Othelino Neto recebe embaixador de Cuba e garante apoio contra bloqueio econômico dos EUA 2

Presidente da Assembleia, acompanhado de deputados, recebeu o embaixador de Cuba

O presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Othelino Neto (PCdoB), recebeu, na tarde desta segunda-feira (16), a visita de cortesia do embaixador de Cuba, Rolando Gómes Gonzalez, acompanhado da cônsul-geral daquele país para o Nordeste do Brasil, Laura Pujol. Do encontro, participaram também os deputados Bira do Pindaré (PSB), Marco Aurélio (PCdoB), Glalbert Cutrim (PDT) e Rogério Cafeteira (DEM).

Os representantes de Cuba aproveitaram para solicitar ao presidente do Legislativo do Maranhão a votação de uma moção de repúdio contra o embargo econômico, por parte dos Estados Unidos, contra aquele país, que completou seis décadas e está recrudescendo sob o governo do atual presidente, Donald Trump.

“É um bloqueio perverso que maltrata o povo cubano. Houve um avanço durante o governo de Obama, período em que quase se acaba com o embargo, mas a situação reverteu-se completamente com Donald Trump. E perdura, mesmo com 191 nações repudiando tal medida dos norte-americanos”, disse Rolando Gonzalez.

Durante a reunião,  o presidente da Assembleia Legislativa disse que a Casa irá providenciar a moção de repúdio. “Já estive em Cuba, participando de um compromisso oficial, no período de Fidel Castro. Gosto muito do país e pretendo retornar. Quanto à moção, nós iremos providenciar”, garantiu Othelino Neto.

Os diplomatas cubanos conversaram sobre a troca de experiências entre os dois países e discutiram o intercâmbio entre Cuba e Maranhão, notadamente nas áreas da Saúde, por conta do programa “Mais Médicos” (419 profissionais cubanos atuam em mais de 150 municípios maranhenses), e da Educação, por meio  do “Sim, Eu Posso!”, executado em diversas cidades, alfabetizando adultos.

Rolando Cómes Gonzalez destacou ainda que está sendo articulada, para o mês de setembro, uma campanha internacional contra o embargo dos Estados Unidos a Cuba.

O deputado Bira do Pindaré (PSB) propôs, em meio à conversa, um intercâmbio entre a Assembleia do Maranhão e Cuba, o que foi prontamente aceito pelos representes do país caribenho.

Os dois diplomatas estão em São Luís desde a semana passada e já foram recebidos pelo governador Flávio Dino, pelo vice-governador, Carlos Brandão, por diversos secretários de Estado, pela reitora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Nair Portela, e também pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), Edilson Baldez.

Ao término do encontro, Gonzalez agradeceu pela hospitalidade dos deputados maranhenses e afirmou que a troca de informações foi altamente produtiva.

Entenda em dez perguntas o impasse sobre Jerusalém

Donald Trump anuncia reconhecimento de Jerusalém. Crédito Kevin Lamarque/Reuters

O presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (6) que os EUA passam a reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, revertendo quase sete décadas de política externa americana, e determinou o início dos preparativos para a transferência da embaixada americana de Tel Aviv para a disputada cidade.

Aliados e rivais dos Estados Unidos criticaram a decisão. Confira dez perguntas sobre Jerusalém e as declarações de Trump:

1) De quem é Jerusalém?
A cidade está sob controle de Israel desde a Guerra dos Seis Dias (1967), mas na prática é dividida entre lado ocidental, que tem maioria judaica e abriga o Parlamento israelense, e oriental, de maioria árabe, reivindicado pelos palestinos (a Autoridade Nacional Palestina está em Ramallah, Cisjordânia).

2) O que se reivindica?
Israel afirma que Jerusalém é sua capital única e indivisível, recorrendo a episódios históricos; os palestinos pleiteiam que Jerusalém Oriental seja a capital de seu futuro Estado, também alegando razões históricas.

3) O que diz o mundo?
A ONU determinou, em 1947, que Jerusalém fosse uma cidade com regime internacional, sem controle exclusivo de judeus, árabes ou cristãos. A maioria dos países hoje apoia a solução de dois Estados, determinada por negociações de paz entre israelenses e palestinos (congeladas desde 2014).

4) O que Trump disse?
Que os EUA reconhecem Jerusalém como a capital de Israel e que mudarão sua Embaixada em Israel, hoje em Tel Aviv, para a cidade em uma data futura.

5) Quando os EUA mudarão a embaixada?
Trump declarou iniciados os preparativos para a mudança, mas ao mesmo tempo assinou um adiamento por seis meses, como têm feito todos os presidentes dos EUA desde Bill Clinton em 1995. Ele não estipulou prazos e pode voltar a adiar o processo.

