VÍDEO: Bolsonaro já não tem certeza que está “com a mão na faixa” 8

Pelo jeito, Bolsonaro teme o efeito “FHC na cadeira de prefeito”, quando em 1985 o ex-presidente tirou uma foto sentado na cadeira da Prefeitura de São Paulo como se já estivesse vencido a eleição municipal da capital paulistas, mas quando as urnas foram abertas então peemedebista amargou uma derrota para Jânio Quadros.

Via o Blog do Esmael Morais.

Há mais ou menos duas semanas, o candidato a presidente pelo PSL Jair Bolsonaro deu a seguinte declaração:

“Nós estamos com a mão na faixa. É verdade, pode até não chegar lá. Nós
estamos com a mão na faixa. Ele (Haddad) não vai tirar 18 milhões de votos até daqui dois domingos.”

Quando deu essa declaração, Bolsonaro aparecia com 59% contra 41% de Fernando Haddad (PT), segundo levantamento do Ibope na época.

Agora o “capitão” gravou um vídeo onde reconhece que a eleição ainda não está vencida e pede engajamento dos seus aliados na cidade de São Paulo.

Pelo jeito, Bolsonaro teme o efeito “FHC na cadeira de prefeito” quando em 1985 o ex-presidente tirou uma foto sentado na cadeira da Prefeitura de São Paulo como se já estivesse vencido a eleição municipal da capital paulista.mas quando as urnas foram abertas o então peemedebista amargou uma derrota para Jânio Quadros.

Veja o vídeo onde Bolsonaro reconhece que “a eleição ainda não está decidida”. Confira.

Vídeo via o blog do Esmael Morais.

OPINIÃO: Sejamos radicais

Devemo-nos unir para evitar que o povo tenha de escolher entre o ruim e o menos pior

Por Fernando Henrique Cardoso

O Brasil exige: sejamos radicais. Mas dentro da lei: que a Justiça puna os corruptos, sem que o linchamento midiático destrua reputações antes das provas serem avaliadas. Não sejamos indiferentes ao grito de “ordem!”. Ele não vem só da “direita” política, nem é coisa da classe média assustada: vem do povo e de todo mundo. Queremos punição dos corruptos e ordem para todos, entretanto, dentro da lei e da democracia.

O País foi longe demais ao não coibir o que está fora da lei, o contrabando, o narcotráfico, a violência urbana e rural, a corrupção público-privada. Devemos refrear isso mantendo a democracia e as liberdades antes que algum demagogo, fardado ou disfarçado de civil, venha a fazê-lo com ímpetos autoritários.

Só com soldados armados se enfrentam os bandidos, eles também com fuzis na mão. Se não há mais espaço para a pregação e a condescendência, tampouco queremos, entretanto, que a arbitrariedade policial prevaleça.

O Brasil tem pressa: chega de governos incompetentes. Não se trata só da falta de dinheiro, mas da má gestão aliada às vantagens corporativas e partidárias. Não há crescimento da economia nem empregabilidade sem investimento público e privado. Precisamos reintegrar nossa economia aos fluxos de criatividade e às cadeias produtivas mundiais. Assim como precisamos melhorar a infraestrutura para escoar a produção.

Não haverá adesão aos valores básicos que mantêm a coesão social sem crescimento contínuo da economia e sem respeito ao meio ambiente. Crescer de modo sustentável a 4% ao ano por 20 anos assegura melhor distribuição de renda e oferece mais emprego do que picos ocasionais de 6% ou 7% de crescimento em um ou dois anos, seguidos de mergulhos de 1 a 3 pontos negativos a cada três anos.

Nada disso se conseguirá sem que a educação seja o centro das atenções governamentais e populares.

Sem reformas, a da Previdência acima de todas, pelos danos que a legislação previdenciária atual causa ao Orçamento público, e sem uma “reforma moral” nas nossas práticas políticas, eleitorais e partidárias, nosso destino nacional estará comprometido por décadas.

