Sobre a Copa 2018 (OU: sou brasileiro e não desisto nunca) 6

O Brasil “verde e amarelo” está meio que, digamos, sem tesão. Mas, “sem tesão não há solução”, como nos ensinou o irrequieto psiquiatra e escritor Roberto Freire.

Política e futebol são irmãos siameses. Não por acaso, há milhões de analistas políticos e técnicos de futebol pelo país afora.

O brasileiro está ressacado por duas embriaguez: o 7 a 1 da Copa de 2014 e o impeachment, ou golpe, como queiram, da Dilma.

O brasileiro está sem tesão!

Mas, apesar de tudo, somos otimistas!

O Brasil é maior do que nossas angustias e frustrações.

Enquanto aquariano, boliviano, flamenguista, petista e neto do velho Horácio não tenho como deixar de ter fé no meu país e muito menos perder o tesão para enfrentar as crises nossas de cada dia.

Amanhã estarei torcendo pela “Seleção Canarinho” mas por patriotismo do que fé no nosso futebol. Aliás, há tempos deixei de ser apaixonado por futebol.

Guardo apenas minhas paixões e lembranças dos bons tempos que ia ver, no Castelão, o Sampaio Correa bater no Moto Club e o Flamengo massacrar o Vasco no Maracanã.

Enfim, sou brasileiro e não desisto nunca.

Apesar dos pesares…

Um ótimo e abençoado final de semana para todos.

Uma homenagem a Agnaldo Timóteo, o boêmio, não o “boieiro” 4

“Na galeria do amor é assim
Muita gente a procura de
Gente
A galeria do amor é assim
Um lugar de emoções
Diferentes
Onde gente que é gente se
Entende” (A Galeria do Amor)

Cresci ouvindo Agnaldo Timóteo, um dos cantores preferidos do seu Bazinho, meu pai.

Timóteo é um dos mais talentosos intérpretes da Música Popular Brasileira, ainda que alguns ditos “intelectuais” acham que MPB é só coisa para Chico, Caetano, Gil, Zé Ramalho, Djavan etc.

Mineiro de Caratinga, Agnaldo Timóteo foi “descoberto” pela legendária Ângela Maria, de quem foi motorista. Trata-se de uma das maiores e melhores vozes do bolero brasileiro.

Só o seu nome quero gritar
Mas se eu grito todo mundo
De repente vai saber
Que eu morro de saudade
E de amor por você

Aí, que vontade de gritar
Seu nome bem alto no infinito
Dizer que o meu amor é grande
Bem maior do que meu próprio grito

Mas só falo bem baixinho
E não conto pra ninguém
Pra ninguém saber seu nome
Eu grito só meu bem. (O Grito)

Há uma cantiga de Agnaldo Timóteo que gosto muito. É meia cafona, mas, sei lá o porquê, mexe com meus sentimentos mais profundos. Talvez seja pelo fato de fazer-me lembrar de como uma ex-namorada de juventude se sentia ao subir no altar com quem ela de fato não queria.

Branca e radiante vai a noiva,
logo a seguir o noivo amado.
Quando se unirem os corações, vão destruir ilusões.

Aos pés do altar está chorando,
todos dirão que é de alegria.
Dentro sua alma está gritando,
Ave Maria…

Chorará também, ao dizer o sim,
e ao beijar a Cruz, pedirá perdão.
E eu sei que esquecer não poderia,
se era outro amor a quem queria. (A Noiva)

Como baixadeiro que viveu bons e inesquecíveis momentos nos campos alagados de Palmeirândia, não posso deixar passar batida uma canção que remota a essas minhas eternas lembranças:

O meu amor na estação a me esperar
Pegarei novamente a sua mão
E seguiremos com emoção
Pros verdes campos do lugar
E reviver os momentos de alegria
Com meu amor a passear
Nos verdes campos do meu lar. (Os Verdes Campos da Minha Terra)

E para São José de Ribamar, minha terra natal, não fica com ciúmes de Palmeirândia, vamos de “Livre”.

