Barragem em Brumadinho: as perguntas que ainda não foram respondidas João Fellet

Da BBC News Brasil em São Paulo

Enquanto equipes buscam sobreviventes do rompimento de uma barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG), técnicos começam a se debruçar sobre as causas da tragédia.

Lama que jorrou após rompimento da barragem em Brumadinho (MG) já chegou ao rio Paraopeba

Até a noite de sexta-feira, nove pessoas haviam morrido e mais de 300 estavam desaparecidas após a Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão desabar, provocando uma avalanche de lama que engoliu edificações da Vale e atingiu casas na vizinhança.

O juiz do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) Renan Chaves Carreira Machado, a pedido da Advocacia Geral do Estado (AGE), determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão das contas da empresa Vale, após o rompimento da barragem. O valor deve ser disponibilizado em uma conta judicial.

A medida, proposta pelo Estado de Minas Gerais e decidida pela Justiça em caráter liminar, busca oferecer “imediato e efetivo amparo às vítimas e redução das consequências (…) e na redução do prejuízo ambiental”.A decisão determina, ainda, que a empresa apresente, em até 48 horas, “um relatório sobre as ações de amparo às vítimas, adote medidas para evitar a contaminação de nascentes hidrográficas, faça um planejamento de recomposição da área afetada e elabore, de imediato, um plano de controle contra a proliferação de pragas e vetores de doenças diversas”.

A BBC News Brasil ouviu três integrantes de organizações que monitoram a mineração na região e acompanham os desdobramentos do acidente.

Elas listaram perguntas que ainda não foram respondidas pela empresa e por autoridades – e cujas respostas ajudarão a compreender os motivos do desastre e a medir seus impactos.

Por que o sistema de alarme não funcionou?

Segundo Maria Júlia Andrade, que integra o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), moradores de áreas vizinhas à barragem disseram que o sistema de alarme não funcionou no momento do acidente.

A Vale promoveu um treinamento com os moradores da região para casos de acidente, orientando-os sobre como agir e para onde fugir caso ouvissem o alarme. Porém, segundo Andrade, nenhuma sirene foi acionada após o acidente. “É a sirene que desencadeia todos os protocolos de segurança. Se ela não toca, não há protocolo.”

Em entrevista coletiva na sexta, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, disse que o acidente pode ter ocorrido muito bruscamente, sem que o alarme pudesse surtir efeitos.

Outras barragens foram afetadas pelo rompimento?

Após o acidente, bombeiros disseram à imprensa que o rompimento da barragem havia danificado outras duas barragens do mesmo complexo de mineração.

Já o presidente da Vale afirmou que uma única barragem se rompeu e que uma segunda barragem havia transbordado, mas estava com a estrutura intacta.

Representante do Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, Katia Visentainer diz que, caso outras barragens tenham sido danificadas, o volume de rejeitos poderá ser ainda maior.

Segundo a Vale, a barragem que rompeu tinha um volume de cerca de 11,7 milhões de metros cúbicos. Em comparação, no acidente da Samarco em Mariana, foram liberados 34 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

Não se sabe quais os volumes das outras duas barragens do complexo em Brumadinho.

Até onde a lama chegará?

O presidente da Vale disse que o impacto ambiental do acidente em Brumadinho será menor do que o de Mariana, quando uma avalanche de lama percorreu 633 km de cursos d’água, atingindo 39 municípios em dois Estados – o maior desastre ambiental da história do Brasil.

A lama do desastre em Brumadinho já chegou ao rio Paraopeba, que é um afluente do São Francisco. Este, por sua vez, é o rio mais importante da região Nordeste, responsável pelo abastecimento de dezenas de milhões de pessoas.

Para chegar ao São Francisco, a lama terá de atravessar outras barragens que não estão em sua capacidade máxima e que podem diluí-la, atenuando seus impactos na bacia.

O alcance da lama também poderá ser influenciado pelo clima: caso chova forte nos próximos dias, o volume da lama despejada nos rios poderá aumentar.

