Tem gente que pede socorro fazendo silêncio 2

Que possamos enxergar mais essas dores não vistas

Fonte: imagem Pixabay

Queria deixar um recado pra vocês. Tem gente que pede socorro fazendo silêncio, sabiam?

Muitas dores são sentidas e camufladas com o silêncio das palavras. O número de pessoas com depressão que nos procuram e atendemos na clínica só cresce infelizmente.

Lentamente a pessoa depressiva diminui a produção de serotonina e de noradrenalina no cérebro, e, assim, a vida vai ficando sem graça e sem prazeres. As dores vão sendo caladas pelos que não procuram ajuda. Desse modo, não podia deixar de conversar uns minutinhos com vocês aqui sobre a temática: suicídio! Pois é, muitas vezes, é nesse momento que essa opção vem à tona com os pensamentos disfuncionais das pessoas em sofrimento.

Escutar alguém falar sobre a desvalia da vida, sobre a falta de motivação para viver e de seguir em frente, ou que quer desistir da vida, ou até mesmo o oposto disso, ou seja, um silêncio que chega, muitas vezes, a machucar os outros ao redor, são sinais de alerta! A preocupação aumenta quando o desejo de morrer está ligado à vontade de se matar.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio precisa “deixar de ser tabu”. Segundo estatísticas do órgão, tirar a própria vida já é a segunda principal causa da morte em todo o mundo para pessoas de 15 a 29 anos de idade – ainda que, estatisticamente, pessoas com mais de 70 anos sejam mais propensas a cometer suicídio. Por conseguinte 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos. Para cada caso fatal há pelo menos outras 20 tentativas fracassadas.

No Brasil, o índice de suicídios na faixa dos 15 a 29 anos é de 6,9 casos para cada 100 mil habitantes.

Todos esses dados nos deixam estarrecidos, pois são números altíssimos que, muitas vezes, ficamos paralisados com a tamanha falta de sentido de vida que tantos ainda sentem.

Que possamos enxergar mais essas dores não vistas. Que sejamos capacitados cada vez mais, como seres humanos, de julgarmos menos sobre quem se foi e quem fica. Porque tanto um como o outro precisam mesmo de ajuda e acolhimento emocional.

Convido você a refletir junto sobre a vida e a morte bem como sobre de que forma podemos ter um olhar diferenciado e acolhedor por quem tanto precisa de nós! E lembre-se sempre: tem gente que pede socorro fazendo silêncio!

Site de estudantes arrecada doações para crianças em tratamento

Plataforma “Somos Todos Heróis”, criada por alunos da USP, faz do financiamento coletivo um projeto social

Da esquerda para a direita, a equipe do Somos Todos Heróis: Marco Schaefer, Igor Marinelli e Fuad Schiavon (Crédito: Divulgação)

Raphael Concli/Jornal da USP, via Vida Simples

Com menos de um ano, Ana Clara sofreu um grave acidente de carro. Perdeu a mãe, um tio e sofreu uma grave lesão medular. Hoje ela luta para se recuperar. Além de roupas e alimentos, Ana precisa ser transferida da Santa Casa de São Carlos para outro hospital, onde possa responder melhor aos tratamentos. Ela é uma das crianças heroínas que foram atendidas pelo projeto social Somos Todos Heróis, um site de financiamento coletivo voltado a arrecadar doações para quem precisa de ajuda: seja um tratamento médico, a realização de uma cirurgia, auxílio para compra de alimentos ou materiais escolares.

Cada doação simboliza o envio de um acessório para fortalecer a criança e torná-la uma heroína ou herói. Cintos, varinhas, escudos, visão de raio laser, capas e anéis mágicos fazem parte do arsenal que pode “equipar” as crianças. Criado em 2016, o site não tem fins lucrativos e todos os valores doados são depositados via PagSeguro diretamente na conta dos responsáveis pela criança.

Linguagem atrativa

A ideia e implementação do site vem de Matheus Marchiori, aluno da Faculdade de Direito (FD) da USP, e de Igor Marinelli, estudante de Engenharia da Computação, curso oferecido em parceria pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). Amigos desde o ensino médio, ambos decidiram iniciar o Somos Todos Heróis a partir da insatisfação com outros projetos sociais de que participavam, em especial por conta da falta de doações para crianças ou instituições carentes.

A temática de super-heróis mostrou-se uma forma de alcançar diversas idades. Como conta Igor, é algo que “mexe com muitas lembranças dos adultos e, ao mesmo tempo, inspira as crianças a pensarem em ações socialmente responsáveis desde pequenas”. Em seus dez meses de existência, o site já possibilitou que cinco missões fossem cumpridas, incluindo a de Ana Clara.

