Como o aquecimento global pode levar à falta de cerveja no mundo

Estudo mostra que os fenômenos climáticos contemporâneos podem acabar com os estoques globais de cerveja

O PROBLEMA, CONFORME APONTAM OS PESQUISADORES, É QUE AS SECAS E ONDAS DE CALOR CONCOMITANTE DEVEM LEVAR A DECLÍNIOS BRUSCOS NO RENDIMENTO DAS COLHEITAS DE CEVADA, GRAMÍNEA CEREALÍFERA QUE É O PRINCIPAL INGREDIENTE DA APRECIADA BEBIDA (FOTO: ORSE VIA BBC)

VIA BBC Brasil

Não é que os cientistas estejam botando água no seu chope. Nem é que o aquecimento global vá terminar esquentando também seu copo. Na realidade, conforme mostra estudo publicado nesta segunda-feira, os fenômenos climáticos contemporâneos podem acabar com os estoques globais de cerveja.

A conclusão, publicada no periódico Nature Plants, é que as secas e ondas de calor concomitantes – que andam agravadas pelo aquecimento global provocado pelo homem – devem levar a declínios bruscos no rendimento das colheitas de cevada, gramínea cerealífera que é o principal ingrediente da apreciada bebida. Principalmente se os níveis de emissão de carbono continuarem como estão hoje.

A perda de produtividade nas colheitas de cevada pode chegar a 17%, o que deve fazer o preço da cerveja dobrar ou até mesmo triplicar em alguns lugares do mundo.

“Embora esse não seja o impacto futuro mais preocupante da mudança climática, extremos climáticos relacionados a isso podem ameaçar a oferta e a acessibilidade econômica da cerveja”, diz o estudo, desenvolvido por cientistas da Universidade da Califórnia, da Universidade Chinesa de Pequim, da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, do Centro Internacional Mexicano para Melhorias do Milho e do Trigo e da Universidade de East Anglia (Inglaterra).

A primeira consequência dessa queda de produção, segundo os modelos matemáticos do estudo, será um intenso aumento nos preços da bebida. A pesquisa avaliou a situação de 34 regiões produtoras de cevada, antes e depois do ano de 2050.

“Chegamos a essa conclusão integrando em nossa pesquisa as informações das mudanças climáticas, das safras de cevada, do comércio internacional e de condições socioeconômicas”, explicou à BBC News Brasil o economista Dabo Guan, professor de Economia das Mudanças Climáticas da Universidade de East Anglia. “Com todos esses dados juntos, pudemos estimar o impacto que o cenário terá na cerveja, um produto essencial para uma quantidade significativa de pessoas no mundo.”

“Nosso estudo não quer dizer que as pessoas vão beber mais cerveja hoje do que amanhã, tampouco que precisaremos nos adaptar para um novo consumo de cerveja”, prossegue Guan. “Na realidade, pretendemos alertar as pessoas, especialmente nos países desenvolvidos, que a segurança alimentar é importante – e que a mudança climática vai afetar seu dia a dia e sua qualidade de vida.”

Ele lembra que, no cenário de aquecimento global, todas as culturas serão afetadas. “Mas neste estudo, utilizamos a cevada para ilustrar esse problema”.

O que priorizar?
Pelas projeções dos cientistas, o cenário considerou como estará o planeta no futuro próximo considerando os níveis atuais de queima de combustíveis fósseis e emissões de dióxido de carbono. Na pior das hipóteses, as regiões do mundo onde mais se cultiva cevada – como pradarias canadenses, regiões da Europa e da Austrália, e a estepe asiática – devem experimentar secas e ondas de calor cada vez mais frequentes.

É importante lembrar que apenas 17% da cevada produzida no mundo é usada para a fabricação da cerveja. O restante é colhido e se torna alimento para gado. Os pesquisadores se perguntam como será o conflito no futuro, diante da escassez da cevada: os produtores deverão priorizar animais com fome ou humanos com sede?

Aplicando o modelo matemático que considera sazonais produções históricas um pouco mais baixas, a conclusão dos cientistas foi que, sim, nessa queda de braço quem costuma ganhar é o gado, e não o homem. Os produtores tendem a privilegiar a cadeia estabelecida do negócio bovino, em vez de destinar os grãos para a cerveja.

O mesmo modelo ainda aponta como diferentes regiões do mundo devem reagir a seu modo diante da redução da produtividade de cerveja. Países mais ricos e amantes da bebida, como Bélgica, Dinamarca, Polônia e Canadá, por exemplo, devem resolver a equação subindo o preço final.

Nesse cenário, um pacote de seis cervejas comuns pode chegar a custar o equivalente a US$ 20 (R$ 75, na cotação atual), conforme estima o estudo – mesmo assim, populações de nações desenvolvidas talvez conseguissem absorver tal custo. Na média, conforme aponta o estudo, o preço da cerveja deve dobrar. A pesquisa considera que em casos de queda de 4% da produção de cevada, a bebida acaba custando 15% a mais.

