ESPAÇO FEMININO: Lorena Bobbitt e a história da mulher que castrou o marido virou série

Ela ficou famosa em 1993 ao cortar o pênis do marido com uma faca e jogar fora. 26 anos depois, Lorena Bobbitt conta seu lado da história.

(Amazon Prime Video/Divulgação)

Por Ligia Helena, via MdeMulher

Foi em 23 de junho de 1993, na cidade de Manassas, nos Estados Unidos, que Lorena Bobbitt, 24 anos, tomou a decisão que mudaria sua vida para sempre. Com uma faca de 30 centímetros, foi até o quarto, levantou o lençol sob o qual John Wayne Bobbitt, 26 anos, dormia, e cortou fora o pênis dele, com quem era casada havia quatro anos.
Com uma mão no volante e a outra segurando o pênis ensanguentado, Lorena tentava fugir. Para poder dirigir melhor, atirou o membro pela janela, e seguiu até o salão de beleza onde trabalhava como manicure.

Depois dessa noite, Lorena virou manchete em todo o mundo. Enquanto a imprensa estava preocupada em falar sobre a cirurgia que restaurou o pênis de John, e acompanhava a trajetória dele como ator pornô (sim!), a questão da violência doméstica contra ela nunca foi central.

Agora, 26 anos depois, a história dela – não mais Bobbitt, mas Lorena Gallo – será contada mais uma vez, em uma série documental de 4 episódios produzida por Jordan Peele (“Corra!”; “Infiltrado na Klan”; “Nós”) e dirigida por Joshua Rofé. A série estreia na sexta (15) na plataforma Amazon Prime Vídeo.

Foi Rofé quem procurou Lorena, com a ideia de contar a história dela, mas dessa vez focando nos abusos sofridos e que culminaram na castração do marido.

A história de Lorena e John Bobbitt

Nascida no Equador e criada na Venezuela, Lorena realizou em 1987 o sonho que tinha de se mudar para os Estados Unidos. Com um visto de estudante, aos 18 anos ela se matriculou em uma faculdade e foi morar na Virgínia. Lá, estudava e trabalhava em um salão de beleza.

Quando conheceu John, ele era um soldado da Marinha norte-americana. Ela conta ter se apaixonado pelo homem no uniforme, lindo e de olhos azuis. Em 1989, quando John tinha 22 anos, e Lorena 20, eles se casaram.

Não demorou muito para Lorena descobrir que de sonho havia pouco no casamento dela. Ela afirma que John batia nela, a estuprava e a ameaçava de deportação. Eles brigavam muito, e chegaram e se separar, mas depois se reconciliaram.

Na noite de 23 de junho de 1993, John voltou para casa depois de uma noite bebendo com um amigo. De acordo com Lorena, John a estuprou mais uma vez naquela noite. Quando ela foi à cozinha, viu uma faca. Segundo ela, a ideia não era ensinar uma lição ao marido, mas sim uma questão de sobrevivência: ela não suportava mais viver daquele jeito.

Lorena Bobbitt em 1994, durante seu julgamento. (Jeffrey Markowitz/Sygma/Getty Images)

Tanto John quanto Lorena foram a júri popular após o ocorrido. Ele foi absolvido das acusações de violência sexual. Ela foi absolvida das acusações de ferimento intencional devido à insanidade temporária. Mas o fato é que, após o julgamento, em 1994 John foi preso por bater em Kristina Elliott, uma ex-stripper de 21 anos, e em 2003 e 2004 por bater na então esposa Joanna Ferrell.

Lorena, por sua vez, fugiu dos holofotes, e voltou a trabalhar como manicure. Na faculdade, conheceu David Bellinger, que depois se tornou seu marido. Juntos eles tiveram uma filha, Olivia, que hoje tem 14 anos. Deu algumas entrevistas pontuais, como à Oprah Winfrey, em 2009 e a Steve Harvey, em 2015. Em 2007 fundou uma organização de apoio a mulheres e crianças vítimas de violência doméstica, chamada Lorena’s Red Wagon.

