Pare de perder tempo com pessoas tóxicas

“Não sou eu, é ele” é o que a maioria de nós costuma dizer. Somos rápidos para culpar os outros pelo que sentimos

Darius Foroux, Administradores.com

Você já se irritou com o comportamento sórdido de um colega de trabalho, amigo ou mesmo familiar. Bom, se você deixa os outros lhe irritarem, a culpa não é deles.

“Não sou eu, é ele” é o que a maioria de nós costuma dizer. Somos rápidos para culpar os outros pelo que sentimos.

Dizemos que os outros nos fazem sentir de determinada maneira. Trata-se de um equívoco. Você devide como sentir acerca das coisas que acontecem na sua vida.

Não são os eventos que nos ferem. São as nossas percepções de tais eventos que nos ferem. Essa é uma das ideias mais importantes da filosofia estóica.

Em outras palavras, você decide qual significado atribuir às coisas que acontecem na sua vida. Se seu amigo mente sobre você para outras pessoas e você se irrita, você tomou a decisão de se irritar.

Afinal, você não controla os outros. É por isso que as pessoas com quem você passa seu tempo é uma questão de vida ou morte.

O grande filósofo estóico, Epiteto, disse o seguinte em seu Manual para a Vida.

“Evite se relacionar com pessoas que não compartilham os seus valores. A associação prolongada com essas ideias falsas só vai embaçar seu pensamento”.

É algo em que acredito. Já vi pessoas destruírem as vidas de outras o suficiente para não dar importância a essa ideia.

Aposto que você também já teve experiências com pessoas tóxicas, na falta de um termo melhor, na sua vida.

É algo em que acredito. Já vi pessoas destruírem as vidas de outras o suficiente para não dar importância a essa ideia.

Aposto que você também já teve experiências com pessoas tóxicas, na falta de um termo melhor, na sua vida.

Há dois tipos de pessoas
Pessoas com valores;
Pessoas sem valores.
Acredito que menos de 1% da população tem valores, que nada mais são do que respostas para questões como:

Como eu trato outras pessoas?
Como eu me trato?
O que é certo e o que é errado?
Eis uma maneira fácil de detectar pessoas sem valores: quando você vê que alguém se tornou uma pessoa completamente diferente em um segundo — é aí que sabemos que essa pessoa não tem valores.

Por exemplo, na nossa empresa recentemente contratamos um estagiário tóxico. Ele se transformou numa pessoa completamente diferente daquela que havíamos contratado.

É claro, o erro foi nosso. Mesmo que ele tenha falado bastante sobre valores durante o processo de entrevista, não detectamos nenhum sinal suspeito.

E tudo correu bem durante a primeira semana. Mas assim que o estagiário encontrou um parceiro entre os demais estagiários, tudo começou a mudar.

De repente, com esse novo parceiro, começaram as fofocas, tentativas de manipulação dos outros e de criar dissidências. Felizmente, identificamos rapidamente o comportamento e comunicamos a nossa política de tolerância zero para comportamentos tóxicos.

Não é algo difícil de acontecer em organizações. As pessoas escondem suas verdadeiras cores. Eu diria que elas escondem o fato de não terem cor alguma.

Quando você não tem valores, automaticamente gravita para o comportamento humano natural, que é extremamente obscuro. Recentemente li 12 rules for life (sem edição em português), do Dr. Jordan Peterson, um psicólogo clínico e professor na Universidade de Toronto.

Sua proposta fundamental é que pessoas são naturalmente más e que viver é sofrer. Para provar a hipótese, Peterson detalha exemplos convincentes da história.

Ele está certo. As pessoas sempre mentiram, mataram e traíram ao longo da vida.

Mas há uma alternativa
Você pode facilmente entrar pelo ralo dos comportamentos sórdidos. Basta perder tempo suficiente com pessoas ruins — eventualmente, você se tornará uma delas.

Você também pode gastar seu tempo com fofocas, mentiras e manipulações. Talvez vocẽ até se sinta bem com isso. A sensação de poder, não importa como é adquirida, dá prazer às pessoas. É assim que nossa mente trabalha.

Portanto, quando você reconhecer alguém que não tem princípios, demonstre atitudes reprováveis e tenha várias caras — pule fora.

Cerque-se de pessoas que querem o melhor para você.

Não de pessoas que são invejosas, que não suportem ver o seu sucesso e que sejam negativas em tudo. Acredito que isso é importante para qualquer pessoas que queira viver uma boa vida.

Alguns anos atrás, quando comecei a viver uma vida consciente, precisei me despedir de pessoas que queriam apenas viver uma vida de prazer.

Também vi outros amigos que começaram a mudar suas vidas para melhor, mas foram puxados de volta para o poço sem fundo da escuridão por outras pessoas.

Mas, como você e eu sabemos, a vida também é cheia de pessoas amáveis. Não é ruim de todo.

Seja exigente com o seu tempo
“Você é a média das cinco pessoas com quem passa mais tempo”. Parece um velho clichê. Mas creio que ainda não entendemos por completo o impacto que outras pessoas têm em nós.

Como afirmou Epiteto, os outros podem embaçar seu pensamento. Vale a pena?

Encare da seguinte maneira: você daria R$ 1000 para cada pessoa na sua vida se elas pedissem? Se a resposta é não, pare de dar seu tempo a essas pessoas que não têm os mesmos valores que você.

Eu restringi a lista de pessoas com quem passo 90% do meu tempo apenas para meus familiares mais próximos e meus dois melhores amigos. O restante do meu tempo eu dedico ao trabalho e aos exercícios. É o que eu mais faço. E eu nunca aproveitei tanto a minha vida como agora.

Se você tem um trabalho que ama e pessoas que ama, então você não tem mais com o que gastar seu tempo.

Nada dará mais satisfação do que ter uma carreira significativa e uma família forte.

“Mas e se minha família for tóxica?”

Inspire seus familiares a mudarem para melhor. Eu não desisti da minha família. Mesmo que leve 10 anos, eu ainda tentarei ajudá-los.

