LEONARDO BOFF: Uma generosidade franciscana do teólogo da libertação 16

O teólogo esteve no estado na condição de assessor de movimentos populares para participar 3º Encontro Interconselhos do Maranhão, realizado em agosto de 2017. Ou seja, o nosso querido e bom franciscano passou um único dia no Maranhão, o que é pouquíssimo tempo para afirmar que Flávio Dino está resgatando o MA.

O teólogo Leonardo Boff é muito mais do que um dos maiores intelectuais do brasil e do mundo.

Antes de mais manda o ex-frade franciscano é um humanista, um militante das boas causas que dão sentido à vida. É também, claro, um militante político e social de esquerda forjado na Teologia da Libertação, corrente do pensamento teológico cristão  fundada, entre outros, pelo próprio Boff, que tem no materialismo histórico marxista a base filosófica/histórica para interpretar a situação concreta do fenômenos sociais, políticos e econômicos da humanidade.

Como todo humanista, Leonardo Boff é uma pessoa generosa, e foi exatamente pela sua generosidade que fez esta declaração pelo Twitter: “Quando chegar o momento de escolher um candidato para Presidente, não vamos esquecer o nome de FlávioDino .Sua ficha é 100% limpa e está resgatando o Maranhão, especialmente pela educação. Estive lá e vi e dou testemunho”.

Como não podia deixar de ser diferente, Flávio Dino e seus asseclas trataram logo de faturar politicamente as palavras de Boff.

Também pelo Twitter, o comunista agradeceu: “Este testemunho, vindo de um dos maiores intelectuais brasileiros, muito me honra. Porém, neste ano escolhi cumprir meu compromisso em impedir que o vil coronelismo volte a se instalar no Maranhão e escravizar a nossa população. Obrigado, Professor Leonardo Boff”.

Ora, está claro que Leonardo Boff não conhece a fundo a educação do governo Flávio Dino. Ele esteve no estado na condição de assessor de movimentos populares para participar 3º Encontro Interconselhos do Maranhão, realizado em agosto de 2017. Ou seja, o nosso querido e bom franciscano passou um único dia no Maranhão.

Então, convenhamos: em apenas um dia não dá para dizer, categoricamente, que Flávio Dino está “resgatando o Maranhão, especialmente pela educação”.

Leonardo Boff é generoso.

ELEIÇÕES 2018: Felipe Camarão ainda é uma incógnita 4

Comenta-se, nos bastidores políticos, que o nome de Felipe Camarão foi uma imposição de agentes externos ao Governo do Estado, mas precisamente de amigos do secretário ligados ao Poder Judiciário federal num acordo que passaria já pela sucessão de um eventual segundo mandato de Flávio Dino

Ainda é cercada de mistérios e especulações a possível desincompatibilização do secretário Felipe Camarão (Educação) para concorrer a um cargo nas eleições de 2018.

O comandante da Seduc chegou a filiar-se ao DEM na perspectiva de se tornar o companheiro de Flávio Dino (PCdoB) na condição de vice-governador no lugar de Carlos Brandão, que perdeu a prevalência de seguir cargo depois que foi catapultado da presidência estadual do PSDB.

Comenta-se nos bastidores políticos, que o nome de Felipe Camarão foi uma imposição de agentes externos ao Governo do Estado, mas precisamente de amigos do secretário ligados ao Poder Judiciário federal num acordo que passaria pela sucessão de um eventual segundo mandato de Flávio Dino com Felipe sentado na cadeira de governador, mas apoiando outro nome, que seria o do seu verdadeiro padrinho por trás do desembarque do secretário no DEM.

Se procedem ou não essas informações, o fato é que Felipe Camarão optou por um silêncio sepulcral sobre o seu futuro até a data limite para se desincompatibilizar da Secretaria de Educação e aventura-se de vez na política eleitoral.

Vale aguardar e conferir.

“Estamos é piorando e nos afastando de todos os outros estados”, afirma José Reinaldo sobre índices sociais do MA 13

O deputado federal José Reinaldo Tavares (sem partido) fez duras críticas ao Governo do Maranhão no seu artigo semanal publicado no Jornal Pequeno.

Já no primeiro parágrafo, José Reinaldo Tavares sentencia: “propaganda é bonita, mas nossa realidade é cruel, numa alusão à belezura que o Maranhão é nas peças publicitárias do governo de Flávio Dino (PCdoB), mas na vida real a situação é outra.

