OPINIÃO: Sobre o futuro governo Jair Bolsonaro 4

Sem trégua das esquerdas e da grande mídia, aquela que a imprensa “progressista” apelidou de PIG (Partido da Imprensa Golpista), Bolsonaro vai formando o seu governo basicamente em negociações com as bancadas setoriais do Congresso Nacional, com pouca interlocução com os grandes partidos tradicionais.

Vamos lá.

O deputado federal fluminense Jair Messias Bolsonaro, de 63 anos, foi eleito presidente da República com 57.797.847 (55,13% dos válidos).

Para início de conversa, vamos admitir: sendo Bolsonaro ou Haddad eleito, o Brasil “ressacado” das eleições estaria neste mesmo clima de acirramento politico, pois o pleito de 2018 foi deslocado para os extremos.

Imaginemos o professor Haddad eleito presidente. Alguém tem dúvidas de que se os assim chamados “Bolsomínios” estariam estéricos, loucos, criticando, esperneando e conspirando contra o presidente petista vitorioso?

Pois é. Haddad perdeu. Eleito foi Bolsonaro.

Ora, se temos uma crise de legitimidade personificada na figura do presidente Temer, agora coisa muda de figura: temos um presidente legal e legitimamente eleito, goste-se ou dele.

A rigor, ninguém pode se dizer “surpreso” pelos nomes indicados para integrar o futuro Governo Federal.

Candidato de perfil conservador e de direita, eleito presidente Jair Bolsonaro está sendo fiel ao que disse antes e durante a campanha. Tivesse fazendo algo ao contrário e ganhando elogios de setores da esquerda, o capitão estaria praticando estelionato eleitoral.

Sem trégua das esquerdas e da grande mídia, aquela que a imprensa “progressista” apelidou de PIG (Partido da Imprensa Golpista), Bolsonaro vai formando o seu governo basicamente em negociações com as bancadas setoriais do Congresso Nacional, com pouca interlocução com os grandes partidos tradicionais.

Críticas aqui e ali por indicação de alguns nomes, penso que o presidente eleito poderia tido maior cuidado com duas das principais pastas: Saúde e Educação.

Para a primeira foi indicado Henrique Mandetta, investigado por suposta fraude em licitação, tráfico de influência e caixa 2 no contrato para implementar um sistema de informatização na saúde em Campo Grande (MS), no período no qual foi secretário. Pegou mal.

Já para a Educação foi indicado colombiano Ricardo Vélez. O fato de ser colombiano é o menos grave, já que o filósofo está radicado no Brasil há muitos anos.

O maior problema do senhor Ricardo Vélez é o fato de levar para um Ministério tão sensível, como é o do Educação, uma carga ideológica muito pesada. O que menos a educação brasileira precisa são de batalhas ideológicas, enfrentamentos com setores organizados do setor e radicalização de posições como o projeto da tal “Escola sem Partido”.

Outro setor que o “Mito” pode ter problemas é no Ministério das Relações Exteriores. O diplomata Ernesto Araújo – não se sabe se também foi indicado pelo doidão do Olavo de Carvalho -, tem posições o tanto quanto polêmicas para quem vai exercer um cargo cujo titular precisa de muito equilíbrio e jogo de cintura nas tratativas com outras nações e organismos internacionais.

Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo têm que entender que o Brasil não é os Estados Unidos, que o presidente eleito não é Donald Trump e o futuro chanceler não um secretário de Estado com poderes como têm os americanos que ocupam a chancelaria estadunidense.

Esses três futuros ministro, portanto, podem ser as principais fontes de dores de cabeça para Bolsonaro, caso leve a cabo todas as suas concepções enquanto cidadãos.

De qualquer forma, cabe aos brasileiros que votaram e não votaram em Bolsonaro torcer para que o país dê certo e que daqui a quatro possam avaliar, aprovar ou reprovar o futuro governo nas urnas novamente.

Todo governo merece uma trégua.

Inclusive o de Jair Bolsonaro.

É a opinião do Blog do Robert Lobato.

PS. Em breve faremos uma análise específica sobre a equipe econômica indicado por Bolsonaro, com o “general” Paulo Guedes à frente. Aguardem.

Palavras de origem africana no vocabulário brasileiro 2

via Raiz do Samba

Afora o Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné-Equatorial, que adotou o idioma como oficial recentemente. Timor-Leste é o único a ter o Português como língua oficial na Ásia. Nossos irmãos africanos fazem parte do PALOP, acrônimo que significa justamente Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Tudo obra de Portugal, responsável por essa bagunça chamada lusofonia (o conjunto dos países que possuem Português como língua oficial) que acabou dando seu jeito de seguir caminho. Mas, diferente do Brasil, onde línguas nativas ficaram restritas a suas tribos indígenas, nos países euro-colonizados da África, ainda se falam línguas nativas (nagô, ioruba, quicongo, umbundo e quimbundo). Só pra constar.

Rolou uma marmota por parte dos invasores que misturavam africanos de diversos países e culturas (sim, porque África é um extenso continente com 54 países culturalmente diversificados e não um país restrito de miséria como a grande mídia te acostumou a ver) com intenções de que com a confusão cultural, eles não pudessem se unir entre si para se rebelar. Até certo ponto, rolava, como ainda acontece, de haver desunião entre as classes menos abastadas da sociedade, mas isso não significou a morte por abandono dessas línguas. Ao contrário, a partir dali, surgiria uma cultura praticamente nova com os elementos que sobreviveram ao tráfico negreiro. Muita coisa de nossa cultura vem de África e dos africanos que foram sequestrados para cá (dos quais descendemos em maioria, já que no auge do crime da escravidão, a população negra era, como se manteve, maioria).

A linguagem é um dos pontos altos das coisas cotidianas que trazemos do continente-mãe. E como a cultura negra é a essência do Samba, ou seja, é a raiz do Samba, então, não falar necessariamente do samba musical não é fugir do foco, não é mesmo? Então, vamos a um dicionário improvisado que fui reunindo em diversos sites educacionais e culturais internet afora. Você vai notar que muitas dessas palavras, tu tá aí falando adoidado todo dia e nem sabe que vêm de dialetos línguas (valeu a dica, Niyi) africanas. Muito interessante, pois somos acostumados a não buscarmos o passado, como se o jornal da TV já bastasse pra gente estar informado. Mas é pegar num livro, num artigo de internet e a gente voa no conhecimento. Veja aí que nem só dentro do samba e do candomblé estão palavras africanas da diáspora. Use e abuse do CTRL+F e saia buscando suas palavras mais usadas e/ou preferidas, porque tem coisas muito interessantes nesse “dicionário” que eu montei na base do ‘cataqui/catali’. Rá! (Lembrando que como foi uma pesquisa de internet, algumas coisas podem não estar condizentes, mas eu atualizo conforme me avisam, ok?).

A

ABADÁ – Túnica folgada e comprida. Atualmente, no Brasil, é o nome dado a uma camisa ou camiseta usada pelos integrantes de blocos e trios elétricos carnavalescos.