Como a barragem teve sua segurança aprovada em relatórios recentes?

Segundo a Vale, a barragem rompida tinha Declarações de Condições de Estabilidade emitidas pela empresa TUV SUD em junho e setembro de 2018. A empresa diz que os documentos atestavam “a segurança física e hidráulica da barragem”.

Porém, especialistas questionam os critérios dessa aprovação. Alessandra Cardoso, assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), cita o fato de que a barragem estava sem receber rejeitos há três anos.

“É importante saber se a empresa adota o mesmo rigor de segurança em barragens que estão inativas, em processo de sedimentação.”

Para ela, quando uma mina ou barragem paralisa suas atividades, “a tendência é que a empresa dê menos atenção” aos critérios de segurança.

ACESSIBILIDADE: Quantas pessoas precisarão morrer para que os terminais de ônibus sejam restruturados?, questiona mulher com deficiência 4

“Por esse motivo, tanto a SMTT – Secretaria Municipal de Transito e Transporte, quanto a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, precisam cumprir com suas finalidades.”

O acidente aconteceu quando a vítima tentava embarcar no coletivo. (Foto: Reprodução / TV Mirante.

O título deste post é, originalmente, de um artigo assinado por Priscilla Selares, uma mulher portadora de deficiência.

Publicada na sua página pessoal no Facebook, Priscila chama atenção para a precária situação estrutural dos terminais de integração de São Luis.

Ela reporta, por exemplo, para um caso ocorrido no último dia 9 de janeiro quando um homem foi atropelado no Terminal da Praia Grande.

Trata-se do senhor Aqulies Ferreira Ribeiro, de 45 anos e deficiente físico.

“Que fique bem claro que o acidente ocorrido na última quarta-feira não guarda relação com a deficiência física da vítima. Qualquer outra pessoa, com deficiência ou não poderia ter sido vítima, uma vez que o acidente decorreu, essencialmente, da falha na conduta do motorista e na infraestrutura do Terminal”, alerta Priscila.

Confira a íntegra do texto/desabafo da palestrante e consultara Priscila Selares

Ontem, diversos noticiários locais divulgaram o acidente ocorrido no terminal da Praia Grande, o qual resultou no óbito de um homem de 45 anos, que tinha deficiência física.

De acordo com as informações divulgadas, o homem escorregou, quando tentava ingressar no coletivo, indo parar embaixo do ônibus. A queda teria ocorrido em razão do ônibus ter saído da plataforma, antes que o Sr. Aquiles tivesse subido completamente.

Esse triste acidente trouxe a tona uma antiga discussão acerca da péssima qualidade dos serviços prestados nos terminais de ônibus de São Luís e a mobilidade urbana de um modo em geral. Inicialmente, cabe esclarecer que, quando falamos em mobilidade urbana ou transporte público coletivo, não estamos falando, apenas, dos veículos que fazem o transporte mas, também, das paradas de ônibus, dos terminais e das pessoas que trabalham nesses espaços. Mais do que disponibilizar ônibus acessíveis, o Município precisa assegurar infraestrutura de qualidade e segura para os usuários do serviço de transporte, bem como treinar aqueles que prestaram esse serviço, seja como motorista, cobrador, fiscal, enfim.

E, antes que alguém alegue que o Terminal da Praia Grande é administrado por um consórcio de empresas privadas, cabe informar que a responsabilidade do Município não acaba com a concessão do serviço para o particular. O Município tem o dever de fiscalizar se as concessionárias do serviço público de transporte estão prestando o serviço de forma adequada. Por esse motivo, tanto a SMTT – Secretaria Municipal de Transito e Transporte, quanto a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, precisam cumprir com suas finalidades. Agora, paralelamente à responsabilidade do consórcio administrador daquele Terminal e do Município, no caso em tela, temos, ainda, a responsabilidade da empresa de ônibus que não qualificou seu preposto de modo a evitar que acidentes dessa natureza ocorressem. Mesmo a ausência de fiscais no Terminal, para controlar o embarque e o desembarque dos passageiros nos coletivos é um importante aspecto a ser analisado.

