Seu propósito é ser vocêDébora Zanelato

Para levar uma vida mais realizada e com mais sentido, o primeiro passo, diz a coach Paula Abreu, é descobrir quem somos de verdade

Débora Zanelato, via Vida Simples

Seu propósito de vida é ser você. Não se deixe levar pelo ego, não acredite que você existe para um propósito especial ou extraordinário. A sua existência já é extraordinária.” É assim que a coach Paula Abreu começa a falar em seu livro sobre uma questão tão recorrente em nossos dias: o propósito da nossa vida. A autora de Escolha Sua Vida (Sextante) defende que, para sermos felizes, o primeiro passo é mergulhar em uma autodescoberta. “Ficamos presos a conceitos e histórias que nos foram impostas, inclusive conceitos sobre o que é a felicidade”, ela diz. E o medo (de fracassar ou até mesmo de algo dar certo) precisa ser deixado de lado se quisermos realizar nossos sonhos.

De onde vem nosso medo de arriscar, de fracassar?

Você diz que tem a ver com nosso conceito de felicidade… Quando somos crianças, muitas vezes sabemos o que queremos. A gente pensa em algo que gostaria de fazer e ser feliz. Mas depois a gente cresce e descobre que ser feliz é algo complicado, temos que cumprir uma série de etapas, e assim você vai ganhando um montão de camadas que não eram suas. E, quando conseguimos nos despir dessas camadas, tudo o que é diferente disso dá medo. É o que eu brinco de “felicidade do Facebook”. Qual felicidade você quer? A de verdade ou aquela que você pode mostrar e todo mundo vai entender como felicidade? Tinha amigas que falavam ter inveja de mim. Porque eu tinha um emprego maravilhoso, um casamento dos sonhos, filho… Mas eu não estava feliz! Só que existe o medo de abandonar isso e o receio das críticas. Então eu digo que o medo vem, dentre alguns fatores, da falta de clareza. Não temos clareza do que realmente queremos.

E qual é a importância de ser quem somos nesse processo?

O seu propósito de vida deve ser você. Quando você descobre quem é e expressa a sua verdade, acontece um despertar. Você fica mais consciente dessas camadas e condicionamentos, que não são seus e não lhe representam. Percebo que as pessoas ficam tensas sobre qual é o seu propósito, e costumo dizer para ficarem calmas porque o propósito de vida de cada um é ser você mesmo e ser feliz. E o secundário, que é fazer o que você gosta, está alinhado a isso, a ser você mesmo. Ao descobrir quem você é de verdade, passa a ter menos medo. O que as pessoas vão falar não importa. Então você aprende a dizer não. Em geral, não conseguimos dizer não por medo de decepcionar o outro, e também pelo mal-estar de achar que, ao recusar, estamos perdendo alguma coisa muito legal. Mas, quando você sabe o que é e o que quer, se torna capaz de dizer não com liberdade e entende que isso é essencial para não tirá-lo daquilo que ama. Um não necessário é um sim para você.

Que caminhos você propõe para essa descoberta de nós mesmos?

O jeito mais eficiente é se fazer perguntas. Se não temos as respostas que queremos, precisamos criar perguntas diferentes. Reclamamos da nossa realidade em vez de procurar o que pode ser aprendido com o desafio. Eu incentivo as pessoas a criar um caderno do eu. Listar o que amam, odeiam, seus valores. E sugiro que, todos os dias, criem duas perguntas e saiam pelo mundo em busca de respostas. Enquanto cada um não parar para refletir sobre si mesmo nada vai mudar. Nosso eu está embaixo de camadas de crenças e valores. Se reparar, buscamos ser como todo mundo. E, segundo disse Carl Jung, imitar os outros é algo útil para o coletivo, mas muito nocivo para a individualidade.

Como expressar quem você verdadeiramente é?

O primeiro passo é saber que você não vai agradar a todos. É poder ser impopular. Quando a gente quer se expressar, tem que abraçar a vulnerabilidade. É muito melhor agradar quem tem a ver e quem vai gostar de você por ser quem você é. Não quero pessoas que gostem de mim pela roupa que estou usando ou pelo cargo que tenho. Porque amanhã posso não ser isso. Quero alguém que goste da minha essência. Eu sou coach e as pessoas têm a imagem de um profissional muito sério, contido. Eu já dei sessão em que toquei ukulelê (instrumento de cordas), fiz trampolim. Coach pode fazer trampolim? Não sei, mas eu faço. Tem gente que não virá até mim porque procura a imagem de uma pessoa respeitável, mas outros virão justamente por se identificarem com meu jeito.

E como lidar com as críticas?

