Uma eleição que diverte e aterroriza em só tempo 4

Sem sombras de dúvidas a eleição de 2018 já está na história como a mais atípica de todos os tempos desde quando se vota neste país.

Coisa de maluco, meu!

O divisionismo que a gente poderia achar que só ficava restrito apenas à classe política e à sociedade, bateu às portas de famílias inteiras.

Grupos de WhatsApp de sagradas famílias viram “baixas” de membros que não suportaram intolerâncias à direita e à esquerda.

E quem dera, como se diz, que a coisa tivesse ficado restrita apenas no mundo virtual do WhatsApp… Que nada! As maluquices destas eleições foram para o mundo real ao ponto de familiares baterem a porta na cara de entes queridos e amados  – amados até antes do pleito de 2018, diga-se.

O que sobra de maluquices dos que defendem Haddad-13 ou Bolsonaro-17, sobra também de coisas hilárias de ambos os lados.

É assim na democracia.

E assim deverá continuar independente de quem ganhar para presidente no próximo dia 28 de outubro.

Até lá, espero, que ao menos as famílias e relações de amizades não sejam dizimadas por causa do “Andrade” e do “Bozo”…

Vida e luta que seguem.

Entenda a raiz invisível de nossas paixões eleitorais: amores e ódios 2

Por Fátima Fontes, via Vya Estelar

Introdução

“Na realidade, geralmente nos esquecemos de que as grandes manifestações de desequilíbrio social – guerras e revoluções – são produtos de grupos normais, dentro da média, sem desvios. Os membros desses grupos influenciam uns aos outros através de poderosas redes sociais que inconscientemente [e hoje ‘conscientemente’- comentário meu] criaram e através das quais seus sentimentos de amor e ódio e seus preconceitos diretos e simbólicos oscilam. A patologia e a terapia de grupos normais têm sido negligenciadas, mas é delas que a saúde social da humanidade depende.”

(Jacob Levy Moreno, 1889 – 1947, no livro Quem sobreviverá? Fundamentos da Sociometria, Psicoterapia de Grupo e Sociodrama.
Goiânia: Dimensão, 1994, Volume II, página 235).

Estamos mais uma vez neste espaço reflexivo sobre nós e nossos vínculos. Desta feita, fui instigada a escrever sobre a atual onda de polarização política que se abate sobre nós e nossos vínculos, como uma forte tempestade, comprometendo relações e trazendo para aquele que deveria ser o “espaço da ágora, do debate”, um espaço da “guerra e do ódio” ao que pensa e vota diferente “de mim”.

Que lástima tudo isso, e como proposta alternativa e de “resgate” dessa tempestade, proponho o espaço das ideias e desejo que, de alguma forma, isso nos auxilie a sermos menos emocionais e mais racionais, num momento em que nosso cérebro frontal, aquele responsável pelas decisões racionais, seja o coordenador de nossas escolhas, ao invés de sermos primariamente levados pelo cérebro límbico, aquele mais primitivo e que é regido por nossas emoções e nos leva a sermos “impulsivos”, no momento de escolher o caminho a seguir.

A raiz invisível de nossas paixões eleitorais: amores e ódios

Usei como texto de nossa epígrafe, as sábias palavras de um psiquiatra judeu, pai da Psicoterapia de Grupo e do Psicodrama, Jacob Levy Moreno, que viveu entre as grandes guerras a 1ª e a 2ª, e que com competência e muito estudo, concluiu que aquilo que promove as polarizações entre as pessoas, dissenções e guerras, não é algo que está fora delas, e sim algo que é eliciado, a partir dos ódios, amores e preconceitos que carregamos.

Na verdade, os estudos das paixões humanas, é bem anterior a Moreno, e poder-se-ia dizer que acompanha a história do mal-estar da civilização, como nos ajudou a refletir, outro gênio da análise do comportamento humano e suas relações, o também psiquiatra judeu Sigmund Freud.

Juntando a esse coro de vozes, as vozes de filósofos, cientistas sociais, psicólogos sociais, teólogos, e cientistas afins, embasamos o argumento de que precisaremos identificar nossos campos pessoais, subjetivos de amores, ódios e preconceitos, como caminho para avançarmos na direção de uma escolha mais equilibrada.

É impressionante, o quanto as marcas de nossos processos de socialização primária e secundárias, nossos “imprintings”, dos quais tratei no artigo anterior, e que revelam nossa aprendizagem do amar e do odiar, ressurgem quando nos encontramos diante de cenários de perigos reais ou “imaginários”, evocados pela guerra do voto atual.