6) Então o que muda?
Na prática, nada. Trump ressalta que a definição das fronteiras sob soberania israelense deve ser objeto das negociações de paz israelo-palestinas e pede que a cidade fique aberta para “todas as fés”; segundo o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, o status dos locais sagrados será mantido.

7) Quem tem embaixada em Jerusalém?
Ninguém. Israel é reconhecido pela imensa maioria dos países, e apenas nações muçulmanas do Oriente Médio negam sua legitimidade (as exceções são o Egito e a Jordânia). Por causa da indefinição do status da cidade, porém, todos mantêm suas representações em Tel Aviv.

8) E o processo de paz?
Washington passa a ser visto como ator parcial, favorável aos israelenses, o que dificulta para os palestinos aceitar sua mediação. O alerta foi feito não só por países críticos aos EUA, mas também por governos europeus, a UE e a ONU.

9) Qual o papel dos EUA na negociação?
Os EUA foram o principal mediador do processo de paz desde 1967 -incluindo os acordos de Oslo (1993) e Camp David (2000), o Mapa do Caminho proposto com Rússia, UE e ONU (2003) e as negociações em Annapolis (2007) e Washington (2010).

10) E o pleito palestino?
A reivindicação sobre Jerusalém Oriental como capital de um Estado palestino pode ser mantida, mas há risco de a decisão dos EUA inflamar os muçulmanos na região e provocar uma nova onda de violência.

(Fonte: Folha de São Paulo)

EUA decidem se retirar de novo da Unesco por seu ‘viés anti-Israel’

A retirada do país, que não faz repasses à organização desde a entrada da Palestina, será em 2018

Via El País

Cumprindo sua ameaça, os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira que irão se desligar da Organização das Nações Unidas para Educação, a Cultura e as Ciências (Unesco), em protesto contra o reconhecimento da Palestina como membro pleno dessa instituição. Washington considera que a Unesco, com sede em Paris, tem um claro viés anti-Israel, algo que a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, vem denunciando desde que assumiu o cargo.

A decisão se tornará efetiva em 31 de dezembro de 2018. A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, disse lamentar “profundamente” a decisão do Governo norte-americano, que em 2011 já havia suspendido o pagamento das suas contribuições. A alta funcionária, perto do final do seu mandato, considera que a decisão afetará o “universalismo fundamental” para o trabalho da organização nos tempos atuais, marcados por um “aumento do extremismo violento e do terrorismo”.

“O trabalho da Unesco é crucial para reforçar os laços do patrimônio comum da humanidade frente às forças do ódio e da divisão”, afirmou Bokova. “Em momentos nos quais a luta contra o extremismo violento exige renovados investimentos em educação e no diálogo entre as culturas para prevenir o ódio, é profundamente lamentável que os EUA se retirem da agência das Nações Unidas que lidera nessas questões”, acrescentou ela em um longo comunicado.

O recente reconhecimento da Cidade Velha de Hebron (Cisjordânia) como Patrimônio da Humanidade foi a gota d’água para o Governo de Donald Trump, que além disso busca formas de reduzir suas contribuições financeiras ao sistema da ONU como um todo. A primeira reação das Nações Unidas foi de preocupação pela medida anunciada pelo Departamento de Estado.

A ideia dos EUA é permanecerem na Unesco apenas na condição de observadores. O anúncio coincide com o processo de sucessão para a direção do organismo, no qual os principais aspirantes são a ex-ministra francesa de Cultura Audrey Azoulay e o diplomata catariano Hamad Bin Abdulaziz Al-Kawari.

O precedente de Reagan

Não é a primeira vez que os EUA deixam a Unesco. Já havia acontecido durante a presidência do também republicano Ronald Reagan (1981-89), quando Washington acusou a organização de adotar uma política favorável aos interesses da União Soviética, além de tachá-la de corrupta. George W. Bush recolocou os EUA em seus quadros 15 anos depois, por considerar que ela havia atenuado seu viés contrário ao Ocidente e a Israel.

O último litígio dos EUA com a Unesco se arrasta desde o Governo do democrata Barack Obama, que em 2011 passou a reduzir o financiamento à instituição em represália à admissão dos palestinos como membros plenos. Desde então, a dívida de Washington com a Unesco chega a 500 milhões de dólares. Com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, os EUA elevaram o tom de suas críticas à organização.

A Unesco é conhecida por seu programa mundial para a preservação do patrimônio cultural. A agência financia também projetos no âmbito da educação nos países mais pobres do planeta, com iniciativas dirigidas ao empoderamento das meninas. Também conta com programas destinados à proteção da liberdade de imprensa e inclui entre suas atividades a conscientização sobre os horrores do Holocausto.