Psicometria vira estratégia de agências de marketing político

Método usado por agências promete entender anseios e medos do eleitor

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

Os produtos comprados pela internet, as fotos curtidas, os vídeos assistidos, as postagens em redes sociais deixam um rastro no ambiente digital que está sendo usado por empresas especializadas em marketing político para traçar o perfil do eleitor. Robôs já varrem a internet com um software de inteligência artificial capaz de ler as redes sociais e para mapear o perfil dos eleitores. O método, conhecido como psicometria, deve ter papel importante nas eleições.

A prática é uma estratégia antiga dos marqueteiros, mas foi potencializada pela quantidade de informação postada na internet pelos eleitores. O objetivo final é entender os anseios do eleitor e adaptar o discurso dos candidatos com o objetivo de conseguir votos – ou eliminar alguns dos concorrentes.

Como funciona a Psicometria?
Através da internet, sistemas de análises de dados mapeiam os desejos e os medos das pessoas

Três agências no Brasil apostam no casamento entre a tecnologia de dados e a ciência da psicometria (mensuração de variáveis psicológicas) como sendo uma das principais armas do marketing político nas próximas eleições. Por trás da enxurrada de dados hoje disponíveis estaria a chave para entender os corações e mentes de quem vai escolher o próximo presidente – ou de como criar armas e ataques para derrubar um determinado candidato.

Esse tipo de análise é diferente dos modelos clássicos adotados até então, como a análise do perfil demográfico, que divide os indivíduos por classe social ou grau de instrução, ou o acompanhamento de grupos temáticos que ajudam a analisar o perfil ideológico.

Trata-se de saber do que as pessoas têm medo, o que as inspiram e, principalmente, descobrir qual é a melhor mensagem que o candidato tem de passar – estratégia usada pelo então candidato presidencial Donald Trump em 2016. É possível não apenas criar perfis psicológicos a partir de seus dados, mas também usá-los para a busca de perfis específicos como grupos de pessoas introvertidas, raivosas ou jovens ambientalistas, ou talvez todos os eleitores da esquerda indecisos?

“É uma revolução muito grande”, disse o PhD em psicologia social e sócio da Psychodata, Bartholomeu Tôrres Tróccoli. “O resultado desses grupos era um levantamento caro, generalista e pouco confiável da realidade do eleitor”, completou.

A psicometria foi largamente utilizada na campanha de Trump. O seu uso foi questionado por especialistas que acusaram de manipulação e fez com que empresas de redes sociais mudassem o acesso e os métodos de distribuição de mensagens políticas.

Entenda em dez perguntas o impasse sobre Jerusalém

Donald Trump anuncia reconhecimento de Jerusalém. Crédito Kevin Lamarque/Reuters

O presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (6) que os EUA passam a reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, revertendo quase sete décadas de política externa americana, e determinou o início dos preparativos para a transferência da embaixada americana de Tel Aviv para a disputada cidade.

Aliados e rivais dos Estados Unidos criticaram a decisão. Confira dez perguntas sobre Jerusalém e as declarações de Trump:

1) De quem é Jerusalém?
A cidade está sob controle de Israel desde a Guerra dos Seis Dias (1967), mas na prática é dividida entre lado ocidental, que tem maioria judaica e abriga o Parlamento israelense, e oriental, de maioria árabe, reivindicado pelos palestinos (a Autoridade Nacional Palestina está em Ramallah, Cisjordânia).

2) O que se reivindica?
Israel afirma que Jerusalém é sua capital única e indivisível, recorrendo a episódios históricos; os palestinos pleiteiam que Jerusalém Oriental seja a capital de seu futuro Estado, também alegando razões históricas.

3) O que diz o mundo?
A ONU determinou, em 1947, que Jerusalém fosse uma cidade com regime internacional, sem controle exclusivo de judeus, árabes ou cristãos. A maioria dos países hoje apoia a solução de dois Estados, determinada por negociações de paz entre israelenses e palestinos (congeladas desde 2014).

4) O que Trump disse?
Que os EUA reconhecem Jerusalém como a capital de Israel e que mudarão sua Embaixada em Israel, hoje em Tel Aviv, para a cidade em uma data futura.

5) Quando os EUA mudarão a embaixada?
Trump declarou iniciados os preparativos para a mudança, mas ao mesmo tempo assinou um adiamento por seis meses, como têm feito todos os presidentes dos EUA desde Bill Clinton em 1995. Ele não estipulou prazos e pode voltar a adiar o processo.

6) Então o que muda?
Na prática, nada. Trump ressalta que a definição das fronteiras sob soberania israelense deve ser objeto das negociações de paz israelo-palestinas e pede que a cidade fique aberta para “todas as fés”; segundo o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, o status dos locais sagrados será mantido.

7) Quem tem embaixada em Jerusalém?
Ninguém. Israel é reconhecido pela imensa maioria dos países, e apenas nações muçulmanas do Oriente Médio negam sua legitimidade (as exceções são o Egito e a Jordânia). Por causa da indefinição do status da cidade, porém, todos mantêm suas representações em Tel Aviv.

8) E o processo de paz?
Washington passa a ser visto como ator parcial, favorável aos israelenses, o que dificulta para os palestinos aceitar sua mediação. O alerta foi feito não só por países críticos aos EUA, mas também por governos europeus, a UE e a ONU.

9) Qual o papel dos EUA na negociação?
Os EUA foram o principal mediador do processo de paz desde 1967 -incluindo os acordos de Oslo (1993) e Camp David (2000), o Mapa do Caminho proposto com Rússia, UE e ONU (2003) e as negociações em Annapolis (2007) e Washington (2010).

10) E o pleito palestino?
A reivindicação sobre Jerusalém Oriental como capital de um Estado palestino pode ser mantida, mas há risco de a decisão dos EUA inflamar os muçulmanos na região e provocar uma nova onda de violência.

(Fonte: Folha de São Paulo)