Acredito que, quando você está tranquilo do que está fazendo, percebe que a crítica do outro, na verdade, tem a ver com ele próprio. Quando decidi não ter mais carro, as pessoas se incomodaram. Mas é um incômodo delas, percebe? Porque elas acreditam que não dá para viver sem um automóvel. A gente fica mais tranquilo quando entende que a história é só dela e não é mais minha. Ao fazermos uma escolha diferente, nos tornamos um holofote na vida do outro, e ele sente que também deveria estar fazendo algo diferente. Então, quando eu não tenho um carro, todas as pessoas que acham que isso é necessário são quase obrigadas a pensar que é possível não ter um carro. E isso gera um incômodo.

Você também diz que, além do receio de fracassar, o medo do sucesso também nos impede de realizar sonhos. Como é isso?

Muita gente tem medo de fazer algo que dá certo. Quando pergunto quais são as consequências possíveis se aquele objetivo der certo, muitas vezes encontro algo que é resultado disso e a está impedindo de atingir a meta. Tive uma cliente que queria emagrecer, mas nunca conseguia. E chegamos à conclusão de que ela tinha a fantasia de que, quando ficasse magra, seria mais popular e não saberia como reagir a isso, pois era tímida. Ou seja, o medo criou uma história na cabeça dela. Ao longo do programa, coloquei como desafio que, todos os dias, ela tivesse uma conversa com um desconhecido. Costumo dizer que, além da clareza que ajuda a vencer o medo, você também precisa “queimar os barcos”, agir.

E quando a pessoa procrastina por um perfeccionismo?

Não existe pessoa que está empacada porque é perfeccionista. Quando ouço isso, digo que ela está mentindo para si mesma. Ninguém atinge a perfeição. Só se atinge a perfeição aperfeiçoando. Se está empacando porque fica planejando, pode no máximo chegar a um plano perfeito, mas todo plano precisa de um campo de batalha. Porque, na prática, as coisas serão diferentes, você verá o que precisa ser ajustado, mudado. Haverá obstáculos com os quais não contava. É proveitoso se colocar em movimento imediato. Quem coloca a culpa no perfeccionismo está com medo ou insegurança. A pessoa que espera ter a melhor câmera para começar a fotografar corre o risco de nunca fazer uma foto.

E a justificativa de que não faz nada para mudar porque não tem tempo?

Isso acontece porque, em geral, desperdiçamos horas a fio com o que não importa. Você diz que não tem tempo, mas assiste a várias novelas, fala no WhastApp em diversos grupos. Perdemos tempo em pedacinhos, que, quando acumulados, resultam em muito tempo. Cinco minutos aqui, 15 ali e, quando se vê, uma hora se passou, tempo suficiente para fazer algo que você ama. Indico que as pessoas façam uma lista com todas as atividades, durante uma semana inteira. Isso inclui até o tempo em que acordou e levou 40 minutos pra sair da cama. Essa grande lista vai ajudar a avaliar o que pode ser delegado ou eliminado.

Quando falamos de empreender, temos a ideia de que isso envolve criar uma empresa, sair do emprego. Esse é o caminho?

Não necessariamente. Empreender a si mesmo não é empreender um negócio. O pensamento não é o de que para ser feliz não posso trabalhar em uma empresa. Eu também tenho pessoas que trabalham comigo, quero que sejam felizes no que fazem. O mais importante é encontrar um trabalho, seja ele a sua própria empresa, seja algo que já existe, que esteja alinhado com seu propósito primário: ser quem você é. Muitas pessoas até redescobrem o próprio emprego quando mergulham em quem elas são e mudam a relação com o trabalho que já têm. Vale lembrar que nessa descoberta não existem regras ou um único caminho. O grande propósito é sempre ser você mesmo.

São José de Ribamar abençoa e Acadêmicos do Tatuapé é bicampeã do carnaval paulistano

Só deu Maranhão no carnaval da maior cidade do país. Além do bicampeonato da Acadêmicos do Tatuapé, o segundo lugar ficou com Mocidade Alegre, que fez uma homenagem à cantora Alcione, de 70 anos, com um enredo marcado pelo clássico “Não deixa o samba morrer”, gravado pela Marrom em 1975

Confira a reportagem do Estadão.

Acadêmicos do Tatuapé se torna bicampeã do carnaval paulistano em 2018

Acadêmicos do Tatuapé tenta o bicampeonato homenageando o Maranhão. Foto: Felipe Rau/Estadão.

A Acadêmicos do Tatuapé é bicampeã do carnaval paulistano, com nota máxima em todos os quesitos. A Mocidade Alegre ficou com o vice-campeonato. A escola não conseguiu patrocínio e apostou no reaproveitamento de penas, pedras e outros materiais para poupar cerca de R$ 800 mil este ano.

De acordo com Eduardo dos Santos, o presidente da escola, mais de 90% das fantasias são recuperadas depois do carnaval. Para explicar o espírito por trás da ação, em entrevista à colunista do Estado, Sonia Racy, ele citou um samba-enredo da Salgueiro de 1986: “Tem que se tirar da cabeça aquilo que não se tem no bolso!”