São diversas questões que precisam ser vistas, discutidas e corrigidas ou implementadas, porém, com toda a sua complexidade, precisam ser resolvidas urgentemente, a fim de se evitar que outras pessoas tenham suas vidas ceifadas prematuramente, por falhas na prestação do serviço público. Agora, quando falamos em prestação de serviço público de transporte, em mobilidade urbana, precisamos assegurar que ele seja para todos e não há como prestar um serviço para todos, sem se garantir a acessibilidade para pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida em todos os seus aspectos.

Entretanto, que fique bem claro que o acidente ocorrido na última quarta-feira não guarda relação com a deficiência física da vítima. Qualquer outra pessoa, com deficiência ou não poderia ter sido vítima, uma vez que o acidente decorreu, essencialmente, da falha na conduta do motorista e na infraestrutura do Terminal. Precisamos ficar atentos!

Priscilla Selares Mulher com deficiência

Allan Garcês dá uma enquadrada em Flávio Dino: “Comunista demagogo”

Uma das principais lideranças da direita no Maranhão, Allan Garcês foi nomeado recentemente para o cargo de diretor de Articulação Interfederativa da Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde.

O médico e professor Allan Garcês deu uma enquadrada legal no governador Flávio Dino (PCdoB) via rede social do Twitter.

Ao comentar uma postagem do comunista sobre o programa Mais Médico “lamentando” o saída dos profissionais cubanos do Brasil após a vitória de Jair Bolsonaro (PSL), Allan Garcês lembrou que o governo do Maranhão não tem lá muito zelo pela saúde.

“Engraçado o Governador do Maranhão fazer este post agora. Demonstra uma falsa preocupação para quem demite médicos, fecha maternidade, atrasa os salários dos funcionários da Saúde e ainda sucateou a saúde de todo Estado, típico de um comunista demagogo”, tuitou Allan.

Uma das principais lideranças da direita no Maranhão, Allan Garcês foi nomeado recentemente para o cargo de diretor de Articulação Interfederativa da Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde, cuja função principal é articular gestores municipais e estaduais do país inteiro em torno das políticas públicas para a saúde.

E, nas horas vagas, enquadra o governador comunista do Maranhão…

VÍDEO: Por que é tão difícil mudar?

Muito interessante o vídeo do doutor em Ciências em Psiquiatria e Psicologia Médica, Pedro Calabrez, sobre o poder do cérebro. É um pouco longo, mas vale a pena assistir até o final. Confira

“Quando você tem a plena consciência que cada segundo da vida é precioso, não volta e é um investimento, você começa a valorizar aquilo que há de melhor na vida e para cada um de vocês é diferente…”

Carlos Brandão sanciona Lei de Cafeteira que determina Censo para população autista no MA

A Lei é fruto de uma Audiência Pública, realizada em dezembro de 2018, e visa estabelecer normas para uma efetiva promoção de inclusão escolar para crianças com transtornos funcionais específicos.

Na última semana, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que exercia interinamente a função de governador do estado, sancionou uma proposição aprovada na Assembleia Legislativa do Maranhão, de autoria do deputado Rogério Cafeteira (DEM), que dispõe sobre a implantação do Programa Censo de Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus familiares.

O objetivo da Lei sancionada é o de identificar, mapear e cadastrar o perfil socioeconômico das pessoas com TEA e de seus familiares, para garantir uma maior eficácia na elaboração de Políticas Públicas de Saúde, Educação, Trabalho e Lazer no Maranhão.

“Recebi com muita alegria a notícia da sanção desta Lei, cujo objeto, o Censo, será um norte e um avanço muito importante na elaboração de Políticas Públicas para a população de autistas em nosso Estado. Agradeço ao vice-governador Carlos Brandão, que assinou a sanção, e ao governador Flávio Dino, pela sensibilidade, carinho e cuidado com que tratam as pessoas com deficiência no Maranhão”, destacou o parlamentar.

