Devagar, quase parando…

Por Eden Jr.*

Quando o primeiro Relatório de Mercado Focus – elaborado pelo Banco Central com base na opinião semanal das principais instituições financeiras do país – foi lançado no início do ano, dia cinco de janeiro, a aposta era de que a economia crescesse 2,69% em 2018, isso depois de ter aumentado 1% no ano passado. Porém, a divulgação pelo IBGE, no final de maio, da expansão de apenas 0,4% no primeiro trimestre, colocou sérias dúvidas sobre a real capacidade de evolução do nosso Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Uma série de incertezas rondam o cenário, dificultando ainda mais os prognósticos otimistas para a nossa economia.

Os drásticos efeitos da greve dos caminhoneiros, encerrada no início de junho, não foram captados nessa última medição do PIB, mas seguramente terão severos efeitos sobre o desempenho do segundo trimestre, bem como sobre o ano como um todo. Por conta da paralização, o Banco Santander reduziu a expectativa de crescimento do PIB para o segundo trimestre de 0,8% para 0,2%. O Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas projeta um recuo de 0,2% da atividade econômica em 2018, em razão do movimento. O Banco Itaú crê que agora o país vá crescer 1,7% e não 2% como previa anteriormente.

O clima negativo vem contaminando o mercado de ações. O Ibovespa, indicador que reúne as ações mais negociadas da Bolsa de Valores de São Paulo, vem registrando sucessivas quedas. No ano, o Ibovespa caiu 6,5%, e entre os dias 14 de maio e 14 de junho, regrediu 16,2%, indicando que o ambiente se deteriorou no último mês. O ciclo de baixa das ações está diretamente ligado às perspectivas ruins para a economia brasileira, que se instalaram com força nas últimas semanas e reflete o pessimismo dos investidores. Fatores como: a manifestação dos caminhoneiros, possibilidade de greves em empresas públicas – como a da Eletrobrás –, alta do dólar e cenário incerto para as eleições, são apontados como determinantes para o desânimo do mercado, o que retroalimenta as incertezas e inibe novas possibilidades de negócios.

A alta do dólar tem sido um capítulo à parte no drama brasileiro. É esperado que o ano eleitoral cause estresse e leve à oscilação na divisa americana. Desde o início do ano, o dólar vem se valorizando perante boa parte das moedas, mas nas últimas semanas, com a atmosfera pessimista que assola a nossa economia, esse processo tem se intensificado. De primeiro de janeiro até o dia 14 deste mês o real se desvalorizou cerca de 14,9% em relação ao dólar, e entre 14 de maio e 14 de junho, retrocedeu 5%. Essa dinâmica causa embaraços, pois acaba pressionando a inflação, porque boa parte dos produtos comercializados têm componentes cotados em dólar. Situação que pode levar a um aumento na taxa de juros básica da economia (Selic), atualmente em 6,5%, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para os dias 19 e 20 deste mês. Um movimento de alta nos juros, torna os empréstimos e financiamentos mais caros, fato que atrapalha as vendas, reduz a produção, o emprego e dificulta a retomada do crescimento.

No contexto do dólar, uma péssima notícia veio dos Estados Unidos nesta quarta-feira, dia 13. O Fed, o banco central americano, elevou a sua taxa de juros para o intervalo entre 1,75% e 2%. O procedimento foi para conter a inflação do país, que vem aumentado em razão da atividade econômica, que está em plena ascensão, inclusive o índice de desemprego dos EUA, de 3,8%, é o menor em 18 anos. Foi a sétima alta seguida dos juros estadunidenses desde 2015, e há perspectiva de mais duas elevações, o que pode fazer com que os juros americanos cheguem ao intervalo entre 2,25% e 2,50%. Este quadro agrava ainda mais a tendência de desvalorização do real, dada a fuga de dólares para aplicação numa economia mais sólida, como a norte-americana. E a escassez da moeda americana no Brasil provoca alta da cotação do dólar. O nosso Banco Central tem feito operações com swap cambial – equivalente à venda futura de dólar – para tentar brecar a subida do dólar. Só nesta quinta-feira o BC injetou US$ 4,5 bilhões para acalmar o câmbio, e pode colocar mais US$ 10 bilhões de dólares nos próximos dias, nessa empreitada de conter a desvalorização do real.

Contudo, é da esfera política que vem os sinais de maior instabilidade. Recente pesquisa divulgada pelo Datafolha revela o crescimento de Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT) na corrida presidencial. Nomes que causam dúvidas quanto à implementação de um programa reformista, especialmente na área fiscal, em que os déficits se sucedem ano a ano. Bolsonaro tem um histórico parlamentar de rejeição a medidas de disciplina fiscal, que causam antipatia no eleitorado. Já Ciro apresenta comportamento político errático, indo do espectro da centro-direita à esquerda, na qual está mais ligado recentemente. Até ano passado, o político do PDT afirmava que não havia déficit previdenciário – apesar dos cálculos oficiais apontarem um rombo na Previdência de R$ 268 bilhões em 2017 (INSS mais Regime dos Servidores Federais).