Com uma vida tranquila, por que voltar a falar sobre o caso ocorrido há 26 anos? Lorena disse em entrevista ao The New York Times que com o tempo percebeu que muitas mulheres eram vítimas de abuso e violência doméstica. E que, como tantas outras mulheres na época, foi vitimada também pela mídia.

Em 2019, o clima parece mais favorável para as mulheres do que era nos anos 1990. E, depois de ter virado piada por tantos anos, ela acreditou que valia a pena colocar luz nessa história novamente – com o objetivo de enfrentar o problema da violência contra a mulher.

Suicídio entre adolescentes no Japão bate recorde em 30 anos

Foram 250 casos registrados em 2017, o maior número desde 1996

O número de suicídios de adolescentes no Japão atingiram o recorde em três décadas, informou o Ministério da Educação do país. Em 2017, os registros oficiais japoneses mostram que 250 jovens do ensino fundamental ao ensino médio tiraram suas próprias vidas. O número é o maior desde 1986, e cinco vezes mais alto do que no ano passado.

As principais preocupações relatadas pelos adolescentes a pessoas próximas pouco antes da morte, ou em uma carta de suicídio, eram problemas familiares, bullying e angústia em relação a seus futuros.

No entanto, de acordo com as escolas desses jovens, há razões para acreditar que cerca de 140 das mortes não têm um motivo conhecido, já que os estudantes não deixaram uma última carta com possíveis explicações.

A maioria deles estava no ensino médio, cursado normalmente entre os 15 e 18 anos de idade.

O Japão tem uma das maiores taxas de suicídio do mundo. Em 2015, esse índice alcançou um de seus picos. Desde então, conforme medidas preventivas foram sendo introduzidas, os números na população geral — e não considerando-se apenas os jovens — caíram, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No total, os suicídios em todo o Japão caíram para cerca de 21 mil em 2017, segundo a polícia, contra um pico de 34,5 mil em 2003.

Entretanto, as taxas de suicídio entre adolescentes só crescem, tornando-se a principal causa de morte entre os jovens no país.

— O número de suicídios de estudantes permaneceu alto, e essa é uma questão alarmante que deve ser enfrentada — disse Noriaki Kitazaki, membro do Ministério da Educação, assim que esses números mais recentes foram divulgados.

(Fonte: O Globo)

Sobre o atentado a Jair Bolsonaro 10

Como este país ficou esquizofrênico! Uma “facada” em candidato que costuma fomentar a cultura do ódio e da violência vira quase uma comoção nacional, quando deveria servir como um aviso para os que desdenham da democracia e jogam loas ao autoritarismo.

Estava disposto a escrever sobre o tal atentando contra o candidato a presidente Jair Bolsonaro, mas encontrei um excelente texto do jornalista e ex-deputado Milton Temer que contempla exatamente o que este humilde blogueiro pensa sobre o evento ocorrido ontem, em Minas Gerais, quando um homem esfaqueou o “mito” da direita.

Só acrescentaria ao texto do Milton Temer, o fato explicito da Rede Globo ver o episódio do esfaqueamento como uma forma de fazer as pazes com Bolsonaro, depois que o presidenciável expus as vísceras da emissora durante entrevista ao Jornal Nacional.

Não é demais lembrar que dias antes do atentado, o noticiário dava conta de que Bolsonaro teve um encontro com os Marinho (veja aqui).

Como este país ficou esquizofrênico! Uma “facada” em candidato que costuma fomentar a cultura do ódio e da violência vira quase uma comoção nacional, quando deveria servir como aviso para os que desdenham da democracia e jogam loas ao autoritarismo.

Quando da Globo a setores esquerda se unem “pela democracia” pró-Bolsonaro penso que este país tão cedo dará certo de tanta hipocrisia que o assola.

Pobre dos nossos filhos, netos, bisneto…

Salve as cinzas do Museu Nacional!