Como funcionará

De acordo com a Lei, a cada quatro anos, deverá ser realizado um Censo para identificação e mapeamento dos autistas e o Estado poderá dispor de mecanismos que permitam atualização dos dados, mediante um auto cadastramento.

Entre as informações que deverão constar no questionário, estão: tipos e graus de autismo, localização, grau de escolaridade, renda e profissão das pessoas com TEA e familiares, entre outros dados.

(Assecom / Dep. Rogério Cafeteira)

MARANHÃO PRESENTE: Dr. Léo Castro lança o livro “Tratamento Cirúrgico do Câncer Gastrointestinal”

Dr. Leonaldson dos Santos Castro: de Pinheiro, Maranhão para todo o mundo.

Sempre é motivo de orgulho para nós, maranhenses, quando vemos conterrâneos brilhar fora do nosso estado, enfrentando desafios e até mesmo preconceitos.

Há talentos maranhenses espalhados pelos quatro cantos do país fazendo sucesso em várias áreas, como é o caso do médico Leonaldson dos Santos Castro, ilustre baixadeiro natural da bela cidade de Pinheiro.

Um dos mais renomados médicos oncologistas do país, Dr. Léo, como é carinhosamente chamado por parentes e amigos, lançou na última sexta-feira, 11, o livro Tratamento Cirúrgico do Câncer Gastrointestinal” (edição II). A concorrida sessão de autógrafos aconteceu no auditório do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, capital.

A obra cientifico-literária, que seguramente enriquecerá ainda mais os ensinamentos medicinais, é assinada a quatro mãos com o também médico oncologista José Humberto Simões Corrêa. O evento reuniu a classe médica paulista e contou com convidados especiais de vários pontos do país.

Dr. Léo é integrante da cúpula médica do Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Rio de Janeiro. Ele também é membro de diversas instituições da medicina e detentor de vários prêmios em níveis nacional e internacional.

Dono de um carisma marcante, Dr. Léo sempre dedicou-se à profissão que escolheu ainda na adolescência, aos 16 anos de idade. Filho de ‘Dona’ Maritite (in memorian) e Seu Nadico, tendo como irmãos o advogado Donaldson Castro, o publicitário Eri Castro, o servidor Ivonaldson Castro e o saudoso Ronaldson dos Santos Castro.

Portanto, a cidade de Pinheiro e o estado do Maranhão podem sim, se orgulhar deste ilustre filho, afinal de contas, trata-se de um “produto humano tipo exportação”, cuja prescrição dispensa comentários.

Que Dr. Léo continue brilhando no mundo acadêmico e na área de medicina dentro e fora do país.

Os maranhenses, orgulhosos, agradecem.

ROBERTO ROCHA: De pai para filhos

Deixo para os leitores o emocionante artigo da lavra do senador Roberto Rocha em que faz, não apenas referência sobre a importância da relação amiga e fraterna entre irmãos, mas um justo reconhecimento ao seu filho primogênito, Roberto Rocha Júnior, pela dedicação com que passou as últimas semanas cuidando do irmão mais novo Paulo Roberto, que tem lutado pela vida como um leão.

Trata-se de uma declaração de amor de um pai para seus filhos e família. Confira.

Irmão Amigo

Uma pesquisa publicada em 2007 no Journal of Child Psychology and Psychiatry mostra que bons relacionamentos entre irmãos incluem o efeito protetor do mais velho pelo mais novo. O irmão mais velho tem uma função muito importante na família ao dar apoio a seus irmãos menores. Ou seja: sentir a necessidade de proteger seu irmãozinho ou irmãzinha é algo positivo nessa relação.

