Site de estudantes arrecada doações para crianças em tratamento

Plataforma “Somos Todos Heróis”, criada por alunos da USP, faz do financiamento coletivo um projeto social

Da esquerda para a direita, a equipe do Somos Todos Heróis: Marco Schaefer, Igor Marinelli e Fuad Schiavon (Crédito: Divulgação)

Raphael Concli/Jornal da USP, via Vida Simples

Com menos de um ano, Ana Clara sofreu um grave acidente de carro. Perdeu a mãe, um tio e sofreu uma grave lesão medular. Hoje ela luta para se recuperar. Além de roupas e alimentos, Ana precisa ser transferida da Santa Casa de São Carlos para outro hospital, onde possa responder melhor aos tratamentos. Ela é uma das crianças heroínas que foram atendidas pelo projeto social Somos Todos Heróis, um site de financiamento coletivo voltado a arrecadar doações para quem precisa de ajuda: seja um tratamento médico, a realização de uma cirurgia, auxílio para compra de alimentos ou materiais escolares.

Cada doação simboliza o envio de um acessório para fortalecer a criança e torná-la uma heroína ou herói. Cintos, varinhas, escudos, visão de raio laser, capas e anéis mágicos fazem parte do arsenal que pode “equipar” as crianças. Criado em 2016, o site não tem fins lucrativos e todos os valores doados são depositados via PagSeguro diretamente na conta dos responsáveis pela criança.

Linguagem atrativa

A ideia e implementação do site vem de Matheus Marchiori, aluno da Faculdade de Direito (FD) da USP, e de Igor Marinelli, estudante de Engenharia da Computação, curso oferecido em parceria pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). Amigos desde o ensino médio, ambos decidiram iniciar o Somos Todos Heróis a partir da insatisfação com outros projetos sociais de que participavam, em especial por conta da falta de doações para crianças ou instituições carentes.

A temática de super-heróis mostrou-se uma forma de alcançar diversas idades. Como conta Igor, é algo que “mexe com muitas lembranças dos adultos e, ao mesmo tempo, inspira as crianças a pensarem em ações socialmente responsáveis desde pequenas”. Em seus dez meses de existência, o site já possibilitou que cinco missões fossem cumpridas, incluindo a de Ana Clara.

A montagem das missões é feita por Igor, que vai à casa das crianças averiguar a solicitação de campanhas, procura novas crianças e faz o contato com famílias e instituições. Além dele, a equipe conta hoje com mais duas pessoas ativas: Fuad Schiavon, que cuida do design do site, e Marco Schaefer, programador e desenvolvedor, ambos também alunos de Engenharia da Computação em São Carlos. Matheus Marchiori compõe atualmente o conselho jurídico do projeto. E o time está aberto a quem quiser ajudar.

E agora, quem irá nos defender

O desenvolvimento da plataforma levou cerca de seis meses. Ainda que tenha um custo de manutenção baixo, o site conta com uma parceria com a empresa HomeHost do Rio de Janeiro, que lhe garante a hospedagem sem despesas. Porém, quando é feita uma campanha pela página do Facebook do projeto para incentivar a doação, os gastos com publicidade saem do bolso da equipe.

O site também deve receber novidades em breve. A equipe trabalha agora para gamificar mais a plataforma a fim de torná-la mais atrativa. Um sistema de conquistas está em desenvolvimento, no qual os usuários poderão subir de nível a partir de suas ações e doações e obter prêmios, como camisetas do Somos Todos Heróis.

Espiritualidade contemporânea

Nutro uma desconfiança profunda pela idolatria da vida como prosperidade eterna

Luiz Felipe Pondé

A espiritualidade está na moda. Muita gente diz que tem espiritualidade mas não tem religião. Com isso quer dizer que é legal, não é materialista, mas nada tem a ver com as barbaridades cometidas pelo cristianismo. Se tiver grana, será uma budista light. Aquele tipo de budista que frequenta templo de fim de semana e paga R$ 100 reais para lavar o chão a fim de sentir a dimensão espiritual do trabalho físico.

