DESESPERO: Palácio dos Leões dá comando para imprensa alugada jogar o cadáver de Mariano no colo de Sarney 6

A tentativa de colocar José Sarney na cena do crime que resultou na morte do ex-operador dos esquemas de corrupção na Secretária de Saúde do senhor Flávio Dino é de uma covardia sem tamanho.

Antes de forma tímida e subliminar, agora o Palácio dos Leões radicalizou e deu o comando para a imprensa alugada jogar, de forma escancarada, o cadáver do médico Mariano de Castro no colo do ex-presidente José Sarney (MDB).

Numa demonstração de mais completo desespero, os Leões criam uma narrativa psicodélica para desviar o foco da verdade sobre a morte de Mariano de Castro. O lance governista do momento é viajar na onda de um “novo Reis Pacheco”, ou seja, requentar um factoide do século passado. Loucura!

O Palácio dos Leões não se dá conta de que agindo assim, além de ridículo acaba por assumir, ainda que de forma oblíqua, que deseja terceirizar uma responsabilidade que é somente sua, posto que o suposto suicídio de Mariano de Castro se deu em consequência das tarefas que lhe foram  incumbidas por agentes do governo Flávio Dino.

Portanto, a tentativa de colocar José Sarney na cena do crime que resultou na morte do ex-operador dos esquemas de corrupção na Secretária de Saúde do senhor Flávio Dino é de uma covardia sem tamanho.

E mostra que o cadáver de Mariano de Castro vai continuar assombrando o Palácio dos Leões por muito tempo ainda.

Haja Rivotril!

O que eu aprendi sobre amor-próprio 2

Quando começamos a valorizar aquilo que somos, transformamos a nossa relação conosco e com o outro. E a vida ganha muito mais cor e alegria

Desenvolver amor-próprio tem a ver com olhar para si com mais generosidade | Crédito: Shutterstock

Tainá Goulart, via Vida Simples

“Gorda, baleia, saco de areia”, “Você é alta demais”, “Que cabelo estranho”, “Você vai usar essa roupa?! Não é melhor trocar?”, “Volta para o mar, Free Willy”… Essas eram algumas das tantas frases que me acompanharam ao longo da infância, adolescência e começo da vida adulta. Quando estava nas primeiras séries do colégio, eu era muito gorda. E sofria algo que na época não tinha nome, o bullying. Me lembro de nunca poder ter sido a Ranger Rosa, sonho de toda garota que assistia a Power Rangers. “Por acaso a Ranger Rosa é gorda assim como você? Não pode… Você vai ser um dos monstros que nos atacam”, diziam os meus colegas no intervalo da escola. Eu me sentia péssima, como se não houvesse mesmo um lugar para eu estar. Minha falta de amor-próprio também me levou a me tornar insegura com os garotos, e na adolescência tive um relacionamento muito abusivo. Meu então namorado me olhava e me dizia para trocar de óculos, pois os meus eram esquisitos demais, me falava para trocar de roupa, pois para ele eu não podia me vestir da forma como eu queria. E minhas respostas eram sempre “sim”. Afinal, ele era o único cara com quem eu, daquele jeito, seria capaz de namorar.

Na faculdade, me envergonhava ao passar perto das salas de engenharia, majoritariamente ocupadas por homens. Inconscientemente, o que eu sentia era que eu não era digna de estar ali, não estava dentro do padrão, não era bonita o suficiente para ser observada. Assim como muitas roupas e lugares também não eram para mim. Nem o biquíni, nem a praia. Acho que carreguei minha falta de amor-próprio por todos os lugares. No trabalho, uma das minhas chefes me causava calafrios, taquicardia e mãos suadas todas as vezes em que saía do elevador e entrava na redação. Era o início da minha carreira profissional, mas eu nunca pude ver que errar fazia parte desse começo e estava tudo bem. Então não confiava em mim. Achava sempre que nunca acertaria um texto, que nunca estaria bom o bastante, que aquela chefe nunca iria, finalmente, elogiar uma matéria minha. Quantas loucuras minha própria mente criou…

Hora de olhar para mim

Mas teve um momento em que decidi que não dava mais para viver naquela espiral da falta de amor-próprio e insegurança, que inclusive me trazia momentos de muita ansiedade. Eu tinha 24 anos, e então comecei a buscar ajuda para sair daquele buraco negro no qual eu estava por tantos anos da minha vida. Depois de conhecer alguns especialistas, encontrei uma terapeuta que, depois de algumas sessões, apelidei de “Mestre dos Magos”. A Daphne foi me ajudando a ver que eu mesma precisava achar o caminho. Aos poucos, fomos aprendendo a ver o que estava por trás dessa falta de segurança e quais eram os motivos que apertavam o gatilho para as crises de ansiedade.

E constantemente ela mostrava como eu ainda repetia esses meus padrões.
Mudar nem sempre é fácil; sair daquilo que estávamos acostumados a viver dá um trabalhão. Acho que um dos ensinamentos mais importantes que aprendi é estar no aqui e no agora. No momento presente. E por isso até tatuei essa frase no braço esquerdo. Para me manter neste presente durante uma crise de ansiedade, criei uma estratégia: passei a descrever o ambiente ao meu redor, detalhe por detalhe. As cores dos objetos, suas formas e tamanhos. Quando me dei conta, eu já não sentia mais calafrios quando a porta do elevador se abria e minha chefe chegava. E logo eu estava ali, na mesa dela, defendendo o trabalho que eu havia feito. Fui entendendo o meu lugar no mundo, fui olhando para mim como uma pessoa digna e capaz de fazer o que eu havia me proposto.

