WALDIR MARANHÃO: Se eu tiver a honra de ser um dos candidatos a senador pelo PSDB é lógico que a questão da suplência será discutida com o presidente do partido” 6

O deputado federal Waldir Maranhão começa incomodar adversários e passa a ser vítima das chamadas fake news.

Totalmente engajado no projeto local e nacional do PSDB, partido que o acolheu no limite do prazo da tal janela partidária, Waldir tem percorrido o Maranhão na caravana liderada pelo senador e pré-candidato a governador Roberto Rocha, que também é presidente estadual do tucanato maranhense.

Waldir Maranhão tem a consciência de que o PSDB tem uma chapa majoritária fechada para governo e para o Senado Federal, mas, claro, tem o direito de se movimentar no sentido que quiser sem o açodamentos no processo de diálogos e atropelos de companheiros de partido.

Ocorre que o carisma, popularidade e liderança de Waldir Maranhão despertam a maledicência dos adversários instalados no Palácio do Leões que agora passaram a escolher até o suposto suplente de senador do ex-presidente da Câmara dos Deputados.

“Se eu tiver a honra de ser um dos candidatos a senador pelo PSDB é lógico que a questão da suplência será discutida em primeiríssimo lugar com o presidente do partido e pré-candidato a governador Roberto Rocha. Quem me conhece sabe que jamais atropelaria um processo dessa magnitude. Não tenho mais idade para brincar de fazer politica”, disse o deputado ao Blog do Robert Lobato.

As declarações de Waldir Maranhão rechaçam, portanto, a falsa informação de que ele estaria anunciando o nome do ex-prefeito e ex-deputado estadual Zé Genésio para primeiro primeiro suplente numa eventual candidatura ao Senado Federal.

Facebook tenta restringir difusão de notícias falsas com agências de checagem

Ainda que paliativa, medida é bem-vinda, como um remédio antitérmico em dias de gripe

Joel Pinheiro da Fonseca, via Estadão

Pabllo Vittar recebe R$ 5 milhões via Lei Rouanet para estrelar programa infantil na Globo. Filho do Lula é dono da Friboi. Bolsonaro tem mandado de prisão por crime de racismo. Dilma tentou se matar. Aécio é investigado por tráfico de drogas. Marielle Franco foi casada com traficante e eleita pelo Comando Vermelho.

As afirmações acima são notícias falsas, frutos grotescos da falta de escrúpulos e da facilidade com que manchetes bombásticas se difundem nas redes sociais. Todas elas foram amplamente compartilhadas e visam a algum efeito político. Se a informação tem qualquer efeito sobre a sociedade, então o aumento na difusão de mentiras como essas é preocupante.

Restringir a difusão de notícias falsas; é isso que o Facebook tenta fazer ao fechar parceria com agências de checagem de fatos ao redor do mundo (no Brasil, a Aos Fatos e a Lupa).

Leitores submetem notícias à avaliação das agências e, se elas forem julgadas falsas, terão sua distribuição reduzida pelo algoritmo que determina a quantas pessoas cada conteúdo chega. Seria ótimo se todos tivessem senso crítico e tempo para checar notícias por conta própria. Dado que não têm, o trabalho de agências de checagem tem valor.

Por isso sou, em princípio, favorável à medida tomada pelo Facebook, embora considere legítimo o temor de que a rede social sucumba à censura ideológica. As agências terão de demonstrar sua imparcialidade e objetividade.

Uma parte já fazem: ambas são membros credenciados da International Fact-Checking Network, que avalia agências do mundo inteiro, segundo critérios bastante sensatos —por exemplo, transparência e abertura a correções— e cujos relatórios estão disponíveis online. Outro elemento para garantir objetividade é ter, em seus quadros, diversidade ideológica. Por falharem nisso, atraíram críticas fáceis.

A reação furiosa das últimas semanas, que inclui hostilizar os jornalistas que compõem agências de checagem, contudo, não parte da defesa da liberdade de expressão. É a reação de grupos que dependem da circulação de notícias falsas para repercutir sua mensagem e aumentar sua popularidade.

Seja como for, para reduzir o risco de censura, penso que as agências devem reservar sua condenação apenas para falsidades gritantes como as mencionadas no primeiro parágrafo, deixando imprecisões e afirmações controversas (“a Previdência é deficitária”; “mais armas, menos crimes”; “foi golpe”) abertas à livre circulação, ainda que sejam falsas.

Acertos e erros são parte do debate público. Limpar o lixo incontroverso que entulha as redes já será um bom serviço.

A checagem profissional não é panaceia. Ela não elimina a necessidade de cada um formar seu próprio senso crítico. Afinal, os checadores também erram, pelo que podem e devem ser corrigidos.

Além disso, ela é incapaz de ir às causas do problema das notícias falsas, que não estão tanto nas notícias em si, mas na disposição de milhões de pessoas de engolir mentiras tão facilmente, desde que confirmem suas convicções e ódios. Ainda que paliativa, é bem-vinda; como um remédio antitérmico em dias de gripe.

Com a radicalização crescente, manter uma plataforma de comunicação livre e descentralizada enquanto se combate a boataria profissional é do interesse de todos os cidadãos honestos.

Joel Pinheiro da Fonseca
É economista pelo Insper, mestre em filosofia pela USP e palestrante do movimento liberal brasileiro.

