Sabe o que gera engajamento? Humor

A palavra de lei do brasil é: a zoeira never ends. Seguir nesse caminho requer destreza – e não é para todas as empresas – mas pode gerar ótimos resultados

Jorge Albuquerque, Administradores.com

Se você não é bombardeado por mensagens, vídeos e gifs engraçados, inúmeras vezes ao dia, você certamente está morando fora do país e não interage conosco. Você pode até pensar que isso é novidade, coisa da geração atual e tudo mais, entretanto, ao meu ver, só está agora nos meios digitais o que o brasileiro sempre foi: uma pessoa divertida.

Essa “pegada” da comicidade está tão forte e enraizada que começou a chegar até nossas empresas. Elas agora utilizam memes, fazem referência à cultura pop e possuem informalidade na comunicação. Isso tudo, provavelmente, graças a uma percepção de dados de mercado, enxergando grande potencial nas novas formas de humor desenvolvidas pelas redes sociais.

Você acha que essas empresas fazem isso apenas por comodismo ou achar engraçado? Funcionários “normais” até que poderiam fazer por esses motivos, mas essas ações vêm da diretoria e visam apenas uma coisa: lucro. A comicidade, entretenimento e informalidade trazem engajamento dos usuários e repercussões na mídia.

Palavras como repercussão, impacto e engajamento estão sempre atreladas ao conceito de SEO, termo em inglês para Search Engine Optimization. Em português significa otimização para mecanismos de busca.

Aliado a uma tendência mundial da informalidade, downsizing, startups, jovens irreverentes, além de boa parte das maiores empresas do mundo seguirem essa linha (como Facebook, Google e Netflix), criamos um mercado, pelo menos a nível B2C, bastante dinâmico e engraçado.

Acredito que, junto ao humor, conteúdos sobre conflitos (notícias, fofocas, problemas) e celebridades (atores, atletas, blogueiros) fazem um tripé das maiores buscas, curtidas e compartilhamentos dos tempos atuais. Se existir uma notícia sobre Neymar terminar com Bruna Marquezine e uma foto engraçada, temos certamente uma vaga garantida no Google Trends.

Isso nada mais é do que as empresas surfando na onda dos conteúdos virais. Elas não estão “inventando a roda”, atrelar a imagem de produtos e/ou marcas à astros e celebridades já é uma estratégia batida. O diferente, dessa vez, são duas coisas: ver grandes varejistas, indústrias e empresas sérias “apelando” para a comicidade e a importância que o humor vem tomando à medida que a internet ganha força.

Fazer uma propaganda afirmando a qualidade do seu produto, todos seus benefícios e um preço matador pode não trazer tanto engajamento quanto uma postagem usando um clássico meme com Rodrigo Hilbert e sua perfeição.

O humor e a informalidade trazem as empresas para mais perto de seus usuários. A não ser que você esteja vendendo conteúdos para classe A++ Plus VIP, boa parte da sua comunidade vai entender as suas referências e as repercussões, se a estratégia for bem executada, será bastante positiva.

Antigamente, seriedade era sinônimo de profissionalismo. Padrões, elegância, etiqueta estava atrelado a tudo que era bom, a informalidade sempre remetia a coisas baratas, de uma qualidade normal ou ruim e, em resumo, coisa de empresa pequena. Hoje em dia, não é que houve uma inversão, mas agora propagandas engraçadas e ações de marketing são feitas por empresas bilionárias também!

Santa Helena: Programa Saúde na Escola realiza ações com crianças na zona rural

A prefeitura de Santa Helena em parceria com a Secretaria da Saúde, através do PSE (Programa Saúde na Escola)…

A prefeitura de Santa Helena em parceria com a Secretaria da Saúde, através do PSE (Programa Saúde na Escola) realizam ações sobre a saúde bucal na comunidade de São Raimundo.

A equipe de saúde levou palestras de escovação, aplicação de flúor e distribuição de escovinhas para todas as crianças da escola da comunidade. As crianças puderam tirar as dúvidas e aprender como é realizada uma escovação correta.

O Programa Saúde na Escola atua nas escolas da rede pública municipal e leva para crianças, adolescente, jovens e adultos novas oportunidades e esclarecimentos para cuidar da saúde e evitar problemas futuros.

Prefeitura de Santa Helena – União, trabalho e compromisso.