Crie seus valores e agarre-se a eles
Para viver uma vida virtuosa, você precisa de princípios. Sem princípios (ou valores), não temos caráter. E sem caráter, não somos ninguém.

“Quem se importa?”

Mais do que qualquer pessoa, você deveria se importar. É você quem se olha no espelho todos os dias. Você está feliz com o que vê?

Essa é a única medida que tenho para minha vida. Eu preciso gostar da pessoa que vejo no espelho. Se eu não gosto dela, eu mudo. É o que sempre fiz. E é o que faço até hoje.

Melhore
Qual a alternativa? Como Peterson concluiu em 12 rules for life, não há outra opção viável para a vida.

Só existe um caminho para a felicidade: seguir em frente.

Você precisa da promessa do que você poderia ser. Você precisa de um caminho para uma vida melhor. Nenhum de nós é perfeito.

Não importa se vamos alcançar ou não o nosso destino. O que importa é nossa melhoria constante.

O que eu aprendi sobre amor-próprio 2

Quando começamos a valorizar aquilo que somos, transformamos a nossa relação conosco e com o outro. E a vida ganha muito mais cor e alegria

Desenvolver amor-próprio tem a ver com olhar para si com mais generosidade | Crédito: Shutterstock

Tainá Goulart, via Vida Simples

“Gorda, baleia, saco de areia”, “Você é alta demais”, “Que cabelo estranho”, “Você vai usar essa roupa?! Não é melhor trocar?”, “Volta para o mar, Free Willy”… Essas eram algumas das tantas frases que me acompanharam ao longo da infância, adolescência e começo da vida adulta. Quando estava nas primeiras séries do colégio, eu era muito gorda. E sofria algo que na época não tinha nome, o bullying. Me lembro de nunca poder ter sido a Ranger Rosa, sonho de toda garota que assistia a Power Rangers. “Por acaso a Ranger Rosa é gorda assim como você? Não pode… Você vai ser um dos monstros que nos atacam”, diziam os meus colegas no intervalo da escola. Eu me sentia péssima, como se não houvesse mesmo um lugar para eu estar. Minha falta de amor-próprio também me levou a me tornar insegura com os garotos, e na adolescência tive um relacionamento muito abusivo. Meu então namorado me olhava e me dizia para trocar de óculos, pois os meus eram esquisitos demais, me falava para trocar de roupa, pois para ele eu não podia me vestir da forma como eu queria. E minhas respostas eram sempre “sim”. Afinal, ele era o único cara com quem eu, daquele jeito, seria capaz de namorar.

Na faculdade, me envergonhava ao passar perto das salas de engenharia, majoritariamente ocupadas por homens. Inconscientemente, o que eu sentia era que eu não era digna de estar ali, não estava dentro do padrão, não era bonita o suficiente para ser observada. Assim como muitas roupas e lugares também não eram para mim. Nem o biquíni, nem a praia. Acho que carreguei minha falta de amor-próprio por todos os lugares. No trabalho, uma das minhas chefes me causava calafrios, taquicardia e mãos suadas todas as vezes em que saía do elevador e entrava na redação. Era o início da minha carreira profissional, mas eu nunca pude ver que errar fazia parte desse começo e estava tudo bem. Então não confiava em mim. Achava sempre que nunca acertaria um texto, que nunca estaria bom o bastante, que aquela chefe nunca iria, finalmente, elogiar uma matéria minha. Quantas loucuras minha própria mente criou…

Hora de olhar para mim

Mas teve um momento em que decidi que não dava mais para viver naquela espiral da falta de amor-próprio e insegurança, que inclusive me trazia momentos de muita ansiedade. Eu tinha 24 anos, e então comecei a buscar ajuda para sair daquele buraco negro no qual eu estava por tantos anos da minha vida. Depois de conhecer alguns especialistas, encontrei uma terapeuta que, depois de algumas sessões, apelidei de “Mestre dos Magos”. A Daphne foi me ajudando a ver que eu mesma precisava achar o caminho. Aos poucos, fomos aprendendo a ver o que estava por trás dessa falta de segurança e quais eram os motivos que apertavam o gatilho para as crises de ansiedade.

E constantemente ela mostrava como eu ainda repetia esses meus padrões.
Mudar nem sempre é fácil; sair daquilo que estávamos acostumados a viver dá um trabalhão. Acho que um dos ensinamentos mais importantes que aprendi é estar no aqui e no agora. No momento presente. E por isso até tatuei essa frase no braço esquerdo. Para me manter neste presente durante uma crise de ansiedade, criei uma estratégia: passei a descrever o ambiente ao meu redor, detalhe por detalhe. As cores dos objetos, suas formas e tamanhos. Quando me dei conta, eu já não sentia mais calafrios quando a porta do elevador se abria e minha chefe chegava. E logo eu estava ali, na mesa dela, defendendo o trabalho que eu havia feito. Fui entendendo o meu lugar no mundo, fui olhando para mim como uma pessoa digna e capaz de fazer o que eu havia me proposto.

E que não podia mais permitir que alguém tentasse tirar aquilo de mim.
Mas ainda havia o quesito relacionamento amoroso, que, claro, envolvia o tal do amor-próprio. Bem, conheci um cara que mexeu muito com meus sentimentos. Ele se tornou uma obsessão na minha cabeça. Acho que a Daphne nunca chamou tanto a minha atenção para os meus padrões como nessa época. Eu não me olhava com amor, não acreditava em mim como mulher e profissional, e queria que ele me amasse. Como seria possível estar bem com alguém sem antes estar bem comigo mesma? Resultado: voltei às minhas crises de ansiedade. Não conseguia nem dormir sem pensar nele, sem querer mandar uma mensagem para dizer que eu estava ali, disponível. Foi um momento bem ruim, mas vejo que aquele episódio me mostrou o quanto era preciso me observar, enxergar o que ainda tinha que ser transformado em mim. Com paciência e amor, reprogramei a Tainá para viver diferente.