Intitulado A questão fundamental 1, o artigo do ex-governador afirma que não adianta colocar a culpa das mazelas do nosso estado em apenas um único grupo político e faz uma avaliação crítica, e ao mesmo autocrítica, já que inclui a sua gestão, dos sucessivos governos maranhenses que, na sua opinião, não deram a devida atenção para as potencialidades do Maranhão, bem como para políticas públicas que realmente elevassem os índices socioeconômicos desta Unidade da Federação.

“E os governantes e grande parte das nossas elites precisam aceitar essa realidade e que não pode querer fazer um jogo político com isso. A saída, para que não se discuta o assunto a sério, é jogar a culpa em um grupo político, ao invés de chamar todos para somar esforços e encontrar a solução. Se continuarmos esse discurso sem sentido de que nós somos o “bem” e os adversários-eles- são o “mal” e continuar a politizar assunto tão sério, só vamos retardar as medidas que teremos que tomar (…) A verdade todos nós, que estivemos no governo e não resolvemos, somos igualmente responsáveis porque não aplicamos políticas que fossem focadas nos centros geradores de nossa pobreza e que fossem ao mesmo tempo, permanentes”, escreveu o parlamentar.

Confira a íntegra do artigo, que é só a primeiro de uma série.

A QUESTÃO FUNDAMENTAL 1

O Maranhão tem tudo para ser um estado desenvolvido, pujante, líder de desenvolvimento na região, uma terra de oportunidades mas não é. A nossa realidade atual está muito longe do que poderíamos ser, do que tanta gente sonhou, e se empenhou. As estatísticas do IBGE estão aí para mostrar que a propaganda é bonita, mas nossa realidade é cruel. Somos o estado brasileiro mais atrasado do país com os piores indicadores sociais, com consequências terríveis para o nosso povo.

E os governantes e grande parte das nossas elites precisam aceitar essa realidade e que não pode querer fazer um jogo político com isso. A saída, para que não se discuta o assunto a sério, é jogar a culpa em um grupo político, ao invés de chamar todos para somar esforços e encontrar a solução. Se continuarmos esse discurso sem sentido de que nós somos o “bem” e os adversários-eles- são o “mal” e continuar a politizar assunto tão sério, só vamos retardar as medidas que teremos que tomar. Isso é apenas um escapismo fácil para tirar a nossa responsabilidade, afinal isso vai nos dar um discurso que funciona durante um certo tempo, mas, no melhor da festa, vem o IBGE com as estatísticas que mostram que, na verdade, estamos é piorando e nos afastando de todos os outros estados, que estão melhores do que nós. Assim temos futuro? Nenhum, pois a desigualdade aumenta, a pobreza aumenta, a educação piora, e na verdade, não pode melhorar por mais que se esforcem os responsáveis porque, para que isso tivesse êxito, seria preciso mexer nas causas primárias formadoras de nossa pobreza e nada foi feito que permitisse mudar as coisas.

Na verdade todos nós, que estivemos no governo e não resolvemos, somos igualmente responsáveis porque não aplicamos políticas que fossem focadas nos centros geradores de nossa pobreza e que fossem ao mesmo tempo, permanentes.

Assim, hoje, além da terrível realidade de termos mais de 50% de nossas famílias sobrevivendo precariamente graças a esse programa imprescindível que é o Bolsa Família, temos mais um dado gritante e vergonhoso que derruba todo a nossa propaganda.

O IBGE publicou o Rendimento Mensal Domiciliar Per Capita, por estado. O que é isso? É a soma dos rendimentos de todos as pessoas que moram na mesma casa, ou seja todo o dinheiro que entra na casa, em salários, pensões, aposentadorias, bolsas de estudo, aluguéis, rendimentos de poupança, e outros, divido pelo total de moradores da residência, incluindo crianças e outras pessoas sem qualquer fonte de renda. E os valores são nominais, sem descontar a inflação do período.

E aí regredimos muito pois quando deixei o governo haviam dois estados piores que nós, pois estávamos melhorando rapidamente. Vejam que o salário mínimo é de 937 reais e no Maranhão a renda de tosas as pessoas da casa, não de uma pessoa, é de 597 reais quase a metade de um salário mínimo. E para evidenciar ainda mais a nossa incúria, as famílias de Alagoas que vem em seguida tem 658 reais, as do Pará 715 reais, e salve, salve, as do Piauí 750 reais, ou seja 153 reais a mais que as do Maranhão. Estamos ficando para trás, rapidamente.

