SOBRE REALEZAS: Lady Di e Charles (OU: O verdadeiro conto fadas) 10

Mais do que o casamento entre Charles e Diana, o verdadeiro conto da fadas foi a relação extraconjugal do príncipe com a sua amante Camila. Não é fácil, imagino eu, trocar uma bela e jovem loira por uma velha sem graça e que foge completamente aos padrões de beleza

Permitam, meus caros leitores, sair um pouco do enfadonha pauta da política e comentar sobre um assunto que ganhou a mídia internacional nos últimos dias, qual seja a família real britânica a partir do casamento do príncipe Harry e a americana Meghan Markle.

Porém, não é especificamente sobre o casamento dos pombinhos reais Herry e Meghan  que vou tratar nestas mal traçadas linhas, mas sobre o relacionamento entre o pai de Herry, o príncipe Charles, e sua mãe, a legendária princesa da Diana.

Saio em defesa de Charles. E digo o porquê.

A princesa Diana virou um mito. Linda, carismática, humilde e dedicada às causas que dão sentido à vida, Lady Di conquistou o mundo com a sua simplicidade. Particularmente, sou fã da finada princesa.

Porém, vejo muita injustiça no que a mídia fez e faz com o herdeiro do trono da monarquia britânica, o príncipe Charles. É que santificaram a princesa e demonizaram o príncipe.

E para não parecer que seja machismo da minha parte, cito trechos de um texto da saudosa Heloneida Studart, mulher e feminista, que escreveu um dos mais belos artigos sobre relação de amor. Acompanhe. Volto em seguida.

Não me interesso por reis, nem os do baralho.

Mas como me interesso pelo amor e, principalmente, por histórias de amor, não pude evitar o envolvimento diante do final feliz da saga amorosa do príncipe Charles, herdeiro do trono da Inglaterra e daquela senhora de meia-idade, Camila Parker sua eterna namorada.

Trinta e quatro anos de dificuldades de toda ordem, imposições da família real, intrometimentos da igreja, casamentos com pessoas diferentes, cerimônias espetaculares (o casamento com Lady Di foi um dos eventos de maior pompa que o mundo já viu), e o amor dos dois lá, brilhando como a luz do sol.

O romance do feio e desengonçado filho da rainha Elizabeth com a feiosa Camila tinha fortes raízes eróticas, como mostrou o telefonema gravado de um diálogo entre os dois (“eu queria ser um tampax”).

Não valeu o tempo, não importaram as rugas e as pelancas.
O mundo inteiro, convertido aos mitos de beleza da juventude, torceu para que ele amasse a formosa Diana.

No entanto, o príncipe desengonçado só amou a sua bruxinha, com aquela cara amassada e cheia de marcas.

Camila Parker é uma vitória do amor sobre os estereótipos de nosso tempo.

Comigo de novo
Relações a dois nem sempre é como parece nos retratos ou, para ser mais moderno, nos selfies.

Esse caso do príncipe Charles e Diana – e a Camila “comendo e sendo comida por fora” – mostra que nem sempre os esteriótipos convencionais prevalecem.

Mais do que o casamento entre Charles e Diana, o verdadeiro conto da fadas foi a relação extraconjugal do príncipe com a sua amante Camila. Não é fácil, imagino eu, trocar uma bela e jovem loira por uma velha sem graça e que foge completamente aos padrões de beleza.

Mas, quem sabe da gente é a gente. No caso específico, quem sabe do Charles é o Charles!

A princesa Diana já não está mais entre nós. Morreu tragicamente junto com o seu amante, o bilionário Dodi al Fayed. Provavelmente estava feliz ao ter se “libertado” dos protocolos da realeza britânica.

Entre trocas de “chifres reais”, tanto Diana quanto Charles ao final foram felizes, pois souberam e tiveram a coragem de reconhecer que a falência do amor que sentiam um pelo outro era um fato.

Enfim, o príncipe ainda está vivo. Deve herdar o trono da monarquia e reinar a Grã-Bretanha por alguns anos.

Ao lado da mulher que sempre amou.

Isso sim é um conto de fadas!

O que aprendi ao ouvir a minha mãe 4

Se propor a ouvir histórias de família abre caminhos profundos, além de recordações e memórias. Com ouvido atento, além de conhecer a estrada que antepassados percorreram, você pode utilizar muito desse conhecimento para entender o presente e pensar no futuro

Os aprenzidados de uma conversa profunda com a própria mãe | Crédito: Shutterstock.