E que não podia mais permitir que alguém tentasse tirar aquilo de mim.
Mas ainda havia o quesito relacionamento amoroso, que, claro, envolvia o tal do amor-próprio. Bem, conheci um cara que mexeu muito com meus sentimentos. Ele se tornou uma obsessão na minha cabeça. Acho que a Daphne nunca chamou tanto a minha atenção para os meus padrões como nessa época. Eu não me olhava com amor, não acreditava em mim como mulher e profissional, e queria que ele me amasse. Como seria possível estar bem com alguém sem antes estar bem comigo mesma? Resultado: voltei às minhas crises de ansiedade. Não conseguia nem dormir sem pensar nele, sem querer mandar uma mensagem para dizer que eu estava ali, disponível. Foi um momento bem ruim, mas vejo que aquele episódio me mostrou o quanto era preciso me observar, enxergar o que ainda tinha que ser transformado em mim. Com paciência e amor, reprogramei a Tainá para viver diferente.

O efeito amor-próprio

Posso me lembrar exatamente quando o amor-próprio começou a fazer efeito em mim. Foi mágico. Eu recebi uma mensagem daquele cara e pensei: “Por que eu estou dando atenção a alguém que só faz eu me sentir mal?”. Naquele momento, uma sensação de liberdade cresceu no meu coração, como quando tomamos um remédio e ele, aos poucos, vai aliviando as nossas dores. Nas semanas seguintes, fui colocando nos meus momentos coisas que eu gostava muito de fazer, preenchendo minha mente com o que dava prazer: o texto que havia me dado trabalho mas que agora ficou incrível, o passeio com as amigas no final de semana… Fui trocando a palavra “complicado” por “desafiador”, e foi incrível como uma faísca de esperança começou a surgir. Logo o fogo se alimentou com minhas ações diárias para melhorar, para me ver como quem eu realmente era: forte, bonita, capaz de ter uma vida feliz.

Das reflexões que surgiam com meu tratamento terapêutico, comecei a compor canções. Eu sempre fui apaixonada pela música, e escrever era uma forma de tirar de mim todos os sentimentos ruins. De alguma forma eu conseguia analisar meus pensamentos, os gatilhos dos velhos padrões e que, com o tempo, foram se tornando versos das minhas letras. Acabei compondo mais de 15 canções, tiradas de momentos de aprendizagem. Agora estou preparando meu primeiro disco. Quem sabe não me torno como Adele, cantando sobre minhas transformações psicológicas?

Hoje, depois de cinco anos de terapia, auto-observação e coragem para sair daquele mundo em que me colocava, sou capaz de me olhar com mais paciência e, principalmente, mais amor. Namoro há quase dois anos e sinto que, se não fosse por essas mudanças que aconteceram dentro de mim, não conseguiria viver esse relacionamento. No ano passado, até coloquei um biquíni na praia, algo inimaginável para a Tainá de antigamente. O padrão das pessoas passou a ser mais um na multidão. Comecei também não só a aceitar mais o meu corpo mas também a cuidar mais dele: me alimento melhor, me exercito e sinto confiança para me vestir da maneira como me sinto bem. “Quem manda nesse barco sou eu”, diz uma estrofe de Bússola, uma das minhas músicas. “Quem manda nesse barco sou eu, quem escolhe o destino sou eu. Quem se joga mar adentro, esse alguém sou eu.” Hoje, sou dona do meu barco. O mar pode estar revolto, mas sei navegar pelas ondas na direção de onde eu quero ir. Entendi que esse crescimento é eterno. As crises podem até voltar, mas agora estou preparada para combatê-las. O que costumo dizer, porque aprendi com a minha própria história, é: não espere se amar de hoje para amanhã. Mas comece a olhar para si de forma diferente a cada dia.

Tainá Goulart é cantora, compositora e jornalista. Vive em busca de evolução, seja individual ou coletiva.

Renasce um patrimônio jurídico

por Natalino Salgado

No último dia 15, a história do Maranhão ganhou novo e importante capítulo com a reinauguração de um sobrado histórico na Rua do Sol, tido como a Casa do Direito no Maranhão, uma vez que, no primeiro quarto do século XX, o edifício, depois de intensa campanha popular, foi adquirido pelo governo do Maranhão, para ser a sede do curso de Direito, que ali funcionou até a década de 1970. Em sua fachada pende uma justa homenagem ao nome de um dos fundadores do curso de Direito, no longínquo ano de 1918: Fórum Universitário Fernando Perdigão. Outras funções foram exercidas ali pela administração da UFMA.

Para marcar a passagem de uma efeméride muito especial para o curso de Direito, o seu centenário, destina-se o prédio renovado ao programa de pós-graduação em Direito, pois nele passará a funcionar o Mestrado e logo, certamente, o Doutorado. Alvíssaras para os operadores do Direito no Maranhão, já que, no mês de abril, precisamente dia 28, o curso completará cem anos.

A efeméride será marcada por muitos eventos de um curso que tem dado ao Estado do Maranhão centenas de renomados professores, pesquisadores, advogados, jurisconsultos. O prédio passou por uma ampla e profunda reforma, que incluiu ainda adaptações de acessibilidade e uma biblioteca repleta de obras importantes e raras, tudo para torná-lo um legítimo Palácio de Ciências Jurídicas. Com certeza, berço de novas mentes capazes de levar adiante o conhecimento jurídico capaz de proporcionar justiça.

O grande pensador e poeta americano Ralph Waldo Emerson disse que “nenhuma obra grandiosa jamais foi realizada sem entusiasmo.” Pessoas idealistas, sonhadoras, mas com os pés bem plantados no chão iniciaram uma saga a partir do primeiro curso efetivamente instalado no Maranhão, o curso de Direito. Depois dele, outros foram se instalando sempre antecedidos pela saga de trabalho e esperança: Farmácia, Odontologia, Enfermagem, Serviço Social, Medicina. Todos eles foram percursos de luta e o desejo de arrancar o Maranhão das garras da ignorância e da falta de perspectiva às quais é legado toda nação que olvida a educação em qualquer de seus níveis.

O programa de recuperação – que incluiu o recém-reinaugurado prédio já mencionado e tantos outros marcos históricos no centro de São Luís – permite a revitalização de uma área que, ao longo dos anos, vinha sendo marcada pela mudança do eixo ocupacional urbano da cidade com as consequências indesejáveis da degradação e abandono.

