Tudo envolve dinheiro

A maneira como você se relaciona com o dinheiro tem a ver com a sua história de vida

A nossa relação hoje com o dinheiro tem a ver com a nossa história | Crédito: Shutter

Kátia Avelar, via Vida Simples

Recentemente, enquanto aguardava o momento de dar uma palestra sobre construção da reserva financeira, numa grande empresa e para um público diversificado, passaram 2 pessoas por mim e uma falou para outra: “Tudo envolve dinheiro.” Imediatamente pensei: nossa que coincidência … e comecei a pensar em muitas coisas. Em que contexto elas estavam falando: vida pessoal ou trabalho ? Mas em seguida, concluí que isto era o que menos importava e o interessante foi que os meus pensamentos não pararam mais, coloquei algumas ideias num papel e já para a palestra levei este olhar tão humano sobre uma questão tratada em geral como exata, racional, “preto no branco”.

E daquele dia até hoje, este artigo começou a ser gerado !

Acompanhe-me nas situações a seguir, extraídas das páginas do meu diário.

Em casa … por volta dos meus 15 anos, meu pai servidor público passou a receber o seu salário com atraso por conta de problemas gerados pela gestão indevida do fluxo de caixa. Naquela época, não tinha conhecimento do que isto significava, mas foi uma lição de educação financeira para mim e minha família. Eu aprendi a negociar, pedir desconto na escola para compra das minhas apostilas, comprar produtos para revender, ser econômica. Meus pais, eu e minha irmã, fortalecemos nossos laços através do diálogo sobre o que estava ocorrendo e como podíamos contribuir com soluções para superar aquele momento.

Com os amigos … já na faculdade, tínhamos amigos que vinham de longe para estudar e suas economias para almoçar e fazer lanche eram “contadas”. Eu podia almoçar em casa todos os dias e lanchar o que eu quisesse, era maravilhoso. Aprendi como há diferenças econômicas e que saber conviver com elas, permitiu-me exercitar o sentimento de gratidão e do pensar transformador para contribuir com o processo de melhoria na sociedade, começando nos círculos de amizades. E até hoje, num simples chopp, a flexibilização do padrão de consumo em prol da participação de mais amigos é um exelente exercício para saber adaptar-se e ajustar a trajetória financeira nos diferentes momentos da minha vida.

No trabalho … numa equipe, além dos diferentes níveis salariais, cada um traz a sua história de vida e saber ouvir e acolher um colega de trabalho é mais uma oportunidade de ser solidário e de ajudá-lo a encontrar a forma de equilibrar a sua vida, incluindo as finanças. E isso foi um laboratório para construção do meu programa de finanças pessoais – o Detox dos Gastos.

No exercício da espiritualidade … vejo o dízimo como uma forma de expressar minha gratidão pelo que tenho e contribuir com as finanças sociais. Forma de movimentar o meu dinheiro e alimentar o fluxo da abundância em minha vida e na economia em geral. Não é mágica, é ação através da valorização das diferentes utilizações do dinheiro no dia a dia.

E nesta ciranda da vida, as tarefas do dia a dia são executadas através de ações individuais e relações humanas onde o afeto e o dinheiro são condutores que mantém a dinâmica na vida de cada um: objetivos são definidos e o acúmulo de patrimônio financeiro é o meio para exercermos a nossa liberdade de escolha.

Os conceitos, indicadores, produtos de investimentos podem ser adquiridos através da educação financeira e de um especialista que te oriente. O planejamento financeiro será o mapa para realizar os seus objetivos e o profissional um facilitador na clareza da sua dinâmica diária de lidar com a sua renda. Mas é a sua história de vida que produzirá necessidades, desejos e sonhos que são únicos e podem mudar com o tempo. Por que ? Pelo simples fato de que viver de forma abundante e próspera está à disposição de todos, mas cada um tem que “ajustar as velas do seu barco” – a vida que deseja ter e proporcionar aos que ama, a cada momento.

E agora, faz mais sentido o Prêmio Nobel 2017 ser dado para um trabalho no ramo da economia comportamental ? Então, como ressaltou o mestre Richard H. Thaler: “Para fazer uma boa economia, você deve ter em mente que as pessoas são humanas”.

Em uma era, em que as relações humanas estão passando por crises, reflexões e transformações, entender primeiro da porção humana em tudo na vida, é a chave para transformar realidades falidas em oportunidades de realização. Arrisco dizer que é a saída para os desequilíbrios instalados e intensificados nos últimos 15 anos no mundo. E cabe a cada um de nós, vivermos nossa humanidade, entender nossos limites, fortalecermos com o aprendizado e definirmos nossos processos de mudanças e vida com propósito !

Então, mãos à obra que o dinheiro está presente em tudo e é apenas mais uma questão a conhecer e desmistificar na sua vida !

* Kátia Avelar é economista e mestre em Economia, consultora em Finanças Pessoais. Trabalhou por 25 anos no mercado corporativo e há 2 anos criou o Detox dos Gastos. Conteúdos e trabalhos desenvolvidos são compartilhados no perfil do instagram @katia_avelar e em https://www.facebook.com/detoxdosgastos/

Blogs precisam ter linha editorial e postura profissional?

Blog sério tem conteúdo sério. Blog sério tem contextualização e linha editorial. Quem afirma que blog não tem linha editorial não trata o blog como um canal sério, portanto, não é blogueiro

Ainda rola muito preconceito e muito conceito deturpado quando o assunto é blog. Muitos criticam sua profissionalização e outros já criticam a sua falta de profissionalização. Em eventos ou encontros sempre rolam debates sobre diversos pontos extremamente interessante, porém alguns simplórios também são debatidos, já que é muito fácil tratar blogs como mídias amadoras que não necessitam de linha editorial e que são livres para publicar qualquer porcaria.