A montagem das missões é feita por Igor, que vai à casa das crianças averiguar a solicitação de campanhas, procura novas crianças e faz o contato com famílias e instituições. Além dele, a equipe conta hoje com mais duas pessoas ativas: Fuad Schiavon, que cuida do design do site, e Marco Schaefer, programador e desenvolvedor, ambos também alunos de Engenharia da Computação em São Carlos. Matheus Marchiori compõe atualmente o conselho jurídico do projeto. E o time está aberto a quem quiser ajudar.

E agora, quem irá nos defender

O desenvolvimento da plataforma levou cerca de seis meses. Ainda que tenha um custo de manutenção baixo, o site conta com uma parceria com a empresa HomeHost do Rio de Janeiro, que lhe garante a hospedagem sem despesas. Porém, quando é feita uma campanha pela página do Facebook do projeto para incentivar a doação, os gastos com publicidade saem do bolso da equipe.

O site também deve receber novidades em breve. A equipe trabalha agora para gamificar mais a plataforma a fim de torná-la mais atrativa. Um sistema de conquistas está em desenvolvimento, no qual os usuários poderão subir de nível a partir de suas ações e doações e obter prêmios, como camisetas do Somos Todos Heróis.

Espiritualidade contemporânea

Nutro uma desconfiança profunda pela idolatria da vida como prosperidade eterna

Luiz Felipe Pondé

A espiritualidade está na moda. Muita gente diz que tem espiritualidade mas não tem religião. Com isso quer dizer que é legal, não é materialista, mas nada tem a ver com as barbaridades cometidas pelo cristianismo. Se tiver grana, será uma budista light. Aquele tipo de budista que frequenta templo de fim de semana e paga R$ 100 reais para lavar o chão a fim de sentir a dimensão espiritual do trabalho físico.

Poderia lavar de graça o banheiro da própria casa, mas esse banheiro não teria o mesmo valor do banheiro do mosteiro chique. Trata-se de um day temple e não day spa. Não vou entrar na questão técnica e histórica da relação entre espiritualidade e religião. Mas, sim, é possível uma pessoa cultivar uma busca de sentido na vida para além da banalidade das demandas e rotinas do cotidiano, estando ou não vinculada a alguma tradição religiosa.

O centro da busca é o reconhecimento de tensões nessa rotina que nos fazem sentir um esvaziamento de significado desta mesma rotina, sem necessariamente depender diretamente de conteúdos advindos das tradições religiosas à mão.

Mas um fato é necessário reconhecer, antes de tudo: as formas mais consistentes de busca espiritual estão associadas a temas concretos da vida e não a ET, Jedis, Thor ou bruxinhas de fim de semana.

A espiritualidade nasce da percepção de mal-estar da condição humana e da tentativa de lidar (ou superar esse mal-estar) e não apenas do deslumbramento com a série “Vikings”. Essa busca se iniciou no alto paleolítico quando o Sapiens começou a perceber que havia algo de “errado” em sua condição (sofrimento, insegurança, morte, violência e por aí vai).

Em termos contemporâneos, acho que três tópicos, entre outros possíveis, se prestam a uma inquietação espiritual. Um diretamente ligado ao mundo corporativo, mas que o transcende, outro ao avanço da longevidade, e outro mais derivado do impacto do avanço da inteligência artificial.

As grandes tradições espirituais sempre falaram de sofrimentos reais e não de modas culturais, como no caso que descrevi acima (day temple, Jedis, ET e semelhantes). Um dos temas contemporâneos mais avassaladores é a obrigação de ter sucesso e prosperar. Nesse contexto, repousar é justificado, apenas, se o repouso for causa de maior avanço.

A pessoa é chamada a ver a si mesma e a sua vida como um recurso a ser explorado e transformado em ganho de alguma espécie. Formas variadas de “coaching” apressados, assim como workshops de fim de semana “ensinam” as pessoas que timidez é pecado, insegurança é “justamente” punida com fracasso financeiro, recusa de escolher o que é “novo” é uma nova forma de doença mental.

Nesse contexto de produtividade opressiva, formas falsas de espiritualidade associadas ao mundo corporativo ou do trabalho crescem como um discurso que daria ao imperativo do trabalhar 24 horas por dia (24/7, como dizem os americanos) uma aura de movimento quântico em direção ao sucesso eterno.

Por isso, qualquer espiritualidade contemporânea deve olhar de forma desconfiada para essas tentativas de associar o sucesso ao universo espiritual. Ou a ideia de que produtividade e eficácia implicam uma melhor gestão do karma.

Se a espiritualidade toca em temas “negativos”, ou seja, nas contradições que somos obrigados a enfrentar na vida, ela não poder ser infantil como essas formas de idolatria do sucesso. Nutro uma desconfiança profunda por quem, o tempo todo, vê a vida como uma empreitada para a prosperidade.