A bicampeã levou carros colossais e deixou o sambódromo, na madrugada do sábado, já como forte candidata ao título. Ainda arriscou uma batida reggae, estilo musical que nasceu na Jamaica e é muito ouvido no Maranhão, tema do seu enredo. Já o carnavalesco Wagner Santos, que estreou na Tatuapé com vitória, desenvolveu um tema que conhece bem, já que é maranhense.

As escolas Unidos do Peruche e Independente Tricolor foram rebaixadas para o Grupo de Acesso.

Desfile. Em seu desfile no sábado, 10, a escola da zona leste de São Paulo levou carros colossais e fantasias ricas em detalhes para a avenida. Já ao fim do desfile, já era apontada como forte candidata ao bicampeonato.

A vice-campeã Mocidade Alegre fez uma homenagem à cantora Alcione, de 70 anos, com um enredo marcado pelo clássico “Não deixa o samba morrer”, gravado pela Marrom em 1975. Até a apuração da última categoria de notas, a escola ficou com o mesmo número de pontos das escolas Mocidade Alegre, Mancha verde, e Tom Maior. O resultado foi decidido por critérios de desempate.

No desfile da Mocidade, foi Alcione quem puxou seu próprio samba no começo do desfile ao lado dos intérpretes Tiganá e Ito Melodia, ainda no chão do Anhembi, e depois subiu no último carro da escola para ser homenageada como o enredo “A voz marrom que não deixa o samba morrer”. O investimento em grandes alegorias já apareceu no abre-alas da escola, formado por três carros que ressaltaram as belezas naturais do Estado do Nordeste e a influência dos franceses, que fundaram a capital São Luís no século XVII.

SÃO JOSÉ DE RIBAMAR: Acadêmicos do Tatuapé prestigia lançamento do Carnaval da cidade 2

A escola paulistana Acadêmicos do Tatuapé participou neste domingo (04) do lançamento do Carnaval de São José de Ribamar que este ano acontece de 10 a 13 de fevereiro. Com o tema “São José de Ribamar na Passarela do Mundo”, a edição 2018 faz alusão à homenagem feita pela escola, que este ano conta no sambódromo a rica história do santo padroeiro do Maranhão.

E foram eles, os legítimos representantes da agremiação campeã do carnaval de 2017, que deram o tom do que promete dominar nos dias oficiais da folia momesca. A programação também contou com o reforço e talento da cantora Negra Jane, de Goiânia, da bateria forte da Escola Unidos de Ribamar, Império Serrano de São Luís, Bloco Fênix, além da participação do cantador de Bumba Meu Boi, Chagas.

Para o prefeito ribamarense, Luis Fernando, o momento é de alegria e emoção, afinal o município ganhou de presente grande destaque internacional. “Estamos muito felizes em poder receber hoje aqui representantes da escola que cantam esse ano a religiosidade do nosso município além é claro do reforço que recebemos para alavancar cada vez mais o nosso carnaval”, completou.

A agremiação que esteve em São Luís para cumprir agenda carnavalesca, fez visita de cortesia para conhecer o município, receber as bênçãos do padroeiro, além é claro de apresentar oficialmente à população, o samba enredo que destaca as belezas e religiosidade do município que completou 65 anos de emancipação política.

Emocionado com a receptividade dos ribamarenses, o presidente da Acadêmicos do Tatuapé, Eduardo Santos, destacou toda a empolgação e expectativa da escola para mostrar na avenida a história do Maranhão. “Estamos muito felizes pela escolha e ansiosos para apresentar os detalhes de todo um trabalho que ao longo do ano estamos desenvolvendo. Temos certeza que São José de Ribamar, já abençoou”, brincou o presidente cantando o refrão do samba “Viva São José” que desfila na madrugada do dia 10.

A emoção também tomou conta de dona Elisa Moura. Ela conta que nasceu, foi criada no município, mas que não vai conseguir conter as lágrimas quando ouvir o nome do seu santo preferido ser cantado por uma verdadeira multidão. “Tô ansiosa querendo assistir esse desfile e pode ter certeza que eu e todos os ribamarenses vamos vibrar com a escola na avenida”, contou.

Circuitos da folia

A programação oficial vai contar com apresentações de cerca de 130 agremiações, genuinamente ribamarense, entre blocos organizados, afro, escolas de samba, bandas, artistas locais, dentre outros.

Além da Sede e Vilas, os circuitos da folia ainda contam com outros seis endereços, Parque Vitória, Matinha, Mata Grande, Vila Sarney Filho, Turiúba, e Nova Terra.

A segurança tanto para a prévia quanto dos espaços oficiais da folia, será reforçada por homens da polícia militar, corpo de bombeiros além da Guarda Municipal e seguranças.

Lava-Pratos

A 72ª edição do Carnaval do Lava Pratos será realizada nos dias 17 e 18 de no Parque Municipal do Folclore Therezinha Jansen, na orla marítima da sede da cidade.

