Jair Bolsonaro e o seu “governo verde-oliva”, segundo Eliane Cantanhêde 4

Ao contrário de Michel Temer, que carece do instituto da legitimidade, Jair Bolsonaro está sustentado pelo voto popular e tem o direito de montar o governo que bem entender e achar mais próximo daquilo acredita. Se vai dar certo ou não só o tempo dirá.

Foto: Brasil 247

O termo “governo verde-oliva” foi usado em recente artigo da lavra da jornalista Eliane Cantanhêde, da GloboNews e do jornal O Estado de São Paulo, no que seria uma crítica às indicações de vários militares para cargos de primeiro escalação feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro – até o momento chegam a seis ou sete o número de milicos que ocuparão gabinetes na Esplanada dos Ministério e também no Palácio do Planalto a partir de 1º de janeiro de 2019.

Sinceramente, não consigo ver motivos para tantas críticas e muito menos pânico por conta da escolhas de militares para postos estratégicos do futuro governo federal.

Ora, o próprio presidente eleito é oficial da reserva do Exército brasileiro e nunca escondeu sua paixão (para alguns obsessão) pelas forças armadas.

A rigor, os militares são embalados por sentimentos nacionalistas, pela defesa intransigente da soberania nacional, disciplina organizacional e visão estratégica do Estado brasileiro. Aliás, muitas expressões e conceitos da Administração vêm das instituições militares.

As críticas de Eliane Cantanhêde, que foram replicada até por sites ligados à esquerda, tem um verniz, digamos, meio alarmista beirando um sensacionalismo para chamar atenção da opinião pública. Eis um trecho do artigo da nobre jornalista: “O novo governo vai assumindo o jeito, a cara, a cor e o cheiro dos militares do exército”. Completa mais na frente: “Bolsonaro está montando um governo verde-oliva, com grande influência dos militares”.

Há uma espécie de sofrimento por antecipação coletiva por parte da grande imprensa e das esquerda em geral. Ocorre que a política se combate é com a política real e concreta, e o governo Bolsonaro sequer começou!

Ao contrário de Michel Temer, que carece do instituto da legitimidade, Jair Bolsonaro está sustentado pelo voto popular e tem o direito de montar o governo que bem entender e achar mais próximo daquilo acredita. Se vai dar certo ou não só o tempo dirá.

Cabe as oposições cumprir o papel que as urnas lhes impuseram em outubro de 2018.

À imprensa, sem querer ser a dona das verdades e se comportar mais como partido político, cabe ser o instrumento de informação e o organismo de defesa da sociedade contra eventuais abusos de autoridades, sejam elas quais forem, e ao mesmo tempo uma vigilante da democracia brasileira.

Enfim, o tal “governo verde-oliva” da jornalista Eliane Cantanhêde está mais para uma retórica política, inteligente, diga-se, o que não significa ser “partidária”, do que para algo que possa se configurar como um prognóstico aterrorizador de um real e concreto governo militar “verde-oliva” que atente contra a nosso democracia.

O Brasil não aceita mais certas aventuras autoritárias.