As incertezas sociopolíticas acabaram criando o fértil solo em que se desenvolvem sintomas, que poderíamos nomear de verdadeiras patologias sociais, dos quais ocuparia a primeira posição, a busca alucinada pelos “culpados” pela situação de sofrimento em que vivemos, estes tornam-se seres a quem desprezamos, odiamos e execramos, esse primeiro sintoma é ladeado por outro, de igual intensidade e valor, quase “delirante”, de que haveria um salvador, ou pessoas salvadoras, capazes de nos remover do atual cenário de corrupção  e enganos, aos quais juramos lealdade, amor e respeito.

A partir dessa vivência de “amor” e “ódio” projetadas para os vínculos, não tardará para que muitos preconceitos, arraigados em nós, também por nossas socializações, ganhem vida e cena e assim, o jogo da intolerância e do desrespeito se instalem definitivamente.

Adotando um tom “moderado” na busca do equilíbrio social, relacional e pessoal.

Feita, então essa “varredura” nas nossas histórias pessoais de amor e ódio, exorcizaremos os demônios que criamos e projetamos para nosso cenário sociopolítico.

Daí, nesse outro “estado psíquico”, poderemos alcançar a tal “paz de espírito”, que certamente nos guiará a reflexões mais abalizadas e ponderadas, neste “outro estado de alma”, o “pensar” coordenará as outras funções mentais como o “sentir”, e nos levará a criar espaços de ações com mais razoabilidade e funcionalidade, nos afastando dos extremismos e dos radicalismos.

Voltaremos a confiar em nós mesmos e naqueles com quem convivemos, uma vez que os núcleos paranoides de “perseguição” e de “conspiração” tenderão a cair por terra e aquele que pensa diferente de nós, deixará de ser oponente, e voltará a ser somente um “divergente”.

Em paz, pessoal e relacional, seremos capazes de unir nossas forças, de nos envolvermos mais com o “bem comum”, esse do qual pouco ou nada sabemos, uma vez que nossa imatura história republicana e democrática, ainda não nos ensinou a vencermos a nossa histórica letargia participativa na causa do viver comunal.

Para além do resultado eleitoral, precisamos nos envolver mais com a causa social, precisamos zelar pelos nossos recém-abertos espaços de transparência e lutas por participação civil nos espaços políticos.

Precisamos acompanhar a trajetória dos que assumirem os vários poderes, pois essa será a única forma de co-construirmos uma realidade social mais justa e que saiba cuidar de seus cidadãos. Nossa voz não se expressa somente no voto, mas sobretudo nos nossos vários espaços de pertença social.

Diferente disso, será “lavarmos nossas mãos”, e seguirmos ressentidos, cheios de ódios e mágoas, desejando que “dê tudo errado”, afinal não ganhou quem nós queríamos.

Somos aquilo que escolhermos viver, pensar, sentir e fazer. E isso é bem mais do que um voto eleitoral, representa uma ética do viver, tijolo primordial numa construção ética social mais ampla.

Tudo começa em nós, o que estamos alimentando nesses tempos atuais? Uma cultura de paz ou uma cultura de guerra?

E para terminar…

Quero chamar, para nos ajudar a encerrar esse artigo, o poeta lusitano Fernando Pessoa, que escreveu sobre nosso sonho de sociedade justa… que ele nos inspire nesses tempos de escolhas, afinal precisamos fazer boas e melhores escolhas e por elas nos responsabilizarmos!

“30-08-1933
Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela ilha de suavidade
Que na ilha extrema do Sul se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri.

Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego deem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ah, talvez,
Naquela terra, daquela vez.

Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar,
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se frio de haver luar.
Ah, nessa terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.

Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.”
(PESSOA,1960, p.167)

Fatima Fontes, Psicóloga Clínica pela UFPE, Especialista em Psicodrama e Terapia Familiar; Mestre em Psicologia Social PUC/SP; Doutora em Serviço Social PUC/SP, com Estágio de Estudos de Doutoramento no Centre Edgar Morin, Paris, Doutora em Psicologia Social, USP. Pesquisadora do Laboratório de Psicologia Social da Religião- PsiRel USP. Professora de Pós-Graduação e Coautora e Co-organizadora de vários livros: Ex: Religiosidade e Psicoterapia, Editora Roca 2008

ELEIÇÕES 2018: Roseana Sarney vai pra cima de Flávio Dino 18

O tom discurso de Roseana foi uma demonstração da campanha ao governo que vem por aí.

Em reunião realizada na sua residência, na manhã desta segunda-feira, 21, a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) confirmou a sua pré-candidatura ao Governo do Maranhão.

