A Europa renasce

Por Eden Jr.*

Já em meados de agosto do ano passado, a Comissão Europeia (braço executivo da União Europeia que propõe legislação, acordos políticos e promove a entidade), em comunicado, lançou o prenúncio de que a longa e dolorosa crise econômica e social que abalou o bloco de 28 países – bem como boa parte do mundo – iniciada há 10 anos e detonada pela quebra do banco americano Lehman Brothers, havia chegado ao final.

Na ocasião, a Comissão indicava que a União Europeia crescia pelo quinto ano consecutivo, depois de enfrentar a pior recessão de sua história. Medidas como: regulação do setor financeiro; apoio aos países com problemas de caixa; ajustes para melhorar as finanças públicas dos Estados-Membros e estímulos aos investimentos – para combater o desemprego dos jovens – haviam alcançado o resultado pretendido. O desemprego encontrava-se no nível mais baixo desde 2008, os bancos eram considerados mais sólidos, as contas públicas estavam se ajustando e o investimentos aumentavam.

Agora, no final de janeiro a boa nova foi confirmada. O Escritório Estatístico das Comunidades Europeias (Eurostat), divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) da Zona do Euro – o grupo de 19 nações da União Europeia que adotam o euro como moeda –  elevou-se 2,5% em 2017, o melhor desempenho desde 2007, quando a expansão foi de 3%. Foi o quarto ano consecutivo de incremento na região, dado que demostra que a recuperação é consistente. Dessa vez os propulsores do avanço foram a indústria, o comércio e os investimentos. Outro indicador que comprova a uniformidade da retomada é o crescimento de vários países: Espanha (2,5%), Portugal (2,1%), Itália (1,3%), França (1,7%), e até mesmo a Grécia (1,6%) – severamente abalada pelo descontrole de suas contas públicas e que se tornou um reiterado sinal de alerta para o Brasil, que também enfrenta forte desarranjo fiscal.

A Espanha poderá enfrentar alguns percalços em sua recuperação, dado os problemas internos advindos da tentativa de separação da Catalunha. Situação ainda não totalmente resolvida e que provoca muita instabilidade e incerteza, em razão da relevância econômica que a região tem, pois representa aproximadamente 20% do PIB espanhol.

O consumo sofreu elevação em virtude da queda do desemprego – a maior chaga da crise – e desde 2013 foram gerados cerca de 7 milhões de vagas, sendo que o nível de desocupação recuou de 9,6% para 8,7%, de 2016 para 2017. Contudo, a taxa de desemprego ainda é heterogênea na região. Alemanha e Holanda estão praticamente em situação de “pleno emprego”, com desemprego de 3,6% e 4,4%, enquanto que Grécia, com 20,5%, e Espanha, com 16,7%, ainda sentem agudamente o drama social da escassez de postos de trabalho.

Corroborando as expectativas auspiciosas para o “Velho Continente”, o Fundo Monetário Internacional (FMI) atualizou – durante o Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente no mês de janeiro em Davos, na Suíça – suas estimativas para o comportamento da economia mundial para o biênio 2018/2019. Segundo a entidade, a Zona do Euro crescerá 2,2% este ano e 2% em 2019, prognóstico melhor, inclusive, que o traçado para o Brasil, que de acordo com o Fundo avançará 1,9% e 2,1% nos dois anos.

A crise das dívidas de nações como Grécia, Portugal e Irlanda deram o tom do precipício europeu. Todavia, depois de socorros financeiros vindos do FMI e da própria União Europeia, que em contrapartida exigiram remédios amargos (que geraram cortes nos sistemas de aposentadorias, demissões de servidores públicos e privatizações) o esforço começa a dar resultados. Agências de classificações de riscos, como a Fitch e a Standard & Poor’s (S&P), melhoraram a avaliação da Grécia, da Espanha e da Turquia.

No período em que os políticos e a própria sociedade brasileira fazem milhões de malabarismos e contorcionismos retóricos, para não realizar o inevitável ajuste fiscal – ou seja, fazer com que as nossas necessidades caibam no orçamento público – a Europa nos oferece um exemplo: “depois da tempestade (e do sacrifício) vem a bonança”.

Por que demitir pode não ser a melhor estratégia?