Poderia lavar de graça o banheiro da própria casa, mas esse banheiro não teria o mesmo valor do banheiro do mosteiro chique. Trata-se de um day temple e não day spa. Não vou entrar na questão técnica e histórica da relação entre espiritualidade e religião. Mas, sim, é possível uma pessoa cultivar uma busca de sentido na vida para além da banalidade das demandas e rotinas do cotidiano, estando ou não vinculada a alguma tradição religiosa.

O centro da busca é o reconhecimento de tensões nessa rotina que nos fazem sentir um esvaziamento de significado desta mesma rotina, sem necessariamente depender diretamente de conteúdos advindos das tradições religiosas à mão.

Mas um fato é necessário reconhecer, antes de tudo: as formas mais consistentes de busca espiritual estão associadas a temas concretos da vida e não a ET, Jedis, Thor ou bruxinhas de fim de semana.

A espiritualidade nasce da percepção de mal-estar da condição humana e da tentativa de lidar (ou superar esse mal-estar) e não apenas do deslumbramento com a série “Vikings”. Essa busca se iniciou no alto paleolítico quando o Sapiens começou a perceber que havia algo de “errado” em sua condição (sofrimento, insegurança, morte, violência e por aí vai).

Em termos contemporâneos, acho que três tópicos, entre outros possíveis, se prestam a uma inquietação espiritual. Um diretamente ligado ao mundo corporativo, mas que o transcende, outro ao avanço da longevidade, e outro mais derivado do impacto do avanço da inteligência artificial.

As grandes tradições espirituais sempre falaram de sofrimentos reais e não de modas culturais, como no caso que descrevi acima (day temple, Jedis, ET e semelhantes). Um dos temas contemporâneos mais avassaladores é a obrigação de ter sucesso e prosperar. Nesse contexto, repousar é justificado, apenas, se o repouso for causa de maior avanço.

A pessoa é chamada a ver a si mesma e a sua vida como um recurso a ser explorado e transformado em ganho de alguma espécie. Formas variadas de “coaching” apressados, assim como workshops de fim de semana “ensinam” as pessoas que timidez é pecado, insegurança é “justamente” punida com fracasso financeiro, recusa de escolher o que é “novo” é uma nova forma de doença mental.

Nesse contexto de produtividade opressiva, formas falsas de espiritualidade associadas ao mundo corporativo ou do trabalho crescem como um discurso que daria ao imperativo do trabalhar 24 horas por dia (24/7, como dizem os americanos) uma aura de movimento quântico em direção ao sucesso eterno.

Por isso, qualquer espiritualidade contemporânea deve olhar de forma desconfiada para essas tentativas de associar o sucesso ao universo espiritual. Ou a ideia de que produtividade e eficácia implicam uma melhor gestão do karma.

Se a espiritualidade toca em temas “negativos”, ou seja, nas contradições que somos obrigados a enfrentar na vida, ela não poder ser infantil como essas formas de idolatria do sucesso. Nutro uma desconfiança profunda por quem, o tempo todo, vê a vida como uma empreitada para a prosperidade.

Talvez uma das maiores formas de prosperidade seja a longevidade. Produto de alto valor no mercado das utopias. Palestras de todos os tipos vendem a longevidade como algo que será, um dia, vendido nas prateleiras do free shop. A ideia é de que a morte será eliminada ou adiada 500 anos.

Do ponto de vista espiritual, sendo a morte um dos temas que mais despertam indagações, a (quase) eliminação dela, ou a transformação dela em “opção”, traria elementos muito significativos para as inquietações humanas. Por que optar por virar pó (morrer) quando você poderia viver pra sempre? É bom mesmo estar consciente de si para a eternidade ou por 500 anos? Temo que não. A primeira reação minha seria uma profunda melancolia e tédio.

Outro tópico avassalador é a entrada da inteligência artificial no universo humano. Aqui a experiência mais assustadora será a da humilhação cognitiva que vamos experimentar. A humilhação sempre foi um alimento espiritual poderoso.

Luiz Felipe Pondé
Escritor e ensaísta, autor de “Dez Mandamentos” e
“Marketing Existencial”. É doutor em filosofia pela USP

ESPAÇO FEMININO: História em quadrinhos conta como a vagina virou um tabu na sociedade 2

A relação da humanidade com a genitália feminina é revisitada nos quadrinhos de Liv Strömquist.