(Por Gleicy Ferreira)

SÃO JOSÉ DE Ribamar: Luis Fernando empossa novos integrantes do Conselho Municipal da Juventude e lança o Inova Jovem

O prefeito Luis Fernando Silva empossou os titulares e suplentes da gestão 2018/2020 do Conselho Municipal da Juventude. A solenidade ocorreu nesta sexta-feira (08) no Salão do Turismo e contou com a presença do vice-prefeito, Eudes Sampaio, do secretário nacional da juventude, Assis Junior, do presidente do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), Anderson Pavin, além de mais de 40 conselheiros nacionais da Juventude, que cumpriam agenda no Maranhão, incluindo o conselheiro Neilson Marques, ribamarense e também membro da equipe do Governo Municipal.

Durante a cerimônia, além de parabenizar os conselheiros e toda a juventude, o prefeito Luis Fernando lembrou a trajetória exitosa dos jovens na superação da interrupção brusca das políticas públicas para a Juventude, em decorrência da péssima administração a que o município foi submetido entre os anos de 2011 e 2016.

“A juventude é o pilar da minha administração. Nós precisamos ter um olhar diferente para a juventude e por essa razão, lá em minha primeira gestão, deixei criada a Secretaria da Juventude, que foi destruída. Deixamos programas de capacitação para os nossos jovens, que também foram abandonados. Destruíram sonhos, mas retomamos tudo desde o dia 1º de janeiro do ano passado”, lembrou o gestor.

Luis Fernando disse ainda que a posse do Conselho Municipal de Juventude, é mais uma etapa da reconstrução dos sonhos e planos dos jovens. “Esta é uma luta de todos nós e vamos seguir erguendo a mesma bandeira, que é o desenvolvimento exitoso das políticas públicas voltadas à juventude”, disse.

Na oportunidade foi lançado também o Inova Jovem, programa que compreende o Pano da Juventude que visa estimular os jovens negros em situação de vulnerabilidade para o empreendedorismo. O secretário nacional da juventude, Assis Filho, avaliou como positiva a política que vem sendo implementada pelo prefeito Luis Fernando em prol do desenvolvimento dos jovens ribamarenses.

“Luis Fernando dispensa comentários. Gestor sério e de grande competência, é um dos poucos prefeitos que lança um olhar com atitude para o avanço de políticas públicas que englobem os jovens e, claro, os inclua de forma participativa e decisiva”, parabenizou.

Assis também falou sobre a importância da formatação do conselho com sua representatividade no poder público e sociedade civil. “O conselho é peça fundamental para o desenvolvimento de ações voltadas a esse público jovem e é claro que esperamos que a retomada seja fundamental para o futuro dos jovens ribamarenses”, destacou.

Conselho Municipal da Juventude

O Conselho é formado por dez componentes, representados pelo poder público e sociedade civil. É um órgão de caráter consultivo e fiscalizador, criado por lei para estudar, analisar, elaborar, discutir e propor planos, programas e projetos relativos à juventude no âmbito municipal. Também tem a função de participar da elaboração e da execução de políticas públicas da juventude em colaboração com os órgãos públicos municipais; além de desenvolver estudos e pesquisas relativas à juventude. Tem como objetivo subsidiar o planejamento das ações públicas no município; fiscalizar e exigir o cumprimento da legislação referente aos direitos dos jovens; entre outras atribuições.

Uma homenagem a Agnaldo Timóteo, o boêmio, não o “boieiro” 4

“Na galeria do amor é assim
Muita gente a procura de
Gente
A galeria do amor é assim
Um lugar de emoções
Diferentes
Onde gente que é gente se
Entende” (A Galeria do Amor)

Cresci ouvindo Agnaldo Timóteo, um dos cantores preferidos do seu Bazinho, meu pai.

Timóteo é um dos mais talentosos intérpretes da Música Popular Brasileira, ainda que alguns ditos “intelectuais” acham que MPB é só coisa para Chico, Caetano, Gil, Zé Ramalho, Djavan etc.

Mineiro de Caratinga, Agnaldo Timóteo foi “descoberto” pela legendária Ângela Maria, de quem foi motorista. Trata-se de uma das maiores e melhores vozes do bolero brasileiro.