Algumas vezes o corte de custo é realmente necessário, mas na maioria delas, focar apenas na redução de despesas não é a melhor estratégia

Redação, Administradores.com

Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) o Brasil encerrou o ano de 2017 com mais demissões do que contratações – foram 14.635.899 admissões e 14.656.731 desligamentos. Além disso, segundo o Fórum Econômico Mundial, está prevista a perda de 7,1 milhões de empregos até 2020.

Algumas vezes o corte de custo é realmente necessário, mas na maioria delas, focar apenas na redução de despesas não é a melhor estratégia. “O segredo é criar valor para a empresa, hoje e no futuro”, diz Aureo Villagra, CEO da Goldratt Consulting Brasil.

Demissões afetam a capacidade da empresa em entregar valor

Quando o caixa da empresa está comprometido não há liberdade de manobra, mas se este não é o caso a decisão deve ser muito bem pensada. “Cortar custos de forma linear, especialmente com reduções de pessoal, normalmente afeta a capacidade da empresa em entregar valor”, comenta Villagra. “De uma forma ou outra, ela reduz seus serviços, sua flexibilidade ou sua agilidade em servir seus clientes”, completa.

A empresa pode prejudicar seus objetivos a longo prazo

A empresa poderá focar-se muito nos seus objetivos de curto prazo, entregar o lucro do trimestre e prejudicar seus objetivos de longo prazo, manter-se competitiva e crescendo no mercado. “O ideal é transformar o momento em uma oportunidade e não aumentar ainda mais o problema com decisões focadas em curto prazo”, diz Villagra.

Aproveite o corte de custos, para construir uma vantagem competitiva

Em uma situação de crise generalizada os clientes da empresa provavelmente também estão em um ciclo de demissões e corte de despesas, muitas vezes precisando mais ainda da ajuda de seus fornecedores, mais serviços, flexibilidade e velocidade. Por outro lado seus concorrentes provavelmente também reduziram quadros e não estão prontos para oferecer mais serviços.

“É o momento de prestar atenção na nova realidade”, diz Villagra. “Com certeza é importante proteger seu caixa e seus gastos, mas sem nunca deixar de pensar em como entregar mais valor para seu cliente”, completa.

Esporte: Empresas adotam práticas de investigação antes de apostarem em investimento esportivo

Ambiente de negócios complexo e forte escrutínio público cobram mais atenção do setor no país com gestão de riscos e ampliam consultas sobre práticas em governança

São Paulo – O receio de ter a imagem vinculada aos recentes escândalos de corrupção que envolvem o mundo esportivo no país está levando empresas a contratarem serviços de levantamento reputacional e avaliação de riscos antes de fecharem patrocínios.

As companhias estão buscando a Kroll, líder global em gestão de riscos, investigações, compliance, segurança cibernética e resposta a incidentes, para avaliar as ameaças associadas a agremiações esportivas, ligas, federações, confederações e atletas profissionais através de vários serviços oferecidos pela consultora, incluindo o due diligence em suporte a transações comerciais e financeiras, investigações internas, investigações de fraude e, cada vez mais, proteção de dados digitais.

“A despeito das especificidades regulatórias e organizacionais locais, o segmento esportivo profissional vive um ambiente de negócios extremamente complexo e desafiador no Brasil, que cobra um amadurecimento em termos de governança”, afirma Ian Cook, diretor sênior no escritório da Kroll em São Paulo.

De acordo com Cook, esse processo é inevitável à medida que organizações e profissionais do esporte operam cada vez mais sob uma estrutura empresarial sofisticada e estão sujeitos a impactos financeiros, operacionais, legais e reputacionais.

“Clientes do universo esportivo, assim como seus pares em outros setores da economia, estão vivenciando as mesmas necessidades por controles internos efetivos, assim como por estratégias de combate à corrupção, de promoção de compliance, transparência e princípios éticos”, explica.

Em nível global, a Kroll há muitos anos oferece serviços de gestão de riscos para este setor. Recentemente, Alex Horne, ex-presidente da Football Association, entidade que regula o futebol inglês, juntou-se ao time de especialistas da companhia como consultor para o segmento esportivo profissional.

Com mais de 11 anos na Football Association, onde também ocupou os cargos de CFO e COO, além de ter atuado como diretor geral do lendário Wembley Stadium, em Londres, Horne traz um profundo conhecimento sobre os desafios enfrentados pelo mundo afora por clubes e organizações, seja em operações financeiras e comerciais, em investigações de problemas internos e na gestão de questões reputacionais.