Fiquem com o artigo VÍTIMA, MAS TAMBÉM RÉU, da lavra do grande Milton Temer.

Sim, isso me ocorre por conta do simbolismo das imagens de Bolsonaro sendo carregado depois do atentado. E não vou aceitar de forma passiva que o filho de Bolsonaro saia do hospital afirmando, antes mesmo de qualquer avaliação sobre o estado do pai, que ali estava “o novo presidente da República”.

BOLSONARO foi vítima de ataque inominável. Mas ataque gerado pelo clima que ele muito concorreu para instalar, ao longo de sua própria carreira política, principalmente nesses últimos tempos de mais exposição mediática.

ENSINAR uma quase bebê a usar uma metralhadora. Santificar o torturador Brilhante Ulstra na declaração de voto pelo impeachment de Dilma. Ameaçar metralhar “petralhas”, bombardear a Rocinha e condecorar assassinos em invasões de favelas. Tudo isso, para além de citar quilombolas pelo peso em arroubas, ou legitimar estupros, são apenas alguns itens de um vasto repertório de ameaças ao conceito mínimo de civilidade que Bolsonaro exalou em suas seguidas declarações e atos.

NÃO SURPREENDE, portanto, que Flavio Bolsonaro já explicite a utilização do atentado que coloca seu pai em estado até de risco de morte, segundo é dito nas notícias, em ato de campanha. Uma campanha a ser conduzida, agora, nos termos que interessam ao candidato. Ou seja, sem participar de debates ou sabatinas onde suas debilidades se evidenciam. Sendo noticiado apenas pela evolução de seu estado de saúde.

QUE OS DEMOCRATAS ATENTEM. A condenação radical de atentados e agressões em uma disputa entre diferentes no debate político não pode levar à omissão sobre a responsabilidade de quem promove e atiça o caldo de cultura para tais atentados e agressões.

DEPOIS DA SANTA-DO-PAU OCO, que consegue ser a favor de tudo sem se definir sobre nada, transformar apóstolo da tortura em mártir da democracia é o que pode acontecer de mais falacioso contra essa suposta democracia.

Luta que Segue!!

Blogueiro caxiense sofre ameaça de empresário: “de faca ou de bala, vagabundo” 2

Empresário caxiense ameaça blogueiro de morte: “de faca ou de bala, vagabundo”.

Blogueiro Sabá registrou Boletim de Ocorrência na Polícia Civil.

Via blog do Ludwig Almeida.

O blogueiro caxiense, Cláudio Sabá, registrou um Boletim de Ocorrência na Delegacia Regional de Polícia de Caxias (MA), nesta quinta-feira (30), comunicando à autoridade policial uma ameaça de morte que teria recebido de um empresário local. “Ele me telefonou e disse que iria me encontrar em qualquer lugar e me mataria de faca ou de bala”, relata Sabá, que acionou o viva voz do telefone para que seu pai e um sobrinho ouvissem os palavrões e as ameaças de morte.

O empresário que teria ameaçado o blogueiro se chama Magno Chaves, que recentemente abandonou a candidatura a deputado federal e anunciou apoio a reeleição do deputado comunista Rubens Júnior (PC do B-MA) e ao governador Flávio Dino (PCdoB-MA).

A informação é do Blog do Sabá.

“Ele alegou que iria me matar por eu ter falado o nome do pai dele numa postagem, o que não é verdade”, sustenta Cláudio Sabá. “Apenas relatei que ele abdicou da sua candidatura alegando ser por conta da morte do pai, o que é público e notório na cidade, onde isso foi dito por ele nas redes sociais e em entrevistas em rádio e televisão, no que não citei o nome do seu genitor em nenhum momento e nem denegri a memória deste, pois era um grande e honrado empresário da cidade”, garante Sabá.