Por que a genitália feminina é um assunto tão tabu? É essa pergunta que a cartunista Liv Strömsquist tenta responder no livro “A Origem do Mundo: uma história cultural da vagina ou da vulva vs. o patriarcado” (ed. Quadrinhos na Cia, R$ 69,90). Usando a linguagem dos quadrinhos, com muita ironia, bom humor e uma extensa pesquisa histórica, ela reconta como a relação da humanidade com a vagina e a vulva mudou ao longo dos tempos.

Lendo os quadrinhos, é possível saber sobre sociedades antigas que adoravam vaginas e como alguns cientistas que, segundo Liv, “que se interessaram um pouco demais por aquilo que se costuma chamar de ‘genitália feminina'” ajudaram a transformá-las em algo vergonhoso, um assunto sobre o qual não se fala.

É uma HQ para ler sorrindo, a cada página pensando: “nossa! Então é por isso que eu quero diminuir meus grandes lábios” ou “uau! Então foi assim que o clitóris sumiu dos livros”. E, ao final, sair com o delicioso alívio de saber que está, sim, tudo ótimo com a sua vagina – o problema é a sociedade mesmo.

POR Helena Bertho
da Universa

SANTA HELENA: Prefeitura realiza “Julho Amarelo” para prevenir os riscos de hepatites virais

A Prefeitura de Santa Helena em parceria com a secretaria de Saúde do município realizam rotineiramente ações da saúde que envolvem os profissionais da área com a população que busca os mais diversos tipos de atendimentos.
Julho Amarelho como é batizado por ser o mês de conscientização das hepatites virais, trás consigo vários serviços que estão sendo oferecidos aos helenenses.
Durante todo o dia de hoje (18) está sendo realizado na Praça da Bandeira os atendimentos de Aferição da PA, Teste de Glicemia, Testes rápidos, Palestras, Orientações de saúde bucal, consultas médicas, vacinação, atendimento Nasf e muito mais.
A dedicação que as equipes de Saúde e que o Prefeito Zezildo Almeida tem com a população de Santa Helena é um feito que por alguns anos a cidade não viu.
Dedicação, trabalho e muitas pessoas sendo atendidas, quem comparece nas ações para se prevenir, sai satisfeito e claro com a saúde em dia, o que é mais importante.
Para o Prefeito Zezildo, essas ações estabelecem na cidade um elo de confiança entre poder público e população, pois os dois unidos conseguem mudar a vida de muita gente.
Prefeitura de Santa Helena- União, Trabalho e Compromisso.

Sobre a querida Hermanna que luta pela vida. 6

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Foto Facebook pessoal com a mãe Hilda.

Via Propagando

Muitos blogs noticiaram antecipadamente a morte da jovem médica radiologia Hermana da Ilha Maranhão, que teve uma parada cardiorrespiratória dentro de seu carro no estacionamento de um hospital de São Luís, sem se quer buscar a informação correta sobre o fato.

Hermana Maranhão além de médica ( trabalha em 3 hospitais) , é formada em relações internacionais e comércio exterior em São Paulo, fala fluentemente quatro idiomas,é pianista clássica e prestava serviços filantrópicos na pediatria.

Ela é muito religiosa e jamais cometeria suicídio. Todos os boatos sobre tentativas de suicídio anteriores são falsos. Hermana é casada, tem uma filha e ama a sua família ( Pai, Mãe e irmãos). 

É desrespeitoso as pessoas se aproveitarem de um momento crítico de outras pessoas, para criarem histórias fantasiosas, boatos, notícias falsas e tudo isso  para ganharem curtidas e compartilhamentos nas redes sociais.

Conforme informações da família, Hermana nunca foi depressiva, nunca usou medicamentos para emagrecer ou similares. É extremamente comprometida com o seu trabalho e tudo que se emprenhava a fazer.

Ela está viva e luta pela vida numa UTI em São Luís. O estado é delicado sim, mas para Deus nada é impossível.

A família e os amigos pedem que as pessoas orem por ela, uma menina cheia de alegria e amor, que está passando pelo pior momento de sua vida.

O Blog se solidariza com a família e os amigos e  está firme nessa corrente de oração, para que a vontade de Deus seja feita.

Com amor.

Ricardo Fonseca – Editor.

PS: Um suicida não faz isso num estacionamento de hospital.

