Sobre o caso “João de Deus” (OU: Quando a fé que cura é mesma machuca)

O que é abominável nesses casos é que o agressores se aproveitavam da carência das pessoas, da fé de quem está a procura de uma saída para um sofrimento que enfrenta, enfim, de luz e felicidade aí depois se deparam com a depravação de quem parecia ser um “santo”.

“O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz cair no pecado e todos os que praticam o mal. Eles os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes” 
(Mateus 13:41-42)

O Brasil e o mundo ficaram bestificados com a série de denúncias de assédio e abuso sexuais que teriam sido cometido pelo senhor João Teixeira de Faria, ou “João de Deus”.

Já somam dezenas de mulheres que afirmam ser vítimas do líder espiritual residente na pequena cidade de Abadiânia, interior de Goiás.

A história está repleta de casos em que homens “usados por Deus” transgridem a ética e moral religiosas. De padres católicos a pastores protestantes, passando por líderes de cultos afros etc, aqui a acolá a sociedade se depara com a depravação de certos gurus espirituais.

Isso mostra que devemos ter muito cuidado de entregar nossas vidas e de familiares com 100% de confiança nas mãos de quem quer que seja, mesmo daqueles que usam o nome de Deus.

A serem confirmadas as denúncias contra João Teixeira de Faria, que doravante poderá ser chamado “João” de qualquer coisa, menos de “Deus”, pode-se estar diante do caso do maior assediador em série da história recente, talvez maior até do que o ex-médico Roger Abdelmassih, maníaco que por anos abusou sexualmente de dezenas de suas pacientes.

O caso envolvendo o médium de Abadiânia não é o primeiro e muito menos será o último. E certamente aparecerão muitos defensores, pessoas de boa-fé, que vão se negar a acreditar que Faria foi capaz de fazer os absurdos que agora caem sobre os seus ombros.

O que é abominável nesses casos é que o agressores se aproveitavam da carência das pessoas, da fé de quem está a procura de uma saída para um sofrimento que enfrenta, enfim, de luz e felicidade aí depois se deparam com a depravação de quem parecia ser um “santo”.

O fato é que pequena Abadiânia, que já havia ganhado o mundo por ser a terra natal de um certo “João de Deus” que operava milagres, volta mais uma vez ser notícia internacional.

Só que agora com a triste revelação de que, de “Deus”, o João nada tinha…

Revista Time escolhe jornalistas, incluindo repórteres presos da Reuters, como “Pessoa do Ano”

Entre eles, o jornalista saudita Jamal Khashoggi, um crítico do líder de fato da Arábia Saudita, o príncipe da coroa Mohammed bin Salman, que foi assassinado há dois meses no consulado saudita em Istambul, quando ele foi ao local para reunir documentos para seu casamento.

WASHINGTON (Reuters) – A revista Time escolheu nesta terça-feira jornalistas, incluindo um colunista saudita que foi morto e dois repórteres da Reuters presos pelo governo de Mianmar, como “pessoa do ano”, em uma matéria de capa cujo título é “Os Guardiões e a Guerra pela Verdade”.

A honra foi direcionada a uma série de jornalistas incluindo os repórteres da Reuters Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28 anos, condenados pelo governo de Mianmar em 3 de setembro por violarem a Lei de Segredos Oficiais, que data da era colonial, em um caso visto como um teste das liberdades democráticas no país.

Também foi homenageado o jornalista saudita Jamal Khashoggi, um crítico do líder de fato da Arábia Saudita, o príncipe da coroa Mohammed bin Salman, que foi assassinado há dois meses no consulado saudita em Istambul, quando ele foi ao local para reunir documentos para seu casamento.

(Por Scott Malone, para Reuters)

Em carta, relator da ONU critica proibição de Lula a dar entrevistas na prisão

Em resposta, Itamaraty afirmou que encaminhou documento da ONU ao Poder Judiciário; carta solicita ‘medidas preventivas’ para impedir supostas violações de liberdade de imprensa

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

GENEBRA – Em uma carta enviada às autoridades brasileiras, o relator independente da Organização das Nações Unidas (ONU) para a proteção da Liberdade de Expressão, David Kaye, criticou a decisão de proibir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato, de conceder entrevistas na prisão.

“Expressamos nossa preocupação sobre a decisão de prevenir a imprensa de entrevistar Lula na prisão”, escreveu o relator, numa carta datada de 10 de outubro, em que ele cita como base a decisão envolvendo o jornal Folha de S. Paulo. A comunicação foi dirigida à missão do Brasil na ONU, que teve como responsabilidade repassar o documento para Brasília.

Kaye pedia uma resposta do Brasil no prazo de 60 dias, o que não ocorreu até o vencimento do período. O Estado solicitou uma posição por parte do Itamaraty. Em resposta à reportagem, o Itamaraty esclareceu que enviará o esclarecimento solicitado.

“A comunicação do relator das Nações Unidas sobre direito de expressão foi encaminhada pelo Itamaraty à atenção do Poder Judiciário. Os fundamentos legais da decisão do Judiciário constam do acórdão pertinente, que é público e, como tal, pode ser acessado pelos interessados. Providenciaremos, de todo modo, o envio de cópia do documento ao relator”, disse o Itamaraty, por meio de sua assessoria de imprensa.

“Estamos ainda preocupados com o fato de essa decisão ter sido publicada no contexto das eleições, onde o papel da imprensa e o direito público à informação é de importância maior e podem ter um impacto nos resultados das eleições”, apontou David Kaye, professor da Universidade da California, onde ensina direito internacional. Kaye iniciou sua carreira como advogado no Departamento de Estado norte-americano e, na página oficial da ONU, ele aparece como membro do Conselho de Relações Exteriores, nos EUA.

No documento, o relator pede esclarecimentos às autoridades brasileiras. “Por favor, providencie informações sobre medidas tomadas pelo seu governo para garantir que a imprensa não é impedida ou censurada na cobertura ou na publicação de eventos e entrevistas, em geral e em particular, durante as eleições”, diz o texto, que indica que o ex-presidente foi “sentenciado a 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro”.

Enquanto aguardava por uma resposta, o relator solicitava que medidas preventivas fossem tomadas para impedir que as supostas violações fossem mantidas.

O texto diz que sua decisão em pedir esclarecimentos ocorreu depois de receber informações sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal, de 28 de setembro, que impedia o jornal Folha de S. Paulo de entrevistar Lula na prisão. O texto traz as diferentes decisões nas semanas que se seguiram, com recursos e os argumentos apresentados.

O relator ainda cita a medida provisória do Comitê de Direitos Humanos da ONU que, em agosto, solicitou que o estado brasileiro garantisse que Lula usufruísse de seus direitos políticos, mesmo na prisão.