Livre, livre
Livre, nasci como a brisa
Que as praias alisa
E encrespa as ondas do mar
Livre de braços abertos
Os olhos desertos
Do que faz a gente chora. (Livre)

E quem nunca foi num cabaré, nos velhos cabarés, que a boemia chamava, e ainda chama, romanticamente do “puteiro”?

A casa de Irene,
De noite, de dia,
Tem gente que chega,
Tem gente que sai,
A casa de Irene, enfim alegria,
Na casa de Irene, a tristeza se vai
 (A Casa de Irene)

Há uma música de Roberto Carlos, aliás, poucos sabem que é de autoria do rei, chamada os “Brutos também amam” – as feministas que me perdoem. Agnaldo Timóteo conheceu Roberto ainda moço, nos tempos da Jovem Guarda.

Agnaldo nunca perdoou o fato de Roberto Carlos jamais tê-lo convidado para participar do seu programa de fim de ano na Rede Globo.

Que pena tudo terminar
Da maneira que acabou
O seu amor não foi bastante
Pra querer-me como eu sou
Você um dia vai saber
Que eu te amei como ninguém
Minhas lágrimas reclamam
Elas dizem no meu pranto
Que os brutos também amam (Os Brutos Também Amam)

Enfim, o Blog do Robert Lobato poderia ficar esta sexta-feira inteira comentando e relembrando as mais lindas cantigas de Agnaldo Timóteo, que são muitas. Ele merece.

Agnaldo Timóteo merece todas as honras dos maranhenses, ainda mais dos aposentados do “IPEM”.

O que Timóteo não merece é ser explorado no seu talento por um governo que deseja fazer da maior festa popular do Maranhão numa “Casa de Irene”

E para finalizar, o nosso querido e eterno boêmio, não o “boieiro”, Agnaldo  Timóteo em das suas belas canções.

A casa dos meus sonhos
É feita de ilusão
E vive sempre cheia de amor
Amor e solidão. (A Casa do Sol Nascente)

Vida Longa a Agnaldo Timóteo

O boêmio.

Avanço tecnológico acelera quadros de ansiedade

Só encontramos ‘ansiedade zero’ no cemitério, ou seja, após a morte

Karina Simões, via Vya Estelar

Ansiedade é um dos temas mais procurados em meu consultório. Uma preocupação constante com o futuro, pensamentos acelerados que parecem fazer o cérebro não parar e ter uma sensação de nunca desligar-se caracterizam a ansiedade. São relatos como esses que escutamos na clínica todos os dias, ou recebemos mensagens nos pedindo ajuda nas redes socais revelando a velha conhecida:

– Dra., sofro de ansiedade. Ajude-me.

A ansiedade faz parte do nosso viver. Costumo dizer que só encontramos “ansiedade zero” no cemitério, isto é, depois de morto. Assim sentir-se ansioso faz parte do sentir-se vivo. Afinal, sem a ansiedade, a pessoa fica mais distraída e não se dá conta até das situações perigosas que possam vir. Porém, existe uma ansiedade que extrapola pontos de equilíbrio e tira o indivíduo do seu eixo, fazendo com que ele se sinta inseguro, frágil e doente. Essa ansiedade é a patológica.

Deslocar a mente constantemente para o futuro com pensamentos e preocupações sobre o que possa ainda ocorrer e de forma acelerada com sintomas, muitas vezes, somáticos como: taquicardia, sudorese, insônia, sensação de falta de ar, tremores, tontura, entre outros, faz com que surja a tentativa de controle por parte da pessoa ansiosa, para que assim não “perca o suposto autocontrole”.  Assim, para identificarmos a diferença entre a ansiedade normal e a patológica, ou seja, os transtornos de ansiedade, fiquemos atentos à frequência e à intensidade com que os sintomas aparecem, sempre lembrando que esses podem variar de pessoa para pessoa. Para compreendermos melhor: a postura diante do inesperado e do futuro é que diferencia os tipos de reação que a pessoa apresentará.