ELEIÇÕES 2018: Fake news, Roberto Rocha e Eunício de Oliveira 2

Já tramita, no âmbito do Senado Federal, uma proposta de autoria do senador Eunício Oliveira (MDB) que prevê prisão para quem produzir ou compartilhar conteúdo com o objetivo de desinformar, distorcer e manipular a opinião de pessoas em redes sociais

Algumas pessoas criticaram a nota do senador Roberto Rocha (PSDB) desmentindo boatos de que ele teria desistido de sua pré-candidatura a governador do Maranhão. Algumas críticas de boa-fé, outras completamente sem sentido e até mesmo maldosas.

Os críticos da nota assinada pelo tucano sustentam que ele deu crédito para algo que só saiu em blogs sem acessos e que se o senador não tivesse se manifestado ninguém tomaria conhecimento sobre tal boato. Isso é equívoco completo e explico por quê.

A questão fundamental não é se uma notícia inverídica saiu em blogs com poucos acessos ou de credibilidade duvidosa, mas o compartilhamento do conteúdo falso pelas redes sociais, tais como Facebook, Twitter e grupos de WhatsApp.

Uma notícia falsa, também chamada de fake news, pode criar muita confusão na cabeça de quem não tem informações reais sobre o assunto ou para pessoas ingênuas, aí aquilo que é mentira acaba ganhando conotação de verdade. Daí que é um erro subestimar a capacidade de um blog em fazer estragos à imagem de uma pessoa, autoridade ou não, apenas porque ele não tem acesso, pois após uma postagem desse mesmo blog “sem acessos” ser compartilhada nas redes sociais, certamente vai chamar atenção de muitas pessoas.

Esse fake news sobre a desistência de Roberto Rocha em concorrer às eleições de 2018, por exemplo, fez com que várias pessoas me perguntassem se era verdade.

Em grupos de WhatsApp, o assunto foi motivo para os adversários do senador ridicularizá-lo. Ou seja, se o mal não tivesse sido cortado pela raiz através de uma nota pública seria possível sair até uma “notinha” sobre o assunto nas colunas políticas dos principais jornais do estado como sendo verdade a desistência de Roberto Rocha da sua pré-candidatura de governador.

No Congresso Nacional

Já tramita, no âmbito do Senado Federal, uma proposta de autoria do senador Eunício Oliveira (MDB/CE) que prevê prisão para quem produzir ou compartilhar conteúdo com o objetivo de desinformar, distorcer e manipular a opinião de pessoas em redes sociais.

O projeto é polêmico e será debatido no Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional na próxima segunda-feira, 5 (veja aqui).

Seja como for, independente de haver ou não uma legislação específica sobre fake news, o bom senso do jornalista ou blogueiro ainda é o melhor remédio para combater a não proliferação do conteúdos falsos na internet.

Aos leitores cabem ficar atentos e sempre procurar saber se uma notícia que recebem é de uma fonte confiável antes de sair por aí compartilhando fake news a torto e a direito.

Fica a dica.

‘Redes serão campo de batalha nas eleições’, diz pesquisador

Para Ruediger, presença do Estado no monitoramento dos robôs é essencial Foto: Fabio Motta/Estadão

A tentativa de manipulação do debate público e a disseminação de notícias falsas – fake news – nas redes sociais são fenômenos que atingirão escala jamais vista nas eleições de 2018 no Brasil e devem ser monitorados pelo Estado, segundo o pesquisador Marco Aurélio Ruediger.

Responsável pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV-DAPP) e coordenador da pesquisa Robôs, Redes Sociais e Política no Brasil, Ruediger afirma que as redes sociais serão um campo de batalha e os robôs – programas usados para multiplicar mensagens na internet – terão presença significativa na discussão eleitoral.

Na pesquisa, ele verificou seis momentos-chave na política brasileira – como o primeiro turno das eleições de 2014 e a aprovação da reforma trabalhista no Senado – e constatou que a cada quatro segundos um robô enviou uma mensagem nas redes sociais.

Qual é a conclusão do estudo?

A conclusão é de que os robôs não são uma coisa episódica na política brasileira. Não é uma possibilidade, é uma certeza que acontecerá no próximo ano. Em função do que aconteceu no País nos quatro últimos anos, serão as eleições mais importantes das últimas décadas. As redes sociais serão um campo real de batalha e os robôs terão uma presença significativa. Isso deve ser monitorado.

Por que é importante mapear esses mecanismos?

A primeira importância é o quanto se consegue distorcer opiniões e orientar debates para além do que seria o espírito cívico e republicano. Ou seja: a construção de agendas e a deformação dos debates sobre essas agendas dentro desses meios. A outra é: quem no País se utiliza mais disso ou quem se favorece desses robôs? E fora do País? Existem robôs que favorecem agendas que interessam à política brasileira? As respostas são extremamente importantes.

Qual o peso que as redes sociais terão na próxima eleição?

Não tenho dúvida de que será muito maior. Mais pessoas utilizam redes sociais do que há quatro anos. As campanhas de rua ficaram muito caras e com poucos financiadores. Então, as redes se tornam atraentes porque o custo, em geral, é mais baixo. O problema é que será um “tiroteio” de vários lados, porque é frequente o uso das mídias sociais para deformar o debate público e todos os campos ideológicos usam esse tipo de instrumento. É disseminado no mundo da política e agora vai ser potencializado.

TSE, Ministério da Defesa e Abin traçam ações para barrar fake news. Como vê a iniciativa?

É necessário que o Estado brasileiro entenda que o monitoramento se tornará uma ação necessária e constante. Em algum momento, terá de haver uma regulação, uma construção legal mais avançada e, claro, que respeite o Marco Civil da Internet. Não se pode achar que só aconteceu na eleição. Essa hipótese nós já derrubamos. É o tempo inteiro e não é só na política, mas também na economia.

(As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)