Sobre a Copa 2018 (OU: sou brasileiro e não desisto nunca) 6

O Brasil “verde e amarelo” está meio que, digamos, sem tesão. Mas, “sem tesão não há solução”, como nos ensinou o irrequieto psiquiatra e escritor Roberto Freire.

Política e futebol são irmãos siameses. Não por acaso, há milhões de analistas políticos e técnicos de futebol pelo país afora.

O brasileiro está ressacado por duas embriaguez: o 7 a 1 da Copa de 2014 e o impeachment, ou golpe, como queiram, da Dilma.

O brasileiro está sem tesão!

Mas, apesar de tudo, somos otimistas!

O Brasil é maior do que nossas angustias e frustrações.

Enquanto aquariano, boliviano, flamenguista, petista e neto do velho Horácio não tenho como deixar de ter fé no meu país e muito menos perder o tesão para enfrentar as crises nossas de cada dia.

Amanhã estarei torcendo pela “Seleção Canarinho” mas por patriotismo do que fé no nosso futebol. Aliás, há tempos deixei de ser apaixonado por futebol.

Guardo apenas minhas paixões e lembranças dos bons tempos que ia ver, no Castelão, o Sampaio Correa bater no Moto Club e o Flamengo massacrar o Vasco no Maracanã.

Enfim, sou brasileiro e não desisto nunca.

Apesar dos pesares…

Um ótimo e abençoado final de semana para todos.

A vida é uma caixinha de surpresas

Já ouviu ou leu os seguintes ditos populares: “a vida é uma maravilhosa caixinha de surpresas” e “tudo que você faz um dia volta para você“.

Rogerio Martins, via administradores.com

COMPORTAMENTO | Já ouviu ou leu os seguintes ditos populares: “a vida é uma maravilhosa caixinha de surpresas” e “tudo que você faz um dia volta para você“. Renato Russo até musicou e cantou esta segunda frase e que virou música tema de novela. Pois é… esta semana tive a certeza destas duas frases populares em minha vida.

Este ao meu lado na foto é o Azonias. E quem é o Azonias? Um cara simples, com uma vida de superação a todo instante. Ele foi meu aluno na Faculdade Flamingo, no primeiro semestre de 2012, e depois mudou de instituição de ensino e não nos vimos mais. Porém, tenho muitos ex-alunos em minhas redes sociais e ele foi um deles. Gosto muito de manter esta interação além do ambiente acadêmico, pois me permite ajudar muitos deles no desenvolvimento de suas carreiras e também aprender com suas histórias.

Bem, ele continuou acompanhando minhas postagens, e volta e meia trocávamos algumas mensagens virtuais. Dias atrás, quando fazia uma transmissão ao vivo pelo Facebook, onde falei sobre liderança e carreira, ele mais uma vez participou. Ao final combinamos de marcar um café para conversarmos e entregá-lo meu kit, que contém o livro “Reflexões do Mundo Corporativo” + DVD duplo “Líder de Alta Performance”.

Café marcado e a conversa foi fantástica! Falamos um pouco de tudo. Como é bom olhar no olho e ouvir a história de vida de outra pessoa. Melhor ainda foi ouvir quanto o ajudei em sua carreira e as decisões que tomou inspirado em minhas aulas (na época lecionava a disciplina Gestão de Pessoas). Foi de arrepiar! A sensação agora, relembrando, é a mesma… de arrepiar.

Quando foi meu aluno, cursava Tecnólogo em Logística. Porém, algum tempo depois mudou de curso e graduou-se em matemática. Nesta conversa ele me contou que hoje é professor de matemática. Uma matéria que tinha muita dificuldade, mas assumiu o desafio de aprender mais e reverteu a situação. Disse que esta mudança foi influenciada pelas minhas aulas, onde muitas vezes falei sobre superação, resiliência, foco, definição de objetivos, etc. Felicidade e orgulho me definem neste momento.

Isso só reforça minha certeza que, independente da atividade que realizamos, sempre temos a capacidade de impactar na vida de outros. Podemos fazer isso positivamente ou não. Depende unicamente de nossas atitudes, o tempo todo. Por isso, lembre-se: tudo o que você faz um dia volta para você. Esta é uma lei universal, acredite ou não, aceite ou não. Isso irá acontecer! Portanto, espalhe o bem. Faça seu melhor. Dedique-se àquilo que gosta e aperfeiçoe-se sempre! Tenha fé que os resultados virão.

A vida é tão maravilhosa e deve ser vivida intensamente no aqui e agora! No livro “O Poder do Agora“, Eckart Tolle nos desperta para a importância de vivermos o presente. Use o passado apenas como referência para agir melhor agora. Que as histórias de sucesso ou fracasso vividas anteriormente sirvam para te inspirar a agira melhor agora. Sucesso!