O presidente Temer, e seu entourage, são atingidos por acusações de corrupção quase que semanalmente. Circunstância que mina o arsenal de medidas de que podem lançar mão para alavancar a economia, dada a absoluta ausência de credibilidade de que dispõem. Como um dos últimos recursos para animar o cenário, esta semana o governo ampliou o saque das contas do PIS/Pasep, para colocar R$ 30 bilhões na economia. É pouco provável que resultados positivos venham rapidamente, tanto que agora as previsões apontam para aumento de apenas 1,5% do PIB em 2018. Muito aquém do que precisamos.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)

Otimista ou pessimista?

A reclamação é um hábito na sua vida? Leia o artigo para conferir se deseja transformar a sua comunicação e ganhe o acesso ao meu e-book sobre discurso positivo.

por Aurea Regina de Sá, via Administradores.com

Talvez você diga que depende do ponto de vista, das condições de temperatura e pressão, mas eu lhe digo que é uma questão de decisão: afinal, o que você deseja ver?

Então, vamos às definições para começar o debate:

OTIMISMO é uma atitude mental que reflete uma crença ou esperança de que o resultado de algum esforço específico, ou resultados em geral, será positivo, favorável e desejável.

PESSIMISMO também é uma atitude mental de pessoas que antecipam resultados indesejáveis de uma determinada situação ou acreditam que coisas desfavoráveis vão acontecer na vida mais do que as favoráveis.

Ora, mas se os dois tipos de humor são atitudes mentais, que tal trabalhar a mente para que ela evite direcionar você para o lado mais pessimista? A PNL – Programação Neurolinguística – propõe dinâmicas que podem favorecer essa atitude mental positiva, se é o que você deseja. Uma delas é questionar a mente! Isso mesmo, você pergunta pra sua mente por que motivo ela só reclama, só vê o lado negativo de tudo e só conclui que nada vai dar certo antes mesmo de você tentar. Perceba se essas objeções da mente não estão deixando você paralisado, sem ação, sem iniciativa. Analise se esse comportamento não prejudica você e seu desenvolvimento como pessoa e profissional.

Mas, independente da opção pelo otimismo ou pessimismo, há também a questão do hábito, ou seja, alguém só vê o lado negativo porque sempre fez isso, porque aprendeu com a família, e se resolver analisar mesmo pode nem saber direito por que tem essa mania. Bom, hábitos são aprendidos e podem ser reciclados. A base de sustentação disso é, primeiro, reconhecer o que há de positivo em você. Então, eu vou te desafiar a fazer uma lista dos seus pontos positivos. Pegue um papel e uma caneta AGORA e liste tudo, tudo mesmo que você faz bem. Inclua seus comportamentos e qualidades. Sugiro que chegue a 70 itens! Uau, vale a pena, pode acreditar. Para isso dar certo é preciso estar ATENTO, ACORDADO, ANTENADO para ver o que é real, o que existe mesmo e não o pensamento negativo que às vezes nem existe de verdade.

Um dos benefícios imediatos de reconhecer o seu lado positivo será refletido no seu vocabulário. Palavras de reclamação, semblante desanimado e falta de iniciativa logo dão lugar a uma postura positiva e propositiva que vai estimular outra visão de mundo e outros resultados também.

Para colaborar com essa mudança de comportamento que vai refletir na sua comunicação, eu tenho um presente pra você. É o ebook 5 DICAS PARA USAR A COMUNICAÇÃO A FAVOR DA FELICIDADE, que eu escrevi baseada na minha realidade e na minha decisão por mudar meus comportamentos. É só você enviar um e-mail pra mim (contato@aureareginadesa.com.br) e dizer que deseja receber, e eu envio o material gratuitamente pra você.

Estamos combinados? Quero ver que decisão você vai tomar agora!

Aurea Regina de Sá
Aurea Regina de Sá é Coach de Comunicação Pessoal, especializada em Media Training, treinamento que capacita profissionais que interagem com a imprensa. Com formação em PNL – Programação Neurolinguística, Aurea ministra cursos de Comunicação para empresas públicas e privadas de todo o país. Autora do audiolivro Guia do Porta-Voz: 99 dicas para aparecer bem na imprensa, ela é referência na mídia, já tendo sido entrevistada no Programa do Jô, UOL, Folha de S. Paulo, Revista Época, Valor Econômico, CBN, etc. Lançou recentemente o livro sobre Media Training: BACKSTAGE, à venda em www.editoracomunica.com.br/loja

Prefeita Karla Batista comemora assinatura de decreto que regulamenta Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais

A prefeita Karla Batista foi uma líder destacada na luta por esta conquista que vai beneficiar milhares de famílias ao longo das cidades cortadas pela Estrada de Ferro do Carajás, controlada pela Vale do Rio Doce. Além de prefeita, Karla é presidente do Consórcio Intermunicipal Multimodal (CIM)

Prefeita Karla Batista, ladeada pelo deputado Cléber Verde e o senador Roberto Rocha: “Uma grande vitória aos municípios que não recebiam nenhum centavo até hoje pela exploração do minério que passa dentro das nossas cidades”.