Por outro lado, em países de população mais pobre, como a China e o Brasil, o consumo de cerveja tende a cair.

As projeções indicam que o fornecimento de cerveja em todo o mundo deve cair cerca de 16%. Segundo os pesquisadores, isso equivaleria a todo o consumo de cerveja dos Estados Unidos.

O que fazer a respeito?
A cerveja é considerada a terceira bebida mais consumida no mundo – e a primeira entre as alcoólicas -, só perdendo para a água e para o café. São 182 bilhões de litros por ano.

Se na média global, a produção de cerveja responde por 17% das lavouras de cevada, essa parcela varia muito conforme a região. No Brasil, por exemplo, onde não é comum alimentar gado com cevada, 83% do cereal cultivado é destinado para a produção da bebida. Na Austrália, esse número é de apenas 9%.

“Nosso estudo se concentrou na cevada, que é o principal ingrediente da cerveja. Analisamos a frequência com que vemos condições precárias para cultivar cevada em todo o mundo – anos com calor extremo e seca severa. Esses eventos extremos são muito mais difíceis para os agricultores se adaptarem do que as mudanças médias no clima”, disse à BBC News Brasil o pesquisador Nathan Mueller, professor do Departamento de Ciências da Terra da Universidade da Califórnia.

“Descobrimos que a incidência e a gravidade dos eventos extremos aumentam substancialmente à medida que as temperaturas médias globais sobem. Combinando um modelo de safra e um modelo da economia global de alimentos, podemos estimar as mudanças nos preços e no consumo de cerveja em todo o mundo resultantes desses eventos extremos.”

Mueller dá uma solução para que a estiagem não chegue aos nossos pobres copos: conscientização ambiental.

“Se conseguirmos diminuir nossas emissões de gases de efeito estufa e limitar a magnitude geral das mudanças climáticas, ajudaremos a evitar os piores cenários que simulamos nesta análise”, vislumbra. “Note que, enquanto os aumentos de preço em uma garrafa de cerveja são modestos em uma perspectiva de baixas emissões de carbono, eles realmente aumentam substancialmente em um mundo de alta emissão.”

Como administrar no século XXI?

Para uma boa administração, é preciso inovar

Publieditorial, PÓS ADM FGV, via administradores.com

Em um mundo que passa por mudanças diariamente, os administradores de negócios de todas as áreas se encontram diante de um dilema: qual a melhor maneira de administrar no século XXI? Por mais que uma boa gestão tenha alguns princípios fundamentais que não mudam, como organização e planejamento, há questões específicas que precisam ser observadas juntos aos desafios deste novo século.

Primeiramente, é preciso reconhecer que o cenário atual pede preparo e atualizações constantes. São inúmeras as empresas que acabaram indo à falência nos últimos anos porque não souberam reconhecer as mudanças do mercado e acabaram insistindo em modelos de negócios que não eram mais adequados e sustentáveis ao longo prazo. O administrador deste novo século compreende que readaptar é preciso, e que ser flexível é uma qualidade. Tudo isso, é claro, sem perder a sensatez: ele deve ser criterioso na hora de aderir a tendências, para evitar que o negócio ou empresa aposte demais em tendências passageiras.

Para uma boa administração, também é preciso inovar. E se engana quem acredita que a inovação é difícil de ser alnçada, que requer necessariamente investimentos altos e grandes tecnologias. Para inovar, basta enxergar novas possibilidades e executar mudanças que resultem em melhorias. Em organizações, por exemplo, é possível estimular a inovação apenas promovendo um ambiente em que é possível a troca de ideias, experiências e expertise de diferentes áreas. Incentivando equipes com conhecimentos diferentes a interagirem ou resolverem problemas pode levar a ideias que não surgiriam se todos estivessem concentrados em suas áreas específicas.

Além disso, é importante lembrar que a chave de qualquer negócio são as pessoas. Com tantas tecnologias disponíveis, é possível que o administrador esqueça que qualquer bom desempenho depende da qualidade da equipe. Não há dispositivos, ferramentas ou aparatos tecnológicos que superem um time treinado, motivado e que trabalha em sintonia. É imprescindível, também, lembrar do público que você deseja impactar. Assim como o mercado, as pessoas também mudam, e suas necessidades e comportamentos evoluem. Ter visão para entender o consumidor e quais são as suas demandas faz toda a diferença.

E você, o que acredita que é necessário para administrar no século XXI? Se seu desejo é ser um profissional preparado, atualizado em todas as práticas e teorias mais recentes e importantes do mercado, não deixe de conhecer o PÓS ADM FGV.