O efeito amor-próprio

Posso me lembrar exatamente quando o amor-próprio começou a fazer efeito em mim. Foi mágico. Eu recebi uma mensagem daquele cara e pensei: “Por que eu estou dando atenção a alguém que só faz eu me sentir mal?”. Naquele momento, uma sensação de liberdade cresceu no meu coração, como quando tomamos um remédio e ele, aos poucos, vai aliviando as nossas dores. Nas semanas seguintes, fui colocando nos meus momentos coisas que eu gostava muito de fazer, preenchendo minha mente com o que dava prazer: o texto que havia me dado trabalho mas que agora ficou incrível, o passeio com as amigas no final de semana… Fui trocando a palavra “complicado” por “desafiador”, e foi incrível como uma faísca de esperança começou a surgir. Logo o fogo se alimentou com minhas ações diárias para melhorar, para me ver como quem eu realmente era: forte, bonita, capaz de ter uma vida feliz.

Das reflexões que surgiam com meu tratamento terapêutico, comecei a compor canções. Eu sempre fui apaixonada pela música, e escrever era uma forma de tirar de mim todos os sentimentos ruins. De alguma forma eu conseguia analisar meus pensamentos, os gatilhos dos velhos padrões e que, com o tempo, foram se tornando versos das minhas letras. Acabei compondo mais de 15 canções, tiradas de momentos de aprendizagem. Agora estou preparando meu primeiro disco. Quem sabe não me torno como Adele, cantando sobre minhas transformações psicológicas?

Hoje, depois de cinco anos de terapia, auto-observação e coragem para sair daquele mundo em que me colocava, sou capaz de me olhar com mais paciência e, principalmente, mais amor. Namoro há quase dois anos e sinto que, se não fosse por essas mudanças que aconteceram dentro de mim, não conseguiria viver esse relacionamento. No ano passado, até coloquei um biquíni na praia, algo inimaginável para a Tainá de antigamente. O padrão das pessoas passou a ser mais um na multidão. Comecei também não só a aceitar mais o meu corpo mas também a cuidar mais dele: me alimento melhor, me exercito e sinto confiança para me vestir da maneira como me sinto bem. “Quem manda nesse barco sou eu”, diz uma estrofe de Bússola, uma das minhas músicas. “Quem manda nesse barco sou eu, quem escolhe o destino sou eu. Quem se joga mar adentro, esse alguém sou eu.” Hoje, sou dona do meu barco. O mar pode estar revolto, mas sei navegar pelas ondas na direção de onde eu quero ir. Entendi que esse crescimento é eterno. As crises podem até voltar, mas agora estou preparada para combatê-las. O que costumo dizer, porque aprendi com a minha própria história, é: não espere se amar de hoje para amanhã. Mas comece a olhar para si de forma diferente a cada dia.

Tainá Goulart é cantora, compositora e jornalista. Vive em busca de evolução, seja individual ou coletiva.

FAMEM viabiliza auxílio para municípios através da tecnologia de filtragem de água

Joaquim Neto expõe aos prefeitos sobre seu invento

Premiado internacionalmente, o médico veterinário Joaquim Neto, atualmente exercendo o cargo de secretário municipal de Educação de Rosário, participou, na última quinta-feira (12), de reunião na sede da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM), em São Luís.

Na oportunidade, prefeitos e prefeitas de várias regiões do estado, além de representantes do governo maranhense e da Defesa Civil, discutiram estratégias para amenizar o sofrimento de moradores de várias cidades que foram alvos das enchentes.

Joaquim Neto, que é inventor, se colocou à inteira disposição da entidade, presidida pelo prefeito Cleomar Tema, no sentido de levar para os municípios atingidos tecnologia desenvolvida por ele e que consiste na implantação de equipamentos que filtram água contaminada e a transforma em líquido potável para o consumo humano.

A ideia foi prontamente aceita por Cleomar Tema, que hipotecou apoio ao projeto, além de ter destacado aos gestores municipais a importância de tal tecnologia, já testada e aprovada.

Cleomar Tema sugeriu aos seus colegas prefeitos que também adotem as medidas necessárias para a decretação do estado de emergência, identificando número de desabrigados, prédios públicos e privados danificados e que recorram de imediato à Defesa Civil.

De acordo com ele, a decretação do estado emergência faz-se necessária com o objetivo de fazer com que as prefeituras atingidas estejam aptas a receber recursos federais e estaduais.

Em 1994, durante um surto de cólera no Maranhão, ele apresentou seu invento, ajudou na eliminação do problema, foi alvo de uma vasta matéria do Fantástico da TV Globo e seu invento foi adotado pela Universidade de São Paulo (USP). Posteriormente foi premiado no Brasil e no exterior.

A Baixada e a Praia Grande 6

por Chico Gomes*

Historicamente, o território da Baixada Maranhense foi palco de um enredo formado por brancos europeus colonizadores, negros africanos e índios nativos ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX. Nessa microrregião eram geradas riquezas oriundas da produção do algodão, da cana-de-açúcar, do arroz, da farinha de mandioca, da pecuária, do extrativismo do babaçu etc., comercializadas na Capital e destinadas ao consumo interno e à exportação para a Europa, principalmente do açúcar e do algodão.

A Baixada Maranhense contribuiu decisivamente para conduzir o Maranhão ao segundo lugar nacional na produção de algodão e uma das províncias mais prósperas do nosso país, ombreada com Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco.

A fartura proveniente da nossa região impulsionou a construção dos suntuosos casarões de até quatro pavimentos, que serviam de residência para as famílias abastadas (fazendeiros da Baixada e ricos comerciantes de São Luís) e abrigavam os pontos comerciais da Praia Grande.

As embarcações que transportavam as nossas mercadorias para a Europa, traziam, no seu retorno a São Luís, lastros de pedras de cantaria e azulejos portugueses, os quais até hoje adornam as calçadas e fachadas dos sobrados desse cenário urbano e arquitetônico que vivenciou períodos áureos de progresso e opulência.

