ELEIÇÕES 2018: Algumas considerações sobre a pesquisa DataIlha 10

A turma do governo pensa que o processo eleitoral de 2018 será o mesmo de 2014 quando Flávio Dino, então a novidade redentora para o Maranhão, poderia fazer o que bem entendesse em termos de pesquisas

Dizendo a nova pesquisa do instituto DataIlha,o governador Flávio Dino (PCdoB) tem mais que o dobro das intenções de voto de sua principal concorrente, a ex-governadora Roseana Sarney (MDB). O comunista teria 62,39% dos votos válidos, contra 29,15% da emedebista.

Em seguida viria o deputado Eduardo Braide (PMN) em terceiro lugar com 4,9% e depois aparecem embolados os pré-candidatos Roberto Rocha (PSDB), Maura Jorge (Podemos) e Ricardo Murad (PRP) com pouco mais de 1% das intenções de votos.

A turma do governo pensa que o processo eleitoral de 2018 será o mesmo de 2014 quando Flávio Dino, então a novidade redentora para o Maranhão, poderia fazer o que bem entendesse em termos de pesquisas. Não será bem assim, agora que candidato não é mais a “novidade” e sim o governador de fato que terá de mostrar aos eleitores para que veio, quais os resultados da sua gestão e convencer o eleitorado de que de realmente representa a renovação prometida há quatro anos, coisa que não será tão fácil como a máquina de propaganda governista imagina ser.

A pesquisa

Feitas as considerações iniciais acima, o Blog do Robert Lobato parte para alguma considerações sobre o levantamento “camarada” do DataIlha. Senão vejamos.

Para começar, no ofício enviado ao TSE pelo Instituto, para o registro no Sistema Público, como manda a Lei eleitoral, consta que “A área de abrangência da pesquisa será o Município de São Luis do Estado do Maranhão”. Pelo visto a DataIlha não saiu da ilha, fazendo jus ao nome. Certamente vão levar um puxão de orelhas dos contrantes, principalmente do arquiteto desse tipo de estratagema, o secretário Marcio Jerry (Comunicação e Articulação Política), não é mesmo?

Outro ponto: a primeira pergunta, antes mesmo de indagar a intenção de voto, é sobre a avaliação do governador Flávio Dino. Ora, qualquer manual básico de pesquisa ensina que é um erro metodológico citar o nome de um candidato, antes de colocá-lo junto aos demais. Isso já cria um viés. E estranhamente não foi perguntado o gradiente de aprovação, com a clássica pergunta de Ótimo/Bom/Regular/Ruim/Péssimo. Apenas a seca e mal formulada pergunta: “E pensando no desempenho pessoal de Flávio Dino como governador, você diria que: aprova seu desempenho/não aprova seu desempenho? Aqui cabe uma perguntinha inocente: Por que “desempenho pessoal”, e não a “avaliação do Governo?” E repito, essa pergunta foi feita antes da pergunta sobre “Em que (sic) você votaria?”.

Segue-se a pergunta do voto espontâneo, novamente indagando em que (sic) e não em quem o eleitor votaria. Um eleitor mais esperto deveria responder: na urna eletrônica, ora bolas!

A pergunta seguinte, que é a mais importante, a estimulada, mas o Instituto não dá qualquer indicação, no questionário, de que usa o sistema de disco, consagrado universalmente para impedir que qualquer candidato seja beneficiado pela ordem de apresentação dos nomes. Nesse caso, não há como compreender o critério usado, pois certamente não foi o alfabético, já que Flávio Dino aparece logo em primeiro em todas as perguntas. Eduardo Braide viria em primeiro, no critério alfabético.

Por último, e não menos estranho, alguém convença este humilde blogueiro e outros tantos milhões de eleitores maranhenses que o Sistema Difusora, pertencente à família do senador Lobão, pré-candidato à reeleição, arrendada ao deputado Weverton Rocha, pré-candidato a senador, não teve a menor curiosidade em apurar a intenção de voto ao Senado. Nem ao menos uma perguntinha. Ou seja, ao todo 37 cidades visitadas, 30 mil reais gastos (a se acreditar nos dados registrados no TSE) e ninguém se lembrou de perguntar sobre o Senado? Uma emissora de Televisão e Rádio, que tem o compromisso de levar informação ao público?

Só mesmo no DataIlha!

Só mesmo no Maranhão!