Eduardo Alves, via Vida Simples

Desde criança, ouço histórias envolvendo familiares, alguns presentes na minha vida e outros que já não estavam por aqui quando comecei a entrar em contato com os causos que os envolviam. Há algum tempo, resolvi mergulhar nas lembranças guardadas na memória da minha mãe e decidi convidá-la para uma conversa na qual o tema fosse este. O objetivo era resgatar histórias de família e estudá-las como inspiração para produção literária. A vida, que é esse mar, avançou sob o rio das palavras e os dois, juntos, me inundaram de reflexões e afeto a cada frase que minha mãe compartilhava. Aprendi muito mais do que eu esperava.

Conversamos por dois dias. No primeiro, a convidei para a minha casa e preparei um bolo de cenoura. O objetivo era adocicar nossos lábios e facilitar a prosa. Minha mãe não está acostumada com gravador e com exposição. Eu não queria me mostrar ávido por aquele momento, mas a ansiedade me batia à porta. Já ouvi inúmeras vezes seus contos, mas minhas emoções não eram as mesmas naquele dia. No segundo, fui até a casa dela no começo da tarde e, com um café em mãos, retomamos do ponto em que paramos. Esses dias foram diferentes, pois não é só ela querendo externalizar, sou eu querendo escutar. Meus ouvidos estavam mais atentos do que nunca.

A Dona Rosa, minha mãe de bolso como carinhosamente costumo chamá-la (ela tem 1,52m e digo que posso levá-la comigo para onde quiser) não passou aquele momento falando de mim, como era meu receio inicial ao me propor a ouvir uma mulher que não se cansa de dizer o quanto me ama e fui esperado. Ela abriu seu baú mais profundo, pegou as linhas que formam a sua biografia e teceu sua Narrativa de Vida até os dias de hoje. Ela me deu seu mais lindo trabalho de crochê.

Ela voltou no tempo com muita facilidade e segurou em suas mãos a infância tão suave e querida que teve, compartilhou sua alegria em morar no Ipiranga, bairro de São Paulo, suas histórias de criança, a bela relação construída com seu pai, o imenso carinho pela mãe, a compreensão dos irmãos, o afeto pelos demais que foram acolhidos mais tarde em sua casa.

Também falou da juventude e do Roberto Carlos, sua paixão dos 15 anos. Compartilhou sobre como começou trabalhar cedo para ajudar em casa e, como na vida de todos nós, suas frustrações. A mudança de São Paulo e o impacto que isso teve em toda a sua história. Ela jamais esqueceu o quanto esse fato lhe afastou das coisas que a alegravam.

Expôs uma vida de dedicação à família, seu objetivo incansável de vê-los felizes; a sua atual dedicação à mãe, que passa da casa dos 80 anos. A renúncia de si própria muitas vezes para o bem do próximo. A constante preocupação com o outro.

E, sem perceber, nos não ditos, naquilo que não queria tocar, dividia comigo os sacrifícios que aceitou para buscar o bem-estar de todos. Nunca havia visto tanta generosidade nela como nesse dia. E foi tanta que ela não me contou parte da história que eu conhecia. A mulher forte que ela resgatou dentro de si ao se separar tendo um filho, ainda pequeno, e uma adolescente sob sua responsabilidade. Ela também não mencionou ter tido três empregos ao mesmo tempo para poder cuidar dos filhos, devolver um lar a eles, não lhes deixar faltar nada. Das dores e dos amores de um casamento à revelia da família. Também não comentou dos medos que sentiu nessa época e antes, mas, eu os via nos seus olhos azuis. A gente sempre conversou pelo olhar.

Eu entendo ela não falar disso. Não foi fácil e talvez ainda não seja. Mas, para mim, que tenho isso como uma recordação dos 9 anos, me sinto muito orgulhoso dela ter sido essa Gigante. Eu nunca vou esquecer do que vi e me serviu de exemplo.

Fui surpreendido com memórias que não me haviam sido apresentadas e fiquei muito feliz por, além de reviver com ela momentos já conhecidos, abrir caminho para livros da sua vida que há muito não eram visitados.

Hoje entrar em contato com estas histórias, ouvir sobre meus avós, tataravós, tios, tios da minha mãe, me conecta melhor com o que sou hoje. Ver hábitos que estão em mim e identificá-los no passado, entender evoluções a partir da construção do que meus antepassados foram um dia faz tanto sentido para explicar caminho de hoje.