A morte e o tempo verbal

A morte e o tempo verbal A primeira vez em que você precisa colocar uma pessoa no passado não é algo fácil de esquecer

Ruth Manus, via O Estado de S. Paulo

Eu não sei se morrer é difícil. Deve ser – em alguns casos mais do que em outros. Mas de uma coisa eu sei: ficar é muito difícil. Ficar é sangrento. Aliás, eu tenho muito mais medo de ir ficando do que de ir morrendo. Disse isso outro dia a uma amiga. Deus me livre de viver até os cento e poucos anos. Pra quê? Pra ver todo mundo morrendo antes de mim? Não, não estou disposta a ganhar essa competição.

Já aprendi que perder as pessoas é duro por muitos ângulos. Não se trata apenas da ausência. São as dúvidas. Por onde é que ele anda agora? Ou melhor, será que ele anda em algum lugar agora? E ele sabe que eu estou sofrendo? Ele sofre por eu estar sofrendo? São as hipóteses. E se ele ainda estivesse aqui? E se tivesse dado tempo de ele ficar mais um pouco? E se eu tivesse tido tempo de fazer diferente?

É difícil por muitas razões. Mas existe uma dificuldade muito pontual – e que até costuma ser rapidamente superada, mas que se alojou na minha memória como uma das partes mais cortantes desse processo. Trata-se da inusitada e inesquivável relação entre morte e tempo verbal.

A primeira vez em que você precisa colocar uma pessoa no passado não é algo fácil de esquecer. A primeira vez que você se flagra dizendo que ele “era”, que ele “gostava”, que “dizia e “frequentava” e “comia” e “dançava” e “fazia” e “ria” e “detestava” e “escrevia”.

A gente até pode se preparar para certas mortes. Podemos organizar a cabeça, preparar os documentos, pensar no rumo dos imóveis, na liberação do seguro e no advogado que cuidará do inventário. As mortes anunciadas têm essa incômoda vantagem. Mas ninguém se prepara para um verbo no passado.

E não importa quantas mortes a gente já tenha encarado: não existe experiência nem direito adquirido no ramo desses tempos verbais. Podemos nos habituar aos velórios, conhecer o melhor caminho para o cemitério, ter o contato do agente funerário na memória do celular, conhecer o juiz da Vara da Família e Sucessões pelo nome. Mas sempre que precisamos colocar alguém no pretérito imperfeito pela primeira vez é como se fôssemos absolutamente virgens naquela matéria.

A sensação é a de um abandono. Nosso para com eles, deles para conosco. Eles partiram e agora nós vamos colocá-los no passado. Eles já não são, eles eram. E não importa o quanto eles sigam sendo, no presente, dentro do nosso peito. Para o mundo, para o cartório, para a seguradora e para regência verbal, eles eram e já não são.

O Zé envernizava os móveis de madeira. A Má ria de absolutamente tudo. O Gabriel ia à igreja. O Cris cantava desde muito novo. O Paulinho velejava sob o céu azul. O Fernando dirigia televisão. O Chicão jogava handebol. O Marcito mergulhava no fundo do mar. O Urian pintava com maestria.

Dizendo hoje até pode soar bonito, como um passado consolidado em memória. Mas na primeira vez em que se diz, de bonito não tem nada. Nem na segunda e provavelmente na terceira também não. Dá vontade de não terminar a frase, porque dizer isso parece significar que o fio se rompeu em voz alta. É como consumar com palavras o conteúdo do atestado de óbito. Ninguém quer fazer isso.

Desculpem-nos por termos nos rendido às exigências mimadas dessa tal de gramática. Por nós, vocês continuariam no presente, ainda que fora do nosso alcance. Desculpem essa nossa fraqueza de ter medo que pensem que estamos loucos se continuarmos tratando vocês como vivos e permanentes. Esses padrões ideais de comportamento são mesmo muito incômodos.

O que interessa é que seguimos sendo capazes de ouvir suas vozes. Por vezes, até sabemos o conteúdo do que seria dito. O cheiro de vocês segue persistente. Memórias do passado seguem sendo capazes de construir quem somos no presente. O verbo, embora continue sendo inoportuno, segue sendo apenas um verbo.

Entre o sangue da Direita e o sangue da Esquerda, a criatividade está no centro

O que será melhor: viver em uma sociedade com alta desigualdade, mas rica, ou em outra mais igualitária, porém pobre?

Vinícius Müller

E lá se foram 35 anos do lançamento da obra The Rise and Decline of Nations (Yale University Press, 1982), na qual Mancur Olson ampliou sua tese sobre a lógica da ação coletiva e explicitou os limites do crescimento e da própria sobrevivência de sociedades tomadas pelo o que chamava de esclerose institucional. Nessa situação, os grupos organizados de uma sociedade disputam entre si a atenção do Estado, pressionando-o em nome de seus interesses. E, além disso, tornam tal disputa motivo da esclerose, já que em algum momento impedem quaisquer tomadas de decisão pelo poder que isoladamente têm para brecá-las caso não se sintam premiados na mesma medida que supõem que outro grupo será. Assim, há um equilíbrio de forças entre os grupos que, ao contrário de ser justo, impede a sociedade de avançar a partir de decisões coletivas. Olson, quando escreveu sobre isso, olhava para a falência do Estado do bem-estar social europeu, característico dos países do continente após a Segunda Grande Guerra (1939-1945) e foi visto como patrocinador da parte sociológica da crítica que, na Economia, era encabeçada pelos economistas de Chicago sob a batuta de Milton Friedman.