Só o seu nome quero gritar
Mas se eu grito todo mundo
De repente vai saber
Que eu morro de saudade
E de amor por você

Aí, que vontade de gritar
Seu nome bem alto no infinito
Dizer que o meu amor é grande
Bem maior do que meu próprio grito

Mas só falo bem baixinho
E não conto pra ninguém
Pra ninguém saber seu nome
Eu grito só meu bem. (O Grito)

Há uma cantiga de Agnaldo Timóteo que gosto muito. É meia cafona, mas, sei lá o porquê, mexe com meus sentimentos mais profundos. Talvez seja pelo fato de fazer-me lembrar de como uma ex-namorada de juventude se sentia ao subir no altar com quem ela de fato não queria.

Branca e radiante vai a noiva,
logo a seguir o noivo amado.
Quando se unirem os corações, vão destruir ilusões.

Aos pés do altar está chorando,
todos dirão que é de alegria.
Dentro sua alma está gritando,
Ave Maria…

Chorará também, ao dizer o sim,
e ao beijar a Cruz, pedirá perdão.
E eu sei que esquecer não poderia,
se era outro amor a quem queria. (A Noiva)

Como baixadeiro que viveu bons e inesquecíveis momentos nos campos alagados de Palmeirândia, não posso deixar passar batida uma canção que remota a essas minhas eternas lembranças:

O meu amor na estação a me esperar
Pegarei novamente a sua mão
E seguiremos com emoção
Pros verdes campos do lugar
E reviver os momentos de alegria
Com meu amor a passear
Nos verdes campos do meu lar. (Os Verdes Campos da Minha Terra)

E para São José de Ribamar, minha terra natal, não fica com ciúmes de Palmeirândia, vamos de “Livre”.

Livre, livre
Livre, nasci como a brisa
Que as praias alisa
E encrespa as ondas do mar
Livre de braços abertos
Os olhos desertos
Do que faz a gente chora. (Livre)

E quem nunca foi num cabaré, nos velhos cabarés, que a boemia chamava, e ainda chama, romanticamente do “puteiro”?

A casa de Irene,
De noite, de dia,
Tem gente que chega,
Tem gente que sai,
A casa de Irene, enfim alegria,
Na casa de Irene, a tristeza se vai
 (A Casa de Irene)

Há uma música de Roberto Carlos, aliás, poucos sabem que é de autoria do rei, chamada os “Brutos também amam” – as feministas que me perdoem. Agnaldo Timóteo conheceu Roberto ainda moço, nos tempos da Jovem Guarda.

Agnaldo nunca perdoou o fato de Roberto Carlos jamais tê-lo convidado para participar do seu programa de fim de ano na Rede Globo.

Que pena tudo terminar
Da maneira que acabou
O seu amor não foi bastante
Pra querer-me como eu sou
Você um dia vai saber
Que eu te amei como ninguém
Minhas lágrimas reclamam
Elas dizem no meu pranto
Que os brutos também amam (Os Brutos Também Amam)

Enfim, o Blog do Robert Lobato poderia ficar esta sexta-feira inteira comentando e relembrando as mais lindas cantigas de Agnaldo Timóteo, que são muitas. Ele merece.

Agnaldo Timóteo merece todas as honras dos maranhenses, ainda mais dos aposentados do “IPEM”.

O que Timóteo não merece é ser explorado no seu talento por um governo que deseja fazer da maior festa popular do Maranhão numa “Casa de Irene”

E para finalizar, o nosso querido e eterno boêmio, não o “boieiro”, Agnaldo  Timóteo em das suas belas canções.

A casa dos meus sonhos
É feita de ilusão
E vive sempre cheia de amor
Amor e solidão. (A Casa do Sol Nascente)

Vida Longa a Agnaldo Timóteo

O boêmio.

Presidente Othelino Neto propõe criação de medalha alusiva à Semana Mundial do Meio Ambiente

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PC do B), protocolou, nesta terça-feira (5), junto à Mesa Diretora, projeto de Decreto Legislativo propondo a criação da Medalha do Mérito “Nascimento Moraes Filho – Amigo do Meio Ambiente”.

O objetivo, de acordo com o decreto assinado pelo parlamentar, é homenagear, no período em que se comemora a Semana Mundial do Meio Ambiente, pessoas físicas e jurídicas, nacionais ou estrangeiras, que se destacarem na execução de trabalhos científicos e políticos de sustentabilidade ambiental.