Esse aprendizado foi mais rico do que qualquer banco de escola, reunião de trabalho ou curso que eu tenha feito ao longo da vida. Aprendi sobre os causos que acompanham a minha família, me vi nas histórias na medida que identificava nelas algo que, de alguma maneira, estão presentes em mim. Me ajudam a entender o material que me forma, não só fisicamente, quando vejo fotografias, mas afetivamente, quando entendo a carga emocional envolvida nessas relações.

Vejo como o curso dessa água vem carregando histórias que agora passam por mim e clarificam pensamentos e questionamentos que me faço ao longo da vida. Ter essas memórias comigo é ter paz.

Eduardo Alves é jornalista e costuma publicar suas ideias e seus textos cheios de alma aqui: https://medium.com/kayua

Como um boato pode acabar com a sua reputação

9 dicas para driblar a crise pós boato, se você é porta-voz e representa empresa pública ou privada, ou então é a própria marca

Aurea Regina de Sá, via Administradores.com

O boato é uma informação falsa que soa como verdade. Ele pode vir da boca de um amigo, do chefe ou do parceiro, pessoas em quem você confia e, portanto, não vai achar que é mentira. Mas, há uma onda muito forte de boatos também nas redes sociais. O movimento que invade a internet do mundo inteiro é um alerta para quem propaga informação incorreta e para quem ‘compra’ notícias falsas, as ‘Fake News’.

O boato é uma faca de dois gumes: pode destruir a imagem da vítima, alvo da difamação, e também a do promotor da inverdade, porque mostra suas verdadeiras motivações que podem ser interesses comerciais, desejo de vingança por conta do orgulho ferido, inveja ou interesses eleitoreiros.

– interesses comerciais: se uma empresa lança um boato sobre um concorrente poderá ter mais lucro por algum tempo, enquanto a marca difamada investe para justificar que não tem culpa;

– desejo de vingança por orgulho ferido ou inveja: se uma pessoa cria uma inverdade sobre outra, poderá ter o prazer de ver o outro envolvido em situações constrangedoras até conseguir provar o contrário;

– interesses eleitoreiros: se um político divulga um boato sobre outro pode ter a intenção de prejudicar a caminhada do concorrente na busca por votos e sair na frente na disputa eleitoral.

Em todos os casos, a intenção do promotor de boatos é de se sentir bem, mesmo que isso pareça algo perverso, já que a motivação é a de prejudicar o outro. A sensação de inferioridade por não ser ou parecer como o outro e a consequente necessidade de se tornar visível fazem do criador de falsas informações alguém importante, ainda mais quando ele percebe a repercussão da ‘notícia’ que produziu.

O sociólogo norte americano Jack Levin, co-autor de Gossip: The Inside Scoop (Fofoca: o Furo Privilegiado, ainda não disponível no Brasil), destaca a importância de diferenciar o significado de termos como fofoca e boato. Para Levin, fofoca é uma mensagem sobre o comportamento de outras pessoas, especialmente quando os alvos não estão presentes. O estudioso afirma que boato é um processo pelo qual os indivíduos tentam definir uma situação ambígua. “Eles, então, espalham notícias informalmente porque as fontes oficiais não existem ou estão inacessíveis”, revela.

Partindo do princípio de que o Brasil é uma democracia e a imprensa é livre, as fontes oficiais não só existem como estão disponíveis. Com o acesso de 116 milhões de brasileiros conectados à internet, em 2016, que representa 64,7% da população com idade acima de 10 anos, (dados do IBGE de fevereiro de 2018) não dá pra usar a desculpa de que a informação foi propagada por que não havia como checar.
Saiba como checar uma informação recebida pelas redes sociais

Para evitar uma conclusão precipitada e parar de dizer frases como: ‘eu ouvi dizer que….’ ou ‘não sei direito, mas acho que é isso’, siga os passos abaixo e certifique-se antes de publicar qualquer informação:

1º passo: duvide, sempre questione. A primeira pergunta que deve ser feita é ‘será que isso aconteceu mesmo?’

2º passo: busque referências na internet, que possam atestar a informação ou contradizê-la. Acesse sites de notícias que sejam avaliados com alto nível de credibilidade. Não acredite em um só veículo: analise, compare, reflita. Neste momento dispense sua crítica sobre a política editorial de determinados veículos de imprensa. De qualquer maneira, na imprensa, uma notícia é checada antes de ser publicada.