FALÊNCIA DA SAÚDE: Cidadão desesperado denuncia morte por falta de atendimento no Macrorregional de Imperatriz 6

Um vídeo comovente chegou ao Blog do Robert Lobato e revela a falência em que se encontra o sistema de saúde do Estado do Maranhão.

Nas imagens, um cidadão denuncia a morte de quem provavelmente seria algum ente querido seu e atribui o falecimento à negligência do Macroreegional de Imperatriz em negar atendimento ao paciente.

Mais uma caso que mostra de como o “Governo de Todos Nós” é cada vez mais um “Governo de Todos Eles”.

Confira o desespero do rapaz.

O que aprendi com o Transtorno Afetivo Bipolar

Um depoimento corajoso de quem aprendeu mais sobre si mesma após descobrir o transtorno bipolar

Luciana Candido, via Vida Simples

Este é um texto egoísta, egocêntrico, autocentrado e tudo mais que tiver a ver comigo mesma. Por quê? Porque em maio completo cinco anos sem crise. Podia parar por aqui: isso já é o suficiente para eu me dar parabéns.

Tenho Transtorno Afetivo Bipolar. Até onde lembro, comecei a apresentar os sintomas aos 17 anos. Fui diagnosticada aos 23 e, desde então, não interrompi o tratamento. Exceto quando mudei para outro estado e me vi perdida, sem médico, sem terapia… Foi justamente neste momento que tive a crise mais pesada da minha vida e que achei que não tinha mais volta.

É indescritível. Eu simplesmente não entendia porque tinha de continuar viva, sentindo aquela dor toda. Não fazia sentido: por que eu tinha de continuar vivendo se não escolhi estar no mundo? Viver era exaustivo, e eu não tinha mais forças.

Em setembro de 2012, resolvi que faria uma última tentativa. Juntei o restinho de força que me sobrara e fui buscar terapia. Nunca parei de tomar a medicação, mas faltava a parte mais importante do tratamento. O problema é que não havia encontrado ninguém até então e não tinha forças para buscar ajuda.

Em setembro de 2012, arrastei-me até uma clínica e tive minha primeira sessão com a minha atual terapeuta. Dá para deduzir que os parabéns são para ela também. Foi difícil. Eu só queria um anestésico qualquer que tirasse rápido aquela dor que começava a ultrapassar o limite do humanamente suportável. Estava muito cansada, e sabia que não ia conseguir carregar aquilo por muito tempo mais. E fui levando.

No dia 13 de abril de 2013, um episódio – que de importante, hoje, só guarda o fato de ter me empurrado para fora do poço – me fez dizer chega. Foi o meu gatilho do bem. Eu vinha dando passos desde setembro, mas ainda não havia virado a chave. Precisava olhar para mim mesma e assumir o controle de tudo aquilo. Esse “tudo aquilo” era a minha vida.

Isso quer dizer que desde então tudo foi fácil e bonito? De jeito nenhum.

Menos de um ano depois, tive de passar por uma das experiências mais doloridas que já tive fora das crises: o luto de uma separação. No entanto, também tive umas das minhas melhores férias antes disso, viajei de carro até o Uruguai, me diverti muito, retornei à vida social saudável, vivi um dos momentos mais importantes da história do país, em junho de 2013, entre tantas outras coisas.

Houve momentos em que a depressão bateu à porta. As recaídas nos dão alertas, e o mais incrível foi conseguir identificar antes que a crise entrasse. As crises não têm motivos, elas têm apenas gatilhos. Quando sentia que estava rondando, dava um tempo a mim mesma, não batia de frente com a doença. Em dois ou três momentos mais críticos, precisei de licença médica. Dormia um dia inteiro, chorava, me jogava no sofá e marcava hora para levantar. E todas as vezes eu levantei. Foi bem difícil, mas valorizo cada vez que consegui sentar na cama, escovar os dentes, comer.

Mas a vida não é só depressão. Tem a mania. Tenho dificuldades para falar sobre essa parte, não sei se por constrangimento, ou por amnésia alcoólica, ou pelas duas coisas misturadas. A depressão é aquela coisa: você sofre muito, normalmente sozinho. Na mania, a gente faz coisas que depois tem vontade de morrer, mas não é de depressão, é de vergonha mesmo.

