Tudo envolve dinheiro

A maneira como você se relaciona com o dinheiro tem a ver com a sua história de vida

A nossa relação hoje com o dinheiro tem a ver com a nossa história | Crédito: Shutter

Kátia Avelar, via Vida Simples

Recentemente, enquanto aguardava o momento de dar uma palestra sobre construção da reserva financeira, numa grande empresa e para um público diversificado, passaram 2 pessoas por mim e uma falou para outra: “Tudo envolve dinheiro.” Imediatamente pensei: nossa que coincidência … e comecei a pensar em muitas coisas. Em que contexto elas estavam falando: vida pessoal ou trabalho ? Mas em seguida, concluí que isto era o que menos importava e o interessante foi que os meus pensamentos não pararam mais, coloquei algumas ideias num papel e já para a palestra levei este olhar tão humano sobre uma questão tratada em geral como exata, racional, “preto no branco”.

E daquele dia até hoje, este artigo começou a ser gerado !

Acompanhe-me nas situações a seguir, extraídas das páginas do meu diário.

Em casa … por volta dos meus 15 anos, meu pai servidor público passou a receber o seu salário com atraso por conta de problemas gerados pela gestão indevida do fluxo de caixa. Naquela época, não tinha conhecimento do que isto significava, mas foi uma lição de educação financeira para mim e minha família. Eu aprendi a negociar, pedir desconto na escola para compra das minhas apostilas, comprar produtos para revender, ser econômica. Meus pais, eu e minha irmã, fortalecemos nossos laços através do diálogo sobre o que estava ocorrendo e como podíamos contribuir com soluções para superar aquele momento.

Com os amigos … já na faculdade, tínhamos amigos que vinham de longe para estudar e suas economias para almoçar e fazer lanche eram “contadas”. Eu podia almoçar em casa todos os dias e lanchar o que eu quisesse, era maravilhoso. Aprendi como há diferenças econômicas e que saber conviver com elas, permitiu-me exercitar o sentimento de gratidão e do pensar transformador para contribuir com o processo de melhoria na sociedade, começando nos círculos de amizades. E até hoje, num simples chopp, a flexibilização do padrão de consumo em prol da participação de mais amigos é um exelente exercício para saber adaptar-se e ajustar a trajetória financeira nos diferentes momentos da minha vida.

No trabalho … numa equipe, além dos diferentes níveis salariais, cada um traz a sua história de vida e saber ouvir e acolher um colega de trabalho é mais uma oportunidade de ser solidário e de ajudá-lo a encontrar a forma de equilibrar a sua vida, incluindo as finanças. E isso foi um laboratório para construção do meu programa de finanças pessoais – o Detox dos Gastos.

No exercício da espiritualidade … vejo o dízimo como uma forma de expressar minha gratidão pelo que tenho e contribuir com as finanças sociais. Forma de movimentar o meu dinheiro e alimentar o fluxo da abundância em minha vida e na economia em geral. Não é mágica, é ação através da valorização das diferentes utilizações do dinheiro no dia a dia.

E nesta ciranda da vida, as tarefas do dia a dia são executadas através de ações individuais e relações humanas onde o afeto e o dinheiro são condutores que mantém a dinâmica na vida de cada um: objetivos são definidos e o acúmulo de patrimônio financeiro é o meio para exercermos a nossa liberdade de escolha.

Os conceitos, indicadores, produtos de investimentos podem ser adquiridos através da educação financeira e de um especialista que te oriente. O planejamento financeiro será o mapa para realizar os seus objetivos e o profissional um facilitador na clareza da sua dinâmica diária de lidar com a sua renda. Mas é a sua história de vida que produzirá necessidades, desejos e sonhos que são únicos e podem mudar com o tempo. Por que ? Pelo simples fato de que viver de forma abundante e próspera está à disposição de todos, mas cada um tem que “ajustar as velas do seu barco” – a vida que deseja ter e proporcionar aos que ama, a cada momento.

E agora, faz mais sentido o Prêmio Nobel 2017 ser dado para um trabalho no ramo da economia comportamental ? Então, como ressaltou o mestre Richard H. Thaler: “Para fazer uma boa economia, você deve ter em mente que as pessoas são humanas”.

Em uma era, em que as relações humanas estão passando por crises, reflexões e transformações, entender primeiro da porção humana em tudo na vida, é a chave para transformar realidades falidas em oportunidades de realização. Arrisco dizer que é a saída para os desequilíbrios instalados e intensificados nos últimos 15 anos no mundo. E cabe a cada um de nós, vivermos nossa humanidade, entender nossos limites, fortalecermos com o aprendizado e definirmos nossos processos de mudanças e vida com propósito !

Então, mãos à obra que o dinheiro está presente em tudo e é apenas mais uma questão a conhecer e desmistificar na sua vida !

* Kátia Avelar é economista e mestre em Economia, consultora em Finanças Pessoais. Trabalhou por 25 anos no mercado corporativo e há 2 anos criou o Detox dos Gastos. Conteúdos e trabalhos desenvolvidos são compartilhados no perfil do instagram @katia_avelar e em https://www.facebook.com/detoxdosgastos/

BARRA DO CORDA: Duas tragédias que abalaram uma cidade marcada pela violência 8

Em menos de dois meses a cidade de Barra do Corda virou palco de dois acontecimentos trágicos e violentos.

Barra do Corda, município localizado na Região Central do Maranhão, foi palco de dois trágicos acontecimentos que já fazem parte da crônica policial não somente do estado, mas, quiçá, do país!

No dia 9 de outubro, o comerciante Francisco Edinei Lima Silva, de 40 anos, morreu após ficar preso por cerca de 18 horas em uma jaula a céu aberto nos fundos de uma delegacia da Polícia Civil na cidade. O fato ganhou repercussão na imprensa nacional e expôs a fragilidade que persiste no sistema prisional do Maranhão.

Dois meses depois, mais precisamente na última quarta-feira, 4, Barra do Corda volta às páginas policiais desta feita com a execução do senhor Manoel Mariano de Sousa, conhecido também como Nenzim, ex-prefeito da cidade e destaca liderança política da região.