“A quantidade de recursos que o setor esportivo movimenta cresce de forma significativa, e essa realidade anda lado a lado com a responsabilidade de preservar a integridade da marca por organizações e atletas. Diariamente, eles devem equilibrar cuidadosamente a promoção de seus perfis com a salvaguarda de sua reputação”, comenta Horne.

Histórico de casos

Há anos, a Kroll tem auxiliado clubes de futebol europeus com serviços de due diligence para determinar a adequação de potenciais investidores. Nesses projetos, os objetivos são tanto a identificação da origem dos fundos como a análise de aportes em diferentes formatos de patrocínio.

“Além da preocupação financeira e operacional, as agremiações esportivas estão com cada vez mais frequência buscando se resguardar de passivos e de problemas que possam impactar a integridade de suas marcas futuramente”, explica Cook.

A Kroll também auxilia clientes do setor com investigações que abrangem desde suporte a litígios até a validação de controles internos. Em um projeto junto a uma organização internacional de ciclismo, por exemplo, a Kroll investigou a participação e conivência de dirigentes do órgão em casos de doping envolvendo profissionais da modalidade.

Em outro caso, a empresa ajudou a identificar o autor de uma campanha difamatória nas redes sociais contra um atleta de elite. Usando sofisticadas técnicas de segurança cibernética, os especialistas da Kroll conseguiram vincular múltiplos nomes de usuário a uma única fonte.

Sobre a Kroll

A Kroll é líder mundial em gestão de riscos e investigações corporativas. Há mais de 40 anos, ajuda seus clientes a tomarem decisões sobre negócios, pessoas e ativos, por meio de uma ampla gama de serviços para prevenir e mitigar riscos. Com sede em Nova York e mais de 35 escritórios em 20 países, a Kroll tem uma equipe multidisciplinar de quase 1000 colaboradores e serve a uma clientela global de escritórios de advocacia, instituições financeiras, empresas, organizações sem fins lucrativos, agências governamentais e indivíduos. Para mais informações visite www.kroll.com/brasil

O farol da produção 2

Temos que dar os parabéns a Imperatriz. Muitas vezes negligenciada, arrancou com as próprias mãos uma condição que a distingue hoje dos outros 216 municípios do Maranhão”

por Roberto Rocha, senador da República

Um dos grandes desafios para se fazer políticas públicas consistentes é em relação aos índices de medição de resultados. O Brasil avançou consideravelmente nessas ferramentas, graças a instituições como o IBGE ou o IPEA, que atuam com rigor técnico infenso às pressões de ordem política.

É justamente da junção do trabalho desses dois institutos que nasceu uma das ferramentas mais importantes para aferir o desempenho dos entes federados, União, Estados e municípios. Trata-se do Atlas de Vulnerabilidade Social, que mensurou o IVS, ou Grau de Vulnerabilidade Social, agrupando num índice sintético 16 indicadores, classificados em três dimensões: Renda e Trabalho, Capital Humano e Infraestrutura Urbana.

A novidade desse trabalho é que ele vai além de identificar a pobreza, apontando as falhas estruturais e de ofertas de bens e serviços públicos para a população.

Com ele, cria-se um mapa que identifica porções de território que destoam do conjunto onde estão situados.

No território do Brasil, como um todo, o IVS passou de 0,446 para 0,326, no período de 2000 a 2010, alcançando a condição de “Alta” para “Média Vulnerabilidade”. No caso do Maranhão, o índice passou, no período 2000-2010, de 0,684 para 0,521, indicando redução da vulnerabilidade social no Estado mas, ainda assim, permanecendo, solitariamente, como o único estado na faixa de vulnerabilidade “Muito Alta”.

Em relação aos municípios maranhenses, tínhamos em 2000 o total de 216 em situação de Muito alta vulnerabilidade. A única exceção era o município de Imperatriz, que ainda assim figurava dentre os de Alta vulnerabilidade. Dez anos se passaram e 36 cidades evoluíram para a categoria Alta, nove para a categoria Média e novamente, apenas Imperatriz destoou, situando-se na categoria de Baixa Vulnerabilidade.