Todo o lucro obtido com a produção e o comércio permanecia concentrado nas mãos de uma aristocracia formada por fazendeiros e grandes comerciantes da Praia Grande. Os seus filhos estudavam nas melhores escolas da Europa ou nos centros mais desenvolvidos do nosso país – a Bahia e o Rio de Janeiro.

Como em todo o Brasil, na Baixada também os escravos africanos constituíram a base de sustentação da economia colonial e imperial. Sem o auxílio de máquinas e exaurindo a força dos seus braços, com jornadas de doze a quinze horas por dia, a vida útil de trabalho de um escravo durava de dez a quinze anos. Na Cafua das Mercês, na Praia Grande, funcionava o mercado de venda dos cativos procedentes da África e que abastecia com mão de obra graciosa as fazendas da Baixada e de outras regiões do Estado.

Na segunda metade do século XIX, os negros escravizados nas fazendas da Baixada, não suportando mais o perverso regime a que foram subjugados por séculos, promoveram diversas rebeliões, segundo relatos da professora e pesquisadora Mundinha Araujo, no seu brilhante livro “A Insurreição dos Escravos em Viana – 1867”.

Após essa sublevação libertária e de resistência à opressão escravagista, irradiada por toda a Baixada, os quilombos se multiplicaram e a economia baixadeira começou a estagnar. Vinte e um anos depois, com o advento da Lei Áurea, que aboliu o regime escravocrata de 350 anos (o mais longo da história das Américas), a atividade produtiva da Baixada entrou em decadência.

O declínio econômico da Baixada provocou a ruína do faustoso comércio da Praia Grande e o abandono dos luxuosos sobrados pelos seus moradores, que se deslocaram em sua maioria para o Rio de Janeiro.

Desde a época colonial até os tempos hodiernos, São Luís sempre foi vocacionada para o mercado externo, por meio de seus portos. Nos tempos da colonização, a maioria dos artigos exportados era produzido no continente, notadamente na Baixada, daí a conclusão de que o comércio da Praia Grande floresceu e conheceu o seu apogeu por força da pujança econômica da Baixada Maranhense.

Os barcos a vela realizavam a travessia para a Capital do Estado, atracando nos armazéns e de lá retornando com as mercadorias de consumo para abastecer as fazendas e o comércio da Baixada. A decadência de uma provocou a derrocada da outra.

Com o passar dos anos, a Praia Grande passou a ser identificada como o Centro Histórico de São Luís e, em dezembro de 1997, por reconhecimento da UNESCO, foi tombada como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.

Hoje, nós baixadeiros, reconhecemos e reivindicamos que, antes de ser patrimônio da humanidade, o Centro Histórico de São Luís é o patrimônio do trabalho, do suor e do sangue do povo da Baixada Maranhense. Tributamos grande respeito e amor a São Luís, essa querida cidade que nos acolheu de braços abertos e que continua imbricada às nossas vidas e à nossa região de origem. Veneramos a Baixada, nossa terra, nossa gente, nosso gentílico baixadeiro, sua cultura, suas tradições, sua beleza esplendorosa, seus encantos, sua imponência natural espelhada nos seus rios, lagos e campos coloridos de flores e habitados por diversificadas espécies de peixes, pássaros e outros animais silvestres.

O Brasil e o Maranhão têm uma grande dívida para com a Baixada. E especialmente para com a nossa gente laboriosa, nossa nação baixadeira, que produziu riquezas no passado e foi abandonada pelo Poder Público no presente. Urge resgatarmos o nosso legado histórico para que a Baixada volte a ser o celeiro do Maranhão e o melhor lugar para se viver. Estamos na luta para suplantar esse colossal desafio e, com certeza, os “Ecos da Baixada Maranhense” serão ouvidos e hão de conquistar a mais ampla repercussão.

Chico Gomes – Ex-deputado estadual e ex-prefeito de Viana.

Renasce um patrimônio jurídico

por Natalino Salgado

No último dia 15, a história do Maranhão ganhou novo e importante capítulo com a reinauguração de um sobrado histórico na Rua do Sol, tido como a Casa do Direito no Maranhão, uma vez que, no primeiro quarto do século XX, o edifício, depois de intensa campanha popular, foi adquirido pelo governo do Maranhão, para ser a sede do curso de Direito, que ali funcionou até a década de 1970. Em sua fachada pende uma justa homenagem ao nome de um dos fundadores do curso de Direito, no longínquo ano de 1918: Fórum Universitário Fernando Perdigão. Outras funções foram exercidas ali pela administração da UFMA.

Para marcar a passagem de uma efeméride muito especial para o curso de Direito, o seu centenário, destina-se o prédio renovado ao programa de pós-graduação em Direito, pois nele passará a funcionar o Mestrado e logo, certamente, o Doutorado. Alvíssaras para os operadores do Direito no Maranhão, já que, no mês de abril, precisamente dia 28, o curso completará cem anos.

A efeméride será marcada por muitos eventos de um curso que tem dado ao Estado do Maranhão centenas de renomados professores, pesquisadores, advogados, jurisconsultos. O prédio passou por uma ampla e profunda reforma, que incluiu ainda adaptações de acessibilidade e uma biblioteca repleta de obras importantes e raras, tudo para torná-lo um legítimo Palácio de Ciências Jurídicas. Com certeza, berço de novas mentes capazes de levar adiante o conhecimento jurídico capaz de proporcionar justiça.

O grande pensador e poeta americano Ralph Waldo Emerson disse que “nenhuma obra grandiosa jamais foi realizada sem entusiasmo.” Pessoas idealistas, sonhadoras, mas com os pés bem plantados no chão iniciaram uma saga a partir do primeiro curso efetivamente instalado no Maranhão, o curso de Direito. Depois dele, outros foram se instalando sempre antecedidos pela saga de trabalho e esperança: Farmácia, Odontologia, Enfermagem, Serviço Social, Medicina. Todos eles foram percursos de luta e o desejo de arrancar o Maranhão das garras da ignorância e da falta de perspectiva às quais é legado toda nação que olvida a educação em qualquer de seus níveis.