Criatividade: vale a pena ir além dos 100% 2

Ao longo dos últimos anos, o grau de exigência (e de excelência) dos players desse nosso universo aumentou à medida que novas práticas foram introduzidas

Marcos Tadashi Uegama, Administradores.com

Quem vive o dia a dia do mercado eventos sente a necessidade de se manter próximo a pessoas que tenham um DNA criativo, que não só apresentem boas ideias, mas que também saibam tirar do papel as estratégias pensadas para cada trabalho e que sejam capazes de ir (bem) além de tudo o que for proposto. Ao longo dos anos, tenho observado que “surpreender sempre” é o mindset que separa quem “faz eventos por fazer” daqueles que são imbatíveis porque “sempre fazem bem feito”. Também percebo que quem tem esse perfil nunca se esquece que proporcionar ao contratante tudo o que ele deseja, lidando com suas expectativas e, ao mesmo tempo, garantindo qualidade nas entregas é um trabalho de imensa responsabilidade. Portanto, quem vence sabe que, acomodar-se, jamais!

Uma coisa é certa: ao longo dos últimos anos, o grau de exigência (e de excelência) dos players desse nosso universo aumentou à medida que novas práticas foram introduzidas. Isso gera uma “provocação” antes das entregas, pois só quem está por dentro das tendências e as assume em seu cotidiano consegue se destacar e fidelizar os clientes. Num segmento aberto a novidades e ansioso por elas – a bola da vez é o uso assertivo da tecnologia na condução e execução de processos – tornou-se impossível dissociar a criatividade dos recursos tecnológicos, e não adianta ter ideias fabulosas ou insights maravilhosos se não há meios efetivos de transformar isso tudo em realidade. É aí que reside o nosso grande diferencial: a capacidade de sempre assumir uma posição de vanguarda, combinando uma equipe evoluída, ideias surpreendentes e uma infraestrutura operacional de respeito.

É muito interessante (eu diria até que é curioso) fazer parte dessa engrenagem e, ao mesmo tempo, ter um distanciamento crítico para observar a maturidade do time com o qual eu lido em meu cotidiano. E, definitivamente, é esse “fator surpresa” que se enche os olhos dos nossos clientes. Eu mesmo me surpreendo constantemente. E, por mais que eu conheça os projetos a fundo e saiba quais são os planos para cada job, as minhas expectativas sempre são superadas. Invariavelmente eu me pergunto: “nossa, como isso foi possível?”. A resposta é simples: sinergia, confiança mútua e uma busca incansável pela superação. E entrosamento, que é uma coisa que só se fortalece com o tempo – o mais “novo” em nossa equipe já soma cinco anos de casa.

Transformar em realidade o que é pensado em cada projeto é bem complexo, porque muitas vezes a criação não pode se balizar muito na técnica ou ser fechada. É preciso sempre pensar fora da caixa, porque pode acontecer, por exemplo, de surgirem ideias complexas, e caberá a nós concretizar tudo o que o criativo pensou. E, justamente por eles serem bons na hora de pensar, nós temos que acompanhar em alto nível a efetivação de cada projeto. É por isso que contamos com profissionais preparados para as mais diversas áreas e atribuições, porque cabe a nós bolar soluções para que tudo aquilo que foi criado dê certo.

É incrível ser testemunha da rápida transformação que passamos em termos de maquinário. Se há 10 anos usávamos martelo, prego e escada, hoje temos máquinas bem eficientes, que são os nossos trunfos para a execução de projetos que são aprovados em um prazo cada vez mais apertado – é importante destacar que quem não tem espaço fabril adequado e equipes treinadas não consegue suprir esse tipo de demanda que o mercado impõe. Para se ter uma ideia, um martelo pneumático reduz em 70% o tempo gasto em uma montagem, fazendo com que o funcionário não sofra lesões por fadiga (por conta dos movimentos repetitivos) e dinamizando a entrega como um todo. Já as plataformas verticais trazem segurança nos processos de montagem. Outro exemplo que vale destacar é o corte CNC, que nos ajuda a viabilizar muitos projetos, uma vez que conseguimos ter cortes perfeitos e aproveitamento máximo dos materiais, gerando pouco descarte. Quem imaginava que um dia teríamos à disposição no ambiente fabril de cenografia cortes com fresas, cortes a laser e seccionadoras – e tudo em um comando único e computadorizado?

Procuramos seguir um raciocínio industrial apurado, mas sem perder o raciocínio cenográfico, e sempre investimos em tecnologia, sem esquecer a preocupação com o meio ambiente. É esse o raciocínio que se aplica à nossa fábrica, um espaço com características de um green building e que é fruto de uma cultura que prega o uso consciente de recursos e a sustentabilidade ambiental. É nesse espaço que os sonhos dos nossos clientes se tornam literalmente realidade pela primeira vez, quando realizamos a pré-montagem antes da montagem final. É uma sensação indescritível ver o brilho nos olhos dos contratantes quando eles entendem que tudo deu certo – e que tudo irá dar certo no grande dia. Já chegamos a ouvir de uma cliente que era como se ela estivesse vendo o ultrassom do seu filho antes dele nascer. Isso, definitivamente, não tem preço!