A prefeita do município de Vila Nova dos Martírios, Karla Batista (PSDB) comemorou a assinatura do decreto presidencial que regulamenta as novas regras para a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

Em cerimônia ocorrida no Palácio do Planalto com a presença de ministros, senadores, deputados federais, prefeitos e autoridades ligadas à atividade da mineração, na terça-feira (12), enfim os prefeitos dos município não produtores, mas que são impactados pelo transporte, operações de embarque e desembarque, ou ainda, para localidades com pilhas de estéril, barragem de rejeitos e instalações serão beneficiados com 13% dos royalties da CFEM.

A prefeita Karla Batista foi uma líder destacada na luta por esta conquista que vai beneficiar milhares de famílias ao longo das cidades cortadas pela Estrada de Ferro do Carajás, controlada pela Vale do Rio Doce. Além de prefeita, Karla Batista é presidente do Consórcio Intermunicipal Multimodal (CIM), daí que há um gosto duplo por essa vitória que, em verdade, é uma vitória de todos os prefeitos e prefeitas envolvidos na causa.

“A palavra de hoje é de gratidão ao senador Roberto Rocha e aos deputados presente. Entendemos que é uma grande vitória aos municípios que não recebiam nenhum centavo até hoje pela exploração do minério que passa dentro das nossas cidades, mas que não deixa nada para a população mais necessitada e carente”, afirmou a prefeita-presidente.

Mais ação do senador Roberto Rocha

Dentro desse percentual, 50% serão destinados exclusivamente para municípios não produtores, mas que são cortados por ferrovias. Essa alíquota foi assegurada pelo senador Roberto Rocha (PSDB-MA), após longa articulação política junto com o Governo Federal, que inicialmente iria contemplar com apenas 25% para localidades não produtoras. Com a fração maior, os municípios maranhenses cortados pela Estrada de Ferro Carajás serão finalmente contemplados de forma mais justa, após 32 anos de luta e esforços.

A partir agora, 23 cidades do Maranhão que são severamente prejudicadas por sucessivos impactos ambientais causados pela poluição e a população com o pó do minério serão recompensadas com recursos que vão reforçar a saúde pública, educação, segurança e melhorias em infraestrutura urbana. Estamos hoje fazendo uma correção de uma injustiça que acontece há mais de 30 anos no Estado”, destacou o senador Roberto Rocha.

O parlamentar maranhense disse ainda que “as novas regras estimulam novos investimentos em regiões onde apenas são deixados rastros de poluição do minério de ferro, proporcionando um novo momento de desenvolvimento nessas localidades”.

Confira os municípios maranhenses contemplados: Açailândia, Alto Alegre do Pindaré, Anajatuba, Arari, Bom Jardim, Bacabeira, Bom Jesus das Selvas, Buriticupu, Cidelândia, Igarapé do Meio, Itapecuru Mirim, Itinga do Maranhão, Miranda do Norte, Monção, Pindaré-Mirim, Santa Inês, Santa Rita, São Francisco do Brejão, São Pedro da Água Branca, São Luís, Tufilândia, Vila Nova do Martírios, Vitória do Mearim.

‘Mundo verá grandes mudanças’: o que se sabe sobre o resultado da histórica cúpula entre Trump e Kim Jong-un 4

“Teremos uma excelente relação”, diz presidente dos EUA em encontro com Kim Jong-un em Singapura. Analistas debatem o caminho para que Pyongyang abandone arsenal atômico

Trump: ‘Acho que os dois lados ficarão muito impressionados com o resultado’ (Foto: EVIN LIM/THE STRAIT TIMES/HANDOUT/GETTY IMAGES)

Via BBC Brasil

Após quase cinco horas de um encontro histórico nesta terça-feira, em Cingapura, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, assinaram um documento em que a Coreia do Norte se compromete a trabalhar para a sua desnuclearização e em que sinalizam o desenvolvimento de “novas relações” entre os países – um passo avaliado como “desenvolvimento sem precedentes” depois de um ano marcado por hostilidade e troca de ameaças entre as partes.

Esse foi o primeiro encontro entre líderes dos dois países. A cúpula foi realizada após um ano de testes de armas nucleares realizados pela Coreia do Norte, e depois de o país ter anunciado que já havia completado seu programa de desenvolvimento de armas atômicas.

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O acordo foca em quatro compromissos:

1. EUA e Coreia do Norte se comprometem a estabelecer novas relações conforme desejo do povo dos dois países em perseguir paz e prosperidade;

2. EUA e Coreia do Norte empreenderão esforços para criar uma paz estável e duradoura na Península Coreana;

3. A Coreia do Norte se compromete a trabalhar no sentido de alcançar a total desnuclearização da Península Coreana;

4. EUA e Coreia do Norte se comprometem a recuperar prisioneiros de guerra e soldados desaparecidos, incluindo a repatriação daqueles já identificados.

O presidente americano disse que o processo de desnuclearização da Coreia do Norte – a questão principal que tinham à mesa – começaria “muito, muito rápido”.

Analistas consultados pela BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, avaliam, entretanto, que ele poderia alongar-se por até 10 anos e que há dúvidas quanto ao que Kim estaria realmente disposto a ceder.

O objetivo final de Trump, considerado difícil de alcançar, segundo os analistas, é que a Coreia do Norte se desfaça das armas nucleares, de maneira “completa, verificável e irreversível”, mas essas condições não estão mencionadas no documento.

