Carlos Brandão sanciona Lei de Cafeteira que determina Censo para população autista no MA

A Lei é fruto de uma Audiência Pública, realizada em dezembro de 2018, e visa estabelecer normas para uma efetiva promoção de inclusão escolar para crianças com transtornos funcionais específicos.

Na última semana, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que exercia interinamente a função de governador do estado, sancionou uma proposição aprovada na Assembleia Legislativa do Maranhão, de autoria do deputado Rogério Cafeteira (DEM), que dispõe sobre a implantação do Programa Censo de Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus familiares.

O objetivo da Lei sancionada é o de identificar, mapear e cadastrar o perfil socioeconômico das pessoas com TEA e de seus familiares, para garantir uma maior eficácia na elaboração de Políticas Públicas de Saúde, Educação, Trabalho e Lazer no Maranhão.

“Recebi com muita alegria a notícia da sanção desta Lei, cujo objeto, o Censo, será um norte e um avanço muito importante na elaboração de Políticas Públicas para a população de autistas em nosso Estado. Agradeço ao vice-governador Carlos Brandão, que assinou a sanção, e ao governador Flávio Dino, pela sensibilidade, carinho e cuidado com que tratam as pessoas com deficiência no Maranhão”, destacou o parlamentar.

Como funcionará

De acordo com a Lei, a cada quatro anos, deverá ser realizado um Censo para identificação e mapeamento dos autistas e o Estado poderá dispor de mecanismos que permitam atualização dos dados, mediante um auto cadastramento.

Entre as informações que deverão constar no questionário, estão: tipos e graus de autismo, localização, grau de escolaridade, renda e profissão das pessoas com TEA e familiares, entre outros dados.

(Assecom / Dep. Rogério Cafeteira)

Menino autista pede amigos em carta ao Papai Noel: ‘Brinco na escola sozinho’

Postagem da mãe com carta completa do menino teve mais de 25 mil curtidas nas redes sociais.

Por Camilla Resende*, G1 Sul de Minas — Minduri, MG

Menino autista pede amigos em cartinha de Natal — Foto: Reprodução/ Redes sociais.

Entre os tantos pedidos de celulares, videogames e brinquedos para o Natal, o Papai Noel recebeu uma cartinha diferente da cidade de Minduri (MG). O autor é o Miguel Castro Souza, de 12 anos, que tem autismo de grau leve e gostaria de ganhar algo simples, mas muito importante – amigos.

“Brinco na escola sozinho pois as crianças me odeiam por ser diferente”.

A carta emocionou a mãe, Cristina de Castro Silva Souza, que mandou uma foto dos escritos do Miguel para a filha que mora em Belo Horizonte (MG). Foi de lá que veio a ideia de postar o pedido em uma rede social. O resultado surpreendeu a família.

O post de Cristina viralizou e, até a tarde desta segunda-feira (24), já havia recebido mais de 25 mil curtidas e quase 60 mil compartilhamentos. Diante do sucesso da cartinha, ela resolveu criar um perfil para o filho. Assim, ela quer entregar a ele o que pediu de Natal.

“O que eu pensei: já que tem tanta gente enviando mensagem dizendo que quer ser amiga dele, eu vou criar um perfil para ele. E este vai ser o presente do Papai Noel para ele. Só vou mostrar no dia 25”, afirma.

Miguel tem recebido mensagens de várias partes do país, a maioria com a mesma intenção. “Quero ser seu (sua) amigo (a)”, dizem os internautas.

Pessoas começaram a mandar mensagens querendo ser amigas de Miguel — Foto: Reprodução/Redes Sociais.

Miguel e o irmão gêmeo, que não tem autismo, estudam com a mesma turma desde os 6 anos de idade. A mãe dos meninos conta que desde que ingressou na escola, o pequeno Miguel é excluído entre os colegas. “Alguns, às vezes, conversam um pouquinho com ele, depois já não falavam mais. Com o passar do tempo, foram realmente isolando”, relata Cristina.