A maior do Brasil é a do DF com 2.548 reais e a do Rio em crise total é de 1.445 reais.
Será que isso não tem solução? Tem sim, e eu e outras pessoas, estamos trabalhando em um projeto já aplicado com absoluto sucesso em outras partes do mundo, que nos remete a um caminho seguro para mudarmos esse estado de coisa.

Esse projeto ficará pronto na terça feira próxima e em breve será apresentado. Essa união nos dá muita esperança.

URGENTE: STF define a questão de pagamento de honorários advocatícios em ações de FUNDEF

Cabe agora aos Gestores regularizarem as suas contratações e agir de acordo com o Conselho Nacional do Ministério Público, que reconhece a possibilidade de se contratar escritórios para atuar especialmente em nome dos Entes Públicos

No final do ano passado, após longa discussão do judiciário, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL finalmente decidiu, em definitivo, pela possibilidade do pagamento dos honorários advocatícios em ações de FUNDEF.

Ao analisar o Recurso ARE nº 1050028 (Município de Ibimirim/PE), em novembro do último ano, o STF definiu que a vinculação dos Precatórios de FUNDEF a gastos com a Educação não significa a proibição do pagamento dos honorários aos advogados que atuarem nas ações judiciais.

Agora de forma categórica, o Supremo fortalece o seu já conhecido entendimento de processos anteriores, em que negou os pedidos do Governo Federal de proibir o pagamento aos advogados, a exemplo dos processos ARE nº 1.048.960 (Município de Pacatuba/SE) e RE nº 1.031.708 (Município de Brejo da Madre de Deus/PE).

Na prática, o STF apenas reconheceu o entendimento já pacificado pelo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA de que é possível o pagamento dos honorários e que isso não caracteriza “desvio de finalidade” (ainda que os Precatórios de FUNDEF sejam verba da educação). Segundo o Tribunal, sem a atuação de advogados o Município jamais receberia um centavo sequer de crédito e a sua remuneração com parte desse valor não é “desvio de finalidade” (ex: REsp nº 1.516.636/PE, Município de Riacho das Almas/PE e REsp nº 1649857/PE, Município de Carpina).

Em relação à questão dos honorários, portanto, não há mais o que se discutir. Cabe agora aos Gestores regularizarem as suas contratações e agir de acordo com o Conselho Nacional do Ministério Público, que reconhece a possibilidade de se contratar escritórios para atuar especialmente em nome dos Entes Públicos (Recomendação CNMP nº 036/2016).

Fato é que os municípios e a cidadania, de qualquer forma, serão beneficiados com os créditos que tendem a mudar a face da educação pública no Maranhão.

O silêncio de Felipe Camarão é um mau presságio 6

Felipe Camarão parece estar servido de “bucha” para os interesse mesquinhos do Palácio dos Leões nas barganhas politiqueiras e eleitoreiras

O silêncio do secretário de Educação, Felipe Camarão, sobre a sua suposta filiação ao partido de direita Democratas (DEM) é um mau presságio em todos os aspectos. Senão vejamos.

Em primeiro lugar, fica feio para um maior de idade ter que “terceirizar” as suas intenções políticas. Ou seja, do governador Flávio Dino ao presidente estadual do DEM, o sabido do Juscelino Rezende Filho, falam que Felipe vai se filiar ao partido, mas até agora o próprio não deu um pio sobre o assunto.

Em segundo lugar, o silêncio de Felipe pode mostrar que o secretário é só mais um “novo velho”, que se deixa levar pelos interesses mesquinhos e oportunistas do “chefe” e aceita tudo quieto e calado.

Ora, Felipe Camarão não é e nunca foi político, pode até um dia a vir ser, mas até aqui não demostrado apetite pela área.

Se o governador está empurrado goela abaixo uma vocação que o jovem e talentoso secretário não tem é uma outra história.

O fato é que, até o momento, Felipe Camarão parece estar servido apenas de “bucha” para os interesses mesquinhos do Palácio dos Leões nas barganhas politiqueiras e eleitoreiras. Não é possível que o pai “Phil” não veja isso!

Resta saber até quando Felipe Camarão vai se sujeitar a ser a “Olga Simão” de Flávio Dino.

Com todo respeito a ele e à Olga.

Felipe Camarão no DEM?