Um Congresso com 26 partidos torna o País ingovernável. Um governo que tem quase 30 ministérios, cujos titulares são desconhecidos até pelos cidadãos mais bem informados, é incapaz de se haver com os desafios do futuro. Há que reconhecer que o sistema político que montamos em 1988 se exauriu.

A Constituição preserva, e isso deve ser mantido, tanto a intangibilidade e os limites sociais da propriedade privada como os direitos humanos fundamentais. Mas ela não abriga atos de violência nem de desordem continuada.

Entende-se a motivação dos sem-teto, como também a dos sem-terra. Mas fora da lei o que era propósito de reconstrução se transforma em instrumento de deterioração. Há que dar um basta a tanta desordem. Façamo-lo com a Constituição nas mãos, antes que outros o façam, em nome da ordem, mas sem lei.

É este o radicalismo de que precisamos: decência na vida pública, crescimento da economia, salários mais condizentes com o custo de vida, seriedade no trato das finanças públicas, reformas em nome da igualdade social e regional e um serviço público que atenda às demandas básicas das pessoas: moradia, transporte, saúde, educação e segurança. Que os governos se unam à iniciativa privada se for necessário e lhe cedam o passo quando for mais racional para assegurar o atendimento às necessidades do povo.

Um programa simples como esse requer autoridade moral dos que vierem a nos comandar. Só com ela haverá força para dar rumo seguro ao País. Só assim levaremos adiante as reformas, incluída a da Constituição, sem que os poderosos se tornem suspeitos de estar a serviço das oligarquias políticas, econômicas e corporativas.

É para isso que precisamos formar um Polo Popular e Progressista. Por popular entenda-se que respeite a dinâmica dos mercados, pois vivemos num sistema capitalista, mas que saiba que ela não é suficiente para atender às necessidades de toda a população. Por progressista entenda-se que esse bloco seja consciente das transformações produtivas e políticas do mundo, tenha coragem de viver nele tal como ele é e preserve a crença no Brasil como nação.

Ou participamos ativamente das mudanças do mundo contemporâneo ou seremos irrelevantes. Pior, perderemos o que de melhor podemos tirar dele: sua capacidade de renovar-se tecnológica e politicamente.

Na campanha eleitoral que se aproxima os temas centrais estão se delineando: o desprezo aos partidos e à classe política, que advém da descoberta de que as bases do poder apodreceram pela corrupção, só poderá ser ultrapassado se o povo perceber que há alternativas à desmoralização de tudo e de todos.

O grito dos desesperados por emprego e renda não se resolve só com assistencialismo. Este é necessário para a sobrevivência das pessoas. Mas a dignidade delas requer medidas que restabeleçam a confiança na economia, no investimento e no emprego, dando-lhes um horizonte de futuro.

O medo da violência reinante e a perda de oportunidades econômicas tornam o eleitorado suscetível às pregações de “mais ordem”. Empunhemos essa consigna, mas sem substituir a lei pelo arbítrio. Ordem na lei e com bases morais sólidas.

Não é pedir demais que alguns candidatos em disputa no próximo dia 3 de outubro subscrevam essas diretrizes. Qual deles passará ao segundo turno depende do empenho de seus respectivos partidários e da decisão do eleitorado. Unamo-nos desde já, entretanto, em torno desses princípios com a firme disposição de chegar ao segundo turno. Se dois de nossos candidatos lá chegarem, tanto melhor: será o povo que dirá qual deles há de conduzir-nos nos próximos anos. Não devemos arriscar, porém. Se for o caso, devemo-nos unir ainda no primeiro turno para evitar que o povo tenha de escolher entre o ruim e o menos pior.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO É SOCIÓLOGO E FOI PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

O PT e o PSDB e a responsabilidade com o país (OU: Um caso de amor mal resolvido) 20

O PT e o PSDB parecem estar condenados a se encontrarem em algum momento da história, pois ambos têm responsabilidade com este país. E isso serve também para o caso do Maranhão.