A tecnologia chegou para melhorar muitas coisas nas nossas vidas, mas não podemos negar que os avanços da modernidade podem e estão agravando as crises de ansiedade. Com isso, as pessoas têm passado muito mais tempo conectadas e recebendo informações 24 horas por dia. Desse modo, o cérebro não tem tido descanso suficiente e é acometido pelos pensamentos acelerados, acostumando mais ainda as pessoas a terem respostas cada vez mais rápidas. A interferência comum dessa tecnologia no comportamento é percebida, hoje, na prática clinica, quando temos recebido cada vez mais pessoas que sofrem e se sentem ansiosas devido às suas redes sociais, por exemplo. Relatam que não se sentem satisfeitas pelo número de curtidas ou porque sentem necessidade de “vigiar” os outros ou a si própria pela rede social.

Fica claro e simples de entender que toda essa modernidade tem ajudado muito e contribuído com a ciência do comportamento e com a neuropsicologia, mas também não podemos negar que esse avanço tecnológico acelera os quadros de ansiedade e tem tido um efeito dominó no equilíbrio emocional das pessoas. O nosso grande desafio é estudar mais e mais e encontrarmos sempre um contraponto e um equilíbrio entre o uso da tecnologia e o bem-estar emocional das pessoas.

Que possamos encontrar na tecnologia uma presença “ansiogênica” positiva para todos nós!

Sinais diretos e indiretos de ideação suicida no adolescente

Edson Toledo, via Vya Estelar,

Lista de sinais em que os pais e cuidadores devem ficar alerta.

Comportamentos mais diretos:

– Tentativas de suicídio anterior.
– Mudanças repentinas de comportamento.
– Ameaça de suicídio ou expressão/verbalização de intenso desejo de morrer.
– Ter um planejamento para o suicídio.
– Sinais observáveis de depressão
– Oscilação de humor, pessimismo, desesperança
– Desespero, desamparo
– Ansiedade, dor psíquica, estresse acentuado.
– Problemas associados ao sono (excessivo ou insônia)
– Intensa raiva, desejo de vingança.
– Sensação de estar preso e sem saída
– Isolamento: família, amigos, eventos sociais.
– Mudanças dramáticas de humor
– Falta de sentido para viver
– Aumento do uso de álcool e/ou outras drogas
– Impulsividade e interesse por situações de riscos

Comportamentos indiretos:

– Desfazer-se de objetos importantes
– Conclusão de assuntos pendentes
– Fazer um testamento
– Despedir-se de parentes e amigos
– Casos extremos de irritabilidade, culpa e choro.
– Fazer carteira de doação de órgãos
– Comprar armas, estocar comprimidos.
– Fazer seguro de vida
– Colocar coisas em ordem
– Súbito interesse ou desinteresse em religião
– Fechar a conta corrente

Comportamentos verbais diretos:

– “Eu quero morrer”.
– “Gostaria de estar morto”
– “Vou me matar”
– “Se isso acontecer novamente,  prefiro estar morto”
– “A morte poderá resolver essa situação”
– “Se ele não me aceitar de volta, eu me matar”
– “Quero sumir. Não aguento mais! Só morrendo mesmo para aguentar”

Comportamentos verbais indiretos:

– “Se isso acontecer novamente, acabarei com tudo”
– “Eu não consigo aguentar mais isso”
– “Você sentirá saudades quando eu partir”
– “Não estarei aqui quando você voltar”
– “Estou cansado da vida, não quero que continua.”
– “Tudo ficará melhor depois da minha partida”
– “Não sou mais quem eu era”
– “Logo você não precisará mais se preocupar comigo”
– “Ninguém mais precisa de mim”
– “Eu sou mesmo um fracassado e inútil. Tudo seria melhor sem mim”

O fato é que quando a situação requerer atenção e intervenção, a recomendação da Organização Mundial da Saúde e que os pais ou pessoas próximas procurem um momento de tranquilidade para conversar com o adolescente sobre suicídio. O importante, nesse momento, é ouvir com a mente aberta e não oferecer julgamentos ou opiniões vazias. Só assim a pessoa se sentirá acolhida e a ajuda poderá surtir efeito.