Cláudio Sabá milita na comunicação caxiense há mais de 20 anos, já tendo trabalhado em emissora de TV, editado jornal impresso e desde 2013 fundou o Blog do Sabá, endereço eletrônico que ganhou notoriedade na cidade por combater os ex-gestores do município e tendo uma importante contribuição na derrocada do grupo político que governava a cidade nos últimos 12 anos. Coincidência ou não, a ameaça feita contra o blogueiro partiu de um empresário ligado ao grupo político derrotado, de onde supõem-se que pode haver algum tipo de retaliação política no caso.

A atividade jornalística do blogueiro já lhe rendeu dezenas de processos judiciais, onde os ex-governantes do município maranhense tentaram lhe calar, mas que não obtiveram sucesso em nenhuma oportunidade. “Tenho consciência da seriedade do meu trabalho e sempre fui inocentado nos processos movidos contra mim, o que demonstra a ética e a seriedade das minhas ações”, declarou o blogueiro que vai consultar advogados sobre as medidas a serem tomadas.

Entre as denúncias do blogueiro caxiense, irregularidades e fraudes em licitações de publicidade nas gestões do grupo político que comandava a cidade impediram a realização de 6 desses certames. “Eram fraudulentas e denunciei as irregularidades”,relembra Sabá que também fez representação junto ao Ministério Público por conta de notas frias no serviço de publicidade nas gestões entre 2005 e 2012.

Toda e qualquer resposta simplista sobre suicídios tem grande possibilidade de erro

Suicídios: o que ainda precisa ser dito

Redação Vya Estelar

Por Maria J. Kovács

Suicídio é tema tabu, mesmo sendo um evento presente na história da humanidade desde a Antiguidade. O ato suicida pode ser visto como liberdade, domínio, autonomia e controle. Mas ainda é frequentemente julgado e condenado, visto como fraqueza ou covardia.

Toda e qualquer resposta simplista sobre suicídios tem grande possibilidade de erro. Nos últimos anos, observamos mudança na mentalidade de que o suicídio precisa ser ocultado. Não falar sobre suicídio não diminuiu seus índices, pelo contrário, eles têm aumentado. A perspectiva atual é falar sobre o tema, trazendo números e porcentagens, quais são as pessoas em risco, diferenças de gênero e, no extremo, chega-se a falar do número de tentativas de suicídio em minutos, dias, meses ou anos.

Tão importante quanto a prevenção, é a posvenção; entenda

Os dados epidemiológicos servem como alerta e fomentam programas de intervenção. Os índices de suicídio nos convocam a prestar atenção nas pessoas ao nosso redor. Junto com programas de prevenção temos que desenvolver, em nosso meio, também programas de posvenção (termo ainda pouco conhecido no Brasil), que têm como objetivo principal cuidar do sofrimento de pessoas com ideação e tentativa de suicídio e familiares enlutados, oferecendo acolhimento e psicoterapia.

Levando-se em conta o que foi apresentado acima, vamos trazer outras questões para reflexão, agora considerando as pessoas já atingidas pelo fenômeno do suicídio, por ideação ou atos suicidas e pelos familiares que perderam pessoas queridas por esse evento. Essas pessoas necessitam de escuta, apoio, acolhimento e cuidados em longo prazo, não querem saber de números, estatísticas ou porcentagens. Precisam falar de seu sofrimento existencial.

Estatísticas apontam tendências, dados epidemiológicos, estatísticas, fundamentando programas de saúde mental. Pessoas afetadas pelo suicídio precisam de particularização, singularidade, respeito pela sua história que tem um início e que ainda não foi finalizada. Pessoas com ideação, tentativa de suicídio e familiares enlutados demandam atendimento de qualidade com profissionais capacitados, psicólogos, psiquiatras, psicoterapeutas, que possam acolher o sofrimento humano, cujo objetivo principal não deve ser evitar o suicídio a todo custo. Exemplificando, a atenção só voltada para impedir o suicídio pode restringir o sujeito, restringindo sua autonomia e liberdade.