3º passo: acesse sites que conferem boatos. Com o surgimento das fake News, cresce o esforço para esclarecer informações e aumentar a conscientização das pessoas,

4º passo: NÃO espalhe notícias falsas, nem por brincadeira. Pessoas mais ingênuas e as que não investem na checagem, acreditam em qualquer informação e isso reflete, inclusive, no futuro do país, porque elas votam mal e elegem candidatos fabricados em cima de fake News,

5º passo: não seja conivente com a mentira, interfira, interrompa a multiplicação da mensagem duvidosa, advirta os integrantes de grupos e seus seguidores nas redes sociais. Não coloque mais lenha na fogueira e deixe de ser marionete a serviço da desinformação,

6º passo: seja cidadão, pratique a empatia e desenvolva a capacidade de crítica para contribuir com a melhoria da sua vida e a dos outros.
Como avaliar se uma informação é verdadeira ou falsa

A informação imprecisa, que não apresenta o autor e nem a fonte pesquisada, pode ter indícios de que não tem teor verdadeiro. O fato de ser publicada em um site, blog ou rede social não significa que foi produzida com o cuidado da checagem, prática do jornalismo sério e ético. A apresentação de fatos também não garante a credibilidade da informação, porque os fatos podem ter sido inventados para confundir o leitor e criar um conceito negativo sobre aquele que é foco da notícia. Continuar lendo

A morte e o tempo verbal

A morte e o tempo verbal A primeira vez em que você precisa colocar uma pessoa no passado não é algo fácil de esquecer

Ruth Manus, via O Estado de S. Paulo

Eu não sei se morrer é difícil. Deve ser – em alguns casos mais do que em outros. Mas de uma coisa eu sei: ficar é muito difícil. Ficar é sangrento. Aliás, eu tenho muito mais medo de ir ficando do que de ir morrendo. Disse isso outro dia a uma amiga. Deus me livre de viver até os cento e poucos anos. Pra quê? Pra ver todo mundo morrendo antes de mim? Não, não estou disposta a ganhar essa competição.

Já aprendi que perder as pessoas é duro por muitos ângulos. Não se trata apenas da ausência. São as dúvidas. Por onde é que ele anda agora? Ou melhor, será que ele anda em algum lugar agora? E ele sabe que eu estou sofrendo? Ele sofre por eu estar sofrendo? São as hipóteses. E se ele ainda estivesse aqui? E se tivesse dado tempo de ele ficar mais um pouco? E se eu tivesse tido tempo de fazer diferente?

É difícil por muitas razões. Mas existe uma dificuldade muito pontual – e que até costuma ser rapidamente superada, mas que se alojou na minha memória como uma das partes mais cortantes desse processo. Trata-se da inusitada e inesquivável relação entre morte e tempo verbal.

A primeira vez em que você precisa colocar uma pessoa no passado não é algo fácil de esquecer. A primeira vez que você se flagra dizendo que ele “era”, que ele “gostava”, que “dizia e “frequentava” e “comia” e “dançava” e “fazia” e “ria” e “detestava” e “escrevia”.

A gente até pode se preparar para certas mortes. Podemos organizar a cabeça, preparar os documentos, pensar no rumo dos imóveis, na liberação do seguro e no advogado que cuidará do inventário. As mortes anunciadas têm essa incômoda vantagem. Mas ninguém se prepara para um verbo no passado.

E não importa quantas mortes a gente já tenha encarado: não existe experiência nem direito adquirido no ramo desses tempos verbais. Podemos nos habituar aos velórios, conhecer o melhor caminho para o cemitério, ter o contato do agente funerário na memória do celular, conhecer o juiz da Vara da Família e Sucessões pelo nome. Mas sempre que precisamos colocar alguém no pretérito imperfeito pela primeira vez é como se fôssemos absolutamente virgens naquela matéria.

A sensação é a de um abandono. Nosso para com eles, deles para conosco. Eles partiram e agora nós vamos colocá-los no passado. Eles já não são, eles eram. E não importa o quanto eles sigam sendo, no presente, dentro do nosso peito. Para o mundo, para o cartório, para a seguradora e para regência verbal, eles eram e já não são.

O Zé envernizava os móveis de madeira. A Má ria de absolutamente tudo. O Gabriel ia à igreja. O Cris cantava desde muito novo. O Paulinho velejava sob o céu azul. O Fernando dirigia televisão. O Chicão jogava handebol. O Marcito mergulhava no fundo do mar. O Urian pintava com maestria.

Dizendo hoje até pode soar bonito, como um passado consolidado em memória. Mas na primeira vez em que se diz, de bonito não tem nada. Nem na segunda e provavelmente na terceira também não. Dá vontade de não terminar a frase, porque dizer isso parece significar que o fio se rompeu em voz alta. É como consumar com palavras o conteúdo do atestado de óbito. Ninguém quer fazer isso.