Vale mencionar o importantíssimo programa que une Universidade Federal do Maranhão e IPHAN e que já restaurou outros grandes marcos da arquitetura maranhense: a Fábrica Santa Amélia e o Palacete Gentil Braga. A primeira inaugurada em 2015, onde deverá funcionar o curso de Turismo e Hotelaria e o segundo, que teve suas obras iniciadas no mesmo ano e inaugurado em 2017, onde se mantém o Departamento de Assuntos Culturais (DAC). Importante mencionar as obras efetivadas no Palácio Cristo Rei e no Palácio das Lágrimas, que demonstram compromisso e seriedade com a história e o rico patrimônio de nosso país. O gestor público tem obrigação e dever de zelo para com o acervo herdado e deixar um legado para as nossas próximas gerações.

Saúdo os estudantes, professores e servidores do curso de Direito que, nesta hora, têm motivo para se orgulhar de construírem uma história que honra os primeiros sonhadores e, fundamentalmente, ao estado do Maranhão que, neste curso, produziu centenas de nomes que contribuíram para consolidar um dos três poderes não só nesta unidade da federação, mas também nos diversos ramos do sistema legal brasileiro.

Natalino Salgado Filho
Membro titular da Academia Nacional de Medicina, e das academias de Letras e de Medicina no MA.

É possível aprender a lidar com os sentimentos?

Achamos que o conhecimento está relacionado apenas às matérias que aprendemos na escola. Mas, na vida, precisamos também saber lidar com as emoções, como tristeza, frustração ou compaixão. O problema é que não enxergamos isso como algo que podemos aprender. E esse é um grande erro, que gera mais desapontamento e infelicidade

Alain de Botton, via Vida Simples

Durante a maior parte da história, a ideia de que a meta de nossa vida era ser feliz teria soado extremamente estranha. Na história cristã que dominou a imaginação ocidental, a infelicidade não era uma coincidência, mas sim uma inevitabilidade exigida pelos pecados de Adão e Eva. Para os budistas, a vida era, em essência, uma história de sofrimento. Então, lentamente, à medida que a era moderna surgia, um novo conceito veio à luz: realização pessoal, a ideia de que a felicidade poderia ser alcançada no trabalho e nos relacionamentos. Infelizmente, esse novo conceito coincidiu com uma crença de que as habilidades necessárias para atingir a felicidade poderiam ser obtidas sem educação. Nossa enfermidade atual pode remeter a esse erro. Nossa sociedade tem um enorme apreço pela educação, mas também é estranhamente exigente sobre em que podemos ser educados. Aceitamos que precisamos de treinamento quanto a números e palavras, ciências naturais e história, aspectos de cultura e negócios, mas ainda é estranho imaginar que possa ser viável — ou mesmo necessário — sermos educados quanto a nosso funcionamento emocional, por exemplo, que talvez precisemos aprender (em vez de simplesmente saber) a evitar melancolia ou a interpretar nossos lutos, escolher um parceiro ou fazer um colega nos entender. A tarefa diante de nós, portanto, é saber como adquirir um conjunto de habilidades emocionais que possa contribuir para desenvolvermos a chamada “inteligência emocional”. O termo parece estranho. Estamos acostumados a nos referir à inteligência sem diferenciá-la — e, portanto, não tendemos a ressaltar o valor de um tipo muito peculiar de inteligência que, atualmente, não tem o prestígio que deveria.

Todo tipo de inteligência indica uma capacidade de navegar bem em torno de um grupo em particular de desafios: matemático, linguístico, comercial, técnico etc. Quando dizemos que alguém é inteligente mas bagunçou sua vida pessoal, ou que ganhou uma quantia incrível de dinheiro mas é muito complicado de trabalhar, estamos apontando para um déficit no que merece ser chamado de “inteligência emocional”.

Inteligência emocional é a qualidade que nos permite negociar com paciência, visão e parcimônia os principais problemas em nossos relacionamentos — com os outros e com nós mesmos. Ela aparece nas parcerias como uma sensibilidade aos humores dos outros, uma preparação para entender o que pode estar acontecendo com eles além da superfície e entrar imaginativamente em seu ponto de vista.

Aparece com relação a nós mesmos quando se trata de lidar com sentimentos como a raiva, inveja, ansiedade e confusão profissional. Além disso, é esse conjunto de conhecimentos que diferencia aqueles esmagados pelo fracasso dos que sabem como encarar os problemas com uma resiliência melancólica e, às vezes, sombriamente bem-humorada. Uma forma de começar a avaliar isso — e para onde, portanto, precisamos direcionar a maior parte de nosso trabalho e atenção de reparo — é identificando diversos marcadores de saúde emocional e imaginando como nos saímos em relação a eles. No mínimo, quatro marcadores centrais se apresentam.

Amor-próprio
É a qualidade que determina o quanto podemos ser nossos próprios amigos e, diariamente, continuar ao nosso lado. Quando conhecemos um estranho que tem coisas que não temos, com que rapidez nos sentimos lamentosos — e por quanto tempo conseguimos nos convencer de que o que temos e somos é suficiente? Quando outra pessoa nos frustra ou humilha, podemos esquecer o insulto, capazes de perceber a maldade sem sentido por trás do ataque, ou ficamos arrasados, nos identificando com o veredito de nossos inimigos? Quanto da desaprovação ou do descaso da opinião pública pode ser compensado pela lembrança da atenção constante de algumas pessoas significativas no passado? Nas relações, temos amor-próprio suficiente para sair de uma situação abusiva? Ou nos criticamos tanto que carregamos uma crença implícita de que só merecemos o mal? De outro ângulo, somos bons em pedir desculpas a alguém que amamos por coisas que são nossa culpa? Quão rigidamente complacentes precisamos ser? Conseguimos ousar a admitir erros, ou uma admissão de culpa ou erro nos aproxima demais de nossa sensação secundária de nulidade? No trabalho, temos uma noção racional e embasada de nosso valor — e assim nos sentimos capazes de pedir (e provavelmente esperar receber) as recompensas que merecemos? Conseguimos resistir à necessidade de agradar os outros indiscriminadamente?