Acompanhem algumas frases históricas de expoentes do PT e do PSDB. Volto em seguida.

“O José Dirceu é um candidato forte, preparado, mas ele tem consciência de que, se houver possibilidade de fazer aliança nacional [com o PSDB], nós poderemos rediscutir” (Lula, Folha de S. Paulo, 21 de fevereiro de 1994).

“Começou a nascer a possibilidade de uma aliança dada a essa proximidade. Esse acordo eleitoral era natural já que estávamos trabalhando juntos na CPI que investigou as denúncias de corrupção do governo Collor. Começamos a perceber que tínhamos pontos em comuns” (Senador Tasso Jereissati, então presidente do PSDB em 1994).

Folha de S. Paulo, 16 de abril de 1993.

“O PT é que tem problema de consciência em fazer aliança com o PSDB. Nós não temos” (Sérgio Guerra, ex-senador e ex-presidente do PSDB, já falecido).

Muito menos do que levar em conta a atitude do Mário Covas em 89 [na época, o senador pelo PSDB-SP apoiou a candidatura de Lula no segundo turno da eleição presidencial], nós temos que levar em conta a história política do Mário Covas.
Eu pessoalmente sou amigo do Covas. Será levado em consideração o passado político do Mário Covas (Lula ao defender apoio a Mário Covas no 2º da eleição para o governo de SP em 1994).

Folha de S. Paulo, 21 de fevereiro de 1994.

“É possível uma aliança PT-PSDB, A luta entre os dois partidos é política, não ideológica”(FHC em conversa gravada com o então ministro do PT, Cristóvão Buarque, em 2008).

Comigo novamente
Pode parecer uma heresia ou mesmo um ato de insanidade alguém achar que é possível um diálogo entre o PT e o PSDB nos dias atuais, mas nunca foi tão importante uma retomada de afagos civilizados entre petistas e tucanos como os postadas acima.

PT e PSDB nasceram na mesma maternidade, o estado de São Paulo. Ainda que cerca de dez anos mais velho do que o PSDB, muitos dos atuais tucanos viram o nascimento do PT e por pouco não ajudaram no parto desse que é maior partido de massa do país – o PSDB foi fundado em 1988 após ruptura de muitos quadros com o PMDB.

Fosse feito um teste de DNA, não há dúvidas que o resultado mostraria uma compatibilidade genética e ideológica impressionante entre os dois partidos.

Na sua essência, o PT é um partido social-democrata de esquerda para os padrões latino-americanos, mas se tivesse nascido na Europa seria um força social-democrata clássica. O partido nunca foi comunista, marxista ou mesmo um parido socialista radical, mesmo possuindo correntes internas que se identificam como tais ideologias.

Já o PSDB é um partido de centro e o PT, de certa forma, o empurrou mais um pouco para a direita coisa que os tucanos aceitaram ao longo da história voluntária ou involuntariamente.

Caso de amor mal resolvido

Em 1994, por pouco tucanos e petistas não “casaram” na eleição de presidente e até hoje não possível saber de fato quem deixou quem esperando no altar. O resultado do vacilo foi a eleição de Fernando Henrique Cardoso numa coligação conservadora, com o antigo PFL na vice, mas que renderia bons resultados para o país, principalmente no tocante à economia.

Passados dois mandatos de FHC, foi a vez de Lula comandar o país também sustentado por uma coalização conservadora, com o PMDB na vice, mas, aproveitando a estabilidade econômica deixada pelo sucessor tucano, fez uma verdadeira revolução social neste país.

A famosa e bem sucedida experiência PT/PSDB no Acre, em pleno governo FHC, foi um “case” de sucesso político que poderia ter servido de referência para outros estados brasileiros.

Porém, o Acre não é um estado que joga um peso político no conjunto do país, caso contrário muito provavelmente outras experiência do tipo seriam “exportadas” pelo Brasil afora. Aliás, aqui mesmo no Maranhão houve uma bem sucedida aliança entre petistas e tucanos. Foi na cidade de Açailândia onde prefeito Ildemar Gonçalves (PSDB) teve como vice Antônio Erismar (PT) por dois mandatos numa aliança marcada por muito companheirismo e lealdade,

O fato é que o PT e o PSDB parecem estar condenados a se encontrarem em algum momento numa dessas esquinas da história, pois ambos têm responsabilidade com este país.