Conforme a proposição, a comenda entregue ao homenageado deverá ter de um lado a imagem do célebre ativista ambiental José Nascimento Moraes Filho, acompanhada da expressão “Amigo do Meio Ambiente”, e do outro lado, a imagem do Planeta Terra com uma árvore em destaque.

O Dia Mundial do Meio Ambiente começou a ser comemorado em 1972, com o objetivo de promover atividades de proteção e preservação do meio ambiente, e alertar o público e governos de cada país sobre os perigos de negligenciarmos a tarefa de cuidar do mundo em que vivemos.

No Brasil, ainda se celebra a Semana Nacional do Meio Ambiente, como consequência da data criada pela ONU.

O que aprendi ao ouvir a minha mãe 4

Se propor a ouvir histórias de família abre caminhos profundos, além de recordações e memórias. Com ouvido atento, além de conhecer a estrada que antepassados percorreram, você pode utilizar muito desse conhecimento para entender o presente e pensar no futuro

Os aprenzidados de uma conversa profunda com a própria mãe | Crédito: Shutterstock.

Eduardo Alves, via Vida Simples

Desde criança, ouço histórias envolvendo familiares, alguns presentes na minha vida e outros que já não estavam por aqui quando comecei a entrar em contato com os causos que os envolviam. Há algum tempo, resolvi mergulhar nas lembranças guardadas na memória da minha mãe e decidi convidá-la para uma conversa na qual o tema fosse este. O objetivo era resgatar histórias de família e estudá-las como inspiração para produção literária. A vida, que é esse mar, avançou sob o rio das palavras e os dois, juntos, me inundaram de reflexões e afeto a cada frase que minha mãe compartilhava. Aprendi muito mais do que eu esperava.

Conversamos por dois dias. No primeiro, a convidei para a minha casa e preparei um bolo de cenoura. O objetivo era adocicar nossos lábios e facilitar a prosa. Minha mãe não está acostumada com gravador e com exposição. Eu não queria me mostrar ávido por aquele momento, mas a ansiedade me batia à porta. Já ouvi inúmeras vezes seus contos, mas minhas emoções não eram as mesmas naquele dia. No segundo, fui até a casa dela no começo da tarde e, com um café em mãos, retomamos do ponto em que paramos. Esses dias foram diferentes, pois não é só ela querendo externalizar, sou eu querendo escutar. Meus ouvidos estavam mais atentos do que nunca.

A Dona Rosa, minha mãe de bolso como carinhosamente costumo chamá-la (ela tem 1,52m e digo que posso levá-la comigo para onde quiser) não passou aquele momento falando de mim, como era meu receio inicial ao me propor a ouvir uma mulher que não se cansa de dizer o quanto me ama e fui esperado. Ela abriu seu baú mais profundo, pegou as linhas que formam a sua biografia e teceu sua Narrativa de Vida até os dias de hoje. Ela me deu seu mais lindo trabalho de crochê.

Ela voltou no tempo com muita facilidade e segurou em suas mãos a infância tão suave e querida que teve, compartilhou sua alegria em morar no Ipiranga, bairro de São Paulo, suas histórias de criança, a bela relação construída com seu pai, o imenso carinho pela mãe, a compreensão dos irmãos, o afeto pelos demais que foram acolhidos mais tarde em sua casa.

Também falou da juventude e do Roberto Carlos, sua paixão dos 15 anos. Compartilhou sobre como começou trabalhar cedo para ajudar em casa e, como na vida de todos nós, suas frustrações. A mudança de São Paulo e o impacto que isso teve em toda a sua história. Ela jamais esqueceu o quanto esse fato lhe afastou das coisas que a alegravam.

Expôs uma vida de dedicação à família, seu objetivo incansável de vê-los felizes; a sua atual dedicação à mãe, que passa da casa dos 80 anos. A renúncia de si própria muitas vezes para o bem do próximo. A constante preocupação com o outro.

