, algumas comidas que já nem se encontra mais no supermercado. Mas a coisa mais fora de moda da qual eu realmente gosto é essa tal de gratidão.

Não sei se a minha geração foi criada para entender esse conceito. Acho que não. Parece que temos que fazer muito esforço para entender isso, inclusive eu. A noção de gratidão é realmente um lance que ficou meio perdido nas últimas décadas e que faz com que nós fiquemos um pouco desconcertados ao olhar para essa palavra, assim como fica uma criança nascida nos anos 2000 ao olhar para uma vitrola, sem entender bem qual a sua finalidade.

Crescemos com a nítida sensação de que somos credores da vida. Assim que nascemos começamos a debitar da conta dos outros uma série de dívidas que julgamos que eles têm para conosco e, assim, vamos tendo cada vez mais certeza de que somos verdadeiramente intocáveis e que o universo tem toda a obrigação de nos proporcionar a felicidade plena, não porque merecemos, mas porque temos direito.

Nessa geração o raciocínio é o seguinte: em vez ser grato e devedor, o indivíduo sempre se considera um generoso credor. Não é ele quem é grato aos pais pela criação dedicada, são seus pais que lhe devem muito por ser bom filho. Não é ele quem é grato ao professor pelos ensinamentos que recebeu, é o professor que lhe deve muito pois “é ele” quem paga seu salário. Não é ele quem é grato ao chefe pela oportunidade de trabalho, é o chefe que lhe deve muito por ele cumprir todo dia suas obrigações.

As coisas mais básicas num ser humano legal (retribuir o afeto da família, respeitar professores, estudar quando se tem oportunidade, trabalhar bem, cumprir horários, preocupar-se com os amigos, ser gentil com os velhinhos e dar seu melhor todo dia) tornaram-se um verdadeiro passaporte diplomático para o mundo dos semideuses. Fazer o mínimo vem se tornando o suficiente para tornar-se o máximo.

E quanto mais longe nos colocamos do conceito de gratidão, mais a nossa vida parece vazia, incompleta. Voltamos mais uma vez à história do copo meio cheio e do copo meio vazio. Quem olha para sua vida e sente-se grato, tem um copo sempre meio cheio. Quem olha para sua vida e sente-se credor das pessoas e do universo, terá sempre um copo meio vazio.

É preciso que a gente saiba resgatar essa ideia de gratidão. Olhar para as nossas vidas e pensar que temos muita sorte, pelo simples fato de termos a base: afeto, comida, teto, saúde. Precisamos parar de olhar para os nossos dias pensando no que não temos: o corpo ideal, o salário estratosférico, o namorado mais bonito, a dupla promoção, a viagem dos sonhos.

Enquanto pensarmos que todos nos devem muito por tudo o que fazemos por eles, sem nunca nos dar conta de que as pessoas, em geral, fazem tudo o que podemos por nós, seguiremos sendo essa famosa geração mimada, cujo objetivo vai ser sempre ganhar o mundo ao invés de ser grata por ter a oportunidade de tornar o mundo um lugar melhor.

ELEIÇÕES 2018: Sentindo que pode levar um “zignal” de Flavio Dino na sua candidatura ao Senado, Zé Reinaldo já admite concorrer ao governo

José Reinaldo já contaria, inclusive, com o apoio do presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM/RJ) que teria lhe garantido o partido – não custa lembrar que Maia é um dos políticos mais fortes da República e não encontraria quaisquer dificuldades para “dar” o DEM a Zé Reinaldo de quem é amigo pessoal.

Lideranças políticas de várias regiões do estado marcaram presença, ontem, sábado, 28, no 2º Encontro da Gratidão, realizado na cidade de São Mateus, localizada na Região do Médio Mearim.

Idealizado pelo presidente da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM) e prefeito de Tuntum, Cleomar Tema (PSB), entre outros prefeitos e ex-prefeitos, o evento tem como objetivo principal fazer um reconhecimento político a José Reinaldo (ainda no PSB) no que tange ao tratamento dispensado aos municípios quando esteve à frente do Governo do Estado (2003/2006), bem como alavancar a sua pré-candidatura ao Senado Federal.

Ocorre que o agora deputado federal tem encontrado uma resistência desgraçada por parte do governador Flávio Dino (PCdoB) em declarar que ele, Zé Reinaldo, é um dos seus candidatos a senador sob alegação de que o grupo tem vários pretendes ao posto e que não pode gerar crises anunciando apoio ao Zé.

Não é de estranhar que Flávio ainda não esteve presente nos Encontros da Gratidão, o que pode ser considerado sintomático. E mais sintomático ainda foi e receptividade dos “dinistas” de São Mateus ao evento exibindo faixas de protestos e manifestações nas redes sociais contra o “golpista” e “inimigo do povo e dos trabalhadores”, conforme imagem e o vídeo retirados do Facebook do coordenador paroquial da Pastoral da Juventude em São Mateus. Veja:

A quem jura que essas manifestações contra José Reinaldo não teve nada de espontâneas, que tudo foi obra e graça de ações arquitetadas nas masmorras do Palácio dos Leões sob comando da Secretaria de Comunicação e Articulação Política (Secap). Será?

GOVERNO DO ESTADO COMO PLANO B

Com a insistente resistência do governador Flávio Dino de não declarar apoio a pré-candidatura de José Reinaldo a senador, o deputado já começa admitir a assessores e aliados mais próximos a possibilidade de disputar o Governo do Maranhão, provavelmente pelo DEM, e já contaria, inclusive, com o apoio do presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM/RJ) que teria lhe garantido o partido – não custa lembrar que Maia é um dos políticos mais fortes da República atualmente e não encontraria quaisquer dificuldades para “dar” o DEM a Zé Reinaldo de quem é amigo pessoal.

A atual relação entre Flávio Dino e José Reinaldo está tão tensa que um “chegado” do ex-governador disse o seguinte ao Blog do Robert Lobato. Prestem atenção.

“Flávio quer tudo, menos perder essa eleição. De todos esses nomes que estão aí, ele sabe que quem pode causar o maior prejuízo a ele é Zé Reinaldo, como também é o que mais pode agregar. Acho que foi você quem disse outro dia no grupo [referência a uma colocação minha em um debate num grupo de WhatsApp] que sorte do governo é que Zé Reinaldo ainda não acordou. Pois bem,ele acordou! Agora ele já tem uma estratégia forte: se ele não for o candidato de Flavio ao Senado, vai montar uma outra chapa ao governo”.

As declarações do “chegado” não deixam dúvidas de que o padrinho político de Flávio Dino, enfim, descobriu que pode levar um tremendo de um “zignal” do seu pupilo político.

E parece ter descoberto, também, que criou comunista para lhe comer.

Só espera-se que não seja tarde demais…