O ex-prefeito foi alvejado covardemente por Júnior de Nenzim, seu filho.

O motivo do filho executar o pai pode ser resumido em uma única palavra: dinheiro.

O filho assassino disputou a eleição de prefeito de Barra do Corda em 2016 e teria acumulado muitas dívidas de campanha. Então a forma nada engenhosa e honesta que encontrou para saldar os débitos foi roubar o pai, que, ao descobrir que estava sendo subtraindo nos seus bens pelo rebento, o confrontou e acabou pagando com a própria vida.

Essa história é trágica em todos os aspectos.

Em primeiro lugar, trata-se de algo que ocorre ao longo da história, ou seja, filhos matarem os pais e vice-versa. Lembram-se do “até tu, Brutus, meu filho?”, da Roma Antiga? Ou mesmo o caso da Suzane Richthofen, que planejou a morte dos próprios pais com os irmãos Daniel e Christian Cravinhos em outubro de 2002? Pois é.

Em segundo lugar, estamos falando de uma família que sempre esteve envolvida com casos de violência onde problemas incômodos podem, se fosse o caso, ser resolvidos à bala.

Depois, é mais um caso onde um filho que sempre teve tudo e todos a sua disposição não aceitar ser contrariado nem mesmo pelos país.

Comenta-se que Júnior de Nenzim era um dos filhos mais próximo do pai. E ainda que não fosse, o senhor Nenzim jamais temeria dar às costas para quaisquer um dos filhos com medo de levar um “balaço” na cabeça, mas, desgraçadamente, foi o que ocorreu.

Por fim, essa cara não é só calculista, covarde e um assassino frio. Júnior de Nenzim é sobretudo um burro, um tremendo idiota narcisista.

Acabou com a vida do pai, da mãe – dona Santinha -, dos seis irmãos, incluindo o deputado estadual Rigo Teles, enfim, acabou com toda a família.

Que presente de Natal esse Júnior de Nenzim resolveu dar aos seus e ao povo de Barra do Corda…

Por que pessoas com valores duvidosos se dão bem na vida profissional? 2

Por Dr. Tomas Chamorro-Premuzic para a Harvard Business Review, via Vya Estelar

Como sabemos, não apenas os “mocinhos” sobem na carreira em organizações. Como disse Robert Hare em uma palestra: “Nem todos os psicopatas estão na prisão – alguns deles estão no topo das organizações.”

A psicopatia, o narcisismo e o maquiavelismo formam a “tríade sombria”. Deve-se notar que, ao contrário dos traços de personalidade patológica, esses traços são normalmente distribuídos na população – por exemplo, você pode ter uma pontuação baixa, média ou alta nessas características – e ter indicativos de funcionamento perfeitamente normais. Em outras palavras, só por que você apresenta fortes indícios dessas características não significa que esses valores tragam problemas para sua vida pessoal ou para o trabalho. E, apesar das implicações dessa tríade sombria, pesquisas recentes têm destacado uma ampla gama de benefícios derivados dessas características de personalidade.

Indivíduos psicopatas geralmente são mais desonestos, egocêntricos, imprudentes e cruéis que a média da população. O maquiavelismo está mais relacionado a um charme superficial, manipulação interpessoal, enganação, crueldade e impulsividade. Pessoas que têm altos índices nessa escala são moralmente fracas e têm a propensão a endossar a ideia de que “os fins justificam os meios” ou concordar com “é difícil avançar sem aparar algumas arestas aqui e ali”.

O narcisismo está relacionado a sentimentos irrealistas de grandiosidade, um ego inflado – embora frequentemente instável e inseguro – com um senso de autoestima e de sentir-se no direito egoísta de tratamento especial, aliado à pouca consideração pelos outros.

Assim como o termo e a lenda de Narciso sugerem, indivíduos narcisistas são tão autoindulgentes que podem acabar se afogando no amor-próprio – isso torna difícil para eles focarem em outras pessoas. Narcisistas frequentemente são charmosos, e o carisma é um lado socialmente desejado do narcisismo; Silvio Berlusconi, Steve Jobs e Jim Jones personificaram isso.

Em um estudo recente realizado em empresas alemãs, o narcisismo mostrou uma correlação positiva com o salário, enquanto o maquiavelismo se correlacionou ao nível de liderança e satisfação na carreira. Estas correlações eram significativas mesmo depois de controlar os efeitos demográficos, do cargo, do tamanho da empresa e das horas trabalhadas.

Anteriormente, um estudo descobriu que indivíduos com características psicopatas e narcisistas gravitavam para o topo da hierarquia tradicional e tinham altos níveis de realização financeira. Alinhadas a essas informações, algumas estimativas apontam que a taxa básica de níveis clínicos de psicopatia é três vezes maior entre conselhos corporativos que na população geral.

Então, por que essas pessoas com valores duvidosos se dão bem na vida profissional?

Em parte, porque claramente há um lado-luz nesse lado sombrio. Um estudo que examinou a sobreposição entre as características positivas e negativas da personalidade revelou que extroversão, abertura a novas experiências, curiosidade e autoestima são geralmente maiores entre personalidades da tríade sombria. Além disso, traços dessa tríade tendem a aumentar a competitividade, no mínimo pela inibição da cooperação e dos comportamentos altruístas no trabalho.

Estudos também revelaram que tendências psicopatas e maquiavélicas facilitam táticas de sedução e intimidação que assustam potenciais competidores e encantam chefes. Isso explica por que indivíduos com essas características são frequentemente ótimos atores, além de bem-sucedidos (a curto prazo) nos relacionamentos sexuais.

É importante entender que todos esses ganhos individuais vêm com prejuízos para o grupo.

Embora obviamente exista um elemento adaptativo para a tríade sombria – o que explica por que pessoas com valores distorcidos muitas vezes tenham sucesso – esse sucesso tem um preço, que geralmente é pago pela organização. E quanto mais poluído e contaminado o ambiente – em um sentido político – mais essas personalidades parasitas prosperam.