Comer, ler e aprender 2

A comida sempre esteve presente nos livros, e o mais gostoso dessa relação é quando percebemos que, entre uma leitura e outra, podemos conhecer mais sobre a vida e sobre cozinhar

Ana Holanda, via Vida Simples

Um dia, relendo Dom Casmurro, um clássico da literatura brasileira escrito por Machado de Assis, a jornalista Denise Godinho se deparou com um trecho, entre os protagonistas da história, que atiçou seu paladar. Era uma conversa entre Capitu e seu amado Bentinho, logo no início da obra. Assim que descobre que irá para o seminário, Bentinho vai até Capitu para lhe contar uma novidade nada boa. Naquele exato momento, um escravo, que vendia cocadas em um grande tabuleiro, passou pelos jovens e lhes ofereceu o doce de coco, mas Capitu não se interessou. Para Bentinho, esse foi o sinal de que ela estava abalada com a notícia de sua ida ao seminário — ela adorava cocadas e jamais as rejeitaria. A questão é que as cocadas permeiam as páginas de Dom Casmurro e a desconfiança de Bentinho, anos depois, de que Capitu o traía. Ao terminar esse capítulo inicial, Denise, inspirada pela narrativa, correu até a cozinha para fazer a tal da cocada. “Improvisei um beijinho com o que tinha em casa e que matou a vontade. E essa coisa de comer o doce, lendo sobre ele, me trouxe vários questionamentos sobre a obra: por que será que Machado de Assis decidiu alimentar Capitu e Bentinho com cocadas? Será que ele gostava do doce ou o comia enquanto escrevia o livro?” Foi para responder essas e outras perguntas que nasceu o projeto Capitu Vem para o Jantar, que fala de literatura e as comidas presentes em suas páginas. Primeiro em formato de blog com texto e receita, depois em livro editado pela Versus, e mais recentemente como um canal no YouTube, em que Denise segue com suas reflexões literárias e gastronômicas.

Depois de Dom Casmurro, Denise passou a ler os livros com outro olhar: o de quem quer aprender a cozinhar para, depois, se deliciar. E, dessa forma, entender mais sobre os livros e seus enredos — e sobre si mesma, por que não? Sim, porque ao pesquisar sobre os pratos citados nas obras literárias, Denise percebeu que eles podiam ser também parte da própria história. No caso de Machado de Assis, ela descobriu que, em uma época na qual os costumes parisienses eram o modelo de comportamento para o mundo todo, o escritor seguia na contramão. “Ele simplesmente não suportava pedir filet de poisson em um restaurante se podia dizer apenas filé de peixe. O palanque dos protestos eram os livros. É por isso que as referências aos alimentos em suas obras são sempre brasileiras, como o caso da cocada de Dom Casmurro”, escreve Denise nas primeiras páginas de seu livro. E só para fechar a história das cocadas e não deixá-lo com vontade, a jornalista foi atrás da receita original e descobriu, por exemplo, que ela não levava leite condensado — o ingrediente ainda não era produzido por aqui e trazê-lo da Europa era algo caríssimo. Então as escravas cozinhavam tudo com mel e rapadura. Na versão que Denise traz em seu livro, a cocada leva: um copo americano (200 ml) de água, 1 quilo de açúcar, uma xícara de chá de coco ralado grosso e duas xícaras de chá bem cheias de leite em pó.

O mais bacana da história de Denise e seu Capitu Vem para o Jantar é que entre uma leitura e outra — ela, que vem de uma família de italianos com portugueses — aprendeu a cozinhar. “Em casa todo mundo cozinhava bem e tinha o maior prazer nisso, então eu só aproveitava os banquetes sem me preocupar”, conta. Mas ao ler e se enveredar pelas receitas ela percebeu que os dois juntos, literatura e comida, lhe trouxeram uma bagagem de conhecimento incrível e um apetite mais apurado. “Aprendi a ler os livros com outro viés e que, em um país onde ainda se lê pouco, talvez usar a gastronomia seja um incentivo para que as pessoas se interessem mais por isso. Por fim, cozinhar se tornou uma terapia, um momento em que posso refletir sobre o que está acontecendo na minha vida enquanto bato um bolo. E como é divertido cozinhar algo que carrega tanta história”, resume.

O livro de Denise traz mais de 50 receitas de pratos presentes em obras, de clássicos a leituras rápidas e leves. Há desde o cachorro-quente de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, ou a paella de Por Quem os Sinos Dobram, de Ernest Hemingway, até a desastrosa sopa azul de O Diário de Bridget Jones, de Helen Fielding, e o cosmopolitan de Cinquenta Tons de Cinza, de E. L. James. Mas, como boa cozinheira e leitora, Denise tem suas receitas prediletas: o bouef bourguignon, do livro Julie e Julia; a cerveja amanteigada de Harry Potter; e a tal paella de Hemingway. “Em Julie e Julia, Julia (Child, famosa autora de livros de culinária) diz que é um prato perfeito para quando colocam seu talento à prova. E eu tenho usado esse conselho. Faço esse prato toda vez que preciso receber alguém em casa”, revela. “Uma vez, fiz para a mãe de um namorado e ela amou. O relacionamento acabou, mas a amizade com ela continuou, que sempre comenta sobre o sabor da carne, que nunca saiu da cabeça dela.” Já a cerveja amanteigada tem a ver com o fato de Denise ser fã de Harry Potter. “E a paella de Hemingway é uma receita que foi me dada pelo proprietário do restaurante Botin, que era frequentado por ele”, conta, com orgulho.