Isso porque, ainda segundo Olson, havia uma combinação explosiva, que se amplificou no pós-Guerra, de três fatores: a ampliação do papel e da importância do Estado; a desproporção de poder de grupos ante ao que realmente representavam; e a sobrevalorização de algumas lideranças. Ou seja, quanto mais o Estado aumentava, mais os grupos buscavam influenciá-lo. E, para isso, mais identificavam suas origens e trajetórias como fator de legitimidade – assim como mais barulho faziam em torno de seus respectivos líderes. Quatro consequências, então, foram verificadas. A primeira era a excessiva burocratização do Estado, que precisava inchar seus quadros para absorver as demandas de grupos cada vez maiores e mais organizados. A segunda, em consequência da anterior, era a inviabilidade fiscal desse Estado. A terceira era a falsa sensação de representação que alguns grupos conseguiam reproduzir. Um sindicato, por exemplo, que no século anterior havia sido muito representativo e que, ao longo da história, transformou tamanha representação em outros aparatos sociais (como partidos políticos, clubes, associações, escolas e jornais), poderia usar a seu favor essa trajetória, mesmo que representasse muito menos do que décadas antes. E, por fim, uma quarta consequência, que foi a busca, pelos grupos organizados, de lideranças que poderiam, por meio de carisma ou qualquer outro atributo, aparentar representar mais pessoas do que realmente representavam.

Muitos identificaram na obra e na impecável lógica de Olson a justificativa para a diminuição do poder do Estado, conjugada à diminuição do poder dos grupos organizados, como sindicatos, por exemplo. Margareth Thatcher, então primeira ministra britânica, estava entre os que, simbioticamente, foram influenciados e usaram Olson como justificativa aos seus projetos e ações políticas. Contudo, havia mais do que isso.

Lá pelas tantas, Olson insinua que essa esclerose institucional, comum nos países europeus e mesmo nos EUA, afetou em menor escala os dois países derrotados na Segunda Guerra, ou seja, Alemanha e Japão. Assim, muitos não só justificaram suas decisões políticas, mas também entenderam que, às vezes, a melhor maneira de resolver essa armadilha da esclerose institucional é participando de uma guerra, mesmo que seu país seja derrotado, para, a partir daí, recomeçar, de uma suposta posição zero, a estruturação de suas instituições, evitando ou, ao menos adiando, a previsível esclerose, mesmo que os custos dessa solução sejam altíssimos.

Três décadas e meia depois, uma nova obra nos possibilita uma análise similar. Walter Scheidel, austríaco e professor da Universidade de Stanford, em seu mais novo e refinado livro (The Great Leveller: Violence and the History of Inequality from the Stone Age to the Twenty-First Century, 2017) nos brinda com uma apurada análise e coleta de dados sobre a desigualdade, e narra como ela se reproduziu ao longo da História. Na esteira da retomada do tema após o sucesso da obra de Piketty (O Capital no século XXI, 2014), Scheidel aponta para uma persistência histórica da desigualdade desde o surgimento da agricultura, na passagem para o período Neolítico (por volta do século X a.C.), até os nossos dias. Tal persistência ocorreria, ainda segundo Scheidel, mesmo em períodos de crescimento, assim como sob governos e/ou políticas abertamente voltados à redução da desigualdade.

Não que tais governos e políticas não tenham resultados favoráveis à redução da desigualdade. Contudo, não os garantem em prazos mais alongados. A tendência, então, é o retorno aos padrões anteriores de desigualdade. Mesmo que acompanhados de crescimento econômico. Nesse caso, a obra tangencia, acabando por inverter, o debate que norteou as últimas décadas da economia política. Ou seja, o que é melhor: viver em uma sociedade com alta desigualdade, mas rica, ou em outra mais igualitária, porém pobre? É famosa a metáfora que diz que quando a água sobe, tanto o grande navio quanto o barquinho também sobem. O que o historiador austríaco revela é que, mesmo assim, o grande ganha mais do que o pequeno e, desse modo, mantém e às vezes amplia a desigualdade até um ponto em que a sociedade se vê próxima da ruptura. Complemento dizendo que, mesmo sendo melhor viver em uma sociedade mais rica, porém mais desigual, do que em uma mais pobre e mais igualitária, em determinado ponto a desigualdade pode se tornar tão grande que atrapalha a criação de riqueza. Portanto, anula a possibilidade de escolha anterior.