Quem olha o mapa do Maranhão, no Atlas, verá um pontinho verde cercado ao norte de uma extensa mancha vermelha, e ao sul, de pontos amarelos. Essa figura é o retrato mais preciso da dinâmica econômica do Maranhão.

É só observar que os melhores índices vem dos municípios que estão inseridos na lógica da produção. São exatamente aqueles que dependem menos do Estado Central como provedor e buscaram saídas baseadas no empreendedorismo, no respeito à propriedade privada e no desabrochar das forças produtivas.

Dá para imaginar o que pode tornar-se o Maranhão quando a nossa cultura política não mais estiver centrada no binômio nefasto do paternalismo e do populismo? Quando o Governo Central agir para destravar as incríveis amarras que produzem dependências mútuas, que apenas favorecem pequenos grupos e paralisam o setor produtivo?

Temos que dar os parabéns a Imperatriz. Muitas vezes negligenciada, arrancou com as próprias mãos uma condição que a distingue hoje dos outros 216 municípios do Maranhão. Nesse sentido, sua presença é como um farol a iluminar os caminhos da produção para todos os maranhenses.

O Governo do Maranhão começa a liberar créditos do Bolsa Escola 2018 na próxima semana.

Cerca de 1.800 estabelecimentos estão aptos a realizar a venda de material escolar aos beneficiários do Bolsa Escola neste ano. O quantitativo é 22% maior do que o alcançado no ano passado

“Dia 31, na próxima quarta-feira, estará disponível crédito em cartões das nossas crianças para que possam garantir a compra de seu material escolar”, conta o secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Neto Evangelista, responsável pelo Bolsa Escola.

O Bolsa Escola concede crédito para famílias cadastradas no Bolsa Família, do Governo Federal, com filhos em idade escolar.

Trata-se de um complemento de renda feito pelo Governo do Maranhão para garantir caderno, livro, canetas e outros itens escolares às crianças e aos adolescentes.

Esta é a terceira edição do Bolsa Escola. Para liberar os créditos, o Governo do Maranhão estava aguardando o Governo Federal revisar a lista dos beneficiados do Bolsa Família, já que esta é a base de quem será alcançado pelo programa maranhense.

Com a revisão concluída, o Governo do Estado pôde organizar o cronograma para a concessão do crédito.

Quem tiver dúvidas pode acessar www.bolsaescola.sedes.ma.gov.br/site/ ou usar os aplicativos referentes ao programa.

Comércios credenciados

Cerca de 1.800 estabelecimentos estão aptos a realizar a venda de material escolar aos beneficiários do Bolsa Escola neste ano. O quantitativo é 22% maior do que o alcançado no ano passado.

Por meio de um cartão magnético tipo débito, as famílias beneficiárias poderão realizar compras nas lojas e comércios autorizados em seus próprios municípios para a venda de material escolar.

Confira a mensagem do secretário Neto Evangelista:

Condenação de Lula enaltece a burocracia brasileira 4

Por Eden Jr.*

O ex-presidente Lula é o maior corrupto da história? O Partido dos Trabalhadores inventou a corrupção? A remoção dos petistas do poder acabou com os desvios de verbas públicas? A resposta para todas essas questões é negativa. Lula não é o maior corrupto de todos os tempos (na própria Operação Lava Jato condenados já devolveram centenas de milhões de reais surrupiados da Petrobrás). Não foi o PT que concebeu o desfalque de recursos públicos, vide o histórico de fraudes no país antes da ascensão da legenda ao poder (“Escândalo da Mandioca”, “Coroa Brastel”, Banestado”, “Bancos Marka e Fonte Cidam”, “Anões do Orçamento” e “Caso PC Farias”, entre tantos); e as traficâncias não cessam com o impeachment de Dilma (Rocha Loures e sua mala com R$ 500 mil e os R$ 51 milhões no bunker de Geddel Vieira Lima estão aí mesmo).

Contudo, a condenação unânime de Lula pelos três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, ocorrida nesta quarta-feira, 24, inclusive com o agravamento da pena pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, demonstra a importância de o país possuir um corpo burocrático de servidores públicos dotado de isenção e competência. Os três juízes que proferiram a sentença foram servidores de carreira da Administração Pública, dois da própria magistratura e um do Ministério Público, fato que os qualificou ainda mais para tomar a decisão que entenderam ser adequada para o caso.