Papai Noel existe?
Cristina conta que Miguel foi o primeiro dos irmãos a descobrir que ela mesma é quem compra os presentes de Natal. No clima de fim de ano, a família assistiu ao filme “Crônicas de Natal” e, depois disso, Miguel decidiu que escreveria uma carta ao bom velhinho.

O irmão questionou o porquê do pedido, já que ele tinha falado que o Papai Noel não existe. A resposta foi surpreendente.

“O Miguel respondeu: ‘Existe, sim. Se ele desaparecer, é porque você não acredita mais’. E ele criou um foco tão grande que se o Papai Noel chegasse em pessoa e dissesse ‘eu não existo’, ele não acreditaria”, conta a mãe.

Diante disso, ela instruiu o filho que escrevesse a cartinha com antecedência para que o presente chegasse a tempo para a festa de Natal. E, enquanto Cristina fazia o almoço, ele escreveu a carta.

“Quando eu peguei o caderno e li o pedido dele, eu fiquei sem ação. Primeiro porque ali ele conseguiu expressar o que ele estava sentindo e, ao mesmo tempo, pensei como eu ia dar o presente para ele. Afinal, o Papai Noel sou eu. Se ele me pedisse algo muito caro, eu dividiria em mil vezes, mas aquele presente me fez pensar no que fazer.”

Na cartinha, ele escreveu que não tem amigos na escola e que sofre bullying por ter autismo, mas que os pais dizem que ele é muito inteligente e especial e terminou dizendo “Por que as outras pessoas não respeitam as outras que são diferentes?”.

Apoio
Além de comover a mãe, Miguel inspirou pessoas a contarem suas histórias.

“Sei bem o que é isso. Meu filho tem TOD (Transtorno Opositor Desafiador). É muito difícil, pois ele é uma criança que se irrita fácil. Ele diz que não quer voltar para a escola pois ninguém gosta dele. O meu coração sangra quando ele conta como algumas crianças tratam ele, não são todas e nem todos, pois tem adultos que também não entendem e tratam a criança mal. Miguel, peça ao Papai do Céu, pois ele ouve a oração feita com fé. Beijos no seu coração”, relata uma internauta.

“Miguel, temos muita coisa em comum: assim como você, sou autista de grau leve e também foi bem difícil para mim fazer amigos na escola. Hoje tenho 32 anos (estou já um pouco velhinho!), mas foi justamente quando tinha a sua idade que eu descobri que é possível fazer um amigo que entende você e gosta de você do jeito que você é”, diz outro internauta.

Pessoas compartilharam histórias em perfil de mãe de Miguel — Foto: Reprodução/Redes Sociais.

Agora a mãe espera que Miguel, além de fazer amigos online, possa ser aceito também pelo colegas.

“Eu gostaria que esta cartinha fosse levada às escolas e, no primeiro dia de aula, dissessem para as crianças para respeitarem os amiguinhos, porque é assim que eles se sentem. Espero que o espírito do Natal dure o ano todo”.

*estagiária sob supervisão de Fernanda Rodrigues e Régis Melo.

Pais e mães criticam a não entrega do Centro de Referência para autistas prometido por Flávio Dino em 2014

O que os pais e mães afirmam é que Dino prometeu, na campanha de 2014, um Centro de Referência para Autistas e entregou uma sala que não atende nem 5% da demanda do Estado. E agora na campanha de reeleição faz a mesma promessa.

O governador Flávio Dino (PCdoB) vive se gabando de ser cumpridor das promessas de campanhas, não é mesmo? Tudo bem, tudo legal.

Só aconselho não convidarem pais e mães de autistas para a mesma mesa de debate com o comunista, pois é arriscado ele pegar uma pisa de cipó de goiabeira.

Isso porque veio à tona, em um grupo de WhatsApp composto por pais e mães de autistas, uma conversa segundo a qual o governador havia prometido um Centro de Referência para Autistas dirigido às entidades de pais e mães, mas na realidade o que há de fato é apenas uma sala no CER ( Centro Especializado em Reabilitação), localizado no bairro do Olho D’água e mesmo assim deixado pela ex-governadora Roseana Sarney (MDB).

O que os pais e mães afirmam é que Dino prometeu, na campanha de 2014, um Centro de Referência para Autistas e entregou uma sala que não atende nem 5% da demanda do Estado. E agora na campanha de reeleição faz a mesma promessa.

Atualmente, mais de 600 crianças aguardam numa fila de espera sem esperança alguma de serem chamadas. Uma mãe, que entrou em contato com o Blog do Roberto Lobato, por exemplo, revelou que seu filho está há um ano e um mês nessa fila, e assegura que existem crianças há mais tempo.

“Enquanto isso na sua proposta de governo número 22, dessa campanha de 2018, Flávio Dino mais uma vez promete o Centro de Referência para Autistas, brincando com as esperanças de pais já tão massacrados pelo autismo. De promessas ele já mostrou que é bom. Acredita quem quiser”, mandou a mãe indignada com o “gogó” do governador maranhense.

Confira os prints com as conversas entre os familiares de autistas no grupo no WhatsApp citado acima.

 

Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo foca em meninas e mulheres 6

As Nações Unidas celebram neste 2 de abril o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo sob o lema “Capacitando mulheres e meninas com autismo”. O secretário-geral da ONU, António Guterres, aproveitou a data para lembrar a reafirmação do “compromisso de promover a plena participação de todas as pessoas com autismo na sociedade e garantir o apoio necessário para que estas possam exercer seus direitos e liberdades fundamentais”.

As comemorações do Dia Mundial da Conscientização do Autismo também querem envolver mulheres e meninas com as organizações que as representam na formulação de políticas e decisões para abordar os desafios que elas enfrentam. A Assembleia Geral da ONU realiza uma série de eventos sobre a data na próxima quarta-feira (4), como debates com especialistas e ativistas para discutir questões específicas de mulheres e meninas com autismo.

Os temas abordados incluem os desafios e as oportunidades para o pleno exercício dos seus direitos em áreas como casamento, família e paternidade com igualdade de oportunidades.

Desafios

Em novembro de 2017, a Assembleia Geral adotou uma resolução chamando a atenção para os desafios específicos de mulheres e meninas com deficiência para implementar a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Essa decisão manifesta preocupação porque mulheres e meninas nessa situação estão sujeitas a “formas de discriminação diversas e interligadas, que limitam o usufruto de todos os seus direitos humanos e liberdades fundamentais”.

A ONU diz que as meninas com deficiência são menos propensas a terminar o ensino fundamental e têm maior probabilidade de serem marginalizadas ou terem acesso negado à educação.

De acordo com a organização, as mulheres com deficiência apresentam uma taxa de emprego mais baixa do que os homens na mesma situação e do que as mulheres sem deficiência.

Violência

A nível global, as mulheres com deficiência têm mais probabilidades de sofrer violência física, sexual, psicológica e econômica do que os homens. Outro problema é a desigualdade causada pela discriminação e pelo estigma associado ao gênero e à deficiência.

Os resultados da falta de acessibilidade e dos estereótipos são barreiras aos serviços de saúde sexual e reprodutiva e à informação sobre educação sexual abrangente. As mais afetadas são particularmente mulheres e meninas com deficiência intelectual, que inclui o autismo.

O autismo

O autismo é uma síndrome complexa e muito mais comum do que se pensa. Atualmente, o número mais aceito no mundo é a estatística do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão do governo dos Estados Unidos: uma criança com autismo para cada 110. Estima-se que esse número possa chegar a 2 milhões de autistas no país, segundo o psiquiatra Marcos Tomanik Mercadante citou em audiência pública no Senado Federal no fim de 2010, onde discute-se uma lei exclusiva para o autismo, liderada pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Mercadante é um dos autores da primeira (e por enquanto única) estatística brasileira, num programa piloto por amostragem na cidade de Atibaia (SP), que registrou naquela amostragem incidência de uma para cada 333 crianças,

No mundo, segundo a ONU, acredita-se ter mais de 70 milhões de pessoas com autismo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem. A incidência em meninos é maior, tendo uma relação de quatro meninos para uma menina com autismo.

(Fontes: Agência Brasil e Corautista)