Tudo envolve dinheiro

A maneira como você se relaciona com o dinheiro tem a ver com a sua história de vida

A nossa relação hoje com o dinheiro tem a ver com a nossa história | Crédito: Shutter

Kátia Avelar, via Vida Simples

Recentemente, enquanto aguardava o momento de dar uma palestra sobre construção da reserva financeira, numa grande empresa e para um público diversificado, passaram 2 pessoas por mim e uma falou para outra: “Tudo envolve dinheiro.” Imediatamente pensei: nossa que coincidência … e comecei a pensar em muitas coisas. Em que contexto elas estavam falando: vida pessoal ou trabalho ? Mas em seguida, concluí que isto era o que menos importava e o interessante foi que os meus pensamentos não pararam mais, coloquei algumas ideias num papel e já para a palestra levei este olhar tão humano sobre uma questão tratada em geral como exata, racional, “preto no branco”.

E daquele dia até hoje, este artigo começou a ser gerado !

Acompanhe-me nas situações a seguir, extraídas das páginas do meu diário.

Em casa … por volta dos meus 15 anos, meu pai servidor público passou a receber o seu salário com atraso por conta de problemas gerados pela gestão indevida do fluxo de caixa. Naquela época, não tinha conhecimento do que isto significava, mas foi uma lição de educação financeira para mim e minha família. Eu aprendi a negociar, pedir desconto na escola para compra das minhas apostilas, comprar produtos para revender, ser econômica. Meus pais, eu e minha irmã, fortalecemos nossos laços através do diálogo sobre o que estava ocorrendo e como podíamos contribuir com soluções para superar aquele momento.

Com os amigos … já na faculdade, tínhamos amigos que vinham de longe para estudar e suas economias para almoçar e fazer lanche eram “contadas”. Eu podia almoçar em casa todos os dias e lanchar o que eu quisesse, era maravilhoso. Aprendi como há diferenças econômicas e que saber conviver com elas, permitiu-me exercitar o sentimento de gratidão e do pensar transformador para contribuir com o processo de melhoria na sociedade, começando nos círculos de amizades. E até hoje, num simples chopp, a flexibilização do padrão de consumo em prol da participação de mais amigos é um exelente exercício para saber adaptar-se e ajustar a trajetória financeira nos diferentes momentos da minha vida.

No trabalho … numa equipe, além dos diferentes níveis salariais, cada um traz a sua história de vida e saber ouvir e acolher um colega de trabalho é mais uma oportunidade de ser solidário e de ajudá-lo a encontrar a forma de equilibrar a sua vida, incluindo as finanças. E isso foi um laboratório para construção do meu programa de finanças pessoais – o Detox dos Gastos.

No exercício da espiritualidade … vejo o dízimo como uma forma de expressar minha gratidão pelo que tenho e contribuir com as finanças sociais. Forma de movimentar o meu dinheiro e alimentar o fluxo da abundância em minha vida e na economia em geral. Não é mágica, é ação através da valorização das diferentes utilizações do dinheiro no dia a dia.

E nesta ciranda da vida, as tarefas do dia a dia são executadas através de ações individuais e relações humanas onde o afeto e o dinheiro são condutores que mantém a dinâmica na vida de cada um: objetivos são definidos e o acúmulo de patrimônio financeiro é o meio para exercermos a nossa liberdade de escolha.

Os conceitos, indicadores, produtos de investimentos podem ser adquiridos através da educação financeira e de um especialista que te oriente. O planejamento financeiro será o mapa para realizar os seus objetivos e o profissional um facilitador na clareza da sua dinâmica diária de lidar com a sua renda. Mas é a sua história de vida que produzirá necessidades, desejos e sonhos que são únicos e podem mudar com o tempo. Por que ? Pelo simples fato de que viver de forma abundante e próspera está à disposição de todos, mas cada um tem que “ajustar as velas do seu barco” – a vida que deseja ter e proporcionar aos que ama, a cada momento.

E agora, faz mais sentido o Prêmio Nobel 2017 ser dado para um trabalho no ramo da economia comportamental ? Então, como ressaltou o mestre Richard H. Thaler: “Para fazer uma boa economia, você deve ter em mente que as pessoas são humanas”.

Em uma era, em que as relações humanas estão passando por crises, reflexões e transformações, entender primeiro da porção humana em tudo na vida, é a chave para transformar realidades falidas em oportunidades de realização. Arrisco dizer que é a saída para os desequilíbrios instalados e intensificados nos últimos 15 anos no mundo. E cabe a cada um de nós, vivermos nossa humanidade, entender nossos limites, fortalecermos com o aprendizado e definirmos nossos processos de mudanças e vida com propósito !

Então, mãos à obra que o dinheiro está presente em tudo e é apenas mais uma questão a conhecer e desmistificar na sua vida !

* Kátia Avelar é economista e mestre em Economia, consultora em Finanças Pessoais. Trabalhou por 25 anos no mercado corporativo e há 2 anos criou o Detox dos Gastos. Conteúdos e trabalhos desenvolvidos são compartilhados no perfil do instagram @katia_avelar e em https://www.facebook.com/detoxdosgastos/

HC Aldenora Bello inova com realização Campanha Natal de Esperança Maracap

Centenas de pacientes atendidos pelo Hospital do Câncer Aldenora Bello (HCAB) estão sendo beneficiados com os repasses da campanha Natal de Esperança Maracap, que neste mês sorteará mais de R$ 600 mil em premiação. Dirigido pelo premiado cineasta de ‘Walter do 401’, o maranhense Breno Ferreira, os filmes da campanha publicitária estão no ar desde o início do mês, com criação da MSM Comunicação e produção da Sotaque Filmes.

