MAIS MÉDICOS: Profissionais cubanos deixam o Maranhão

Fernando Silva ladeado por médicas cubanas que atuavam no programa Mais Médicos no Maranhão.

O deputado Zé Inácio (PT) foi representando na manhã da última sexta-feira, 7, pelo seu assessor Fernando Silva na despedida das médicas cubanas que atuavam nas cidades maranhenses de Bacabal e Paulo Ramos.

As médicas seguiram para Brasília e de lá pegaram outro voo para Havana, capital de Cuba. Além delas, outros médicos que atuavam no Maranhão retornaram à Ilha caribenha.

Na semana passada, também em Brasília, o deputado Zé Inácio participou de uma audiência com o representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil, Joaquín Molina.

Zé Inácio e o seu assessor parlamentar Fernando Silva durante audiência com Joaquín Molina, representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil.

Na oportunidade o parlamentar prestou solidariedade aos médicos cubanos, que durante os últimos anos prestaram de forma humanizada e qualificada assistência médica a milhões de brasileiros em vários rincões do País.

“Lamentamos profundamente a partida desses profissionais qualificados que muito contribuíram para a saúde do país, em particular do Maranhão. Quem perde com isso são os mais carentes que agora ficarão ameaçados de não contar com atendimento médico não somente qualificado, mas principalmente humanizado”, disse o parlamentar petista.

A polêmica em torno do “Mais Médico” é a prova de que o Brasil está esquizofrênico 12

Todo esse debate, se é que se pode chamar de debate, em torno do “fim” do Programa Mais Médico é a prova cabal que o Brasil está esquizofrênico, ou melhor dizendo: deixaram o nosso país com um grave quadro de esquizofrenia.

Em 1994, o Governo Federal lançou o Programa de Saúde da Família (PSF).

O PSF surge como estratégia de reorganização e reorientação do modelo tecno-assistencial de saúde no país.

Segundo especialistas, a concepção do PSF visou “substituir o modelo ortodoxo, hospitalocêntrico e curativista, por um modelo de respeito à integralidade e a universalidade da assistência, atendendo aos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).” (Cfe. Portal da Educação).

Já em 2003, Governo Federal, sob a presidência de Dilma Rousseff, lança o Programa Mais Médico (PMM), com o objetivo de ampliar o número de médicos nas regiões de maior vulnerabilidade social e sanitária, tanto em municípios pequenos ou médios porte, quanto na periferia dos grandes centros, por meio de uma chamada pública para contratação desses profissionais para a rede de atenção básica – em verdade, o PMM já nasce em meio a polêmica de contratar médicos estrangeiros, na sua maioria cubanos.

Polêmicas à parte, o PMM pode ser considerado um produto bem sucedido do PSF, que tinha o conceito de atendimento de saúde assistida no modelo justamente de Cuba, cuja humanização médica é uma das principais características.

Agora é anunciado o fim do Mais Médico, pelo menos nos moldes do que foi concebido em 2013 com o governo do PT.

O Brasil esquizofrênico

O presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou, via redes sociais, que: “Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”.

De uma forma de outra, o Programa Mais Médico traz no seu DNA uma, digamos, carga ideológica que não pode ser ignorada e vem desde o Programa de Saúde da Família.

Com o fim do PMM “petista”, algumas questões fundamentais devem ser colocadas: “Morre” o programa ou o conceito é que será modificado? Outra: O futuro governo Bolsonaro tem a dimensão exata do que pode acontecer com a saúde do país se os médicos cubanos resolverem deixar o país imediatamente? E a última: Quantos desses profissionais cubanos estão dispostos a desertar da “Ilha” e continuar no Brasil com o PMM sob uma nova realidade?

De qualquer forma, todo esse debate, se é que se pode chamar de debate, em torno do “fim” do Programa Mais Médico é a prova cabal que o Brasil está esquizofrênico, ou melhor dizendo: deixaram o nosso país com um grave quadro de esquizofrenia.

Ninguém se entende mais. Todos são contra a qualquer coisa que vem do “outro lado”, sem falar nos oportunismos políticos e no festival de hipocrisia que impera na sociedade.

A impressão é de que o Brasil se transformou numa espécie de Maranhão onde tudo é resumido em ser “isso” ou “anti-isso”. Não há mais ponto de equilíbrio!

Nosso país precisa de um divã.

O problema é saber quem seria o terapeuta ideal…