Franqueza
Essa virtude determina até que ponto ideias difíceis e fatos perturbadores podem ser conscientemente admitidos, sobriamente explorados e aceitos sem negação. Quanto podemos admitir a nós mesmos sobre quem somos — mesmo quando, ou especialmente quando, a questão não é exatamente agradável? Quanto precisamos insistir em nossa própria normalidade e sanidade inabalável? Podemos explorar nossa mente — e explorar seus cantos mais sombrios e perturbadores — sem nos esquivarmos abertamente? Podemos admitir bobeira, inveja, tristeza e confusão? Estamos prontos para escutar quando lições valiosas vêm em disfarces dolorosos?

Comunicação
Podemos expressar, de forma paciente e racional, nossas decepções em palavras que, mais ou menos, permitem que os outros vejam nosso lado? Internalizamos a dor, expressamos simbolicamente, ou a descarregamos com uma raiva contraproducente? Quando os outros nos chateiam, sentimos que temos o direito de comunicar, ou devemos bater a porta e nos afundar na tristeza?

Confiança
Quão arriscado é o mundo? Com que rapidez podemos sobreviver a um desafio na forma de um discurso, uma rejeição romântica, uma fase de problemas financeiros, uma viagem para outro país ou um simples resfriado? Novos conhecidos gostarão de nós ou nos machucarão? Se formos um pouco assertivos, eles aguentarão ou desmontarão? Quanto ao amor, precisamos agarrá-lo fortemente? Se ficarem distantes por um tempo, voltarão? Quão controladores precisamos ser?
Não é nossa culpa nem, de certa forma, de ninguém que muitas dessas perguntas sejam tão difíceis de responder, mas, ao pensar nelas, estamos, pelo menos, começando a saber que tipo de formato nossas feridas têm e, assim, que tipo de curativo será o mais necessário.

Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo foca em meninas e mulheres 6

As Nações Unidas celebram neste 2 de abril o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo sob o lema “Capacitando mulheres e meninas com autismo”. O secretário-geral da ONU, António Guterres, aproveitou a data para lembrar a reafirmação do “compromisso de promover a plena participação de todas as pessoas com autismo na sociedade e garantir o apoio necessário para que estas possam exercer seus direitos e liberdades fundamentais”.

As comemorações do Dia Mundial da Conscientização do Autismo também querem envolver mulheres e meninas com as organizações que as representam na formulação de políticas e decisões para abordar os desafios que elas enfrentam. A Assembleia Geral da ONU realiza uma série de eventos sobre a data na próxima quarta-feira (4), como debates com especialistas e ativistas para discutir questões específicas de mulheres e meninas com autismo.

Os temas abordados incluem os desafios e as oportunidades para o pleno exercício dos seus direitos em áreas como casamento, família e paternidade com igualdade de oportunidades.

Desafios

Em novembro de 2017, a Assembleia Geral adotou uma resolução chamando a atenção para os desafios específicos de mulheres e meninas com deficiência para implementar a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Essa decisão manifesta preocupação porque mulheres e meninas nessa situação estão sujeitas a “formas de discriminação diversas e interligadas, que limitam o usufruto de todos os seus direitos humanos e liberdades fundamentais”.

A ONU diz que as meninas com deficiência são menos propensas a terminar o ensino fundamental e têm maior probabilidade de serem marginalizadas ou terem acesso negado à educação.

De acordo com a organização, as mulheres com deficiência apresentam uma taxa de emprego mais baixa do que os homens na mesma situação e do que as mulheres sem deficiência.

Violência

A nível global, as mulheres com deficiência têm mais probabilidades de sofrer violência física, sexual, psicológica e econômica do que os homens. Outro problema é a desigualdade causada pela discriminação e pelo estigma associado ao gênero e à deficiência.

Os resultados da falta de acessibilidade e dos estereótipos são barreiras aos serviços de saúde sexual e reprodutiva e à informação sobre educação sexual abrangente. As mais afetadas são particularmente mulheres e meninas com deficiência intelectual, que inclui o autismo.

O autismo

O autismo é uma síndrome complexa e muito mais comum do que se pensa. Atualmente, o número mais aceito no mundo é a estatística do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão do governo dos Estados Unidos: uma criança com autismo para cada 110. Estima-se que esse número possa chegar a 2 milhões de autistas no país, segundo o psiquiatra Marcos Tomanik Mercadante citou em audiência pública no Senado Federal no fim de 2010, onde discute-se uma lei exclusiva para o autismo, liderada pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Mercadante é um dos autores da primeira (e por enquanto única) estatística brasileira, num programa piloto por amostragem na cidade de Atibaia (SP), que registrou naquela amostragem incidência de uma para cada 333 crianças,

No mundo, segundo a ONU, acredita-se ter mais de 70 milhões de pessoas com autismo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem. A incidência em meninos é maior, tendo uma relação de quatro meninos para uma menina com autismo.

(Fontes: Agência Brasil e Corautista)

Seu propósito é ser vocêDébora Zanelato

Para levar uma vida mais realizada e com mais sentido, o primeiro passo, diz a coach Paula Abreu, é descobrir quem somos de verdade

Débora Zanelato, via Vida Simples

Seu propósito de vida é ser você. Não se deixe levar pelo ego, não acredite que você existe para um propósito especial ou extraordinário. A sua existência já é extraordinária.” É assim que a coach Paula Abreu começa a falar em seu livro sobre uma questão tão recorrente em nossos dias: o propósito da nossa vida. A autora de Escolha Sua Vida (Sextante) defende que, para sermos felizes, o primeiro passo é mergulhar em uma autodescoberta. “Ficamos presos a conceitos e histórias que nos foram impostas, inclusive conceitos sobre o que é a felicidade”, ela diz. E o medo (de fracassar ou até mesmo de algo dar certo) precisa ser deixado de lado se quisermos realizar nossos sonhos.