Criatividade é isso: é dar o melhor de si, é fazer acontecer, é surpreender sempre. E sempre ir além dos 100% de possibilidades, com plena consciência de que o que está ótimo pode ficar excelente.

Marcos Tadashi Uegama — Gerente de produção da GTM Cenografia

Campanha nacional de sindicalização da CUT começa por sindicatos filiados à FNU


A Federação Nacional dos Urbanitários – FNU – dá o pontapé inicial na campanha nacional de incentivo à sindicalização elaborada pela CUT – Central Única dos Trabalhadores – para suas entidades filiadas.

Nesta quinta-feira (20/9), o Sindicato dos Urbanitários do Pará – Stiu-PA – começa sua campanha, que dispõe de artes para materiais personalizados, disponibilizados pela CUT. Trata-se de um conjunto de peças publicitárias para dar apoio aos sindicatos no convencimento dos trabalhadores sobre a importância de serem sindicalizados.

Para o presidente da FNU, Pedro Blois, “o importante é aproveitar esses subsídios para fortalecer e legitimar ainda mais cada sindicato com o aumento do número de associados”.

“A campanha ganha importância no contexto atual, onde foram retirados direitos trabalhistas promovidos pelo governo ilegítimo de Temer e do PSDB  e a clara tentativa de enfraquecer os sindicatos”, afirma Pedro Blois.

A FNU indica aos sindicatos que a campanha de incentivo à sindicalização também abranja os  funcionários terceirizados e lembre a todos os trabalhadores que os não sindicalizados podem ficar sem os benefícios conquistados em futuros acordos coletivos de trabalhos.

A partir de agora, os sindicatos filiados à FNU interessados em terem suas campanhas personalizadas devem entrar em contato com a presidente Pedro Blois, para que seja dado o encaminhamento junto a CUT.\

CONCEITO DA CAMPANHA: “a abelhinha”

SINDICATO FORTE: RESISTIR E CONQUISTAR

A identidade visual proposta para a campanha baseia-se na mascote “abelha” utilizada em uma memorável campanha de sindicalização da CUT há tempos atrás. O conceito da abelha é apropriado como símbolo de união, trabalho e organização, pela forma como defendem seu território. Além disso, também contempla o resgate das conquistas do movimento sindical.

O relato de muitos dirigentes que citam a “campanha da abelhinha” como uma das que mais se recordam ou como a que os mobilizou a ingressar no movimento sindical chama a atenção pelo componente emocional, que demonstra principalmente o orgulho de pertencimento.

(FONTE: fnucut)

Os presidenciáveis e a Previdência 18

Os tucanos, historicamente favoráveis aos ajustes na Previdência, mas que titubearam e não apoiaram em bloco a reforma proposta por Michel Temer, propugnam reformular o formato atual, com a instituição, por exemplo, de idade mínima e da proibição de acúmulo de benefícios.

Por Eden Jr.*

Os números sobre a Previdência brasileira são inequívocos – ou pelo menos deveriam ser. Entretanto, o país que se “dá ao luxo” de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ­– flagrantemente capturada por interesses corporativistas – para confrontar todas as estatísticas oficiais, deste e dos governos passados, e afirmar que não há déficit na Previdência, é um caso à parte em todo o mundo. Voltando do universo paralelo, os últimos dados da Secretaria do Tesouro Nacional informam que entre janeiro e julho deste ano a Previdência dos trabalhadores da iniciativa privada, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), acumulou saldo negativo de R$ 107 bilhões (valor equivalente a mais de cinco vezes o orçamento total dos três Poderes do Estado do Maranhão em 2018).

O mesmo demonstrativo revela que nos primeiros sete meses do ano as contas do INSS vêm piorando, ano a ano, governo a governo, ficando no vermelho em R$ 33 bilhões (2011); R$ 33 bilhões (2012); R$ 41 bilhões (2013); R$ 36 bilhões (2014); R$ 47 bilhões (2015); R$ 78 bilhões (2016) e R$ 80 bilhões (2017). Por outro lado, considerando-se apenas as contas do Tesouro Nacional e do Banco Central, o Governo Federal teria superávit, até julho, de R$ 68 bilhões. Mas quando se inclui o déficit do INSS, a contabilidade do Governo Central (Tesouro, Banco Central e INSS) fica negativa em R$ 39 bilhões.

Em 2017 o INSS fechou no vermelho em R$ 182 bilhões. Os fundos de aposentadoria dos servidores públicos da União, estados e municípios – os chamados regimes próprios – também sofrem da mesma disfunção e exibem sucessivos déficits. A Previdência dos servidores federais registrou em 2017 um rombo de R$ 86 bilhões. Segundo levantamento da Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda, o conjunto dos fundos de previdências do funcionalismo estadual apresentou um buraco de R$ 93 bilhões no ano passado.