Talvez uma das maiores formas de prosperidade seja a longevidade. Produto de alto valor no mercado das utopias. Palestras de todos os tipos vendem a longevidade como algo que será, um dia, vendido nas prateleiras do free shop. A ideia é de que a morte será eliminada ou adiada 500 anos.

Do ponto de vista espiritual, sendo a morte um dos temas que mais despertam indagações, a (quase) eliminação dela, ou a transformação dela em “opção”, traria elementos muito significativos para as inquietações humanas. Por que optar por virar pó (morrer) quando você poderia viver pra sempre? É bom mesmo estar consciente de si para a eternidade ou por 500 anos? Temo que não. A primeira reação minha seria uma profunda melancolia e tédio.

Outro tópico avassalador é a entrada da inteligência artificial no universo humano. Aqui a experiência mais assustadora será a da humilhação cognitiva que vamos experimentar. A humilhação sempre foi um alimento espiritual poderoso.

Luiz Felipe Pondé
Escritor e ensaísta, autor de “Dez Mandamentos” e
“Marketing Existencial”. É doutor em filosofia pela USP

VITÓRIA DO MEARIM: Prefeitura premia os alunos vencedores dos jogos estudantis

A prefeitura de Vitoria do Merarim, atraves dos jogos escolares, fomentou a prática esportiva como instrumento educacional. A gestão da prefeita Didima Coelho visou o desenvolvimento integral dos alunos da rede de educação municipal, visandocrianças capacitação do corpo docente de como lidar com suas necessidades, desejos e expectativas, bem como, com as necessidades, expectativas e desejos dos outros, de forma que o mesmo possa desenvolver as competências .

“A prática de esporte em nossas escolas traz benefícios importantes para os nossos alunos e pode ser muito oportuna para o futuro deles”, afirmou a prefeita Didima.

UEMA: Salários atrasados seria culpa da “Copa” 26

Esses trabalhadores são contratados via Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (FAPEAD), uma das fundações que operam para UEMA e tida como responsável por tudo que é tipo de tarefas “administrativas” e “operacionais”

“Com os desencontros em virtude da copa não houve o repasse de dinheiro para a Uema (…) Macedo disse que a folha já ta prontinha nas mãos do reitor, mas ainda não há dinheiro para que a folha seja enviada”.

As palavras acima seriam um trecho de uma conversa em WhatsApp entre funcionários contratados da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), que estão todos com os seus salários atrasados.

O “Macedo” citado seria José Henrique Macedo, assessor da Reitoria e considerado pela fonte do Blog do Robert Lobato “um senhor mais grosso que papel de enrolar prego”.

Esses trabalhadores são contratados via Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (FAPEAD), uma das fundações que operam para UEMA e tida como responsável por tudo que é tipo de tarefas “administrativas” e “operacionais”.

Estariam ainda com os ordenados atrasados, bolsistas, estagiários, monitores, além da secretárias dos mestrados.

Talvez os responsáveis pela gestão da Universidade Estadual do Maranhão não se sensibilizem com a situação dos funcionários contratados/terceirizados porque alguns deles ganham verdadeiras fábulas através de artimanhas que juntam vários “mil reais” aqui e ali, até formar um vencimento de fazer inveja a ministros do STF – em breve o Blog do Robert Lobato vai revelar com documentos essas artimanhas.

Outro lado

Em contato com o reitor Gustavo Costa para saber sobre o porquê do atraso no vencimento dos contratados da UEMA, o magnífico esclareceu:

“Bom dia prezado, Robert, o dia do repasse é hoje dia 10/7 como sempre ocorre. De amanhã até sexta todos terão recebido. Refiro-me aos terceirizados. Quem recebe na folha já recebeu”.

É aguardar e conferir.

SANTA RITA: Prefeitura desenvolve uma série de atividades para celebrar o fim do semestre letivo

A Prefeitura de Santa Rita encerrou o semestre letivo da rede municipal de ensino na sexta-feira (6). Para celebrar a data, escolas desenvolveram uma série de atividades alusivas ao período junino e também por conta da Copa do Mundo, com belíssimas danças, apresentações culturais e comidas típicas foram oferecidas para as crianças, resgatando assim as manifestações culturais.

Além disso foi desenvolvido o Projeto Alimentação Saudável sendo na E.M Senhora Santana e tem como objetivo principal favorecer a reflexão de bons hábitos alimentares como os benefícios das frutas, verduras e legumes.  O projeto visa também ajudar as crianças a se prevenirem de diversas doenças como a hipertensão, diabetes, obesidade e etc.

Já na E.M Nauziro Silva, professores e alunos apresentaram as fábulas “A cigarra e a formiga” e também “O Leão e os ratinhos”. Momento de aprender um pouco mais através das histórias infantis.