Em casos extremos, pessoas podem ser amarradas no leito para que não realizem qualquer ação que possa colocar sua vida em risco. Essas ações podem resultar na diminuição do número de suicídios, mas o que podemos falar sobre a dor, falta de opção ou sofrimento dessa pessoa? Como profissionais de saúde mental nunca incentivaremos o suicídio, mas será que o impedir a todo custo não aumenta o sofrimento e a dor?

Temos poucas opções de cuidados contínuos em hospitais, Centros de Atenção Psicossocial e nas Unidades Básicas de Saúde. Entre as ONGS, cabe destacar o Centro de Valorização da Vida, que realiza de maneira exemplar o trabalho de atendimento em crise e o acolhimento. É fundamental que o “Setembro Amarelo”, além de programas de prevenção proponha também a contratação e capacitação de profissionais especializados para atender em continuidade pessoas em sofrimento existencial, que buscam a morte para aplacar a profunda dor psíquica que estão vivendo. Alertamos que o atendimento psicoterápico e psiquiátrico deve ser realizado por profissionais competentes e especializados e não por estagiários ou voluntários.

É preciso diferenciar acolhimento em crise realizado pelo Centro de Valorização da Vida, que é muito importante, por ser, em muitos casos, o primeiro passo para o atendimento de pessoas com ideação ou tentativa de suicídio de um atendimento especializado, como por exemplo, o atendimento psicoterápico e medicamentoso. Em muitos casos é necessário o atendimento psicológico e psiquiátrico especializado para lidar com a difícil tarefa de compreender emoções intensas, a ambivalência entre o desejo de viver e morrer, ampliar a visão estreita que considera a morte como única solução para o sofrimento. Sentir-se aceito, compreendido e não julgado, ter o sofrimento respeitado podem ser caminhos importantes para pessoas encontrarem sentido para continuar vivendo.

Fonte: Maria J. Kovács é professora do Depto. de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade do Instituto de Psicologia da USP

Ser humano ou ter humano, qual o estado em que você se encontra? 2

Ter implica em criar vínculos com o tempo

Por Ricardo J.A. Leme, via Vya Estelar

É possível ser livre de tudo que se tem e, também, por incrível que pareça, ser escravo de tudo que não se tem. Posso ser possuído pelo que não possuo!

Ter e Ser, duas dimensões que eventualmente se tocam, apenas se tocam. Ser humano ou ter humano, qual o estado em que você se encontra?

Eu sou!

Ter é estado claro aos cinco sentidos, mas ilusório ao tempo. O tempo flui e ensina que tudo relacionado ao ter sofre degaste. Ou seja, ter implica em criar vínculos com o tempo. Ter é temporário, não é bom nem ruim, temporário apenas. Aqueles que entendem a passagem terrena baseada na leitura de princípio e fim, são de algum modo reféns ou comparsas do tempo. Temos tempo? Quanto tempo de vida terei? Quando tinha sua idade… Se eu tivesse escolhido diferente… Quando eu crescer… Quando eu me aposentar… Enfim, nuances de expressão de teres humanos, humanos que passam.

Ter um nome, uma cidade onde se reside, um bairro, uma profissão, uma família, propriedades e afins, não me define enquanto ser! São apêndices circunstanciais da essencialidade do ser.

Ser mãe ou ter um filho não soa como realidades distintas a você?

A maternidade é experiência única a ilustrar com clareza a tensão que reside entre ser e ter. Conheço mães que nunca geraram filhos. Há mulheres que não tiveram filhos e têm o dom da maternagem, que é o cuidar. Também conheço mulheres que geraram filhos e nunca alcançaram o status de mães. Percebe a diferença? É sutil e grosseira simultaneamente.