A comida sempre esteve presente nos livros, provavelmente porque são parte integrante da vida. Há obras em que ela é a protagonista, como em Como Água para Chocolate, de Laura Esquivel (Martins Editora), A Festa de Babette, de Karen Blixen (Cosac Naify), Minha Cozinha em Berlim, de Luisa Weiss (Zahar), ou Comer, Rezar e Amar, de Elizabeth Gilbert (Objetiva). Ok, neste último, os pratos ocupam apenas a primeira parte do livro, mas é irresistível a maneira como a própria Elizabeth vai se fartando com as massas, pizzas e molhos italianos. E a baita vontade que dá de comer cada um daqueles pratos. Mais do que isso, a beleza está em perceber que, quando ela se delicia com tudo aquilo, não alimenta só o corpo, mas a alma, e se refaz, entre uma garfada e outra, do fim do casamento, da falta de sentido da vida. A comida, de certa maneira, a ajuda a se reencontrar.

Arte e comida
É essa capacidade que a comida tem de nos fascinar e ensinar que atraiu a jornalista Michelle Strzoda e a historiadora e chef de cozinha Ana Roldão. A dupla criou o projeto Degustando Palavras, uma série de encontros sobre cultura, memória, arte e literatura e sua relação com a cozinha. E que, em breve, deve se transformar em livro. O Degustando já está na quarta temporada e acontece, atualmente, no Instituto Estação das Letras, no Rio de Janeiro. São cinco conversas, com pratos deliciosos para comer ao final (claro!), que falam sobre a relação de cinco artistas importantes com a comida: a escritora inglesa Jane Austen, a pintora mexicana Frida Kahlo, o pintor catalão Salvador Dalí, a duquesa austríaca Maria Antonieta e o escritor português Fernando Pessoa. Nos encontros, a historiadora portuguesa Ana Roldão, que é pesquisadora de comidas do século 19 e artes à mesa, conta, por exemplo, como Frida Kahlo registrava suas receitas em um caderno que a artista chamou de Livro da Erva Santa. Ali, Frida não apenas passava a limpo suas receitas e pratos favoritos mas também suas memórias e intimidades. De novo, a comida presente na vida e vice-versa. “Frida gostava de receber, era uma ótima anfitriã. E, quando tinha visitas em casa, ia para a cozinha”, conta Ana, que também se dedica a fazer releituras de pratos históricos. “Não sou chef de cozinha, sou historiadora”, afirma de maneira categórica. “Mas, para fazer essas releituras, precisei aprender a preparar os alimentos”, diz ela.

A questão é que a comida sempre esteve muito presente na trajetória dessa historiadora. Ana nasceu e foi criada em Portugal. Quando criança, vivia na casa da avó Cacilda Roldão, uma mulher muito educada e refinada, que a ensinou todas as normas de etiqueta e regras à mesa. “Ela cozinhava com preciosismo, das refeições do dia às mais elaboradas”, relembra Ana, que tem como prato de infância predileto a salada com rissole de camarão. A paixão pelas artes à mesa, que definiu sua carreira profissional, veio desse tempo. O desafio de Ana, atualmente, é contar essas histórias, que têm tão a ver com a nossa história também — somos colônia portuguesa —, só que de um jeito atual. Como falar sobre os hábitos portugueses que herdamos? Contando, como me revelou Ana, que Fernando Pessoa adorava arroz-doce. E que o também escritor lusitano Eça de Queiroz é um dos autores que mais abordam a comida nos livros.

A curadoria do Degustando é feita por Michelle, que não tem tanto apreço por cozinhar, mas aprecia um bom prato, as conversas que surgem em torno da cozinha, da mesa e os livros. “A cozinha é o lugar da casa onde fico mais à vontade para contar histórias e também para conhecer mais o outro. Eu cresci lendo livros ou fazendo lição de casa na mesa da cozinha. Se não tinha borracha para apagar um errinho, por exemplo, usava o miolo de pão para esse fim”, conta ela. Hoje, a cozinha ainda segue sendo inspiração. “O italiano Leonardo da Vinci inventou o guardanapo e era vegetariano. E a gente nem sabe disso”, revela Michelle, que adora ler sobre artistas e escritores e descobrir curiosidades sobre eles ligadas ao comer. “A escritora francesa Simone de Beauvoir, que sempre teve uma aura de arrogância, se libertava quando o assunto era comida. Ela tinha encontros regados a bebida e comida com seu amante.” E segue: “Agatha Christie (escritora inglesa) era uma vovó. Ao mergulhar na vida dela, descobri que o alimento que ela mais consumia era creme de leite e que adorava preparar doces para o marido. Cozinhar era, para ela, tão importante quanto escrever”, conta.

É desse jeito que a historiadora Ana Roldão e a jornalista Michelle Strzoda vão, de um jeito doce — para fazer um trocadilho delicado —, apontando por meio da comida mudanças sociais tão significativas na vida de todos nós. Ou que Denise Godinho recupera em seu Capitu Vem para o Jantar. Todas trazem essa atmosfera de bate-papo ao redor da mesa. E, para fechar essa conversa de cozinha e livros, nada como recorrer ao moçambicano Mia Couto, que certa vez escreveu: “Cozinha não é serviço. Cozinhar é um modo de amar o outro”.

Uma homenagem a Agnaldo Timóteo, o boêmio, não o “boieiro” 4

“Na galeria do amor é assim
Muita gente a procura de
Gente
A galeria do amor é assim
Um lugar de emoções
Diferentes
Onde gente que é gente se
Entende” (A Galeria do Amor)

Cresci ouvindo Agnaldo Timóteo, um dos cantores preferidos do seu Bazinho, meu pai.