De onde vem nosso medo de arriscar, de fracassar?

Você diz que tem a ver com nosso conceito de felicidade… Quando somos crianças, muitas vezes sabemos o que queremos. A gente pensa em algo que gostaria de fazer e ser feliz. Mas depois a gente cresce e descobre que ser feliz é algo complicado, temos que cumprir uma série de etapas, e assim você vai ganhando um montão de camadas que não eram suas. E, quando conseguimos nos despir dessas camadas, tudo o que é diferente disso dá medo. É o que eu brinco de “felicidade do Facebook”. Qual felicidade você quer? A de verdade ou aquela que você pode mostrar e todo mundo vai entender como felicidade? Tinha amigas que falavam ter inveja de mim. Porque eu tinha um emprego maravilhoso, um casamento dos sonhos, filho… Mas eu não estava feliz! Só que existe o medo de abandonar isso e o receio das críticas. Então eu digo que o medo vem, dentre alguns fatores, da falta de clareza. Não temos clareza do que realmente queremos.

E qual é a importância de ser quem somos nesse processo?

O seu propósito de vida deve ser você. Quando você descobre quem é e expressa a sua verdade, acontece um despertar. Você fica mais consciente dessas camadas e condicionamentos, que não são seus e não lhe representam. Percebo que as pessoas ficam tensas sobre qual é o seu propósito, e costumo dizer para ficarem calmas porque o propósito de vida de cada um é ser você mesmo e ser feliz. E o secundário, que é fazer o que você gosta, está alinhado a isso, a ser você mesmo. Ao descobrir quem você é de verdade, passa a ter menos medo. O que as pessoas vão falar não importa. Então você aprende a dizer não. Em geral, não conseguimos dizer não por medo de decepcionar o outro, e também pelo mal-estar de achar que, ao recusar, estamos perdendo alguma coisa muito legal. Mas, quando você sabe o que é e o que quer, se torna capaz de dizer não com liberdade e entende que isso é essencial para não tirá-lo daquilo que ama. Um não necessário é um sim para você.

Que caminhos você propõe para essa descoberta de nós mesmos?

O jeito mais eficiente é se fazer perguntas. Se não temos as respostas que queremos, precisamos criar perguntas diferentes. Reclamamos da nossa realidade em vez de procurar o que pode ser aprendido com o desafio. Eu incentivo as pessoas a criar um caderno do eu. Listar o que amam, odeiam, seus valores. E sugiro que, todos os dias, criem duas perguntas e saiam pelo mundo em busca de respostas. Enquanto cada um não parar para refletir sobre si mesmo nada vai mudar. Nosso eu está embaixo de camadas de crenças e valores. Se reparar, buscamos ser como todo mundo. E, segundo disse Carl Jung, imitar os outros é algo útil para o coletivo, mas muito nocivo para a individualidade.

Como expressar quem você verdadeiramente é?

O primeiro passo é saber que você não vai agradar a todos. É poder ser impopular. Quando a gente quer se expressar, tem que abraçar a vulnerabilidade. É muito melhor agradar quem tem a ver e quem vai gostar de você por ser quem você é. Não quero pessoas que gostem de mim pela roupa que estou usando ou pelo cargo que tenho. Porque amanhã posso não ser isso. Quero alguém que goste da minha essência. Eu sou coach e as pessoas têm a imagem de um profissional muito sério, contido. Eu já dei sessão em que toquei ukulelê (instrumento de cordas), fiz trampolim. Coach pode fazer trampolim? Não sei, mas eu faço. Tem gente que não virá até mim porque procura a imagem de uma pessoa respeitável, mas outros virão justamente por se identificarem com meu jeito.

E como lidar com as críticas?

Acredito que, quando você está tranquilo do que está fazendo, percebe que a crítica do outro, na verdade, tem a ver com ele próprio. Quando decidi não ter mais carro, as pessoas se incomodaram. Mas é um incômodo delas, percebe? Porque elas acreditam que não dá para viver sem um automóvel. A gente fica mais tranquilo quando entende que a história é só dela e não é mais minha. Ao fazermos uma escolha diferente, nos tornamos um holofote na vida do outro, e ele sente que também deveria estar fazendo algo diferente. Então, quando eu não tenho um carro, todas as pessoas que acham que isso é necessário são quase obrigadas a pensar que é possível não ter um carro. E isso gera um incômodo.

Você também diz que, além do receio de fracassar, o medo do sucesso também nos impede de realizar sonhos. Como é isso?

Muita gente tem medo de fazer algo que dá certo. Quando pergunto quais são as consequências possíveis se aquele objetivo der certo, muitas vezes encontro algo que é resultado disso e a está impedindo de atingir a meta. Tive uma cliente que queria emagrecer, mas nunca conseguia. E chegamos à conclusão de que ela tinha a fantasia de que, quando ficasse magra, seria mais popular e não saberia como reagir a isso, pois era tímida. Ou seja, o medo criou uma história na cabeça dela. Ao longo do programa, coloquei como desafio que, todos os dias, ela tivesse uma conversa com um desconhecido. Costumo dizer que, além da clareza que ajuda a vencer o medo, você também precisa “queimar os barcos”, agir.

E quando a pessoa procrastina por um perfeccionismo?

Não existe pessoa que está empacada porque é perfeccionista. Quando ouço isso, digo que ela está mentindo para si mesma. Ninguém atinge a perfeição. Só se atinge a perfeição aperfeiçoando. Se está empacando porque fica planejando, pode no máximo chegar a um plano perfeito, mas todo plano precisa de um campo de batalha. Porque, na prática, as coisas serão diferentes, você verá o que precisa ser ajustado, mudado. Haverá obstáculos com os quais não contava. É proveitoso se colocar em movimento imediato. Quem coloca a culpa no perfeccionismo está com medo ou insegurança. A pessoa que espera ter a melhor câmera para começar a fotografar corre o risco de nunca fazer uma foto.