Na cerimônia de assinatura, os líderes fizeram breves comentários à imprensa.

“Acho que os dois lados ficarão muito impressionados com o resultado”, disse Trump.

Horas antes, os presidentes iniciaram o encontro com um aperto de mãos diante de jornalistas e em frente às bandeiras de seus países, em um hotel de luxo na ilha de Sentosa, em Cingapura, após meses de idas e vindas em suas relações diplomáticas.

‘Mudança’
“As relações (a partir de agora) vão ser muito diferentes do que foram no passado”, disse Trump, afirmando ainda que havia desenvolvido um “laço muito especial com Kim” e que “definitivamente” o convidaria para visitá-lo na Casa Branca.

O líder norte-coreano, por sua vez, declarou que “o mundo verá grandes mudanças” e que tanto ele quanto Trump haviam decidido “deixar o passado para trás”.

Após falarem rapidamente à imprensa, Trump e Kim seguiram para conversas privadas ao lado de tradutores. Depois, tiveram o reforço de assessores. Trump, por exemplo, sentou à mesa acompanhado de seu secretário de Estado, Mike Pompeo, e do chefe de gabinete, John Kelly.

Analistas estão divididos sobre as consequências reais da reunião: alguns veem nela um esforço – bem-sucedido – de propaganda por parte de Kim, enquanto outros enxergaram nela um caminho para a paz.

Início do encontro em Cingapura
A jornalistas, no início do encontro, Trump afirmou prever uma “ótima relação” com Kim.

“Me sinto muito bem. Teremos uma formidável discussão e seremos tremendamente bem-sucedidos” disse o americano.

O líder norte-coreano comemorou: “Não foi fácil chegar aqui…Houve obstáculos, mas os superamos para estar aqui”, disse ele, na primeira entrevista concedida a jornalistas ocidentais.

Segundo Rupert Wingfield-Hayes, correspondente da BBC, as cenas vistas em Cingapura são “fundamentalmente diferentes do que havíamos visto antes”.

“Os dois líderes estão se reunindo antes que muitos dos detalhes tenham sido trabalhados pelos especialistas. Então, esse é na verdade o início de um processo”, aponta Wingfield-Hayes.

O presidente dos EUA já afirmou que seu objetivo com o encontro era a desnuclearização unilateral e imediata da Coreia do Norte, mas em uma entrevista mais recente ao canal Fox News, havia admitido que “uma fase transitória poderia ser um pouco necessária”.

Já o propósito de Kim Jong-un, segundo analistas, passa por reforçar o reconhecimento internacional da Coreia do Norte como uma potência nuclear, pela abertura para o mundo exterior e para consequentes benefícios para a economia do país – marcado por um regime autoritário altamente repressivo em que opositores são enviados a campos de trabalho forçado.

Relações com a Coreia do Sul

Líderes da Coreia do Norte e dos EUA falaram a jornalistas e seguiram para uma conversa privada. (Foto: GETTY IMAGES)

O encontro também foi acompanhado de perto pela Coreia do Sul, cujo conflito com a Coreia do Norte, entre 1950 e 1953, foi encerrado com uma trégua, mas sem um tratado de paz. Uma foto divulgada por veículos de imprensa mostra o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, assistindo ao encontro através da televisão.

Moon afirmou que passou uma “noite sem dormir” na véspera do encontro entre Trump e Kim e disse esperar que a reunião possa “inaugurar uma nova era de completa desnuclearização, paz e novas relações entre a Coreia do Sul, Coreia do Norte e os Estados Unidos”.

O histórico encontro entre Trump e Kim foi precedido por outro marco, em abril, quando Kim Jong-un e Moon-Jae-in se encontraram na fronteira entre os dois países. Na ocasião, eles se comprometeram a buscar a “completa desnuclearização” da península.

A reunião em Sentosa surpreende também diante da tendência de hostilidade observada entre os EUA e a Coreia do Norte até o início de 2018. Em setembro de 2017, Trump afirmou que iria “destruir totalmente” a Coreia do Norte e que Kim – o “pequeno homem-foguete”, segundo o americano – estava numa “missão suicida”. No mesmo mês, Kim chamou Trump de “idoso com deficiências físicas e mentais”.

Justiça do Trabalho suspende processo de privatização da Eletrobrás

TRT da 1ª Região do Rio determinou que a estatal e suas distribuidoras apresentem estudo de impacto da desestatização sobre contratos de trabalho

A Eletrobrás foi informada de decisão de tutela de urgência do juízo da 49ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro (Tribunal Regional do Trabalho 1ª Região), determinando que a companhia e distribuidoras se abstenham do processo de desestatização para que apresentem estudo de impacto sobre os contratos de trabalho. Em fato relevante, a empresa diz que “analisará as medidas cabíveis e manterá o mercado informado.”

As demais rés são Amazonas Energia, Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron), Companhia de Eletricidade do Acre (Eletroacre), Companhia Energética de Alagoas (Ceal) e Companhia Energética do Piauí (Cepisa). As empresas devem apresentar individualmente ou de forma coletiva no prazo de até 90 dias estudo sobre o impacto da privatização nos atuais contratos de trabalho.