O programa de recuperação – que incluiu o recém-reinaugurado prédio já mencionado e tantos outros marcos históricos no centro de São Luís – permite a revitalização de uma área que, ao longo dos anos, vinha sendo marcada pela mudança do eixo ocupacional urbano da cidade com as consequências indesejáveis da degradação e abandono.

Vale mencionar o importantíssimo programa que une Universidade Federal do Maranhão e IPHAN e que já restaurou outros grandes marcos da arquitetura maranhense: a Fábrica Santa Amélia e o Palacete Gentil Braga. A primeira inaugurada em 2015, onde deverá funcionar o curso de Turismo e Hotelaria e o segundo, que teve suas obras iniciadas no mesmo ano e inaugurado em 2017, onde se mantém o Departamento de Assuntos Culturais (DAC). Importante mencionar as obras efetivadas no Palácio Cristo Rei e no Palácio das Lágrimas, que demonstram compromisso e seriedade com a história e o rico patrimônio de nosso país. O gestor público tem obrigação e dever de zelo para com o acervo herdado e deixar um legado para as nossas próximas gerações.

Saúdo os estudantes, professores e servidores do curso de Direito que, nesta hora, têm motivo para se orgulhar de construírem uma história que honra os primeiros sonhadores e, fundamentalmente, ao estado do Maranhão que, neste curso, produziu centenas de nomes que contribuíram para consolidar um dos três poderes não só nesta unidade da federação, mas também nos diversos ramos do sistema legal brasileiro.

Natalino Salgado Filho
Membro titular da Academia Nacional de Medicina, e das academias de Letras e de Medicina no MA.

É possível aprender a lidar com os sentimentos?

Achamos que o conhecimento está relacionado apenas às matérias que aprendemos na escola. Mas, na vida, precisamos também saber lidar com as emoções, como tristeza, frustração ou compaixão. O problema é que não enxergamos isso como algo que podemos aprender. E esse é um grande erro, que gera mais desapontamento e infelicidade

Alain de Botton, via Vida Simples

Durante a maior parte da história, a ideia de que a meta de nossa vida era ser feliz teria soado extremamente estranha. Na história cristã que dominou a imaginação ocidental, a infelicidade não era uma coincidência, mas sim uma inevitabilidade exigida pelos pecados de Adão e Eva. Para os budistas, a vida era, em essência, uma história de sofrimento. Então, lentamente, à medida que a era moderna surgia, um novo conceito veio à luz: realização pessoal, a ideia de que a felicidade poderia ser alcançada no trabalho e nos relacionamentos. Infelizmente, esse novo conceito coincidiu com uma crença de que as habilidades necessárias para atingir a felicidade poderiam ser obtidas sem educação. Nossa enfermidade atual pode remeter a esse erro. Nossa sociedade tem um enorme apreço pela educação, mas também é estranhamente exigente sobre em que podemos ser educados. Aceitamos que precisamos de treinamento quanto a números e palavras, ciências naturais e história, aspectos de cultura e negócios, mas ainda é estranho imaginar que possa ser viável — ou mesmo necessário — sermos educados quanto a nosso funcionamento emocional, por exemplo, que talvez precisemos aprender (em vez de simplesmente saber) a evitar melancolia ou a interpretar nossos lutos, escolher um parceiro ou fazer um colega nos entender. A tarefa diante de nós, portanto, é saber como adquirir um conjunto de habilidades emocionais que possa contribuir para desenvolvermos a chamada “inteligência emocional”. O termo parece estranho. Estamos acostumados a nos referir à inteligência sem diferenciá-la — e, portanto, não tendemos a ressaltar o valor de um tipo muito peculiar de inteligência que, atualmente, não tem o prestígio que deveria.

Todo tipo de inteligência indica uma capacidade de navegar bem em torno de um grupo em particular de desafios: matemático, linguístico, comercial, técnico etc. Quando dizemos que alguém é inteligente mas bagunçou sua vida pessoal, ou que ganhou uma quantia incrível de dinheiro mas é muito complicado de trabalhar, estamos apontando para um déficit no que merece ser chamado de “inteligência emocional”.

Inteligência emocional é a qualidade que nos permite negociar com paciência, visão e parcimônia os principais problemas em nossos relacionamentos — com os outros e com nós mesmos. Ela aparece nas parcerias como uma sensibilidade aos humores dos outros, uma preparação para entender o que pode estar acontecendo com eles além da superfície e entrar imaginativamente em seu ponto de vista.

Aparece com relação a nós mesmos quando se trata de lidar com sentimentos como a raiva, inveja, ansiedade e confusão profissional. Além disso, é esse conjunto de conhecimentos que diferencia aqueles esmagados pelo fracasso dos que sabem como encarar os problemas com uma resiliência melancólica e, às vezes, sombriamente bem-humorada. Uma forma de começar a avaliar isso — e para onde, portanto, precisamos direcionar a maior parte de nosso trabalho e atenção de reparo — é identificando diversos marcadores de saúde emocional e imaginando como nos saímos em relação a eles. No mínimo, quatro marcadores centrais se apresentam.

Amor-próprio
É a qualidade que determina o quanto podemos ser nossos próprios amigos e, diariamente, continuar ao nosso lado. Quando conhecemos um estranho que tem coisas que não temos, com que rapidez nos sentimos lamentosos — e por quanto tempo conseguimos nos convencer de que o que temos e somos é suficiente? Quando outra pessoa nos frustra ou humilha, podemos esquecer o insulto, capazes de perceber a maldade sem sentido por trás do ataque, ou ficamos arrasados, nos identificando com o veredito de nossos inimigos? Quanto da desaprovação ou do descaso da opinião pública pode ser compensado pela lembrança da atenção constante de algumas pessoas significativas no passado? Nas relações, temos amor-próprio suficiente para sair de uma situação abusiva? Ou nos criticamos tanto que carregamos uma crença implícita de que só merecemos o mal? De outro ângulo, somos bons em pedir desculpas a alguém que amamos por coisas que são nossa culpa? Quão rigidamente complacentes precisamos ser? Conseguimos ousar a admitir erros, ou uma admissão de culpa ou erro nos aproxima demais de nossa sensação secundária de nulidade? No trabalho, temos uma noção racional e embasada de nosso valor — e assim nos sentimos capazes de pedir (e provavelmente esperar receber) as recompensas que merecemos? Conseguimos resistir à necessidade de agradar os outros indiscriminadamente?