Mas como diz o ditado, tudo é melhor quando usado com moderação. Por exemplo, estudos mostraram que um nível intermediário de maquiavelismo aponta o mais alto nível de “cidadania organizacional”, talvez por serem politicamente perspicazes e bons em estabelecer redes de relacionamento, especialmente nos níveis superiores para ascender profissionalmente.

Outro estudo que analisou a liderança militar apontou que os melhores líderes mostraram características do lado-luz de narcisismo enquanto inibiam os traços sombrios: eles tinham altos índices de autoestima e apreço por si mesmo, mas baixos em manipulação e busca de causar uma impressão positiva.

Assim é possível pensar que as tendências do lado-sombra são fortalezas usadas em excesso — tendências que são bastante adaptativas e conduzem ao sucesso em curto prazo, mas que levam a problemas no longo prazo, especialmente quando pessoas com estas tendências não têm consciência a respeito delas. Ou seja, o lado-sombra representa os ativos tóxicos da nossa personalidade. Você pode transformá-los em armas para sua carreira, mas o grupo poderá perder, enquanto você ganha. A personalidade é um lubrificante importante para a carreira, mas traços da tríade sombria são mais efetivos em nível individual do que para o grupo.

Dilemas: Como mudar um mau hábito? 2

Parar de fumar, emagrecer, se exercitar. Ter uma vida mais saudável, enfim. Essa parece ser a busca de muita gente, mas poucas pessoas conseguem, de fato, alterar sua rotina, sua maneira de ser e estar no mundo. A boa-nova é que isso é possível, mas demanda algo além do que simplesmente uma boa dose de força de vontade e determinação

Raul Aparici, via Vida Simples

Comer sem prestar atenção, procrastinar, fumar, usar excessivamente o celular, beber. A lista é imensa. Todos temos alguns maus hábitos e nos sentimos, na maioria das vezes, péssimos em relação a eles. Acreditamos que, se conseguíssemos controlá-los, seríamos mais felizes, saudáveis, presentes e faríamos tudo. Nossas relações melhorariam e isso causaria um efeito dominó ao nosso redor e, então, o trabalho e até a cidade onde moramos se tornariam mais agradáveis. Então por que insistimos em fazer coisas que sabemos serem ruins para nós e para quem está próximo? Como podemos mudar de destrutivos para produtivos? Por que, depois de diversas advertências de saúde, fotos explícitas em maços de cigarro, campanhas do governo sobre alimentação saudável e exercícios e anos de pesquisas em psicologia comportamental, ainda escolhemos nos autodestruir lentamente? O que podemos fazer com relação a isso? Temos força de vontade, obviamente. Instintivamente, sabemos que ela, no final das contas, é a única coisa que fará diferença, mas isso é só metade da história. Para termos a melhor chance possível de eliminar hábitos ruins, precisamos do que chamo de DCC da formação e eliminação de hábitos: Defensores, Curiosidade e Compaixão. Vou explicar. Há duas questões importantes a considerar quando decidimos deixar um hábito danoso para trás, seja emagrecer, seja parar de fumar: como e por quê.

Como?
É aqui que juntamos a força de vontade e outras fontes de apoio, incluindo amigos, colegas e qualquer outra pessoa que possa ter passado pelo mesmo problema com o qual lutamos, bem como todas as outras ferramentas e recursos que conseguimos encontrar: de livros a vídeos motivacionais no YouTube, aplicativos, planos de exercícios. Tudo isso é válido para ajudá-lo a construir uma estrutura que fará a força de vontade ter a melhor chance possível de sucesso. Coletivamente, são o que chamo de Defensores. O como é incrivelmente importante: sem um mapa claro de quais são nossos objetivos e recursos, provavelmente vamos fracassar. Embora, para alguns de nós, possa parecer restritivo microgerenciar a vida enquanto passamos de hábitos ruins para positivos, paradoxalmente é nessa estrutura que encontramos a liberdade para prosseguir. Pense na força de vontade como um músculo: quanto mais você usa, mais forte ele fica. No entanto, também como um músculo, você pode cansá-lo se o usar em excesso e cedo demais. Tente evitar situações nas quais sua força de vontade estará fraca e pense em estratégias que o ajudem a seguir em frente. É mais difícil dizer “não” para uma fatia de bolo se você pulou o almoço, ou recusar um cigarro depois do terceiro drinque, na happy hour da sexta-feira. Até desenvolver hábitos mais saudáveis, seria bom se manter longe de situações que o façam recair. Ou, ainda, se preparar do melhor jeito possível enquanto sente que ainda está no controle. Levantar para correr às seis da manhã é muito mais fácil se você tiver ido dormir cedo. E ter à mão petiscos saudáveis será útil para driblar a vontade de comer o cupcake oferecido pela colega de trabalho. Há muitos caminhos para ajudá-lo a descobrir como você deveria mudar um mau hábito (e, às vezes, fazer você se sentir um fracasso porque ainda não conseguiu!). No entanto, minha experiência já me mostrou que o como só deveria vir depois de você passar um bom tempo trabalhando no por quê.

Por quê?
A pergunta que deveríamos nos fazer é: por que precisamos romper o hábito e por que o começamos? Precisamos, antes de mais nada, desenvolver uma noção de curiosidade em relação a ele. A sociedade rapidamente nos diz que nossos hábitos nos matarão e o quanto somos um fracasso por não conseguir mudá-los, mas não aborda o motivo pelo qual fazemos o que fazemos. Precisamos aceitar que estamos tirando algo bom de nossos maus hábitos, mesmo daqueles que nos matam. Sempre há uma recompensa. Toda vez que falhamos em nossas tentativas de mudar, devemos evitar a culpa e a vitimização e, no lugar disso, pegar nosso chapéu de arqueólogo. Como Indiana Jones, precisamos entrar em um processo sistemático de seguir sinais e pistas externas para desvendar tesouros escondidos nas profundidades esquecidas de nossa mente. Precisamos confiar que há um motivo enraizado para nossos comportamentos e que tentar alterá-los sem entender o porquê deles não nos trará sucesso. Pense em seus maus hábitos como supervilões: só revisitando seu passado e entendendo sua história e escolhas é que eles conseguem, depois de muita luta e determinação, voltar a ser “bons”. No final, podemos sentir compaixão pelo vilão, que, bem no final, antes de morrer em um ato de sacrifício próprio, alcança a redenção ao se reconectar com quem era antes de se tornar mau. É altamente provável que tenhamos iniciado um mau hábito porque, na época, ele nos trouxe algum grau de conforto e proteção. Talvez tenhamos começado a fumar na adolescência para nos encaixarmos no grupo, ou comido um tablete enorme de chocolate ao terminar o primeiro namoro sério, mas, embora nossas necessidades possam ter mudado desde então, ainda repetimos os mesmos comportamentos: somos o que fazemos repetidamente. Um elemento essencial dos hábitos é que ele é automático. Ao tentar adquirir um bom hábito (exercícios regulares, por exemplo), o objetivo é garantir que não se precise mais pensar nisso. Ele é incorporado e se integra à vida.