Além dos tradicionais sorteios dos dias 10 e 17, o Natal de Esperança Maracap terá um sorteio especial no dia 27, com transmissão ao vivo pela TV Difusora e Mirante Am e retransmissão pela TV Cidade e dezenas de rádios do interior. Ao adquirir o certificado de contribuição emitido pelo próprio Hospital, além de concorrer a prêmios, a pessoa tem a garantia que está beneficiando o tratamento oncológico de pacientes atendidos pelo HCAB.

A apresentadora Carol Carvalho destacou “que a parceria com o Aldenora Bello torna a campanha mais bonita e nos enche de orgulho. Traz esperanças a quem precisa do apoio do Hospital”, disse a apresentadora. Para o apresentador Jeisael Marx, a campanha trabalha a esperança das pessoas que esperam mudar de vida, esperam uma guinada de vida. “A esperança é para todos! Desde as pessoas que receberão a contribuição para ajudar no tratamento e para quem tem esperança de ganhar um prêmio e mudar de vida”.

Governo terá candidato na eleição de 2018 e não será Alckmin, diz Meirelles

MARINA DIAS
JULIO WIZIACK
DE BRASÍLIA
Via FOLHA DE SP

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirma que o governo de Michel Temer terá um candidato à Presidência em 2018 e que ele não será Geraldo Alckmin (PSDB).

Na avaliação do ministro, o Planalto deve apoiar quem defenda por completo a atual política econômica, o que, segundo ele, não é compatível com o discurso do governador de São Paulo.

Meirelles não descarta ser esse nome, diz que, se for candidato, defenderá o “legado” do governo e provoca os tucanos: “Não quero ter a pretensão de entender o PSDB”.

Em entrevista à Folha, o ministro faz pela primeira vez uma avaliação assertiva do cenário para 2018, afirma que a polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PSC) “tem teto de crescimento” e é direto ao ser questionado sobre um possível voo solo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ): “O mundo não acaba em 2018, principalmente para alguém tão jovem”.

Folha – Temer avalia que a melhora na economia permitirá ao governo ter um candidato competitivo em 2018. O sr. concorda?
Henrique Meirelles – Sim. Gradualmente a população perceberá a melhora da economia e, a partir daí, criam-se condições favoráveis para candidatos que defendam esse projeto de reformas.

O sr. é esse candidato?
A minha decisão será tomada no final de março.

Não será tarde, visto que os candidatos que polarizam hoje a disputa, Lula e Bolsonaro, estão em pré-campanha?
Exatamente porque são duas posições extremas, de esquerda e de direita, têm teto de crescimento. A grande maioria da população ainda aguarda um candidato que não tenha posições extremadas e que vai refletir essa posição de comprometimento com o crescimento do país.

O sr. acha, então, que o governo vai ter um candidato?
Acredito que sim.

E esse candidato não é o governador Geraldo Alckmin?
O PSDB está tendendo na direção de não apoiar o governo e isso terá consequências no processo eleitoral.

Alckmin vem tentando construir esse discurso de centro. Por que ele não pode ser o candidato do governo?
Porque uma coisa é o apoio a determinadas reformas, outra é o apoio à política econômica atual, com todas as suas medidas e consequências. Não há, pelo menos até o momento, um comprometimento do PSDB em defesa dessa série de políticas e do legado de crescimento com compromisso de continuidade.

Qual o fator decisivo para o sr. bater o martelo sobre sua candidatura em 2018?
Primeiro, a consolidação e a percepção pela população do crescimento econômico e, mais importante, dos benefícios que isso vai trazer. Segundo, essa articulação política.

No Datafolha, o sr. aparece com 1% ou 2% das intenções. Não é um percentual muito baixo para um nome que tem a máquina do governo? O tempo não é curto para obter um patamar competitivo em março?
As menções ao meu nome refletem o fato de que tenho dito que não sou candidato, não estou em campanha e estou completamente concentrado em garantir a recuperação da economia e a geração de empregos.

É viável defender um governo com 5% de aprovação, um presidente alvo de denúncias e uma agenda impopular?
O país está acostumado a anos de medidas populistas. Políticas como o teto de gastos e a reforma trabalhista têm uma primeira reação de baixa aprovação, porque não são populistas.

Quando o resultado ficar evidente, vai haver oportunidade para um candidato mostrar que o crescimento e a renda vêm das reformas. Essa posição pode prevalecer se alguém com credibilidade defender que esse é o legado.

No Datafolha subiu o percentual daqueles que acham que a inflação vai piorar e só 27% acham que a situação econômica vai melhorar. Quando a população sentirá no bolso que a situação melhorou?
Na saída de uma recessão grave, a percepção de melhora da economia é gradual. Aumentará aos poucos a percepção que o desemprego está caindo, que as empresas estão contratando. Isso gera confiança, reduz o medo de perder o emprego.

Esse processo vai refletir-se num Natal muito melhor do que nos últimos anos. No início de 2018 ficará mais clara a retomada do crescimento e o aumento da sensação de bem-estar.

Sem a reforma da Previdência voltaremos à recessão. Se ela não passar no Congresso, o sr. acha possível defender seu legado para os eleitores?
Se não passar, vamos enfrentar consequências. Não estamos discutindo se vai haver reforma, estamos discutindo quando vai haver. Se não fizer esse ano, vai ter que fazer no início de 2018. Se não, vai ser em 2019. É inevitável.

O sr. prefere fazer a reforma da Previdência agora ou como presidente?
Acredito que o momento é agora. Para qualquer candidato, inclusive aqueles que se opõem a ela, assumir um governo e enfrentar como primeiro desafio a reforma da Previdência, não é bom início.

É possível ceder aos pontos que o PSDB apresentou? O partido entregará todos os votos se isso ocorrer?
Não quero ter a pretensão de entender o PSDB. As propostas de uma das lideranças do PSDB trazem diminuição dos benefícios fiscais em dez anos em mais de R$ 100 bilhões, têm custo enorme e enfraquecem a reforma.