Grosso modo, existem dois tipos de Previdência. Tanto o INSS quanto o regime dos servidores federais e parte dos fundos dos funcionários estaduais e municipais funcionam num sistema de repartição. Nele a contribuição dos trabalhadores da ativa e do empregador (empresas e governos) cobrem o pagamento dos aposentados. Nesse caso, para o equilíbrio é imprescindível que o mercado de trabalho esteja em franca expansão, de modo a gerar um contingente de trabalhadores em atividade bem maior do que o de aposentados. Hoje vemos uma forte crise econômica, que reduziu a quantidade de empregados. Daí a necessidade de ajustes.

No sistema de capitalização a contribuição de empregados e empregadores é depositada, durante a vida laboral, em contas individuais e esses recursos são aplicados por administradoras no mercado (ações, títulos públicos, imóveis, etc.), para render e garantir a aposentadoria dos trabalhadores. Nesse modelo, operam fundos como o Funpresp (dos servidores federais que ingressaram a partir de 2013), de empresas estatais, como a Funcef (da Caixa Econômica), ou privadas, como o Valiaprev (da Vale). No regime de repartição, há uma espécie de solidariedade e pacto geracional, pois, todos os trabalhadores contribuem para a aposentadoria de todos os aposentados. Já no sistema de capitalização, o viés é de individualidade, tendo em vista que cada um é responsável por constituir a sua própria aposentadoria.

Diante desse cenário desafiador, especialmente quanto à sustentabilidade do sistema previdenciário do Brasil, é indispensável saber as propostas dos principais candidatos ao Planalto sobre o tema, isso a duas semanas das eleições. A candidata da Rede, Marina Silva, e sua equipe, há tempos têm se manifestado favoravelmente à Reforma da Previdência, com a migração do modelo de repartição para o de capitalização. A questão é que com essa transição de regimes, de repartição para capitalização, surge o chamado “custo de transição”. Uma vez que o Estado, por um lado, continua com a responsabilidade do pagamento dos benefícios da massa de aposentados, e por outro, perde o fluxo das receitas das contribuições dos não aposentados, que doravante é aportado em contas individuais. Para tanto, os “marineiros” querem usar recursos advindos de privatizações para cobrir a despesa com a mudança de regime. Ciro Gomes, que até meados de 2017 afirmava não haver déficit previdenciário, agora propõe que seja feita a reforma. O pedetista planeja a constituição de um esquema com três pilares: um de repartição, com um teto menor do que os atuais R$ 5,6 mil do INSS; um de capitalização, para os que puderem contribuir e ter benefícios mais altos, e um assistencial, para quem não pode contribuir, que receberia apenas um salário mínimo.

Os tucanos, historicamente favoráveis aos ajustes na Previdência, mas que titubearam e não apoiaram em bloco a reforma proposta por Michel Temer, propugnam reformular o formato atual, com a instituição, por exemplo, de idade mínima e da proibição de acúmulo de benefícios. Geraldo Alckmin rejeita a introdução, nos próximos anos, de um modelo de capitalização, pois acredita que não haveria recursos para financiar a transição entre os sistemas, o que só agravaria o problema fiscal. O economista de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, sugere que sejam implantados apenas dois padrões de aposentadoria: um de capitalização, para os que tenham renda maior e possam contribuir mais, e outro de cunho social, que garanta rendimento mínimo, destinado àqueles que não conseguiram poupar. O petista Fernando Haddad e seus assessores econômicos acreditam que o atual sistema é sustentável, sendo necessário promover apenas pequenas mudanças pontuais, e afastam a necessidade de uma reforma urgente e ampla. A retomada do crescimento econômico, que redundará na elevação das receitas, trará a sustentabilidade para a Previdência, dizem eles.

Diante dos déficits crescentes e sucessivos na Previdência, sendo esses a principal fonte do colossal desequilíbrio das contas públicas, é indispensável tratar com a devida seriedade o tema. O PT é o único, dentre os principais postulantes à presidência, que desconsidera a necessidade de realizar imediatamente uma Reforma da Previdência, e preconiza somente reparos tópicos. Para evitar qualquer tipo de engodo pós-eleições, especialmente com uma questão que é alvo de toda a sorte de demagogia e atinge sensivelmente a vida de dezenas de milhões de brasileiros, é imprescindível a sociedade estar atenta para os compromissos de campanha. Não deve permitir que se venda um produto e depois se entregue outro.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)

As invasões bárbaras 12

Por Eden Jr.*

Quando na tarde da última quinta-feira, dia seis, chegaram as primeiras informações acerca do ataque sofrido pelo candidato à Presidência da República do Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro, uma parte da população estava entre a incredulidade e a perplexidade. Uma outra – lamentavelmente hipnotizada por teorias conspiratórias nonsenses – fez chacota da tentativa de assassinato e até mesmo cogitou algum tipo de complô perpetrado pelos grandes grupos de comunicação, sob comando de forças americanas, para vitimizar Bolsonaro e assim selar sua vitória na corrida presidencial.