Desculpem-nos por termos nos rendido às exigências mimadas dessa tal de gramática. Por nós, vocês continuariam no presente, ainda que fora do nosso alcance. Desculpem essa nossa fraqueza de ter medo que pensem que estamos loucos se continuarmos tratando vocês como vivos e permanentes. Esses padrões ideais de comportamento são mesmo muito incômodos.

O que interessa é que seguimos sendo capazes de ouvir suas vozes. Por vezes, até sabemos o conteúdo do que seria dito. O cheiro de vocês segue persistente. Memórias do passado seguem sendo capazes de construir quem somos no presente. O verbo, embora continue sendo inoportuno, segue sendo apenas um verbo.

Assédio é crime. Paquera deve ser usada sem moderação

Somos adultos para entender que não dá para encarar elogio, desejo, cobiça, investida romântica, sacanagem da boa, seja na rua, no trabalho ou na balada, da mesma forma que uma encoxada no metrô ou uma promessa de promoção em troca de um boquete

por Mariliz Pereira Jorge, via Folha de SP

Você é #teamOprah ou #teamDeneuve nessa disputa que se instaurou nas redes sociais nos últimos dias? Você acha que a hora chegou e sente-se orgulhosa e inspirada por todas as mulheres fortes o suficiente e empoderada para falar e compartilhar suas histórias pessoais, como disse Oprah? Ou você acredita que pode batalhar para que seu salário seja igual ao de um homem e gostar de ser objeto sexual dele, como sugeriu o manifesto assinado por cem intelectuais e atrizes francesas, entre elas Catherine Deneuve?

Uma fala não invalida a outra. Eu fico no meio do caminho, porque os dois lados têm razão e também cometem excessos. E essa queda de braço só enfraquece todas as mulheres nesse embate desnecessário. Como eu sempre digo, a sororidade acaba quando a outra mulher não levanta o punho para o discurso com o qual eu concordo, não é mesmo?

Ao contrário do que muita gente achou, não vi no manifesto francês uma resposta ao Time’s Up, um fundo de defesa legal às vítimas de assédio sexual no trabalho e que teve seu ponto alto no lindo discurso feito pela apresentadora Oprah na noite do Globo de Ouro. Embora o timing tenha sido muito ruim, entendo como uma reação à parte reacionária do movimento feminista, que acredita que todas têm que se moldar ao que essas correntes pregam e não admitem que haja pensamento diverso. Quer saber? Muitas mulheres, também feministas, estão entaladas com tantas regras e normas.

Repito o que já disse uma vez: de que adianta me livrar do patriarcado para ter no meu cangote patrulha de mulher dizendo o que e como devo fazer? Um dos maiores erros do feminismo moderno é tentar nos convencer de que as lutas são iguais para todas. Não são. Queremos igualdade salarial, combater a violência doméstica, ter mais direitos, reconhecimento, representatividade, liberdade sexual. Ponto.

A forma como nos relacionamos com o mundo e com os homens não tem que ser enquadrada por textos lacradores de pensadoras e filósofas que muitas vezes se autointitulam porta-vozes e, aqui entre nós, perceberam que feminismo dá dinheiro, prestígio e fama. Não, obrigada.

A fala de Oprah marca um momento importante e, sim, pode encorajar e fortalecer mulheres ao redor do mundo que sofrem assédio e violência. As acusações que envolvem produtores e famosos de Hollywood são sérias e apenas uma pontinha do que acontece aqui na vida real. Sim, agora é a hora. E isso foi defendido no manifesto francês, é bom esclarecer para quem leu o texto com o fígado e absorveu apenas os trechos que poderia odiar.

Mas ignorar o ponto de vista das francesas porque há críticas a algumas nuances do feminismo é uma bobagem tão grande quanto a parte do texto que defende os “coitados” dos homens das acusações que estão sofrendo. Foi desnecessário. Homens sabem se defender e terão que enfrentar a parte da “histeria” que existe no momento. Aceitem.

Indispensável liberdade de ofender, clamam as francesas. E elas estão certas porque o limite do que ofende uma mulher pode ser um tanto mais flexível para outra. Não fosse assim, o movimento Chega de Fiu-Fiu não seria chamado até hoje de mimimi por muitas pessoas, incluindo as próprias interessadas. De um lado estão as que encaram esse tipo de abordagem como uma violência e do outro quem não se incomode. Não é preciso escolher quem tem razão. O que não dá é colocar no pacote do machismo a mulher que diz não se importar ou até mesmo gostar de tais manifestações.