Scheidel, entretanto, aponta para situações nas quais, de fato, a desigualdade diminuiu. Segundo ele, as causas foram rupturas, revoluções, guerras, catástrofes naturais, epidemias e afins, logo seguidas por uma reorganização social cujas bases e resultados garantiram uma redução da desigualdade. Ainda assim, os custos de tais transições históricas (imaginem o custo social, financeiro, humano etc. da Segunda Guerra Mundial ou da Peste Negra ou das Revoluções francesa e russa) foram muito altos.

E aqui as ideias de Olson e Scheidel (ou certas correntes interpretativas que possibilitam suas obras) convergem. E assim o fazem de modo no mínimo perigoso. Ao identificar na esclerose institucional o problema do Estado do bem-estar social da segunda metade do século vinte, Olson estava certo, mas justificou, no modo menos radical, a política de desmonte dos grupos organizados na Inglaterra de Thatcher, mesmo sob um custo muito alto. E, no modo mais radical, deu esperança àqueles que se apegaram à sua proposição sobre o crescimento de Alemanha e Japão no pós-Guerra. Serviu à justificativa de ruptura e desmonte das estruturas sindicais e de grupos que viviam próximos ao Estado, assim como à própria diminuição do Estado, para o horror de certa esquerda ideológica. Já Scheidel, mesmo correto em sua análise histórica sobre a desigualdade, pode insuflar aqueles que, em nome da justiça social e econômica – ou seja, daquilo que chamam de Igualdade –, pensam que a única saída é a ruptura, a guerra, a revolução, mesmo com um altíssimo custo, para o horror de certa direita ideológica.

Nem um, nem outro. Os dois estão corretos no modo em que reconstroem a História. Mas, isso não significa que o bom diagnóstico acarrete necessariamente um bom remédio, ou que a História, que nos serve primordialmente para levantar os problemas certos, nos sirva como única fonte para apresentarmos respostas aos mesmos problemas. À direita e à esquerda, as reconstruções históricas são pertinentes e muitas vezes corretas. Mas, não servem necessariamente para resolver nossos dilemas. Entre o sangue da direita e o sangue da esquerda, a História não cumpre todo o seu potencial. A criatividade que devemos ter para responder aos nossos problemas e a inspiração que podemos extrair da História está no centro. Para o horror de certa direita e de certa esquerda ideológicas.

Vinícius Müller é doutor em História Econômica pela USP e professor do Insper

Artistas e intelectuais francesas criticam ‘puritanismo’ de campanha contra o assédio 4

Manifesto defende a ‘liberdade de importunar’ dos homens, que consideram ‘indispensável para a liberdade sexual’

A atriz Catherine Deneuve assinou manifesto contra “puritanismo”.

via Estadão

Cerca de cem artistas e intelectuais francesas lançaram nesta terça-feira, 9, um manifesto no qual criticam o “puritanismo” da campanha contra o assédio surgida por conta de casos envolvendo o produtor Harvey Weinstein, e defendem a “liberdade de importunar” dos homens, que consideram “indispensável para a liberdade sexual”.

“O estupro é crime. Mas o flerte insistente ou desajeitado não é um delito, nem o cavalheirismo uma agressão machista”, disseram personalidades como a atriz Catherine Deneuve, a escritora Catherine Millet, a editora Joëlle Losfeld e a atriz Ingrid Caven, em manifesto publicado no jornal Le Monde.

As artistas disseram que “não se sentem representadas por esse feminismo que, além das denúncias dos abusos de poder, adquire uma face de ódio aos homens e sua sexualidade”, em alusão ao movimento #MeToo (“eu também”), que surgiu para denunciar nas redes sociais casos de abusos machistas.

As mulheres também se referem a esse movimento como “justiça sumária”, que julga homens “cujo único erro foi ter tocado um joelho, tentado roubar um beijo” ou “falar de coisas ‘íntimas’ em um jantar profissional”.

Apesar de reconhecerem que o caso Weinstein deu lugar a uma “tomada de consciência” sobre violência sexual contra as mulheres no contexto profissional, lamentam que agora sejam favorecidos os interesses dos inimigos da “liberdade sexual” e dos extremistas “religiosos”.

O escândalo de abusos do produtor Harvey Weinstein, revelado em outubro pelo jornal americano The New York Times, suscitou uma onda de denúncias por parte de muitas atrizes que acusaram atores como Kevin Spacey e Dustin Hoffman.

Medo ou esperança?

O paraíso nos escapou depois de ter aberto os portões e deixado perceber suas delícias

Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo

Brasil é o país do futuro! Do ufanista Policarpo Quaresma à ironia da letra de Renato Russo, esse sempre foi um tema forte. O futuro à frente não é um pleonasmo tão evidente. Comparemos com dois países importantes na nossa formação: Portugal e Argentina. Lisboa foi a capital das especiarias e o mundo da vanguarda dos descobrimentos no início do século 16. Buenos Aires era o porto cosmopolita de uma nação que abastecia o mundo de grãos e carne no início do século 20. Argentinos e portugueses viveram um apogeu fabuloso e suas capitais trazem marcos notáveis do passado de glória. Houve glória e ela passou.