Pelo menos não se pode reclamar de falta de coerência, pois quem acredita que auditores, policiais, promotores, juízes, desembargadores e ministros de tribunais superiores se mancomunam para perseguir um “inocente” ex-presidente da República, também admite que policiais, enfermeiros e médicos – de três hospitais distintos – podem engendrar um embuste para beneficiar um irascível candidato a presidente.

Entretanto a realidade é que Adélio Bispo de Oliveira, que engrossa o contingente de mais de 13 milhões de desempregados do país, tentou tirar a vida do candidato do PSL com um golpe de faca durante ato de campanha realizado em Juiz de Fora/MG. A insanidade cometida por Adélio – que foi filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) entre 2007 e 2014 – foi mais um lance brutal da escalada inconsequente, sem regras e sem limites, em que se converteu a disputa política.

Em realidade, chegamos ao paroxismo, porque sucessivas circunstâncias de agressividade, de natureza e gravidade variadas, em nossa contenda política, foram toleradas ou mesmo menosprezadas, o que acabou descambando nesses abomináveis lances de violência física. A crítica, a benevolência ou o desdém para com os atos de selvageria passaram a depender da corrente política seguida por agressores ou agredidos. Falta uma mínima dose de serenidade.

É simbólico que muitos tenham tratado como molecagem o incidente da “inofensiva bola de papel” arremessada em outubro de 2010 contra a cabeça do então presidenciável do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), José Serra, em evento de campanha no bairro de Campo Grande na cidade do Rio de Janeiro. Aí o que valeu não foi a intensidade, mas o gesto em si de descaso e de fúria para com o adversário – que para tantos se transformou em inimigo.

Outros episódios – que foram agravados ou desprezados, a depender da simpatia partidária de quem os analisava, mas que na realidade deveriam ter sido todos repudiados contundentemente, isso se estivéssemos em um ambiente político civilizado – podem ser facilmente recordados. A bomba arremessada no diretório regional do Partido dos Trabalhadores (PT) no centro de São Paulo em 2015. A hostilidade cometida neste ano pelos petistas, Manoel Marinho e Leandro Marinho, contra o empresário Carlos Alberto Bettoni, no momento em que ele participava de manifestação contra o PT em frente do Instituto Lula, em São Paulo, e que resultou em traumatismo craniano. Os tiros disparados, em maio último, em ônibus da caravana do ex-presidente Lula, no Paraná – isso depois desse mesmo comboio ter sido alvo de ovos e pedras em Santa Catarina. A agressão ao professor aposentado José Carlos Pithan, de 71 anos, quando participava de manifestação contra o ex-presidente petista na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, em março deste ano.

Em uma democracia há certos princípios, como o absoluto respeito às decisões judiciais e à liberdade de imprensa, que são inarredáveis, mas que vêm, com certa frequência, sendo flexibilizados neste infame contexto político que vivemos. Foi o caso da Mesa Diretora do Senado, quando desobedeceu à sentença de dezembro de 2016 do ministro do STF Marco Aurélio Mello, que afastava provisoriamente Renan Calheiros da presidência da Casa. Episódio semelhante foi o descumprimento da determinação – diga-se tresloucada – de mandar soltar o ex-presidente Lula, expedida pelo desembargador Rogério Favreto, que atuava como plantonista do Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4). O constrangimento a que foi submetida a jornalista da Globo, Míriam Leitão, que durante um voo entre Brasília e Rio de Janeiro foi hostilizada por militantes petistas. Ou mesmo a ofensa desferida neste ano por esquerdistas contra a repórter da TV Band, Joana Treptow, durante a cobertura da prisão do ex-presidente Lula no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo/SP.

Não há de se justificar, nem de longe, o ataque covarde sofrido por Bolsonaro em razão do perfil belicoso e autoritário do candidato. No primeiro dia de setembro, Bolsonaro afirmou que iria “fuzilar a petralhada do Acre”, durante sua passagem pela capital acreana, Rio Branco. Uma declaração ignóbil, sem a menor dúvida. A situação está no STF, como deveria ser, e o candidato terá que se explicar pela fala e poderá ser punido pelo que disse.

É prematuro prognosticar as repercussões do ocorrido para o certame eleitoral. A última pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada na quarta-feira, dia cinco, dava vantagem para Bolsonaro, com 22% das intenções de votos, seguido por Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT) com 12%, Geraldo Alckmin (PSDB) com 9% e Fernando Haddad (PT) com 6%. Esse levantamento pouco captou a influência do recém iniciado horário eleitoral gratuito na TV e no rádio, bem como do indeferimento, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da candidatura de Lula.