Até o momento o Felipe Camarão não se manifestou sobre sua ida para o DEM. O silêncio do secretário nos remete a dois adágios populares. O que diz, “quem cala consente”; e outro que diz, “onde há fumaça, há fogo”

O secretário Felipe Camarão (Educação) sempre negou ter pretensões políticas quando questionado.

Ao Blog do Robert Lobato, o chefe da Seduc sempre sustentou que o seu compromisso é fazer um bom trabalho na sua pasta e que eventuais candidaturas não estão nos seus planos.

Pois bem. A imprensa local noticia que Felipe Camarão estaria pronto para desembarcar no Democratas (DEM), possivelmente para ser o possível vice de Flávio Dino ou mesmo o senador do coração do comunista nas eleições de outubro deste ano.

Especulações à parte, não se pode ignorar o fato de que realmente o governador está afoito para ter o DEM no seu palanque para compensar a perda do PSDB.

O que causa estranheza nesse particular, no entanto, é que essa suposta movimentação de Felipe Camarão junto ao partido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, se dá justamente quando o Maranhão inteiro sabe que deputado federal e ex-governador José Reinaldo está articulando a sua filiação justamente no… DEM!

A se confirmar a filiação de Felipe no DEM significa dois coisas básicas: (1) Flávio Dino deu um “zignal” medonho em José Reinaldo Tavares; (2) Como o DEM no Maranhão é todo fisiológico e nada ideológico, o partido não somente abrirá os braços para receber o secretário de Educação como aceitará acreditar, de “mentirinha”, que a Seduc é sua, embora continue sendo 100% do PCdoB.

Até o momento o Felipe Camarão não se manifestou sobre sua ida para o DEM.

O silêncio do secretário nos remete a dois adágios populares. O que diz, “quem cala consente”; e outro que diz, “onde há fumaça, há fogo”.

É aguardar e conferir.

ELEIÇÕES 2018: Felipe Camarão no PT? 14

No PT, ninguém comenta sobre o assunto, mas pelo que o Blog do Robert Lobato pôde sentir após consultar alguns petistas, a ideia de filiar Felipe Camarão no partido para ser vice de Flávio Dino está longe de agradar o conjunto de sigla

Na boca da noite, de ontem, quarta-feira, 13, o Blog do Robert Lobato foi surpreendido com a informação de que o secretário Felipe Camarão (Educação) estaria sendo trabalhado para se filiar ao PT e “cumprir missão”, caso seja obrigado.

Segundo a fonte, a ideia é colocar o Camarão em stand by caso o Palácio dos Leões tenha dificuldades na composição partidária para o palanque de reeleição de Flávio Dino (PCdoB) em 2018.

Com a saída do PSDB da base do governo comunista, ficou um vácuo partidário que os articuladores políticos de Flávio Dino ainda estudam como fazer para compensar o prejuízo.

Não obstante o atual vice-governador Carlos Brandão já tenha encontrado abrigo no PRB, do deputado federal Cleber Verde, não é favas contadas que continue no cargo em 2018, pois, segundo alguns observadores governistas, Brandão “soma muito pouco na chapa”. É justamente aí que entra o fator Felipe Camarão, considerado muito mais aglutinador e leve do que o atual vice-governador. O secretário da Seduc é o que se costuma chamar de “vaselina”.

No PT, ninguém comenta sobre o assunto, mas pelo que o Blog do Robert Lobato pôde sentir após consultar alguns petistas, a ideia de filiar Felipe Camarão nos quadros do Partido dos Trabalhadores para ser vice de Flávio Dino está longe de agradar o conjunto de partido.

Consultado pelo Blog do Robert Lobato, o secretário negou tal movimento. “Não procede isso, Robert”, disse.

De fato não seria razoável alguém equilibrado, como Felipe Camarão, entrar num campo de guerra que é o PT maranhense.

500 anos da Reforma Protestante: movimento mudou religião, educação, ética e política 2

Ensaio para o evento Raízes e Legado dos 500 Anos da Reforma Luterana, que ocorrerá no próximo sábado

Via Gaúcha ZH

O marco do movimento foi 31 de outubro de 1517, dia em que Lutero pregou suas teses protestando contra uma série de pontos da doutrina da igreja da época

Martinho Lutero talvez não imaginasse, ao pregar – literalmente, com martelo e prego, na porta da igreja do castelo alemão de Wittenberg – as 95 teses que abalariam as estruturas da Igreja Católica e dividiriam o cristianismo, que suas contestações sobre a religião, tornadas públicas há 500 anos, teriam tanto impacto ainda hoje.