O governo está negociando um novo Refis para micro e pequenas empresas, o Funrual e outras medidas em troca de votos para a reforma. Existe espaço fiscal para isso?
Há necessidade de aprovação no Congresso, dessas e de outras medidas, como a tributação de fundos exclusivos, o adiamento do reajuste dos servidores públicos… Tudo tem que ser objeto de negociação.

O governo admite descumprir a meta fiscal para aprovar a reforma da Previdência?
A posição é de estrito cumprimento da meta.

Ser candidato do governo significa ter apoio do centrão, grupo que ganhou força com Eduardo Cunha [PMDB-RJ]. Não é incômodo?
É uma forma simplificada de definir aqueles que estão fora da polaridade histórica de PT e PSDB. Agora surgiu uma novidade, uma extrema direita, que não deve prevalecer. Existe uma série de partidos que não fazem parte desses dois polos e têm posições doutrinárias, como DEM e PSD.

O presidente do seu partido [PSD], Gilberto Kassab, quer ser vice na chapa do PSDB ao governo de SP. O sr. descarta trocar de legenda?
Kassab tem expressado apoio à hipótese de uma candidatura minha. Até fevereiro, teremos oportunidade de discutir o assunto e ver até que ponto são compatíveis esses dois projetos.

Temer gosta da ideia de uma chapa Meirelles-Maia. E o sr.?
Maia é um quadro político excepcional, tem um futuro enorme pela frente e não tenho dúvida de que será um nome extraordinário para qualquer chapa ou posição que optar por disputar.

O sr. está dizendo então que ele tem musculatura para disputar mais que uma reeleição a deputado federal?
Toda trajetória tem o momento certo e um dos segredos do sucesso na política é o momento adequado de tomar a decisão. Ele [Maia] está avaliando.

Acho que o mundo não acaba em 2018, nem o país. Temos, principalmente para alguém tão jovem, uma trajetória de caminho aberto para posições importantes. Para alguém na posição dele, 2018 é um ponto na caminhada, não o final.

O sr., portanto, não descarta ser o candidato do governo?
Não. Se a decisão [de ser candidato] for positiva, defenderei o legado deste governo, do qual sou parte.

O sr. prestou consultoria ao grupo J&F. Isso não pode ser usado contra o sr. em uma campanha?
Isso sempre pode ser usado contra mim, mas também contra outros candidatos existem pontos que podem ser usados.

Quem entra numa campanha tem que ter segurança. Tenho uma carreira no setor privado diversificada, não é uma ligação especial com determinado grupo. Não existia nenhum relacionamento [meu] de ordem política ou conhecimento das operações do grupo. Em nenhuma delação fui mencionado, a não ser quando houve aquela reclamação [de Joesley Batista a Michel Temer em conversa gravada no Jaburu] de que eu era duro, não aceitava nada.

RAIO-X

Nome Henrique de Campos Meirelles
Nascimento Anápolis (GO), em 31 de agosto de 1945
Formação Engenharia civil na Escola Politécnica da USP
Carreira Ministro da Fazenda desde 12.mai.2016, foi presidente mundial do BankBoston, do Banco Central (2003-2010) e do conselho de administração da J&F

A espantosa economia da comunista Manuela D’Ávila 2

por Eden Jr.*

Faltando aproximadamente 10 meses para o primeiro turno da eleição presidencial de 2018 é natural que haja um incremento na curiosidade a respeito das propostas econômicas dos principais postulantes ao Planalto. Não que os pré-candidatos devam, necessariamente, compreender perfeitamente as mais sofisticadas questões econômicas. Porém, o eleitorado quer, até mesmo para poder se posicionar, saber o que pensam os pleiteantes sobre temas relevantes da área, e que impactam diretamente em suas vidas. A Reforma da Previdência é mesmo necessária? O ajuste fiscal deve continuar? O Banco Central será independente ou permanecerá autônomo? A Reforma Trabalhista será revista? Haverá uma nova rodada de privatizações? A Reforma Tributária saíra do papel? A responsabilidade fiscal é um princípio inabalável?

A mais nova pré-candidata à Presidência da República, a deputada estadual Manuela D’Ávila (PC do B/RS), em seu discurso proferido no último dia 19 em Brasília, durante o 14° Congresso do Partido Comunista, por óbvio, também abordou diversas questões econômicas. Porém, passaram quase incólumes as controvertidas afirmações da parlamentar gaúcha. Em discurso lido, portanto, sem improvisar, a presidenciável comunista colocou a toda prova princípios da economia.
Manuela falou de um tal tripé macroeconômico (juros, câmbio e inflação) que deve ser gerido e ter “como lógica o desenvolvimento do país e não os interesses do rentismo”. Aqui dois problemas. O primeiro é que o tripé macroeconômico brasileiro, que foi implantado em 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso, está assentado sobre três parâmetros: câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário. E o segundo, é desprezar o fato de que, enquanto este tripé foi respeitado, vivemos satisfatórias taxas de crescimento, com inflação controlada. Somente com o desmonte do tripé, na transição do governo Lula para o de Dilma Rousseff, é que mergulhamos numa crise inédita, que associou alta inflacionária, profunda recessão, descontrole das contas públicas e desemprego gigantesco.

A política fiscal de Manuela é esquizofrênica. Tomara que neste quesito não queira pedir conselhos para o seu conterrâneo, o petista Arno Augustin, ex-secretário do Tesouro Nacional, que com suas “pedaladas fiscais” levou o país ao precipício, forneceu o argumento jurídico para o impeachment de 2016 e foi inabilitado, pelo TCU, para exercer funções públicas por oito anos. A deputada esconjura a Emenda Constitucional n° 95/2016 (limitou o crescimento desenfreado dos gastos públicos), ao mesmo tempo em que propõe corte de gastos públicos – para fazer investimentos – e defende a criação de ministério para cuidar da segurança – ação que amplia gastos.
Sobre os investimentos públicos, o IPEA projeta que, desde 2003, este será o pior ano para eles, que alcançarão apenas cerca de 0,4% do PIB. Também é crítica recorrente, que os cortes de despesas recaem sistematicamente sobre os investimentos, pois os recursos estão largamente comprometidos com despesas obrigatórias (previdência e pessoal). Se sentar na cadeira presidencial, Manuela se deparará com um orçamento de cerca de R$ 1,4 trilhão (quase 90% engessado) e verá que para ampliar investimentos, provavelmente terá que cortar outras despesas.

