O PT e o PSDB e a responsabilidade com o país (OU: Um caso de amor mal resolvido) 20

O PT e o PSDB parecem estar condenados a se encontrarem em algum momento da história, pois ambos têm responsabilidade com este país. E isso serve também para o caso do Maranhão.

Acompanhem algumas frases históricas de expoentes do PT e do PSDB. Volto em seguida.

“O José Dirceu é um candidato forte, preparado, mas ele tem consciência de que, se houver possibilidade de fazer aliança nacional [com o PSDB], nós poderemos rediscutir” (Lula, Folha de S. Paulo, 21 de fevereiro de 1994).

“Começou a nascer a possibilidade de uma aliança dada a essa proximidade. Esse acordo eleitoral era natural já que estávamos trabalhando juntos na CPI que investigou as denúncias de corrupção do governo Collor. Começamos a perceber que tínhamos pontos em comuns” (Senador Tasso Jereissati, então presidente do PSDB em 1994).

Folha de S. Paulo, 16 de abril de 1993.

“O PT é que tem problema de consciência em fazer aliança com o PSDB. Nós não temos” (Sérgio Guerra, ex-senador e ex-presidente do PSDB, já falecido).

Muito menos do que levar em conta a atitude do Mário Covas em 89 [na época, o senador pelo PSDB-SP apoiou a candidatura de Lula no segundo turno da eleição presidencial], nós temos que levar em conta a história política do Mário Covas.
Eu pessoalmente sou amigo do Covas. Será levado em consideração o passado político do Mário Covas (Lula ao defender apoio a Mário Covas no 2º da eleição para o governo de SP em 1994).

Folha de S. Paulo, 21 de fevereiro de 1994.

“É possível uma aliança PT-PSDB, A luta entre os dois partidos é política, não ideológica”(FHC em conversa gravada com o então ministro do PT, Cristóvão Buarque, em 2008).

Comigo novamente
Pode parecer uma heresia ou mesmo um ato de insanidade alguém achar que é possível um diálogo entre o PT e o PSDB nos dias atuais, mas nunca foi tão importante uma retomada de afagos civilizados entre petistas e tucanos como os postadas acima.

PT e PSDB nasceram na mesma maternidade, o estado de São Paulo. Ainda que cerca de dez anos mais velho do que o PSDB, muitos dos atuais tucanos viram o nascimento do PT e por pouco não ajudaram no parto desse que é maior partido de massa do país – o PSDB foi fundado em 1988 após ruptura de muitos quadros com o PMDB.

Fosse feito um teste de DNA, não há dúvidas que o resultado mostraria uma compatibilidade genética e ideológica impressionante entre os dois partidos.

Na sua essência, o PT é um partido social-democrata de esquerda para os padrões latino-americanos, mas se tivesse nascido na Europa seria um força social-democrata clássica. O partido nunca foi comunista, marxista ou mesmo um parido socialista radical, mesmo possuindo correntes internas que se identificam como tais ideologias.

Já o PSDB é um partido de centro e o PT, de certa forma, o empurrou mais um pouco para a direita coisa que os tucanos aceitaram ao longo da história voluntária ou involuntariamente.

Caso de amor mal resolvido

Em 1994, por pouco tucanos e petistas não “casaram” na eleição de presidente e até hoje não possível saber de fato quem deixou quem esperando no altar. O resultado do vacilo foi a eleição de Fernando Henrique Cardoso numa coligação conservadora, com o antigo PFL na vice, mas que renderia bons resultados para o país, principalmente no tocante à economia.

Passados dois mandatos de FHC, foi a vez de Lula comandar o país também sustentado por uma coalização conservadora, com o PMDB na vice, mas, aproveitando a estabilidade econômica deixada pelo sucessor tucano, fez uma verdadeira revolução social neste país.

A famosa e bem sucedida experiência PT/PSDB no Acre, em pleno governo FHC, foi um “case” de sucesso político que poderia ter servido de referência para outros estados brasileiros.