Em parte, tudo isso é verdade. É bacana um blog expressar opinião própria, mas é inaceitável que um blog que queira ser referência em sua área não atue com profissionalismo. É muito mais sensato tratar o leitor como um cliente ou consumidor de informação, parceiro do blog, do que um invasor intrometido que pode ser expulso do nosso território a qualquer momento. Enquanto profissionais baterem na tecla que blogs podem publicar qualquer porcaria, os blogs serão qualquer porcaria.

Blogs são canais que podem ser trabalhados de forma profissional ou como mídias amadoras, exatamente como emissoras de televisão ou rádio fazem. É muito primário crer que um blogueiro possa postar textos com erros de português, focar apenas em “barracos” e que não precisa ter o menor compromisso com o leitor. É como discutir o papel da imprensa, da “velha mídia” ou se jornalistas e blogueiros podem conviver juntos.

Outro ponto interessante que merece reflexão é acerca do papel dos blogs em uma era com tantas redes sociais. Facebook, Twitter, YouTube ou Instagram são canais que devem trabalhar de forma complementar com os blogs. Um não atrapalha e não prejudica o outro. Discutir se o Facebook vai acabar com a blogosfera tem o mesmo peso que já teve a afirmação de que a televisão iria morrer com a popularização da web. E o que ainda se vê é a “junção” desses diversos canais, indo contra a opinião dos gurus.

Blog não é só hype. Blog sério tem conteúdo sério. Blog sério tem contextualização e linha editorial. Quem afirma que blog não tem linha editorial não trata o blog como um canal sério, portanto, não é blogueiro. A investida dos grandes meios de comunicação em criar “blogs” para jornalistas da redação tem atrapalhado – e muito – a profissionalização da blogosfera brasileira. Lá fora blog é blog e é tratado com mídia de respeito. Aqui blog é uma seção onde um jornalista pode publicar qualquer “3 linhas” e ir embora.

Achar que jornalistas e blogueiros são profissões extremamente diferentes e incompatíveis é lamentável. Nesses casos, vale uma fantasia de dinossauro para alguns profissionais. Blogs e jornalismo andam juntos. Blogueiros e jornalistas andam juntos. A profissão blogueiro e a profissão jornalista são complementares, compatíveis e formam a mídia web. O discurso de “diário de adolescente” ou “velha mídia” não merece nem 140 caracteres.

(Fonte: Blog Midia8)

Seja bem-vindo, dezembro!

O mês de dezembro me traz lembranças maravilhosas de tempos que se não voltam mais, é verdade, ao menos ficaram registrados na minha mente e no meu coração e que levarei para a eternidade.

Sexta-feira, primeiro de dezembro. Inicia hoje o que, na minha opinião, é o melhor mês do ano – como gostaria de ter nascido neste mês…

Dezembro é especial por vários motivos.

Em primeiro lugar, por ser um mês de confraternização. Celebração do nascimento do Senhor Jesus Cristo que, pelo menos em dezembro, muitos se dão conta de que Ele existe e que sem Ele nada feito!

Em segundo lugar, o reaparecimento do bom velhinho Papai Noel.

É verdade que o consumismo impera em dezembro, mas a magia despertada pelo mês torna o ato de consumo em algo mais humano, mais afetuoso, ou seja, não é “comprar por comprar”, mas trocar de gentilezas, dar e receber carinho em forma de presente, seja ele qual for. Aliás, o menos importante é o presente em si, mas o que ele representa em termos de demonstração de carinho e amor.

Dezembro é virtuoso. Tempos onde as pessoas parecem se reencontrar com a sua essência humana; São 31 dias de leveza espiritual, momentos para reflexões diversas, enfim, período onde aflora sentimentos nobres e valores que realmente dão sentido à vida.

Finalmente, o mês de dezembro me traz lembranças maravilhosas de tempos que se não voltam mais, é verdade, ao menos ficaram registrados na minha mente e no meu coração para toda a eternidade.

Por tudo isso e muito mais, seja bem-vindo, dezembro!

ESPAÇO FEMININO: Feministas também podem sonhar com príncipes 2

Já tive casos como mulheres feministas, na juventude, e posso dizer com propriedade que por traz de toda mulher de “grelo duro” bate um coração mole

As feministas, ao menos na grande maioria, são chatas. Algumas vezes inconvenientes e mal educadas.

Não concordo, porém, com esteriótipos de que as feministas são, obrigatoriamente, mulheres feias, mal amadas, que não gostam de homens dominantes etc.

Já tive casos com mulheres feministas, na juventude, e posso dizer com propriedade que por traz de toda mulher de “grelo duro” bate um coração mole. Aqueles discursos “raivosos”, contundentes, antipáticos e gênios ranzinzas muitas vezes podem ser explicados por uma infância/adolescência complicada geralmente ligados à experiência traumatizantes no seio familiar.

Mas, vamos ao que interessa.

Descobri um belo artigo da jornalista, e feminista, Mariliz Pereira Jorge, publicado na originalmente na Folha de São Paulo, que trata sobre o comportamento de algumas feministas.

Mariliz, com esse nome a jornalista não tinha como deixar de ser feminista (rsrsrs), analisa comportamentos das mulheres de “grelo duro” à luz do romance do Príncipe Harry, herdeiro da monarquia inglesa, com atriz americana Meghan Markle.

“Ah, Bob, muito fácil para uma feminista falar em romance e contos de fadas quando uma delas é visgada por um príncipe da mais tradicional e poderosa realeza do mundo”, detonaria uma leitora lá não muito chegada às filosofias feministas.