Autocompaixão
Em vez de usar todas as armas e, ao mesmo tempo, tentar parar de fumar, fazer dieta, começar a se exercitar, recomendo uma abordagem mais comedida. Primeiro, aceite, desde o começo, que a chance está contra nós; independentemente do que tenhamos lido ou ouvido em reportagens ou de amigos e colegas bem-intencionados, eliminar maus hábitos é um trabalho duro. Lembre que temos apegos emocionais diferentes a nossos hábitos; só porque foi fácil para um amigo não significa que será para você. A preparação para essa realidade é crucial e permitirá demonstrar autocompaixão quando as coisas ficarem difíceis e você fumar um cigarro ou comer um biscoito. Isso ajudará a dizer a nós mesmos: “Ok, era de esperar, tento de novo amanhã”. Queremos mudar o tipo de pensamento que diz “bom, comi bolo, então o dia/semana/mês já está arruinado” para “bom, dá para entender por que comi bolo agora: aquela reunião foi emocionalmente cansativa. Eu me perdoo e ainda consigo me manter nos trilhos com um jantar supersaudável hoje”. Essa autocompaixão nos permite seguir em frente apesar de nossas falhas. A compaixão também é essencial para adquirir hábitos mais saudáveis; embora a cultura popular insista em afirmar que são necessários 21 dias para que um novo bom hábito “pegue”, sabemos, por pesquisas, que esse não é o caso para a maioria de nós. Estudos mostraram que, embora desenvolver um novo hábito simples, como beber um copo de água ao acordar, possa ser atingido em 21 dias, a quantidade de tempo que uma mudança leva para se fixar está relacionada a quão fácil ou difícil seja executá-la. Para alguns participantes de um estudo, inserir exercícios na rotina levou a maior parte do ano. Portanto, se dê um desconto. Segundo, decida sobre uma coisa que você queira enfrentar primeiro e comece a observar como ela acontece em sua vida. Antes de morder aquele bolinho, se faça perguntas: “Que horas são? Sempre como algo ruim nesta hora? Estou com fome?”. Observe o que está acontecendo com você emocionalmente, ao seu redor e em seu corpo pouco antes de mordiscar o doce. Comece a montar um retrato, sem julgamento, de quais são as constantes quando você come distraidamente. Lembre que hábitos dependem de automação, então não ignore nada. Terceiro, mergulhe fundo. Faça a si mesmo as maiores perguntas. Use um amigo ou terapeuta para começar a ir além da superfície de suas ações. Lembre-se de que muitas razões para termos hábitos ruins são inconscientes, o que significa que não temos muita chance de mudar a não ser que possamos começar a iluminar os motivos frequentemente dolorosos e esquecidos por trás de nosso comportamento. Às vezes, pode ser verdade que fazemos as coisas simplesmente porque gostamos, mas te encorajo a olhar mais fundo e pensar na possibilidade de haver outras razões ocultas em jogo. Se esse tipo de questionamento não gerar nenhum resultado e não conseguirmos compreender a raiz do hábito, podemos olhar para a repetição em si. Uma das coisas mais fascinantes nos maus hábitos é a repetição. Ficamos envolvidos no comportamento, sabendo perfeitamente bem que ele nos prejudica de algum jeito. Pergunte-se: “Quem estou ajudando com esse comportamento? Quem estou machucando? O que diria para minha versão mais jovem antes de iniciar esse hábito?”. É nesse momento que, armados com as ferramentas do autoconhecimento e da autocompaixão, deveríamos iniciar honestamente a jornada de como romper um hábito. Devemos voltar recorrentemente ao nosso por que, adaptar e nos questionar a todo momento. Finalmente, há mais uma coisa a fazer quando conseguir eliminar o mau hábito. Em muitos casos, nossa relação com ele pode ser uma das mais longas que já tivemos, então é importante reconhecermos isso e tratá-lo como faríamos com qualquer outro rompimento: agradecemos nossos ex-parceiros pelo que trouxeram à nossa vida, aceitamos e lamentamos a perda e começamos a procurar um encaixe melhor para nossas futuras relações, armados com um conhecimento mais profundo de nós mesmos, nossos pontos fracos, gatilhos e, o mais importante, nossa capacidade de ter sucesso.

A série Dilemas é uma parceria entre a revista vida simples e a The School of Life e traz artigos assinados por professores da chamada “Escola da Vida”. A série tem como objetivo nos ajudar a entender nossos medos mais frequentes, angústias cotidianas e dificuldades para lidar com os percalços da vida.

Raul Aparici é professor da The School of Life em Londres. E trabalha, entre outras coisas, em programas de equoterapia para mulheres com problemas de abuso de substâncias no sistema carcerário do Reino Unido.

Você tem medo de desagradar os outros?

Saiba como fortalecer sua autoconfiança

Thaís Petroff, via Vya Estelar

Não é incomum conhecermos pessoas que sentem necessidade de agradar outras ou medo de desagradá-las.

Há a necessidade de se sentir aceito e a opinião do outro tem um peso muito grande sobre como a própria pessoa se percebe.