O irmão mais velho carrega uma carga maior de responsabilidade pelos pais, de acordo com uma pesquisa publicada em 2008. As expectativas sobre ele são mais elevadas, e os pais tendem a ser mais rigorosos nas cobranças. Isso reflete que o filho mais velho é visto como mais responsável e que tem uma probabilidade maior de se conformar com as adversidades.

O primogênito normalmente assume um papel natural de liderança em relação a seus irmãos menores – afinal, é ele quem normalmente manda quando os pais estão ausentes. Crescer com esse papel influencia na própria vida, de acordo com a escola Harvard Business: filhos mais velhos têm mais facilidade de assumir papéis de liderança.

Desta forma, quero dizer da minha alegria e satisfação em ver meu filho mais velho, Roberto Rocha Junior, cuidar com tanta dedicação, amor e carinho do seu irmão Paulo Roberto. Parabéns e obrigado, meu filho. Todos nós estamos muito orgulhosos de você, principalmente suas duas irmãs.

Padre Quevedo morre aos 88 anos em decorrência de problemas cardíacos

Conhecido pelo bordão ‘isso non ecziste’, colaborador do programa ‘Fantástico’ era ‘O Caçador de Enigmas’

Padre Quevedo no Centro Latino-Americano de Parapsicologia, em 2011 Foto: Ayrton Vignola/ Estadão.

Afastado da mídia desde 2011, Oscar Gonzales Quevedo Bruzan, mais conhecido como Padre Quevedo, morreu nesta quarta-feira, 9, aos 88 anos de idade. Ele vivia em Belo Horizonte, Minas Gerais, e sofria de problemas cardíacos.

A morte foi confirmada pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje), local onde o padre jesuíta espanhol morava, no bairro Planalto.

Na televisão, Padre Quevedo era o protagonista do quadro ‘O Caçador de Enigmas’, no programa Fantástico, da TV Globo. Ele desvendava mistérios e tirava a ‘máscara de charlatões’. Ao conseguir desmentir um caso, o religioso sempre dizia ‘isso non ecziste’.

CASO “JOÃO DE DEUS”: “Em meio século de trabalho com pacientes graves, nunca vi um milagre”, diz Drauzio Varella 2

Charlatães

por Drauzio Varella

Todo charlatão que se preza alega receber eflúvios energéticos do além túmulo. Em busca de alívio para os mais variados males, os crédulos vão até ele.

Basta correr o primeiro boato de que o parente do filho do amigo de algum vizinho sarou ao receber um passe para que a fama do charlatão se espalhe. Em pouco tempo, começam as romarias em sua porta.

Se o espertalhão aprendeu certos truques há mais de um século desmascarados pelos mágicos, como enfiar tesouras em narizes, raspar córneas e fazer cortes superficiais através dos quais retiram falsos tumores sem que os incautos sintam dor ou se deem conta da prestidigitação, os testemunhos de poderes extrassensoriais correm o mundo.

A credulidade humana não tem nacionalidade nem respeita fronteiras.

Ele se alimenta da insegurança do outro. Apregoa o dom de incorporar “entidades” que mobilizam energias transcendentais, capazes de restabelecer a ordem nas células do organismo enfermo.

Ninguém questiona a natureza dessa energia: cinética, térmica, potencial, atômica? Ninguém estranha por que ela não faz um tapete voar nem ferver a água de um copo.

O prestígio do charlatão é potencializado pelas personagens públicas que consegue atrair. Cada médico, juiz, presidente da República, intelectual ou artista de renome que procura seus serviços atrai publicidade e lhe confere atestado de idoneidade espiritual.

As motivações que levam gente esclarecida a ir atrás do sobrenatural são as mesmas que mobilizam a pessoa mais simplória. Credulidade é condição contagiosa, não respeita escolaridade, posição social, cultura ou talento artístico.

Trato de doentes com câncer há 50 anos. Assisti ao desapontamento de inúmeras famílias que viajaram centenas de quilômetros com seus entes queridos —muitas vezes debilitados—​ atrás da promessa de curas mágicas que jamais se concretizaram.