E a justificativa de que não faz nada para mudar porque não tem tempo?

Isso acontece porque, em geral, desperdiçamos horas a fio com o que não importa. Você diz que não tem tempo, mas assiste a várias novelas, fala no WhastApp em diversos grupos. Perdemos tempo em pedacinhos, que, quando acumulados, resultam em muito tempo. Cinco minutos aqui, 15 ali e, quando se vê, uma hora se passou, tempo suficiente para fazer algo que você ama. Indico que as pessoas façam uma lista com todas as atividades, durante uma semana inteira. Isso inclui até o tempo em que acordou e levou 40 minutos pra sair da cama. Essa grande lista vai ajudar a avaliar o que pode ser delegado ou eliminado.

Quando falamos de empreender, temos a ideia de que isso envolve criar uma empresa, sair do emprego. Esse é o caminho?

Não necessariamente. Empreender a si mesmo não é empreender um negócio. O pensamento não é o de que para ser feliz não posso trabalhar em uma empresa. Eu também tenho pessoas que trabalham comigo, quero que sejam felizes no que fazem. O mais importante é encontrar um trabalho, seja ele a sua própria empresa, seja algo que já existe, que esteja alinhado com seu propósito primário: ser quem você é. Muitas pessoas até redescobrem o próprio emprego quando mergulham em quem elas são e mudam a relação com o trabalho que já têm. Vale lembrar que nessa descoberta não existem regras ou um único caminho. O grande propósito é sempre ser você mesmo.

O bebê tem fome de quê?

A mãe vê já na maternidade que o bebê humano é o mais tinhoso dos mamíferos

Berçário de hospital em Santa Catarina – Joel Silva – 1º.ago.2008/ Folhapress

Vera Iaconelli*

A porca se deita de lado permitindo que os porquinhos recém-nascidos tenham acesso a seu leite. Sabe-se, graças à infinita curiosidade humana, que cada porquinho vai eleger uma mama e mesmo de olhos fechados se dirigirá a ela toda vez –é só numerar a mama e o porquinho, e a prova científica está dada. Tendo cumprido sua função, a porca solta um grunhido assustador e a porcada sai correndo, pois percebe que a festa acabou –satisfeitos ou não– e não se fala mais nisso. A natureza é tão eficiente que a porcada cresce linda e forte, sem maiores problemas a não ser o destino de se tornar bacon, do qual nunca desconfiarão –santa ignorância.

Do outro lado do universo vivente, a mãe humana descobre, já na maternidade, que o “porquinho humano” é o mais tinhoso dos mamíferos. Pensemos no caso de uma mãe indiana desesperada com a recusa persistente de seu recém-nascido em mamar. O pediatra, para surpresa de todos, sugere incrementar a dieta da mãe com curry –tempero onipresente na culinária do país. Ato contínuo, o bebê começa a mamar com a voracidade esperada. Conclusão: acostumado a sentir no líquido amniótico o gosto da dieta caseira da mãe, o pequeno, não encontrando o paladar esperado, se recusa a mamar.

O estudo das competências do bebê recém-nascido é fascinante e nos alerta para a importância das experiências mais precoces. As competências são, digamos, “configurações de fábrica” para dar conta da vida aqui fora. O bebê, diferentemente dos outros mamíferos, nasce faminto pelos odores, as vozes, o toque e os gostos com os quais conviveu durante a gestação, sendo capaz, por exemplo, de reconhecer a voz do pai na sala de parto. Se as rotinas hospitalares de parto derem chance, ele virará a cabeça de olhos arregalados na direção da tão conhecida voz (sugiro assistirem “breast crawling” no YouTube).

Sabendo disso, talvez você se inquiete com um bebê que tenha sido separado da mãe logo ao nascer devido a uma internação na UTI, pela entrega em adoção ou, ainda, por uma separação evitável, como no caso de hospitais que seguem protocolos anacrônicos.

Mas é aí, nas situações adversas, que o bebê mostra que, diferentemente dos porquinhos, é a linguagem que nos faz humanos. Fazemos uso da linguagem de forma tão radical, que algumas intervenções verbais podem reverter quadros somáticos gravíssimos na UTI neonatal e outras podem pôr tudo a perder.

Enquanto os pais são bombardeados com disputas mercadológicas sobre o uso ou não da chupeta, do aleitamento, da cama compartilhada, do tipo de parto, busca-se ignorar que é da transmissão de nossas histórias e afetos –ambivalentes, falíveis– que o humano é feito.

Cabe ao bebê chorar e cabe ao adulto estar lá para tentar acalmá-lo, não supondo que deveria ser capaz de adivinhar o que o bebê quer –nunca saberemos realmente o que um bebê queria, mesmo quando conseguimos que ele pare de chorar! Trata-se de tentar transmitir ao bebê que, na hora do sofrimento, ele não está sozinho. Alguém, que se dirige a ele como semelhante, que tem uma voz, um cheiro e um olhar de compaixão, não o abandonará. Consolo imperfeito, que sempre deixa a desejar. E é disso que se trata criar seres humanos. Trata-se de criar seres desejantes, e não porquinhos.

*Psicanalista, fala sobre relações entre pais e filhos, as mudanças de costumes e as novas famílias do século 21

Novos e velhos amigos, o melhor antídoto contra a solidão

Muito interessante esse artigo. Recomendo a leitura até o final.