ABARÁ – Quitute semelhante ao acarajé. A massa feita de feijão fradinho e os temperos são os mesmos. Os bolinhos envoltos em folhas de bananeira são cozidos em banho-maria.

ACARÁ – Peixe de esqueleto ósseo.

ACARAJÉ – Bolinho feito de massa de feijão-fradinho frito no azeite de dendê e servido com camarões secos.

AFOXÉ –  Dança, semelhante a um cortejo real, que desfila durante o carnaval e em cerimônias religiosas.

AGOGÔ – Instrumento musical formado por duas (ou três) campânulas ocas de ferro.

ALUÁ – Bebida feita de milho, arroz cozido ou com cascas de abacaxi.

AMUO  – sm. Mau humor passageiro, revelado no aspecto, gestos ou silêncio; arrufo, calundu.

ANGOLA – Nome dado a uma das mais conhecidas modalidades do jogo de capoeira e, também, a um dos cinco países africanos de língua portuguesa.

ANGU – Massa de farinha de milho ou de mandioca. Angu-de-caroço: Coisa complicada.

AXÉ – Saudação; força vital e espiritual.

AZOEIRA – Barulhada, zoeira, bagunça.

B

BABÁ – Ama-seca; pessoa que cuida de crianças em geral; pai-de-santo; a origem é controvertida sendo, para alguns estudiosos originária do quimbundo, e para outros do idioma iorubá.

BABACA – Tolo; boboca.

BAGUNÇA – Baderna, desordem.

BALANGANDÃS  – Enfeites,originalmente de prata ou de ouro, usados em dias de festa.

BAMBAMBàou BAMBA – Maioral, bom em quase tudo que faz.

BAMBERÊ – Cantiga de ninar entoada por negras velhas da Região Amazônica. (“Bamberê, bamberá / criança que chora quer mamá / Moça que namora quer casá / Galinha que canta quer botá / Bamberê, bamberá)

BAMBOLÊ – Aro de plástico ou metal usado como brinquedo.

BANCAR – Fazer o papel de; fazer-se de.

BANGÜÊ – Padiola de cipós trançados na qual se leva o bagaço da cana.

BANGUELA – Desdentado. Os escravos trazidos do porto de Benguela, em Angola, costumavam limar ou arrancar os dentes superiores.

BANGULÊ  – Dança de negros ao som da puíta, palma e sapateados.

BANTO  – Nome do grupo de idiomas africanos em que a flexão se faz por prefixos.

BANTOS – Povos trazidos do sul da África, principalmente de Angola e Moçambique, que espalharam sua cultura, idiomas e modos.

BANZAR – Meditar, matutar.

BANZÉ – Confusão.

BANZO – Tristeza fatal que abatia os escravizados com saudades de sua terra natal.

BAOBÁ – Árvore de tronco enorme, reverenciada por seus poderes mágicos.

BATUQUE – Dança com sapateado e palmas, com som de instrumentos de percussão. É uma variante das rodas de capoeira, praticada pelos negros trazidos de Angola para o interior da Bahia. No sul do Brasil, é sinônimo de rituais religiosos e, no interior do Pará, é uma espécie de samba.

BERIMBAU – Instrumento musical, composto de um arco de madeira com uma corda de arame vibrada por uma vareta, tendo uma cabaça oca como caixa de ressonância.

BIRITA – Cachaça; gole de cachaça.

BITELO – Grande; de tamanho exagerado.

BOBÓ – Um tipo de purê feito de aipim ou inhame.

BOCA-DE-PITO – Pitada; tragada em cigarro, charuto ou cachimbo; disposição para fumar provocada pela ingestão de café ou bebida alcoólica.

BOMBA – Certo doce de forma cilíndrica ou esférica feito de massa cozida e glaçado na parte superior.

BOROCOXÔ – Molenga. Entristecido.

BRUACA –  Espécie de mala ou sacola que se levava no lombo de animais.

BUGIGANGA – Objeto de pouco ou nenhum valor ou utilidade.

BUNDA – Nádegas, na língua falada pelos bundos de Angola.

BÚZIOS – Conchas marinhas usadas antigamente na África como moedas e, em nossos dias, em cerimônias religiosas e em jogos de previsão.

C

CAÇAMBA – Balde para tirar água de um poço; local onde se depositam detritos.

CACHAÇA – Bebida alcoólica; pinga; durante muito tempo, os negros escravizados, banhados em suor, giravam manualmente as rodas dos engenhos de açúcar e, do vapor originário da fervura do caldo da cana, escorria pela parede e pingava do teto (daí o porque o nome “pinga”)a bebida de sabor clássico, que ardia nos olhos e foi batizada de “pinga”.

CACHIMBO – Tubo de fumar, com um lugar escavado na ponta para se colocar o tabaco.

CACIMBA – Poço ao ar livre, onde se retém a água da chuva para diversas finalidades. Cova que recolhe água de terrenos pantanosos.

CAÇULA – O mais novo.

CACULÉ – Cidade da Bahia.

CACUNDA – Corcunda. Corcova. Costas.

CAFIFE – Diz-se de pessoa que dá azar.

CAFOFO – Lugar que serve para guardar objetos usados; nos dias atuais, serve também para designar moradia pequena, mas aconchegante.

CAFUÁ – Esconderijo. Casebre.

CAFUCA – Centro; esconderijo.

CAFUCHE – Irmão do Zumbi.

CAFUCHI – Serra.

CAFUNDÓ – Lugar afastado, de acesso difícil.

CAFUNÉ – Coçar a cabeça de alguém.

CAFUNGÁ – Pastor de gado.

CAFUZO – Mestiço de negro e índio.

CALANGO – Lagarto. Dança afro-brasileira.

CALOMBO – Inchaço. Quisto, doença.

CALUMBÁ – Planta

CALUNDU – sm. Mau humor; amuo.

CALUNGA – sf. 1. Coisa qualquer de tamanho reduzido. 2. Boneco pequeno. O mar; boneca carregada pelas damas do paço nos desfiles de reis e rainhas dos Maracatus de nação em Pernambuco; símbolo da realeza e do poder dos ancestrais.

CAMUNDONGO – Rato pequeno.

CANDOMBLÉ – Casas ou terreiros de diferentes nações – Angola, Congo, Jêje, Nagô, Ketu e Ijexá – onde são praticados os rituais trazidos da África. Esses cultos são dirigidos por um Babalorixá (pai-de-santo) ou por uma Ialorixá (mãe-de-santo). Um dos mais tradicionais é o de Gantois,em Salvador, na Bahia. No passado, o candomblé foi muito perseguido.

CANDONGA – Intriga, mexerico.

CANGA – Tecido com que se envolve o corpo. Peça de madeira colocada no lombo dos animais.

CANJERÊ – Feitiço, mandinga.

CANJICA – Papa de milho verde ralado.

CAPANGA – Guarda-costas. Bolsa pequena que se leva a tiracolo.