Realça-se, circunstância que joga por terra qualquer suspeita acerca do veredicto, é que dois dos desembargadores foram nomeados pela ex-presidente Dilma Rousseff e apenas um pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Condição, que pelo resultado do julgamento, por óbvio, não influenciou na decisão dos magistrados.

Desde a condenação de Lula, em primeira instância, pelo juiz Sérgio Moro em julho passado, diversos “analistas” – uns por desconhecimento, alguns por paixão política, outros mal-intencionados ou por demagogia e uma parte por convicção autêntica – elucubraram uma série de teses, a maioria pouco substancial, para desqualificar a decisão tomada pelo togado paranaense. Porém, ao elaborar as mais estapafúrdias conjecturas – também para aplacar interesses eleitoreiros e partidários – na pretensão de desqualificar a atuação de Moro, os confabuladores acabaram atingindo toda a corporação burocrática brasileira.

Quer dizer então que para “atender interesses dos americanos, do mercado financeiro internacional e dos grandes grupos de comunicação nacionais” centenas de auditores, policiais, peritos, delegados, promotores e juízes se mancomunaram, numa cruzada insana, para “inventar provas” e incriminar um inocente prócer popular? Os Trumps, os Safras, os Marinhos, ordenam, e lá se vai um séquito de servidores públicos fraudar um processo, para punir indevidamente um cidadão? Não, não é assim que funciona numa democracia. Mesmo longe da perfeição, os servidores passaram pelo crivo do concurso público, ganharam a estabilidade e a independência de ação e devem obediência às leis. É provável que tais armações se deem em ditaduras, ou quase ditaduras, como a cubana, a norte coreana ou a venezuelana, onde na ausência de democracia, liberdade e transparência tem-se que “rezar pela cartilha” do ditador de plantão.

O aparato burocrático não serve a este ou àquele governo, que passam e se sucedem ao longo do tempo, atua, sim, pelo alcance dos objetivos do Estado, que é instituição permanente e deve perseguir os interesses mais elevados, visando o bem da sociedade. Quem conhece, minimamente, os meandros da Administração Pública Federal não sai com galhofas de perseguição política. Citem um exemplo real sequer de uma comissão de sindicância investigativa na esfera federal – o mais simples procedimento apuratório do serviço público – que foi constituída para perseguir um servidor. Imagine-se fraudar um processo penal, que envolve critérios e requisitos legais e constitucionais mais rigorosos, como o devido processo legal, o duplo grau de jurisdição e a participação do Ministério Público como órgão de fiscalização da correta aplicação da lei.

Tenham um mínimo de responsabilidade, não venham com suposições vagas e sofismas nebulosos, sem citar, propositalmente, casos e dados concretos, para dar a impressão aos incautos de que seus “líderes de pés de barros” estão sendo vítimas de uma conspiração. Se tivessem se dado ao mínimo trabalho de ler as 149 páginas da denúncia contra Lula, assinada por 13 Procuradores da República, ou as 238 páginas da decisão de Moro, teriam visto as provas (perícias, documentos, fotos, depoimentos…) que levaram à condenação do petista no caso do tríplex. Afirmar que os servidores públicos são perfeitos e não estão sujeitos a falhas e irregularidades seria um embuste. Tanto é que a Controladoria-Geral da União expulsou do serviço público, em seis anos, mais de dois mil servidores por prática de corrupção. Em mais um sinal contundente do processo de aprimoramento pelo qual as instituições têm passado nas últimas décadas.

Vários políticos emitiram mensagens de solidariedade e complacência para Lula nos dias que antecederam o julgamento. Uns por puro oportunismo eleitoral, calculando, equivocadamente, herdar parte dos votos da esquerda; outros agindo como se assinassem um seguro, temendo, num futuro imediato, serem os próximos apenados. Um país que condena, seguindo todas as regras do contraditório e da ampla defesa, um ex-presidente da República e expressivo líder popular, dá provas inequívocas de aperfeiçoamento democrático, de tratar todos da mesma forma. Agora é esperar que a “roda da Justiça” gire para o lado de outros figurões que ainda enfrentam vagarosos processos nos tribunais superiores, notadamente no STF. É o desejo da sociedade.