O ser é inefável e se manifesta em presente e presença que não passa, permanece. Ele é uma veste do eterno e da eternidade, sem princípio ou fim, quando *eles descem à terra, esse maravilhoso espaço onde os sentidos imperam. Mas, se os sentidos me permitem ter experiências, dificultam que eu seja; enquanto sou, fluo, passo, me solto, comungo o mundo à minha volta, não me sinto apegado ao que sinto, visto que não tenho a experiência, senão sou a própria! Ora, sendo a experiência, ela acontece em mim, assim como simultaneamente eu aconteço nela, **ela me aprende enquanto eu a aprendo.

Confuso? Não se fores ser! Mas se a opção foi pelo ter, talvez esteja estranhando. ***São as entranhas que estranham.

Ser não é superior ao ter, apesar de maior. Ser é apenas diferente. Ter, são os dois lados da moeda, ser é a moeda. O ser é vertical, é antigravitacional e aspira, já o ter é horizontal e inspira, moldado pela gravidade. Pela gravidade do que tive, do que tenho e do que terei e pelo desespero do que poderia ter tido e do que poderia ter sido. Tudo se torna grave quando o ter asfixia o ser. Uma gravidade que força o corpo a se curvar fisicamente em reverência à terra, pois que a alma se recusou a reverenciá-la e assim ser liberta.

O ter humano é biológico, tem DNA, mapa celular, tem predisposição; o ser humano é biográfico, tem mapa celeste, é campo de possibilidades.

Ter não é menos que ser, senão diferente, aliás a própria diferença. Agora, problema é não se saber enquanto ser humano ou ter humano, aí sim é o princípio do equívoco na aventura da vida, que é temporal para o ter e atemporal ao Ser.

Assim sendo, quem sabe na próxima, se a vida permitir, possamos pensar juntos como sermos humanos?

* O eterno e a eternidade: quando eles descem à terra – uma metáfora do tempo presente.

** Perceba que aprender é solto, mais leve e sugere uma experiência de SER e TRANSFORMAR-SE. Quando aprendo algo deixo de ser, ou renovo meu ser. Quando apreendo algo aumento meu ser. Sutilezas que geralmente passam despercebidas, não é mesmo? De qualquer modo deixo aqui minhas desculpas pela liberdade poética.

*** É nas entranhas e no profundo de nosso ser que habitam nossos saberes mais consolidados, mais entranhados. A pessoa que vive ancorada no modo ter, tem as entranhas endurecidas, aprende por acúmulo, construindo torres. Alimentos novos podem causar estranheza, devido ao costume habitual de alimentos e informações formatados. Informações que a pessoa está habituada. A pessoa que vive no modo ser é livre e com entranhas porosas e desobstruídas a novos saberes, pensares e possibilidades de trocas. O modo ser minimiza a sensação de estranhamento comum ao modo ter. Mais uma vez me desculpo pela liberdade poética que entendo às vezes transcende o rigor e a formatação da prosa.

SANTA HELENA: Prefeito Zezildo busca implantação do Pacto pela Paz

Na semana passada o prefeito da cidade de Santa Helena, Zezildo Almeida, esteve na capital do estado, São Luis…

Na segunda-feira (23) o prefeito da cidade de Santa Helena, Zezildo Almeida, esteve na capital do estado, São Luis, em busca de mais segurança para população helenense.

Zezildo esteve reunido com integrantes de órgãos do poder público da cidade de Santa Helena, juntamente com o coordenador do Pacto Pela Paz no Estado do Maranhão, Dicival Gonçalves, e outros membros deste setor, discutindo a implantação do programa.

Compromisso com o município, aliado a investimentos nessa área, esforço em respeito à segurança na sua gestão. O Prefeito Zezildo mostra-se preocupado com os crimes que ocorreram em Santa Helena. A Policia Militar vem registrando diversos crimes e inclusive contra a vida nos Bairros da cidade, e isso tem sido discutido diariamente.

Segurança, é uma das prioridades na minha gestão, a reunião desta segunda foi muito proveitosa junto ao Coordenador Executivo do Programa Pacto Pela Paz, Delegado Dicival Gonçalves. Foi uma importante avanço na implantação desse importante projeto na nossa Santa Helena”. Garantiu o prefeito, Zezildo.