Timóteo é um dos mais talentosos intérpretes da Música Popular Brasileira, ainda que alguns ditos “intelectuais” acham que MPB é só coisa para Chico, Caetano, Gil, Zé Ramalho, Djavan etc.

Mineiro de Caratinga, Agnaldo Timóteo foi “descoberto” pela legendária Ângela Maria, de quem foi motorista. Trata-se de uma das maiores e melhores vozes do bolero brasileiro.

Só o seu nome quero gritar
Mas se eu grito todo mundo
De repente vai saber
Que eu morro de saudade
E de amor por você

Aí, que vontade de gritar
Seu nome bem alto no infinito
Dizer que o meu amor é grande
Bem maior do que meu próprio grito

Mas só falo bem baixinho
E não conto pra ninguém
Pra ninguém saber seu nome
Eu grito só meu bem. (O Grito)

Há uma cantiga de Agnaldo Timóteo que gosto muito. É meia cafona, mas, sei lá o porquê, mexe com meus sentimentos mais profundos. Talvez seja pelo fato de fazer-me lembrar de como uma ex-namorada de juventude se sentia ao subir no altar com quem ela de fato não queria.

Branca e radiante vai a noiva,
logo a seguir o noivo amado.
Quando se unirem os corações, vão destruir ilusões.

Aos pés do altar está chorando,
todos dirão que é de alegria.
Dentro sua alma está gritando,
Ave Maria…

Chorará também, ao dizer o sim,
e ao beijar a Cruz, pedirá perdão.
E eu sei que esquecer não poderia,
se era outro amor a quem queria. (A Noiva)

Como baixadeiro que viveu bons e inesquecíveis momentos nos campos alagados de Palmeirândia, não posso deixar passar batida uma canção que remota a essas minhas eternas lembranças:

O meu amor na estação a me esperar
Pegarei novamente a sua mão
E seguiremos com emoção
Pros verdes campos do lugar
E reviver os momentos de alegria
Com meu amor a passear
Nos verdes campos do meu lar. (Os Verdes Campos da Minha Terra)

E para São José de Ribamar, minha terra natal, não fica com ciúmes de Palmeirândia, vamos de “Livre”.

Livre, livre
Livre, nasci como a brisa
Que as praias alisa
E encrespa as ondas do mar
Livre de braços abertos
Os olhos desertos
Do que faz a gente chora. (Livre)

E quem nunca foi num cabaré, nos velhos cabarés, que a boemia chamava, e ainda chama, romanticamente do “puteiro”?

A casa de Irene,
De noite, de dia,
Tem gente que chega,
Tem gente que sai,
A casa de Irene, enfim alegria,
Na casa de Irene, a tristeza se vai
 (A Casa de Irene)

Há uma música de Roberto Carlos, aliás, poucos sabem que é de autoria do rei, chamada os “Brutos também amam” – as feministas que me perdoem. Agnaldo Timóteo conheceu Roberto ainda moço, nos tempos da Jovem Guarda.

Agnaldo nunca perdoou o fato de Roberto Carlos jamais tê-lo convidado para participar do seu programa de fim de ano na Rede Globo.

Que pena tudo terminar
Da maneira que acabou
O seu amor não foi bastante
Pra querer-me como eu sou
Você um dia vai saber
Que eu te amei como ninguém
Minhas lágrimas reclamam
Elas dizem no meu pranto
Que os brutos também amam (Os Brutos Também Amam)

Enfim, o Blog do Robert Lobato poderia ficar esta sexta-feira inteira comentando e relembrando as mais lindas cantigas de Agnaldo Timóteo, que são muitas. Ele merece.

Agnaldo Timóteo merece todas as honras dos maranhenses, ainda mais dos aposentados do “IPEM”.

O que Timóteo não merece é ser explorado no seu talento por um governo que deseja fazer da maior festa popular do Maranhão numa “Casa de Irene”

E para finalizar, o nosso querido e eterno boêmio, não o “boieiro”, Agnaldo  Timóteo em das suas belas canções.

A casa dos meus sonhos
É feita de ilusão
E vive sempre cheia de amor
Amor e solidão. (A Casa do Sol Nascente)

Vida Longa a Agnaldo Timóteo

O boêmio.

Avanço tecnológico acelera quadros de ansiedade

Só encontramos ‘ansiedade zero’ no cemitério, ou seja, após a morte

Karina Simões, via Vya Estelar

Ansiedade é um dos temas mais procurados em meu consultório. Uma preocupação constante com o futuro, pensamentos acelerados que parecem fazer o cérebro não parar e ter uma sensação de nunca desligar-se caracterizam a ansiedade. São relatos como esses que escutamos na clínica todos os dias, ou recebemos mensagens nos pedindo ajuda nas redes socais revelando a velha conhecida:

– Dra., sofro de ansiedade. Ajude-me.

A ansiedade faz parte do nosso viver. Costumo dizer que só encontramos “ansiedade zero” no cemitério, isto é, depois de morto. Assim sentir-se ansioso faz parte do sentir-se vivo. Afinal, sem a ansiedade, a pessoa fica mais distraída e não se dá conta até das situações perigosas que possam vir. Porém, existe uma ansiedade que extrapola pontos de equilíbrio e tira o indivíduo do seu eixo, fazendo com que ele se sinta inseguro, frágil e doente. Essa ansiedade é a patológica.