Se você se identifica com essa descrição, já parou para pensar o que te faz sentir assim?

Com que muitas vezes se torna mais importante agradar ao outro do que a si mesmo ou até abrir mão de coisas importantes para você em prol de não desagradar outra pessoa?

Talvez você tenha respondido que se sente inseguro(a) ou tem baixa autoestima. Se foi isso que pensou você acertou.

Para podermos ser assertivos e lidarmos com a possibilidade de desagradar o próximo (e ligado a isso o medo da rejeição) precisamos ter autoconfiança.

Nosso valor como pessoa nada tem a ver com a opinião dos outros

Saber do nosso valor como pessoa e que este nada tem a ver com a opinião dos outros a nosso respeito, ou seja, que se alguém discordar de nós ou mesmo não gostar de alguma escolha ou comportamento nosso, que isso não diminui o seu valor ou te torna alguém pior.

Como fazer isso?

Para poder ter mais autoconfiança e não depender tanto da opinião dos outros, primeiro é preciso saber o que você pensa e deseja. Sem autoconhecimento isso é impossível.

Portanto, o primeiro passo é ir percebendo cada vez mais o que você pensa e/ou sente diante das diversas situações que te aparecem.

Uma maneira bastante fácil de fazer isso é se perguntar sempre que te fazem um convite, que você precisa tomar uma decisão, que você precisa ter uma ação, o que você realmente pensa sobre isso ou como gostaria de proceder.

Mesmo que no início seja difícil de fazer o que você realmente gostaria (por medo de desagradar o outro) isso já te auxiliará a ir tomando mais consciência das suas opiniões e desejos.

Conforme você for percebendo isso melhor, vá aos poucos testando em uma situação ou outra colocar sua opinião e/ou vontade. Se for necessário comunique ao outro que isso é algo importante para você.

Boas relações são aquelas onde há respeito e cuidado. Se o outro não demonstra atenção ou abertura para suas vontades e opiniões, cabe uma reflexão sobre a funcionalidade e qualidade dessa pessoa em sua vida.

Conforme você for praticando isso aos poucos, perceberá que a insegurança vai diminuindo e paralelamente sua autoconfiança estará crescendo.

O mais difícil é começar, como um carro que precisa de muito mais força para sair da inércia (por isso a primeira marcha e a ré são as marchas mais potentes do carro) mas, após começar a andar, a força a ser despendida vai diminuindo pouco a pouco.

Permita-se!

Seja bem-vindo, dezembro!

O mês de dezembro me traz lembranças maravilhosas de tempos que se não voltam mais, é verdade, ao menos ficaram registrados na minha mente e no meu coração e que levarei para a eternidade.

Sexta-feira, primeiro de dezembro. Inicia hoje o que, na minha opinião, é o melhor mês do ano – como gostaria de ter nascido neste mês…

Dezembro é especial por vários motivos.

Em primeiro lugar, por ser um mês de confraternização. Celebração do nascimento do Senhor Jesus Cristo que, pelo menos em dezembro, muitos se dão conta de que Ele existe e que sem Ele nada feito!

Em segundo lugar, o reaparecimento do bom velhinho Papai Noel.

É verdade que o consumismo impera em dezembro, mas a magia despertada pelo mês torna o ato de consumo em algo mais humano, mais afetuoso, ou seja, não é “comprar por comprar”, mas trocar de gentilezas, dar e receber carinho em forma de presente, seja ele qual for. Aliás, o menos importante é o presente em si, mas o que ele representa em termos de demonstração de carinho e amor.

Dezembro é virtuoso. Tempos onde as pessoas parecem se reencontrar com a sua essência humana; São 31 dias de leveza espiritual, momentos para reflexões diversas, enfim, período onde aflora sentimentos nobres e valores que realmente dão sentido à vida.

Finalmente, o mês de dezembro me traz lembranças maravilhosas de tempos que se não voltam mais, é verdade, ao menos ficaram registrados na minha mente e no meu coração para toda a eternidade.

Por tudo isso e muito mais, seja bem-vindo, dezembro!

ESPAÇO FEMININO: Feministas também podem sonhar com príncipes 2

Já tive casos como mulheres feministas, na juventude, e posso dizer com propriedade que por traz de toda mulher de “grelo duro” bate um coração mole

As feministas, ao menos na grande maioria, são chatas. Algumas vezes inconvenientes e mal educadas.

Não concordo, porém, com esteriótipos de que as feministas são, obrigatoriamente, mulheres feias, mal amadas, que não gostam de homens dominantes etc.

Já tive casos com mulheres feministas, na juventude, e posso dizer com propriedade que por traz de toda mulher de “grelo duro” bate um coração mole. Aqueles discursos “raivosos”, contundentes, antipáticos e gênios ranzinzas muitas vezes podem ser explicados por uma infância/adolescência complicada geralmente ligados à experiência traumatizantes no seio familiar.

Mas, vamos ao que interessa.

Descobri um belo artigo da jornalista, e feminista, Mariliz Pereira Jorge, publicado na originalmente na Folha de São Paulo, que trata sobre o comportamento de algumas feministas.

Mariliz, com esse nome a jornalista não tinha como deixar de ser feminista (rsrsrs), analisa comportamentos das mulheres de “grelo duro” à luz do romance do Príncipe Harry, herdeiro da monarquia inglesa, com atriz americana Meghan Markle.

“Ah, Bob, muito fácil para uma feminista falar em romance e contos de fadas quando uma delas é visgada por um príncipe da mais tradicional e poderosa realeza do mundo”, detonaria uma leitora lá não muito chegada às filosofias feministas.

De fato, qual feminista por dura e bem sucedida que seja não se renderia aos encantos de um príncipe de verdade, de carne e osso?

Bom, vou deixar que a própria Mariliz Pereira Jorge conte para vocês essahistória.

Fiquem com Feministas também podem sonhar com príncipes

por Mariliz Pereira Jorge, via Folha de SP

Parece que as pessoas não entenderam nada sobre o papo “mulher pode ser o que ela quiser”, a premissa básica do feminismo. Inclusive casar com um príncipe, veja só. Inclusive se casar. Inclusive ser feminista e ser pedida em casamento por um nobre que se ajoelhou e sacou um anel numa caixinha.

Sim, teve isso. Príncipe Harry fez como nos contos de fada, caiu de joelhos e pediu a mão da atriz americana Meghan Markle, que aceitou antes mesmo de ele terminar a proposta. Sim, sim, sim. Porque é isso que a maioria das pessoas faz quando se apaixona e é correspondida. Casa-se. Mesmo as feministas. Mesmo que seja com um príncipe.

Meghan Markle é uma ativista declarada, do tipo que diz “nunca quis ser uma mulher que almoça, sempre quis ser uma mulher que trabalha” ou “uma mulher pode querer estar bonita e ainda assim lutar pela igualdade de gênero”.

É disso que trata o feminismo, oportunidades iguais, poder de decisão, escolhas, um mundo mais justo e menos violento para as mulheres.

E, que coisa, Meghan pode dizer “sim” a um príncipe porque quis. Não foi obrigada. Os dois se parecem exatamente como qualquer outro casal apaixonado, contando como se conheceram, como se envolveram e por que decidiram ficar juntos. Tudo isso enquanto assavam um frango. Verdade. Eles contaram num vídeo que circula na internet. Ok, é uma história com cifras milionárias e a coroa britânica. Mas as diferenças acabam aí.

Deixa eu contar uma coisa que talvez seja um pouco chocante. Feministas não apenas se casam, como têm filhos, algumas param de trabalhar, se dedicam à família. Ou não. Muitas não têm a menor intenção de juntar os trapinhos com alguém, não pensam em procriar. Feministas são médicas, advogadas, secretárias, engenheiras, atletas, empresárias, donas de casa, putas.

Se você acha que feminismo é sobre odiar os homens, saiba que está atrasado um capítulo nessa história. Tem feminista assim, um tipo que também precisa de reciclagem. Mas como eu disse, trata-se de um movimento que luta pelo direito da mulher de ser o que quiser e fazer o que bem entender. Só isso. Se você fizer um pouquinho de esforço, vai ver que não é complicado.

Meghan está exercendo o feminismo da sua maneira. Escolheu com quem quer casar e o tipo de vida que vai levar. As pessoas confundem os sinais. Tem cérebro fritando porque o príncipe não escolheu a dona Baratinha, mas uma mulher independente, separada, afrodescendente e mais velha do que ele. Deu bug na cabeça de gente que não entende que uma feminista pode mudar sua vida por amor. Uma história atual, fresca, digna dos novos tempos.

Eu esperei bastante que meu marido me pedisse em casamento. Pois é. Tão moderna, descolada, feminista. Tão tradicional. Nunca aconteceu. Era um desejo meu, não dele. Ele me fez perceber como eu estava sendo machista com essa expectativa. O que fiz? O pedido. Por Whatsapp. Escolhi o dia, o local, contratei uma agência e fui lá casar com o meu príncipe. Feministas também pode viver histórias da carochinha, com final feliz e tudo. Simples assim.

Conheça as 10 melhores cidades para empreender no Brasil. São Luis ficou na 29ª posição

São Paulo (SP) continua na liderança, seguida por Florianópolis (SC) e Vitória (ES). Na lanterna estão Manuas (AM), Macéio (AL), Campo Grande (MS) e São Luis (MA).

São Paulo é a cidade que reúne as melhores condições para abertura de empresas ou expansão de negócios no país. Seguida de perto por Florianópolis (SC), a capital paulista lidera pelo terceiro ano consecutivo o Índice de Cidades Empreendedoras – ICE 2017, elaborado pela Endeavor, cujos dados foram antecipados para o Valor.

Nesta quarta edição do ICE foram analisadas 32 cidades brasileiras, que variam consideravelmente entre si: a cidade de São Paulo, por exemplo, tem mais de 11 milhões de habitantes, enquanto Blumenau, Vitória e Maringá possuem menos de 400 mil moradores.

Para reduzir a distorção, causada pelo tamanho da população ou da economia das cidades, grande parte dos dados utilizados na análise foram ajustados para refletir o desempenho proporcional das cidades em cada indicador. Os indicadores foram calculados de maneira cuidadosa e em função da natureza do dado. Em geral, apresenta-se o desempenho das cidades em cada indicador pelo número total de empresas da cidade, população ou PIB, dentre outros exemplos.

Paraná tem 3 cidades entre as melhores do país para empreender. Duas estão no top 10

Curitiba voltou a figurar no ranking. A capital paranaense subiu 11 posições, e saltou do 15.º (em 2016) para a 4.ª colocação, no ranking deste ano (2017). Os dados da pesquisa (que será lançada em um congresso de prefeitos, no próximo dia 27) foram publicado pelo jornal Valor Econômico, na edição desta sexta-feira (24).

Lanterna. Entre as piores cidades para se empreender no Brasil, Manaus (AM) perdeu quatro posições no ranking geral desde o ano passado e ficou na 32ª posição, a última da pesquisa da Endeavor. Já Macéio (AL) avançou uma posição ficando em penúltimo. Campo Grande (MS) e São Luís (MA) aparecem em 30º e 29º no ranking, respectivamente. Ambas ganharam uma posição em relação a 2016. Belém (PA) completa a lista das cinco piores cidades, conforme o levantamento, no 28º lugar depois de perder duas posições.

Confira as 10 melhores cidades do Brasil para empreender:

1.º São Paulo

Índice: 8,49

Posição 2016: 1.ª colocada

Posição 2015: 1.ª colocada

2.º Florianópolis

Índice: 8,18

Posição 2016: 2.ª colocada

Posição 2015: 2.ª colocada

3.º Vitória

Índice: 7,31

Posição 2016: 5.ª colocada

Posição 2015: 3.ª colocada

4.º Curitiba

Índice: 7,12

Posição 2016: 15.ª colocada

Posição 2015: 8.ª colocada

5.º Joinville

Índice: 7,01

Posição 2016: 4.ª colocada

Posição 2015: 9.ª colocada

6.º Rio de Janeiro

Índice: 6,73

Posição 2016: 14.ª colocada

Posição 2015: 10.ª colocada

7.º Campinas

Índice: 6,73

Posição 2016: 3.ª colocada

Posição 2015: 5.ª colocada

8.º Maringá

Maringá

Índice: 6,62

Posição 2016: 9.ª colocada

Posição 2015: 11.ª colocada

9.º Belo Horizonte

Índice: 6,62

Posição 2016: 11.ª colocada

Posição 2015: 12.ª colocada

10.º São José dos Campos

Índice: 6,51

Posição 2016: 6.ª colocada

Posição 2015: 6.ª colocad

(Fontes: Valor Econômico e Endeavor)

Como usar a influência para abrir portas

Influência não é fazer com que as pessoas façam o que você quer porque você tem superioridade moral. Influência é saber conquistar o apoio das pessoas

Daniel Goleman, via administradores.com.br

Você acredita que precisa estar em uma posição de poder para ter influência?

Pense novamente.

Embora seja verdade que executivos têm influência, não ache que você precisa chegar até uma posição de diretoria para poder ser influente. Independentemente da sua posição, você pode ter um efeito poderoso sobre aqueles que estão à sua volta, se não a organização completa.

A Influência é uma das doze Competências de Liderança de Inteligência Emocional e Social no modelo que desenvolvi com Richard Boyatzis. A competência da Influência refere-se à capacidade de ter um impacto positivo sobre os outros, persuadi-los, convencê-los, ou obter o seu apoio. Com a competência Influência, você conquista a aceitação de pessoas-chave.

É importante notar que a influência não é fazer com que as pessoas façam o que você quer porque você tem superioridade moral. Se suas ideias são ruins ou prejudicam as pessoas, então seus esforços serão menos convincentes. Mas se suas ideias são fortes, podem ser benéficas ou têm o potencial de serem aceitas, então a influência irá ajudá-lo a mobilizar os recursos necessários para que as coisas aconteçam.

O que é preciso para ter Influência?

Como muitas competências da IE, a Influência requer o uso habilidoso de outras competências. A Autoconsciência Emocional e o Autocontrole Emocional ajudam a evitar que você avance de forma prematura e busque seu objetivo sem entender plenamente o ponto de vista daqueles que serão afetados por suas decisões. Com tal consciência e controle, você sabe como seus sentimentos afetam suas ações e então pode escolher melhor como possibilitar seus objetivos. A Empatia e a Consciência Organizacional também são fundamentais para o desenvolvimento da Influência. São formas de consciência social, uma a nível individual, a outra no nível organizacional. A Empatia começa quando você escuta o outro para entender melhor suas preocupações. Quanto à consciência organizacional, para ser influente em qualquer grupo ou organização preciso conhecê-lo bem. Isso requer não apenas escutar, mas uma observação ativa, uma conscientização de sistemas e estar aberto a diferentes perspectivas.

Como a Influência funciona na prática

Em “Influence: A Primer”, a nova publicação da qual sou co-autor com o Dr. Boyatzis, Peter Senge e outros colegas, compartilhei a história de alguém que fazia uso da competência Influência para alcançar seus objetivos. Aqui está a história:

Um engenheiro hídrico de um país africano trabalhava para uma empresa global de energia. Ele sempre pensava em sua cidade natal, onde havia secas repetidas. O país sofria com crises de falta de água constantemente. Os poços que eram perfurados não eram suficientemente profundos, e nem todas as aldeias tinham poços. Ele pensou que seu empregador poderia criar uma divisão que ajudaria países como o seu com gerenciamento de água, mas não era provável que essa ideia ganhasse força dentro da empresa, a menos que houvesse uma maneira de produzir uma receita significativa.

O engenheiro passou muito tempo pensando sobre como poderia apresentar isso aos líderes de sua organização de uma forma que fosse atraente. Primeiro, ele foi de pessoa a pessoa em sua empresa, explicando sua visão e como fazê-la funcionar. Em cada conversa, sua tarefa era a influência, persuadir cada pessoa de que sua visão criativa era útil para a empresa e a coisa certa a fazer.

Ele pediu opiniões a seus colegas sobre como apresentar essa ideia aos executivos da empresa e recebeu comentários valiosos. Em seguida, passou algum tempo falando com os membros da comunidade que mais se beneficiariam com as melhorias de engenharia nas aldeias. Ele aprendeu que o ganho econômico poderia ser obtido porque os agricultores aumentariam suas produções, a economia local prosperaria e a empresa de energia seria vista com bons olhos por ajudar a fazer isso acontecer.

Finalmente, o engenheiro usou todos os comentários e ideias para montar uma apresentação bem elaborada para os principais diretores de sua empresa. Ele propôs uma maneira que faria com que a empresa recuperasse seu investimento e ainda ficasse com uma imagem muito positiva, agradando tanto a acionistas como a pequenos agricultores. Ele antecipou todas as possíveis perguntas que eles poderiam ter e preparou respostas com antecedência, até mesmo elaborando alguns planos de engenharia. Ele foi paciente, motivado, atencioso, e o mais importante: ouviu todas as partes interessadas de forma a fazer com que todos acreditassem que sua ideia era uma vitória para todos. Como resultado, a empresa decidiu começar uma divisão exatamente como ele havia imaginado.

O engenheiro exibiu um alto nível de Influência em ação. Ele não tentou simplesmente compartilhar sua ideia assim que pensou no assunto, quando seria algo mal planejado, com pouca pesquisa ou apoio. Em vez disso, ele tirou um tempo para considerar as perspectivas dos interessados e tomadores de decisão para apresentar a ideia de forma que considerasse os objetivos de cada grupo. E assim convenceu todos.

A Influência nos permite conquistar a aceitação dos outros o suficiente para tornar nossos sonhos reais.

Que ideia você traria à luz – com a dose certa de Influência?