Nós somos diferentes. Sempre acreditamos na potência do amanhã. O cenário possibilita o devaneio: território de riquezas enormes e sem terremotos, tínhamos tudo para dar certo. Faltava, claro, mudança no elenco e na direção. A culpa não era da terra ou das águas.

Não quero voltar ao tema do debate sobre os entraves do desenvolvimento. Já fiz algumas vezes. Quero lembrar que sempre fomos notavelmente otimistas com nossa redenção no porvir. Houve quem visse no povo, especialmente o sertanejo, um tipo triste e depressivo, como Euclides da Cunha e Graciliano Ramos. Outras figuras construídas no imaginário brasileiro ou estrangeiro consagravam a alegria e a engenhosidade, de Pedro Malasarte ao Zé Carioca. No exterior, somos conhecidos pela alegria, pela afetividade, pelo contato mais direto com as pessoas. Quem como eu já passou um tempo fora dos trópicos sabe que, fora daqui, são vistos menos dentes, abraça-se menos e escasseiam beijos.

Não se trata de refazer a fantasia do mundo sensual e sem pecado que se origina desde a citada criação de Disney até o incentivo ao turismo sexual. Trata-se da alegria.

Ser avô

Ele é um pai com licença para estragar a criança. Sua liberdade no trato com os netos é total.

Luiz Fernando Verissimo, O Estado de S. Paulo

Avô é um pai com licença para estragar a criança. Sua liberdade no trato com os netos é total. O que pai faz por obrigação avô faz – ou não faz – por escolha. Pai tem que estar sempre pronto para mudar as fraldas da criança. Avô pode estabelecer limites às suas atribuições. Fralda com xixi, vá lá, numa emergência. Fralda com cocô, nunca.

Importante: o correto uso do colo. Existem dois tipos de colo, o utilitário e o festivo. Colo utilitário é quando a criança fica na vertical recebendo tapinhas nas costas, depois de mamar. Seu objetivo é provocar o arroto. Arroto e pum são as duas principais realizações da criança nos seus primeiros meses de vida. São recebidos com manifestações de entusiasmo da família, como se ela tivesse passado no vestibular.

O avô deve manter distância na hora do colo utilitário. Pode fazer parte da torcida, soltar um “Viva o Brasil” na hora do arroto, se for dos bons, ou de um pum particularmente ressonante. Ficar no apoio moral. Mas só. No colo vertical o avô não consegue desempenhar sua principal função, que é a de ficar olhando o rosto da criança, maravilhado. Depende da informação de terceiros para cumprir sua missão (“Ela tá de olho aberto? Fechado? Tá rindo?”). Já o colo festivo, na horizontal, é para a adoração e nada mais. No colo horizontal até um pum extemporâneo da criança pode ser tomado como uma deferência especial ao bobo que a segura.

Outra função importante de um avô é falar racionalmente, com voz normal, com a criança recém-nascida. Relatar os fatos do dia, pedir sua opinião, sugerir que ela não se desespere com as opções limitadas da sua alimentação no momento (só duas, peito direito e peito esquerdo) pois com o tempo as coisas melhorarão bastante. Logo virão as papinhas e as sopinhas e eventualmente os carrês de cordeiro com batatas Dauphine e cebolas carameladas, e arrotos com muito mais conteúdo.

Claro que o avô não espera que a criança o entenda, e muito menos que responda. É para ela saber que nem todos falam como bebê e fazem perguntas retóricas como “Cadê a coisinha mais fofa, cadê?” e que ela não caiu num mundo de malucos. E que o nível das conversas também melhorará com o tempo.

Passada a primeira fase, o avô deve acompanhar todas as etapas do crescimento da criança na capacidade que lhe for pedida, salvo risco de deslocamento da coluna. Se uma neta começar a estudar balé e exigir e que o avô faça pliês junto com ela, ele tem que obedecer. Quando chegar a minha hora não sei se conseguirei ficar de pé, mas estou preparado.

Seu carteiro. Aproveite o espírito de Natal e faça o seguinte: dê atenção ao seu carteiro. A mesma atenção que um dia eles mereceram, e aos poucos foram perdendo por culpa da crise social e da falta de segurança.

Quem não mora em casa com cerca eletrificada, arame farpado, seteira, guarita com metralhadora, jardim minado e a caixa de correio longe da porta mora em apartamento e, a não ser no caso de carta registrada, raramente vê a cara do seu carteiro. E eles devem ter uma certa nostalgia do tempo em que precisavam bater nas nossas portas, conversar um pouco, talvez ganhar um copo d’água.

Enfim, do tempo em que nos encontrávamos. E podem até ter saudade dos ataques dos nossos cachorros. Pelo menos era um contato.