Tanto psiquiatras quanto psicólogos poderão ajudar, nas suas respectivas áreas, no atendimento a esse adolescente. Psiquiatras (remédio) e psicólogo (psicoterapia) devem trabalhar em parceria.

O remédio auxilia muito em casos graves de depressão e de angústia. Nesses dois pontos ele é eficaz, porque ele dará condições para o tratamento psicoterápico funcionar. Mas a raiz da depressão é o comportamento. A causa não é química, mas o efeito é químico. Qualquer transtorno tem uma correspondência cerebral.

Por fim, para quem não pode pagar por atendimento psicológico ou psiquiátrico, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o serviço por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Decisões conscientes

Refletir sobre nossas atitudes é entender aquilo que realmente faz sentido para cada um de nós

Paula Abreu, via Vida Simples

Certa vez, escrevi sobre como deixamos de refletir antes de tomar decisões — muitas delas importantes — na nossa vida.  Sobre como muitas pessoas têm um carro sem nunca se questionarem se realmente precisam de um. Ou como casais decidem ter filhos sem avaliar se realmente ter um filho se encaixa no estilo de vida que levam — ou pretendem levar — e no tempo livre de que dispõem. Por conta desses questionamentos, uma leitora me escreveu o seguinte: “Nossa, mas se eu for pensar a cada vez que for tomar uma decisão, não vai ser muito cansativo?”. De fato, começar a fazer escolhas conscientes pode ser um tanto cansativo no começo. Muitas coisas na vida são assim.

Pense em um bebê aprendendo a andar. Ele levanta titubeando, se segura em um móvel e, quando sente que está de pé, se empolga e solta as mãos. Dá um pequeno passo, no máximo dois, e cai. Mas, em seguida, levanta e recomeça. Centenas de vezes. Certamente é cansativo… Até o momento em que não é mais! Vai ficando mais fácil, natural, se transforma em um hábito. A mesma coisa acontece quando aprendemos a andar de bicicleta ou dirigir.

Mesmo que você nunca tenha se dado conta da incrível possibilidade de controlar a sua própria mente, isso não significa que ela nunca foi controlada. Só significa que, até o momento, um outro alguém estava no controle.

Os seus valores, as suas crenças familiares ou culturais, a forma como você se posiciona diante do trabalho ou das dificuldades, dos relacionamentos, o seu desejo de ter coisas, e até mesmo que coisas você deseja ter, tudo isso foi escolhido por você a partir do mundo externo. Se você não controla a sua mente e não escolhe conscientemente a sua vida, nem mesmo os seus desejos são realmente seus.

Para sua felicidade, mudar essa situação está nas suas mãos. A cada novo dia, você tem a oportunidade de refazer as suas escolhas. De rever os caminhos que escolheu percorrer, as coisas, as pessoas, as opiniões e as conquistas a que escolheu dar valor. E ainda os seus conceitos sobre felicidade e sucesso.

Ao fazer isso, talvez descubra que a carreira que você foi pressionado a escolher aos 17 anos não faz mais sentido hoje. Ou que o relacionamento abusivo ou fracassado que você teima em manter para agradar a família não lhe faz bem. Ou que você detesta fazer crossfit, mas treina só porque está na moda, e o que gostaria mesmo é de escalar montanhas nos finais de semana.

Além de rever as escolhas que fez no passado, pode também começar a fazer novas escolhas com mais consciência. Você mesmo. Faça isso. Defina seus desejos. E, dessa forma, descubra seus próprios valores e crenças. Reprograme a sua atitude. Escolha sua vida.

Paula Abreu é coach e autora do livro Escolha Sua Vida. Oferece meditação gratuita no acreditaemedita.com.br

SOBRE REALEZAS: Lady Di e Charles (OU: O verdadeiro conto fadas) 10

Mais do que o casamento entre Charles e Diana, o verdadeiro conto da fadas foi a relação extraconjugal do príncipe com a sua amante Camila. Não é fácil, imagino eu, trocar uma bela e jovem loira por uma velha sem graça e que foge completamente aos padrões de beleza

Permitam, meus caros leitores, sair um pouco do enfadonha pauta da política e comentar sobre um assunto que ganhou a mídia internacional nos últimos dias, qual seja a família real britânica a partir do casamento do príncipe Harry e a americana Meghan Markle.