No início de outubro, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, decidiu manter a proibição do ex-presidente conceder entrevistas da prisão. Para o presidente da Corte, deve ser cumprida “em toda a sua extensão” a decisão liminar do vice-presidente do STF, ministro Luiz Fux, que impediu Lula de falar com a imprensa no período eleitoral no final de setembro.

Toffoli também reiterou que a proibição vale até o plenário da Suprema Corte analisar definitivamente a questão, que foi alvo de uma guerra de liminares no tribunal que envolveu nos últimos dias o próprio Toffoli, Fux e o ministro Ricardo Lewandowski.

No dia 19 de outubro, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ainda defendeu, em manifestação enviada ao STF, que Lula seja impedido de conceder entrevistas da prisão. Segundo ela, Lula “é um detento em pleno cumprimento de pena e não um comentarista de política”.

Dodge afirmou, ainda, que “a proibição desta entrevista não exclui, pois apenas limita a liberdade de expressão do condenado recluso. Ele continuará podendo se comunicar com o mundo exterior por correspondências e visitas de seus familiares e amigos”, de acordo com a legislação em vigor. Em sua visão, a medida era “proporcional e adequada a garantir que as finalidades da pena a ele imposta sejam concretizadas, sendo, portanto, compatível com a ordem jurídica do país”.

CÂMARA DOS DEPUTADOS: Comissão debate acordo Brasil-EUA sobre uso da base de Alcântara

Audiência pública foi requerida pelo deputado federal maranhense Pedro Fernandes.Em audiência pública requerida pelo deputado federal Pedro Fernandes (PTB-MA), realizada nesta quarta-feira, 5, na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, especialistas e autoridades militares e governamentais, debateram o acordo de salvaguarda entre o Brasil e os Estados Unidos que permite o uso da base de lançamento de foguetes em Alcântara, no Maranhão.

Confira, a seguir, a íntegra da audiência sobre tão importante e estratégica questão para o país e, claro, para o Maranhão.

Autoridades brasileiras debatem gestão pública e educação em Oxford 2

Evento organizado pela Fundação Lemann reuniu governadores, parlamentares, especialistas e sociedade civil na Universidade de Oxford. O estado do Maranhão foi representado pelo secretário Felipe Camarão.

Felipe Camarão: secretário representou o governo maranhense em evento internacional sobre educação em Oxford.

Entre os dias 25 e 30 de novembro, 65 autoridades brasileiras (governadores, parlamentares, especialistas, empresários e terceiro setor) se reúnem em um encontro para debater gestão pública e educação na Universidade de Oxford. De forma propositiva e com visões plurais, a ideia é buscar consenso sobre as prioridades e possíveis ações para os dois temas. O encontro é promovido por nós (Fundação Lemann) e conta com o apoio da Fundação Brava e da Blavatnik School of Government da Universidade de Oxford para o pilar de gestão pública e do Todos pela Educação para a agenda de educação.

Gestão de pessoas no setor público

A primeira parte do encontro debate a gestão de pessoas no setor público, que é fundamental para que governos possam entregar serviços de qualidade à população. “No Brasil, ainda precisamos enfrentar o desafio de atrair, reter e desenvolver as pessoas melhor preparadas para atuar em cargos de liderança para o governo”, diz Denis Mizne, diretor-executivo da Fundação Lemann. “Estamos criando um ambiente de respeito, troca de experiências e pluralidade de ideias para que atores-chave para o desenvolvimento do país incluam esse desafio na agenda nacional.”

Para a conversa, contamos com relatos de experiências internacionais de especialistas como Dustin Brown (Diretor de Administração da Secretaria da Fazenda do Gabinete da Presidência dos EUA), Thomas Shannon (Subsecretário de Estado para Assuntos Políticos que coordenou a transição governamental Obama-Trump), Graeme Head (Comissário de Serviço Público de New South Wales, Austrália), e Kate Josephs (Diretora de Operações Nacionais, Departamento de Educação do Governo Britânico).

Maranhão presente

O Governo do Maranhão foi representado pelo secretário de Estado de Educação, Felipe Camarão, que voltou muito animado pelo que viu e ouviu das autoridades internacionais que participaram do evento.

“Foi uma experiência muito rica e gratificante onde as autoridades públicas de vários países debateram os rumos e tendência da educação em  escala mundial. Foi uma semana de estudos e trocas de experiência tendo como foco, inclusive, a gestão de pessoas na área educacional. Não posso deixar de registrar a oportunidade maravilhosa na minha carreira que foi ouvir a vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Malala, durante um jantar em Oxford”, disse o secretário.

Prioridades em educação para os próximos anos
Já em educação, os temas centrais são os desafios da carreira docente, formação de professores na implementação de novos currículos alinhados à Base Nacional Comum Curricular e a tecnologia como viabilizadora de reformas educacionais em escala. Para Camila Pereira, Diretora de Educação da Fundação Lemann, “Os próximos anos são decisivos para que a nossa educação pública melhore e passe a garantir oportunidades iguais para todas as crianças brasileiras. É importante que existam prioridades claras para que políticas educacionais estruturantes como a Base e o programa Educação Conectada avancem e cheguem nas salas de aula de todo o país com qualidade”.

A agenda traz palestras de Barbara Bruns (Centro para o Desenvolvimento Global, EUA) Evan Marwell (CEO da Education Superhighway, EUA), Cristián Cox (Ex-Diretor do Programa de Melhoria de Qualidade e Equidade da Educação Básica no Ministério da Educação do Chile), Sean Harford (Ofsted, Reino Unido), Dave Peck (CEO da Curriculum Foundation, Reino Unido) e Ju-Ho Lee (Ex-Ministro da Educação, Ciência e Tecnologia, Coréia do Sul).

(Com informações da Fundação Lemann)

OPINIÃO: Sobre o futuro governo Jair Bolsonaro 4

Sem trégua das esquerdas e da grande mídia, aquela que a imprensa “progressista” apelidou de PIG (Partido da Imprensa Golpista), Bolsonaro vai formando o seu governo basicamente em negociações com as bancadas setoriais do Congresso Nacional, com pouca interlocução com os grandes partidos tradicionais.

Vamos lá.

O deputado federal fluminense Jair Messias Bolsonaro, de 63 anos, foi eleito presidente da República com 57.797.847 (55,13% dos válidos).

Para início de conversa, vamos admitir: sendo Bolsonaro ou Haddad eleito, o Brasil “ressacado” das eleições estaria neste mesmo clima de acirramento politico, pois o pleito de 2018 foi deslocado para os extremos.

Imaginemos o professor Haddad eleito presidente. Alguém tem dúvidas de que se os assim chamados “Bolsomínios” estariam estéricos, loucos, criticando, esperneando e conspirando contra o presidente petista vitorioso?