De fato, qual feminista por dura e bem sucedida que seja não se renderia aos encantos de um príncipe de verdade, de carne e osso?

Bom, vou deixar que a própria Mariliz Pereira Jorge conte para vocês essahistória.

Fiquem com Feministas também podem sonhar com príncipes

por Mariliz Pereira Jorge, via Folha de SP

Parece que as pessoas não entenderam nada sobre o papo “mulher pode ser o que ela quiser”, a premissa básica do feminismo. Inclusive casar com um príncipe, veja só. Inclusive se casar. Inclusive ser feminista e ser pedida em casamento por um nobre que se ajoelhou e sacou um anel numa caixinha.

Sim, teve isso. Príncipe Harry fez como nos contos de fada, caiu de joelhos e pediu a mão da atriz americana Meghan Markle, que aceitou antes mesmo de ele terminar a proposta. Sim, sim, sim. Porque é isso que a maioria das pessoas faz quando se apaixona e é correspondida. Casa-se. Mesmo as feministas. Mesmo que seja com um príncipe.

Meghan Markle é uma ativista declarada, do tipo que diz “nunca quis ser uma mulher que almoça, sempre quis ser uma mulher que trabalha” ou “uma mulher pode querer estar bonita e ainda assim lutar pela igualdade de gênero”.

É disso que trata o feminismo, oportunidades iguais, poder de decisão, escolhas, um mundo mais justo e menos violento para as mulheres.

E, que coisa, Meghan pode dizer “sim” a um príncipe porque quis. Não foi obrigada. Os dois se parecem exatamente como qualquer outro casal apaixonado, contando como se conheceram, como se envolveram e por que decidiram ficar juntos. Tudo isso enquanto assavam um frango. Verdade. Eles contaram num vídeo que circula na internet. Ok, é uma história com cifras milionárias e a coroa britânica. Mas as diferenças acabam aí.

Deixa eu contar uma coisa que talvez seja um pouco chocante. Feministas não apenas se casam, como têm filhos, algumas param de trabalhar, se dedicam à família. Ou não. Muitas não têm a menor intenção de juntar os trapinhos com alguém, não pensam em procriar. Feministas são médicas, advogadas, secretárias, engenheiras, atletas, empresárias, donas de casa, putas.

Se você acha que feminismo é sobre odiar os homens, saiba que está atrasado um capítulo nessa história. Tem feminista assim, um tipo que também precisa de reciclagem. Mas como eu disse, trata-se de um movimento que luta pelo direito da mulher de ser o que quiser e fazer o que bem entender. Só isso. Se você fizer um pouquinho de esforço, vai ver que não é complicado.

Meghan está exercendo o feminismo da sua maneira. Escolheu com quem quer casar e o tipo de vida que vai levar. As pessoas confundem os sinais. Tem cérebro fritando porque o príncipe não escolheu a dona Baratinha, mas uma mulher independente, separada, afrodescendente e mais velha do que ele. Deu bug na cabeça de gente que não entende que uma feminista pode mudar sua vida por amor. Uma história atual, fresca, digna dos novos tempos.

Eu esperei bastante que meu marido me pedisse em casamento. Pois é. Tão moderna, descolada, feminista. Tão tradicional. Nunca aconteceu. Era um desejo meu, não dele. Ele me fez perceber como eu estava sendo machista com essa expectativa. O que fiz? O pedido. Por Whatsapp. Escolhi o dia, o local, contratei uma agência e fui lá casar com o meu príncipe. Feministas também pode viver histórias da carochinha, com final feliz e tudo. Simples assim.

Fomos ingênuos em crer no Vale do Silício, diz historiador Niall Ferguson 2

O professor e historiador escocês Niall Ferguson participará do Fronteiras do Pensamento em São Paulo

NELSON DE SÁ
VIA FOLHA DE SÃO PAULO

O historiador escocês Niall Ferguson, autor de “Civilização” (ed. Planeta, 2013, publicado originalmente em 2011), diz que o Brasil deve esperar em 2018 “uma repetição do que aconteceu nos EUA em 2016, quando a mídia social teve papel decisivo na eleição de Donald Trump”.

Para ele, “a promessa do Vale do Silício era que as redes sociais gigantes fariam o mundo melhor”, mas o que produziram foi “polarização, ‘fake news’ e visões extremistas”. Empresas como Facebook e Google “têm como prioridade gerar receita de publicidade, não fazer do mundo um lugar melhor”, diz.

Ferguson, 53, faz palestra nesta terça em São Paulo, às 20h30, no ciclo Fronteiras do Pensamento, com ingressos esgotados. A seguir, trechos de entrevista realizada por telefone, na segunda (27).

Folha – Num ensaio recente na revista “Foreign Affairs”, o sr. escreve sobre a “falsa profecia da hiperconectividade” e os impactos políticos das redes sociais. Quais são eles? O sr. poderia resumir a crítica do que chama de “visões messiânicas” espalhadas pelo Vale do Silício?

Niall Ferguson – A promessa do Vale do Silício era que as redes sociais gigantes on-line fariam o mundo melhor. Nós todos seríamos “netizens” [cidadãos da internet] igualmente conectados, igualmente capazes de publicar, igualmente capazes de confrontar o poder. Mas não saiu bem assim. E eu acredito que era previsível que não sairia.

Previsível?

Ainda que só soubesse um pouco de história e de ciência das redes, você podia ver que criar redes gigantes não produziria uma “comunidade global”, como diz a frase de Mark Zuckerberg [presidente do Facebook]. Que mais provavelmente produziria polarização, “fake news” [notícias falsas ], visões extremistas e outros problemas que se tornaram muito evidentes na eleição dos EUA no ano passado. Aquele tipo de problema era inerente ao projeto de redes sociais gigantes on-line, e fomos ingênuos de acreditar no que o Vale do Silício nos falou. Afinal, empresas como Facebook e Google têm como prioridade gerar receita de publicidade, não fazer do mundo um lugar melhor.

O sr. está no Brasil, que era festejado como um gigante que acordava e agora está submerso numa crise política e econômica sem fim, com a sombra da direita radical crescendo dia a dia. Quais são as suas ideias sobre este país?

Bem, sempre sou cuidadoso ao comentar países que estou visitando brevemente. Professores de Stanford e Harvard têm uma tendência de presumir que sabem mais sobre os países do que as pessoas que moram neles. Portanto, com a humildade necessária, deixe-me responder o seguinte:

Primeiro, eu acredito que a crise da classe política do Brasil é característica do nosso tempo, que não é, de modo nenhum, limitada à América Latina. Uma consequência da maior transparência trazida pela internet foi expor corrupção no hemisfério Norte assim como no Sul e estimular a frustração popular com os establishments políticos. Estamos vendo um fenômeno global, e o Brasil é um entre muitos países onde isso está ocorrendo.

Em segundo lugar, as dificuldades econômicas do Brasil provêm muito claramente daquela grande queda nos mercados de commodities, que aconteceu na segunda fase da crise financeira e parou com a festa econômica que estava acontecendo neste país. Acredito que isso [queda do preço das commodities] em grande parte passou, e estamos vendo fluxos tremendos de dinheiro para a América Latina no espaço do último ano. Portanto, minha sensação é que a crise econômica está chegando ao fim, mas a crise política, não.

O que pode advir disso?

É o ponto final que eu levantaria: nas eleições do ano que vem, os brasileiros vão encarar algumas grandes escolhas, e você já citou o fato de que há um candidato populista da direita radical. O que nós todos devemos esperar, e eu penso que isso se aplica também à eleição mexicana [em julho de 2018], é uma repetição do que aconteceu nos EUA no ano passado —quando a mídia social teve um papel decisivo na eleição de Donald Trump. Devemos esperar que Facebook e outras plataformas de mídia social tenham um papel muito maior do que antes. E o candidato que compreender melhor como usar essas plataformas terá uma chance muito forte de vencer.

O sr. vem alertando para um novo “crash” financeiro, dizendo que as luzes vermelhas estão se acendendo, como antes da crise econômica de 2008. Quais são essas luzes, o que anunciam? É possível evitar o que está a caminho?

Bom, não há como evitar crises financeiras, elas são parte recorrente da história. A ideia de uma economia mundial sem crises é ilusória. O que me deixa preocupado no momento é que estamos vendo, depois de quase dez anos de medidas extraordinárias de política monetária, uma mudança na postura dos grandes bancos centrais —começando com o Federal Reserve [nos EUA] e o Banco da Inglaterra, mas também com sinais do Banco Central Europeu e do Banco do Japão. Para usar a palavra favorita dos bancos centrais, “normalização”.

Não acredito que você possa ter juros em alta e balanço do Fed [os títulos de dívida que o banco recomprou ao longo da crise] em queda, sem consequências para a economia como um todo —dado que não só domicílios mas muitas outras entidades, inclusive governos, ainda estão muito endividados, pois não houve maior desalavancagem desde a crise; e dado que a inflação se recusa a voltar, nas economias desenvolvidas. Assim, você vê previsões de aumento de juros, mas pouco sinal de que a inflação vá subir. Ter juros reais maiores, endividando mais os domicílios e outras entidades, é uma perspectiva assustadora.

O que está levando a isso?

Os banqueiros centrais estão usando modelos ultrapassados de funcionamento da economia, que realmente surgiram na metade do século 20. Eles ficam procurando inflação e esperando a Curva Phillips [relação inversa entre inflação e desemprego], perdida há muito tempo, quando na verdade este é um mundo muito deflacionário, por causa da tecnologia. Tudo está ficando mais barato, e o trabalho está sendo cada vez mais substituído por robôs. A combinação de alta de juros e um mundo estruturalmente deflacionário deve acabar com a festa que vêm acontecendo nos mercados de ações, em algum momento do próximo ano, estimo.

Neste domingo, no “Sunday Times”, o sr. escreveu que estamos passando por uma nova revolução moral vitoriana, com o movimento #metoo sendo parte disso. É uma mudança tão grande assim?

Há uma grande mudança, no sentido de que o comportamento que era tolerado há muito tempo, em Hollywood, na cidade de Nova York, naquilo que poderíamos chamar de elite liberal, está sob escrutínio muito mais severo. O que começou com [o produtor] Harvey Weinstein fez aparecer, em poucas semanas, quase 40 casos de assédio por figuras públicas, inclusive o senador [democrata] Al Franken. E não vejo sinal de que esse processo de revelações vá parar. Para a maioria, as regras de combate entre homens e mulheres, no ambiente de trabalho, vêm mudando gradualmente, ao longo de anos. Agora percebemos que essa mudança não havia ocorrido no topo, seja em Wall Street ou em Hollywood.

Minha preocupação é que essas revoluções em conduta têm uma propensão ao exagero, o que pode ser uma das consequências do movimento #metoo [de mulheres que relatam assédio]. Quando o “New York Times” publica um artigo de opinião que sugere que todos os homens são estupradores, estamos numa quadra muito ruim, porque é sem sentido e se torna uma espécie de sexismo reverso, dirigido contra os homens.

O sr. é supostamente o modelo de Irwin, o professor da peça “The History Boys”, de 2004 [lançada como filme em 2006, “Fazendo História”]. O sr. se viu nele? Gostou da peça de Alan Bennett?

Bennett diz no programa e nos seus diários que eu fui o modelo para o personagem. Mas foi um choque para mim, quando fui ver a primeira montagem, em Londres, porque não sabia até ler o programa que estava envolvido.

Acho que o personagem de Irwin, na primeira metade, tem algumas características de Ferguson. Ele encoraja seus estudantes a escrever e pensar o contraditório, a questionar a visão estabelecida e a tornar seus ensaios históricos interessantes. Ele também encoraja seus estudantes a sobressaírem, quer que todos entrem para Oxford ou Cambridge. Eu certamente consigo me identificar com tudo isso, sempre encorajei meus alunos a ir contra a visão convencional e a aspirar por excelência. Mas, talvez você se lembre que, na segunda metade, Irwin tem uma espécie de crise pessoal e acho que se revela gay. Bem, aí a semelhança acaba.

O que o sr. vai abordar, aqui?

Estou dando uma palestra [no Fronteiras do Pensamento] intitulada “A Civilização Ocidental Acabou?”.

E qual é a sua resposta?

Eu acho que vai mal. No meu livro “Civilização”, escrevi que há seis instituições e ideias que tornaram o Ocidente grande e o fizeram dominante nos séculos 18, 19 e 20. Agora aquelas ideias e instituições são praticamente globais, não mais monopólio de europeus e norte-americanos. Mas, de maneira preocupante, as instituições que eram tão centrais para o sucesso do Ocidente parecem estar em declínio.

Em “A Grande Degeneração [ed. Planeta, 2013], defendi que, se você olhar para as finanças públicas, a regulação, o estado de direito e a sociedade civil, as coisas estavam indo mal para os EUA. Isso foi publicado há quase cinco anos, e as coisas estão piores hoje. O governo Trump se comprometeu a melhorar o problema da regulação excessiva e possivelmente do estado de direito, mas nas finanças públicas e na sociedade civil o quadro está piorando.

O déficit só vai crescer, com o novo projeto tributário republicano, e eu vejo, na sociedade civil, uma grave deterioração, em grande parte por causa das redes sociais, o que nos leva ao início da nossa conversa.

Isso já estava em “Degeneração”?

O que não previ, cinco anos atrás, foi que Facebook, Twitter e os demais polarizariam a discussão política de maneira tão extrema, a ponto de estarmos nos tornando uma espécie de sociedade incivil [grosseira] em que as pessoas são estimuladas a serem abusivas em seus debates on-line. A civilização ocidental está se tornando bastante incivilizada, pelo menos julgando pelas coisas que as pessoas escrevem on-line.

Como usar a influência para abrir portas

Influência não é fazer com que as pessoas façam o que você quer porque você tem superioridade moral. Influência é saber conquistar o apoio das pessoas

Daniel Goleman, via administradores.com.br

Você acredita que precisa estar em uma posição de poder para ter influência?

Pense novamente.

Embora seja verdade que executivos têm influência, não ache que você precisa chegar até uma posição de diretoria para poder ser influente. Independentemente da sua posição, você pode ter um efeito poderoso sobre aqueles que estão à sua volta, se não a organização completa.

A Influência é uma das doze Competências de Liderança de Inteligência Emocional e Social no modelo que desenvolvi com Richard Boyatzis. A competência da Influência refere-se à capacidade de ter um impacto positivo sobre os outros, persuadi-los, convencê-los, ou obter o seu apoio. Com a competência Influência, você conquista a aceitação de pessoas-chave.

É importante notar que a influência não é fazer com que as pessoas façam o que você quer porque você tem superioridade moral. Se suas ideias são ruins ou prejudicam as pessoas, então seus esforços serão menos convincentes. Mas se suas ideias são fortes, podem ser benéficas ou têm o potencial de serem aceitas, então a influência irá ajudá-lo a mobilizar os recursos necessários para que as coisas aconteçam.

O que é preciso para ter Influência?

Como muitas competências da IE, a Influência requer o uso habilidoso de outras competências. A Autoconsciência Emocional e o Autocontrole Emocional ajudam a evitar que você avance de forma prematura e busque seu objetivo sem entender plenamente o ponto de vista daqueles que serão afetados por suas decisões. Com tal consciência e controle, você sabe como seus sentimentos afetam suas ações e então pode escolher melhor como possibilitar seus objetivos. A Empatia e a Consciência Organizacional também são fundamentais para o desenvolvimento da Influência. São formas de consciência social, uma a nível individual, a outra no nível organizacional. A Empatia começa quando você escuta o outro para entender melhor suas preocupações. Quanto à consciência organizacional, para ser influente em qualquer grupo ou organização preciso conhecê-lo bem. Isso requer não apenas escutar, mas uma observação ativa, uma conscientização de sistemas e estar aberto a diferentes perspectivas.

Como a Influência funciona na prática

Em “Influence: A Primer”, a nova publicação da qual sou co-autor com o Dr. Boyatzis, Peter Senge e outros colegas, compartilhei a história de alguém que fazia uso da competência Influência para alcançar seus objetivos. Aqui está a história:

Um engenheiro hídrico de um país africano trabalhava para uma empresa global de energia. Ele sempre pensava em sua cidade natal, onde havia secas repetidas. O país sofria com crises de falta de água constantemente. Os poços que eram perfurados não eram suficientemente profundos, e nem todas as aldeias tinham poços. Ele pensou que seu empregador poderia criar uma divisão que ajudaria países como o seu com gerenciamento de água, mas não era provável que essa ideia ganhasse força dentro da empresa, a menos que houvesse uma maneira de produzir uma receita significativa.

O engenheiro passou muito tempo pensando sobre como poderia apresentar isso aos líderes de sua organização de uma forma que fosse atraente. Primeiro, ele foi de pessoa a pessoa em sua empresa, explicando sua visão e como fazê-la funcionar. Em cada conversa, sua tarefa era a influência, persuadir cada pessoa de que sua visão criativa era útil para a empresa e a coisa certa a fazer.

Ele pediu opiniões a seus colegas sobre como apresentar essa ideia aos executivos da empresa e recebeu comentários valiosos. Em seguida, passou algum tempo falando com os membros da comunidade que mais se beneficiariam com as melhorias de engenharia nas aldeias. Ele aprendeu que o ganho econômico poderia ser obtido porque os agricultores aumentariam suas produções, a economia local prosperaria e a empresa de energia seria vista com bons olhos por ajudar a fazer isso acontecer.

Finalmente, o engenheiro usou todos os comentários e ideias para montar uma apresentação bem elaborada para os principais diretores de sua empresa. Ele propôs uma maneira que faria com que a empresa recuperasse seu investimento e ainda ficasse com uma imagem muito positiva, agradando tanto a acionistas como a pequenos agricultores. Ele antecipou todas as possíveis perguntas que eles poderiam ter e preparou respostas com antecedência, até mesmo elaborando alguns planos de engenharia. Ele foi paciente, motivado, atencioso, e o mais importante: ouviu todas as partes interessadas de forma a fazer com que todos acreditassem que sua ideia era uma vitória para todos. Como resultado, a empresa decidiu começar uma divisão exatamente como ele havia imaginado.

O engenheiro exibiu um alto nível de Influência em ação. Ele não tentou simplesmente compartilhar sua ideia assim que pensou no assunto, quando seria algo mal planejado, com pouca pesquisa ou apoio. Em vez disso, ele tirou um tempo para considerar as perspectivas dos interessados e tomadores de decisão para apresentar a ideia de forma que considerasse os objetivos de cada grupo. E assim convenceu todos.

A Influência nos permite conquistar a aceitação dos outros o suficiente para tornar nossos sonhos reais.

Que ideia você traria à luz – com a dose certa de Influência?

Globo e duas empresas pagaram propina de R$ 49 milhões por Copas, diz Burzaco

Empresário argentino Alejandro Burzaco presta depoimento no julgamento do ex-presidente da CBF, José Maria Marin

Os irmãos Marinho: telhado é uma casquinho de vidro.

Via Estadão

A Rede Globo, Televisa e uma terceira empresa entraram em acordo para pagar US$ 15 milhões (R$ 49 milhões) em suborno a Julio Grondona, presidente da Federação Argentina de Futebol durante três décadas e falecido em 2014, em troca de apoio para a obtenção dos direitos de transmissão das Copas de 2026 e 2030.

A afirmação foi feita pelo empresário argentino Alejandro Burzaco, ex-presidente da empresa Torneos y Competencias nesta quarta-feira, durante depoimento no Tribunal do Brooklin, em Nova York, no julgamento do ex-presidente da CBF, José Maria Marin. Burzaco é testemunha-chave de acusação no maior escândalo de corrupção da história da Fifa.

De acordo com o depoimento, o suborno foi acertado em 2013 durante uma reunião da Fifa, em Zurique, na Suíça. Além dos gigantes da comunicação do México e do Brasil, a terceira companhia envolvida era a Datisa, uma sociedade entre a própria Torneos y Competencias e as empresas Traffic e Full Play. Ainda de acordo com Burzaco, o dinheiro foi depositado em uma conta na Suíça.

Na primeira parte do depoimento, ainda na segunda-feira, Burzaco afirmou que a Rede Globo foi uma das companhias de mídia que pagaram subornos para vencer a concorrência por direitos de transmissão de competições internacionais, como a Copa América, a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana.

 

PT/MA: Quando o Bob Lobato incomoda “dinopetistas”, malandros e porra-loucas 2

Poderia revelar mais traços do mau-caratismo dessa turma, mas aprendi com a minha doce vovó Deliz que: “quem tem vergonha não envergonha os outros”.

A rigor o titular do Blog do Robert Lobato não deveria nem comentar tamanhos despautérios, até porque os elementos que os cometeram não são lá, digamos, gente da melhor referência política, ideológica, ética e, em alguns casos, nem para a moral e os bons costumes.

“De quem ou de que você está falando, Bob”, pergunta o leitor curioso ou leitora curiosa. Explico.

Chegou até o nosso humilde, mas sempre firme Blog do Robert Lobato, um print de um ‘conversê’ desqualificado ocorrido num dos vários grupo do PT no WhatsApp.

Ora, se é um “conversê” desqualificado, evidentemente é protagonizado por pessoas desqualificadas, “Sementes mal plantadas/Que já nascem com caras de abortadas/Pessoas de alma bem pequena/Remoendo pequenos problemas/Querendo sempre aquilo que não têm”, como canta o nosso eterno Cazuza na antológica “Blues da Piedade”.

Os “dinopetistas”, malandros e porra-loucas

Não considero – e jamais admitirei considerar -, que petistas como Pétala Monteiro e Paulo Romão tenham quaisquer autoridades para sequer tentarem avaliar a minha militância de anos no PT, inclusive de dirigente que chegou a vice-presidente e tesoureiro estadual do partido, membro do Diretório Municipal/São Luis, além de um dos quadros do chamado “Campo Majoritário” com inúmeras participações em fóruns nacionais do partido.

E quem são esses agressores e detratores do Bob Lobato? Vamos lá, primeiro as “damas”.

Pétala Monteiro é uma doidinha que quando chegou pelo PT não fazia a menor ideia da dinâmica do partido. Era militante do PSDB, mas andava, na época que nos conhecemos, flertando com a esquerda com o “coração vagabundo” – politicamente falando – dividido entre o PT e o PSB.

Como sempre fui um cara articulado e bem relacionado com pessoas de bem, graças a Deus, sugeri que ela pensasse direitinho mas antes a levaria para conversar com dois amigos, um do PT e outro do PSB. E quem foram esses amigo? Simples, simples: o petista Washington Oliveira, então vice-governador do Maranhão, e o na época socialista Roberto Rocha.

Depois de algumas semanas “pensando”, Pétala escolhe o PT. Está no partido até hoje e até hoje, ao que parece, é apaixonada por mim talvez por nunca ter esquecido das nossas “prosas” e otras cositas más, daí que não me esquece e ao invés de agradecer tudo o que de bom lhe proporcionei, prefere unir-se a outros trastes para me atacar.

Mas, enfim, quem quiser conhecer melhor o perfil e a personalidade da “Petys”, como gosta ser chamada, basta visitar suas redes sociais – mas não vale me xingar depois pela decepção. Rsrsrsrs.

Já o famigerado Paulo Romão, nacionalmente conhecido como “Paulinho da Fapema” em virtude do recebimento, “por fora”, de recursos dessa entidade de amparo à pesquisa no Maranhão, quando era um “faz tudo” na Vice-Governadoria, gestão Roseana Sarney/Washington Oliveira, é apenas um tolo e nunca deixará de sê-lo.

Contudo, tenho que reconhecer, “Paulinho da Fapema” melhorou um pouco a sua conturbada personalidade depois que resolveu “sair do armário” e se encontrar com o seu “eu verdadeiro”. Mas, infelizmente, ainda é um tolo, uma “coisinha”.

Esses são os traços de personalidade dos que me agridem por publicar notícias sobre o PT que chegam ao Blog do Robert Lobato por fontes e companheiros petistas qualificados e de bem.

São “dinopetistas”, na verdade “ex-sarnopetistas”, malandros de toda espécie e porra-loucas. E poderia revelar mais sobre o mau-caratismo dessa turma, mas aprendi com a minha doce vovó Deliz que: “quem tem vergonha não envergonha os outros”.

No mais, como diria Zagalo: “Vocês vão ter que me engolir!”.

PS: Peço desculpas aos leitores pela perda de tempo em dar confiança para essa turma de idiotas. Mas, não o fizesse, não seria o velho e bom Robert Lobato.

‘Redes serão campo de batalha nas eleições’, diz pesquisador

Para Ruediger, presença do Estado no monitoramento dos robôs é essencial Foto: Fabio Motta/Estadão

A tentativa de manipulação do debate público e a disseminação de notícias falsas – fake news – nas redes sociais são fenômenos que atingirão escala jamais vista nas eleições de 2018 no Brasil e devem ser monitorados pelo Estado, segundo o pesquisador Marco Aurélio Ruediger.

Responsável pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV-DAPP) e coordenador da pesquisa Robôs, Redes Sociais e Política no Brasil, Ruediger afirma que as redes sociais serão um campo de batalha e os robôs – programas usados para multiplicar mensagens na internet – terão presença significativa na discussão eleitoral.

Na pesquisa, ele verificou seis momentos-chave na política brasileira – como o primeiro turno das eleições de 2014 e a aprovação da reforma trabalhista no Senado – e constatou que a cada quatro segundos um robô enviou uma mensagem nas redes sociais.

Qual é a conclusão do estudo?

A conclusão é de que os robôs não são uma coisa episódica na política brasileira. Não é uma possibilidade, é uma certeza que acontecerá no próximo ano. Em função do que aconteceu no País nos quatro últimos anos, serão as eleições mais importantes das últimas décadas. As redes sociais serão um campo real de batalha e os robôs terão uma presença significativa. Isso deve ser monitorado.

Por que é importante mapear esses mecanismos?

A primeira importância é o quanto se consegue distorcer opiniões e orientar debates para além do que seria o espírito cívico e republicano. Ou seja: a construção de agendas e a deformação dos debates sobre essas agendas dentro desses meios. A outra é: quem no País se utiliza mais disso ou quem se favorece desses robôs? E fora do País? Existem robôs que favorecem agendas que interessam à política brasileira? As respostas são extremamente importantes.

Qual o peso que as redes sociais terão na próxima eleição?

Não tenho dúvida de que será muito maior. Mais pessoas utilizam redes sociais do que há quatro anos. As campanhas de rua ficaram muito caras e com poucos financiadores. Então, as redes se tornam atraentes porque o custo, em geral, é mais baixo. O problema é que será um “tiroteio” de vários lados, porque é frequente o uso das mídias sociais para deformar o debate público e todos os campos ideológicos usam esse tipo de instrumento. É disseminado no mundo da política e agora vai ser potencializado.

TSE, Ministério da Defesa e Abin traçam ações para barrar fake news. Como vê a iniciativa?

É necessário que o Estado brasileiro entenda que o monitoramento se tornará uma ação necessária e constante. Em algum momento, terá de haver uma regulação, uma construção legal mais avançada e, claro, que respeite o Marco Civil da Internet. Não se pode achar que só aconteceu na eleição. Essa hipótese nós já derrubamos. É o tempo inteiro e não é só na política, mas também na economia.

(As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)

Meu filho fuma maconha e se autoflagela. O que faço?

Meu filho necessita ser avaliado por um time de especialistas

Danilo Baltieri, via Vya Estelar

Meu filho necessita ser avaliado por um time de especialistas

Depoimento de uma leitora:

“Olá! O que fazer quando seu filho é usuário de maconha e sente cólicas abdominais que o levam a se autoflagelar? Nenhum médico conseguiu encontrar a raiz das dores. Pesquisando encontrei uma síndrome chamada Cannabis Hyperemesis, alguém pode me ajudar por favor?”

Resposta: As ações da maconha (?9 – tetrahydrocannabinol; THC) não se restringem ao cérebro, mas também atingem muitos outros sistemas orgânicos. No sistema gastrintestinal, por exemplo, as atividades da maconha parecem ser mediadas por um grupo de receptores endógenos para canabinoides, conhecido como CB1.

A ação do THC sobre estes receptores pode gerar retardo no esvaziamento gástrico, redução da secreção de ácido clorídrico, dor visceral, inflamação de partes do trato gastrintestinal e dificuldades para o relaxamento do esfíncter esofágico. Apesar deste efeito periférico – retardo do esvaziamento gástrico – poder, por si só, provocar náuseas e vômitos, este não é um sintoma comumente referido pelos usuários desta substância psicoativa. Isso se deve ao fato do THC também ter propriedades antieméticas (contra vômitos, náuseas, enjoos), oriundas da sua ação direta no próprio cérebro e estas atividades centrais inibidoras de náuseas e vômitos geralmente suplantam as ações periféricas.

A chamada Síndrome da Hiperemese Canábica foi descrita recentemente, no ano de 2004. Tipicamente, os portadores são jovens e apresentam história de consumo crônico de maconha. Na grande parte dos casos reportados na literatura, o quadro deu início após anos (3 a 15 anos) de uso da substância psicoativa e envolvendo sujeitos que faziam uso diário ou muito frequente da droga.

Critérios diagnósticos têm sido propostos para a Síndrome de Hiperemese Canábica, tais como:

a) consumo de THC por longo prazo;

b) náuseas e vômitos intermitentes e intensos;

c) redução significativa dos sintomas, quando o consumo de THC é interrompido;

d) busca frequente por pronto-socorros para obter o alívio do desconforto abdominal;

e) dor abdominal importante;

f) os sintomas são aliviados com banhos quentes;

g) os sintomas são mais frequentes pela manhã;

h) falta de antecedentes pessoais de problemas intestinais.

Alguns autores têm, também, dividido esta síndrome em três fases:

a) Fase Prodrômica ou Pré-Emética: nesta fase, o usuário de maconha acorda de manhã com leve sensação de náusea, tem medo de vomitar e reporta leve desconforto abdominal. Mesmo assim, seu padrão alimentar não tende a se modificar e o consumo da droga pode até mesmo aumentar, visto que o sujeito acredita que a maconha poderá “tratar” estes sintomas;

b) Fase Emética: nesta fase, o sujeito apresenta eventos paroxísticos (eventos súbitos) de intensa náusea, vômito e dor abdominal. De fato, são eventos súbitos e intermitentes (não contínuos), mas, muitas vezes, incapacitantes uma vez que o sujeito não consegue, nesta fase, desempenhar adequadamente suas atividades rotineiras. Um comportamento bastante reportado na literatura são os repetidos banhos quentes que os sujeitos tomam, como uma forma de aliviar o desconforto. Esta fase dura entre 24 e 48 horas, mas a recaída é elevada caso o sujeito mantenha o consumo de maconha;

c) Fase de recuperação: após a fase acima, o sujeito pode não sentir os sintomas gastrintestinais por semanas ou meses. Nesta fase, comumente, o sujeito volta a ganhar peso, mas, infelizmente, costuma retornar ao uso da maconha, acreditando, de fato, na sua inocuidade.

Na verdade, indivíduos que apresentam esta síndrome somente são corretamente diagnosticados após meses ou anos de investigação médica. Os sintomas da síndrome podem ser oriundos de diferentes doenças; logo, as investigações clínicas e laboratoriais realmente se impõem.

Um quadro clínico bastante similar à Síndrome da Hiperemese Canábica é a chamada Síndrome do Vômito Cíclico. Embora os sintomas sejam extremamente parecidos, na Síndrome do Vômito Cíclico, a coexistência de enxaquecas, sintomas depressivos e ansiosos é mais evidente. Além disso, o esvaziamento gástrico não costuma ser retardado.

O tratamento para esta condição combina ações clínicas e psiquiátricas. Naturalmente, na fase emética, dada a possibilidade de importante desidratação e desequilíbrio hidroeletrolítico, o sujeito precisa de atenção hospitalar. Algumas medicações de ação central podem ser aventadas nesta situação.

De qualquer forma, havendo a certeza, além de uma dúvida razoável, do diagnóstico da Síndrome de Hiperemese Canábica, é imprescindível que o portador cesse o consumo de maconha. Deixe-me repetir: o sujeito deve CESSAR o uso da maconha.

Comumente, nestes casos, existe grande dificuldade para o portador deixar de consumir THC. Assim, um tratamento psiquiátrico especializado deve compor o plano terapêutico.

É difícil, com apenas este relato, definir se de fato seu filho padece da Síndrome da Hiperemese Canábica, mesmo porque existe na sua pergunta uma palavra chamada “flagelo.” É fundamental que o médico psiquiatra que estiver acompanhando seu filho saiba exatamente ao que você está se referindo com esta palavra.

Boa sorte e não perca tempo! Seguramente, seu filho necessitará ser avaliado por um time de especialistas, incluindo psiquiatra e clínico especializado em doenças gastrintestinais (gastroenterologista).