Auge das conexões sociais de homens e mulheres se dá por volta dos 25 anos, mas interação é crítica para a saúde mental

Acho que está claro para todos nós que podemos nos sentir sozinhos mesmo que estejamos acompanhados. Quantas vezes já presenciamos casais que mal toleram dividir uma mesa de restaurante? Mas não é da solidão a dois que falo, e sim da sensação dolorosa de não ter ninguém para compartilhar uma alegria ou tristeza. Nesse caso, a solidão é como um ferimento que não sara. Estudo realizado em 2016 mostrou que o auge das conexões sociais de homens e mulheres se dá por volta dos 25 anos. A partir dessa idade, as pessoas passam a concentrar suas energias na carreira e nos relacionamentos estáveis, deixando de lado o círculo de amigos. À medida que envelhecemos, esse grupo se restringe ainda mais, principalmente depois da aposentadoria, mas a necessidade de interação social é crítica para a saúde mental. A maioria não se dá conta disso, acreditando que cultivar amizades é quase um penduricalho ou exigência da sociedade, mas a questão é tão séria que a Grã-Bretanha criou, mês passado, uma secretaria de Estado para cuidar dos cerca de nove milhões de britânicos que padecem do mal. Estima-se que ali metade das pessoas acima dos 75 anos viva só, sem interagir com ninguém durante dias. Nos EUA, segundo reportagem do jornal “The New York Times”, mais de 42 milhões de americanos acima dos 45 anos sofrem de solidão crônica. Esse blog também tratou do tema: seu impacto na saúde equivale a fumar 15 cigarros por dia.

Por isso, não se feche para os amigos, antigos ou recentes. Quando alguém entrar em contato, não diga apenas que está muito ocupado, porque isso vai soar como um fora. Se a semana estiver corrida, explique que na seguinte sua agenda estará livre. Cultive uma rotina de encontros: semanais, quinzenais, mensais. Os companheiros de infância valem ouro, nessas relações há afeto, reminiscências, laços que podem ser refeitos como se o tempo nem tivesse passado. Reencontre-os. Reconecte-se. Embora não se possa garantir que a experiência seja 100% satisfatória, talvez você se surpreenda com sentimentos que estavam adormecidos. E não fuja dos encontros familiares: batizados, casamentos e aniversários de bodas podem ser oportunidades para rever pessoas queridas.

Há quem fique ansioso ou estressado quando se trata de estabelecer contato com estranhos, mas há maneiras suaves para fazer essa ponte. Uma delas é buscar informações, com vizinhos, moradores do mesmo bairro, ou até em redes sociais, que sejam úteis para sua vida. Pode ser a indicação sobre um profissional para fazer reparos na casa; sobre um médico ou fisioterapeuta; ou sobre cuidados com animais de estimação – aliás, ter um cão ou um gato abre um enorme leque de possibilidades de interação. Esse pode ser o primeiro passo para estabelecer uma conexão e mapear interesses em comum, mas preste atenção para evitar armadilhas: dar conselhos que não foram solicitados, gabar-se ou se envolver em algum tipo de fofoca.

(Por Mariza Tavares, Rio de Janeiro, para o G1)

Raiva não é bom ou ruim: apenas é

Não culpe os outros pela sua raiva

Patricia Gebrim, Vya Estelar

Como seres humanos, acolhemos em nós todos os sentimentos que fazem parte de nossa experiência neste planeta. A raiva é um deles.

Muitas vezes somos por ela tomados, agindo de forma que nos faz sentirmos dor ou arrependimento. O fato é que, lançada a pedra, não há como voltar atrás.

O que dizer desse sentimento que brota das profundezas da terra, eclode em nós e nos transforma numa espécie de vulcão?

Há quem a julgue, ache que raiva é coisa do mal, mas saibam, a raiva, como qualquer expressão na natureza humana, não é algo bom ou ruim. Apenas é. Como uma tempestade. Uma onda que chega à praia cheia de poder.
Um raio que cai do céu carregado de eletricidade.

Não julgamos a natureza por esses fenômenos e tampouco deveríamos julgar nossa própria natureza humana.

É preciso, no entanto, compreender que a raiva nos pertence. É preciso abraçá-la na inteireza do nosso ser. Parar de sair por aí buscando culpados. Sua raiva é assunto seu. Todo seu.

Mesmo que o outro tenha agido de forma inadequada, cabe a VOCÊ equilibrar o que sente.

Ouça… Você pode sentir “qualquer” coisa. Não há mal algum nisso. Mas despejar sobre o outro o que lhe pertence, é outra coisa. Isso sim causa imenso desequilíbrio. Causa dor em si mesmo e no outro. Embora pareça trazer, ao menos momentaneamente, um imenso alívio, uma descarga nociva de raiva nos fere a alma e entristece o mundo. Dói em nossas profundezas, naquele lugar onde não há separação entre nós e os outros. Deixa-nos na boca um amargo gosto de fel.

É também verdade que a raiva tem, algumas vezes, uma função positiva. De proteção. Quando sentimos raiva frente a uma injustiça, quando sentimos raiva frente a um ato que contrarie o amor… a vida.

Nesse caso não é nada inteligente desperdiçá-la numa erupção de vulcão. Entenda, a raiva vem carregada de imenso poder. Aprenda a canalizá-la e utilizá-la conscientemente, promovendo transformação, ações que resultem em evolução. Permita que o amor que o habita o ensine a lidar com a raiva, tornando-a um poderoso instrumento. Use essa energia com sabedoria, isso lhe trará imenso poder.

Respire fundo e prepare-se.

Faça o seu melhor na próxima vez em que a raiva emergir em você.

Aprenda.

Quanto maior a raiva, mais você precisa ancorar o amor em você.

Maranhão possui maior proporção de pessoas em condições de pobreza extrema, segundo IBGE 4

Dados de 2016 da Síntese de indicadores sociais do Brasil divulgados nesta sexta-feira (15) apresentou um panorama das condições do país referentes a trabalho, condições de moradia, educação e saneamento básico.

Em 2013, G1 já havia mostrado a situação de extrema pobreza de famílias no Maranhão, como a família de Raimundo e Maria do Socorro. (Foto: Clarissa Carramilo/G1)

Por Rafael Cardoso, via G1 Maranhão

Nesta sexta-feira (15), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a “Síntese de Indicadores Sociais: Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira”, que busca retratar a realidade social do país a partir da análise de indicadores que contemplem a heterogeneidade da sociedade brasileira.

As análises contemplam as condições referentes a mercado de trabalho; padrão de vida e distribuição de renda; além de mobilidade educacional e ocupacional.