Pois é. Haddad perdeu. Eleito foi Bolsonaro.

Ora, se temos uma crise de legitimidade personificada na figura do presidente Temer, agora coisa muda de figura: temos um presidente legal e legitimamente eleito, goste-se ou dele.

A rigor, ninguém pode se dizer “surpreso” pelos nomes indicados para integrar o futuro Governo Federal.

Candidato de perfil conservador e de direita, eleito presidente Jair Bolsonaro está sendo fiel ao que disse antes e durante a campanha. Tivesse fazendo algo ao contrário e ganhando elogios de setores da esquerda, o capitão estaria praticando estelionato eleitoral.

Sem trégua das esquerdas e da grande mídia, aquela que a imprensa “progressista” apelidou de PIG (Partido da Imprensa Golpista), Bolsonaro vai formando o seu governo basicamente em negociações com as bancadas setoriais do Congresso Nacional, com pouca interlocução com os grandes partidos tradicionais.

Críticas aqui e ali por indicação de alguns nomes, penso que o presidente eleito poderia tido maior cuidado com duas das principais pastas: Saúde e Educação.

Para a primeira foi indicado Henrique Mandetta, investigado por suposta fraude em licitação, tráfico de influência e caixa 2 no contrato para implementar um sistema de informatização na saúde em Campo Grande (MS), no período no qual foi secretário. Pegou mal.

Já para a Educação foi indicado colombiano Ricardo Vélez. O fato de ser colombiano é o menos grave, já que o filósofo está radicado no Brasil há muitos anos.

O maior problema do senhor Ricardo Vélez é o fato de levar para um Ministério tão sensível, como é o do Educação, uma carga ideológica muito pesada. O que menos a educação brasileira precisa são de batalhas ideológicas, enfrentamentos com setores organizados do setor e radicalização de posições como o projeto da tal “Escola sem Partido”.

Outro setor que o “Mito” pode ter problemas é no Ministério das Relações Exteriores. O diplomata Ernesto Araújo – não se sabe se também foi indicado pelo doidão do Olavo de Carvalho -, tem posições o tanto quanto polêmicas para quem vai exercer um cargo cujo titular precisa de muito equilíbrio e jogo de cintura nas tratativas com outras nações e organismos internacionais.

Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo têm que entender que o Brasil não é os Estados Unidos, que o presidente eleito não é Donald Trump e o futuro chanceler não um secretário de Estado com poderes como têm os americanos que ocupam a chancelaria estadunidense.

Esses três futuros ministro, portanto, podem ser as principais fontes de dores de cabeça para Bolsonaro, caso leve a cabo todas as suas concepções enquanto cidadãos.

De qualquer forma, cabe aos brasileiros que votaram e não votaram em Bolsonaro torcer para que o país dê certo e que daqui a quatro possam avaliar, aprovar ou reprovar o futuro governo nas urnas novamente.

Todo governo merece uma trégua.

Inclusive o de Jair Bolsonaro.

É a opinião do Blog do Robert Lobato.

PS. Em breve faremos uma análise específica sobre a equipe econômica indicado por Bolsonaro, com o “general” Paulo Guedes à frente. Aguardem.

Palavras de origem africana no vocabulário brasileiro 2

via Raiz do Samba

Afora o Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné-Equatorial, que adotou o idioma como oficial recentemente. Timor-Leste é o único a ter o Português como língua oficial na Ásia. Nossos irmãos africanos fazem parte do PALOP, acrônimo que significa justamente Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Tudo obra de Portugal, responsável por essa bagunça chamada lusofonia (o conjunto dos países que possuem Português como língua oficial) que acabou dando seu jeito de seguir caminho. Mas, diferente do Brasil, onde línguas nativas ficaram restritas a suas tribos indígenas, nos países euro-colonizados da África, ainda se falam línguas nativas (nagô, ioruba, quicongo, umbundo e quimbundo). Só pra constar.

Rolou uma marmota por parte dos invasores que misturavam africanos de diversos países e culturas (sim, porque África é um extenso continente com 54 países culturalmente diversificados e não um país restrito de miséria como a grande mídia te acostumou a ver) com intenções de que com a confusão cultural, eles não pudessem se unir entre si para se rebelar. Até certo ponto, rolava, como ainda acontece, de haver desunião entre as classes menos abastadas da sociedade, mas isso não significou a morte por abandono dessas línguas. Ao contrário, a partir dali, surgiria uma cultura praticamente nova com os elementos que sobreviveram ao tráfico negreiro. Muita coisa de nossa cultura vem de África e dos africanos que foram sequestrados para cá (dos quais descendemos em maioria, já que no auge do crime da escravidão, a população negra era, como se manteve, maioria).

A linguagem é um dos pontos altos das coisas cotidianas que trazemos do continente-mãe. E como a cultura negra é a essência do Samba, ou seja, é a raiz do Samba, então, não falar necessariamente do samba musical não é fugir do foco, não é mesmo? Então, vamos a um dicionário improvisado que fui reunindo em diversos sites educacionais e culturais internet afora. Você vai notar que muitas dessas palavras, tu tá aí falando adoidado todo dia e nem sabe que vêm de dialetos línguas (valeu a dica, Niyi) africanas. Muito interessante, pois somos acostumados a não buscarmos o passado, como se o jornal da TV já bastasse pra gente estar informado. Mas é pegar num livro, num artigo de internet e a gente voa no conhecimento. Veja aí que nem só dentro do samba e do candomblé estão palavras africanas da diáspora. Use e abuse do CTRL+F e saia buscando suas palavras mais usadas e/ou preferidas, porque tem coisas muito interessantes nesse “dicionário” que eu montei na base do ‘cataqui/catali’. Rá! (Lembrando que como foi uma pesquisa de internet, algumas coisas podem não estar condizentes, mas eu atualizo conforme me avisam, ok?).

A

ABADÁ – Túnica folgada e comprida. Atualmente, no Brasil, é o nome dado a uma camisa ou camiseta usada pelos integrantes de blocos e trios elétricos carnavalescos.

ABARÁ – Quitute semelhante ao acarajé. A massa feita de feijão fradinho e os temperos são os mesmos. Os bolinhos envoltos em folhas de bananeira são cozidos em banho-maria.

ACARÁ – Peixe de esqueleto ósseo.

ACARAJÉ – Bolinho feito de massa de feijão-fradinho frito no azeite de dendê e servido com camarões secos.

AFOXÉ –  Dança, semelhante a um cortejo real, que desfila durante o carnaval e em cerimônias religiosas.

AGOGÔ – Instrumento musical formado por duas (ou três) campânulas ocas de ferro.

ALUÁ – Bebida feita de milho, arroz cozido ou com cascas de abacaxi.

