“Creio que lhe cabe, como pai, sustentar a presunção de inocência do filho”, avalia Roberto Rocha sobre presidente Bolsonaro

A postura do senador foi muito elogiada dentro e fora do seu partido, num momento em que o ambiente político nacional é muito tenso, sobretudo quando se está às vésperas da eleição para as mesas diretoras da Câmara dos Deputado e do Senado Federal.

Através do site nacional de notícias O Antagonista, o senador maranhense Roberto Rocha (PSDB) comentou, ontem, quarta-feira, 23, declaração dada pelo presidente Jair Bolsonaro em meio às denúncias que recaem sobre o seu filho, o senador eleito Flávio Bolsonaro.

Intitulado “Pais e filhos”, a nota do parlamentar tucano não entra o mérito da questão das denúncias, tão somente pondera que o presidente Bolsonaro, na condição de pai do senador eleito pelo Rio de Janeiro, deve sustentar a presunção da inocência do filho.

De Davos, na Suíça, o presidente afirmou que “se houver provas de que Flávio Bolsonaro cometeu um erro, ele terá que pagar por isso”.

Foi quando o Roberto Rocha fez o seguinte comentário ao O Antagonista:

O presidente Jair Bolsonaro foi levado do remanso da política de efeitos retóricos e morais, para o alto mar da política real, onde até o silêncio tem significados. Agora pedem que ele jogue o filho ao mar para não comprometer a embarcação do Governo. Sem entrar no mérito do caso, creio que lhe cabe, como pai, sustentar a presunção de inocência do filho. Não do político, ou do senador, mas do próprio filho. Não por princípio jurídico, mas pelo valor sagrado da confiança entre pai e filho”.

A postura do senador foi muito elogiada dentro e fora do seu partido, num momento em que o ambiente político nacional é muito tenso, sobretudo quando se está às vésperas da eleição para as mesas diretoras da Câmara dos Deputado e do Senado Federal.

Em nota, Flávio Bolsonaro diz ser “vítima de uma campanha difamatória com objetivo de atingir o governo de Jair Bolsonaro” 2

O senador eleito responsabiliza Queiroz por nomeação de parentes de chefe do Escritório do Crime em seu gabinete

O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) divulgou nota em que diz que é alvo de campanha difamatória com objetivo de atingir o governo do pai dele, o presidente Jair Bolsonaro, e responsabiliza o ex-assessor Fabrício Queiroz pelas nomeações da mãe e da mulher do capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, tido pelo Ministério Público do Rio como o homem-forte do Escritório do Crime, organização suspeita do assassinato de Marielle Franco. O policial foi foi alvo de um mandado de prisão nesta terça-feira e está foragido. Ele é acusado há mais de uma década por envolvimento em homicídios. Adriano e outro integrante da quadrilha também foram homenageados por Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

“Continuo a ser vítima de uma campanha difamatória com objetivo de atingir o governo de Jair Bolsonaro. A funcionária que aparece no relatório do Coaf foi contratada por indicação do ex-assessor Fabrício Queiroz, que era quem supervisionava seu trabalho. Não posso ser responsabilizado por atos que desconheço, só agora revelados com informações desse órgão”, diz Flávio na nota.

“Quanto ao parentesco constatado da funcionária, que é mãe de um foragido, já condenado pela Justiça, reafirmo que é mais uma ilação irresponsável daqueles que pretendem me difamar”, completa.

A mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e a mulher, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ocuparam cargos no gabinete de Flávio Bolsonaro. Elas tinham o cargo CCDAL-5, com salários de R$ 6.490,35. Raimunda é uma das servidoras do gabinete que fizeram repasses para a conta de Queiroz. A ex-assessora, de 68 anos, repassou R$ 4,6 mil para a conta do ex-assessor.

O relatório do Coaf aponta mais uma possível ligação entre Queiroz e Adriano. Segundo dados da Receita Federal, Raimunda é sócia de um restaurante localizado na Rua Aristides Lobo, no Rio Comprido. O estabelecimento fica em frente à agência 5663 do Banco Itaú, na qual foi registrada a maior parte dos depósitos em dinheiro vivo feitos na conta de Fabrício Queiroz. Na agência foram realizados 17 depósitos não identificados, em dinheiro vivo, que somam R$ 91.796 – 42% de todo o valor depositado em espécie nas transações discriminadas pelo Coaf, segundo um cruzamento de dados feito pelo GLOBO.

Na nota, o senador eleito afirma que espera que todas as suspeitas sejam investigadas e que os responsáveis sejam julgados na forma da lei.

“Aqueles que cometem erros devem responder por seus atos”, diz.

Sobre as homenagens prestadas na Alerj, Flávio diz que sempre atuou na defesa de agentes de segurança pública e já concedeu centenas de outras homenagens.

Além de empregar os familiares de Adriano da Nóbrega, Flávio Bolsonaro por duas vezes homenageou o atual chefe do Escritório do Crime.

Em outubro de 2003, ele apresentou uma moção de louvor ao PM. Na homenagem, afirmou que Adriano atuava com “brilhantismo e galhardia”. Em julho de 2005, concedeu uma nova homenagem ao policial. Desta vez concedeu a ele a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria do parlamento fluminense.

Leia a íntegra da nota:

“Nota oficial

Continuo a ser vítima de uma campanha difamatória com objetivo de atingir o governo de Jair Bolsonaro.

A funcionária que aparece no relatório do Coaf foi contratada por indicação do ex-assessor Fabrício Queiroz, que era quem supervisionava seu trabalho. Não posso ser responsabilizado por atos que desconheço, só agora revelados com informações desse órgão.

Tenho sido enfático para que tudo seja apurado e os responsáveis sejam julgados na forma da lei.

Quanto ao parentesco constatado da funcionária, que é mãe de um foragido, já condenado pela Justiça, reafirmo que é mais uma ilação irresponsável daqueles que pretendem me difamar.

Sobre as homenagens prestadas a militares, sempre atuei na defesa de agentes de segurança pública e já concedi centenas de outras homenagens.

Aqueles que cometem erros devem responder por seus atos.

Senador eleito Flavio Bolsonaro”

(Via Jornal Extra)