Dentre os principais indicadores destacou-se os níveis de extrema pobreza baseados na referência internacional do Banco Mundial, que considera como situação de pobreza extrema a linha de 5,5 dólares por dia. Em 2016, esse valor correspondia, no Brasil, ao rendimento mensal de R$ 387,15 por pessoa, de acordo com o IBGE.

Com base nesta classificação, havia 52,2 milhões de brasileiros em pobreza extrema em 2016. Dentre todos os estados do país, o Maranhão apresenta 52,4% de pessoas nessas mesmas condições, sendo o único Estado a atingir mais da metade da população nas condições de extrema pobreza de acordo com o índice do Banco Mundial.

Condições de moradia
Em 2016, o Maranhão foi o único Estado a obter valor superior a 20% na proporção de pessoas que vivem em domicílios com paredes externas construídas com materiais não duráveis. Na concepção do IBGE, materiais não duráveis seriam residências que não possuem paredes de alvenaria (com ou sem revestimento), de taipa revestida e de madeira apropriada para construção.

Trabalho
A taxa e desocupação (de desempregados) também cresceu no Maranhão. Em 2012, o Estado estava incluído no grupo com taxa de 6 a 10% de desocupação, sendo que em 2016 o Maranhão faz parte do grupo com taxa de desocupação de 10 a 14%.

Em jovens, com exceção dos estados do Piauí (18,2%), Sergipe (19,3%), Maranhão (20,9%) e Minas Gerais (19,3%) os demais estados das Regiões Nordeste e Sudeste apresentaram taxas de desocupação de jovens acima do valor nacional. Por outro lado, somente 30,1% dos jovens maranhenses estavam ocupados em trabalhos formais.

No contexto geral, mais de 60% dos trabalhadores maranhenses em 2016 trabalhavam em emprego informal. Segundo o estudo, os efeitos da maior informalidade do trabalho são percebidos no tamanho do rendimento médio do trabalho principal, que está abaixo na média nacional (levemente acima de R$ 2 000). Em 2016, o Maranhão apresentou R$ 1 123,00 de rendimento médio, o menor do país.

Juventude nem-nem no Maranhão
No Brasil, o número de jovens de 16 a 29 anos que não estudam nem trabalham subiu de 34,2 milhões em 2012 para 41,25 milhões em 2016 – o equivalente a 25,8% do total de jovens brasileiros nessa faixa etária. Em quatro anos, esse grupo, que ficou conhecido como “nem nem”, aumentou 20,5%.

Nesse contexto, 29.4% dos jovens maranhenses não estudavam e nem estavam ocupados em 2014, o quinto pior resultado do país. Em 2016 esse número cresceu para 33.3%, sendo agora o terceiro pior Estado nesse quesito, abaixo apenas de Pernambuco e Sergipe.

Saneamento Básico
Numa análise das regiões metropolitanas, a grande São Luís (correspondente a São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar e Raposa) é a 7ª pior em fornecer acesso a três tipos de saneamento básico: Coleta direta ou indireta do lixo; abastecimento de água por rede; e esgotamento por rede coletora ou pluvial. No estudo, menos da metade da população (48,3) tiveram acesso a esses serviços em 2016.

Sobre a Síntese de indicadores sociais:
A Síntese de Indicadores Sociais (SIS) é uma importante fonte de informações para a análise das condições de vida da população brasileira, segundo o IBGE.

Segundo o estudo, dentre as razões que elevaram os índices de pobreza do país está a conjuntura econômica dos últimos anos. Entre 2012 e 2016, o mercado de trabalho brasileiro passou por mudanças significativas, reflexo da conjuntura econômica bastante variada ao longo deste quinquênio.

O aumento da desocupação foi um dos principais efeitos desta dinâmica e seu desdobramento apontou para a ampliação das desigualdades sociais e para maior vulnerabilidade de grupos populacionais específicos, segundo o instituto.

O G1 entrou em contato e aguarda resposta da Prefeitura de São Luís, da Prefeitura de São José de Ribamar, da Prefeitura de Raposa, da Prefeitura de Paço do Lumiar em relação aos dados divulgados pela Síntese de indicadores sociais (SIS).

O Governo do Maranhão informou que está atuando no combate a pobreza com criação de programas voltados à geração de emprego e melhoria dos índices sociais. Veja a nota na íntegra:

“O Governo do Maranhão informa que vem atuando fortemente para combater a pobreza e os baixos índices de desenvolvimento humano, fruto de décadas de abandono das gestões anteriores. Programas como Escola Digna, Bolsa Escola, Iema, Força Estadual de Saúde, Água para Todos e o Plano Mais IDH, estão posicionando o Maranhão na dianteira dos demais Estados que possuem como meta combater a extrema pobreza e elevar a qualidade de vida da população. Para garantir oferta de emprego, geração de renda e o desenvolvimento do setor produtivo maranhense, o Governo do Estado determinou a implantação de programas estratégicos nestes três anos de gestão. As iniciativas ajudaram a reduzir o impacto da crise econômica nacional no Maranhão. São programas como o Mais Empregos, o Juros Zero e o Mais Renda. Criado em 2016, o Programa Mais Empregos disponibilizou quase 5 mil novas oportunidades de trabalho com carteira assinada, tanto em empresas de grande porte quanto em micro e pequenos empreendimentos. Com o Mais Empregos, o governo garantiu o pagamento de R$ 500 por mês para cada nova contratação feita por empresas cadastradas. A experiência bem-sucedida beneficia sobretudo dois grupos mais afetados pelos efeitos da crise econômica: os jovens e as pessoas com mais de 20 anos no mercado. Além da redução do nível de desemprego, o Mais Empregos dinamiza a economia, a partir do efeito multiplicador do emprego adicional sobre a geração de renda, numa política fiscal anticíclica. O programa é, essencialmente, voltado à cidadania, visando assegurar mais dignidade ao cidadão maranhense a partir da oferta de oportunidades adicionais”.