Se encontrá-lo neste fim de ano, abrace seu carteiro e convide-o a entrar. Depois de se certificar, claro, que é carteiro mesmo e não um assaltante disfarçado.

Então é Natal (Mensagem do Blog do Robert Lobato)

Mais um Natal chegando. Uma data muito especial por todo o simbolismo que carrega. E também a mística.

Uma data de mistérios e cercada por crenças, paixões e devoções.

Acreditar no nascimento de Menino Jesus no dia 25 de dezembro é o que menos importa.

O fundamental é ter a fé de que o Senhor nasceu para nos salvar. Pagou com a própria vida na tentativa de fazer um mundo melhor para seus filhos viverem.

Jesus Cristo foi um revolucionário. Não no sentido vulgar do termo, mas no sentido de que realmente transformou o mundo, que nunca mais foi o mesmo depois daquela crucificação no Calvário.

As escrituras dizem que Ele voltará para buscar os “escolhidos”. É dado o livre-arbítrio para o homem crer ou não nessa profecia. Eu, particularmente, prefiro achar que Ele virá sim.

Independente da fé cada um, das escolhas religiosas ou não, o Blog do Robert Lobato deseja um feliz e abençoado Natal aos leitores, parceiros, amigos e todos que, de uma forma ou outra, ajudam a fazer o dia a dia desta página, mesmo que eventualmente discordem da sua linha editoral.

Que Deus abençoe a todos.

Papai Noel aprende Libras para conversar com crianças surdas

José Mario Graciano, 68, conversa com Ana Beatriz Aguiar, 8, que nasceu com deficiência auditiva

Quando duas irmãs pararam à sua frente sorrindo sem dizer uma palavra, José Mário
dos Santos Graciano, 68, não entendeu o porquê de elas não responderem às
tradicionais perguntas e brincadeiras do Papai Noel.

Discretamente, o pai delas revelou o motivo do silêncio. Eram surdas.

“Então pensei: ‘O abraço é um gesto de carinho que todos entendem’. Sorri para elas, abri meus braços e elas vieram felizes, se sentiram acolhidas pelo Papai Noel”, disse Graciano.

Foi naquele momento que ele decidiu aprender Libras (Língua Brasileira de Sinais).

“Percebi que só aprendendo a linguagem de sinais eu poderia dar oportunidade para as crianças surdas levarem seus pedidos ao Papai Noel, sentirem verdadeiramente a magia
do Natal”, afirmou o petroleiro aposentado, que há 13 anos personifica o Papai Noel em
shoppings e festas familiares em São José dos Campos (SP) e cidades próximas.

Esse primeiro encontro com crianças surdas aconteceu há cerca de quatro anos, Hoje ele
ainda não se considera fluente em Libras, mas já consegue se comunicar muito bem com
elas, quando atua como o bom velhinho em um shopping da cidade. “Vou continuar aprendendo para ficar cada vez melhor, a felicidade dessas crianças ao perceberem que Papai Noel consegue falar com elas é muito gratificante, compensa qualquer esforço”, disse Graciano.

A proximidade das festas de fim de ano alegra a estudante Ana Beatriz Alves Aguiar, 8. Ela nasceu com deficiência auditiva profunda bilateral e usa Libras para se comunicar.

Ana Beatriz conheceu o Papai Noel Graciano em 2015 e, desde então, vai visitá-lo para
conversar e fazer o seu pedido de Natal. Este ano, foi ganhar uma boneca Cinderela.

“Essa iniciativa é muito importante para as crianças com deficiência auditiva. Elas sentem uma felicidade imensa quando são compreendidas pelo Papai Noel”, disse Edna Maria Alves da Silva, mãe de Ana Beatriz.

A pequena Jamilly, 4, deixou a timidez de lado e deu muitas gargalhadas ao lado do
Papai Noel Graciano. “Eu fiquei surpresa, minha filha é muito tímida, retraída. Mas com
o Papai Noel ela se soltou, ficou muito feliz mesmo por conseguir conversar com ele”,
afirmou Yasmini Ribeiro Bastos, mãe de Jamilly.

As duas estudantes foram ao shopping com um grupo de crianças assistido pela AADA (Associação de Apoio ao Deficiente) da cidade.

“As crianças se sentem surpresas e felizes quando em um ambiente diferente do familiar e institucional encontram pessoas que compreendem a linguagem de sinais”, disse a
psicopedagoga Jussara Alvarenga, da AADA.

“Poder ir a um lugar como o shopping e conseguir conversar com o Papai Noel é uma
felicidade muito grande para elas”.

No shopping, Graciano divide a função de Papai Noel com Paulo do Canto Hubert, de 73 anos. A escolha dos dois representantes foi estratégica: Graciano se comunica em libras e Hubert, em inglês.

“Encontramos o senhor Paulo, que fala inglês, o que é fundamental aqui na nossa região, recebemos muitos estrangeiros”, afirmou a gerente de marketing do shopping, Margarete Sato.

(Fonte: Folha de SP)