Deslocar a mente constantemente para o futuro com pensamentos e preocupações sobre o que possa ainda ocorrer e de forma acelerada com sintomas, muitas vezes, somáticos como: taquicardia, sudorese, insônia, sensação de falta de ar, tremores, tontura, entre outros, faz com que surja a tentativa de controle por parte da pessoa ansiosa, para que assim não “perca o suposto autocontrole”.  Assim, para identificarmos a diferença entre a ansiedade normal e a patológica, ou seja, os transtornos de ansiedade, fiquemos atentos à frequência e à intensidade com que os sintomas aparecem, sempre lembrando que esses podem variar de pessoa para pessoa. Para compreendermos melhor: a postura diante do inesperado e do futuro é que diferencia os tipos de reação que a pessoa apresentará.

A tecnologia chegou para melhorar muitas coisas nas nossas vidas, mas não podemos negar que os avanços da modernidade podem e estão agravando as crises de ansiedade. Com isso, as pessoas têm passado muito mais tempo conectadas e recebendo informações 24 horas por dia. Desse modo, o cérebro não tem tido descanso suficiente e é acometido pelos pensamentos acelerados, acostumando mais ainda as pessoas a terem respostas cada vez mais rápidas. A interferência comum dessa tecnologia no comportamento é percebida, hoje, na prática clinica, quando temos recebido cada vez mais pessoas que sofrem e se sentem ansiosas devido às suas redes sociais, por exemplo. Relatam que não se sentem satisfeitas pelo número de curtidas ou porque sentem necessidade de “vigiar” os outros ou a si própria pela rede social.

Fica claro e simples de entender que toda essa modernidade tem ajudado muito e contribuído com a ciência do comportamento e com a neuropsicologia, mas também não podemos negar que esse avanço tecnológico acelera os quadros de ansiedade e tem tido um efeito dominó no equilíbrio emocional das pessoas. O nosso grande desafio é estudar mais e mais e encontrarmos sempre um contraponto e um equilíbrio entre o uso da tecnologia e o bem-estar emocional das pessoas.

Que possamos encontrar na tecnologia uma presença “ansiogênica” positiva para todos nós!

Decisões conscientes

Refletir sobre nossas atitudes é entender aquilo que realmente faz sentido para cada um de nós

Paula Abreu, via Vida Simples

Certa vez, escrevi sobre como deixamos de refletir antes de tomar decisões — muitas delas importantes — na nossa vida.  Sobre como muitas pessoas têm um carro sem nunca se questionarem se realmente precisam de um. Ou como casais decidem ter filhos sem avaliar se realmente ter um filho se encaixa no estilo de vida que levam — ou pretendem levar — e no tempo livre de que dispõem. Por conta desses questionamentos, uma leitora me escreveu o seguinte: “Nossa, mas se eu for pensar a cada vez que for tomar uma decisão, não vai ser muito cansativo?”. De fato, começar a fazer escolhas conscientes pode ser um tanto cansativo no começo. Muitas coisas na vida são assim.

Pense em um bebê aprendendo a andar. Ele levanta titubeando, se segura em um móvel e, quando sente que está de pé, se empolga e solta as mãos. Dá um pequeno passo, no máximo dois, e cai. Mas, em seguida, levanta e recomeça. Centenas de vezes. Certamente é cansativo… Até o momento em que não é mais! Vai ficando mais fácil, natural, se transforma em um hábito. A mesma coisa acontece quando aprendemos a andar de bicicleta ou dirigir.

Mesmo que você nunca tenha se dado conta da incrível possibilidade de controlar a sua própria mente, isso não significa que ela nunca foi controlada. Só significa que, até o momento, um outro alguém estava no controle.

Os seus valores, as suas crenças familiares ou culturais, a forma como você se posiciona diante do trabalho ou das dificuldades, dos relacionamentos, o seu desejo de ter coisas, e até mesmo que coisas você deseja ter, tudo isso foi escolhido por você a partir do mundo externo. Se você não controla a sua mente e não escolhe conscientemente a sua vida, nem mesmo os seus desejos são realmente seus.

Para sua felicidade, mudar essa situação está nas suas mãos. A cada novo dia, você tem a oportunidade de refazer as suas escolhas. De rever os caminhos que escolheu percorrer, as coisas, as pessoas, as opiniões e as conquistas a que escolheu dar valor. E ainda os seus conceitos sobre felicidade e sucesso.

Ao fazer isso, talvez descubra que a carreira que você foi pressionado a escolher aos 17 anos não faz mais sentido hoje. Ou que o relacionamento abusivo ou fracassado que você teima em manter para agradar a família não lhe faz bem. Ou que você detesta fazer crossfit, mas treina só porque está na moda, e o que gostaria mesmo é de escalar montanhas nos finais de semana.

Além de rever as escolhas que fez no passado, pode também começar a fazer novas escolhas com mais consciência. Você mesmo. Faça isso. Defina seus desejos. E, dessa forma, descubra seus próprios valores e crenças. Reprograme a sua atitude. Escolha sua vida.

Paula Abreu é coach e autora do livro Escolha Sua Vida. Oferece meditação gratuita no acreditaemedita.com.br

TEMPOS DE ELEIÇÃO: Alguns cuidados com as redes sociais para evitar estresse ou mesmo perder amigos

Não vale a pena bater boca pelas redes sociais, principalmente em grupos de ZapZap quando é sabido que não vai se chegar a lugar algum. Além de fazer mal ao coração e à pressão arterial, é burrice.