Franqueza
Essa virtude determina até que ponto ideias difíceis e fatos perturbadores podem ser conscientemente admitidos, sobriamente explorados e aceitos sem negação. Quanto podemos admitir a nós mesmos sobre quem somos — mesmo quando, ou especialmente quando, a questão não é exatamente agradável? Quanto precisamos insistir em nossa própria normalidade e sanidade inabalável? Podemos explorar nossa mente — e explorar seus cantos mais sombrios e perturbadores — sem nos esquivarmos abertamente? Podemos admitir bobeira, inveja, tristeza e confusão? Estamos prontos para escutar quando lições valiosas vêm em disfarces dolorosos?

Comunicação
Podemos expressar, de forma paciente e racional, nossas decepções em palavras que, mais ou menos, permitem que os outros vejam nosso lado? Internalizamos a dor, expressamos simbolicamente, ou a descarregamos com uma raiva contraproducente? Quando os outros nos chateiam, sentimos que temos o direito de comunicar, ou devemos bater a porta e nos afundar na tristeza?

Confiança
Quão arriscado é o mundo? Com que rapidez podemos sobreviver a um desafio na forma de um discurso, uma rejeição romântica, uma fase de problemas financeiros, uma viagem para outro país ou um simples resfriado? Novos conhecidos gostarão de nós ou nos machucarão? Se formos um pouco assertivos, eles aguentarão ou desmontarão? Quanto ao amor, precisamos agarrá-lo fortemente? Se ficarem distantes por um tempo, voltarão? Quão controladores precisamos ser?
Não é nossa culpa nem, de certa forma, de ninguém que muitas dessas perguntas sejam tão difíceis de responder, mas, ao pensar nelas, estamos, pelo menos, começando a saber que tipo de formato nossas feridas têm e, assim, que tipo de curativo será o mais necessário.

Por que a fé no ser humano está fragilizada

Fé em pânico: em quem se pode buscar apoio?

por Samanta Obadia, Via Estelar

A estatística apresentada em revista eletrônica nacional aponta 9% da população do Brasil com algum tipo de transtorno de ansiedade. Triste percepção diante de um povo famoso por sua alegria e cordialidade.

O que vemos aqui é o resultado da ganância e da busca desenfreada pela “vantagem em tudo” diante da ingenuidade de uma gente gentil, ao longo de décadas. Cariocas, paulistas, nordestinos, sulistas, indígenas, mineiros, estrangeiros. Macumbeiros, católicos, protestantes, judeus, espíritas, maçons. Onde está a fé múltipla de uma galera que se construiu junta e misturada?

A alegria de tantas etnias é anestesiada na direção do pânico e da depressão miúda que cresce e se estabelece como presença.

Falta de segurança, corrupção na política de todos os lados, juízes injustos, ídolos suicidas, líderes enfraquecidos, Estados falidos. Famílias divididas, comunidades escassas. Em quem se pode buscar apoio? Como ter fé na humanidade, quando a própria definição do que deve ser minha espécie não coincide com o que me ensinaram a acreditar? Em quem posso me inspirar, senão no vazio, na escuridão?

A fé no ser humano está fragilizada. A definição aristotélica de homem como ‘animal racional político e social’ não é a que enxergamos ao ver seres que atropelam seus pares inocentes simplesmente para aniquilar.

A síndrome do pânico que chegou ao padre * é só um sintoma da fé de um povo deprimido e estressado por tanta exploração.

Um indivíduo diagnosticado em crise usará remédios em troca de alívio temporário.

Contudo, como podemos drogar uma comunidade inteira que perde sua fé na vida?

É preciso estar lúcido, é preciso ter coragem para sentir o medo e a dor que ele traz, é preciso ter ousadia para enfrentá-lo e entender que para encontrar um caminho temos que ter consciência de nossa força juntos enquanto povo fiel a nossa origem, a humana.

*(Padre Fabio de Melo assumiu que teve síndrome do pânico em rede nacional)

O perigoso fascínio das moedas digitais

Por Eden Jr.**

As notícias dos últimos meses têm sido angustiantes para aqueles que embarcaram na aventura das moedas digitais, ou criptomoedas, aplicando parte de suas economias nessa modalidade de “investimento”. A bitcoin – a mais famosa das cerca de 1,2 mil moedas virtuais existentes – experimentou perdas significativas neste ano, de 35% (até dia 22 de março). Isso depois de ter passado por fabulosa valorização de 1.400% em 2017.

A bitcoin foi criada pelo desenvolvedor de software Satoshi Nakamoto. Inicialmente esse japonês inventou um mecanismo de pagamento eletrônico sustentado em provas matemáticas, com a intenção de gerar uma “moeda independente” da interferência de bancos centrais e que pudesse ser transferida instantaneamente. Diferentemente das moedas tradicionais, as criptomoedas, não são impressas por um banco central, existindo apenas no mundo virtual. Elas são obtidas – “mineradas” – virtualmente, por uma comunidade aberta de usuários, que utilizam computadores de alto desempenho conectados pela internet. Essas máquinas tentam resolver equações matemáticas, que são lançadas na rede pelo software da bitcoin a cada dez minutos. O primeiro computador que conseguir solucionar a equação é premiado com um lote de 12,5 bitcoins. Segundo as regras – protocolo – da bitcoin, apenas 21 milhões de unidades dessa “moeda” podem ser criadas, fato que tende a valorizar seu preço, pois a torna limitada. No mundo há mais de um milhão de máquinas trabalhando freneticamente para resolver as questões e “minerar” bitcoins.