Manuela propugna que “governo comprometido com o desenvolvimento, pode escolher alguns setores industriais para realizar uma política consciente de substituição de importações”. Espera-se que não seja uma reedição da malfadada “política dos campeões nacionais”, que solveu dezenas de bilhões de reais do BNDES para criar, discricionariamente, empresas brasileiras globais, e produziu poucos resultados práticos.

A candidata fala em “juros baixos, que incentivem o investimento produtivo e tornem o crédito barato”. A dificuldade aqui, é que sua aliada, Dilma Rousseff, também entendia que podia baixar os juros “na marra”, sem observar as condições apropriadas. Dilma saiu do governo e nos deixou a mais alta taxa de juros real do mundo.

No melhor estilo Dilma Rousseff, para quem “gasto público é vida”, a camarada Manuela afirmou que no Maranhão “metade da folha do funcionalismo é destinada aos educadores”. Como se a dimensão do gasto público, por si só, e não a eficiência desse, pudesse promover uma revolução educacional. Contudo, consultando-se o portal de transparência do estado, verifica-se que em 2016, dos R$ 4,453 bilhões aplicados em despesa com pessoal (exclusive aposentadorias), R$ 1,789 bilhões (40%) – na melhor das hipóteses – foram para educação (Fundação Nice Lobão, Secretaria de Educação e UEMA). Em 2017, com dados até novembro, esse índice até recuou, para 38%.
Talvez na revelação mais desconexa de seu discurso, a comunista asseverou que “o Brasil pode diminuir o déficit da balança comercial, se investir na indústria da saúde”. Acontece que o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) informa que a balança comercial brasileira teve superávit de US$ 5,2 bilhões em outubro, o melhor resultado para esse mês em toda a série histórica iniciada em 1989. Aliás, segundo o MDIC, neste ano a nossa balança comercial está superavitária em US$ 58,5 bilhões, bem como foi positiva em 2016 (US$ 47,6 bilhões) e em 2015 (US$ 19,6 bilhões).

Talvez Manuela devesse seguir os passos do “velho outsider”, Jair Bolsonaro, que para evitar seguidos constrangimentos, está tendo lições de economia com um time de especialistas liderado pelo pesquisador do IPEA, Adolfo Sachsida.

*Economista – Mestre em Economia (edenjr@edenjr.com.br)

A importância do João Doria para o debate sobre o país

Nesse sentido, não há como desconhecer que o prefeito paulistano pauta alguns temas essenciais que dão mais e melhor qualidade no debate do processo político nacional, até porque é gestor da maior e mais rica cidade brasileira

Adianto que não sou fã, admirador, ou coisa o valha, do prefeito de São Paulo, João Doria Júnior (PSDB). Pelo contrário, sou avesso ao seu estilo exibicionista e excessivamente midiático.

Mas, claro, não sou idiota para desconhecer as competências e a importância que o tucano tem para o debate sobre o país.

O grande mérito de Doria é não esconder as suas posições e concepções sobre a política, economia, partido, sociedade e papel do Estado. Ele é o que se pode chamar de um ativista da “direita liberal”. Daí a sua crítica contundente às esquerdas em geral.

João Doria acredita na força do capital privado e nos mecanismos de mercado enquanto motores da economia. Quase não fala em Estado, pois não confia neste ente público como ator protagonista nas melhorias socioeconômicas.

Outra questão fundamental é que Doria vem de “fora” da política, aquilo que convencionou-se chamar de outsider.

E o que isso quer dizer? Explico.

Por não ser um, digamos, “político profissional”, o tucano acaba forçando os atores políticos tradicionais e reverem algumas práticas e conceitos, principalmente no que diz respeito à gestão pública com mais resultados e menos discurso, o famoso “gogó”, muito em voga no Maranhão, aliás.

Nesse sentido, não há como desconhecer que o prefeito paulistano pauta alguns temas essenciais que dão mais e melhor qualidade no debate do processo político nacional, até porque é gestor da maior e mais rica cidade brasileira.

São por estas e outras coisas que o prefeito João Doria Júnior é importante para o debate sobre o país.

Goste-se ou não do tucano.

Mais uma vez Roberto Rocha mostra para que serve um senador 18

O senador levou prefeitos para audiência com o presidente Michel Temer para discutir divisão do CFEM

Liderados pelo senador Roberto Rocha (PSDB-MA), uma comitiva de prefeitos da região Oeste do Maranhão foi recebida nesta quarta-feira (29), pelo presidente da República Michel Temer, para tratar da sanção da Medida Provisória 789/2017, que aumenta a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) aos municípios cortados pela Estrada de Ferro Carajás. 23 municípios maranhenses podem ser beneficiados com a emenda aprovada do senador Roberto Rocha (PSDB-MA), que reajusta para 15% os royalties para as cidades que hoje são corredores de escoamento de minérios de ferro.

“Viemos conversar com o presidente Temer para que ele tenha conhecimento da realidade e da importância para que essa matéria não seja vetada. No total serão aproximadamente R$ 45 milhões mensais, repartidos de acordo com critério população e extensão da rodovia nos municípios. Recursos que podem ser utilizados para minimizar os impactos ambientais causados pelo transporte do minério e também no cuidado com a saúde das pessoas que respiram diariamente o pó do minério, podendo causar problemas respiratórios sérios, sobretudo nas crianças e nas pessoas mais idosas”, afirmou Roberto Rocha.