Teve muitos porres, coisas que eu disse e fiz bêbada que eu queria que tivesse um shift + del da vida. Dias sem comer, dias comendo até as paredes, compromissos assumidos não cumpridos, tagarelice, acordar de madrugada para correr, projetos mirabolantes e tantas coisas que nem lembro. Devo ter a maior coleção autoral de músicas de um verso só, livros de uma página, desenhos incompletos.

Às vezes, acordava meio Carmen Miranda: “e o mundo não se acabou!” Eu sabia que depois disso o carrinho ia descer a ladeira. Então, em vez de dizer “nunca mais faço isso”, assumia as sandices. Pedi desculpas muitas vezes, aprendi a dizer não e quase quebrei o cartão de crédito. Também aprendi algumas técnicas de investigação tentando saber o que tinha acontecido na noite anterior.

E, sem saber, eu estive com a medicação errada durante a maior parte destes cinco anos.

Tudo isso foi episódico. Não cheguei nem perto do inferno que eu já tinha experimentado.

Em outubro, mudei de psiquiatra e acertamos a medicação. Recentemente, parei de beber. Não totalmente, nem quero, mas cortei as fugas e agora bebo muito pouco. Bom, as fugas eram quase tudo. Não tenho dinheiro. Engordei. Tenho ficado muito tempo sozinha. Minha coluna está arrebentada. O remédio me dá tremores e borra a visão.

Isso tudo se torna fácil quando lembro o que deixei para trás. Não acho que estou curada. Não tem cura. Não há nenhuma garantia de que eu não vá ter uma crise no futuro, mas faço o que posso para mantê-la lá fora. Estou estudando coisas que há tempos queria e não conseguia. Estou aprendendo outro idioma. Pratico atividade física e tomo muita água.

Estou leve e feliz.

É. Acho que estou indo bem. Não sou exemplo de nada para ninguém nem pretendo ser. Sou apenas um espécime, uma amostra, num universo imenso de pessoas como eu, de que é possível não só controlar a doença, mas viver.

Hoje me questiono sobre o que define o equilíbrio. Pessoas sem transtornos são sempre equilibradas? Pessoas com transtornos, como eu, não podem desequilibrar nunca sem que isso seja associado à doença? O que é equilíbrio? É estável? Instável? Indiferente? Como disse o Trovador Solitário, “consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade”.*

Há pessoas maravilhosas ao meu redor que são importantíssimas nessa trajetória e têm um lugar especial na minha vida. Não esqueci e nunca vou esquecer. Só achei importante dar uma olhada para mim e para o que eu fiz, porque eu não quero nunca esquecer que eu tenho o controle da minha vida, aconteça o que acontecer, esteja eu com quem estiver.

*Legião Urbana, Sereníssima

Contra suicídios, a importância do apoio social e do cuidado com a saúde da mente 2

Paula Adamo Idoeta
Da BBC News Brasil em São Paulo

Depressão e transtornos mentais estão fortemente associados ao suicídio; no Brasil, há mais de 11 mil casos por ano, segundo Ministério da Saúde.

Nana Calimeris até hoje se vê diante de momentos em que fica mais retraída e isolada, suscetível a sensações de grande desilusão – e a pensamentos de suicídio.

Aos 43 anos, a escritora enfrenta a depressão e a ansiedade desde a adolescência, época em que começou a desenvolver “uma vontade muito grande de morrer”.

“Me sentia uma pessoa horrível. A sensação era a de que eu estava respirando o ar que deveria ser de outro ser humano.”

Casos recentes de grande repercussão de suicídio em colégios e universidades, bem como a morte de celebridades como o chef e apresentador Anthony Boudain e a designer Kate Spade – ambos no auge de suas vidas profissionais -, evidenciam a importância em falar sobre o tema e diminuir o estigma em torno da saúde mental.

Os números também são alarmantes: a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo, totalizando quase 800 mil mortes por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde.

No Brasil, segundo o mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, são mais de 11 mil suicídios por ano, e alguns especialistas temem que haja uma subnotificação de casos.

Não é possível saber o que está por trás de cada uma dessas histórias, uma vez que o suicídio é multicausal, ou seja, não há um único fator ou culpado.