Para aqueles que não se predispõem a “minerar” bitcoins, podem comprar essas “moedas” em diversas bolsas virtuais existentes no mundo, inclusive no Brasil. Claro que quem decide “investir” nesse tipo de negócio tem que ficar atento para a reputação dessas operadoras. Sites como o “coinmap.org” apontam os estabelecimentos onde se pode comprar bens eletronicamente com bitcoins.

O sal, o gado e até mesmo ossos já foram utilizados como moedas. Com o tempo, as moedas foram sendo confeccionadas – por praticidade e segurança – em metal e em papel. As moedas tradicionais, como o real, o dólar ou o euro, têm três funções clássicas: “meio de pagamento” (são usadas na compra de bens e serviços); “reserva de valor” (preservam o poder de compra com o decorrer do tempo) e “medida de valor” (pela moeda pode-se medir o valor dos demais bens). A bitcoin, somente em parte é “meio de pagamento” (porque não é aceita em todas as operações de compra), apenas parcialmente serve como “reserva de valor” (pois devido à sua alta volatilidade pode se desvalorizar rapidamente) e dificilmente a ela pode ser atribuído o papel de “medida de valor” (já que somente um número restrito de bens pode ter seu valor expresso em bitcoin).

Uma das razões da valorização da bitcoin foi a possibilidade de se guardar anonimato nas transações, tendo em vista que ela não está submetida à fiscalização de órgãos estatais. Dessa forma, indivíduos que praticam atividades ilícitas, como narcotráfico e lavagem de dinheiro, se resguardam em criptomoedas. Nesse sentido, Christine Lagarde, chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou que na ausência de legislação, essas “moedas” tornaram-se “sistemas de lavagem de dinheiro e de financiamento do terrorismo”.

A espetacular apreciação da bitcoin nos últimos tempos chamou a atenção de várias autoridades internacionais, pois há riscos de perdas para os investidores menos informados. Janet Yellen, que foi presidente do “Federal Reserve” (FED) – o Banco Central Americano – até fevereiro deste ano, qualificou a criptomoeda como “altamente especulativa” e Ilan Goldfajn, mandatário do nosso Banco Central, afirmou que a “moeda não tem lastro, que as pessoas compram esperando apenas a valorização, num típico movimento de bolha ou pirâmide que existe na economia há séculos”. Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) brasileira desautorizou que os fundos de investimento aplicassem em criptomoedas, sob a alegação que não se sabe ao certo a natureza dessas “divisas” e que inclusive “não podem ser qualificadas como ativos financeiros”.

Gigantes da internet, como Facebook e Google, também estão pessimistas com o futuro das criptomoedas, tanto é que neste ano proibiram anúncios desses “ativos” em suas plataformas. Atitude motivada pela progressiva preocupação em relação a golpes e escândalos envolvendo essas “moedas”. Uma bitcoin, que atingiu a cotação máxima de 19.300 dólares em 16 de dezembro de 2017, valia 8.700 dólares neste último dia 22 de março (coindesk.com). Números que demostram a forte queda da “moeda”, que se deu, entre outros fatores: pela extrema especulação que sofreu recentemente; pela possibilidade de regulação do setor – o que afasta aqueles que a utilizam para atividades ilegais – e também pela restrita rede de estabelecimentos que a aceitam para compra de mercadorias. Parafraseando Tom Jobim – que afirmou: “O Brasil não é para principiantes” – pode-se dizer também que operar com moedas digitais não é para amadores.

*Sugestão do tema: Robert Lobato
**Doutorando em Gestão do Desenvolvimento – Economista – Mestre em Economia Economista (edenjr@edenjr.com.br)

Como um boato pode acabar com a sua reputação

9 dicas para driblar a crise pós boato, se você é porta-voz e representa empresa pública ou privada, ou então é a própria marca

Aurea Regina de Sá, via Administradores.com

O boato é uma informação falsa que soa como verdade. Ele pode vir da boca de um amigo, do chefe ou do parceiro, pessoas em quem você confia e, portanto, não vai achar que é mentira. Mas, há uma onda muito forte de boatos também nas redes sociais. O movimento que invade a internet do mundo inteiro é um alerta para quem propaga informação incorreta e para quem ‘compra’ notícias falsas, as ‘Fake News’.

O boato é uma faca de dois gumes: pode destruir a imagem da vítima, alvo da difamação, e também a do promotor da inverdade, porque mostra suas verdadeiras motivações que podem ser interesses comerciais, desejo de vingança por conta do orgulho ferido, inveja ou interesses eleitoreiros.

– interesses comerciais: se uma empresa lança um boato sobre um concorrente poderá ter mais lucro por algum tempo, enquanto a marca difamada investe para justificar que não tem culpa;

– desejo de vingança por orgulho ferido ou inveja: se uma pessoa cria uma inverdade sobre outra, poderá ter o prazer de ver o outro envolvido em situações constrangedoras até conseguir provar o contrário;

– interesses eleitoreiros: se um político divulga um boato sobre outro pode ter a intenção de prejudicar a caminhada do concorrente na busca por votos e sair na frente na disputa eleitoral.

Em todos os casos, a intenção do promotor de boatos é de se sentir bem, mesmo que isso pareça algo perverso, já que a motivação é a de prejudicar o outro. A sensação de inferioridade por não ser ou parecer como o outro e a consequente necessidade de se tornar visível fazem do criador de falsas informações alguém importante, ainda mais quando ele percebe a repercussão da ‘notícia’ que produziu.

O sociólogo norte americano Jack Levin, co-autor de Gossip: The Inside Scoop (Fofoca: o Furo Privilegiado, ainda não disponível no Brasil), destaca a importância de diferenciar o significado de termos como fofoca e boato. Para Levin, fofoca é uma mensagem sobre o comportamento de outras pessoas, especialmente quando os alvos não estão presentes. O estudioso afirma que boato é um processo pelo qual os indivíduos tentam definir uma situação ambígua. “Eles, então, espalham notícias informalmente porque as fontes oficiais não existem ou estão inacessíveis”, revela.