AMUO  – sm. Mau humor passageiro, revelado no aspecto, gestos ou silêncio; arrufo, calundu.

ANGOLA – Nome dado a uma das mais conhecidas modalidades do jogo de capoeira e, também, a um dos cinco países africanos de língua portuguesa.

ANGU – Massa de farinha de milho ou de mandioca. Angu-de-caroço: Coisa complicada.

AXÉ – Saudação; força vital e espiritual.

AZOEIRA – Barulhada, zoeira, bagunça.

B

BABÁ – Ama-seca; pessoa que cuida de crianças em geral; pai-de-santo; a origem é controvertida sendo, para alguns estudiosos originária do quimbundo, e para outros do idioma iorubá.

BABACA – Tolo; boboca.

BAGUNÇA – Baderna, desordem.

BALANGANDÃS  – Enfeites,originalmente de prata ou de ouro, usados em dias de festa.

BAMBAMBàou BAMBA – Maioral, bom em quase tudo que faz.

BAMBERÊ – Cantiga de ninar entoada por negras velhas da Região Amazônica. (“Bamberê, bamberá / criança que chora quer mamá / Moça que namora quer casá / Galinha que canta quer botá / Bamberê, bamberá)

BAMBOLÊ – Aro de plástico ou metal usado como brinquedo.

BANCAR – Fazer o papel de; fazer-se de.

BANGÜÊ – Padiola de cipós trançados na qual se leva o bagaço da cana.

BANGUELA – Desdentado. Os escravos trazidos do porto de Benguela, em Angola, costumavam limar ou arrancar os dentes superiores.

BANGULÊ  – Dança de negros ao som da puíta, palma e sapateados.

BANTO  – Nome do grupo de idiomas africanos em que a flexão se faz por prefixos.

BANTOS – Povos trazidos do sul da África, principalmente de Angola e Moçambique, que espalharam sua cultura, idiomas e modos.

BANZAR – Meditar, matutar.

BANZÉ – Confusão.

BANZO – Tristeza fatal que abatia os escravizados com saudades de sua terra natal.

BAOBÁ – Árvore de tronco enorme, reverenciada por seus poderes mágicos.

BATUQUE – Dança com sapateado e palmas, com som de instrumentos de percussão. É uma variante das rodas de capoeira, praticada pelos negros trazidos de Angola para o interior da Bahia. No sul do Brasil, é sinônimo de rituais religiosos e, no interior do Pará, é uma espécie de samba.

BERIMBAU – Instrumento musical, composto de um arco de madeira com uma corda de arame vibrada por uma vareta, tendo uma cabaça oca como caixa de ressonância.

BIRITA – Cachaça; gole de cachaça.

BITELO – Grande; de tamanho exagerado.

BOBÓ – Um tipo de purê feito de aipim ou inhame.

BOCA-DE-PITO – Pitada; tragada em cigarro, charuto ou cachimbo; disposição para fumar provocada pela ingestão de café ou bebida alcoólica.

BOMBA – Certo doce de forma cilíndrica ou esférica feito de massa cozida e glaçado na parte superior.

BOROCOXÔ – Molenga. Entristecido.

BRUACA –  Espécie de mala ou sacola que se levava no lombo de animais.

BUGIGANGA – Objeto de pouco ou nenhum valor ou utilidade.

BUNDA – Nádegas, na língua falada pelos bundos de Angola.

BÚZIOS – Conchas marinhas usadas antigamente na África como moedas e, em nossos dias, em cerimônias religiosas e em jogos de previsão.

C

CAÇAMBA – Balde para tirar água de um poço; local onde se depositam detritos.

CACHAÇA – Bebida alcoólica; pinga; durante muito tempo, os negros escravizados, banhados em suor, giravam manualmente as rodas dos engenhos de açúcar e, do vapor originário da fervura do caldo da cana, escorria pela parede e pingava do teto (daí o porque o nome “pinga”)a bebida de sabor clássico, que ardia nos olhos e foi batizada de “pinga”.

CACHIMBO – Tubo de fumar, com um lugar escavado na ponta para se colocar o tabaco.

CACIMBA – Poço ao ar livre, onde se retém a água da chuva para diversas finalidades. Cova que recolhe água de terrenos pantanosos.

CAÇULA – O mais novo.

CACULÉ – Cidade da Bahia.

CACUNDA – Corcunda. Corcova. Costas.

CAFIFE – Diz-se de pessoa que dá azar.

CAFOFO – Lugar que serve para guardar objetos usados; nos dias atuais, serve também para designar moradia pequena, mas aconchegante.

CAFUÁ – Esconderijo. Casebre.

CAFUCA – Centro; esconderijo.

CAFUCHE – Irmão do Zumbi.

CAFUCHI – Serra.

CAFUNDÓ – Lugar afastado, de acesso difícil.

CAFUNÉ – Coçar a cabeça de alguém.

CAFUNGÁ – Pastor de gado.

CAFUZO – Mestiço de negro e índio.

CALANGO – Lagarto. Dança afro-brasileira.

CALOMBO – Inchaço. Quisto, doença.

CALUMBÁ – Planta

CALUNDU – sm. Mau humor; amuo.

CALUNGA – sf. 1. Coisa qualquer de tamanho reduzido. 2. Boneco pequeno. O mar; boneca carregada pelas damas do paço nos desfiles de reis e rainhas dos Maracatus de nação em Pernambuco; símbolo da realeza e do poder dos ancestrais.

CAMUNDONGO – Rato pequeno.

CANDOMBLÉ – Casas ou terreiros de diferentes nações – Angola, Congo, Jêje, Nagô, Ketu e Ijexá – onde são praticados os rituais trazidos da África. Esses cultos são dirigidos por um Babalorixá (pai-de-santo) ou por uma Ialorixá (mãe-de-santo). Um dos mais tradicionais é o de Gantois,em Salvador, na Bahia. No passado, o candomblé foi muito perseguido.

CANDONGA – Intriga, mexerico.

CANGA – Tecido com que se envolve o corpo. Peça de madeira colocada no lombo dos animais.

CANJERÊ – Feitiço, mandinga.

CANJICA – Papa de milho verde ralado.

CAPANGA – Guarda-costas. Bolsa pequena que se leva a tiracolo.

CAPENGA – Manco. Com andar de bêbado.

CAPOEIRA – Jogo de corpo, agilidade e arte, que usa técnicas de ataque e de defesa com os pés e as mãos. As rodas são acompanhadas por palmas, pandeiros, chocalhos, berimbaus e cânticos de marcação.

CARIMBO – Instrumento de borracha. Marca. Sinal.

Carimbó – Tipo de dança afro-brasileira originária da região norte do Brasil.

CARURU – Iguaria da culinária afro-brasileira, feita com folhas, quiabos e camarões secos.