Como publicado pelo Broadcast no último dia 1º de junho, segundo fontes, a privatização da Eletrobrás não deve sair este ano. O desgaste do governo, acentuado pela greve dos caminhoneiros, e a proximidade do calendário eleitoral inviabilizaram a aprovação, ainda neste ano, do projeto que permite a desestatização.

Responsável por colocar o projeto em votação, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já admite nos bastidores que dificilmente a medida será votada antes das eleições. O projeto foi enviado no dia 22 de janeiro, mas está emperrado em uma comissão especial da Câmara, de onde ainda precisaria seguir para o Senado.

(Luana Pavani e Equipe AE, O Estado de S.Paulo)

Delfim Netto: 90 anos do “czar da economia” 10

Por Eden Jr.**

Parece não ser coincidência que Delfim Netto faça aniversário no dia internacionalmente dedicado ao trabalho. No último 1º de maio, o paulistano que atravessou as últimas seis décadas influenciando os destinos do país, seja como economista, político, consultor, servidor público graduado, ou “simplesmente” como conselheiro de presidentes, chegou aos 90 anos em plena atividade. Recentemente sua consultoria, a Ideias, fundada 1974, foi palco do encontro de dois presidenciáveis, prováveis protagonistas das próximas eleições: Ciro Gomes (PDT) e Fernando Haddad (PT) – que aproveitaram a ocasião para discutir os rumos da economia e da política do Brasil.

Do nascimento, em uma família de origem italiana no Cambuci, bairro periférico da capital paulista, aos altos escalões da República – secretário, ministro, deputado e aspirante a governador e a presidente – parece que foi um pulo. O encontro de Delfim Netto com a economia veio em 1948, quando ingressou na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Forma-se em economia três anos depois. Já em 1952 começa a lecionar, como professor assistente, Estatística Econômica e Econometria. Em 1959 alcança o doutorado e o posto de professor livre-docente, ao defender a tese “O Problema do Café no Brasil”. Em 1963, ao receber o título de Professor Catedrático de Teoria do Desenvolvimento Econômico, Delfim Netto tornou-se o primeiro ex-aluno da FEA-USP e economista formado depois da regulamentação da profissão a chegar à posição de catedrático na instituição.

O início da carreira na burocracia pública foi em 1964, ano da instauração do regime militar, como membro do Conselho Consultivo de Planejamento (Consplan), que opinaria sobre o Programa de Ação Econômica do Governo (Paeg). Chegou a secretário da Fazenda do Estado de São Paulo em 1966, cargo que ocupou até o ano seguinte. Dias após fazer uma exposição sobre economia brasileira para o futuro presidente Costa e Silva, veio o convite para assumir, com apenas 39 anos, o Ministério da Fazenda, ainda em 1967, com a inflação rodando na casa dos 40% ao ano – hoje está em 3% a.a. Na pasta pilotou o fenômeno que viria a ser conhecido como o “Milagre Econômico Brasileiro”, onde estímulos fiscais e monetários, gigantescas obras de infraestrutura e incentivo ao consumo e às exportações, dobraram o valor do nosso Produto Interno Bruto (PIB) e produziram um crescimento médio da nossa economia de 9,9%, entre 1967 e 1974 – ano passado crescemos 1%, após dois anos de queda (3,5% em 2015 e 2016). É desse período a frase inconfundível atribuída a Delfim: “É preciso primeiro fazer o bolo crescer, para depois dividi-lo”. A primeira crise do petróleo da década de 70 acabou com o milagre, interrompendo o ciclo virtuoso da economia.

Em 1975 Delfim vai a Paris, com a missão de chefiar a embaixada brasileira na França. De volta ao Brasil, em 1978, teve seu nome cogitado para ser governador de São Paulo, fato que não se concretizou. No ano seguinte teve efêmera passagem, de cinco meses, à frente do Ministério da Agricultura. O segundo choque do petróleo o levou para o comando do Ministério do Planejamento (1979/1985), após controversa saída de Mário Henrique Simonsen do posto. Dessa vez, Delfim não pode exibir os bons números de outrora, pois a crise já havia se instalado fortemente no país, a economia regrediu 6% entre 1980 e 1983, e a inflação saia do controle, indo a mais de 200% ao ano. Era o início da “década perdida”.

Com o fim da ditadura militar, Delfim envereda pela carreira política. Exerceu cinco mandatos consecutivos de deputado federal por São Paulo, entre 1987 e 2006. Em todas essas décadas de atuação, o economista transitou em muitas ocasiões entre os presidentes da República, dando conselhos e influenciando na economia. Além dos governos militares, esteve próximo de Collor, Itamar e Lula. No período de Fernando Henrique Cardoso suas opiniões não repercutiram no núcleo decisório econômico. Sobre Dilma, outra que não dava guarida para seus conselhos, entende que a ex-presidente extrapolou os níveis mínimos do bom senso, com suas medidas econômicas heterodoxas, ao implementar as “pedaladas fiscais”, que acabaram empurrando o país para a bancarrota. Com a ascensão de Temer, voltou a ser ouvido no Planalto.