Porém, não é especificamente sobre o casamento dos pombinhos reais Herry e Meghan  que vou tratar nestas mal traçadas linhas, mas sobre o relacionamento entre o pai de Herry, o príncipe Charles, e sua mãe, a legendária princesa da Diana.

Saio em defesa de Charles. E digo o porquê.

A princesa Diana virou um mito. Linda, carismática, humilde e dedicada às causas que dão sentido à vida, Lady Di conquistou o mundo com a sua simplicidade. Particularmente, sou fã da finada princesa.

Porém, vejo muita injustiça no que a mídia fez e faz com o herdeiro do trono da monarquia britânica, o príncipe Charles. É que santificaram a princesa e demonizaram o príncipe.

E para não parecer que seja machismo da minha parte, cito trechos de um texto da saudosa Heloneida Studart, mulher e feminista, que escreveu um dos mais belos artigos sobre relação de amor. Acompanhe. Volto em seguida.

Não me interesso por reis, nem os do baralho.

Mas como me interesso pelo amor e, principalmente, por histórias de amor, não pude evitar o envolvimento diante do final feliz da saga amorosa do príncipe Charles, herdeiro do trono da Inglaterra e daquela senhora de meia-idade, Camila Parker sua eterna namorada.

Trinta e quatro anos de dificuldades de toda ordem, imposições da família real, intrometimentos da igreja, casamentos com pessoas diferentes, cerimônias espetaculares (o casamento com Lady Di foi um dos eventos de maior pompa que o mundo já viu), e o amor dos dois lá, brilhando como a luz do sol.

O romance do feio e desengonçado filho da rainha Elizabeth com a feiosa Camila tinha fortes raízes eróticas, como mostrou o telefonema gravado de um diálogo entre os dois (“eu queria ser um tampax”).

Não valeu o tempo, não importaram as rugas e as pelancas.
O mundo inteiro, convertido aos mitos de beleza da juventude, torceu para que ele amasse a formosa Diana.

No entanto, o príncipe desengonçado só amou a sua bruxinha, com aquela cara amassada e cheia de marcas.

Camila Parker é uma vitória do amor sobre os estereótipos de nosso tempo.

Comigo de novo
Relações a dois nem sempre é como parece nos retratos ou, para ser mais moderno, nos selfies.

Esse caso do príncipe Charles e Diana – e a Camila “comendo e sendo comida por fora” – mostra que nem sempre os esteriótipos convencionais prevalecem.

Mais do que o casamento entre Charles e Diana, o verdadeiro conto da fadas foi a relação extraconjugal do príncipe com a sua amante Camila. Não é fácil, imagino eu, trocar uma bela e jovem loira por uma velha sem graça e que foge completamente aos padrões de beleza.

Mas, quem sabe da gente é a gente. No caso específico, quem sabe do Charles é o Charles!

A princesa Diana já não está mais entre nós. Morreu tragicamente junto com o seu amante, o bilionário Dodi al Fayed. Provavelmente estava feliz ao ter se “libertado” dos protocolos da realeza britânica.

Entre trocas de “chifres reais”, tanto Diana quanto Charles ao final foram felizes, pois souberam e tiveram a coragem de reconhecer que a falência do amor que sentiam um pelo outro era um fato.

Enfim, o príncipe ainda está vivo. Deve herdar o trono da monarquia e reinar a Grã-Bretanha por alguns anos.

Ao lado da mulher que sempre amou.

Isso sim é um conto de fadas!

Facebook tenta restringir difusão de notícias falsas com agências de checagem

Ainda que paliativa, medida é bem-vinda, como um remédio antitérmico em dias de gripe

Joel Pinheiro da Fonseca, via Estadão

Pabllo Vittar recebe R$ 5 milhões via Lei Rouanet para estrelar programa infantil na Globo. Filho do Lula é dono da Friboi. Bolsonaro tem mandado de prisão por crime de racismo. Dilma tentou se matar. Aécio é investigado por tráfico de drogas. Marielle Franco foi casada com traficante e eleita pelo Comando Vermelho.