Na presença de deputados estaduais e federais, senadores, prefeitos e aliados políticos, a emedebista partiu pra cima de Flávio Dino (PCdoB) a quem chamou de “ditador” e afirmou que o Maranhão parou no tempo na gestão comunista.

O tom discurso de Roseana foi uma demonstração da campanha ao governo que vem por aí. Os comunistas sonham com uma polarização com a filha do ex-presidente José Sarney para usar o jargão “basta comparar”.

Acontece que a além de Flávio Dino e Roseana Sarney, o pleito de outubro contará ainda com nomes como o do senador Roberto Rocha (PSDB), o ex-deputado Ricardo Murad (PRP), a ex-prefeita Maura Jorge e provavelmente o do deputado estadual Eduardo Braide (PMN), o que atrapalha os planos dos comunistas em tornar a eleição plebiscitária.

O fato é que se não houver um recuo de Roseana até as convenções, tudo levar crer que teremos uma campanha marcada pela radicalização entre a primeira via comunista e a segunda via sarneysista.

E, correndo por fora, os candidatos da terceira via, cuja unidade ainda não está descartada completamente.

Confira a íntegra do discuso de Roseana Sarney.

ELEIÇÕES 2018: Para dirigente do PT, Flávio Dino quer “a busca do poder pelo poder e a fragilização de toda a classe política”

A posição de Mundico Teixeira coincide com as de muitos outros dirigentes e militantes do PT que desejam ver o partido com candidato próprio ao governo e desembarque imediado do governo Flávio Dino

O integrante da comissão executiva do Diretório Estadual do PT, Raimundo Teixeira, divulgou artigo nas redes sociais em que defende todos os esforços dos petista para o lançamento da pré-candidatura do ex-superintende do Incra no Maranhão, Raimundo Monteiro.

“Diante da atual conjuntura e com o reforço da entrevista do principal secretário do governo Márcio Jerry, de que o PT não terá espaço na chapa majoritária do governador (lembrando que em nosso Congresso Estadual do PT aprovamos que só participaríamos de aliança com o governador Flávio Dino caso tivéssemos candidatura do PT na chapa majoritária) o que nos resta é voltarmos todos os nossos esforços para pré-candidatura de nosso companheiro Raimundo Monteiro”, defendeu

As declarações de Mundico, como também é chamado o dirigente, vêm um dia após o secretário Márcio Jerry (Articulação Política e Comunicação) afirmar que o governo não trabalha com a possibilidade do PT integrar a chapa majoritária liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) nas eleições de 2018.

O petista criticou também o que considera uma “visão visão de esquerda ortodoxa, da palestra, verticalizada, de quadros, do comitê central” do PCdoB para “dividir ao máximo para obter apoios como forma de “rendição” dos partidos e de sujeitos políticos que buscam se manter na política ou alcançar algum espaço de representação no aparelho do estado”.

A posição de Mundico Teixeira coincide com as de muitos outros dirigentes e militante do PT que desejam ver o partido com candidato próprio a governador e desembarque imediado do governo Flávio Dino.

Confira a íntegra do artigo de Mundico Teixeira.

Eleições no Maranhão

As últimas movimentações dos partidos e do governo confirmam uma linha de ação do governador FD, qual seja, “dividir ao máximo” para obter apoios como forma de “rendição” dos partidos e de sujeitos políticos que buscam se manter na política ou alcançar algum espaço de representação no aparelho do estado. Essa tática é comum a quem não tem um projeto coletivo de organização social do estado e tem como único objetivo a busca do poder pelo poder e a fragilização de toda a classe política.

Nós do PT, como instituição, estamos sendo extremamente atacados, por sermos do mesmo espectro ideológica do partido do governador (PCdoB), pois o mesmo entende que já nos representa e os espaços de composição do governo e de uma futura reeleição devem ser ocupados por quem na visão dele soma. Assim, nossos companheiros que têm o privilégio de fazer parte do círculo de amizades do governador ocupam algum espaço no governo e seguindo a lógica comunista palaciana estes passaram a ser considerados a cota/ parte de direito ao PT.

Essa visão de esquerda ortodoxa, da palestra, verticalizada, de quadros, do comitê central ainda impregna as mentes de alguns comunistas (os quais respeitamos), mas nós do PT sempre refutamos como forma organizativa de partido, já expresso em nosso manifesto de fundação. Optamos por uma esquerda democrática, da plenária, do encontro, do congresso, de quadros e de massas, tudo com participação direta do povo.