E, sem perceber, nos não ditos, naquilo que não queria tocar, dividia comigo os sacrifícios que aceitou para buscar o bem-estar de todos. Nunca havia visto tanta generosidade nela como nesse dia. E foi tanta que ela não me contou parte da história que eu conhecia. A mulher forte que ela resgatou dentro de si ao se separar tendo um filho, ainda pequeno, e uma adolescente sob sua responsabilidade. Ela também não mencionou ter tido três empregos ao mesmo tempo para poder cuidar dos filhos, devolver um lar a eles, não lhes deixar faltar nada. Das dores e dos amores de um casamento à revelia da família. Também não comentou dos medos que sentiu nessa época e antes, mas, eu os via nos seus olhos azuis. A gente sempre conversou pelo olhar.

Eu entendo ela não falar disso. Não foi fácil e talvez ainda não seja. Mas, para mim, que tenho isso como uma recordação dos 9 anos, me sinto muito orgulhoso dela ter sido essa Gigante. Eu nunca vou esquecer do que vi e me serviu de exemplo.

Fui surpreendido com memórias que não me haviam sido apresentadas e fiquei muito feliz por, além de reviver com ela momentos já conhecidos, abrir caminho para livros da sua vida que há muito não eram visitados.

Hoje entrar em contato com estas histórias, ouvir sobre meus avós, tataravós, tios, tios da minha mãe, me conecta melhor com o que sou hoje. Ver hábitos que estão em mim e identificá-los no passado, entender evoluções a partir da construção do que meus antepassados foram um dia faz tanto sentido para explicar caminho de hoje.

Esse aprendizado foi mais rico do que qualquer banco de escola, reunião de trabalho ou curso que eu tenha feito ao longo da vida. Aprendi sobre os causos que acompanham a minha família, me vi nas histórias na medida que identificava nelas algo que, de alguma maneira, estão presentes em mim. Me ajudam a entender o material que me forma, não só fisicamente, quando vejo fotografias, mas afetivamente, quando entendo a carga emocional envolvida nessas relações.

Vejo como o curso dessa água vem carregando histórias que agora passam por mim e clarificam pensamentos e questionamentos que me faço ao longo da vida. Ter essas memórias comigo é ter paz.

Eduardo Alves é jornalista e costuma publicar suas ideias e seus textos cheios de alma aqui: https://medium.com/kayua

Academia Sueca não entregará Nobel de Literatura em 2018

Decisão foi tomada em meio à crise desencadeada por um escândalo de violações e agressões sexuais; próximo ganhador será anunciado em 2019

Via Estadão

ESTOCOLMO – A Academia Sueca anunciou na madrugada desta sexta-feira, 4, que não entregará o prêmio Nobel de Literatura em 2018, pela primeira vez em quase sete décadas, em razão de um escândalo de violações e agressões sexuais. O próximo ganhador será anunciado em 2019.

A decisão foi tomada durante uma reunião semanal em Estocolmo, com base na explicação de que a Academia não está em posição de escolher um vencedor após a onda de escândalos de assédios sexuais e crimes financeiros.

“Nós achamos necessário dedicar um tempo para reconquistar a confiança do público na Academia antes que o próximo vencedor possa ser anunciado”, declarou o secretário permanente da instituição, Anders Olsson. Ele também alegou que a decisão é uma forma de respeitar os que já ganharam e os que ainda ganharão o prêmio.

O Nobel de Literatura só deixou de nomear vencedores durante as duas guerras mundiais (1914, 1918, 1940 a 1943) e em 1935, quando, segundo a Academia, não foi encontrado nenhum vencedor que merecesse a honraria.

Em novembro, 18 mulheres acusaram uma conhecida personalidade da cultura francesa, com quem a prestigiada instituição tinha vínculos estreitos, de violência e/ou assédio sexual. O episódio foi motivado por uma onda de escândalos sexuais envolvendo Jean-Claude Arnault, uma grande figura cultural na Suécia e marido da poeta Katarina Frostenson, membro da Academia.

Diante das circunstâncias, sete de um total de 18 membros renunciaram, incluindo a secretária permanente, Sara Danius. Eles estão designados de forma vitalícia e não têm autorização para renunciar, mas podem optar por não participar das reuniões e decisões.

O escândalo provocou especulações nos meios de comunicação sobre o destino do prêmio de Literatura, que foi entregue em 2017 ao autor britânico-japonês Kazuo Ishiguro, e no ano anterior ao cantor e compositor americano Bob Dylan.