Não tem jeito. Eleição mexe com as emoções, ainda mais de quem trabalha com a política, possui filiação partidária, milita ou faz parte de algum grupo político.

Discutir e defender ideias e ideais é próprio da natureza humana, até porque somos um animal político como bem teorizara o mestre Aristóteles.

Contudo, é perda de tempo tentar convencer alguém que já está convencido por uma tese ou defende um interesse próprio por mais legítimo que seja. Aliás, cada um defende sua tese segundo os seus interesses, mas a palavra final quem dará são as urnas; é ela que mostrará quem estava certo ou errado nas sua tese durante a campanha.

Portanto, não vale a pena bater boca pelas redes sociais, principalmente em grupos de ZapZap quando é sabido que não vai se chegar a lugar algum. Além de fazer mal ao coração e à pressão arterial, é burrice.

A partir desse entendimento, o Blog do Robert Lobato dá algumas dicas sobre como evitar desgastes através das redes sociais, principalmente em grupos de WhatsApp, e assim, evitar estresse desnecessário e principalmente não correr o risco de perder amizades. Vejamos.

– Evite entrar de discussão quando estão tentando desqualificar o candidato que você apoia, pois de uma simples critica pode aparecer ataques mais agressivos.

– Não tente convencer quem não está aberto ao convencimento. Você só ganhará uma incômoda enxaqueca.

– Não adianta debater com quem já tem lado, posição, partido e candidato.

– Não caia em provocações de quaisquer tipos. Na falta de argumentos podem tentar te tirar do sério com piadinhas de mau gosto e coisas do tipo.

– Deixe para visitar o grupo quando já tiver muitas mensagens acumuladas, assim você não se sente na obrigação de ler todas as postagens e dessa forma acaba evitando se deparar com algo que te deixe chateado.

– Leve esportiva as gozações, pois podem ser apenas uma forma disfarçada do seu amigo admitir que você esta no rumo certo.

– Evite ataques pessoais. Podem ser o caminho mais curto para a comprometer uma amizade.

– Não dê importância para opiniões de quem não tem importância para você.

– Opte por grupos qualificados, bem administrados, onde o debate é sério e o respeitoso, de preferência que não tenha “muvuca”.

– No limite, é melhor evitar os grupos de ZapZap nestes tempos de eleição para discutir política. Preferível acompanhar os noticiários pela imprensa, blogs e aqui e acolá marcar um chopinho com um, dois no máximo três parceiros para troca de impressões sobre o processe eleitoral.

Este blogueiro, por sinal, já está se distanciando de grupos de discussões em redes sociais, ainda mais em ZapZap. Rsrsrs.

É isso aí.

SOBRE REALEZAS: Lady Di e Charles (OU: O verdadeiro conto fadas) 10

Mais do que o casamento entre Charles e Diana, o verdadeiro conto da fadas foi a relação extraconjugal do príncipe com a sua amante Camila. Não é fácil, imagino eu, trocar uma bela e jovem loira por uma velha sem graça e que foge completamente aos padrões de beleza

Permitam, meus caros leitores, sair um pouco do enfadonha pauta da política e comentar sobre um assunto que ganhou a mídia internacional nos últimos dias, qual seja a família real britânica a partir do casamento do príncipe Harry e a americana Meghan Markle.

Porém, não é especificamente sobre o casamento dos pombinhos reais Herry e Meghan  que vou tratar nestas mal traçadas linhas, mas sobre o relacionamento entre o pai de Herry, o príncipe Charles, e sua mãe, a legendária princesa da Diana.

Saio em defesa de Charles. E digo o porquê.

A princesa Diana virou um mito. Linda, carismática, humilde e dedicada às causas que dão sentido à vida, Lady Di conquistou o mundo com a sua simplicidade. Particularmente, sou fã da finada princesa.

Porém, vejo muita injustiça no que a mídia fez e faz com o herdeiro do trono da monarquia britânica, o príncipe Charles. É que santificaram a princesa e demonizaram o príncipe.

E para não parecer que seja machismo da minha parte, cito trechos de um texto da saudosa Heloneida Studart, mulher e feminista, que escreveu um dos mais belos artigos sobre relação de amor. Acompanhe. Volto em seguida.

Não me interesso por reis, nem os do baralho.

Mas como me interesso pelo amor e, principalmente, por histórias de amor, não pude evitar o envolvimento diante do final feliz da saga amorosa do príncipe Charles, herdeiro do trono da Inglaterra e daquela senhora de meia-idade, Camila Parker sua eterna namorada.

Trinta e quatro anos de dificuldades de toda ordem, imposições da família real, intrometimentos da igreja, casamentos com pessoas diferentes, cerimônias espetaculares (o casamento com Lady Di foi um dos eventos de maior pompa que o mundo já viu), e o amor dos dois lá, brilhando como a luz do sol.

O romance do feio e desengonçado filho da rainha Elizabeth com a feiosa Camila tinha fortes raízes eróticas, como mostrou o telefonema gravado de um diálogo entre os dois (“eu queria ser um tampax”).