A vítima se aproxima do charlatão na esperança de um milagre. Poucos se conformam com a finitude da existência e aceitam as restrições impostas pelas leis da natureza: milagres não existem, são criações do imaginário humano.

Se existissem, em meio século de atividade profissional intensa com pacientes graves, eu teria visto pelo menos um, ainda que fosse uma redução ínfima nas dimensões de uma metástase. Cem por cento das chamadas curas espirituais que tive a oportunidade de avaliar não resistiram à análise racional mais elementar.

Como nem sempre estão bem definidos os limites de separação entre superstições, crendices e religião, quem ousa denunciar as artimanhas do charlatão é tido como contestador da religiosidade alheia e enfrenta a ira popular.

Duvidar da eficácia de suas ações é afrontar a palavra do “enviado de Deus” e as convicções dos fiéis. Tentar convencê-los de que são ludibriados por um malandro que lhes incute esperanças vãs é considerado sacrilégio.

Veja o caso desse cidadão autodenominado João de Deus. Durante décadas iludiu, trapaceou e cortou pessoas com instrumentos inadequados sem o menor cuidado com a esterilização.

Para retirar um ponto cirúrgico de um paciente em meu consultório, preciso de autorização explícita da Anvisa, sem a qual posso ser multado pela fiscalização caso guarde no armário uma pinça e uma tesoura cirúrgica. Tanto rigor com os médicos e permissividade covarde e conivente com esses incorporadores de espíritos.

A menos que tenha mediunidade suficiente para imobilizar vírus e bactérias, quantas infecções locais e transmissões de hepatite B e C, HIV e outras doenças esse curandeiro provocou impunemente?

A sociedade fica chocada ao saber que ele abusou de centenas de mulheres indefesas. Sinceramente, só me surpreendi com o número: esperar comportamento ético de alguém que ficou milionário explorando a boa fé de milhões de doentes é ingenuidade pueril.

Veja você, caríssima leitora, a situação humilhante da mulher no Brasil: no decorrer de 40 anos, um homem branco e poderoso se aproveita sexualmente de mulheres em situação de vulnerabilidade, sob o olhar complacente de auxiliares que com ele convivem, sem ser denunciado à polícia.

Não fossem os depoimentos apresentados no programa do Pedro Bial, quantas ainda seriam estupradas?

Que sensação de impotência, fragilidade, solidão e vergonha tantas mulheres viveram sem ter como reagir, com medo da opinião pública, acuadas pela influência religiosa e social de um criminoso desprezível.

Edição extra do Maracap terá sorteio nessa quinta-feira, 27

A Fundação Antonio Dino (Fad), instituição mantenedora do Hospital do Câncer Aldenora Bello (HCAB) e que emite o certificado de contribuição Maracap, realizará nessa quinta-feira, 27, às 13h45, o sorteio ao vivo da edição extra do seu certificado, adquirida por apenas R$ 2 reais (dois reais). A premiação é um Fiat Mobi (1.0 Fire Flex SP zero km). Terá ainda mais 30 Rodadas da Sorte de R$ 500,00 (quinhentos reais), cada.

Adquirindo o Maracap você ajuda o Hospital e ainda concorre a prêmios. Com os repasses do Maracap, que já chegam a R$ 2.25 milhões (dois milhões duzentos e cinquenta mil reais), em um ano da parceria iniciada ano passado, a Fundação realiza ações sociais em suas casas de apoio, logística de pacientes, atendimentos móveis nas comunidades e investe ainda na implantação do novo setor de radioterapia do Hospital do Câncer Aldenora Bello (HCAB). Para saber mais sobre esse trabalho, acesse: fundacaoantoniodino.org.br.

PAUTA/Contato para entrevistas

Vice-Presidente da Fundação Antonio Dino: Antonio Dino Tavares

Entrevistas/reportagens Ascom/HCAB: 98 3089 3119