O rei da Suécia, Carlos XVI Gustavo, que é o principal responsável pela Academia fundada em 1786, concordou em modificar os estatutos para permitir que os membros renunciem e sejam substituídos, garantindo assim a sobrevivência da instituição. /REUTERS, AP e AFP

GESTÃO E ECONOMIA: Por que o Ceará avançou e o Maranhão parou no tempo 34

O Maranhão nunca conseguiu ser um “Ceará”, embora reúna todas as condições e potencialidades para ser um “tigre” do Nordeste.

Chegou até este editor um instigante artigo da lavra do editor-executivo dos núcleos de Negócios e Economia do grupo O Povo, Jocélio Leal, publicado no seu blog, no site do referido grupo e intitulado “Ceará, terra de paradoxos”.

No texto, o autor discorre sobre algumas contradições ocorridas no estado nordestino que nas últimas décadas teve um “boom” na gestão pública e na economia privada, mas que ainda não conseguiu avançar a contento, por exemplo, no combate ao analfabetismo que atinge cerca de 15% da população cearense.

Contudo, alguns dos dados sobre o Ceará levantados por Jocélio Leal são surpreendentes e fazem com que, nós maranhenses, reflitamos do porquê do nosso estado está parado no tempo do ponto de vista econômico e do empreendedorismo. Senão vejamos.

– A empresa que lidera o mercado de águas no País é cearense. Conforme o Euromonitor Internacional, o Grupo Edson Queiroz é líder nacional no mercado de água engarrafada, com 10,7%. A empresa cearense adquiriu a Nestlé Waters Brasil, a quinta colocada no ranking, com 1,9% do mercado – um oceano de água doce de R$ 24 bilhões no ano passado e 10,3 bilhões de litros.

– Alimentos. A líder de massas e biscoitos do País tem sede no Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza. A M. Dias Branco é uma gigante detentora de impressionantes 32% de market share (fatia de mercado) no Brasil. Na Bovespa, atingiu R$ 20.390 bilhões.

– Telecomunicações. No Interior do Estado, fica um dos cases nacionais no setor. A Brisanet, com sede em Pereiro (CE), atende 170 mil famílias no interior do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte com serviços de telecomunicações – internet, TV e telefonia. Já entregou mais 10 mil quilômetros de fibra ótica até no fim do mês passado. Acaba de fechar R$ 20 milhões com o BNDES, em operação que o Banco do Nordeste tinha o maior interesse.

– Um dos destaques no segmento de saúde privada é de Fortaleza. O Hapvida tem cerca de 4 milhões de clientes em 11 estados. É um case de eficiência como empresa e está em pleno período de silêncio que antecede sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

–  O SAS. Uma plataforma de educação que desenvolve conteúdo, tecnologia e serviços de excelência para mais de mais de 700 escolas, sendo que 80 novas escolas só em 2018 e mais 430 mil alunos. Tem planos de igualmente ir para a Bovespa. E nem se fale nos índices de aprovação no ITA, IME e Enem. Vide as escolas privadas locais. Farias Brito, 7 de Setembro, Master e outros. Ou também no varejo farmacêutico. A Pague Menos tem mais de 1 mil lojas, mas quer duas mil e um IPO.

INVESTIMENTOS PRIVADOS e CULTURA EMPREENDEDORA

Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP)

Chega a ser constrangedor, e mesmo vergonhoso, observar que o Ceará teve a coragem de romper com um clico de atraso que há anos imperava no estado, e o Maranhão sequer dá sinais de que pode efetivamente ser um local seguro do ponto de vista político, jurídico e institucional para investimentos privados.

Por estas terras persiste a economia estatal sob sucessivos governos, inclusive no atual; de abusar dos recursos públicos aumentando gastos com a folha de pagamento, para isso, basta ver o caso do programa “Mais Capelães”, que hoje somam mais de uma centena de nomeados pelo governador Flávio Dino (PCdoB).

Falta para o Maranhão estabelecer as condições para que seja criada uma cultura empreendedora, seja na forma de encarar a gestão pública para que dê resultados que a sociedade/contribuintes exigem, seja setor produtivo privado estimulando micro, pequenos, médios e grande negócios.

O fato é que governo Flávio Dino, e dele que temos que cobrar pois prometeu um paraíso nas eleições de 2014 e o que se vê hoje é um Maranhão estagnado, inviabilizado e liquidado administrativamente, com o sério risco de a qualquer momento não conseguir honrar com o pagamento do funcionalismo.