Pacto Pela Paz.

O Pacto Pela Paz é um programa criado pelo Governo do Maranhão mediante a Lei de nº 10.387 de 21 de dezembro de 2015, cujo objetivo é a promoção da paz social, da cultura dos direitos humanos e do respeito às leis.

O Programa prevê, no âmbito da Segurança Pública, ações de promoção do bem estar da população através da efetivação de uma polícia de proximidade.

O Policiamento de Proximidade tem como fundamento a descentralização dos conflitos da polícia, com discussão resolutiva local dos problemas. Sua implantação objetiva promover a aproximação entre policiais e cidadãos, e reduzir os indicadores de criminalidade a partir da ação policial qualificada.

No âmbito social, o Pacto prevê ações de prevenção social voltadas para a população de áreas identificadas como críticas em termos de criminalidade, de modo a reafirmar direitos e dar acesso a serviços públicos essenciais.

Nesse contexto, são destacadas ações relacionadas à prevenção, tratamento e reinserção social de usuários de substâncias psicoativas.

Como suporte às ações previstas, o Pacto Pela Paz prevê a ampliação do efetivo policial, a valorização a carreira policial, a capacitação permanente dos agentes de segurança pública na filosofia de polícia de proximidade e  o reaparelhamento das unidades policiais, sejam civis ou militares.

SÃO JOÃO DO SÓTER: Quatro anos do “governo da mudança” e o Maranhão ainda é uma terra sem lei 4

Via blog Palmas e Palmadas, de Josué Moura

Não se trata aqui de aproveitar uma carnificina como a que ocorreu na até então pacata São João do Sóter – pequeno município Município (1.438,1 km²) criado em 1997, com 17.104 habitantes, localizadona região dos Cocais, à 57 quilômetros de Caxias -, para jogar a culpa no Governo Comunista de Flávio Dino, mas precisamos registrar que tudo isso aconteceu por falta se segurança pública.

O que ocorreu naquele Arraial não foi apenas o que a imprensa chamou de “tragédia”, tornando o sinistro como algo do acaso, “coisa da ignorância de homens”, como se nada fosse possível ser feito preventivamente numa festa para evitar uma matança com os desdobramentos que se seguiram culminando com um linchamento, um dos crimes mais repugnantes da humanidade, que nos dias de hoje significa o império da barbárie e o fracasso do Estado em manter a ordem pública.

Não! São João do Sóter, apesar de ser um pequeno município, não está fora do mundo, não é um caso isolado, é infelizmente o retrato do Maranhão, em especial os chamados “grotões”, onde geralmente tem três policias desaparelhados, incapazes de darem segurança a uma festa pública e depois, sem o reforço necessário, impedirem matanças e linchamentos.

Vista aérea de São João do Sóter-MA, exemplo da falta da presença do Estado na Segurança Pública.

Nesses arruados – conheço muitos em todas as regiões do estado -, pouco se sente a presença ou o poder da autoridade. Polícia quando tem não é confiável e quase todo mundo anda armado. As autoridades? São “otoridades TQQ”, ou seja: o prefeito, o delegado e o juiz – esses dois últimos quando tem – moram na capital e quando ficam no município é somente terça, quarta e quinta.

Assim é o Maranhão, onde na campanha passada um juiz era o candidato e nos prometeu uma “grande mudança”, principalmente na Segurança Pública. O Juiz, Flávio Dino de Castro e Costa se elegeu, reascendendo nossas esperanças. Mas, infelizmente, ao final de quase quatro anos do “governo da mudança”, o Maranhão ainda é uma terra de bandoleiros, sem lei, onde grupos ensandecidos fazem justiça com as próprias mãos, sob os olhares complacentes ou inertes da força pública.

Fica aqui o meu repúdio, não é esse o Maranhão que queremos. Termina logo teu mandato, Flávio Dino!!