As afirmações acima são notícias falsas, frutos grotescos da falta de escrúpulos e da facilidade com que manchetes bombásticas se difundem nas redes sociais. Todas elas foram amplamente compartilhadas e visam a algum efeito político. Se a informação tem qualquer efeito sobre a sociedade, então o aumento na difusão de mentiras como essas é preocupante.

Restringir a difusão de notícias falsas; é isso que o Facebook tenta fazer ao fechar parceria com agências de checagem de fatos ao redor do mundo (no Brasil, a Aos Fatos e a Lupa).

Leitores submetem notícias à avaliação das agências e, se elas forem julgadas falsas, terão sua distribuição reduzida pelo algoritmo que determina a quantas pessoas cada conteúdo chega. Seria ótimo se todos tivessem senso crítico e tempo para checar notícias por conta própria. Dado que não têm, o trabalho de agências de checagem tem valor.

Por isso sou, em princípio, favorável à medida tomada pelo Facebook, embora considere legítimo o temor de que a rede social sucumba à censura ideológica. As agências terão de demonstrar sua imparcialidade e objetividade.

Uma parte já fazem: ambas são membros credenciados da International Fact-Checking Network, que avalia agências do mundo inteiro, segundo critérios bastante sensatos —por exemplo, transparência e abertura a correções— e cujos relatórios estão disponíveis online. Outro elemento para garantir objetividade é ter, em seus quadros, diversidade ideológica. Por falharem nisso, atraíram críticas fáceis.

A reação furiosa das últimas semanas, que inclui hostilizar os jornalistas que compõem agências de checagem, contudo, não parte da defesa da liberdade de expressão. É a reação de grupos que dependem da circulação de notícias falsas para repercutir sua mensagem e aumentar sua popularidade.

Seja como for, para reduzir o risco de censura, penso que as agências devem reservar sua condenação apenas para falsidades gritantes como as mencionadas no primeiro parágrafo, deixando imprecisões e afirmações controversas (“a Previdência é deficitária”; “mais armas, menos crimes”; “foi golpe”) abertas à livre circulação, ainda que sejam falsas.

Acertos e erros são parte do debate público. Limpar o lixo incontroverso que entulha as redes já será um bom serviço.

A checagem profissional não é panaceia. Ela não elimina a necessidade de cada um formar seu próprio senso crítico. Afinal, os checadores também erram, pelo que podem e devem ser corrigidos.

Além disso, ela é incapaz de ir às causas do problema das notícias falsas, que não estão tanto nas notícias em si, mas na disposição de milhões de pessoas de engolir mentiras tão facilmente, desde que confirmem suas convicções e ódios. Ainda que paliativa, é bem-vinda; como um remédio antitérmico em dias de gripe.

Com a radicalização crescente, manter uma plataforma de comunicação livre e descentralizada enquanto se combate a boataria profissional é do interesse de todos os cidadãos honestos.

Joel Pinheiro da Fonseca
É economista pelo Insper, mestre em filosofia pela USP e palestrante do movimento liberal brasileiro.

Neurótico só tem um problema, saudáveis têm vários; entenda por quê

Afinal, qual é o problema do neurótico?

Por Luís César Ebraico, via Via Estelar

Mais de uma vez recebi pacientes perturbados por ‘previsões’ de astrólogos incapazes de processar de maneira adequada as informações com que trabalham.

Recentemente, tive que lidar com a compreensível preocupação de uma mãe a quem foi dito, com base na análise do mapa astrológico de seu filho, que ela ou ele tinha que sair de casa, porque um dos dois iria matar o outro! Casos como esse levaram-me a ministrar, em um curso de formação de astrólogos, uma cadeira com o título de “Cuidados na Transmissão da Informação Astrológica”. Assisti a algumas cadeiras ministradas nesse curso e, numa delas, ouvi um diálogo inesquecível:

Neurótico tem um só problema, os saudáveis têm vários

PROFESSOR (logo no início da aula): – O neurótico tem um problema, blá, blá, blá, blá, blá, blá.