Como as francesas disseram: uma mulher pode, no mesmo dia, liderar uma equipe profissional e gostar de ser o objeto sexual de um homem, sem ser uma vil cúmplice do patriarcado.

De fato, também não me reconheço no tipo de feminismo apontado no manifesto, que toma forma de ódio aos homens e à sexualidade. “A liberdade de dizer não a uma proposta sexual não existe sem a liberdade de importunar. É preciso saber responder a essa liberdade de importunar de outra forma que se encerrando no papel de presa.”

Esse é outro ponto em que fica difícil discordar da turma de Deneuve e de Catherine Millet. “É mais sensato criar nossas filhas pra que sejam suficientemente informadas e conscientes para viver suas vidas sem se deixar intimidar ou culpabilizar.” É mais sensato, o que não exclui também educar os filhos homens dentro de uma visão feminista.

Na semana passada, escrevi exatamente sobre a “fragilidade” feminina sempre usada pelos movimentos, como se fôssemos eternas vítimas. Todas as vezes que leio por aí que o mundo é horrível e as mulheres são frágeis, que todo homem é um estuprador em potencial (uma das maiores bobagens já ditas), que somos vítimas da sociedade, penso que não sou essa mulher e nem convivo no meu círculo mais íntimo com caras com essa índole.

Talvez eu tenha sorte ou apenas tenha recebido educação para ser independente e corajosa. Por isso, não aceito esses rótulos que muitas vezes são usados e que colocam a mulher num eterno papel vulnerável. Entendo que muitas mulheres se vejam dessa forma. Não é meu caso.

Felizmente posso dizer que não sou vítima do machismo. Não aceito ser tratada com inferioridade no mercado de trabalho, não me vejo dessa forma e nem acho que seja vista assim. Não deixo que homens tomem a palavra quando ela está comigo.

Tenho educação, conhecimento, as ferramentas necessárias para combater o machismo (sim, ele existe, e muitas vezes o mundo é um lugar mais difícil para as mulheres), mas não aceito esse papel passivo, o da vítima que precisa se proteger o tempo todo em um ambiente hostil e predatório.

Entendo e me solidarizo com as que se sentem assim. Deve ser muito difícil acordar todos os dias e saber que o mundo lá fora só quer fazer da sua vida um inferno e você não sabe como se defender.

Tenho medo de ser estuprada? Claro. Mas tanto medo quanto tenho de ser morta num assalto.

O que me assusta ainda mais é a confusão na cabeça das pessoas sobre o que é assédio e o que é paquera. Somos adultos para entender que não dá para encarar elogio, desejo, cobiça, investida romântica, sacanagem da boa, seja na rua, no trabalho ou na balada, da mesma forma que uma encoxada no metrô ou uma promessa de promoção em troca de um boquete.

Assédio é crime. Paquera deve ser usada sem moderação. O tempo é agora para as mulheres escolherem suas brigas, sem deixar que o puritanismo se sobreponha em nome de uma falsa segurança e de um mundo mais igual. Isso só serve, como diz o manifesto das francesas, aos interesses dos inimigos da liberdade sexual, dos extremistas religiosos, dos piores reacionários. E são as mulheres quem mais perderão com isso.

ESPAÇO FEMININO: Bolsas, as inseparáveis companheiras das mulheres

Há de todos os tipos e para todos os gostos. Vários modelos, cores, marcas e preços.

Se há algo de que as mulheres não abrem mão é da companhia de uma bolsa.

Nem Freud se atreveu a explicar o porquê da paixão da mulheres por esse artigo que, mais do que de luxo, é quase uma necessidade fisiológica da mulherada.

Desde um modelito simples encontrado em qualquer loja de R$ 1,99 a modelos que custam até 5 mil dólares, há décadas as bolsas conquistaram o status de companheiras inseparáveis das mulheres, até mais do que o famoso “salto alto”.

E as bolsas não são apenas para as meninas carregaram dentro tudo que é tipo de penduricalhos não. Aliás, quem abre uma bolsa de mulher se depara com quase tudo. É coisa que não acaba.

O fator charme também é o ingrediente que faz desses acessórios quase uma parte do corpo da mulheres, como se elas fosse cabeça, tronco, membros e… bolsa!

E via de regra não bastam uma ou duas bolsas para atender o look das mulheres. Algumas possuem coleções inteiras que valem uma fortuna!

Quando resolvi escrever esse post procurei saber a opinião de algumas amigas sobre o porquê das mulheres gostarem tanto de bolsas. As opiniões, claro, variam tanto quantos as próprias bolsas.