Também teve espaço para o esporte, o Projeto Copa 2018 desenvolvido por alunos do turno vespertino do Colégio Militar Orlando Gasileu. Foram desenvolvidas atividades e mostra de comidas típicas regionais de cada país participante da Copa do Mundo. Finalizando o período letivo do primeiro semestre, os alunos resgatam as manifestações culturais de outros países através desse projeto.

O prefeito Hilton Gonçalo ficou extremamente satisfeito com o desenvolvimento das atividades, afinal uma das suas prioridades é preparar Santa Rita para o futuro através das futuras gerações.

O uso da autoridade para não admitir os próprios erros 2

A autoridade que admite e assume o seu erro não se enfraquece

Por Eduardo Carmello*, via Vya Estelar

Juízes, professores, administradores, líderes, pais e mães. Tudo ficaria bem melhor no que se refere ao relacionamento interpessoal maduro e também à produtividade no trabalho se assumissem uma postura de falibilidade (estão prontos para admitir e assumir seus próprios erros e corrigi-los, a favor da relação justa).

Mas, ao invés disso, preferem esconder os erros e incompetências, sobrepondo-os com o escudo da “autoridade”. Todo mundo viu que o juíz errou ao marcar o pênalti, que não existiu. Mas, já que ele sentenciou que o mesmo aconteceu, então não se pode voltar atrás. Como dizia José de Alencar, “Não havia meio de fazê-lo voltar atrás”.
Todo mundo sabe que o professor está desatualizado e tendencioso politicamente na matéria que ele leciona. Mas, se ousarmos atualizá-lo e evidenciar seu viés político, poderemos ser expulso da sala por desacato à autoridade ou ouvir aquela famosa frase “Quem manda nessa sala de aula sou eu”.

Conhecemos muito bem nossos administradores e líderes. Por vezes demoramos 30 minutos editando a “forma” como vamos conversar com ele sobre sua falta de habilidade em gerenciar projetos e conduzir reuniões, colocando a culpa sempre na equipe. Fazemos isso morrendo de medo dele se ofender, inflamar, de sofrer retaliação ou até de ser transferido de setor, pois “Quem é você para dizer como eu devo fazer o meu trabalho?”.

Fora os pais (eu, inclusive) que se assustam e imediatamente se irritam, quando os filhos (de 3 a 55 anos) escancaram uma verdade na nossa cara. Um erro, um mal funcionamento, uma atitude desrespeitosa, que deve ser ignorada ou relevada, pois somos “os pais”. Quantas vezes nos protegemos no nosso escudo de autoridade quando eles revelam nossas incoerências, ambiguidades e equívocos na “difícil arte de educar”.

Constato nos meus trabalhos que quando a pessoa erra e dá a “carteirada” da autoridade, muitos de nós até obedecem, para não piorar as coisas. Mas não esquecemos seus erros, diminuindo drasticamente o respeito, a confiança e a admiração que temos pela pessoa.

E, quando a mesma admite e assume seu erro, corrigindo a decisão equivocada, a ordem se restabelece, o respeito, a confiança e admiração aumentam.

A “autoridade” que admite e assume o seu erro não se enfraquece. Pelo contrário, sai mais fortalecido e respeitado por aqueles que prezam a justiça, o relacionamento maduro, a inteligência e o mérito.

*Diretor da Entheusiasmos Consultoria em Talentos Humanos, consultor e palestrante entre os 5 mais reconhecidos do país, segundo o Top of Mind de RH do jornal O Estado de S. Paulo. Autor dos livros Resiliência: a transformação como ferramenta para construir empresas de valor (2008, Editora Gente) e Supere: a arte de lidar com as adversidades (2004, Editora Gente).

UMA LIÇÃO DE VIDA QUE VEM DA BÉLGICA: “Tenho algumas coisas a dizer” 9

Recomendo a leitura até o final do impressionante depoimento do belga Romelu Lukaku ao “The Players Tribune”, tradução de Bruno Bonsanti, do sítio “Trivela”.

Eu me lembro do momento exato em que soube que estávamos quebrados. Ainda consigo visualizar minha mãe na geladeira e o olhar no rosto dela.

Eu tinha seis anos de idade e cheguei de casa para almoçar durante o intervalo da escola. Minha mãe me dava a mesma coisa todos os dias: pão e leite. Quando você é uma criança, nem pensa sobre isso. Mas acho que era tudo que podíamos comprar.

Naquele dia, eu cheguei em casa e entrei na cozinha e vi minha mãe na geladeira com uma caixa de leite, como sempre. Mas, naquela vez, ela estava misturando algo. Ela estava balançando, sabe? Eu não entendi o que estava acontecendo.