ALUNA (passados já uns quarenta minutos do início da aula): – Mas, professor, afinal das contas, qual o problema que tem o neurótico?

PROFESSOR: – Não, minha filha, você não entendeu. O neurótico tem UM problema, as pessoas saudáveis têm vários…

Raramente eu tinha ouvido um comentário que recobrisse de maneira tão perfeita minha experiência clínica. Com efeito, quanto mais neurótica, mais a pessoa é escrava de UM problema, que ocupa tal espaço em sua vida que os demais problemas deixam de receber a atenção que merecem. Uma paciente, por exemplo, vem a uma primeira sessão e diz que se sente extremamente rejeitada porque não agüenta o fato de que seu ex-marido, mal separou-se dela, já tenha iniciado uma relação estável com outra pessoa, relação que, desconfia ela, talvez já até existisse mesmo antes da separação; vem a uma segunda sessão e diz que que se sente extremamente rejeitada porque não consegue suportar o fato de seu ex-marido, mal separou-se dela, já tenha iniciado uma relação estável com outra pessoa, relação que, desconfia ela, talvez já até existisse mesmo antes da separação; vem a uma terceira sessão e fala que se sente extremamente rejeitada porque é realmente inadmissível que seu ex-marido, mal separou-se dela, já tenha iniciado uma relação estável com outra pessoa, relação que, desconfia ela, talvez já até existisse mesmo antes da separação; vem a uma quarta sessão…

Pois é, o professor de astrologia tinha razão: a pessoa neurótica tem UM problema, as pessoas saudáveis têm vários. Se, um belo dia, essa paciente esquece como se sentiu rejeitada pelo marido e chega dizendo que se sentiu rejeitada pela irmã, já acho que está melhorando; se diz que tem a impressão de que talvez ela paciente rejeite o síndico de seu prédio, está melhor ainda; se diz que talvez tenha inveja de uma amiga, ainda melhor; se raiva de seu dentista, também. Daqui a pouco, vai ter tantos problemas quanto qualquer pessoa saudável.

Não é curioso que minha função, como psicoterapeuta, seja a de AUMENTAR o número de problemas das pessoas?

Eduardo Yabusaki – Psicólogo e Sexólogo Especializado em Terapia Comportamental Cognitiva, Terapia de Casal e Terapia Sexual. Coordenador do Curso de Sexologia Clínica ministrado em diferentes cidades há mais de 15 anos. Docente convidado do Curso de Fromação em Sexologia Clínica de BH. Responsável pelo www.vidadecasalbh.com.br

Como ter conversas mais significativas? 2

Um bom diálogo envolve mais habilidades do que apenas falar e ouvir. É também saber lidar com os silêncios, compreender o ponto de vista do outro, perceber o que é dito nas entrelinhas. Estabelecer uma conversa, afinal, é algo que podemos aprender com o tempo, a prática e a disponibilidade para interagir com quem está ao redor

Um bom diálogo envolve mais habilidades do que apenas falar e ouvir | Crédito: Shutterstock.

Mônica Barroso, via Vida Simples

Mais do que nunca, as conversas têm despertado minha curiosidade e atenção, tanto na vida pessoal como profissional. Ainda mais depois de me deparar com a declaração do poeta inglês David Whyte, de que conversas verdadeiras são uma questão de vida ou morte. Como assim? Uma simples conversa teria mesmo todo esse poder?
Pessoalmente experimentei alguns saltos qualitativos ao reformular as questões que fazia em casa. Depois de muito tempo recebendo respostas monossilábicas dos meus filhos sobre o seu dia na escola, resolvi experimentar mudar a pergunta. Em vez do tradicional “Como foi a escola hoje?”, alterei para “Qual a coisa mais legal que aconteceu na escola hoje?”, e isso fez toda a diferença. As respostas vieram em forma de grandes pequenas aventuras, relatos sobre novidades, descobertas, aprendizados. Havia vida ali. E foi aí que percebi o quanto estava perdendo até então, por pura falta de curiosidade e ousadia — de simplesmente mudar a pergunta.
Na vida profissional, quando um cliente de coaching diz algo e em seguida fala que nunca tinha dito aquilo antes, sinto que um novo campo de conexão se formou entre nós, e que um canal se abriu dentro de seu coração. Um processo criativo aconteceu, dando espaço para o novo surgir. Uma comunicação profunda e honesta de coração a coração. De novo, há vida pulsante nessa troca.