Não por acaso que reportagem da revista Valor Econômico, divulgada nesta segunda-feira (30), confirma essa tendência de crise e pobreza extrema no estado, conforme macrodados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) -, a revista aponta que, entre 2016 e 2017 o número de maranhenses vivendo com menos de US$ 60 por mês cresceu assustadoramente em São Luís (48%) e segue crescendo no interior (1%).

Esse é o Maranhão.

Que nunca conseguiu ser um “Ceará”, embora reúna todas as condições e potencialidades para ser um “tigre” do Nordeste.

Uma lástima!

Análise: Belchior e a dimensão política das letras do autor

Há um ano, o Brasil perdia um cantor e compositor em sintonia fina com a realidade do povo brasileiro

Belchior é considerado um dos maiores expoentes da música brasileira / Arquivo

Pedro Silva, via Brasil de Fato

Antonio Carlos Gomes Moreira Belchior Fontenelle Fernandes (ele brincava dizendo que era o maior nome da MPB), nascido em Sobral, região norte do estado do Ceará, desde muito cedo se dedicou à música e alçou voos inimagináveis para um “rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior.”

Inúmeras matérias e análises sobre seu legado foram feitas nos últimos dias em jornais e blogs do país, mas gostaria de destacar, em mais um texto/homenagem, a dimensão política das letras do autor, sobretudo, se pensarmos nos desafios históricos da constituição do Brasil enquanto país-nação e sobre os caminhos para chegarmos a esta utopia.

Sem desconsiderar a densidade e complexidade estético-literária-filosófica que perpassa o conjunto de seu trabalho musical, avalio que o ponto de ligação e coerência da sua obra é a política. Esta compreendida também, em perspectiva gramsciana, enquanto cultura (visão de mundo, moral, valores e posição sobre a realidade).

Essa afirmação pode ser constatada desde seus primeiros discos, em assertivas e metáforas que demarcam explicitamente o sofrimento e a luta do povo brasileiro, “gente honesta, boa e comovida, que caminha para a morte pensando em vencer na vida”; no sentimento de latino americanidade, “para que o sol apareça sobre a América do Sul”; na denúncia contra a ganância das elites, já que “a única forma que pode ser norma é nenhuma regra ter, é nunca fazer nada que o mestre mandar, sempre desobedecer, nunca reverenciar” e na esperança que o “novo sempre vem” contra as várias formas de asceticismo e conservadorismo. Posição escrita e entoada de forma contundente, mas nada panfletária, arraigada por um lirismo e sensibilidade singulares, “canto torto feito faca”.

Postura compreendida pela própria identidade entre criador e criatura. De uma vida sertaneja e suburbana, membro de uma família com duas dezenas de filhos, um “jovem que desceu do norte e no sul viveu na rua” e teve que enfrentar uma “metrópole violenta que extermina os miseráveis, negros párias, teus meninos”. Nas memórias infantis de cantadores e de uma densa formação cristã, quando ainda “havia galos, noites e quintais”, “numa terra onde o céu é o próprio chão”.

No estudo de línguas e medicina e da fome e frio sentidos na pele, “com diploma de sofrer de outra universidade, com fala nordestina e querendo esquecer o francês”. No sucesso e admiração profunda de fãs e músicos e pela necessidade da reclusão e do reencontro consigo mesmo, como quem está “sempre em perigo e a vida sempre está por um triz, com um coração delinquente juvenil, suicida, sensível demais”.

Belchior, de forma universal e particular carregou e traduziu a alma e a voz de um povo, até a morte. Numa realidade marcada pela “violência, trogloditas, traficantes, neonazistas, farsantes, barbárie, devastação”, seu eco torna-se cada vez mais atual e necessário para edificação de uma pátria soberana, popular e “brasileiramente linda”.

As frases entre aspas foram retiradas, e em algumas com pequenas alterações, das seguintes canções, respectivamente: Apenas um rapaz latino americano; Pequeno perfil de um cidadão comum; Voz da América; Como o diabo gosta; Como os nosso pais; A palo seco; Fotografia 3×4; Baihuno; Galos, noites e quintais; Carisma; Tudo outra vez; Brincando com a vida; Baihuno, Brasileiramente linda.

* Pedro Silva é militante da Consulta Popular e professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE)