O violento bate-boca entre Adriano Sarney e Rogério Cafeteira confirma o quanto faz mal ao MA a dicotomia sarneysismo X antissarneysismo 8

A sessão histórica de ontem na Assembleia Legislativa foi emblemática no sentido da superação desse “Maranhão em preto e branco” que o Blog do Robert Lobato costuma chamar

Quase os deputados Adriano Sarney (PV) e Rogério Cafeteira (PSB) ‘engatam’ no plenário da Assembleia Legislativa na sessão de ontem, 26.

Foi um festival de baixarias, um debate, se é que se pode chamar aquilo de debate, completamente desqualificado onde faltou bom senso e sobrou ataques pessoais, xingamentos mútuos e exposição de mazelas familiares.

Desgraçadamente, a única coisa de positivo que é possível tirar do telequete verbal entre os deputados Adriano Sarney e Rogério Cafeteira é que o lamentável episódio serviu para confirmar o quanto faz mal ao Maranhão a dicotomia sarneysismo versus antissarneysismo.

Uma espécie de bipardarismo que há tempos tem puxado o estado para baixo e submetido a sociedade maranhense a uma lógica perversa de ser obrigada a escolher um dos dois lados da moeda como se não existissem outros horizontes a perseguir.

Se um dia já fez algum sentido esse bipartidarismo, atualmente ele se revela completamente anacrônico diante não somente às necessidade do povo maranhense, mas também em relação às potencialidades socioeconômicas do estado e a exploração sustentável das suas riquezas.

O fato é que a sessão histórica de ontem na Assembleia Legislativa foi emblemática no sentido da superação desse “Maranhão em preto e branco” que o Blog do Robert Lobato costuma chamar.

E mais emblemática ainda pelos sobrenomes dos protagonistas que encenaram tão deselegante acontecimento…

1000 Dias de Desgoverno

Por Adriano Sarney*

O governo comunista completa hoje mil e quatro dias. A data nos faz lembrar da maior fraude eleitoral de todos os tempos. Com muitos retrocessos, principalmente nas áreas social e econômica, e sem nenhum avanço prático, a administração do PCdoB tenta sobreviver inventando conquistas e se vangloriando de iniciativas do governo federal e as deixadas pela gestão anterior. Enquanto travam lutas contra reinados imaginários, esqueceram-se do povo que clama por melhorias reais.

Nesse período, os comunistas já transferiram mais de R$ 500 milhões do bolso dos maranhenses para os cofres do estado por meio de aumento de impostos, multas e taxas, ao passo que R$ 425 milhões foram destinado a melhoramento e pavimentação asfáltica. Com efeito, tirar dinheiro do povo para colocar em asfalto eleitoreiro que não durará o próximo inverno é um dos muitos erros da atual administração. E o pior, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os pobres pagam 44,5% mais impostos do que os ricos.

O mais importante índice do mundo para medir distribuição de renda, o Gini, apontou, em sua última edição publicada em 2016, que o governo do PCdoB aumentou a desigualdade no Maranhão. O índice passou de 0,49 na gestão passada para 0,51 no governo comunista. Houve aumento na concentração de renda, os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres. Outro índice, este mais famoso por ser repetido à exaustãot pelo governador do estado e seus seguidores, é o IDH. Em sua última edição, que mediu os avanços do Maranhão durante o governo passado, fomos um dos estados que mais melhorou o seu índice, ultrapassando o Pará e Alagoas nesse período. Entretanto, corremos agora o risco de perder posições para outros estados uma vez que a distribuição de renda e a atividade econômica tiveram significativas pioras no governo comunista. Enquanto o Maranhão crescia a 6% ao ano na gestão Roseana, acima da média nacional, no atual governo encolhe -4%, mais do que outros estados – então a culpa não é da crise econômica. Em suma, o tão propagado programa Mais IDH, minguou para o Menos IDH.

Mais de mil dias se passaram e o governo que recebeu R$2 bilhões em caixa do BNDES, centenas de obras em andamento (que ainda não conseguiu entregar), R$500 milhões da Repatriação do governo Temer, além de uma situação fiscal equilibrada, ainda aumentou impostos e contraiu mais de R$1 bilhão em novos empréstimos. Com tudo isso os comunistas ainda desvirtuaram a Lei de Incentivo a Cultura e a Lei de Incentivo ao Esporte, acabaram com os hospitais de 20 leitos do programa Saúde é Vida, assim como o benefício do Viva Luz que isentava os mais pobres da conta de energia.

Os números aqui revelados refletem a ampla fotografia do estado, captam a economia, a desigualdade, as prioridades distorcidas de um governo contraditório em suas palavras e ações. Os comunistas valorizam o debate que gira em torno de seus inimigos imaginários. Criticavam as empresas que prestavam serviços a governos passados, mas as contratam, falavam de uso de aviões ef helicópteros, de empregos comissionados, de secretários candidatos, de almoços e jantares no Palácio dos Leões para autoridades, de gastos em publicidade e diárias, de distribuição seletiva de emendas parlamentares, de escândalos a nível nacional. Mas agora se tornaram protagonistas do roteiro criado por eles para atingir seus adversários.

O resultado desse desgoverno não poderia ser outro senão 1004 dias de retrocessos.

*É economista, administrador e deputado estadual PV-MA