CASSANGUE – Grupo de negros da África.

CATIMBA – Manha. Astúcia.

CATIMBAU – Prática de feitiçaria.

CATINGA – Fedor; mau cheiro.

CATITA – Pequeno, baixo, miúdo. Nome dado no Nordeste a um ratinho novo.

CATUNDA – Sertão.

CATUPÉ – Cortejo afro-mineiro. As fardas de seus integrantes são enfeitadas de fitas, sendo que dançam e cantam acompanhados por instrumentos de percussão.

CAXAMBU – Grande tambor usado na dança harmônica.

CAXANGÁ – Jogo praticado em círculo. Os versos de uma velha cantiga, baseada nessa brincadeira, são bem populares.

CAXIXÍ – Chocalho pequeno feito de palha.

CAXUMBA – Inflamação das glândulas salivares.

CAZUMBÁ – Negro velho, personagem do Boi-Bumbá paraense.

CAZUMBI – Alma penada.

CHILIQUE – Desmaiar. “Ter um troço”.

CHUCHU – Fruto comestível.

COCHILAR – Breve soneca. Sono leve.

CONGADAS ou CONGOS – Danças dramáticas com enredo e personagens característicos, como reis, rainhas, príncipes, princesas, embaixadores, chefes de guerra e guerreiros, que se despedem, no final das apresentações, cantando.

COQUE – Bater na cabeça com o nó dos dedos. Tipo de penteado onde o cabelo é todo preso num arranjo único no alto da cabeça; há uma corrente que acredita ser o nome proveniente do inglês “cock”, que significa galo, e outra que associa o nome a barulho que é feito e também ao “galo” na cabeça.

CUBATA – Choça de pretos; senzala. Palhoça

CUÍCA – Instrumento musical que emite um ronco peculiar.

CUMBA – Forte, valente.

CUMBE – Povoação em Angola.

D

DENDÊ – Fruto de uma palmeira (dendezeiro), de onde é extraído o azeite.

DENGO – Gesto de carinho. Manha, birra.

DENGOSO – Manhoso. Chorão.

DIAMBA – Um tipo de erva alucinógena.

E

EBÓ – Oferenda feita aos orixás para se resolver os mais diferentes desejos e problemas.

EFÓ – espécie de guisado de camarões e ervas, temperado com azeite de dendê e pimenta.

EMBALAR – Acalentar; balançar; fazer adormecer.

EMPACAR – Não continuar. Não prosseguir. Diz-se quando o animal firma teimosamente as patas para não prosseguir viagem.

ENCABULAR – Envergonhar-se. Ficar vexado por algum motivo.

ENGABELAR – Enganar. Iludir jeitosamente. Trapacear. Engodo. Embuste.

ESCANGALHAR – Desordem. Confusão. Desmantelo. Dano causado por estrago.

ESPANDONGADO – Desajeitado. Defeituoso. Arruinado. Desarrumado. Relaxado. Descomedido. Arreliado.

EXU – Divindade que é considerada o intermediário entre o Céu e a Terra. Aquele que está em todos os lugares. Dono das encruzilhadas. Representa a ambivalência humana, os comportamentos e desejos contraditórios.

F

FAROFA – Mistura de farinha com água, azeite ou gordura.

FOFOCA – Intriga. Mexerico

FUÁ – Briga. Rolo. Desordem. Intriga. Diz-se também do eqüino arisco.

FUBÁ: Farinha de milho.

FULEIRO – Reles. Ordinário. Sem Valor. Farrista.

FULO: Irritado. Zangado.

FURDUNCIO – Também pronunciado e escrito como “Forduncio”, significa festança popular. Divertir-se com alarido. Barulho. Desordem.

FUNGAR – Fazer ruído com o nariz ao inspirar o ar. Assoar o nariz. Coriza na fossa nasal. Fuçar.

FUTUM – Mau cheiro. Fedor. Peixe morto na superfície da água.

FUXICO – Falar mal dos outros. Artesanato popular feito com pedaços de panos. Costurar superficialmente. Alinhavar. Amarrotar.

FUZARCA – Farra. Desordem. Bagunça.

FUZUÊ – Festa. Confusão. Turbilhão nas águas de um rio.

G

GALALAU – Pessoa muito alta.

GAMBÉ – Designação de um policial na gíria dos travestis, menores e delinqüentes em geral.

GANDAIA – Farra. Bagunça. Vadiagem. Ofício de trapeiro. Pessoa sem préstimo. Inerte.

GANGA ZUMBA – Título dado aos chefes guerreiros. Um dos mais famosos líderes da confederação de Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas.

GANZÁ – Chocalho.

GARAPA – Caldo da cana. Bebida formada pela mistura de mel-açúcar-água.

GERINGONÇA – Coisa malfeita e de duração precária. Objeto ou coisa estranhos cujo nome e finalidade não se conhece.Ginga – Bamboleio. Balanço com o corpo. Dançar com o corpo ao som de uma música ou instrumento. Movimento corporal na capoeira, na dança e no futebol. Sacerdotisa do culto Omolocô. Remo que se usa para fazer a embarcação balançar.

GINGA – Movimento corporal na capoeira, na dança e no futebol.

GOGÓ – Pomo-de-Adão. Garganta. Laringe

GONGUÊ – Instrumento musical semelhante ao agogô.

GOROROBA – Comida feita com restos de diversos alimentos. Diz-se também do indivíduo lento, molengão ou covarde.

GRIGRI – Amuleto que protege o seu possuidor.

GUANDU – O mesmo que andu (fruto do anduzeiro), ou arbusto de flores amarelas, tipo de feijäo comestível.

GUIMBA – Resto ou ponta do cigarro.

H

 – Interjeição de surpresa, espanto ou de admiração entre os Iorubás. Manifestação de incompreensão. Não entendimento.

I

IAIÁ – Tratamento dado às moças e meninas na época da escravidão. Na Luanda antiga, era o tratamento respeitoso que as filhas e netas dos escravos davam às patroas.

IEMANJÁ: deusa africana, a mãe d’água dos iorubanos.

IMPALA – Espécie de antílope africano. O nome batizou também um modelo de automóvel da Chevrolet.

IMPLICAR – Provocar. Amolar. Intrometer. Contender. (Atualização, a etimologia da palavra vem do Latim).

INHAME – Designação comum de um tipo de tubérculo comestível menor que a mandioca; homem de corpo defeituoso. Coisa ou objeto disforme ou deformada.

IORUBANO – Habitante ou natural de Ioruba (África).

J

JABÁ – Suborno oferecido a programador de emissora de rádio ou televisão para que inclua na programação determinada obra musical. Certo tipo de abóbora.

JABACULÊ – Gorgeta. Propina. Dinheiro.