É necessário esperar que os fatos sejam depurados e aguardar como a sociedade vai absorver o sucedido. Porém, se tem como certo que qualquer presidente que seja eleito, só terá capacidade de remover o país da grave crise econômica e social em que está mergulhado, se conseguir, minimamente, conciliar a nação, superar o clima de conflagração e seguir as regras democráticas, sem surtos de autoritarismos e violência.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)

Denúncia: Há possibilidade de governo perdoar dívidas das distribuidoras Eletrobras vendidas 2

Em entrevista ao programa à Rádio Folha AM 1020 (Boa Vista – RR), no domingo (2/9), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Urbanitários do Estado de Roraima (Stiu-RR), Gissélio Cunha (foto), disse que as dívidas da Boa Vista Energia e demais distribuidoras da Eletrobras que foram vendidas, serão transferidas para a União, caso o Projeto de Lei Complementar nº 77/2018, que já foi aprovado na Câmara dos Deputados, passe no Senado Federal.

“Estamos indo nessa semana para Brasília para fazer um corpo a corpo com os senadores, para tentar barrar o PLC 77. E fazemos um apelo ao Ministério Público para que atue na nossa causa que é de toda a sociedade roraimense. Parte da dívida da Boa Vista Energia com a Eletronorte que chega perto dos R$ 900 milhões, vai ser transferida para a União, ou seja, para o nosso bolso”, alerta o sindicalista.

Gissélio lembra que a empresa que comprou a Boa Vista Energia comprou também a concessão. “A população vai ficar sujeita ao monopólio de uma única empresa, inclusive comunidades indígenas, ribeirinhas. A venda pode resultar em um aumento inicial na tarifa de energia de 19,03 % a partir de primeiro de novembro”, alertou.

“Somos um sistema isolado da Federação, a solução para Roraima é interligar ao sistema nacional. E a gente faz um apelo à sociedade para que acompanhe a situação do sistema energético de nosso estado, já que falta compromisso político”, completa.

Venda
O consórcio Oliveira-Atem arrematou por R$ 50 mil a Boa Vista Energia uma das distribuidoras da Eletrobras, realizado na quinta-feira, 30 de agosto, na Bolsa de Valores de São Paulo. O consórcio foi o único a oferecer proposta pela distribuidora de Roraima e venceu o leilão pelo lance mínimo.

A Oliveira Energia é sediada em Manaus e opera na geração energia termelétrica, administrando cerca de quarenta usinas termoelétricas no Amazonas e em Roraima. A Atem é uma distribuidora de combustíveis. (fonte: Folha BV)

Nossa luta não tem trégua! Agora toda a pressão junto aos senadores para não aprovarem o projeto sobre as distribuidoras, uma vez que, em liminar, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o governo de privatizar empresas estatais sem prévia autorização do Congresso

(Fonte: Federação Nacional dos Urbanitários-FNU)

Turquia assusta 2

Por Eden Jr.*

O mundo está mais imprevisível. Depois da erupção de distúrbios econômicos na Argentina, do ciclo de elevação dos juros americanos e do acirramento das divergências comerciais entre Estados Unidos e China, agora foi a vez da Turquia colocar em xeque a prosperidade global. Isso a despeito do Fundo Monetário Internacional (FMI) ter projetado, em julho último, que o crescimento global será de 3,9% neste ano.

O novo imbróglio planetário teve início com o anúncio feito pelo presidente americano, Donald Trump, de que dobraria as tarifas de importação do aço e do alumínio exportados da Turquia para os EUA, para 50% e 20% respectivamente. Existem duas versões para essa majoração de impostos. Uma oficial, de que a motivação teria o objetivo de dar um novo alento para a indústria americana de aço e alumínio, que vem perdendo competitividade perante seus concorrentes. E outra mais aceita – dado o perfil inconstante do mandatário americano – de que a elevação foi uma retaliação à prisão, pelo presidente turco Recep Erdogan, do pastor estadunidense Andrew Brunson, acusado de espionagem e terrorismo, atos ligados à tentativa de golpe de estado ocorrido em 2016 no país. Inclusive, nas últimas semanas o governo americano tinha agido para libertar o pastor.

As perturbações econômicas repercutiram logo na moeda turca, a lira, que tem enfrentado uma crise de confiança e passou por forte desvalorização em relação ao dólar e ao euro. Para defender a divisa local, o presidente Erdogan tem estimulado, sem muito sucesso, uma espécie de “cruzada nacional”, ao incentivar que os turcos troquem ouro e outras moedas pela lira, buscando assim, brecar a desvalorização da lira. Uma implicação imediata da queda da lira é que paira o temor de um amplo calote das empresas turcas, que estão com nível alto de endividamento, tanto perante os bancos locais quanto aos estrangeiros. Fato que redunda em pressão sobre todo o sistema bancário.