Mas especialistas apontam que, em grande parte dos casos, há um histórico de transtornos mentais, diagnosticados ou não: depressão, ansiedade, esquizofrenia, bipolaridade, borderline (de comportamento impulsivo e compulsivo), entre outros.

“Não é possível reduzir o suicídio a uma única causa, mas a depressão causa uma disfunção dos neurotransmissores do cérebro. É parte de um conjunto de fatores psicológicos, culturais, físicos e bioquímicos”, diz à BBC News Brasil Daniel Martins de Barros, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq-HC), em São Paulo.

Nana Calimeris até hoje se vê diante de momentos em que fica mais retraída e isolada, suscetível a sensações de grande desilusão – e a pensamentos de suicídio.

Aos 43 anos, a escritora enfrenta a depressão e a ansiedade desde a adolescência, época em que começou a desenvolver “uma vontade muito grande de morrer”.

“Me sentia uma pessoa horrível. A sensação era a de que eu estava respirando o ar que deveria ser de outro ser humano.”

Casos recentes de grande repercussão de suicídio em colégios e universidades, bem como a morte de celebridades como o chef e apresentador Anthony Boudain e a designer Kate Spade – ambos no auge de suas vidas profissionais -, evidenciam a importância em falar sobre o tema e diminuir o estigma em torno da saúde mental.

Os números também são alarmantes: a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio no mundo, totalizando quase 800 mil mortes por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde.

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No Brasil, segundo o mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, são mais de 11 mil suicídios por ano, e alguns especialistas temem que haja uma subnotificação de casos.

Não é possível saber o que está por trás de cada uma dessas histórias, uma vez que o suicídio é multicausal, ou seja, não há um único fator ou culpado.

Mas especialistas apontam que, em grande parte dos casos, há um histórico de transtornos mentais, diagnosticados ou não: depressão, ansiedade, esquizofrenia, bipolaridade, borderline (de comportamento impulsivo e compulsivo), entre outros.

“Não é possível reduzir o suicídio a uma única causa, mas a depressão causa uma disfunção dos neurotransmissores do cérebro. É parte de um conjunto de fatores psicológicos, culturais, físicos e bioquímicos”, diz à BBC News Brasil Daniel Martins de Barros, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq-HC), em São Paulo.

‘Guardiões da vida’
Um apoio crucial para Nana vem do filho de 18 anos, que aprendeu a distinguir os momentos em que a saúde da mãe não está bem.

“Ele vê quando eu começo a me isolar, quando deixo de sair, e me alerta”, conta Nana.

Da mesma forma, pessoas atentas a sinais de isolamento de quem está ao seu redor podem ajudar na prevenção ao suicídio, explica Souza, do Pravida.

Ele tem ajudado na formação de “guardiões da vida” em escolas, instituições públicas e empresas cearenses.

“Trata-se de um grupo atento e treinado para identificar pessoas que estejam faltando, se isolando, chorando. E que se perguntem: ‘será que que ela está deprimida? Vou falar com ela'”, diz o psiquiatra.

“É preciso ter esses guardiões também dentro da família, que percebam quando é hora de conversar, de levar (o parente) para uma avaliação médica, para que dê tempo de tratá-lo.”

Os sinais a prestar mais atenção são, segundo Souza e Barros:

– Mudanças de comportamento e perda de interesse pelas coisas de que a pessoa gostava;

– Crises de choro, ideias pessimistas e de nulidade;

– Comportamentos compulsivos ao extremo;

– Pessoas que perderam alguém de que tenham grande dependência emocional;

– Pessoas que já tenham histórico familiar de depressão e suicídio.

Casos assim têm de ser “avaliados imediatamente”, adverte Souza. Mas como distinguir tristezas passageiras de casos de alta gravidade?

“Na dúvida, considere aquela pessoa em perigo”, opina o psiquiatra. “Pode ser uma tristeza, pode não ser. É bom buscar uma avaliação de um especialista em saúde mental. É melhor ter certeza, porque não podemos arriscar aquilo que não podemos (nos dar ao luxo de) perder.”

Rede de proteção social
Ao longo do tratamento, as redes de apoio social têm um papel fundamental para pessoas com doenças mentais.