É preciso acabar com esse caso de amor mal resolvido entre o PT e o PSDB, antes ou depois das eleições de 2018.

E isso serve também para o caso do Maranhão.

ELEIÇÕES 2018: As chances do Meirelles (OU: Tá valendo o jargão “É a economia, estúpido!”)

Se FHC, sem ser conhecido nacionalmente antes de virar ministro da Fazenda conseguiu a proeza de eleger-se duas vezes presidente em primeiro turno, por que Henrique Meirelles não conseguiria o mesmo feito já que é muito mais conhecido hoje do que o tucano era na época que conduziu o Plano Real?

Assim que assumiu o Ministério da Fazenda, no início do governo Michel Temer (PMDB), Henrique Meirelles sabia que sua condição de “xerife da economia” poderia desaguar numa potencial candidatura a presidente da República.

É bem verdade que o ex-presidente do Banco Central durante a era Lula tomou posse na Fazenda em meio a um ambiente favorável e de crença de dias melhores para a economia brasileira pós-Dilma.

Contudo, consolidado o impeachment da presidente petista, o que se viu em seguida foi um país atolado numa crise sem fim, não somente econômica, mas também política e assolado pela corrupção principalmente depois do espetáculo que foi a famigerada gravação, clandestina, feita por Joesley Batista, dono da JBS, de um diálogo entre ele e o presidente Temer.

Passados os piores momentos da crise, o país parece que começa dar sinais de estabilidade econômica, embora a tensão política persista com o PT fazendo uma oposição implacável e sem trégua ao governo que o partido considera “golpista” e “ilegítimo”, o que não é de todo mentira. Sem falar na “crise existencial” dos tucanos de não saber se é governista ou oposição ao Planalto.

Nesse contexto, o PMDB dá sinais de que pode ter candidato a presidente em 2018 e nome pode ser exatamente o do ministro Henrique Meirelles, hoje filiado ao PSD.

Pode parecer loucura pensar que um “burocrata” ligado ao setor financeiro internacional tenha alguma chance de eleger-se presidente da República, mas lamento informar aos menos atentos ao jogo político que é, sim!, possível o ministro ser candidato e levar a eleição presidencial do ano que vem.

“É a economia, estúpido!”

O ano é 1993. O Brasil, para variar, enfrenta índices inflacionários estratosféricos, desemprego medonho, falta de investimentos e um clima político delicado pós-impeachment de Fernando Collor de Melo.

Numa jogada de risco, o então presidente Itamar Franco resolve convidar o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, na época chanceler-chefe do Ministério das Relações Exteriores, para assumir o ministério da Fazenda.

Até então um ilustre desconhecido do grande público brasileiro, já que era conhecido apenas em São Paulo e nos círculos da elite acadêmica brasileira, um ano depois de assumir as rédeas da economia e consolidar o Plano Real, FHC se candidataria e elegeria-se presidente em primeiro turno derrotando o favorito Lula. Quatro anos depois repetiria o feito reelegendo-se, também no primeiro turno, e mais uma vez derrotando o líder maior do PT.

Ora, se FHC, sem ser conhecido nacionalmente antes de virar ministro da Fazenda conseguiu tamanha proeza, por que Henrique Meirelles não conseguiria o mesmo já que é muito mais conhecido hoje do que o tucano era na época que conduziu o Plano Real?

Enfim, é um erro pueril minimizar ou subestimar a força de uma eventual candidatura do ministro Meirelles se até abril/maio de 2018 o Brasil apresentar um ambiente econômico mais estável, seguro.

É que está mais do que atual o jargão do ex-marqueteiro de Bill Clinton, James Carville: “É a economia, estúpido!”.