Partindo do princípio de que o Brasil é uma democracia e a imprensa é livre, as fontes oficiais não só existem como estão disponíveis. Com o acesso de 116 milhões de brasileiros conectados à internet, em 2016, que representa 64,7% da população com idade acima de 10 anos, (dados do IBGE de fevereiro de 2018) não dá pra usar a desculpa de que a informação foi propagada por que não havia como checar.
Saiba como checar uma informação recebida pelas redes sociais

Para evitar uma conclusão precipitada e parar de dizer frases como: ‘eu ouvi dizer que….’ ou ‘não sei direito, mas acho que é isso’, siga os passos abaixo e certifique-se antes de publicar qualquer informação:

1º passo: duvide, sempre questione. A primeira pergunta que deve ser feita é ‘será que isso aconteceu mesmo?’

2º passo: busque referências na internet, que possam atestar a informação ou contradizê-la. Acesse sites de notícias que sejam avaliados com alto nível de credibilidade. Não acredite em um só veículo: analise, compare, reflita. Neste momento dispense sua crítica sobre a política editorial de determinados veículos de imprensa. De qualquer maneira, na imprensa, uma notícia é checada antes de ser publicada.

3º passo: acesse sites que conferem boatos. Com o surgimento das fake News, cresce o esforço para esclarecer informações e aumentar a conscientização das pessoas,

4º passo: NÃO espalhe notícias falsas, nem por brincadeira. Pessoas mais ingênuas e as que não investem na checagem, acreditam em qualquer informação e isso reflete, inclusive, no futuro do país, porque elas votam mal e elegem candidatos fabricados em cima de fake News,

5º passo: não seja conivente com a mentira, interfira, interrompa a multiplicação da mensagem duvidosa, advirta os integrantes de grupos e seus seguidores nas redes sociais. Não coloque mais lenha na fogueira e deixe de ser marionete a serviço da desinformação,

6º passo: seja cidadão, pratique a empatia e desenvolva a capacidade de crítica para contribuir com a melhoria da sua vida e a dos outros.
Como avaliar se uma informação é verdadeira ou falsa

A informação imprecisa, que não apresenta o autor e nem a fonte pesquisada, pode ter indícios de que não tem teor verdadeiro. O fato de ser publicada em um site, blog ou rede social não significa que foi produzida com o cuidado da checagem, prática do jornalismo sério e ético. A apresentação de fatos também não garante a credibilidade da informação, porque os fatos podem ter sido inventados para confundir o leitor e criar um conceito negativo sobre aquele que é foco da notícia. Continuar lendo

A geração que não entende o conceito de gratidão

Os eternos credores do universo

POR RUTH MANUS, via Estadão

Gosto de uma série de coisas que hoje em dia podem facilmente ser consideradas como fora de moda: alguns modelos de calça que já não fazem muito sentido, alguns roteiros de viagem que se perderam no tempo, algumas comidas que já nem se encontra mais no supermercado. Mas a coisa mais fora de moda da qual eu realmente gosto é essa tal de gratidão.

Não sei se a minha geração foi criada para entender esse conceito. Acho que não. Parece que temos que fazer muito esforço para entender isso, inclusive eu. A noção de gratidão é realmente um lance que ficou meio perdido nas últimas décadas e que faz com que nós fiquemos um pouco desconcertados ao olhar para essa palavra, assim como fica uma criança nascida nos anos 2000 ao olhar para uma vitrola, sem entender bem qual a sua finalidade.

Crescemos com a nítida sensação de que somos credores da vida. Assim que nascemos começamos a debitar da conta dos outros uma série de dívidas que julgamos que eles têm para conosco e, assim, vamos tendo cada vez mais certeza de que somos verdadeiramente intocáveis e que o universo tem toda a obrigação de nos proporcionar a felicidade plena, não porque merecemos, mas porque temos direito.

Nessa geração o raciocínio é o seguinte: em vez ser grato e devedor, o indivíduo sempre se considera um generoso credor. Não é ele quem é grato aos pais pela criação dedicada, são seus pais que lhe devem muito por ser bom filho. Não é ele quem é grato ao professor pelos ensinamentos que recebeu, é o professor que lhe deve muito pois “é ele” quem paga seu salário. Não é ele quem é grato ao chefe pela oportunidade de trabalho, é o chefe que lhe deve muito por ele cumprir todo dia suas obrigações.

As coisas mais básicas num ser humano legal (retribuir o afeto da família, respeitar professores, estudar quando se tem oportunidade, trabalhar bem, cumprir horários, preocupar-se com os amigos, ser gentil com os velhinhos e dar seu melhor todo dia) tornaram-se um verdadeiro passaporte diplomático para o mundo dos semideuses. Fazer o mínimo vem se tornando o suficiente para tornar-se o máximo.

E quanto mais longe nos colocamos do conceito de gratidão, mais a nossa vida parece vazia, incompleta. Voltamos mais uma vez à história do copo meio cheio e do copo meio vazio. Quem olha para sua vida e sente-se grato, tem um copo sempre meio cheio. Quem olha para sua vida e sente-se credor das pessoas e do universo, terá sempre um copo meio vazio.

É preciso que a gente saiba resgatar essa ideia de gratidão. Olhar para as nossas vidas e pensar que temos muita sorte, pelo simples fato de termos a base: afeto, comida, teto, saúde. Precisamos parar de olhar para os nossos dias pensando no que não temos: o corpo ideal, o salário estratosférico, o namorado mais bonito, a dupla promoção, a viagem dos sonhos.

Enquanto pensarmos que todos nos devem muito por tudo o que fazemos por eles, sem nunca nos dar conta de que as pessoas, em geral, fazem tudo o que podemos por nós, seguiremos sendo essa famosa geração mimada, cujo objetivo vai ser sempre ganhar o mundo ao invés de ser grata por ter a oportunidade de tornar o mundo um lugar melhor.