Para os luteranos, a Reforma Protestante levou a mudanças importantes em diversos aspectos da sociedade: além da religião, foco principal da revolta do então jovem monge, transformações na educação, na ética, na política e no trabalho também foram inspiradas pelos ideais protestantes. O marco do movimento foi 31 de outubro de 1517, dia em que Lutero pregou suas teses protestando contra uma série de pontos da doutrina da igreja da época.

— É muito difícil entender o que chamamos de Era Moderna sem a Reforma. Lutero abre um caminho muito amplo que vai conduzir a sociedade rumo às liberdades individuais. A Reforma traz liberdade de consciência ao cidadão, limita as autoridades políticas e religiosas — observa Ricardo Willy Rieth, doutor em história e vice-reitor da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra).

Presidente da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (Ielb), o pastor Egon Kopereck sustenta que Lutero foi um dos principais defensores da educação como direito de todos e dever do Estado:

— Lutero lutou muito pelo ensino, tanto que é considerado o pai da educação pública. Ele defendia, há 500 anos, que a partir da educação vem a mudança na sociedade e, assim, dizia para o governo investir mais, criticava o fato de se gastar mais com armamentos do que com escolas. Lutou também pelos direitos sociais, para que todos tivessem o respeito à vida em primeiro lugar.

O pastor Nestor Paulo Friedrich, presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), afirma ainda que a Reforma Luterana deu força à busca pela igualdade:

— A briga de Lutero era para que meninos e meninas tivessem acesso à escola, um desafio semelhante aos que temos ainda hoje em uma sociedade notadamente patriarcal: de lutarmos pelos mesmos direitos para homens e mulheres.

Sem conflitos com a Igreja Católica

Como as contestações do monge provocaram mudanças que ultrapassaram os muros da igreja – ou das igrejas, como passaria a ser a partir da Reforma Protestante —, os luteranos celebram os 500 anos do início do movimento desejando resgatar o legado deixado por Lutero para cristãos e não cristãos. A reforma, com o passar dos séculos, cruzaria também fronteiras, estendendo-se a outros países da Europa, chegando aos Estados Unidos e, mais recentemente, também de maneira significativa, à África e à Ásia.

No Brasil, onde chegou no início do século 19, com os imigrantes alemães, o luteranismo marca presença principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Ficam no Rio Grande do Sul, onde se estima que estão mais da metade das pessoas que se identificam como devotas dos ensinamentos de Lutero no país, as sedes nacionais das duas instituições luteranas brasileiras: a IECLB e a Ielb.

Os presidentes de ambas enaltecem ainda um ensinamento que defendem o reforço ainda hoje em muitos lugares: a luta para que políticos, autoridades em geral e todos os cidadãos vivessem de forma honesta, correta, buscando o bem-estar de todos, e não os próprios interesses em primeiro lugar.

— Foi o processo de liberação de um poder que era centralizador, político e religioso. Agora, a Reforma é uma cidadã do mundo, não somente patrimônio das igrejas luteranas — afirma o pastor Friedrich.

Das rusgas de meio milênio atrás com a Igreja Católica, os luteranos garantem que não restou animosidade: as divergências se limitam a entendimentos diferentes, mas que não mais levam ao conflito.

— Hoje vivemos um momento de muita tranquilidade. Temos nossas diferenças de ritual, de prática, de interpretação, mas há uma convivência tranquila, pacífica. Acima de tudo, somos cristãos — destaca o pastor Kopereck.

O que pregou Lutero

Lutero dedicou sua trajetória religiosa, iniciada em 1505, a buscar entender como a clemência de Deus seria alcançada. Viajando a Roma, o jovem monge foi confrontado com o comércio de indulgências, algo então comum em pontos da Europa. A “venda do perdão” era realizada diretamente pela Igreja Católica, em uma época em que enfrentava problemas financeiros e prometia até o regaste de mortos cujos parentes comprassem o a misericórdia divina.

Ao encontrar na Bíblia uma resposta que contradizia esse comércio, Lutero propôs debater o tema e contestou a prática em 95 teses, que foram divulgadas em 31 de outubro de 1517. A atitude repercutiu e, solicitado a se retratar, Lutero concordou em fazê-lo somente se suas teses fossem derrubadas com argumentos bíblicos. Foi expulso da Igreja, dando início a uma reforma que acabou por dividi-la.