Teve uma que garante não ser lá muito apaixonada por bolsas e passa um bom tempo com o mesmo modelo até a “bicha” ficar surrada. Eu gosto de bolsa , mas não tanto! Por exemplo, não sou aquela mulher que olha uma bolsa e sai comprando e nem gosto de trocar também. Eu uso uma até dizer já chega e quando enjoo, que compro outra”, disse uma das amigas consultadas.

Uma outra, assegurou que ama tudo em quantidade e que não é diferente em relação à bolsas.“Eu amo bolsas. Amo tudo, na verdade. Tenho tudo em grande quantidade, nada de apenas de 1”

Já uma terceira amiga disse o seguinte: “Bob eu adoro bolsas. Se eu pudesse tinha muitas. Mas tenho mais desejo por sapatos, e como não posso ter grande quantidade dos dois, eu compro mais sapatos kkkkkkk. A bolsa revela um pouco da personalidade da mulher, na minha opinião”.

Interessante esse ponto de vista sobre as bolsas revelarem um pouco sobre a personalidade das mulheres. Não havia pensando nisso…

Por incrível que possa parecer, surgiu uma mulher que disse não ser chegada à bolsas. “Não sou ligada nisso. Não sou consumista. Uso bolsa só para guardar bagulho porque não posso pendurar no pescoço. kkkkkkk. Eu fujo à muitas regras de “mulheres”. Não ligo pra marca, pra nada”, afirmou uma “rebeldizinha”. Rsrsrs

Contudo, entre as respostas que me deram ao questionamento, uma resumiu muito bem essa louca paixão das meninas pelo famoso acessório. “Bob, não sei te explicar porque gostamos tanto de bolsas, mas o fato é que é mais fácil uma mulher sair de casa sem a sua peça íntima do que sem uma bolsa. kkkkkkkkk”.

Mais sincera impossível, não é mesmo?  🙂

Até o próximo “Espaço Feminino”.

ESPAÇO FEMININO: Feministas também podem sonhar com príncipes 2

Já tive casos como mulheres feministas, na juventude, e posso dizer com propriedade que por traz de toda mulher de “grelo duro” bate um coração mole

As feministas, ao menos na grande maioria, são chatas. Algumas vezes inconvenientes e mal educadas.

Não concordo, porém, com esteriótipos de que as feministas são, obrigatoriamente, mulheres feias, mal amadas, que não gostam de homens dominantes etc.

Já tive casos com mulheres feministas, na juventude, e posso dizer com propriedade que por traz de toda mulher de “grelo duro” bate um coração mole. Aqueles discursos “raivosos”, contundentes, antipáticos e gênios ranzinzas muitas vezes podem ser explicados por uma infância/adolescência complicada geralmente ligados à experiência traumatizantes no seio familiar.

Mas, vamos ao que interessa.

Descobri um belo artigo da jornalista, e feminista, Mariliz Pereira Jorge, publicado na originalmente na Folha de São Paulo, que trata sobre o comportamento de algumas feministas.

Mariliz, com esse nome a jornalista não tinha como deixar de ser feminista (rsrsrs), analisa comportamentos das mulheres de “grelo duro” à luz do romance do Príncipe Harry, herdeiro da monarquia inglesa, com atriz americana Meghan Markle.

“Ah, Bob, muito fácil para uma feminista falar em romance e contos de fadas quando uma delas é visgada por um príncipe da mais tradicional e poderosa realeza do mundo”, detonaria uma leitora lá não muito chegada às filosofias feministas.

De fato, qual feminista por dura e bem sucedida que seja não se renderia aos encantos de um príncipe de verdade, de carne e osso?

Bom, vou deixar que a própria Mariliz Pereira Jorge conte para vocês essahistória.

Fiquem com Feministas também podem sonhar com príncipes

por Mariliz Pereira Jorge, via Folha de SP

Parece que as pessoas não entenderam nada sobre o papo “mulher pode ser o que ela quiser”, a premissa básica do feminismo. Inclusive casar com um príncipe, veja só. Inclusive se casar. Inclusive ser feminista e ser pedida em casamento por um nobre que se ajoelhou e sacou um anel numa caixinha.

Sim, teve isso. Príncipe Harry fez como nos contos de fada, caiu de joelhos e pediu a mão da atriz americana Meghan Markle, que aceitou antes mesmo de ele terminar a proposta. Sim, sim, sim. Porque é isso que a maioria das pessoas faz quando se apaixona e é correspondida. Casa-se. Mesmo as feministas. Mesmo que seja com um príncipe.