Na mesma página

A raiz dos desentendimentos pode estar também na desigualdade da linguagem, e não apenas nas diferenças de opinião

via Vida Simples

Quando expliquei como eu queria que fosse a organização de cada capítulo, Leandro assentiu com a cabeça enquanto anotava no laptop, provavelmente já criando imagens, como é de seu jeito. Conversar com um criador de sites e portais é um exercício de imaginação, pois a cabeça desses jovens, que exercem uma profissão que há poucos anos não existia, funciona em permanente estado de prontidão criativa.

Eles são os responsáveis por criar mundos virtuais que representam fatos reais, como produtos, processos, serviços, histórias, e tudo o mais que faz parte da vida de uma pessoa ou empresa. Leandro é um webdesigner, portanto é em sua cabeça que começa a tradução do real para o virtual. Só depois entra em ação o programador.

Enquanto o primeiro imagina como será, o segundo traduz para a linguagem de programação. Não é incomum que nesses dois processos trabalhem grandes equipes, como também não é raro que apenas uma pessoa possa fazer os dois trabalhos.

Estamos falando do fantástico mundo da web, essa realidade paralela que interage com quase tudo o que fazemos atualmente. Estávamos trabalhando na criação de meu novo site, que terá uma parte dedicada a conteúdos de conceitos já consagrados e também de concepções pessoais sobre vários aspectos, especialmente sobre o comportamento na vida profissional da atualidade, apresentados em forma de vídeos curtos.

Quando falávamos sobre esses vídeos, Leandro, como que dirigindo-se a si mesmo, disse: “Cada capítulo terá um mínimo de dois e um máximo de quatro minutos…”.

“Não”— corrigi. “Cada capítulo terá um número variável de vídeos de três minutos em média”, disse.

Foi quando ele me olhou como quem olha para alguém que ainda não entendeu, no caso, eu. E emendou: “Não, capítulo é o mesmo que episódio, portanto, cada vídeo”. “Não!” — insisti. “O capítulo é o conjunto de vídeos, que, aliás, estão agrupados em séries.” “Mas as séries não seriam as temporadas?” — perguntou o webdesigner com genuíno sentimento de dúvida.

Nossa reunião já levava mais de meia hora e de repente percebi que estávamos patinando no vocabulário técnico escorregadio e dando voltas sem fim. Nossa dificuldade, concluí, não estava no entendimento do que deveria ser feito, da estrutura que deveríamos criar. A dificuldade estava no vocabulário, na confusão de comunicação entre dois cérebros que tinham, claramente, programações diferentes.

Para mim, capítulo era cada divisão de um livro. Para ele, capítulo era um episódio de uma série de TV via streaming. Gerações diferentes têm visões diferentes da vida. Simples assim.

Poderíamos ficar o resto do dia debatendo e não chegaríamos a uma conclusão, pois estávamos falando línguas diferentes. Enquanto não criássemos um consenso, de pouco adiantava continuarmos a falar sobre a estrutura do portal. A retórica deveria anteceder a discussão sobre a estrutura, na verdade. Felizmente nos demos conta dessa dificuldade.

Ambos rimos e concordamos em “passar a régua” (esse ditado ambos conhecíamos). “Vamos começar do zero”— disse eu, ao mesmo tempo em que me levantava em direção a um flip-chart. Em comum acordo, criamos nosso próprio vocabulário.

A partir desse momento, a reunião foi superprodutiva, e chegamos rapidamente à estrutura que queríamos. Voltando para casa não pude não pensar sobre o acontecido.

A reunião havia durado cerca de três horas, mas pelo menos a metade dela foi dificultada pela diferença de vocabulário. Poderia ter sido mais rápida e produtiva se, antes, tivéssemos nos colado “na mesma página” vernacular.

Foi quando olhei pela janela e vi o carro ao meu lado, parado no farol. Parecia ser um casal. Talvez fossem colegas de trabalho, irmãos ou amigos, mas que parecia um casal, parecia. Ele estava dirigindo, com as mãos apertando o volante e balançando a cabeça. Ela olhava para ele e gesticulava com a mão, dedo indicador em riste.

Eu não conseguia ouvir (nem queria), mas fiquei com a impressão de que ela falava alto. Alguns decibéis a mais do que o necessário para se fazer entender dentro de um carro em movimento. Jamais saberei o que se passava ali, mas parecia um momento tenso, uma discussão séria. Torço que tenham encontrado o consenso e a paz rapidamente. O farol ficou verde e seguimos nossas destinações e nossos destinos. Seguimos iguais ou diferentes? Como a vida é um eterno aprendizado, e a cada instante acumulamos algo novo, somos diferentes do que éramos no instante anterior. Para mim isso foi evidente naquela ocasião. Eu não pude parar de pensar sobre o que havia visto naquele farol fechado, por causa do que tinha acabado de viver na reunião um pouco antes.

Será — pensei — que as discussões, desavenças, brigas acontecem por diferenças de opinião, mesmo? Será que a causa disso não teria a ver com as infinitas variações de modelos mentais que antecedem o momento em questão? Passamos a vida construindo um modelo de pensamento, uma maneira de ver os fatos e, principalmente, de comunicar o que pensamos e sentimos.

E todo esse repertório, elaborado lentamente a partir de experiências anteriores, é despejado sobre a bandeja da discussão de um fato pontual. A chance de haver distúrbios de entendimento é grande.

A partir daquele dia, começo as reuniões tratando de colocar todos “na mesma página” dos temas a serem tratados, dos objetivos a serem atingidos e, principalmente, do significado de cada abordagem. Ou seja, pessoal, vamos falar a mesma língua, por favor… Já se disse que é mais comum, em uma discussão, principalmente de um casal, que cada um tente impor sua razão, que passa, a partir de determinado ponto, a ser mais importante do que encontrar uma solução.

Talvez esteja aí a fonte da maior parte das desavenças. As diferenças de visão, de percepção e de opinião são importantes, caso contrário não poderíamos evoluir. Ficaríamos na mesmice.

Mas, para que essa fantástica diversidade do coletivo seja aproveitada, é preciso, antes, fazer com que os espíritos habitem a mesma esfera de compreensão, o que pressupõe, acima de tudo, o exercício da humildade, a condição básica para o entendimento e o crescimento conjunto.