Não valeu o tempo, não importaram as rugas e as pelancas.
O mundo inteiro, convertido aos mitos de beleza da juventude, torceu para que ele amasse a formosa Diana.

No entanto, o príncipe desengonçado só amou a sua bruxinha, com aquela cara amassada e cheia de marcas.

Camila Parker é uma vitória do amor sobre os estereótipos de nosso tempo.

Comigo de novo
Relações a dois nem sempre é como parece nos retratos ou, para ser mais moderno, nos selfies.

Esse caso do príncipe Charles e Diana – e a Camila “comendo e sendo comida por fora” – mostra que nem sempre os esteriótipos convencionais prevalecem.

Mais do que o casamento entre Charles e Diana, o verdadeiro conto da fadas foi a relação extraconjugal do príncipe com a sua amante Camila. Não é fácil, imagino eu, trocar uma bela e jovem loira por uma velha sem graça e que foge completamente aos padrões de beleza.

Mas, quem sabe da gente é a gente. No caso específico, quem sabe do Charles é o Charles!

A princesa Diana já não está mais entre nós. Morreu tragicamente junto com o seu amante, o bilionário Dodi al Fayed. Provavelmente estava feliz ao ter se “libertado” dos protocolos da realeza britânica.

Entre trocas de “chifres reais”, tanto Diana quanto Charles ao final foram felizes, pois souberam e tiveram a coragem de reconhecer que a falência do amor que sentiam um pelo outro era um fato.

Enfim, o príncipe ainda está vivo. Deve herdar o trono da monarquia e reinar a Grã-Bretanha por alguns anos.

Ao lado da mulher que sempre amou.

Isso sim é um conto de fadas!

Neurótico só tem um problema, saudáveis têm vários; entenda por quê

Afinal, qual é o problema do neurótico?

Por Luís César Ebraico, via Via Estelar

Mais de uma vez recebi pacientes perturbados por ‘previsões’ de astrólogos incapazes de processar de maneira adequada as informações com que trabalham.

Recentemente, tive que lidar com a compreensível preocupação de uma mãe a quem foi dito, com base na análise do mapa astrológico de seu filho, que ela ou ele tinha que sair de casa, porque um dos dois iria matar o outro! Casos como esse levaram-me a ministrar, em um curso de formação de astrólogos, uma cadeira com o título de “Cuidados na Transmissão da Informação Astrológica”. Assisti a algumas cadeiras ministradas nesse curso e, numa delas, ouvi um diálogo inesquecível:

Neurótico tem um só problema, os saudáveis têm vários

PROFESSOR (logo no início da aula): – O neurótico tem um problema, blá, blá, blá, blá, blá, blá.

ALUNA (passados já uns quarenta minutos do início da aula): – Mas, professor, afinal das contas, qual o problema que tem o neurótico?

PROFESSOR: – Não, minha filha, você não entendeu. O neurótico tem UM problema, as pessoas saudáveis têm vários…

Raramente eu tinha ouvido um comentário que recobrisse de maneira tão perfeita minha experiência clínica. Com efeito, quanto mais neurótica, mais a pessoa é escrava de UM problema, que ocupa tal espaço em sua vida que os demais problemas deixam de receber a atenção que merecem. Uma paciente, por exemplo, vem a uma primeira sessão e diz que se sente extremamente rejeitada porque não agüenta o fato de que seu ex-marido, mal separou-se dela, já tenha iniciado uma relação estável com outra pessoa, relação que, desconfia ela, talvez já até existisse mesmo antes da separação; vem a uma segunda sessão e diz que que se sente extremamente rejeitada porque não consegue suportar o fato de seu ex-marido, mal separou-se dela, já tenha iniciado uma relação estável com outra pessoa, relação que, desconfia ela, talvez já até existisse mesmo antes da separação; vem a uma terceira sessão e fala que se sente extremamente rejeitada porque é realmente inadmissível que seu ex-marido, mal separou-se dela, já tenha iniciado uma relação estável com outra pessoa, relação que, desconfia ela, talvez já até existisse mesmo antes da separação; vem a uma quarta sessão…

Pois é, o professor de astrologia tinha razão: a pessoa neurótica tem UM problema, as pessoas saudáveis têm vários. Se, um belo dia, essa paciente esquece como se sentiu rejeitada pelo marido e chega dizendo que se sentiu rejeitada pela irmã, já acho que está melhorando; se diz que tem a impressão de que talvez ela paciente rejeite o síndico de seu prédio, está melhor ainda; se diz que talvez tenha inveja de uma amiga, ainda melhor; se raiva de seu dentista, também. Daqui a pouco, vai ter tantos problemas quanto qualquer pessoa saudável.

Não é curioso que minha função, como psicoterapeuta, seja a de AUMENTAR o número de problemas das pessoas?

Eduardo Yabusaki – Psicólogo e Sexólogo Especializado em Terapia Comportamental Cognitiva, Terapia de Casal e Terapia Sexual. Coordenador do Curso de Sexologia Clínica ministrado em diferentes cidades há mais de 15 anos. Docente convidado do Curso de Fromação em Sexologia Clínica de BH. Responsável pelo www.vidadecasalbh.com.br

O que aprendi ao ouvir a minha mãe 4

Se propor a ouvir histórias de família abre caminhos profundos, além de recordações e memórias. Com ouvido atento, além de conhecer a estrada que antepassados percorreram, você pode utilizar muito desse conhecimento para entender o presente e pensar no futuro

Os aprenzidados de uma conversa profunda com a própria mãe | Crédito: Shutterstock.