Ela estava misturando água no leite. Não tínhamos dinheiro suficiente para o resto da semana. Estávamos quebrados.

Meu pai havia sido um jogador profissional de futebol, mas estava no fim da sua carreira e não havia mais dinheiro. A primeira coisa que perdemos foi a TV a cabo. Acabou o futebol. Acabou o Match of the Day (famoso programa esportivo britânico). Acabou o sinal.

Chegava em casa à noite e as luzes estavam apagadas. Sem eletricidade por duas, três semanas de uma vez.

Eu queria tomar banho, e não havia mais água quente. Minha mãe esquentava a chaleira no fogão, e eu ficava em pé no chuveiro jogando água quente na minha cabeça com um copo.

Houve ocasiões em que minha mãe precisava pedir pão “emprestado” da padaria no fim da rua. Os padeiros nos conheciam, eu e meu irmãozinho, então deixavam que ela pegasse uma fatia de pão na segunda-feira e pagar apenas na sexta.

Eu sabia que tínhamos problemas. Mas, quando ela estava misturando água no leite, eu percebi que já era, sabe? Essa era nossa vida.

Eu não disse uma palavra. Não queria estressá-la. Eu apenas comi meu almoço. Mas eu juro por Deus, eu fiz uma promessa a mim mesmo naquele dia. Era como se alguém tivesse estalado os dedos e me acordado. Eu sabia exatamente o que fazer.

Eu não podia ver minha mãe vivendo daquele jeito. Não, não, não. Eu não aceitaria aquilo.

As pessoas no futebol amam falar sobre força mental. Bom, eu sou o cara mais forte que você vai conhecer. Porque eu me lembro de me sentar no escuro com meu irmão e minha mãe, rezando, e pensando, acreditando, sabendo… que um dia aconteceria.

Não contei minha promessa para ninguém por um tempo. Mas, alguns dias, eu chegava em casa da escola e encontrava minha mãe chorando. Então, eu finalmente a disse um dia: “Mãe, tudo vai mudar. Você vai ver. Eu vou jogar futebol pelo Anderlecht e vai acontecer rápido. Vamos ficar bem. Você não precisará mais se preocupar”.

Eu tinha seis anos. 

Eu perguntei para o meu pai: “Quando eu posso começar a jogar futebol profissional?”

Ele disse: “Dezesseis anos”

Eu disse: “Ok, dezesseis anos, então”.

Aconteceria. Ponto final.

Deixa eu dizer uma coisa – todo jogo que eu já disputei foi uma final. Quando eu jogava no parque, era uma final. Quando eu jogava no recreio do jardim de infância, era uma final. Eu estou falando sério para caralho. Eu tentava rasgar a bola todas as vezes que eu chutava. Força total. Não estava chutando com o R1, brother. Não era chute colocado. Eu não tinha o novo Fifa. Eu não tinha um Playstation. Eu não estava brincando. Eu estava tentando te matar.

Quando eu comecei a ficar mais alto, alguns dos professores e pais começaram a me estressar. Eu nunca vou esquecer a primeira vez que ouvi um dos adultos dizer: “Ei, quantos anos você tem? Que ano você nasceu?”

E eu fiquei, tipo, o quê? Tá falando sério?

Quando eu tinha 11 anos, eu jogava pela base do Lièrse, e um dos pais do outro time literalmente tentou me impedir de entrar no gramado. Ele disse: “Quantos anos tem essa criança? Onde está o documento dela? Da onde ela veio?”

Eu pensei: “Da onde eu vim? O quê? Eu nasci na Antuérpia. Eu vim da Bélgica”.

Meu pai não estava lá porque ele não tinha carro para me levar aos jogos for a de casa. Eu estava completamente sozinho e precisava me impor. Eu fui pegar meu documento, na minha mala, e mostrei para todos os pais, e eles o passaram de mão em mão, inspecionando, e eu lembro do sangue me subindo à cabeça… e pensei: “Oh, eu vou matar o seu filho mais ainda agora. Eu já ia matá-lo, mas, agora, eu vou destruí-lo. Você vai levar seu filho para casa chorando agora”.

Eu queria ser o melhor jogador de futebol da história da Bélgica. Era esse meu objetivo. Não apenas bom. Não apenas ótimo. O melhor. Eu jogava com muita raiva por causa de muitas coisas… por causa dos ratos que viviam no nosso apartamento…. porque eu não podia assistir à Champions League… pela maneira como os outros pais olhavam para mim.

Eu estava em uma missão.

Quando eu tinha 12 anos, eu marquei 76 gols em 34 partidas.

Eu marquei todos eles usando as chuteiras do meu pai. Quando nossos pés ficaram do mesmo tamanho, nós as compartilhávamos.