Diante da atual conjuntura e com o reforço da entrevista do principal secretário do governo Márcio Jerry, de que o PT não terá espaço na chapa majoritária do governador (lembrando que em nosso Congresso Estadual do PT aprovamos que só participaríamos de aliança com o governador Flávio Dino caso tivéssemos candidatura do PT na chapa majoritária) o que nos resta é voltarmos todos os nossos esforços para pré-candidatura de nosso companheiro Raimundo Monteiro, construir coletivamente uma frente de partidos voltada para a discussão do nosso estado em todas as suas dimensões e  garantir um palanque exclusivo para nosso candidato a Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva. E não fiquemos presos a um debate superficial que se resume ao que não se fez e ao que não se faz.

ELEIÇÕES 2018: A grande oportunidade de colocar o MA em primeiro lugar 12

Podemos estar próximo de um cenário que representará o fim, de uma vez por todas, do Maranhão em branco e preto simbolizado na dicotomia perversa do sarneysismo versus antissarneysismo

A conjuntura política local aponta para possibilidades extraordinárias do ponto de vista de colocar o Maranhão em primeiro lugar.

Tudo depende de uma conjunção de fatores, entre os quais inteligência e humildade.

A se confirmar o cenário que desenha no horizonte, com José Reinaldo Tavares, Roberto Rocha, Waldir Maranhão, Eduardo Braide,Sebastião Madeira, Hilton Gonçalo, Josemar Maranhãozinho, Wellington do Curso, Alexandre Almeida, Paulo Marinho Jr., Fábio Gentil, para citar apenas estes, na construção e consolidação de um novo campo político no estado, a chance de derrotar os atuais inquilinos do Palácio dos Leões é real e concreta. Isso sem falar da possibilidade do PT apresentar uma candidatura própria nas eleições de outubro, o que vem se mostrando cada vez mais possível de acontecer.

E mesmo que todos estes atores políticos não estejam juntos já no primeiro turno das eleições, uma vez que é legitimo cada qual ter suas aspirações políticas, teremos um quadro que representará o fim, de uma vez por todas, do Maranhão em branco e preto simbolizado na dicotomia perversa do sarneysismo versus antissarneysismo.

Não está difícil de unir a terceira via no Maranhão ou de pelo menos caminhar dialogando em busca de entendimentos a partir do primeiro turno. Aliás, nunca encontrou-se um ambiente tão propício para isso!

Os nomes estão aí postos a construir uma chapa competitiva, forte e com um projeto verdadeiramente renovador, desenvolvimentista, sustentável, inovador, criativo, empreendedor, enfim, um projeto de Estado, de sociedade e que realmente implante novos tempos no Maranhão, o que não se viu acontecer com a vitória de Flávio Dino em 2014.

As condições estão dadas. O ambiente, repito, é propício para entendimentos em torno de uma agenda qualificada que compreenda as múltiplas potencialidades de um estado como o nosso.

É a hora de colocar o Maranhão em primeiro lugar.

ELEIÇÕES 2018: E agora, Flávio Dino? 2

O fato é que aquilo que parecia ser “favas contadas”, qual seja a reeleição do comunista, com a candidatura da “Branca” se torna algo mais, muito complicado para o comunista.

Caiu com efeito de uma bomba de vários megatons, no meio político, o anúncio da candidatura da Roseana Sarney (PMDB) ao governo do Maranhão em 2018.

Efeito mais devastador foi lá pras bandas do Palácio dos Leões que sentiu o baque, basta ver a reação da mídia aluga.

A presença de Roseana Sarney nas eleições do ano que vem, além Roberto Rocha (PSDB), Maura Jorge (Podemos), Ricardo Murad (PRP) e das tradicionais candidaturas da chamada ultraesquerda (PSOL, PCB e PSTU), é a garantia de que teremos dos dois turnos, o que torna o sonho do governador Flávio Dino (PCdoB) pela reeleição em um tremendo pesadelo.

A situação do comunista se complica ainda mais com a perda do PSDB e ainda as possíveis baixas do PPS e PSB da base governistas em virtude do jogo nacional.

A entrada da ex-governadora poderá causar outras baixas significativas no arco de alianças pensado por Flávio Dino.

Partidos como DEM, PTB, PP, PR pode acabar indo para o palanque de Roseana e, por conseguinte, complicar de vez a vida do atual chefe do executivo maranhense.

O fato é que aquilo que parecia ser “favas contadas”, qual seja a reeleição de Flávio Dino, com a candidatura da “Branca” se torna algo mais, muito mais complicado para o comunista.

É aguardar e conferir.