*Economista – Mestre em Economia (edenjr@edenjr.com.br)

Oxfam Brasil mostra o mapa da desigualdade socioeconômica no Brasil e no mundo

O Brasil tem hoje cinco bilionários com patrimônio equivalente ao da metade mais pobre da população brasileira

via Ofxam Brasil

De toda a riqueza gerada no mundo em 2017, 82% foi parar nas mãos do 1% mais rico do planeta. Enquanto isso, a metade mais pobre da população global – 3,7 bilhões de pessoas – não ficou com nada. No Brasil, não é muito diferente. Hoje temos cinco bilionários com patrimônio equivalente ao da metade mais pobre do país, chegando a R$ 549 bilhões em 2017 – 13% maior em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, os 50% mais pobres do Brasil tiveram sua riqueza reduzida no mesmo período, de 2,7% para 2%.

Esses e outros dados fazem parte do relatório “Recompensem o trabalho, não a riqueza” que lançamos às vésperas da reunião do Fórum Econômico Mundial 2018. O relatório revela como a economia global possibilita que a elite econômica acumule vastas fortunas enquanto milhões de pessoas lutam para sobreviver com baixos salários e em condições precárias de trabalho.

Houve um aumento histórico no número de bilionários em 2017: um a cada dois dias entre março de 2016 e março de 2017. Atualmente há 2.043 bilionários no mundo. O Brasil ganhou 12 bilionários a mais no período, passando de 31 para 43.

A riqueza dos bilionários aumentou 13% ao ano, em média, desde 2010 – seis vezes mais rapidamente do que os salários pagos a trabalhadores, que tiveram aumento de apenas 2% por ano, na média, no mesmo período. Enquanto isso, mais da metade da população mundial vive com renda entre US$ 2 e US$ 10 por dia.

Nove entre cada 10 bilionários no mundo são homens.

O patrimônio somado dos bilionários brasileiros chegou a R$ 549 bilhões em 2017, num crescimento de 13% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, os 50% mais pobres do país viram sua fatia da riqueza nacional ser reduzida ainda mais, de 2,7% para 2%.

O Brasil tem hoje cinco bilionários com patrimônio equivalente ao da metade mais pobre da população brasileira.

Baixe aqui o resumo do documento

Aplicativo encaminha mais de 235 mil pessoas para vagas de emprego

São Paulo foi o estado que mais registrou oportunidades

O aplicativo Sine Fácil encerrou 2017 com saldo positivo. No total, 235.601 trabalhadores foram encaminhados para vagas de emprego por meio da plataforma, que é gratuita e pode ser utilizada em Smartphones com sistema Android e IOS. Desde maio do ano passado, quando foi lançado, trabalhadores de todo o país passaram a procurar entrevistas de emprego e se candidatar por meio desse recurso digital.

São Paulo foi o estado líder em geração de oportunidades pelo Sine Fácil, com 83.816 vagas, seguido de Paraná, com 28.816. A Bahia ficou com o terceiro lugar no ranking, com 22.611 encaminhamentos (veja tabela completa abaixo).

O ministro do Trabalho em exercício, Helton Yomura, salienta que o aplicativo é mais uma das ações do governo federal em prol do emprego formal no Brasil. “A ferramenta faz parte de um pacote de serviços digitais que auxiliam o trabalhador, como a Escola do Trabalhador, o Seguro Desemprego Web e a Carteira de Trabalho Digital”, enfatiza Yomura. O ministro acrescenta que a pasta criou o aplicativo após identificar que havia vagas disponíveis no mercado, mas as informações não chegavam ao conhecimento de quem estava em busca de uma colocação.

Sobre o Sine Fácil – A ferramenta foi desenvolvida pela Dataprev. É possível acessá-la por meio das lojas de aplicativos dos sistemas operacionais. Desde o seu lançamento, mais de 822 mil downloads do aplicativo foram feitos. Para poder utilizá-lo, o trabalhador precisa ter um código de acesso (QR Code), que pode ser obtido no portal Emprega Brasil (empregabrasil.mte.gov.br) ou nas unidades de atendimento do Sine.

Confira os encaminhamentos, por estado, em 2017:

(Fonte: Ministério do Trabalho)

As dez piores cidades do Brasil para empreender 4

Os rankings internacionais sobre competição e competitividade, mostram que o Brasil ainda não aprendeu o que é isso!