Meghan Markle é uma ativista declarada, do tipo que diz “nunca quis ser uma mulher que almoça, sempre quis ser uma mulher que trabalha” ou “uma mulher pode querer estar bonita e ainda assim lutar pela igualdade de gênero”.

É disso que trata o feminismo, oportunidades iguais, poder de decisão, escolhas, um mundo mais justo e menos violento para as mulheres.

E, que coisa, Meghan pode dizer “sim” a um príncipe porque quis. Não foi obrigada. Os dois se parecem exatamente como qualquer outro casal apaixonado, contando como se conheceram, como se envolveram e por que decidiram ficar juntos. Tudo isso enquanto assavam um frango. Verdade. Eles contaram num vídeo que circula na internet. Ok, é uma história com cifras milionárias e a coroa britânica. Mas as diferenças acabam aí.

Deixa eu contar uma coisa que talvez seja um pouco chocante. Feministas não apenas se casam, como têm filhos, algumas param de trabalhar, se dedicam à família. Ou não. Muitas não têm a menor intenção de juntar os trapinhos com alguém, não pensam em procriar. Feministas são médicas, advogadas, secretárias, engenheiras, atletas, empresárias, donas de casa, putas.

Se você acha que feminismo é sobre odiar os homens, saiba que está atrasado um capítulo nessa história. Tem feminista assim, um tipo que também precisa de reciclagem. Mas como eu disse, trata-se de um movimento que luta pelo direito da mulher de ser o que quiser e fazer o que bem entender. Só isso. Se você fizer um pouquinho de esforço, vai ver que não é complicado.

Meghan está exercendo o feminismo da sua maneira. Escolheu com quem quer casar e o tipo de vida que vai levar. As pessoas confundem os sinais. Tem cérebro fritando porque o príncipe não escolheu a dona Baratinha, mas uma mulher independente, separada, afrodescendente e mais velha do que ele. Deu bug na cabeça de gente que não entende que uma feminista pode mudar sua vida por amor. Uma história atual, fresca, digna dos novos tempos.

Eu esperei bastante que meu marido me pedisse em casamento. Pois é. Tão moderna, descolada, feminista. Tão tradicional. Nunca aconteceu. Era um desejo meu, não dele. Ele me fez perceber como eu estava sendo machista com essa expectativa. O que fiz? O pedido. Por Whatsapp. Escolhi o dia, o local, contratei uma agência e fui lá casar com o meu príncipe. Feministas também pode viver histórias da carochinha, com final feliz e tudo. Simples assim.

ESPAÇO FEMININO: Fátima Bernardes aposta felicidade no amor em um jovem militante político 2

Afora o fato de ser uma estrela global, o legal nesse caso é a clareza de que nunca é tarde para ser feliz na vida e no amor, além de ninguém ser insubstituível. E que o amor entre Fátima e Túlio seja eterno enquanto dure.

Amor sem ousadia, amor de fato não é.

A jornalista Fátima Bernardes, por exemplo, não só ousou, mas radicalizou em sua nova relação afetiva.

O felizardo é Túlio Gadêlha, um rapaz de 29 anos, pernambucano de Recife, e 36 anos mais jovem do que bela morena que está no auge do que costuma-se chamar de “idade da loba”.

O novo relacionamento de Fátima Bernardes surge pouco mais de um ano após anúncio da separação com o também jornalista global, o chato do William Bonner – o casal apresentava o Jornal Nacional e foram casados por quase três décadas.

Túlio é bacharel em direito e militante político do PDT, partido pelo qual é presidente da JSPDT (Juventude Socialista do PDT/PE).

Deve estar sendo uma gostosa novidade para Fátima Bernardes namorar um carinha que defende posições políticas e sociais mais progressistas do que as que o Bonner parecia defender. Aliás, essa “novidade”, inclusive, pode ser até excitante para uma mulher cujo círculo social e político, ao que parece, costumava ser marcado basicamente por gente conservadora e “Mauricinhos” de meia-idade.

“…quem sabe isso quer dizer amor, estrada de fazer o sonho acontecer” Lô e Márcio Borges (Foto: Instagram de Fátima Bernades)

Por se tratar de uma celebridade é lógico que o novo relacionamento de Fátima Bernardes ganharia a repercussão que ganhou e ficaria entre os assuntos mais comentados na imprensa e nas redes sociais.

Porém, afora o fato de ser uma estrela global, o que é legal nesse caso é a clareza de que nunca é tarde para ser feliz na vida e no amor, além de ninguém ser insubstituível.

E que o amor entre Fátima e Túlio seja eterno enquanto dure.

A fila anda, meu caro Bonner…