Porém, o Acre não é um estado que joga um peso político no conjunto do país, caso contrário muito provavelmente outras experiência do tipo seriam “exportadas” pelo Brasil afora. Aliás, aqui mesmo no Maranhão houve uma bem sucedida aliança entre petistas e tucanos. Foi na cidade de Açailândia onde prefeito Ildemar Gonçalves (PSDB) teve como vice Antônio Erismar (PT) por dois mandatos numa aliança marcada por muito companheirismo e lealdade,

O fato é que o PT e o PSDB parecem estar condenados a se encontrarem em algum momento numa dessas esquinas da história, pois ambos têm responsabilidade com este país.

É preciso acabar com esse caso de amor mal resolvido entre o PT e o PSDB, antes ou depois das eleições de 2018.

E isso serve também para o caso do Maranhão.

ELEIÇÕES 2018: As chances do Meirelles (OU: Tá valendo o jargão “É a economia, estúpido!”)

Se FHC, sem ser conhecido nacionalmente antes de virar ministro da Fazenda conseguiu a proeza de eleger-se duas vezes presidente em primeiro turno, por que Henrique Meirelles não conseguiria o mesmo feito já que é muito mais conhecido hoje do que o tucano era na época que conduziu o Plano Real?

Assim que assumiu o Ministério da Fazenda, no início do governo Michel Temer (PMDB), Henrique Meirelles sabia que sua condição de “xerife da economia” poderia desaguar numa potencial candidatura a presidente da República.

É bem verdade que o ex-presidente do Banco Central durante a era Lula tomou posse na Fazenda em meio a um ambiente favorável e de crença de dias melhores para a economia brasileira pós-Dilma.

Contudo, consolidado o impeachment da presidente petista, o que se viu em seguida foi um país atolado numa crise sem fim, não somente econômica, mas também política e assolado pela corrupção principalmente depois do espetáculo que foi a famigerada gravação, clandestina, feita por Joesley Batista, dono da JBS, de um diálogo entre ele e o presidente Temer.

Passados os piores momentos da crise, o país parece que começa dar sinais de estabilidade econômica, embora a tensão política persista com o PT fazendo uma oposição implacável e sem trégua ao governo que o partido considera “golpista” e “ilegítimo”, o que não é de todo mentira. Sem falar na “crise existencial” dos tucanos de não saber se é governista ou oposição ao Planalto.

Nesse contexto, o PMDB dá sinais de que pode ter candidato a presidente em 2018 e nome pode ser exatamente o do ministro Henrique Meirelles, hoje filiado ao PSD.

Pode parecer loucura pensar que um “burocrata” ligado ao setor financeiro internacional tenha alguma chance de eleger-se presidente da República, mas lamento informar aos menos atentos ao jogo político que é, sim!, possível o ministro ser candidato e levar a eleição presidencial do ano que vem.

“É a economia, estúpido!”

O ano é 1993. O Brasil, para variar, enfrenta índices inflacionários estratosféricos, desemprego medonho, falta de investimentos e um clima político delicado pós-impeachment de Fernando Collor de Melo.

Numa jogada de risco, o então presidente Itamar Franco resolve convidar o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, na época chanceler-chefe do Ministério das Relações Exteriores, para assumir o ministério da Fazenda.

Até então um ilustre desconhecido do grande público brasileiro, já que era conhecido apenas em São Paulo e nos círculos da elite acadêmica brasileira, um ano depois de assumir as rédeas da economia e consolidar o Plano Real, FHC se candidataria e elegeria-se presidente em primeiro turno derrotando o favorito Lula. Quatro anos depois repetiria o feito reelegendo-se, também no primeiro turno, e mais uma vez derrotando o líder maior do PT.

Ora, se FHC, sem ser conhecido nacionalmente antes de virar ministro da Fazenda conseguiu tamanha proeza, por que Henrique Meirelles não conseguiria o mesmo já que é muito mais conhecido hoje do que o tucano era na época que conduziu o Plano Real?

Enfim, é um erro pueril minimizar ou subestimar a força de uma eventual candidatura do ministro Meirelles se até abril/maio de 2018 o Brasil apresentar um ambiente econômico mais estável, seguro.

É que está mais do que atual o jargão do ex-marqueteiro de Bill Clinton, James Carville: “É a economia, estúpido!”.