CAPENGA – Manco. Com andar de bêbado.

CAPOEIRA – Jogo de corpo, agilidade e arte, que usa técnicas de ataque e de defesa com os pés e as mãos. As rodas são acompanhadas por palmas, pandeiros, chocalhos, berimbaus e cânticos de marcação.

CARIMBO – Instrumento de borracha. Marca. Sinal.

Carimbó – Tipo de dança afro-brasileira originária da região norte do Brasil.

CARURU – Iguaria da culinária afro-brasileira, feita com folhas, quiabos e camarões secos.

CASSANGUE – Grupo de negros da África.

CATIMBA – Manha. Astúcia.

CATIMBAU – Prática de feitiçaria.

CATINGA – Fedor; mau cheiro.

CATITA – Pequeno, baixo, miúdo. Nome dado no Nordeste a um ratinho novo.

CATUNDA – Sertão.

CATUPÉ – Cortejo afro-mineiro. As fardas de seus integrantes são enfeitadas de fitas, sendo que dançam e cantam acompanhados por instrumentos de percussão.

CAXAMBU – Grande tambor usado na dança harmônica.

CAXANGÁ – Jogo praticado em círculo. Os versos de uma velha cantiga, baseada nessa brincadeira, são bem populares.

CAXIXÍ – Chocalho pequeno feito de palha.

CAXUMBA – Inflamação das glândulas salivares.

CAZUMBÁ – Negro velho, personagem do Boi-Bumbá paraense.

CAZUMBI – Alma penada.

CHILIQUE – Desmaiar. “Ter um troço”.

CHUCHU – Fruto comestível.

COCHILAR – Breve soneca. Sono leve.

CONGADAS ou CONGOS – Danças dramáticas com enredo e personagens característicos, como reis, rainhas, príncipes, princesas, embaixadores, chefes de guerra e guerreiros, que se despedem, no final das apresentações, cantando.

COQUE – Bater na cabeça com o nó dos dedos. Tipo de penteado onde o cabelo é todo preso num arranjo único no alto da cabeça; há uma corrente que acredita ser o nome proveniente do inglês “cock”, que significa galo, e outra que associa o nome a barulho que é feito e também ao “galo” na cabeça.

CUBATA – Choça de pretos; senzala. Palhoça

CUÍCA – Instrumento musical que emite um ronco peculiar.

CUMBA – Forte, valente.

CUMBE – Povoação em Angola.

D

DENDÊ – Fruto de uma palmeira (dendezeiro), de onde é extraído o azeite.

DENGO – Gesto de carinho. Manha, birra.

DENGOSO – Manhoso. Chorão.

DIAMBA – Um tipo de erva alucinógena.

E

EBÓ – Oferenda feita aos orixás para se resolver os mais diferentes desejos e problemas.

EFÓ – espécie de guisado de camarões e ervas, temperado com azeite de dendê e pimenta.

EMBALAR – Acalentar; balançar; fazer adormecer.

EMPACAR – Não continuar. Não prosseguir. Diz-se quando o animal firma teimosamente as patas para não prosseguir viagem.

ENCABULAR – Envergonhar-se. Ficar vexado por algum motivo.

ENGABELAR – Enganar. Iludir jeitosamente. Trapacear. Engodo. Embuste.

ESCANGALHAR – Desordem. Confusão. Desmantelo. Dano causado por estrago.

ESPANDONGADO – Desajeitado. Defeituoso. Arruinado. Desarrumado. Relaxado. Descomedido. Arreliado.

EXU – Divindade que é considerada o intermediário entre o Céu e a Terra. Aquele que está em todos os lugares. Dono das encruzilhadas. Representa a ambivalência humana, os comportamentos e desejos contraditórios.

F

FAROFA – Mistura de farinha com água, azeite ou gordura.

FOFOCA – Intriga. Mexerico

FUÁ – Briga. Rolo. Desordem. Intriga. Diz-se também do eqüino arisco.

FUBÁ: Farinha de milho.

FULEIRO – Reles. Ordinário. Sem Valor. Farrista.

FULO: Irritado. Zangado.

FURDUNCIO – Também pronunciado e escrito como “Forduncio”, significa festança popular. Divertir-se com alarido. Barulho. Desordem.

FUNGAR – Fazer ruído com o nariz ao inspirar o ar. Assoar o nariz. Coriza na fossa nasal. Fuçar.

FUTUM – Mau cheiro. Fedor. Peixe morto na superfície da água.

FUXICO – Falar mal dos outros. Artesanato popular feito com pedaços de panos. Costurar superficialmente. Alinhavar. Amarrotar.

FUZARCA – Farra. Desordem. Bagunça.

FUZUÊ – Festa. Confusão. Turbilhão nas águas de um rio.

G

GALALAU – Pessoa muito alta.

GAMBÉ – Designação de um policial na gíria dos travestis, menores e delinqüentes em geral.

GANDAIA – Farra. Bagunça. Vadiagem. Ofício de trapeiro. Pessoa sem préstimo. Inerte.

GANGA ZUMBA – Título dado aos chefes guerreiros. Um dos mais famosos líderes da confederação de Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas.

GANZÁ – Chocalho.

GARAPA – Caldo da cana. Bebida formada pela mistura de mel-açúcar-água.

GERINGONÇA – Coisa malfeita e de duração precária. Objeto ou coisa estranhos cujo nome e finalidade não se conhece.Ginga – Bamboleio. Balanço com o corpo. Dançar com o corpo ao som de uma música ou instrumento. Movimento corporal na capoeira, na dança e no futebol. Sacerdotisa do culto Omolocô. Remo que se usa para fazer a embarcação balançar.

GINGA – Movimento corporal na capoeira, na dança e no futebol.

GOGÓ – Pomo-de-Adão. Garganta. Laringe

GONGUÊ – Instrumento musical semelhante ao agogô.

GOROROBA – Comida feita com restos de diversos alimentos. Diz-se também do indivíduo lento, molengão ou covarde.

GRIGRI – Amuleto que protege o seu possuidor.

GUANDU – O mesmo que andu (fruto do anduzeiro), ou arbusto de flores amarelas, tipo de feijäo comestível.

GUIMBA – Resto ou ponta do cigarro.

H

 – Interjeição de surpresa, espanto ou de admiração entre os Iorubás. Manifestação de incompreensão. Não entendimento.

I

IAIÁ – Tratamento dado às moças e meninas na época da escravidão. Na Luanda antiga, era o tratamento respeitoso que as filhas e netas dos escravos davam às patroas.

IEMANJÁ: deusa africana, a mãe d’água dos iorubanos.

IMPALA – Espécie de antílope africano. O nome batizou também um modelo de automóvel da Chevrolet.

IMPLICAR – Provocar. Amolar. Intrometer. Contender. (Atualização, a etimologia da palavra vem do Latim).

INHAME – Designação comum de um tipo de tubérculo comestível menor que a mandioca; homem de corpo defeituoso. Coisa ou objeto disforme ou deformada.

IORUBANO – Habitante ou natural de Ioruba (África).

J

JABÁ – Suborno oferecido a programador de emissora de rádio ou televisão para que inclua na programação determinada obra musical. Certo tipo de abóbora.

JABACULÊ – Gorgeta. Propina. Dinheiro.

JAGUNÇO – Capanga. Combatente das forças de Antonio Conselheiro na Guerra de Canudos. Cangaceiro.

JEGUEDÊ – Dança negra.

JERERÊ – Nome dado ao cigarro de maconha. Faísca. Centelha.

JERIBATA – Álcool; aguardente.

JILÓ – Fruto verde de gosto amargo.

JONGO – Dança tradicional afro-brasileira.

L

LAMBADA – Golpe dado com o chicote, tabica ou rebenque. Copo ou gole de bebida alcoólica. Dança de salão de origem amazônica. Significa bater, castigar, ferir, atingir com golpe ou pancada.

LAMBANÇA – Desordem. Sujeira. Serviço malfeito. Embuste. Trapaça em conversa ou jogo.

LAMBÃO – Indivíduo que não sabe lidar com as coisas sem sujar-se.

LAMBUJA – Vantagem que um jogador concede ao parceiro ou rival. Aquilo que se ganha ou dá além do combinado.

LAPADA – Lambada. Bofetada. Espécie de pá semelhante ao remo.

LARICA – Apetite desenfreado após a ingestão da maconha. Dificuldade. Aperto. Apuro.

LENGA-LENGA – Conversa, narrativa ou discurso enfadonho.

LERO-LERO – Conversa fiada. Palavreado vazio.

LIBAMBO – Bêbado (pessoas que se alteram por causa da bebida).

LUNDU – Primitivamente dança africana.

M

MAASSAGANA – Confluência, junção de rios em Angola.

MACULELÊ – Folguedo popular de origem baiana, misto de jogo de dança com bastões ou facões.

MACUMBA – Nome pejorativo dado aos cultos afro-brasileiros. Audaz. Ousado. Certo tipo de reco-reco. Cada uma das filhas de santo nos terreiros de origem Banta. Antigo jogo de azar. Antiga denominação que se dava à maconha.

MACUMBEIRO – adj. sm. Diz-se de, ou praticante da macumba. .

MALUCO – Alienado mental. Endoidecido.

MALUNGO – Título que os escravos africanos davam aos que tinham vindo no mesmo navio; irmão de criação.

MAMONA – Fruto da família das esforbiáceas. Rícino.

MAMULENGO – Fantoche. Teatro de fantoches.

MANDINGA – Bruxaria. Feitiço. Talismã. Qualidade de jogo de capoeira.

MANGAR – Zombar. Caçoar.

MANGUE – Comunidade geográfica localizada em áreas onde o solo é formado por uma lama escura e mole. Terreno lamacento.

MANHA – Choro infantil sem causa. Birra. Malícia. Ardil. Artimanha. Habilidade manual.

MARACATU – sm. Oriundo da região do Estado de Pernambuco (PE), é um cortejo carnavalesco que segue uma mulher que, num bastão, leva uma bonequinha enfeitada, a calunga. 2. Certo tipo de dança afro-brasileira. Em Recife/PE, os maracatus de nação representam embaixadas africanas com todo o séquito real.

MARACUTAIA – Trapaça. Embuste. Engodo. Golpe.

MARAFA(O) – Vida desregrada. Licenciosa. Cachaça. Vinho. Diz-se também do tipo de vida, por exemplo: “Viver na marafa…”, viver entregue ao vício da bebida e da vadiagem.

MANO – Tratamento respeitoso entre os antigos sambistas cariocas (“Mano” Elói, “mano” Décio etc.). Irmão.

MARIMBA– Peixe do mar. 2. Artifício de amarrar uma linha a algum objeto (pedra, garrafa, etc) para resgatar pipas onde não se alcança com as próprias mãos (RJ).

MARIMBONDO – Certo tipo de vespa.

MATUTO – Indivíduo que vive no mato. Na roça. Pessoa ignorante e ingênua.

MAXIXE – Fruto do maxixeiro. Certo tipo de chuchu espinhoso. Dança brasileira de salão.

MIÇANGA – Conta de vidro miúda. Ornatos feitos com esse tipo de conta. Colar.

MILONGA – Desculpas descabidas. Manhas. Dengues. Mexericos. Intrigas. Feitiço. Sortilégio Bruxedo. 2. Música e dança de origem platina.

MINGAU – Papa de farinha de cereais com leite, açúcar e outros ingredientes. Em língua oeste-africana, era um tipo de milho cozido em água e sal. Na linguagem Banta, é o ato de molhar o pão no pirão ou molho. (Retificação: Esta palavra vem do Tupi).

MOCAMBO – Cabana. Palhoça. Habitação miserável. Couto de escravos fugidos na floresta.

MOCHILA – Alforge. Bornal que se leva às costas.

MOCORONGO – Mulato escuro. Caipira. Indivíduo natural de Santarém/PA. Palhaço da folia de reis. Mosquito transmissor do impaludismo.

MOCOTÓ – Pata de bovino utilizada como alimento. Tornozelo.

MOLAMBO – Trapo. Pano velho rasgado ou sujo. Roupa esfarrapada. Indivíduo fraco e sem caráter. Corpo velho, cansado, moído.

MOLENGA – Mole. Indolente. Preguiçoso. Medroso e covarde.

MOLEQUE – Negrinho. Indivíduo irresponsável. Canalha. Patife.

MONDONGO – Indivíduo sujo e desmazelado. Boneco de pano sem governo.

MONGO – Sujeito bobo. Moleirão. Débil mental.

MOQUECA – Guisado de carne ou peixe tradicional da culinária afro-brasileira.

MORINGA – Garrafão ou bilha de barro para conter e refrescar água potável. Cântaro.

MUAMBA – Cesto ou canastra para transporte de mercadorias. Furto de mercadorias nos portos. Contrabando. Negócio escuso. Do Quimbundo: Carga.

MUCAMA – Escrava doméstica. Concubina. Escrava que era amante do seu senhor.

MULUNGA – Árvore.

MUNGUZÁ – Iguaria feita de grãos de milho cozido, em caldo açucarado, às vezes com leite de coco ou de gado. O mesmo que canjica.

MUQUIFO – Lugar sujo e em desordem. Palavra ligada ao Kicongo, significa também latrina. Casebre. Choupana

MURUNDU – Montanha ou monte; montículo; o mesmo que montão.

MUTAMBA – Árvore.

MUTRETA – Trapaça. Confusão.

MUVUCA – Confusão. Algazarra.

MUXIBA – Pelanca. Pedaços de carne magra. Retalhos de carne que se dá aos cães. Mulher feia. Bruxa. Seios flácidos de mulher.

MUXINGA – Açoite; bordoada.

MUXONGO – Beijo; carícia.

N

NENÊ – Criança recém-nascida ou de poucos meses. Provém do Umbundo “nene”, que quer dizer pedacinho, cisco.

O

ODARA – Bom. Bonito. Limpo. Branco. Alvo.

OGUM ou OGUNDELÊ – Deus das lutas e das guerras.

ORIXÁ– Divindade de religiões afro-brasileiras. Divindade secundária do culto jejênago, medianeira que transmite súplicas dos devotos suprema; divindade desse culto; ídolo africano.

P

PAMONHA – Certo tipo de iguaria derivada do milho. Diz-se também da pessoa molenga. Inerte. Desajeitada. Preguiçosa. Lenta.

PATOTA – Turma. Grupo.

PENDENGA – Litígio. Rixa. Contenda.

PERRENGUE – Dificuldade ou aperto financeiro. Diz-se também da pessoa fraca. Covarde. Animal imprestável.

PIMBA – Pênis de menino

PINDAÍBA – Falta de dinheiro. Miséria feia. (Atualização: Esta palavra é de origem Tupi).

PINGA – Aguardente extraída do caldo da cana.

PIRÃO – Papa grossa de farinha de mandioca. (Atualização: Esta palavra é de origem Tupi).

PITO – Cachimbo. Cigarro. Repreensão. Censura. Dar bronca.

PITOCO – Objeto ou utensílio o qual já falta uma parte essencial. Parte amputada ou a restante no corpo humano.

PUITA: corpo pesado usado nas embarcações de pesca em vez fateixa.

Q

QUEIMANA – Iguaria nordestina feita de gergelim .

Quenga – Guisado de quiabo com galinha. Mulher prostituída. Meretriz.

QUENGO – Cabeça. Região próxima da nuca.

QUIABO – Fruto de forma piramidal, verde e peludo.

QUIBEBE – Papa de abóbora ou de banana.

QUIBUNGO – Invocado nas cantigas de ninar, o mesmo que cuca, festa dançante dos negros.

QUILOMBO – Valhacouto de escravos fugidos. 2. Quer dizer acampamento ou fortaleza. Folguedo popular alagoano em forma de dança dramática.

QUIMBEBÉ – Bebida de milho fermentado.

QUIMBEMBE – Casa rústica, rancho de palha.

QUIMGOMBÔ – Quiabo.

QUINDIM – Doce feito com a gema do ovo, côco e açúcar. Na Bahia significa também meiguice, dengo, encanto, carinho.

QUITUTE: Comida fina, iguaria delicada. Iguaria. Acepipe. Canapé.

QUIZÍL(I)A – Antipatia ou aborrecimento. Ojeriza. Aversão. Implicância.

QUIZUMBA – Confusão. Briga.

R

REQUENGUELA – Engelhado. Encolhido. Tímido. Fraco. Sem substância.

S

SAMBA – Dança cantada de origem africana de compasso binário (da língua de Luanda, semba = umbigada). Nome genérico de um ritmo de dança afro-brasileiro.

SAPECA – Diz-se de moça muito namoradeira ou assanhada. Diz-se também da criança muito arteira.

SARAPATEL – Guisado feito com sangue e miúdos de certos animais, especialmente o porco.

SARARÁ – Alourado. Arruivado.

SARAVÁ – Palavra usada como saudação nos cultos afro-brasileiros, significa “salve”.

SENZALA: alojamento dos escravos.

SERELEPE – Vivo. Buliçoso. Astuto. Esperto.

SOBA – Chefe de trigo africana.

SONGAMONGA – Pessoa dissimulada. Sonsa. Débil. Boba.

SOVA – Dar pancadas com a mão. Espancar.

T

TAGARELA – Pessoa que fala muito e à toa.

TANGA – Pano que cobre desde o ventre até as coxas.

TANGO – Dança argentina popularizada no Brasil, proveniente do espanhol “tango” e do Kimbundo “tangu” (pernada), que era uma forma de bailado de negros ao som de tambores e outros instrumentos.

TRAMBIQUE – Negócio fraudulento. Vigarice. Logro.

TRIBUFÚ – Maltrapilho. Negro feio.

TU – Diz-se do negro tido como sendo bruto. Boçal. Grosseiro. Oposto ao negro bom e passivo; “…Este samba/que é misto de maracatú/é samba de preto velho/ samba de preto TÚ…”; Pode ser também uma redução de Bantú.

TUNDA – Surra. Sova. Crítica severa.

TUTANO – Substância mole e gordurosa no interior dos ossos.

TUTU –  Maioral. Manda-chuva. Indivíduo valente e brigão. Feijão cozido e refogado ao qual se vai adicionando farinha até dar a consistência de pirão. Dinheiro. Grana.Suborno. 2. Iguaria de carne de porco salgada, toicinho, feijão e farinha de mandioca.

U

URUCUBACA – Azar. Má sorte. Diz-se também de uma praga rogada por pessoa inimiga.

URUCUNGO –  sm. Berimbau (instrumento musical).

 

V

VATAPÁ – sm. Da culinária (comida), iguaria de origem africana, à base de peixe ou galinha, com camarão seco, amendoim etc., temperada com azeite de dendê e pimenta.

X

XARÁ – Pessoa que tem o mesmo nome que outra.

XENDENGUE: magro, franzino.

XEPA – As últimas mercadorias vendidas nas feiras livres, mais baratas e de qualidade inferior. Sobras. Coisa inferior.

XODÓ – Amor. Sentimento profundo que se demonstra por algo ou alguém. Carinho.

Z

Zabumba – Tambor grande. Bumbo.

ZAMBI ou ZAMBETA: cambaio, torto das pernas. zumbi: sm. Fantasma que vaga pela noite, segundo lenda afro-brasileira. Nota: Nome do herói nacional Zumbi dos Palmares.

ZANGAR – Causar zanga (de zangado). Mau humor. Birra. Irritação. Diz-se também de coisa estragada ou azeda.

ZANZAR – Andar à toa. Sem destino.

ZIQUIZIRA – Doença ou mal-estar cujo nome não se conhece.

ZOEIRA – Conhece-se também por Azueira. Algazarra. Falatório.

ZOMBAR – Tratar com descaso. Escarnecer. Gracejar.

ZUNZUM – Boatos. Cochichos. Mexericos.

Suicídio entre adolescentes no Japão bate recorde em 30 anos

Foram 250 casos registrados em 2017, o maior número desde 1996

O número de suicídios de adolescentes no Japão atingiram o recorde em três décadas, informou o Ministério da Educação do país. Em 2017, os registros oficiais japoneses mostram que 250 jovens do ensino fundamental ao ensino médio tiraram suas próprias vidas. O número é o maior desde 1986, e cinco vezes mais alto do que no ano passado.

As principais preocupações relatadas pelos adolescentes a pessoas próximas pouco antes da morte, ou em uma carta de suicídio, eram problemas familiares, bullying e angústia em relação a seus futuros.

No entanto, de acordo com as escolas desses jovens, há razões para acreditar que cerca de 140 das mortes não têm um motivo conhecido, já que os estudantes não deixaram uma última carta com possíveis explicações.

A maioria deles estava no ensino médio, cursado normalmente entre os 15 e 18 anos de idade.

O Japão tem uma das maiores taxas de suicídio do mundo. Em 2015, esse índice alcançou um de seus picos. Desde então, conforme medidas preventivas foram sendo introduzidas, os números na população geral — e não considerando-se apenas os jovens — caíram, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No total, os suicídios em todo o Japão caíram para cerca de 21 mil em 2017, segundo a polícia, contra um pico de 34,5 mil em 2003.

Entretanto, as taxas de suicídio entre adolescentes só crescem, tornando-se a principal causa de morte entre os jovens no país.

— O número de suicídios de estudantes permaneceu alto, e essa é uma questão alarmante que deve ser enfrentada — disse Noriaki Kitazaki, membro do Ministério da Educação, assim que esses números mais recentes foram divulgados.

(Fonte: O Globo)

“O Brasil ficou louco”, diz o fotógrafo Sebastião Salgado 4

Em entrevista à rádio francesa France Inter, o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que fugiu da ditadura nos anos 60 no Brasil para morar na França, falou sobre a vitória de Jair Bolsonaro e os fatores que levaram a extrema direita ao poder no país.

O fotografo Sebastião Salgado em entrevista a rádio francesa France Inter nesta segunda-feira 05 de novembro de 2018.

Rádio França Internacional – Para o premiado fotógrafo brasileiro, entrevistado pela apresentadora Lea Salamé, “o Brasil ficou louco”, mas já estava dando sinais de insanidade. “Quando Dilma Rousseff, eleita democraticamente, foi destituída, praticamente em um golpe de Estado, e um governo totalmente corrupto foi colocado no lugar, começamos a perder o controle do país”, declarou. “Colocamos na prisão aquele que poderia ser eleito diretamente no 1° turno, por corrupção, praticamente sem provas”, disse, em referência ao ex-presidente Lula. Para Salgado, Lula se tornou “praticamente um prisioneiro político”.

O premiado fotógrafo brasileiro ressalta que houve “muita corrupção do PT e que, para governar, o partido comprou muito apoio político”. Isso, em sua opinião, “se voltou contra as forças democráticas”. Ele também lembrou da alta taxa de rejeição de Bolsonaro, e de como, em poucos meses, ele se tornou o favorito das eleições presidenciais no Brasil, vencendo com cerca de 55% dos votos. “Mas também teve muita gente que não foi votar”, disse Salgado, se referindo à alta taxa de abstenção (21%) e votos nulos (2%) e brancos (7%), lembrando que, no total, mais de 87 milhões de brasileiros não votaram para Bolsonaro.

Ele também comentou a nomeação de alguns membros do governo, incluindo o juiz federal Sérgio Moro, que conduziu as investigações da operação Lavo Jato que levaram à prisão de Lula, e de antigos militares. Segundo Sebastião Salgado, as Forças Armadas estiveram neutras no processo eleitoral. Os generais que participarão do governo Bolsonaro, diz, são “velhos generais aposentados, muitos que se identificam com o golpe de Estado de 1964, mas não são as Forças Armadas, são antigos militares”, sublinha.

Questionado sobre o papel dos militares de hoje na proteção do país e contra decisões arbitrárias de Bolsonaro, o fotógrafo respondeu que as Forças Armadas de hoje não são as mesmas de antigamente. “São modernas, como as da França, que participam de missões técnicas e internacionais com a ONU. É diferente. Não são Forças Armadas golpistas de uma República das Bananas. Isso mudou.”

“Não há um retorno da ditadura”

Sebastião Salgado não enxerga a eleição de Bolsonaro como um retorno à ditadura. “Longe disso. O Brasil tem todas as instituições de um país democrata. Tudo o que ele pensa poder fazer no país necessita da aprovação do Congresso, onde ele não tem a maioria, e precisará fazer uma série de concessões. Falar é uma coisa, fazer é outra”, afirma.

Em relação à proposta da criação de um Ministério do Meio Ambiente e da Agricultura, que pode ser abandonada, o fotógrafo acredita que é uma prova de que Bolsonaro terá que voltar atrás de suas decisões. “Isso mostra a pressão que existe nos negócios internos. O Brasil se tornou o maior produtor agrícola do mundo e exporta carne, soja, café”, destaca. “O agronegócio é enorme e depende do mercado externo. Acabar com o Ministério do Meio Ambiente e destruir uma parte da Amazônia traz efeitos para a economia, haverá um movimento planetário de boicote”, lembra.

Sebastião Salgado, que está à frente de uma ONG que milita pelo reflorestamento, não acredita que a eleição de Bolsonaro terá um efeito negativo em seu trabalho. “Esse movimento é independente do governo, plantaremos 150 milhões de árvores e não precisamos de dinheiro público”, sublinha. “O grande problema ecológico de Bolsonaro é a Amazônia, porque ele prometeu uma abertura da Amazônia ao agronegócio. Mas eu me pergunto se o agronegócio precisa da Amazônia. Eles têm as terras mais férteis do mundo”, diz.

Segundo Salgado, as próprias Forças Armadas defendem a Amazônia e criaram a Funai. “As Forças Armadas são a principal instituição presente na Amazônia, e eu conheço um certo número de jovens generais que são contra a abertura da Amazônia”, afirma

Jair Bolsonaro e Donald Trump 2

Novembro de 2016. Donald Trump vence Hillary Clinton e é eleito presidente dos Estados Unidos da América surpreendendo e contrariando todas pesquisas e previsões.

O magnata republicano elegeu-se com uma plataforma conservadora e de direita, logo o povo americano não pode reclamar da sorte ou do azar de ter colocado na Casa Branca um outsider que está cumprindo exatamente o que prometeu na campanha eleitoral estadunidense.

Assim que saiu resultado da eleição americana, do lado de baixo do Equador um deputado federal brasileiro correu para a rede social do Twitter e postou:

“Parabéns ao povo dos EUA pela eleição de Donald Trump .Vence aquele que lutou contra “tudo e todos”. Em 2018 será o Brasil no mesmo caminho.”.

A referia postagem é de Jair Bolsonaro, que na época ainda não era protagonistas da onda conservadora que tomou conta do país nessas eleições de 2018.

Domingo próximo veremos se o vaticínio do “Capitão”, “Mito” ou “Bozo”, como queiram, vai se confirmar.

Em caso positivo, não adianta reclamar, apenas esperar por mais quatro anos e refazer a escolha.

A democracia é sublime por isso.

Eis o tuíte de Bolsonaro.

Ministro saudita diz que morte de jornalista foi ‘grande erro’

Diplomata ainda afirmou que não sabe onde está o corpo de Jamal Khashoggi, mas acredita que relação de Riad com EUA não será afetada

Khashoggi era um crítico do poder saudita e trabalhou para o jornal ‘The Washington Post’ Foto: Hasan Jamali / AP

via O Estado de S.Paulo

O ministro saudita das Relações Exteriores, Adel al-Jubeir, afirmou neste domingo, 21, que não sabe onde está o corpo de Jamal Khashoggi. Ele classificou a morte do jornalista como “um grande erro”.

Em um entrevista ao canal Fox News, Al-Jubeir disse que os líderes sauditas acreditavam inicialmente que Khashoggi havia deixado o consulado em Istambul, onde foi visto pela última vez em 2 de outubro.

Mas depois dos relatórios que as autoriddes árabes receberam do governo da Turquia, da Turquia”, deu-se início a uma investigação que determinou que o jornalista foi assassinado na representação diplomática.

“Não sabemos, em termos de detalhes, como aconteceu. Não sabemos onde está o corpo”, disse o chanceler, que destacou a prisão de 18 membros do consulado. “Foi o primeiro passo de uma longa jornada.”

Relação da Arábia com os Estados Unidos ‘resistirá’, afirma diplomata

Al-Jubeir acredita que a relação entre Washington e Riad “resistirá” a esta questão e garantiu que o príncipe Mohamed Bin Salman não teria sido informado sobre a operação, que tampouco teria sido autorizada pelo regime. Ele garantiu que o rei Salman está “determinado” a fazer os responsáveis pela morte do jornalista “prestarem contas”.

“As pessoas que fizeram isto, fizeram fora do alcance de sua autoridade. Obviamente, um grande erro foi cometido e €o que agravou o erro foi a tentativa de acobertar”, disse o diplomata. “Isto é inaceitável em qualquer governo. Infelizmente, estas coisas acontecem. Queremos garantir que os responsáveis sejam punidos e queremos assegurar que temos procedimentos estabelecidos para evitar que volte a acontecer.”

Em entrevista ao Washington Post, Donald Trump ​acusou o regime árabe de estar mentindo sobre o assassinado de jornalista, mas saiu em defesa do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

“Ele é visto com uma pessoa que pode manter as coisas sob controle. Eu digo isso de uma maneira positiva”, disse o presidente, que ainda sugeriu que os oficiais de inteligencia não provaram que MBS tenha papel direto na morte do jornalista. / AFP e W.Post

Turquia assusta 2

Por Eden Jr.*

O mundo está mais imprevisível. Depois da erupção de distúrbios econômicos na Argentina, do ciclo de elevação dos juros americanos e do acirramento das divergências comerciais entre Estados Unidos e China, agora foi a vez da Turquia colocar em xeque a prosperidade global. Isso a despeito do Fundo Monetário Internacional (FMI) ter projetado, em julho último, que o crescimento global será de 3,9% neste ano.

O novo imbróglio planetário teve início com o anúncio feito pelo presidente americano, Donald Trump, de que dobraria as tarifas de importação do aço e do alumínio exportados da Turquia para os EUA, para 50% e 20% respectivamente. Existem duas versões para essa majoração de impostos. Uma oficial, de que a motivação teria o objetivo de dar um novo alento para a indústria americana de aço e alumínio, que vem perdendo competitividade perante seus concorrentes. E outra mais aceita – dado o perfil inconstante do mandatário americano – de que a elevação foi uma retaliação à prisão, pelo presidente turco Recep Erdogan, do pastor estadunidense Andrew Brunson, acusado de espionagem e terrorismo, atos ligados à tentativa de golpe de estado ocorrido em 2016 no país. Inclusive, nas últimas semanas o governo americano tinha agido para libertar o pastor.

As perturbações econômicas repercutiram logo na moeda turca, a lira, que tem enfrentado uma crise de confiança e passou por forte desvalorização em relação ao dólar e ao euro. Para defender a divisa local, o presidente Erdogan tem estimulado, sem muito sucesso, uma espécie de “cruzada nacional”, ao incentivar que os turcos troquem ouro e outras moedas pela lira, buscando assim, brecar a desvalorização da lira. Uma implicação imediata da queda da lira é que paira o temor de um amplo calote das empresas turcas, que estão com nível alto de endividamento, tanto perante os bancos locais quanto aos estrangeiros. Fato que redunda em pressão sobre todo o sistema bancário.

Fora isso, a economia turca padece de problemas que já vinham se acentuando recentemente, apesar do crescimento do país ter sido de 7,4% ano passado, o que a colocou entre as nações de mais forte expansão, juntamente com China e Índia. A inflação, que vem se acelerando e está na casa dos 16% em valores anualizados até julho, é uma dessas dificuldades. Para tentar brecar a escalada dos preços, o remédio mais recomendado seria a elevação dos juros pelo Banco Central local. Contudo, o presidente Erdogan indicou que os juros não vão subir, pois podem deprimir o crescimento, fato que deixa clara a falta de autonomia da autoridade monetária. A inflação deve ser retroalimentada pela queda da lira, pois ficará mais caro importar produtos indispensáveis, como petróleo, gás e energia elétrica. As contas públicas são outra fonte de dúvidas. O endividamento do governo sofre ampliação rapidamente nos últimos anos: saiu de 39% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 e atingiu 60%.

Entretanto, Erdogan também já avisou que não adotará os impopulares cortes de despesas. E como cerca de 40% dessa dívida é em moeda estrangeira, vai ficar cada vez mais caro honrar esse compromisso, tendo em vista a desvalorização da lira.

Outro flanco da Turquia é o comércio internacional. Os persistentes déficits nas transações comerciais com o resto do mundo causam perplexidade entre os analistas. O rombo turco com seus parceiros comerciais foi de 32 bilhões de dólares em 2015 para 47 bilhões em 2017, e ficou em 31 bilhões somente no primeiro semestre deste ano. Diante das atuais incertezas, não se sabe o que o país fará para continuar sustentando um comércio internacional cada vez mais deficitário.

O grande questionamento que se faz é até onde a turbulência da Turquia – que representa apenas 1,7% do PIB global e é tão-somente a 17ª maior economia do planeta – pode impactar o desempenho mundial. Os desdobramentos são de naturezas e magnitudes diversas. Na Argentina – que angaria desconfiança em razão dos abalos sofridos recentemente, com o peso desvalorizando 70% nos últimos 12 meses, que enfrenta déficits fiscal e no comércio exterior e previsão, para este ano, de queda no PIB de 1% e de inflação de 30% – o Banco Central alçou os juros a 45% ao ano (a maior taxa do mundo). Esse movimento do BC argentino vai dificultar a melhora econômica.

Na Itália, os juros subiram pela possiblidade de revogação da “Lei Fornero” (que endureceu as regras de aposentadorias), o que pode resultar no aumento da já elevada dívida pública, além de haver questionamentos quanto ao vigor do sistema bancário. Especialmente do maior banco do italiano, o Unicredit, que tem altas somas emprestadas ao governo turco. O Banco Central Europeu (BCE) está receoso com a exposição de bancos europeus, como BBVA e BNP Paribas, que que têm significativas participações em instituições financeiras turcas. Bancos das cinco principais nações do continente – Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha – têm mais de 171 bilhões de euros aplicados na Turquia.

Já no Brasil, o real tem se depreciado. O dólar se valorizou mais de 20% neste ano, e na última semana rompeu a barreira dos quatro reais, atingindo a terceira maior cotação da história. Contudo, a alta da moeda americana no Brasil não tem relação somente com a crise turca, mas sobretudo, com os sucessivos déficits públicos e com o avanço da corrida eleitoral. Isso pois, as pesquisas divulgadas trazem como favoritos candidatos que não têm se mostrado comprometidos com reformas econômicas, circunstância que traz adversidades para o crescimento de longo prazo.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)

Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU, morre aos 80 anos 2

O diplomata ganês ocupou durante dez anos o cargo mais alto da Organização das Nações Unidas (ONU), denunciou a guerra no Iraque e chegou a receber o Prêmio Nobel da Paz

Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU Foto: REUTERS/Valentin Flauraud/File Photo.

O ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, faleceu aos 80 anos, neste sábado, 18. A fundação que carrega seu nome anunciou sua morte, por meio de um comunicado, apenas indicando que ele teria sofrido uma doença súbita. Nascido em Gana em 1938, o africano foi um dos ganhadores do prêmio Nobel da Paz.

Chefe da diplomacia das Nações Unidas entre 1997 e 2006, ele foi internado às pressas num hospital de Berna, na Suíça. Os detalhes sobre seu funeral ainda estão sendo organizados.

António Guterres, atual secretário-geral da ONU, emitiu um comunicado expressando sua “profunda tristeza”. “De muitas formas, Annan era a ONU. Ele subiu dentro da organização para lidera-lá ao novo milênio, com dignidade e determinação”, escreveu. O português insistiu que Annan foi seu mentor e indicou que, “em tempos turbulentos”, ele nunca deixou de agir.

Annan mantinha uma estreita amizade com Sergio Vieira de Mello, o brasileiro que liderou a ONU por algumas das maiores crises humanitárias e que morreu há 15 anos em Bagdá.

Annan ainda teve seu mandato marcado pela decisão de denunciar como “ilegal” a guerra de George W. Bush no Iraque. A partir de então, ele passou a ser alvo de ataques por parte da diplomacia americana. Meses depois de sua declaração, Annan viu seu filho acusado de envolvimento em escândalos de corrupção. O africano ficou abalado com a ofensiva contra ele e sua família e, por meses, chegou a perder sua voz.

EXCLUSIVO: Fernando Sarney pode ser candidato a presidente da Fifa 12

O período eleitoral da Fifa já iniciou no dia 13 de junho de 2018, durante 68º Congresso da organização responsável pelo futebol Mundial. Foi nesse evento que a Fifa escolheu a sede, ou melhor, as sedes da Copa do Mundo de 2026, que será realizada em três países, Canadá, México e Estados Unidos, e contará com 48 seleções

Em junho deste ano, a Fifa anunciou que sua próxima eleição para o cargo de presidente será realizado no dia 5 de junho de 2019, em Paris, França. Os interessados em concorrerem ao posto mais alto de comando da entidade podem apresentar sua candidatura até 5 de fevereiro do ano que vem.

Segundo apurou com exclusividade o Blog do Robert Lobato, o vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Fernando Sarney, poderá ser candidato a comandar a entidade máxima do futebol mundial.

Perguntado se o empresário maranhense poderia concorrer à presidência da CBF, a fonte revelou: “CBF não, mas Fernando poder ser candidato a presidente da Fifa e já conta com o apoio de muitos dirigentes do futebol internacional. Além de ser respeitado no meio no Brasil e no exterior, Fernando é fluente em quatro línguas estrangeiras, inglês, alemão, francês e italiano. Tudo isso o qualifica para disputar a presidência da Fifa”.

Não é demais lembrar que o período eleitoral da Fifa teve início no dia 13 de junho de 2018, durante 68º Congresso da organização responsável pelo futebol Mundial. Foi nesse evento que a Fifa escolheu a sede, ou melhor, as sedes da Copa do Mundo de 2026, que será realizada em três países, Canadá, México e Estados Unidos, e contará com 48 seleções.

E quiçá com Fernando Sarney na presidência da poderosa Fifa.

Confira o discurso, em inglês, do dirigente da CBF durante do 68º Congresso da Fifa, realizado em Moscou, capital da Rússia.

COPA DO MUNDO: Uma derrota a mais 4

por Juca Kfouri*

Não ganhar mais uma Copa do Mundo não tem a menor importância para o futuro do futebol brasileiro.

Tanto é verdade que já foram conquistadas cinco e o presente do nosso futebol é o que é, com clubes inadimplentes e cartolas corruptos ou fora do jogo, por causa do FBI e da Interpol, ou ainda dando as cartas, graças à leniência das autoridades brasileiras.

O futebol brasileiro ficou 24 anos sem passar do tri ao tetra e já está há 16 sem sair do penta ao hexa. E daí?

A Alemanha nem pentacampeã é e seu campeonato nacional beira os 45 mil torcedores em média por jogo.

No país cinco vezes campeão não chega aos 18 mil.

Ganhar Copas do Mundo, francamente, é o de menos, por maior que seja a comoção que afeta até crianças desligadas do futebol, mas capazes de chorar com a eliminação. Uma senhora em prantos que acompanhava o secretário-menor da CBF em Kazan chegou a dizer que estava de luto, e Renato Augusto comparou a derrota à morte de um parente. Menos, minha senhora, muito menos, Renato Augusto.

A Espanha só foi ganhar sua primeira Copa oito anos atrás e nem por isso o Real Madrid e o Barcelona eram menores do que são, ao contrário, tinham o mesmo tamanho.

É preciso entender de uma vez por todas que são clubes os responsáveis pela grandeza ou pequenez do futebol de um país, sem precisar exagerar como o presidente madridista que trabalha contra a seleção espanhola para não ver ofuscado o clube presidido por ele. Você sabe, rara leitora, você sabe, raro leitor: entre o seu clube campeão mundial e a seleção brasileira a escolha será quase sempre, mais de 90% das vezes, pelo clube.

E você que torceu contra, ou disse que torceu, porque o Temer não merece, o coronel Nunes também não, o Marco Polo que não viaja e o Caboclo que ele inventou muito menos, veja que quanto pior, pior mesmo, porque nada vai mudar.

Tanto que a seleção perdeu as últimas quatro Copas e nada mudou, assim como quando ganhou não foi por causa de Havelange e Teixeira, mas por causa de Pelé, Mané, Tostão, Rivellino, Romário, Rivaldo e Ronaldos.

O Brasil está fora da Copa, mas ela não acabou. Na terça-feira (10), em São Petersburgo, deveremos ter um recital de futebol: França x Bélgica, com ares de final antecipada, como seria França x Brasil. Só que seria e não será. Mas só mesmo.

*Jornalista, autor de “Confesso que Perdi”. É formado em ciências sociais pela USP.