Delfim esteve envolvido em vários episódios polêmicos, como: ter assinado, na qualidade de ministro da Fazenda em 1968, o Ato Institucional nº 5, um golpe certeiro na democracia, que endureceu a ditadura, fechou o Congresso Nacional, cassou mandatos, suspendeu o habeas corpus para crimes políticos e levou à tortura e a assassinatos; a acusação de manipulação de índices de inflação de 1973, enquanto era ministro da Fazenda; a denúncia de cobrança de propina, pelo economista e dois amigos, a bancos franceses que quisessem fazer negócios no Brasil, isso no período em que foi chefe da embaixada em Paris; e em março último a Operação Lava Jato adentrou no apartamento do “Gordo” – como é chamado pelos amigos mais próximos – para investigar se ele havia repassado, para o PMDB e PT, vantagens indevidas recebidas de empreiteiras que participaram do consórcio, que ele montou, e venceu o leilão para a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte/PA.

Sem se considerar integrante de nenhuma corrente específica da economia, Delfim, que é o recordista na premiação anual concedida pela Ordem dos Economistas do Brasil (OEB), com quatro distinções, afirma sobre o ofício de economista: “Eu dei muita sorte. Eu não escolhi a profissão. Foi a profissão que me escolheu”.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)

*Sugestão do artigo: Adriano Pinheiro (Professor de História)

SANTA RITA: Prefeitura investe na Pesca e Agricultura

O prefeito Hilton Gonçalo segue investindo nos produtores rurais de Santa Rita. Na última sexta-feira (25), a Secretaria de Pesca fez a entrega de alevinos para os que trabalham com a piscicultura no município. Ao mesmo passo, a Secretaria de Agricultura segue investindo no plantio sustentável, projeto este que visa o manejo do solo com responsabilidade e gerando bons resultados na produção.

Os alevinos entregues pelo prefeito Hilton Gonçalo aos criadores vão gerar toneladas de peixes, entre eles tilápias, tambaqui e outros. O objetivo da Prefeitura de Santa Rita é tornar o município um dos maiores exportadores do produto para o Maranhão e futuramente até para fora do estado.

Já com o Projeto do Plantio Sustentável, a Prefeitura de Santa Rita tem retirado milhares de pneus velhos que são descartados em rios, aterros sanitários, bueiros, comprometendo o meio ambiente e trazendo problemas nas áreas urbanas.

Os pneus tem servido como vaso, os quais estão sendo utilizados para plantar verduras, hortaliças e demais plantas que produzem frutos. Os canteiros criativos, ajudam a preservar o meio ambiente e não trazem nenhum risco a saúde.

A Prefeitura de Santa Rita tem como objetivo tornar o município auto-suficiente quanto a produção de itens alimentícios, tanto na pesca como agricultura.

Órgãos do Sistema de Segurança Pública garantem o abastecimento de combustível nos postos da capital e interior do MA 4

WASHINGTON LEAL, via site do CBMMA

Neste fim de semana, o governo do estado, através da Secretaria de Segurança Pública coordenou uma série de ações para garantir o deslocamento de caminhões tanque, para o abastecimento à região da grande ilha e do interior do Maranhão. Na manhã deste domingo (27), viaturas do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA) e Polícia Militar (PMMA) realizaram o acompanhamento com equipes policiais e bombeiros. Cerca de 32 caminhões tanque foram incluídos na operação de abastecimento da cidade de Imperatriz e região. O principal objetivo da ação, foi a garantia da chegada de combustível nos postos. O planejamento e a distribuição estratégica dos caminhões possibilitaram o bom andamento da missão e o sucesso para a preservação dos serviços essenciais para a população. As ações continuarão tanto na capital, como em demais municípios, caso seja necessário, nos próximos dias.

As mesmas ações foram desenvolvidas na capital neste sábado (26), onde foram feitas acompanhamento por meio de escolta policial, para garantir a segurança dos veículos e assim garantir a fluidez no trânsito.

A integração dos órgãos de segurança pública tem garantido a chegada dos caminhões aos postos, para amenizar a falta de combustível, além de outros serviços que estão sendo prestados à população.

A ação partiu com saídas do Porto do Itaqui, onde foi retirado combustível de um dos navios, para as demandas essenciais, como o abastecimento de viaturas do Corpo de Bombeiros, ambulâncias e veículos que prestam serviços essenciais à sociedade.
O Secretário de Segurança Pública Jefferson Portela acompanhou de perto toda a operação, em São Luís e em Imperatriz, onde afirmou: “Ficaremos até à noite, escoltando os caminhões, primeiramente na capital e no domingo em demais municípios. A segurança para o abastecimento ser realizado de forma eficaz, está garantida no nosso estado ”.

Durante as ações na Emap, o próprio Governador Flávio Dino, esteve presente, juntamente com o Secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela; Secretário Rodrigo Lago (Casa Civil); coronel Jorge Luongo (comandante da PMMA), coronel Célio Roberto (Comandante Geral do CBMMA); Presidente da Agência Estadual de Mobilidade (MOB), Lawrence Melo; Presidente da Emap, Ted Lago; Superintendente Adjunto da PRF, Américo Jovino e demais autoridades.