JAGUNÇO – Capanga. Combatente das forças de Antonio Conselheiro na Guerra de Canudos. Cangaceiro.

JEGUEDÊ – Dança negra.

JERERÊ – Nome dado ao cigarro de maconha. Faísca. Centelha.

JERIBATA – Álcool; aguardente.

JILÓ – Fruto verde de gosto amargo.

JONGO – Dança tradicional afro-brasileira.

L

LAMBADA – Golpe dado com o chicote, tabica ou rebenque. Copo ou gole de bebida alcoólica. Dança de salão de origem amazônica. Significa bater, castigar, ferir, atingir com golpe ou pancada.

LAMBANÇA – Desordem. Sujeira. Serviço malfeito. Embuste. Trapaça em conversa ou jogo.

LAMBÃO – Indivíduo que não sabe lidar com as coisas sem sujar-se.

LAMBUJA – Vantagem que um jogador concede ao parceiro ou rival. Aquilo que se ganha ou dá além do combinado.

LAPADA – Lambada. Bofetada. Espécie de pá semelhante ao remo.

LARICA – Apetite desenfreado após a ingestão da maconha. Dificuldade. Aperto. Apuro.

LENGA-LENGA – Conversa, narrativa ou discurso enfadonho.

LERO-LERO – Conversa fiada. Palavreado vazio.

LIBAMBO – Bêbado (pessoas que se alteram por causa da bebida).

LUNDU – Primitivamente dança africana.

M

MAASSAGANA – Confluência, junção de rios em Angola.

MACULELÊ – Folguedo popular de origem baiana, misto de jogo de dança com bastões ou facões.

MACUMBA – Nome pejorativo dado aos cultos afro-brasileiros. Audaz. Ousado. Certo tipo de reco-reco. Cada uma das filhas de santo nos terreiros de origem Banta. Antigo jogo de azar. Antiga denominação que se dava à maconha.

MACUMBEIRO – adj. sm. Diz-se de, ou praticante da macumba. .

MALUCO – Alienado mental. Endoidecido.

MALUNGO – Título que os escravos africanos davam aos que tinham vindo no mesmo navio; irmão de criação.

MAMONA – Fruto da família das esforbiáceas. Rícino.

MAMULENGO – Fantoche. Teatro de fantoches.

MANDINGA – Bruxaria. Feitiço. Talismã. Qualidade de jogo de capoeira.

MANGAR – Zombar. Caçoar.

MANGUE – Comunidade geográfica localizada em áreas onde o solo é formado por uma lama escura e mole. Terreno lamacento.

MANHA – Choro infantil sem causa. Birra. Malícia. Ardil. Artimanha. Habilidade manual.

MARACATU – sm. Oriundo da região do Estado de Pernambuco (PE), é um cortejo carnavalesco que segue uma mulher que, num bastão, leva uma bonequinha enfeitada, a calunga. 2. Certo tipo de dança afro-brasileira. Em Recife/PE, os maracatus de nação representam embaixadas africanas com todo o séquito real.

MARACUTAIA – Trapaça. Embuste. Engodo. Golpe.

MARAFA(O) – Vida desregrada. Licenciosa. Cachaça. Vinho. Diz-se também do tipo de vida, por exemplo: “Viver na marafa…”, viver entregue ao vício da bebida e da vadiagem.

MANO – Tratamento respeitoso entre os antigos sambistas cariocas (“Mano” Elói, “mano” Décio etc.). Irmão.

MARIMBA– Peixe do mar. 2. Artifício de amarrar uma linha a algum objeto (pedra, garrafa, etc) para resgatar pipas onde não se alcança com as próprias mãos (RJ).

MARIMBONDO – Certo tipo de vespa.

MATUTO – Indivíduo que vive no mato. Na roça. Pessoa ignorante e ingênua.

MAXIXE – Fruto do maxixeiro. Certo tipo de chuchu espinhoso. Dança brasileira de salão.

MIÇANGA – Conta de vidro miúda. Ornatos feitos com esse tipo de conta. Colar.

MILONGA – Desculpas descabidas. Manhas. Dengues. Mexericos. Intrigas. Feitiço. Sortilégio Bruxedo. 2. Música e dança de origem platina.

MINGAU – Papa de farinha de cereais com leite, açúcar e outros ingredientes. Em língua oeste-africana, era um tipo de milho cozido em água e sal. Na linguagem Banta, é o ato de molhar o pão no pirão ou molho. (Retificação: Esta palavra vem do Tupi).

MOCAMBO – Cabana. Palhoça. Habitação miserável. Couto de escravos fugidos na floresta.

MOCHILA – Alforge. Bornal que se leva às costas.

MOCORONGO – Mulato escuro. Caipira. Indivíduo natural de Santarém/PA. Palhaço da folia de reis. Mosquito transmissor do impaludismo.

MOCOTÓ – Pata de bovino utilizada como alimento. Tornozelo.

MOLAMBO – Trapo. Pano velho rasgado ou sujo. Roupa esfarrapada. Indivíduo fraco e sem caráter. Corpo velho, cansado, moído.

MOLENGA – Mole. Indolente. Preguiçoso. Medroso e covarde.

MOLEQUE – Negrinho. Indivíduo irresponsável. Canalha. Patife.

MONDONGO – Indivíduo sujo e desmazelado. Boneco de pano sem governo.

MONGO – Sujeito bobo. Moleirão. Débil mental.

MOQUECA – Guisado de carne ou peixe tradicional da culinária afro-brasileira.

MORINGA – Garrafão ou bilha de barro para conter e refrescar água potável. Cântaro.

MUAMBA – Cesto ou canastra para transporte de mercadorias. Furto de mercadorias nos portos. Contrabando. Negócio escuso. Do Quimbundo: Carga.

MUCAMA – Escrava doméstica. Concubina. Escrava que era amante do seu senhor.

MULUNGA – Árvore.

MUNGUZÁ – Iguaria feita de grãos de milho cozido, em caldo açucarado, às vezes com leite de coco ou de gado. O mesmo que canjica.

MUQUIFO – Lugar sujo e em desordem. Palavra ligada ao Kicongo, significa também latrina. Casebre. Choupana

MURUNDU – Montanha ou monte; montículo; o mesmo que montão.

MUTAMBA – Árvore.

MUTRETA – Trapaça. Confusão.

MUVUCA – Confusão. Algazarra.

MUXIBA – Pelanca. Pedaços de carne magra. Retalhos de carne que se dá aos cães. Mulher feia. Bruxa. Seios flácidos de mulher.

MUXINGA – Açoite; bordoada.

MUXONGO – Beijo; carícia.

N

NENÊ – Criança recém-nascida ou de poucos meses. Provém do Umbundo “nene”, que quer dizer pedacinho, cisco.