Eduardo Alves, via Vida Simples

Desde criança, ouço histórias envolvendo familiares, alguns presentes na minha vida e outros que já não estavam por aqui quando comecei a entrar em contato com os causos que os envolviam. Há algum tempo, resolvi mergulhar nas lembranças guardadas na memória da minha mãe e decidi convidá-la para uma conversa na qual o tema fosse este. O objetivo era resgatar histórias de família e estudá-las como inspiração para produção literária. A vida, que é esse mar, avançou sob o rio das palavras e os dois, juntos, me inundaram de reflexões e afeto a cada frase que minha mãe compartilhava. Aprendi muito mais do que eu esperava.

Conversamos por dois dias. No primeiro, a convidei para a minha casa e preparei um bolo de cenoura. O objetivo era adocicar nossos lábios e facilitar a prosa. Minha mãe não está acostumada com gravador e com exposição. Eu não queria me mostrar ávido por aquele momento, mas a ansiedade me batia à porta. Já ouvi inúmeras vezes seus contos, mas minhas emoções não eram as mesmas naquele dia. No segundo, fui até a casa dela no começo da tarde e, com um café em mãos, retomamos do ponto em que paramos. Esses dias foram diferentes, pois não é só ela querendo externalizar, sou eu querendo escutar. Meus ouvidos estavam mais atentos do que nunca.

A Dona Rosa, minha mãe de bolso como carinhosamente costumo chamá-la (ela tem 1,52m e digo que posso levá-la comigo para onde quiser) não passou aquele momento falando de mim, como era meu receio inicial ao me propor a ouvir uma mulher que não se cansa de dizer o quanto me ama e fui esperado. Ela abriu seu baú mais profundo, pegou as linhas que formam a sua biografia e teceu sua Narrativa de Vida até os dias de hoje. Ela me deu seu mais lindo trabalho de crochê.

Ela voltou no tempo com muita facilidade e segurou em suas mãos a infância tão suave e querida que teve, compartilhou sua alegria em morar no Ipiranga, bairro de São Paulo, suas histórias de criança, a bela relação construída com seu pai, o imenso carinho pela mãe, a compreensão dos irmãos, o afeto pelos demais que foram acolhidos mais tarde em sua casa.

Também falou da juventude e do Roberto Carlos, sua paixão dos 15 anos. Compartilhou sobre como começou trabalhar cedo para ajudar em casa e, como na vida de todos nós, suas frustrações. A mudança de São Paulo e o impacto que isso teve em toda a sua história. Ela jamais esqueceu o quanto esse fato lhe afastou das coisas que a alegravam.

Expôs uma vida de dedicação à família, seu objetivo incansável de vê-los felizes; a sua atual dedicação à mãe, que passa da casa dos 80 anos. A renúncia de si própria muitas vezes para o bem do próximo. A constante preocupação com o outro.

E, sem perceber, nos não ditos, naquilo que não queria tocar, dividia comigo os sacrifícios que aceitou para buscar o bem-estar de todos. Nunca havia visto tanta generosidade nela como nesse dia. E foi tanta que ela não me contou parte da história que eu conhecia. A mulher forte que ela resgatou dentro de si ao se separar tendo um filho, ainda pequeno, e uma adolescente sob sua responsabilidade. Ela também não mencionou ter tido três empregos ao mesmo tempo para poder cuidar dos filhos, devolver um lar a eles, não lhes deixar faltar nada. Das dores e dos amores de um casamento à revelia da família. Também não comentou dos medos que sentiu nessa época e antes, mas, eu os via nos seus olhos azuis. A gente sempre conversou pelo olhar.

Eu entendo ela não falar disso. Não foi fácil e talvez ainda não seja. Mas, para mim, que tenho isso como uma recordação dos 9 anos, me sinto muito orgulhoso dela ter sido essa Gigante. Eu nunca vou esquecer do que vi e me serviu de exemplo.

Fui surpreendido com memórias que não me haviam sido apresentadas e fiquei muito feliz por, além de reviver com ela momentos já conhecidos, abrir caminho para livros da sua vida que há muito não eram visitados.

Hoje entrar em contato com estas histórias, ouvir sobre meus avós, tataravós, tios, tios da minha mãe, me conecta melhor com o que sou hoje. Ver hábitos que estão em mim e identificá-los no passado, entender evoluções a partir da construção do que meus antepassados foram um dia faz tanto sentido para explicar caminho de hoje.

Esse aprendizado foi mais rico do que qualquer banco de escola, reunião de trabalho ou curso que eu tenha feito ao longo da vida. Aprendi sobre os causos que acompanham a minha família, me vi nas histórias na medida que identificava nelas algo que, de alguma maneira, estão presentes em mim. Me ajudam a entender o material que me forma, não só fisicamente, quando vejo fotografias, mas afetivamente, quando entendo a carga emocional envolvida nessas relações.

Vejo como o curso dessa água vem carregando histórias que agora passam por mim e clarificam pensamentos e questionamentos que me faço ao longo da vida. Ter essas memórias comigo é ter paz.

Eduardo Alves é jornalista e costuma publicar suas ideias e seus textos cheios de alma aqui: https://medium.com/kayua