Um dia, eu liguei para o meu avô – o pai da minha mãe. Ele era uma das pessoas mais importantes da minha vida. Ele era minha conexão com a República Democrática do Congo, da onde minha mãe e meu pai vieram. Então, eu estava no telefone com ele um dia, e eu disse: “Estou indo bem. Eu fiz 76 gols e ganhamos a liga. Os grandes times estão começando a me notar”.

E geralmente ele queria ouvir sobre os meus jogos. Mas, naquela vez, estava estranho. Ele disse: “Yeah, Rom, yeah, isso é ótimo. Mas você pode me fazer um favor?”

Eu disse: “Sim, qual?”

Ele disse: “Você pode cuidar da minha filha, por favor?”

Eu me lembro de ter ficado confuso. Sobre o que o vovô estava falando?

Eu disse: “A mamãe? Sim, estamos bem. Estamos ok”.

Ele disse: “Não. Você tem que me prometer. Você pode me prometer? Cuide da minha filha. Apenas cuide dela para mim. Ok?”

Eu disse: “Sim, vovô. Entendi. Eu prometo”.

Cinco dias depois, ele morreu. E, então, eu entendi o que ele queria dizer.

Eu fico muito triste pensando nisso porque eu gostaria que ele tivesse ficado vivo mais quatro anos para me ver jogar pelo Anderlecht. Para ver que eu cumpri minha promessa, sabe? Para ver que tudo ficaria bem.

Eu disse para minha mãe que eu conseguiria chegar lá quando tivesse 16 anos.

Eu errei por 11 dias.

24 de maio de 2009.

A final do playoff. Anderlecht versus Standard Liège.

Aquele foi o dia mais doido da minha vida. Mas precisamos retroceder um pouco. Porque no começo da temporada, eu mal estava jogando pelo sub-19 do Anderlecht. O treinador me colocou na reserva. E eu pensava: “Como vou conseguir um contrato profissional no meu 16º aniversário se ainda estou no banco pelo sub-19?”.

Então, fiz uma aposta com o treinador.

Eu disse para ele: “Eu garanto algo a você. Se você me colocar para jogar, eu vou fazer 25 gols até dezembro”.

Ele riu. Ele literalmente riu da minha cara.

Eu disse: “Vamos fazer uma aposta”.

Ele disse: “Ok, mas se você não fizer 25 gols até dezembro, você vai para o banco de reservas”.

Eu disse: “Certo, mas, se eu vencer, você vai limpar todas as minivans que levam os jogadores para casa depois do treino”.

Ele disse: “Ok, fechado”.

Eu disse: “E mais uma coisa. Você tem que fazer panqueca para nós todos os dias”.

Ele disse: “Ok, certo”.

Foi a aposta mais estúpida que o homem já fez.

Eu tinha 25 gols em novembro. Estávamos comendo panqueca antes do Natal, bro. Que sirva de lição.

Você não mexe com um garoto que está com fome.

Eu assinei contrato professional com o Anderlecht no meu aniversário, 13 de maio. Fui direto comprar o novo Fifa e um pacote de TV a cabo. Já era o fim da temporada, então estava em casa relaxando. Mas a liga belga estava doida naquele ano, porque Anderlecht e Standard Liège terminaram empatados em pontos. Então, haveria um playoff de duas partidas para decidir o título.

Durante o jogo de ida, eu estava em casa assistindo à TV como um torcedor.

Então, no dia anterior ao jogo de volta, eu recebi uma ligação do técnico dos reservas.

“Alô?” “Alô, Rom. O que você está fazendo?”

“Saindo para jogar bola no parque”.

“Não, não, não, não, não. Faça suas malas. Agora mesmo”.

“Por quê? O que eu fiz?”

“Não, não, não. Você precisa sair para o estádio agora. O time principal pediu por você”.

“Yo….o quê? Eu?!”

“Sim. Você. Venha. Agora”.

Eu literalmente corri para o quarto do meu pai.

“YO! Levanta, porra. Precisamos correr, cara!”. “Huh? O quê? Pra onde?”.

“ANDERLECHT, CARA”.

Eu nunca vou esquecer. Eu cheguei ao estádio e praticamente corri para o vestiário. O roupeiro disse: “Ok, garoto, que número você quer?”.

E eu disse: “Me dá a 10”.

Hahahahahaha sei lá, eu era muito jovem para ter medo, acho.

E ele: “Jogadores da base usam números acima do 30.

Eu disse: “Ok, bem, três mais seis é igual a nove, e esse é um número legal, então me dá a 36”.

Naquela noite, no hotel, os jogadores adultos me fizeram cantar uma música para eles no jantar. Eu nem me lembro qual escolhi. Minha cabeça estava girando.

Na manhã seguinte, meu amigo literalmente bateu na porta da minha casa para ver se eu queria jogar futebol e minha mãe disse: “Ele saiu para jogar”.

Meu amigo: “Jogar onde?”

Ela disse: “Na final”.

Saímos do ônibus no estádio, e cada jogador estava usando um terno legal. Menos eu. Eu saí do ônibus usando um terrível agasalho e todas as câmeras de TV estavam na minha cara. A caminhada para o vestiário foi de talvez 300 metros. Talvez uma caminhada de três minutos. Assim que coloquei meu pé no vestiário, meu telefone começou a explodir. Todo mundo havia me visto na televisão. Eu recebi 25 mensagens em três minutos. Meus amigos estavam ficando loucos.

“Bro?! Por que você está no jogo?!”

“Rom, o que está acontecendo? POR QUE VOCÊ ESTÁ NA TV?”.

A única pessoa que respondi foi meu melhor amigo. Eu disse: “Brother, eu não sei se vou jogar. Eu não sei o que está acontecendo. Mas continua vendo TV”.

Aos 18 minutos do segundo tempo, o treinador me colocou em campo.

Eu corri no gramado pelo Anderlecht aos 16 anos e 11 dias.

Perdemos a final naquele dia, mas eu já estava no céu. Eu cumpri a promessa para a minha mãe e para meu avô. Aquele foi o momento em que eu soube que ficaríamos bem.

Na temporada seguinte, eu ainda terminava o meu último ano do colégio e jogava na Liga Europa ao mesmo tempo. Eu precisava levar uma grande mochila para o colégio para poder pegar um voo no fim da tarde. Vencemos a liga com folga. Foi…uma loucura!.

Eu realmente esperava que tudo isso acontecesse, mas talvez não tão rápido. De repente, a imprensa estava crescendo em torno de mim, e colocando todas essas expectativas nas minhas costas. Especialmente com a seleção nacional. Por algum motivo, eu não estava jogando bem pela Bélgica. Não estava funcionando.

Mas, yo – pera lá. Eu tinha 17 anos! 18! 19!

Quando as coisas corriam bem, eu lia os artigos de jornal e eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga.

Quando as coisas não corriam bem, eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga descendente de congoleses.

Se você não gosta do jeito como jogo, tudo bem. Mas eu nasci aqui. Eu cresci na Antuérpia, em Liège e em Bruxelas. Eu sonhava em jogar pelo Anderlecht. Eu sonhava em ser Vincent Kompany. Eu começava uma frase em francês e terminava em holandês, e colocava um pouco de espanhol e português ou lingala, dependendo do bairro em que eu estivesse.

Eu sou belga. Somos todos belgas. É isso que faz este país legal, certo?

Eu não sei por que algumas pessoas do meu próprio país querem que eu fracasse. Eu realmente não entendo. Quando fui para o Chelsea e não estava jogando, eu os ouvi dando risada de mim. Quando fui emprestado para o West Brom, eu os ouvi dando risada de mim.

Mas tudo bem. Essas pessoas não estavam comigo quando colocávamos água no nosso cereal. Se vocês não estavam comigo quando eu não tinha nada, vocês realmente não podem me entender.

Sabe o que é engraçado? Eu perdi dez anos de Champions League quando era criança. A gente não podia pagar. Eu chegava à escola e todas as crianças estavam falando sobre a final e eu não sabia o que havia acontecido. Eu me lembro de 2002, quando o Real Madrid jogou contra o Bayer Leverkusen, e todo mundo falava “aquele voleio! Meu Deus, aquele voleio!”.

E eu tinha que fingir que sabia do que estavam falando.

Duas semanas depois, estávamos sentados na aula de computação, e um dos meus amigos baixou o vídeo da internet, e eu finalmente vi Zidane mandar aquela bola no ângulo com a perna esquerda.

Naquele verão, eu fui para minha casa para assistir ao Ronaldo Fenômeno na final da Copa do Mundo. A história de todo o resto daquele torneio eu ouvi das crianças da escola.

Eu lembro que eu tinha buracos nos meus sapatos em 2002. Grandes buracos.

Doze anos depois, eu estava jogando a Copa do Mundo.

Agora, estou prestes a jogar outra Copa do Mundo e meu irmão está comigo desta vez (o texto foi provavelmente escrito antes da convocação final porque Jordan Lukaku, irmão de Romelu, estava na pré-convocação, mas não chegou à lista final). Duas crianças da mesma casa, da mesma situação, que deram certo. Sabe de uma coisa? Eu vou me lembrar de me divertir dessa vez. A vida é curta demais para estresse e drama. As pessoas podem dizer o que quiserem sobre nosso time, sobre mim.

Cara, escuta – quando éramos crianças, não podíamos pagar para ver Thierry Henry no Match of the Day! Agora, estamos aprendendo com ele todos os dias no time nacional (Henry é auxiliar de Roberto Martínez, técnico da Bélgica). Estou junto com a lenda, em carne e osso, e ele está me dizendo tudo sobre como atacar os espaços como ele costumava fazer. Thierry deve ser o único cara no mundo que vê mais jogos do que eu. Nós debatemos tudo. Estamos sentados e tendo debates sobre a segunda divisão da Alemanha.

“Thierry, você viu o esquema do Fortuna Düsseldorf?”

Ele: “Não seja tonto. Claro que vi”.

Isso é a coisa mais legal do mundo para mim.

Eu apenas realmente, realmente gostaria que meu avô estivesse vivo para ver isso.

Não estou falando da Premier League.

Nem do Manchester United.

Nem da Champions League.

Nem da Copa do Mundo.

Não é disso que estou falando. Eu apenas queria que ele estivesse vivo para ver a vida que temos agora. Eu gostaria de ter mais uma conversa com ele por telefone, para poder dizer para ele…

“Viu? Eu disse para você. Sua filha está bem. Não há mais ratos no nosso apartamento. Ninguém mais dorme no chão. Não há mais estresse. Estamos bem agora. Estamos bem.

…Eles não precisam mais checar nossos documentos. Eles conhecem nosso nome”.

Sabe o que gera engajamento? Humor

A palavra de lei do brasil é: a zoeira never ends. Seguir nesse caminho requer destreza – e não é para todas as empresas – mas pode gerar ótimos resultados

Jorge Albuquerque, Administradores.com

Se você não é bombardeado por mensagens, vídeos e gifs engraçados, inúmeras vezes ao dia, você certamente está morando fora do país e não interage conosco. Você pode até pensar que isso é novidade, coisa da geração atual e tudo mais, entretanto, ao meu ver, só está agora nos meios digitais o que o brasileiro sempre foi: uma pessoa divertida.

Essa “pegada” da comicidade está tão forte e enraizada que começou a chegar até nossas empresas. Elas agora utilizam memes, fazem referência à cultura pop e possuem informalidade na comunicação. Isso tudo, provavelmente, graças a uma percepção de dados de mercado, enxergando grande potencial nas novas formas de humor desenvolvidas pelas redes sociais.

Você acha que essas empresas fazem isso apenas por comodismo ou achar engraçado? Funcionários “normais” até que poderiam fazer por esses motivos, mas essas ações vêm da diretoria e visam apenas uma coisa: lucro. A comicidade, entretenimento e informalidade trazem engajamento dos usuários e repercussões na mídia.

Palavras como repercussão, impacto e engajamento estão sempre atreladas ao conceito de SEO, termo em inglês para Search Engine Optimization. Em português significa otimização para mecanismos de busca.

Aliado a uma tendência mundial da informalidade, downsizing, startups, jovens irreverentes, além de boa parte das maiores empresas do mundo seguirem essa linha (como Facebook, Google e Netflix), criamos um mercado, pelo menos a nível B2C, bastante dinâmico e engraçado.

Acredito que, junto ao humor, conteúdos sobre conflitos (notícias, fofocas, problemas) e celebridades (atores, atletas, blogueiros) fazem um tripé das maiores buscas, curtidas e compartilhamentos dos tempos atuais. Se existir uma notícia sobre Neymar terminar com Bruna Marquezine e uma foto engraçada, temos certamente uma vaga garantida no Google Trends.

Isso nada mais é do que as empresas surfando na onda dos conteúdos virais. Elas não estão “inventando a roda”, atrelar a imagem de produtos e/ou marcas à astros e celebridades já é uma estratégia batida. O diferente, dessa vez, são duas coisas: ver grandes varejistas, indústrias e empresas sérias “apelando” para a comicidade e a importância que o humor vem tomando à medida que a internet ganha força.

Fazer uma propaganda afirmando a qualidade do seu produto, todos seus benefícios e um preço matador pode não trazer tanto engajamento quanto uma postagem usando um clássico meme com Rodrigo Hilbert e sua perfeição.

O humor e a informalidade trazem as empresas para mais perto de seus usuários. A não ser que você esteja vendendo conteúdos para classe A++ Plus VIP, boa parte da sua comunidade vai entender as suas referências e as repercussões, se a estratégia for bem executada, será bastante positiva.

Antigamente, seriedade era sinônimo de profissionalismo. Padrões, elegância, etiqueta estava atrelado a tudo que era bom, a informalidade sempre remetia a coisas baratas, de uma qualidade normal ou ruim e, em resumo, coisa de empresa pequena. Hoje em dia, não é que houve uma inversão, mas agora propagandas engraçadas e ações de marketing são feitas por empresas bilionárias também!