“Tenho amigos que são imprescindíveis”, relata Nana. “Fez toda a diferença para mim ter um amigo virtual com quem eu falava por Skype em momentos difíceis. Ele me ouvia mesmo quando eu me repetia; ele lia os textos que eu escrevia. São pequenas coisas que fazem muita diferença.”

Nesses momentos, o que um amigo deve ou não dizer?

Para Nana, os amigos ajudam ao serem genuinamente presentes.

“É querer saber de verdade como você está, e não apenas querer ouvir um ‘estou bem’. É dizer ‘estou aqui’. Tenho um amigo que me traz uma lembrancinha sempre que viaja, e é algo que me toca profundamente”, diz.

“O que não ajuda, nos momentos de depressão, é dizer ‘vamos sair, vamos tomar um sol’. Não adianta. A gente não falaria isso para alguém doente de câncer, então não adianta falar para alguém doente de depressão.”

A escritora e psicanalista Paula Fontenelle, autora de Suicídio: O Futuro Interrompido – Guia para Sobreviventes, acha que devemos evitar meias palavras se estivermos preocupados com um amigo deprimido.

“Uma amiga me telefonou certa vez, e notei que ela estava ligando para se despedir de mim. Perguntei sem rodeios se ela estava pensando em tirar a própria vida. Ela desatou a chorar e contou que sim, que já havia planejado tudo”, diz Fontenelle, que acabou conseguindo que a amiga buscasse tratamento, no qual está até hoje.

“É preciso ser direto e ouvir sem julgamento, porque não tem certo ou errado nessas horas. O que a pessoa quer é acabar com a própria dor, não necessariamente morrer. E como a dor é muito grande e muita gente não tem com quem conversar, se você abre a porta para um diálogo, já está ajudando muito.”

Abuso de substâncias químicas é um fator de risco para o suicídio – mesmo a maconha, percebida como inócua, pode favorecer a depressão e a esquizofrenia.

Na juventude, drogas e excessos digitais
Mundialmente, o suicídio já é a segunda maior causa de mortes de jovens entre 15 e 29 anos. E, no Brasil, pesquisas indicam que a morte autoinfligida de crianças de 10 a 14 anos aumentou 65% entre 2000 e 2015.

É preciso lembrar que o cérebro juvenil está exposto a um desequilíbrio no amadurecimento: o hipocampo e a amígdala, regiões cerebrais responsáveis pelos sentimentos e pelo armazenamento de emoções, amadurecem mais rapidamente que o córtex pré-frontal, responsável pela regulação emocional e de impulsos. Essa disparidade dura até os 25 anos de idade.

“Temos de ensinar isso aos mais jovens: o seu cérebro ainda está sendo gestado”, opina Souza, do Pravida. “Quanto mais saudável o cérebro, menos vulnerável ele estará à depressão e ao suicídio. E por isso é tão importante evitar álcool e drogas. Há uma percepção de que a maconha é inócua, mas ela favorece a depressão, a esquizofrenia e o suicídio.”

Essa faixa etária enfrenta ainda outro desafio moderno: a excessiva valorização da vida digital em detrimento das relações presenciais.

“Existe um desequilíbrio grande e uma ausência de espaços para desabafar e conversar, em vez de apenas olhar a ‘revista digital’ do Instagram, onde você não vê quem está mal ou sofrendo, porque essas pessoas estão sozinhas em seus quartos”, diz o psiquiatra.

Proteção e diagnóstico
Por fim, Souza destaca o papel das políticas públicas de prevenção, algo que passa por diminuir o tabu em torno das doenças mentais e aumentar a proteção em edifícios e espaços públicos e privados – por exemplo, grades em pontes e estações de metrô, redes protetoras em varandas públicas ou ao redor de escadarias.

“Há quem diga, ‘ah, mas quem quer se matar vai encontrar um modo’. Mas como o suicídio tem um componente muito forte de impulsividade, a dificuldade de acesso já vai ter um impacto”, opina Souza.

O Ministério da Saúde tem uma “agenda estratégica” de combate ao mal, com a meta de reduzir em 10% a mortalidade por suicídio até 2020 por meio de “ampliação da vigilância, prevenção e atenção integral”, mas Souza opina que são necessárias campanhas de saúde pública mais amplas, a exemplo do que é feito com doenças infecciosas.

“O Brasil tem campanhas sistemáticas contra a dengue, que matou 200 pessoas no ano passado. Pelo suicídio morreram quase 12 mil”, compara.

Do ponto de vista clínico, ele defende um prontuário único para pacientes do SUS, que permitisse acompanhar o histórico de saúde mental de pacientes e a dosagem de medicamentos receitados – evitando algo comum, que é um paciente obter o mesmo medicamento tarja preta de vários médicos e acabar tendo em mãos uma dose potencialmente mortal.

E ele ressalta que é possível, sim, tratar a depressão e a intenção suicida. “Não nos deixemos levar pelo ‘não tem jeito’. Tem tratamento sim, e é eficaz”, diz.

Nana Calimeris se diz um exemplo disso. Nos últimos anos ela passou a se dedicar à carreira de escritora, e seu livro A Biblioteca de Alexandria tem como personagem principal uma jovem que convive com a depressão.

“E pensar que eu estava disposta a ir embora sem ter realizado esse sonho de ser escritora”, pondera. “Por isso acho que é preciso sempre falar em prevenção. As pessoas julgam: ‘mas essa pessoa tinha tudo; por que ela se matou?’. Vai ver que ela se matou porque não deu conta. O suicídio existe e precisamos falar a respeito.”

* O Centro de Valorização da Vida (CVV) dá apoio emocional e preventivo ao suicídio. Se você está em busca de ajuda, ligue para 188 (número gratuito) ou acesse www.cvv.org.br. (Até 30 de junho de 2018, o CVV atende pessoas de Maranhão, Bahia, Pará e Paraná no número 141; após essa data, o atendimento ao país inteiro migrará para o 188.)

COMUNIDADES INDÍGENAS: Waldir Maranhão cumpre agenda no Ministério da Saúde 2

A agenda faz parte do desdobramento da vista que Waldir Maranhão fez, no último domingo, 17, em Barra do Corda, quando integrou a comitiva liderada pelo senador e pré-candidato a governador Roberto Rocha

Dep. Waldir Maranhão foi recebido pelo secretário especial da Saúde Indígena Marco Toccolini.

O deputado federal Waldir Maranhão (PSDB) cumpriu na manhã desta quarta-feira, 20, agenda na Secretaria de Saúde Indígena, órgão do Ministério da Saúde, em Brasilia.

O parlamentar tucano foi recebido pelo secretário especial de Saúde Indígena, senhor Marco Antônio Toccolini.

Na pauta, as demandas que estão tramitando no Ministério em benefícios das comunidades indígenas no estado do Maranhão.

Essa agenda faz parte do desdobramento da vista que Waldir Maranhão fez, no último domingo, 17, em Barra do Corda, na companhia da comitiva liderada pelo senador e pré-candidato a governador Roberto Rocha (PSDB).

Na oportunidade, os pré-candidatos que integraram a comitiva foram recepcionados por índios de diversas comunidades.

Roberto Rocha ladeados por índios da tribo Canela.

Pelo que informou o secretário especial Marco Antônio Toccolini, estão em curso os procedimentos burocráticos para construção 8 poços em várias aldeias, sendo que dois já serão inaugurados no dia 29 deste mês: um na aldeia Pé de Galinha, em Barra do Corda, e outro na aldeia Planalto, no município de Jenipapo dos Vieiras, ambas pertencentes a tribo dos Guajajaras.

“Estamos cumprindo o nosso papel de parlamentar e vimos cobrar os compromissos dos órgãos públicos em Brasília com o estado do Maranhão. Quando da nossa passagem em Barra do Corda, no domingo passado, o nosso pré-candidato ao governo, senador Roberto Rocha, fez anúncio de várias ações a favor de municípios daquela Região, inclusive de construção de unidades habitacionais, sem falar que foi muito recebido pelas comunidades indígenas daquelas localidades. Agora temos a notícia da construção de poços em diversas aldeias, uma ótima notícia, diga-se”, comemorou Waldir Maranhão, que é pré-candidato a senador.

Ressalta-se que essas demandas no Ministério da Saúde favoráveis aos indígenas maranhenses, também conta com a atuação determinada do deputado federal Hildo Rocha (MDB).