Alfredo Passos, via Administradores.com

O Brasil agora ocupa a 80ª colocação entre as nações avaliadas, após  atingir, no ano passado, sua pior posição na lista. Na América Latina, o Brasil só tem desempenho melhor que Guatemala, Argentina, Equador, Paraguai e Venezuela. O Chile continua liderando o ranking regional.

A melhora brasileira ocorreu em aspectos como combate à corrupção e pelo aumento da liberdade do judiciário, segundo o Relatório Global de  Competitividade 2017-2018.

Mas, pouco animador é a posição brasileira entre 137 países. Além disso tem-se municípios que os gestores públicos ainda fazem muito pouco.

Assim temos cidades com poucas vantagens para investidores e consequentemente para o empreendedorismo.

Maceió

Muito se fala em cidades que acolhem bem a atividade empreendedora, porém, é
possível apontar no Brasil capitais que não parecem tão receptiva a quem
deseja começar o negócio próprio. De acordo com o levantamento anual da
Endeavor sobre capitais mais empreendedoras do País, Maceió está na
última colocação, ou seja, é o lugar menos favorável para empreender.

Teresina
A capital do Piauí também está entre as piores cidades para empreender de
acordo com a Endeavor. “São cidades com estrutura bastante precária”,
aponta o coordenador de pesquisa e mobilização Endeavor e responsável
pelo levantamento João Melhavo. “Se olharmos para o ambiente regulatório
dessas cidades, percebemos um desafio gigante”, analisa.

Fortaleza
“Essas capitais têm como problemas comuns a falta de infraestrutura, a
distância dos grandes centros e problemas internos como falta de
segurança”, analisa Melhavo, que avalia capitais como Fortaleza
como locais ainda pouco favoráveis ao empreendedorismo.

Belém
A capital do Pará, também aparece no ranking da Endeavor como uma
cidade pouco favorável a empreendedores. Para Melhavo, um dos pontos
mais sensíveis dessas capitais são os marcos regulatórios, que são as
leis em relação a tributação, abertura e fechamento de empresas.
“O Brasil tem o sério desafio de toda hora mudar as regras do jogo.
Temos em média 200 mudanças a cada três anos no ICMS, o mesmo que uma a
cada quatro dias. Isso é uma loucura pra o empreededor”, comenta.

Cuiabá
Fora do Nordeste, região do País em que os índices de empreendedorismo são
desfavoráveis, a capital do Mato Grosso também encontra dificuldades
para atrair investidores, o que é, na perspectiva do especialista da
Endeavor, um fator que dificulta a vida do empresário. “O investimento
de risco, o venture capital, está distante dessas capitais. São cidades
em que o empreendedor tem menos condições de buscar investimento”,
analisa Melhavo.

São Luís
A segurança pública, ou ausência dela, é outro fator que influencia
diretamente na forma como uma cidade recebe o empreendedorismo. “Na
região Nordeste, as taxas de homicidios estão acima das do Sul e do
Sudeste”, avalia Melhavo sobre capitais como São Luís.

Manaus
“Uma coisa que poderia ser feita em curto prazo para a melhora nos índices
dessas cidades é uma otimização do ambiente regulatório”, comenta João
Melhavo. “Para se abrir uma empresa, leva-se em média 138 dias. São
quase 5 meses para você abrir um negócio. Isso é possível de ser
transformado”, avalia o especialista. Cidades como Manaus (foto),
enfrentam esse tipo de entrave, que as faz serem mal avaliadas.

Natal
Natal, a capital do Rio Grande do Norte, também aparece no ranking da Endeavor
como uma das cidades menos favoráveis ao empreendedorismo no Brasil.

Salvador
A capital baiana está entre as dez cidades brasileiras pouco receptivas a
novos negócios. Entre os critérios avaliados pela Endeavor para o
levantamento, estão qualificação profissional, índices de segurança
pública, burocracia e capacidade de atrair investimentos.

Aracaju
À frente das capitais citadas anteriormente, porém ainda com índices
negativos para o empreendedor, está Aracaju. Para Melhavo, é possível
reverter a pouca receptividade com ações de curto e longo prazo. “Rever
processos e simplificar burocracia são atitudes do poder público que em
pouco tempo podem melhorar muito a situação do empreendedorismo nessas
cidades”, pontua.

“Competição e competitividade são palavras que os políticos, especialmente os deputados federais e senadores, ainda não conseguiram alcançar seu real sentido”.

Fonte: Endeavor/Estadão.