Fora isso, a economia turca padece de problemas que já vinham se acentuando recentemente, apesar do crescimento do país ter sido de 7,4% ano passado, o que a colocou entre as nações de mais forte expansão, juntamente com China e Índia. A inflação, que vem se acelerando e está na casa dos 16% em valores anualizados até julho, é uma dessas dificuldades. Para tentar brecar a escalada dos preços, o remédio mais recomendado seria a elevação dos juros pelo Banco Central local. Contudo, o presidente Erdogan indicou que os juros não vão subir, pois podem deprimir o crescimento, fato que deixa clara a falta de autonomia da autoridade monetária. A inflação deve ser retroalimentada pela queda da lira, pois ficará mais caro importar produtos indispensáveis, como petróleo, gás e energia elétrica. As contas públicas são outra fonte de dúvidas. O endividamento do governo sofre ampliação rapidamente nos últimos anos: saiu de 39% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 e atingiu 60%.

Entretanto, Erdogan também já avisou que não adotará os impopulares cortes de despesas. E como cerca de 40% dessa dívida é em moeda estrangeira, vai ficar cada vez mais caro honrar esse compromisso, tendo em vista a desvalorização da lira.

Outro flanco da Turquia é o comércio internacional. Os persistentes déficits nas transações comerciais com o resto do mundo causam perplexidade entre os analistas. O rombo turco com seus parceiros comerciais foi de 32 bilhões de dólares em 2015 para 47 bilhões em 2017, e ficou em 31 bilhões somente no primeiro semestre deste ano. Diante das atuais incertezas, não se sabe o que o país fará para continuar sustentando um comércio internacional cada vez mais deficitário.

O grande questionamento que se faz é até onde a turbulência da Turquia – que representa apenas 1,7% do PIB global e é tão-somente a 17ª maior economia do planeta – pode impactar o desempenho mundial. Os desdobramentos são de naturezas e magnitudes diversas. Na Argentina – que angaria desconfiança em razão dos abalos sofridos recentemente, com o peso desvalorizando 70% nos últimos 12 meses, que enfrenta déficits fiscal e no comércio exterior e previsão, para este ano, de queda no PIB de 1% e de inflação de 30% – o Banco Central alçou os juros a 45% ao ano (a maior taxa do mundo). Esse movimento do BC argentino vai dificultar a melhora econômica.

Na Itália, os juros subiram pela possiblidade de revogação da “Lei Fornero” (que endureceu as regras de aposentadorias), o que pode resultar no aumento da já elevada dívida pública, além de haver questionamentos quanto ao vigor do sistema bancário. Especialmente do maior banco do italiano, o Unicredit, que tem altas somas emprestadas ao governo turco. O Banco Central Europeu (BCE) está receoso com a exposição de bancos europeus, como BBVA e BNP Paribas, que que têm significativas participações em instituições financeiras turcas. Bancos das cinco principais nações do continente – Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Espanha – têm mais de 171 bilhões de euros aplicados na Turquia.

Já no Brasil, o real tem se depreciado. O dólar se valorizou mais de 20% neste ano, e na última semana rompeu a barreira dos quatro reais, atingindo a terceira maior cotação da história. Contudo, a alta da moeda americana no Brasil não tem relação somente com a crise turca, mas sobretudo, com os sucessivos déficits públicos e com o avanço da corrida eleitoral. Isso pois, as pesquisas divulgadas trazem como favoritos candidatos que não têm se mostrado comprometidos com reformas econômicas, circunstância que traz adversidades para o crescimento de longo prazo.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)

Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU, morre aos 80 anos 2

O diplomata ganês ocupou durante dez anos o cargo mais alto da Organização das Nações Unidas (ONU), denunciou a guerra no Iraque e chegou a receber o Prêmio Nobel da Paz

Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU Foto: REUTERS/Valentin Flauraud/File Photo.

O ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, faleceu aos 80 anos, neste sábado, 18. A fundação que carrega seu nome anunciou sua morte, por meio de um comunicado, apenas indicando que ele teria sofrido uma doença súbita. Nascido em Gana em 1938, o africano foi um dos ganhadores do prêmio Nobel da Paz.

Chefe da diplomacia das Nações Unidas entre 1997 e 2006, ele foi internado às pressas num hospital de Berna, na Suíça. Os detalhes sobre seu funeral ainda estão sendo organizados.

António Guterres, atual secretário-geral da ONU, emitiu um comunicado expressando sua “profunda tristeza”. “De muitas formas, Annan era a ONU. Ele subiu dentro da organização para lidera-lá ao novo milênio, com dignidade e determinação”, escreveu. O português insistiu que Annan foi seu mentor e indicou que, “em tempos turbulentos”, ele nunca deixou de agir.

Annan mantinha uma estreita amizade com Sergio Vieira de Mello, o brasileiro que liderou a ONU por algumas das maiores crises humanitárias e que morreu há 15 anos em Bagdá.

Annan ainda teve seu mandato marcado pela decisão de denunciar como “ilegal” a guerra de George W. Bush no Iraque. A partir de então, ele passou a ser alvo de ataques por parte da diplomacia americana. Meses depois de sua declaração, Annan viu seu filho acusado de envolvimento em escândalos de corrupção. O africano ficou abalado com a ofensiva contra ele e sua família e, por meses, chegou a perder sua voz.