O Corpo de Bombeiros chama a atenção para o perigo de se estocar combustível em recipientes adaptados e transportar em veículos inapropriados. “Alertamos a população para uma prática que tem se tornado bastante comum nesse período de escassez de combustível nos postos, que é o armazenamento de líquidos inflamáveis em galões inadequados para este fim e o transporte em veículos de passeio ou similar, orientamos as pessoas que não se exponham a esse grande risco de incêndio, declarou o comandante geral do CBMMA Coronel Célio Roberto.

Um excelente texto para entender a atual greve dos caminhoneiros 2

Larissa Jacheta Riberti, doutora em história pela UFRJ e colaboradora desde 2012 do jornal Chico da Boleia, comenta o acordo entre governo Temer e sindicatos e entidades que representam os caminhoneiros. Para Riberti, muitos motoristas autônomos discordam da decisão e continuam em greve.

Tem ao menos seis anos que colaboro com um jornal de caminhoneiros (Chico da Boleia) e não me arrisquei a fazer nenhuma análise sobre a recente greve da categoria. Mas muitas opiniões, sobretudo de “esquerda” proferidas nessa rede social (ninguém se importa, na verdade) me geraram um incômodo. Por isso, me arrisco agora a escrever algumas pontuações sobre a greve dos caminhoneiros, lembrando que, dessa vez, muita gente perguntou, rsrsrs.

1) A greve começou como um movimento puxado pela CNTA, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos. A convocação da paralisação se deu após encaminhamento de ofício ao governo federal em 15 de maio, solicitando atendimento de demandas urgentes antes da instalação de uma mesa de negociação. As urgências eram: o congelamento do preço do Diesel, pelo prazo necessário para a discussão sobre benefício fiscal que reduzisse o custo do combustível para os transportadores (empresas e caminhoneiros); e fim da cobrança dos pedágios sobre eixos suspensos, que ainda está acontecendo em rodovias de caráter estadual, conforme compromisso assumido pela lei 13.103/2015, conhecida também como Lei do Motorista.

2) No ofício encaminhado pela CNTA se fala na deflagração de uma paralisação em 21 de maio, caso não fossem atendidos os pedidos da Confederação. Também se explicita o apoio de 120 entidades representativas, mas não se esclarece se essas organizações são sindicatos patronais ou de autônomos.

3) A paralisação prevista para 21 de maio aconteceu, já que o governo se recusou a negociar com a CNTA e com demais entidades. Ao que consta nos comunicados de imprensa do organismo, também estavam na pauta discussões como o marco regulatório dos transportes e a questão da “reoneração da folha de pagamento”

4) Abro parênteses para o tema: desde 2011, a discussão da desoneração da folha de pagamento vem acontecendo no Brasil com vistas a garantir a geração de empregos. Nos anos seguintes ela foi ampliada para outros setores, como o do transporte rodoviário de cargas. Com a desoneração os patrões tem a possibilidade de escolher a forma mais “vantajosa” de pagar a contribuição previdenciária, recolhendo 20% sobre os pagamentos dos funcionários e contribuintes individuais (sócios e autônomos) ou recolhendo uma alíquota sobre a receita bruta (cujo percentual variava entre diferentes setores da economia, no caso do TRC é de 1,5 a 2%). No ano passado, o governo Temer, através do Ministro da Fazendo, Henrique Meirelles, anunciou a reoneração da folha de pagamento com a justificativa de que era necessário reajustar “as contas” da União. Atualmente, a ampliação da reoneração da folha de pagamento está sendo discutida no âmbito do TRC.

5) Com a mobilização que se potencializou em 21 de maio, uma série de pautas foram levadas para as “estradas”. Dentre os mobilizados nesse primeiro momento estavam autônomos e motoristas contratados. As informações que nos chegam é a de que eles estão deixando passar as cargas perecíveis e os medicamentos e os itens considerados de primeira necessidade.

6) A paralisação continuou e ganhou adesão das transportadoras que prometeram não onerar os funcionários nem realizar cortes salariais ou demissões por causa da greve. Afinal de contas, a redução do preço do Diesel também é do interesse da classe patronal.

7) A greve conta com grande apoio nacional, porque a alta do preço dos combustíveis afeta não só a prestação de serviços, mas a vida de grande parte dos brasileiros.

Os sindicatos estão batendo cabeça. De um lado, muitas federações e entidades soltaram nota dizendo que não apoiam a greve e que ela tem características de lockout justamente porque a pauta tem sido capitaneada pelos setores empresariais em nome dos seus interesses. Do outro lado, existem sindicatos de autônomos, como a própria CNTA, o Sindicam de Santos que puxou a paralisação na região do porto, e agora a Abcam, que recentemente se mobilizou na negociação, apoiando o movimento. Segundo nota, o presidente da Abcam esteve em Brasília hoje e depois de uma reunião frustrada disse que a greve dos caminhoneiros continua. A reunião tinha como objetivo negociar a redução da tributação em cima dos combustíveis.

Esse é o cenário geral da mobilização. Ela é composta por uma série de segmentos que conformam o TRC. E, obviamente, suscita algumas questões:

1) Existe uma clara apropriação da pauta dos caminhoneiros por parte da classe empresarial que exerce maior influência nas negociações. Isso significa que, por mais que a greve seja legítima, pode acabar resultando num “tiro pela culatra” a depender dos rumos tomados na resolução entre as partes e as lideranças.