A presidente do Consórcio Intermunicipal Multimodal (CIM) e prefeita da cidade de Vila Nova dos Martirios, Karla Batista, está confiante de que a emenda do senador não será vetada pelo presidente. De acordo com ela, há muitos anos, os municípios aguardam por uma compensação mais justa e isso não pode ser vetado e nem judicializado. “Depois de 32 anos, enfim, haverá uma compensação para os municípios que são impactados pelo minério. Aqui é uma luta do Maranhão, suprapartidária dos nossos deputados federais e dos senadores, especialmente Roberto Rocha, que foi fundamental nessa nossa empreitada para que tudo desse certo”, disse.

De acordo com a Medida Provisória 789, aprovada na semana passada no Senado, os municípios contemplados terão 15% sobre os 3% do faturamento bruto sobre a exploração de minério de ferro. Conforme a nova divisão dos recursos provenientes da CFEM, 60% ficarão com os Municípios produtores, 15% com os Estados, 10% com a União e 15% com Municípios que são corredores de escoamento.

“Ao reajustar a alíquota para 15%, as cidades beneficiadas terão melhores condições de investir os recursos em outras atividades, movimentando a economia local, e diminuindo a sua dependência de royalties do minério. Estamos falando de uma população de quase dois milhões de habitantes”, salientou Roberto Rocha.

CONFIRA A RELAÇÃO DOS MUNICÍPIOS DO MARANHÃO CONTEMPLADOS:

1. Açailândia, 2. Alto Alegre do Pindaré, 3. Anajatuba, 4. Arari,5. Bacabeira.6. Bom Jardim, 7. Bom Jesus das Selvas, 8. Buriticupu, 9. Cidelândia, 10. Igarapé do Meio, 11. Itapecuru Mirim, 12. Itinga do Maranhão, 13. Miranda do Norte, 14. Monção, 15. Pindaré-Mirim, 16. Santa Inês, 17. Santa Rita, 18. Santa Rita, 19. São Francisco do Brejão, 20. São Pedro da Água Branca, 21. Tufilândia, 22. Vila Nova do Martírios, 23. Vitória do Mearim.

GOVERNO FLÁVIO DINO: A mudança que não veio 8

Flávio Dino revelou-se apenas mais um político como outro qualquer que o antecedeu, e, em alguns aspectos, até pior. Basta comparar!

Um governo mudancista a gente vê na prática, de forma real e concreta. Os resultados são percebidos a olhos nus sem precisar de muito tempo para que a cidadania sinta que realmente vive novos tempos.

O Ceará é um bom exemplo para entendermos isso.

Não precisou de décadas para que os cearenses percebessem que algo de novo estava acontecendo no estado lá pelos idos dos anos 90. Logo nos primeiros anos de governo Tasso Jereissati (PSDB) era possível perceber as mudanças socioeconômicas em curso, sem falar que o governador não perdia tempo culpando governos passados todo santo dia.

O próprio Maranhão de 1966, com o governo José Sarney, viveu talvez um dos seus melhores momentos em termos de execução de projetos e obras estruturantes tocados por diversas mentes brilhantes, inclusive algumas que estavam fora do estado e foram chamados pelo então governador para ajudar na construção de um “Maranhão Novo”.

No Brasil, mais recentemente, também viu-se os governos do PSDB e do PT implementarem mudança significativas e históricas que melhoraram a vida dos brasileiros em vários setores. Ou seja, os tucano fizeram uma espécie de “revolução burguesa” para em seguida, já o país com bases econômicas sólidas, os petistas fizessem o Brasil dar um grandioso salto na área social durante a era Lula/Dilma.

Já no governo Flávio Dino não é possível ver qualquer traço significativo de mudança, pelo contrário, trata-se de uma gestão tímida, nada de ousado, criativo ou empreendedor. Até mesmo a forma de atrair aliados políticos para a sua base é no do “jeito passado”, se não pior e menos republicano.

O fato é que não há qualquer projeto estratégico de longo prazo de governo, e muito menos de Estado, gerido pelos comunistas.

Nesse sentido, Flávio Dino mostrou-se apenas mais um político como outro qualquer que o antecedeu, e, repito, em alguns aspectos até pior. Basta comparar!

Enfim, o governador maranhense é do tipo de político que ao invés de pensar nas futuras gerações só pensa nas próximas eleições…

Conheça as 10 melhores cidades para empreender no Brasil. São Luis ficou na 29ª posição

São Paulo (SP) continua na liderança, seguida por Florianópolis (SC) e Vitória (ES). Na lanterna estão Manuas (AM), Macéio (AL), Campo Grande (MS) e São Luis (MA).

São Paulo é a cidade que reúne as melhores condições para abertura de empresas ou expansão de negócios no país. Seguida de perto por Florianópolis (SC), a capital paulista lidera pelo terceiro ano consecutivo o Índice de Cidades Empreendedoras – ICE 2017, elaborado pela Endeavor, cujos dados foram antecipados para o Valor.

Nesta quarta edição do ICE foram analisadas 32 cidades brasileiras, que variam consideravelmente entre si: a cidade de São Paulo, por exemplo, tem mais de 11 milhões de habitantes, enquanto Blumenau, Vitória e Maringá possuem menos de 400 mil moradores.

Para reduzir a distorção, causada pelo tamanho da população ou da economia das cidades, grande parte dos dados utilizados na análise foram ajustados para refletir o desempenho proporcional das cidades em cada indicador. Os indicadores foram calculados de maneira cuidadosa e em função da natureza do dado. Em geral, apresenta-se o desempenho das cidades em cada indicador pelo número total de empresas da cidade, população ou PIB, dentre outros exemplos.

Paraná tem 3 cidades entre as melhores do país para empreender. Duas estão no top 10

Curitiba voltou a figurar no ranking. A capital paranaense subiu 11 posições, e saltou do 15.º (em 2016) para a 4.ª colocação, no ranking deste ano (2017). Os dados da pesquisa (que será lançada em um congresso de prefeitos, no próximo dia 27) foram publicado pelo jornal Valor Econômico, na edição desta sexta-feira (24).

Lanterna. Entre as piores cidades para se empreender no Brasil, Manaus (AM) perdeu quatro posições no ranking geral desde o ano passado e ficou na 32ª posição, a última da pesquisa da Endeavor. Já Macéio (AL) avançou uma posição ficando em penúltimo. Campo Grande (MS) e São Luís (MA) aparecem em 30º e 29º no ranking, respectivamente. Ambas ganharam uma posição em relação a 2016. Belém (PA) completa a lista das cinco piores cidades, conforme o levantamento, no 28º lugar depois de perder duas posições.

Confira as 10 melhores cidades do Brasil para empreender:

1.º São Paulo

Índice: 8,49

Posição 2016: 1.ª colocada

Posição 2015: 1.ª colocada

2.º Florianópolis

Índice: 8,18

Posição 2016: 2.ª colocada

Posição 2015: 2.ª colocada

3.º Vitória

Índice: 7,31

Posição 2016: 5.ª colocada

Posição 2015: 3.ª colocada

4.º Curitiba

Índice: 7,12

Posição 2016: 15.ª colocada

Posição 2015: 8.ª colocada

5.º Joinville

Índice: 7,01

Posição 2016: 4.ª colocada

Posição 2015: 9.ª colocada

6.º Rio de Janeiro

Índice: 6,73

Posição 2016: 14.ª colocada

Posição 2015: 10.ª colocada

7.º Campinas

Índice: 6,73

Posição 2016: 3.ª colocada

Posição 2015: 5.ª colocada

8.º Maringá

Maringá

Índice: 6,62

Posição 2016: 9.ª colocada

Posição 2015: 11.ª colocada

9.º Belo Horizonte

Índice: 6,62

Posição 2016: 11.ª colocada

Posição 2015: 12.ª colocada

10.º São José dos Campos

Índice: 6,51

Posição 2016: 6.ª colocada

Posição 2015: 6.ª colocad

(Fontes: Valor Econômico e Endeavor)

Fomos ingênuos em crer no Vale do Silício, diz historiador Niall Ferguson 2

O professor e historiador escocês Niall Ferguson participará do Fronteiras do Pensamento em São Paulo

NELSON DE SÁ
VIA FOLHA DE SÃO PAULO

O historiador escocês Niall Ferguson, autor de “Civilização” (ed. Planeta, 2013, publicado originalmente em 2011), diz que o Brasil deve esperar em 2018 “uma repetição do que aconteceu nos EUA em 2016, quando a mídia social teve papel decisivo na eleição de Donald Trump”.

Para ele, “a promessa do Vale do Silício era que as redes sociais gigantes fariam o mundo melhor”, mas o que produziram foi “polarização, ‘fake news’ e visões extremistas”. Empresas como Facebook e Google “têm como prioridade gerar receita de publicidade, não fazer do mundo um lugar melhor”, diz.

Ferguson, 53, faz palestra nesta terça em São Paulo, às 20h30, no ciclo Fronteiras do Pensamento, com ingressos esgotados. A seguir, trechos de entrevista realizada por telefone, na segunda (27).

Folha – Num ensaio recente na revista “Foreign Affairs”, o sr. escreve sobre a “falsa profecia da hiperconectividade” e os impactos políticos das redes sociais. Quais são eles? O sr. poderia resumir a crítica do que chama de “visões messiânicas” espalhadas pelo Vale do Silício?

Niall Ferguson – A promessa do Vale do Silício era que as redes sociais gigantes on-line fariam o mundo melhor. Nós todos seríamos “netizens” [cidadãos da internet] igualmente conectados, igualmente capazes de publicar, igualmente capazes de confrontar o poder. Mas não saiu bem assim. E eu acredito que era previsível que não sairia.

Previsível?

Ainda que só soubesse um pouco de história e de ciência das redes, você podia ver que criar redes gigantes não produziria uma “comunidade global”, como diz a frase de Mark Zuckerberg [presidente do Facebook]. Que mais provavelmente produziria polarização, “fake news” [notícias falsas ], visões extremistas e outros problemas que se tornaram muito evidentes na eleição dos EUA no ano passado. Aquele tipo de problema era inerente ao projeto de redes sociais gigantes on-line, e fomos ingênuos de acreditar no que o Vale do Silício nos falou. Afinal, empresas como Facebook e Google têm como prioridade gerar receita de publicidade, não fazer do mundo um lugar melhor.

O sr. está no Brasil, que era festejado como um gigante que acordava e agora está submerso numa crise política e econômica sem fim, com a sombra da direita radical crescendo dia a dia. Quais são as suas ideias sobre este país?

Bem, sempre sou cuidadoso ao comentar países que estou visitando brevemente. Professores de Stanford e Harvard têm uma tendência de presumir que sabem mais sobre os países do que as pessoas que moram neles. Portanto, com a humildade necessária, deixe-me responder o seguinte:

Primeiro, eu acredito que a crise da classe política do Brasil é característica do nosso tempo, que não é, de modo nenhum, limitada à América Latina. Uma consequência da maior transparência trazida pela internet foi expor corrupção no hemisfério Norte assim como no Sul e estimular a frustração popular com os establishments políticos. Estamos vendo um fenômeno global, e o Brasil é um entre muitos países onde isso está ocorrendo.

Em segundo lugar, as dificuldades econômicas do Brasil provêm muito claramente daquela grande queda nos mercados de commodities, que aconteceu na segunda fase da crise financeira e parou com a festa econômica que estava acontecendo neste país. Acredito que isso [queda do preço das commodities] em grande parte passou, e estamos vendo fluxos tremendos de dinheiro para a América Latina no espaço do último ano. Portanto, minha sensação é que a crise econômica está chegando ao fim, mas a crise política, não.

O que pode advir disso?

É o ponto final que eu levantaria: nas eleições do ano que vem, os brasileiros vão encarar algumas grandes escolhas, e você já citou o fato de que há um candidato populista da direita radical. O que nós todos devemos esperar, e eu penso que isso se aplica também à eleição mexicana [em julho de 2018], é uma repetição do que aconteceu nos EUA no ano passado —quando a mídia social teve um papel decisivo na eleição de Donald Trump. Devemos esperar que Facebook e outras plataformas de mídia social tenham um papel muito maior do que antes. E o candidato que compreender melhor como usar essas plataformas terá uma chance muito forte de vencer.

O sr. vem alertando para um novo “crash” financeiro, dizendo que as luzes vermelhas estão se acendendo, como antes da crise econômica de 2008. Quais são essas luzes, o que anunciam? É possível evitar o que está a caminho?

Bom, não há como evitar crises financeiras, elas são parte recorrente da história. A ideia de uma economia mundial sem crises é ilusória. O que me deixa preocupado no momento é que estamos vendo, depois de quase dez anos de medidas extraordinárias de política monetária, uma mudança na postura dos grandes bancos centrais —começando com o Federal Reserve [nos EUA] e o Banco da Inglaterra, mas também com sinais do Banco Central Europeu e do Banco do Japão. Para usar a palavra favorita dos bancos centrais, “normalização”.

Não acredito que você possa ter juros em alta e balanço do Fed [os títulos de dívida que o banco recomprou ao longo da crise] em queda, sem consequências para a economia como um todo —dado que não só domicílios mas muitas outras entidades, inclusive governos, ainda estão muito endividados, pois não houve maior desalavancagem desde a crise; e dado que a inflação se recusa a voltar, nas economias desenvolvidas. Assim, você vê previsões de aumento de juros, mas pouco sinal de que a inflação vá subir. Ter juros reais maiores, endividando mais os domicílios e outras entidades, é uma perspectiva assustadora.

O que está levando a isso?

Os banqueiros centrais estão usando modelos ultrapassados de funcionamento da economia, que realmente surgiram na metade do século 20. Eles ficam procurando inflação e esperando a Curva Phillips [relação inversa entre inflação e desemprego], perdida há muito tempo, quando na verdade este é um mundo muito deflacionário, por causa da tecnologia. Tudo está ficando mais barato, e o trabalho está sendo cada vez mais substituído por robôs. A combinação de alta de juros e um mundo estruturalmente deflacionário deve acabar com a festa que vêm acontecendo nos mercados de ações, em algum momento do próximo ano, estimo.

Neste domingo, no “Sunday Times”, o sr. escreveu que estamos passando por uma nova revolução moral vitoriana, com o movimento #metoo sendo parte disso. É uma mudança tão grande assim?

Há uma grande mudança, no sentido de que o comportamento que era tolerado há muito tempo, em Hollywood, na cidade de Nova York, naquilo que poderíamos chamar de elite liberal, está sob escrutínio muito mais severo. O que começou com [o produtor] Harvey Weinstein fez aparecer, em poucas semanas, quase 40 casos de assédio por figuras públicas, inclusive o senador [democrata] Al Franken. E não vejo sinal de que esse processo de revelações vá parar. Para a maioria, as regras de combate entre homens e mulheres, no ambiente de trabalho, vêm mudando gradualmente, ao longo de anos. Agora percebemos que essa mudança não havia ocorrido no topo, seja em Wall Street ou em Hollywood.

Minha preocupação é que essas revoluções em conduta têm uma propensão ao exagero, o que pode ser uma das consequências do movimento #metoo [de mulheres que relatam assédio]. Quando o “New York Times” publica um artigo de opinião que sugere que todos os homens são estupradores, estamos numa quadra muito ruim, porque é sem sentido e se torna uma espécie de sexismo reverso, dirigido contra os homens.

O sr. é supostamente o modelo de Irwin, o professor da peça “The History Boys”, de 2004 [lançada como filme em 2006, “Fazendo História”]. O sr. se viu nele? Gostou da peça de Alan Bennett?

Bennett diz no programa e nos seus diários que eu fui o modelo para o personagem. Mas foi um choque para mim, quando fui ver a primeira montagem, em Londres, porque não sabia até ler o programa que estava envolvido.

Acho que o personagem de Irwin, na primeira metade, tem algumas características de Ferguson. Ele encoraja seus estudantes a escrever e pensar o contraditório, a questionar a visão estabelecida e a tornar seus ensaios históricos interessantes. Ele também encoraja seus estudantes a sobressaírem, quer que todos entrem para Oxford ou Cambridge. Eu certamente consigo me identificar com tudo isso, sempre encorajei meus alunos a ir contra a visão convencional e a aspirar por excelência. Mas, talvez você se lembre que, na segunda metade, Irwin tem uma espécie de crise pessoal e acho que se revela gay. Bem, aí a semelhança acaba.

O que o sr. vai abordar, aqui?

Estou dando uma palestra [no Fronteiras do Pensamento] intitulada “A Civilização Ocidental Acabou?”.

E qual é a sua resposta?

Eu acho que vai mal. No meu livro “Civilização”, escrevi que há seis instituições e ideias que tornaram o Ocidente grande e o fizeram dominante nos séculos 18, 19 e 20. Agora aquelas ideias e instituições são praticamente globais, não mais monopólio de europeus e norte-americanos. Mas, de maneira preocupante, as instituições que eram tão centrais para o sucesso do Ocidente parecem estar em declínio.

Em “A Grande Degeneração [ed. Planeta, 2013], defendi que, se você olhar para as finanças públicas, a regulação, o estado de direito e a sociedade civil, as coisas estavam indo mal para os EUA. Isso foi publicado há quase cinco anos, e as coisas estão piores hoje. O governo Trump se comprometeu a melhorar o problema da regulação excessiva e possivelmente do estado de direito, mas nas finanças públicas e na sociedade civil o quadro está piorando.

O déficit só vai crescer, com o novo projeto tributário republicano, e eu vejo, na sociedade civil, uma grave deterioração, em grande parte por causa das redes sociais, o que nos leva ao início da nossa conversa.

Isso já estava em “Degeneração”?

O que não previ, cinco anos atrás, foi que Facebook, Twitter e os demais polarizariam a discussão política de maneira tão extrema, a ponto de estarmos nos tornando uma espécie de sociedade incivil [grosseira] em que as pessoas são estimuladas a serem abusivas em seus debates on-line. A civilização ocidental está se tornando bastante incivilizada, pelo menos julgando pelas coisas que as pessoas escrevem on-line.

Como usar a influência para abrir portas

Influência não é fazer com que as pessoas façam o que você quer porque você tem superioridade moral. Influência é saber conquistar o apoio das pessoas

Daniel Goleman, via administradores.com.br

Você acredita que precisa estar em uma posição de poder para ter influência?

Pense novamente.

Embora seja verdade que executivos têm influência, não ache que você precisa chegar até uma posição de diretoria para poder ser influente. Independentemente da sua posição, você pode ter um efeito poderoso sobre aqueles que estão à sua volta, se não a organização completa.

A Influência é uma das doze Competências de Liderança de Inteligência Emocional e Social no modelo que desenvolvi com Richard Boyatzis. A competência da Influência refere-se à capacidade de ter um impacto positivo sobre os outros, persuadi-los, convencê-los, ou obter o seu apoio. Com a competência Influência, você conquista a aceitação de pessoas-chave.

É importante notar que a influência não é fazer com que as pessoas façam o que você quer porque você tem superioridade moral. Se suas ideias são ruins ou prejudicam as pessoas, então seus esforços serão menos convincentes. Mas se suas ideias são fortes, podem ser benéficas ou têm o potencial de serem aceitas, então a influência irá ajudá-lo a mobilizar os recursos necessários para que as coisas aconteçam.

O que é preciso para ter Influência?

Como muitas competências da IE, a Influência requer o uso habilidoso de outras competências. A Autoconsciência Emocional e o Autocontrole Emocional ajudam a evitar que você avance de forma prematura e busque seu objetivo sem entender plenamente o ponto de vista daqueles que serão afetados por suas decisões. Com tal consciência e controle, você sabe como seus sentimentos afetam suas ações e então pode escolher melhor como possibilitar seus objetivos. A Empatia e a Consciência Organizacional também são fundamentais para o desenvolvimento da Influência. São formas de consciência social, uma a nível individual, a outra no nível organizacional. A Empatia começa quando você escuta o outro para entender melhor suas preocupações. Quanto à consciência organizacional, para ser influente em qualquer grupo ou organização preciso conhecê-lo bem. Isso requer não apenas escutar, mas uma observação ativa, uma conscientização de sistemas e estar aberto a diferentes perspectivas.

Como a Influência funciona na prática

Em “Influence: A Primer”, a nova publicação da qual sou co-autor com o Dr. Boyatzis, Peter Senge e outros colegas, compartilhei a história de alguém que fazia uso da competência Influência para alcançar seus objetivos. Aqui está a história:

Um engenheiro hídrico de um país africano trabalhava para uma empresa global de energia. Ele sempre pensava em sua cidade natal, onde havia secas repetidas. O país sofria com crises de falta de água constantemente. Os poços que eram perfurados não eram suficientemente profundos, e nem todas as aldeias tinham poços. Ele pensou que seu empregador poderia criar uma divisão que ajudaria países como o seu com gerenciamento de água, mas não era provável que essa ideia ganhasse força dentro da empresa, a menos que houvesse uma maneira de produzir uma receita significativa.

O engenheiro passou muito tempo pensando sobre como poderia apresentar isso aos líderes de sua organização de uma forma que fosse atraente. Primeiro, ele foi de pessoa a pessoa em sua empresa, explicando sua visão e como fazê-la funcionar. Em cada conversa, sua tarefa era a influência, persuadir cada pessoa de que sua visão criativa era útil para a empresa e a coisa certa a fazer.

Ele pediu opiniões a seus colegas sobre como apresentar essa ideia aos executivos da empresa e recebeu comentários valiosos. Em seguida, passou algum tempo falando com os membros da comunidade que mais se beneficiariam com as melhorias de engenharia nas aldeias. Ele aprendeu que o ganho econômico poderia ser obtido porque os agricultores aumentariam suas produções, a economia local prosperaria e a empresa de energia seria vista com bons olhos por ajudar a fazer isso acontecer.

Finalmente, o engenheiro usou todos os comentários e ideias para montar uma apresentação bem elaborada para os principais diretores de sua empresa. Ele propôs uma maneira que faria com que a empresa recuperasse seu investimento e ainda ficasse com uma imagem muito positiva, agradando tanto a acionistas como a pequenos agricultores. Ele antecipou todas as possíveis perguntas que eles poderiam ter e preparou respostas com antecedência, até mesmo elaborando alguns planos de engenharia. Ele foi paciente, motivado, atencioso, e o mais importante: ouviu todas as partes interessadas de forma a fazer com que todos acreditassem que sua ideia era uma vitória para todos. Como resultado, a empresa decidiu começar uma divisão exatamente como ele havia imaginado.

O engenheiro exibiu um alto nível de Influência em ação. Ele não tentou simplesmente compartilhar sua ideia assim que pensou no assunto, quando seria algo mal planejado, com pouca pesquisa ou apoio. Em vez disso, ele tirou um tempo para considerar as perspectivas dos interessados e tomadores de decisão para apresentar a ideia de forma que considerasse os objetivos de cada grupo. E assim convenceu todos.

A Influência nos permite conquistar a aceitação dos outros o suficiente para tornar nossos sonhos reais.

Que ideia você traria à luz – com a dose certa de Influência?