O

ODARA – Bom. Bonito. Limpo. Branco. Alvo.

OGUM ou OGUNDELÊ – Deus das lutas e das guerras.

ORIXÁ– Divindade de religiões afro-brasileiras. Divindade secundária do culto jejênago, medianeira que transmite súplicas dos devotos suprema; divindade desse culto; ídolo africano.

P

PAMONHA – Certo tipo de iguaria derivada do milho. Diz-se também da pessoa molenga. Inerte. Desajeitada. Preguiçosa. Lenta.

PATOTA – Turma. Grupo.

PENDENGA – Litígio. Rixa. Contenda.

PERRENGUE – Dificuldade ou aperto financeiro. Diz-se também da pessoa fraca. Covarde. Animal imprestável.

PIMBA – Pênis de menino

PINDAÍBA – Falta de dinheiro. Miséria feia. (Atualização: Esta palavra é de origem Tupi).

PINGA – Aguardente extraída do caldo da cana.

PIRÃO – Papa grossa de farinha de mandioca. (Atualização: Esta palavra é de origem Tupi).

PITO – Cachimbo. Cigarro. Repreensão. Censura. Dar bronca.

PITOCO – Objeto ou utensílio o qual já falta uma parte essencial. Parte amputada ou a restante no corpo humano.

PUITA: corpo pesado usado nas embarcações de pesca em vez fateixa.

Q

QUEIMANA – Iguaria nordestina feita de gergelim .

Quenga – Guisado de quiabo com galinha. Mulher prostituída. Meretriz.

QUENGO – Cabeça. Região próxima da nuca.

QUIABO – Fruto de forma piramidal, verde e peludo.

QUIBEBE – Papa de abóbora ou de banana.

QUIBUNGO – Invocado nas cantigas de ninar, o mesmo que cuca, festa dançante dos negros.

QUILOMBO – Valhacouto de escravos fugidos. 2. Quer dizer acampamento ou fortaleza. Folguedo popular alagoano em forma de dança dramática.

QUIMBEBÉ – Bebida de milho fermentado.

QUIMBEMBE – Casa rústica, rancho de palha.

QUIMGOMBÔ – Quiabo.

QUINDIM – Doce feito com a gema do ovo, côco e açúcar. Na Bahia significa também meiguice, dengo, encanto, carinho.

QUITUTE: Comida fina, iguaria delicada. Iguaria. Acepipe. Canapé.

QUIZÍL(I)A – Antipatia ou aborrecimento. Ojeriza. Aversão. Implicância.

QUIZUMBA – Confusão. Briga.

R

REQUENGUELA – Engelhado. Encolhido. Tímido. Fraco. Sem substância.

S

SAMBA – Dança cantada de origem africana de compasso binário (da língua de Luanda, semba = umbigada). Nome genérico de um ritmo de dança afro-brasileiro.

SAPECA – Diz-se de moça muito namoradeira ou assanhada. Diz-se também da criança muito arteira.

SARAPATEL – Guisado feito com sangue e miúdos de certos animais, especialmente o porco.

SARARÁ – Alourado. Arruivado.

SARAVÁ – Palavra usada como saudação nos cultos afro-brasileiros, significa “salve”.

SENZALA: alojamento dos escravos.

SERELEPE – Vivo. Buliçoso. Astuto. Esperto.

SOBA – Chefe de trigo africana.

SONGAMONGA – Pessoa dissimulada. Sonsa. Débil. Boba.

SOVA – Dar pancadas com a mão. Espancar.

T

TAGARELA – Pessoa que fala muito e à toa.

TANGA – Pano que cobre desde o ventre até as coxas.

TANGO – Dança argentina popularizada no Brasil, proveniente do espanhol “tango” e do Kimbundo “tangu” (pernada), que era uma forma de bailado de negros ao som de tambores e outros instrumentos.

TRAMBIQUE – Negócio fraudulento. Vigarice. Logro.

TRIBUFÚ – Maltrapilho. Negro feio.

TU – Diz-se do negro tido como sendo bruto. Boçal. Grosseiro. Oposto ao negro bom e passivo; “…Este samba/que é misto de maracatú/é samba de preto velho/ samba de preto TÚ…”; Pode ser também uma redução de Bantú.

TUNDA – Surra. Sova. Crítica severa.

TUTANO – Substância mole e gordurosa no interior dos ossos.

TUTU –  Maioral. Manda-chuva. Indivíduo valente e brigão. Feijão cozido e refogado ao qual se vai adicionando farinha até dar a consistência de pirão. Dinheiro. Grana.Suborno. 2. Iguaria de carne de porco salgada, toicinho, feijão e farinha de mandioca.

U

URUCUBACA – Azar. Má sorte. Diz-se também de uma praga rogada por pessoa inimiga.

URUCUNGO –  sm. Berimbau (instrumento musical).

 

V

VATAPÁ – sm. Da culinária (comida), iguaria de origem africana, à base de peixe ou galinha, com camarão seco, amendoim etc., temperada com azeite de dendê e pimenta.

X

XARÁ – Pessoa que tem o mesmo nome que outra.

XENDENGUE: magro, franzino.

XEPA – As últimas mercadorias vendidas nas feiras livres, mais baratas e de qualidade inferior. Sobras. Coisa inferior.

XODÓ – Amor. Sentimento profundo que se demonstra por algo ou alguém. Carinho.

Z

Zabumba – Tambor grande. Bumbo.

ZAMBI ou ZAMBETA: cambaio, torto das pernas. zumbi: sm. Fantasma que vaga pela noite, segundo lenda afro-brasileira. Nota: Nome do herói nacional Zumbi dos Palmares.

ZANGAR – Causar zanga (de zangado). Mau humor. Birra. Irritação. Diz-se também de coisa estragada ou azeda.

ZANZAR – Andar à toa. Sem destino.

ZIQUIZIRA – Doença ou mal-estar cujo nome não se conhece.

ZOEIRA – Conhece-se também por Azueira. Algazarra. Falatório.

ZOMBAR – Tratar com descaso. Escarnecer. Gracejar.

ZUNZUM – Boatos. Cochichos. Mexericos.

Suicídio entre adolescentes no Japão bate recorde em 30 anos

Foram 250 casos registrados em 2017, o maior número desde 1996

O número de suicídios de adolescentes no Japão atingiram o recorde em três décadas, informou o Ministério da Educação do país. Em 2017, os registros oficiais japoneses mostram que 250 jovens do ensino fundamental ao ensino médio tiraram suas próprias vidas. O número é o maior desde 1986, e cinco vezes mais alto do que no ano passado.

As principais preocupações relatadas pelos adolescentes a pessoas próximas pouco antes da morte, ou em uma carta de suicídio, eram problemas familiares, bullying e angústia em relação a seus futuros.