2) Não existe uma pauta unificada, o movimento não é homogêneo, nem do ponto de vista social, nem do ponto de vista ideológico. Existe um grupo de caminhoneiros bolsonaristas, outros que são partidários de uma intervenção militar, outros pedem Diretas Já e Lula Livre. Ou seja, é um movimento canalizado principalmente, pela insatisfação em relação ao preço do Diesel.

3) Em função da grande complexidade e fragilidade das lideranças sindicais de autônomos, o movimento carece de uma representatividade que possa assegurar as demandas da classe trabalhadora, bem como que possa evitar o crescimento dos discursos conservadores e das práticas autoritárias. Enquanto isso, os sindicatos patronais acabam por exercer maior influência, determinando os caminhos da negociação e o teor das reivindicações.

4) Isso se faz notar, por exemplo, no tipo de reivindicação expressada por grande parte dos caminhoneiros que é a redução da tributação em cima do preço do combustível. Ora, todos nós sabemos que o cerne do problema é a nova política de preços adotada pelo governo Temer e pela Petrobras, que atualmente é presidida por Pedro Parente.

5) Novo parênteses sobre o tema: desde o ano passado, a Petrobras adotou uma nova política de preços, determinando o preço do petróleo em relação à oscilação internacional do dólar. Na época, esse tipo de política foi aplaudida pelo mercado internacional, que viu grande vantagem na venda do combustível refinado para o Brasil. Aqui dentro, segundo relatório da Associação de Engenheiros da Petrobras, a nova política de preços revela o entreguismo da atual presidência da empresa e governo Temer, que busca sucatear as refinarias nacionais dando prioridade para a importação do combustível. Tudo isso foi justificado na época com o argumento que era necessário ajustar as contas da Petrobras e passar confiança aos investidores internacionais.

6) É verdade, portanto, que o movimento em si tem uma percepção um pouco equivocada da principal razão do aumento dos combustíveis, mas isso não significa que toda classe dos caminhoneiros não faça essa relação clara entre o problema da política de preços da Petrobras e o aumento dos combustíveis.

7) De fato, portanto, o grande problema nesse momento é saber quem serão as pessoas a sentar nas mesas de negociação. De um lado, existe uma legítima expressão da classe trabalhadora em defesa das suas condições de trabalho e dos seus meios de produção. O aumento do Diesel é um duro golpe entre os caminhoneiros autônomos e a reivindicação da sua redução, seja pela eliminação dos tributos, seja pelo questionamento da política de preços da Petrobras, é legítima e deve ser comemorada.

8) A questão fundamental agora é saber o que o governo vai barganhar na negociação. Retomo, então, a questão da reoneração da folha de pagamento. O governo já disse que haverá uma reoneração da folha e esse é um dos meios de captação de recursos caso haja fim do Pis/Cofins incidindo sobre os combustíveis. Na prática, porem, a reoneração pode ter um impacto sobre os empregos dos próprios caminhoneiros, resultando em demissões.

9) Se houver o fim da tributação no Diesel, conforme inclusão do relator, Orlando Silva (PCdoB/SP), na Medida Provisória, de parágrafo que exclui a tributação, a classe trabalhadora e toda sociedade serão impactadas. Afinal de contas, com redução de receita, haverá, consequentemente, um corte no repasse da verba para a seguridade social, previdência, saúde, etc.

Considerando tudo o que foi dito, expresso meu incomodo com análises e percepções simplistas da esquerda, ou de pessoas que se dizem da esquerda, sobre o movimento. Locaute virou doce na boca dos analistas de facebook. Porque não atende à nossa noção de “movimento” ideal, os caminhoneiros que legitimamente se mobilizaram em nome da redução do preço do diesel estão sendo taxados de vendidos e cooptados, como uma massa amorfa preparada para ser manipulada.

Os “puristas” não entendem a complexidade da categoria, e tampouco atentam para a dificuldade que é promover a mobilização ampla desses trabalhadores, tendo em vista não só a precarização extrema à qual estão sujeitos, mas também à realidade itinerante de seu trabalho. Soma-se a isso o duro golpe que atualmente foi proferido contra as entidades sindicais menores de autônomos, com o fim da obrigatoriedade do imposto sindical. Sinto dizer aos colegas acadêmicos, portanto, que nem sempre nossos modelos de análise social se aplicam a realidade. Não se trata de uma disputa entre o bem e o mau; nem de um movimento totalmente cooptável e ilegítimo; uma massa manipulável e “bobinha”. Por outro lado, também não é um movimento cujos protagonistas tem uma consciência enquanto classe, enquanto categoria. Não é unificado, as pautas são heterogêneas e também voláteis. Por tudo isso, parte desses trabalhadores expressam reações conservadores e, alguns grupos, visões extremistas sobre a política e suas estratégias de luta.

Nada disso, ao meu ver, torna ilegítima a mobilização. Pelo contrário, é um convite para que busquemos entender mais das categorias sociais e para que aceitemos que as mobilizações sociais nem sempre atendem ao nosso critério idealizado de pauta, objetivo e organização.