No entanto, de acordo com as escolas desses jovens, há razões para acreditar que cerca de 140 das mortes não têm um motivo conhecido, já que os estudantes não deixaram uma última carta com possíveis explicações.

A maioria deles estava no ensino médio, cursado normalmente entre os 15 e 18 anos de idade.

O Japão tem uma das maiores taxas de suicídio do mundo. Em 2015, esse índice alcançou um de seus picos. Desde então, conforme medidas preventivas foram sendo introduzidas, os números na população geral — e não considerando-se apenas os jovens — caíram, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No total, os suicídios em todo o Japão caíram para cerca de 21 mil em 2017, segundo a polícia, contra um pico de 34,5 mil em 2003.

Entretanto, as taxas de suicídio entre adolescentes só crescem, tornando-se a principal causa de morte entre os jovens no país.

— O número de suicídios de estudantes permaneceu alto, e essa é uma questão alarmante que deve ser enfrentada — disse Noriaki Kitazaki, membro do Ministério da Educação, assim que esses números mais recentes foram divulgados.

(Fonte: O Globo)

“O Brasil ficou louco”, diz o fotógrafo Sebastião Salgado 4

Em entrevista à rádio francesa France Inter, o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que fugiu da ditadura nos anos 60 no Brasil para morar na França, falou sobre a vitória de Jair Bolsonaro e os fatores que levaram a extrema direita ao poder no país.

O fotografo Sebastião Salgado em entrevista a rádio francesa France Inter nesta segunda-feira 05 de novembro de 2018.

Rádio França Internacional – Para o premiado fotógrafo brasileiro, entrevistado pela apresentadora Lea Salamé, “o Brasil ficou louco”, mas já estava dando sinais de insanidade. “Quando Dilma Rousseff, eleita democraticamente, foi destituída, praticamente em um golpe de Estado, e um governo totalmente corrupto foi colocado no lugar, começamos a perder o controle do país”, declarou. “Colocamos na prisão aquele que poderia ser eleito diretamente no 1° turno, por corrupção, praticamente sem provas”, disse, em referência ao ex-presidente Lula. Para Salgado, Lula se tornou “praticamente um prisioneiro político”.

O premiado fotógrafo brasileiro ressalta que houve “muita corrupção do PT e que, para governar, o partido comprou muito apoio político”. Isso, em sua opinião, “se voltou contra as forças democráticas”. Ele também lembrou da alta taxa de rejeição de Bolsonaro, e de como, em poucos meses, ele se tornou o favorito das eleições presidenciais no Brasil, vencendo com cerca de 55% dos votos. “Mas também teve muita gente que não foi votar”, disse Salgado, se referindo à alta taxa de abstenção (21%) e votos nulos (2%) e brancos (7%), lembrando que, no total, mais de 87 milhões de brasileiros não votaram para Bolsonaro.

Ele também comentou a nomeação de alguns membros do governo, incluindo o juiz federal Sérgio Moro, que conduziu as investigações da operação Lavo Jato que levaram à prisão de Lula, e de antigos militares. Segundo Sebastião Salgado, as Forças Armadas estiveram neutras no processo eleitoral. Os generais que participarão do governo Bolsonaro, diz, são “velhos generais aposentados, muitos que se identificam com o golpe de Estado de 1964, mas não são as Forças Armadas, são antigos militares”, sublinha.

Questionado sobre o papel dos militares de hoje na proteção do país e contra decisões arbitrárias de Bolsonaro, o fotógrafo respondeu que as Forças Armadas de hoje não são as mesmas de antigamente. “São modernas, como as da França, que participam de missões técnicas e internacionais com a ONU. É diferente. Não são Forças Armadas golpistas de uma República das Bananas. Isso mudou.”

“Não há um retorno da ditadura”

Sebastião Salgado não enxerga a eleição de Bolsonaro como um retorno à ditadura. “Longe disso. O Brasil tem todas as instituições de um país democrata. Tudo o que ele pensa poder fazer no país necessita da aprovação do Congresso, onde ele não tem a maioria, e precisará fazer uma série de concessões. Falar é uma coisa, fazer é outra”, afirma.

Em relação à proposta da criação de um Ministério do Meio Ambiente e da Agricultura, que pode ser abandonada, o fotógrafo acredita que é uma prova de que Bolsonaro terá que voltar atrás de suas decisões. “Isso mostra a pressão que existe nos negócios internos. O Brasil se tornou o maior produtor agrícola do mundo e exporta carne, soja, café”, destaca. “O agronegócio é enorme e depende do mercado externo. Acabar com o Ministério do Meio Ambiente e destruir uma parte da Amazônia traz efeitos para a economia, haverá um movimento planetário de boicote”, lembra.

Sebastião Salgado, que está à frente de uma ONG que milita pelo reflorestamento, não acredita que a eleição de Bolsonaro terá um efeito negativo em seu trabalho. “Esse movimento é independente do governo, plantaremos 150 milhões de árvores e não precisamos de dinheiro público”, sublinha. “O grande problema ecológico de Bolsonaro é a Amazônia, porque ele prometeu uma abertura da Amazônia ao agronegócio. Mas eu me pergunto se o agronegócio precisa da Amazônia. Eles têm as terras mais férteis do mundo”, diz.

Segundo Salgado, as próprias Forças Armadas defendem a Amazônia e criaram a Funai. “As Forças Armadas são a principal instituição presente na Amazônia, e eu conheço um certo número de jovens generais que são contra a abertura da Amazônia”, afirma

Jair Bolsonaro e Donald Trump 2

Novembro de 2016. Donald Trump vence Hillary Clinton e é eleito presidente dos Estados Unidos da América surpreendendo e contrariando todas pesquisas e previsões.

O magnata republicano elegeu-se com uma plataforma conservadora e de direita, logo o povo americano não pode reclamar da sorte ou do azar de ter colocado na Casa Branca um outsider que está cumprindo exatamente o que prometeu na campanha eleitoral estadunidense.

Assim que saiu resultado da eleição americana, do lado de baixo do Equador um deputado federal brasileiro correu para a rede social do Twitter e postou:

“Parabéns ao povo dos EUA pela eleição de Donald Trump .Vence aquele que lutou contra “tudo e todos”. Em 2018 será o Brasil no mesmo caminho.”.

A referia postagem é de Jair Bolsonaro, que na época ainda não era protagonistas da onda conservadora que tomou conta do país nessas eleições de 2018.

Domingo próximo veremos se o vaticínio do “Capitão”, “Mito” ou “Bozo”, como queiram, vai se confirmar.

Em caso positivo, não adianta reclamar, apenas esperar por mais quatro anos e refazer a escolha.

A democracia é sublime por isso.

Eis o tuíte de Bolsonaro.