Nas duas situações, grande parte do mérito é das perguntas, as respostas sendo mera consequência. Boas conversas são feitas de boas perguntas, mas, na ânsia pelo que virá depois, muitas vezes deixamos de nos dedicar à formulação dessas questões, que contêm a genialidade das respostas que tanto buscamos. E então deixamos de ouvir, pois estamos sempre formulando na nossa mente a resposta que devemos dar em seguida. Mas o que foi dito mesmo? E no lugar de um diálogo acontece um amontoado de argumentos, apenas fragmentos de ideias. Quem nunca se pegou numa situação assim?

O segredo que fui descobrindo ao me formar como coach e facilitadora é que não há uma lista-padrão de perguntas poderosas à nossa disposição, mas que as mais potentes de todas estão no outro. Confiar nisso requer saber escutar profundamente, e o mais difícil é sustentar momentos de silêncio, que são uma verdadeira mina de ouro de insights e conexões. O filósofo grego estoico Epicteto já dizia há mais de 2 mil anos: “Temos dois ouvidos e uma boca para que possamos ouvir duas vezes mais do que falamos”. Por trás dessa capacidade de escutar está outra habilidade, a curiosidade. Ela nos faz investigar a ponto de irmos além do que conseguimos enxergar a olho nu. A pergunta do bom curioso é “O que mais?”. O fato é que para chegarmos às boas perguntas é preciso sermos bons ouvintes, curiosos e presentes.

Para Sócrates, o filósofo grego que pode ser considerado o inventor da conversa no mundo ocidental, a conversa era um processo em que a dança das ideias podia ajudar as pessoas a se aproximarem de sua própria verdade pessoal. Na The School of Life, por exemplo, acreditamos que conversas baseadas em boas perguntas podem de fato nos levar a um patamar mais profundo de entendimento sobre o outro e sobre nós mesmos. E é exatamente isso o que vemos acontecer a cada jantar, café da manhã ou happy hour de conversas que organizamos. Como num passe de mágica as mesmas pessoas que chegam comentando sobre o tempo, a dificuldade em estacionar o carro ou sobre o trânsito congestionado saem falando sobre seus medos e ambições.

Durante minha investigação encontrei o significado original da palavra diálogo (do grego dia-logos, “fluxo de significado”). Aqui não se trata de concordar ou discordar, mas de se permitir visualizar o todo a partir das partes. Achei bonita essa ideia de os diferentes significados, ou perspectivas, fluírem de um lado para outro, sem interrupções ou prejulgamentos, até se formarem novos e inéditos significados. Ou, como disse o historiador Theodore Zeldin, “a conversa não embaralha as cartas apenas: ela cria novas cartas…”. Zeldin encara a conversa como uma experiência, e nos dá ideias de como romper os silêncios aos quais somos submetidos por convenções sociais ou familiares.

Um exemplo é convidar estranhos para se juntarem à mesa. Conversar fazendo algo prazeroso também pode permitir que nosso diálogo tome rumos inesperados. Há alguns anos, por exemplo, experimentei isso ao participar de um grupo de tricô com mães do jardim de infância de meus filhos e vivenciei momentos importantes de reflexões e revelações. Bolar projetos que provoquem conversas mais profundas também pode abrir canais que jamais surgiriam no dia a dia, como por exemplo entrevistar pais e avós sobre suas lições de vida.

Sem máscaras
Tudo isso parece fascinante, mas não posso deixar de revelar o outro lado da moeda. As conversas só cumprirão o seu verdadeiro papel de conexão quando ousarmos tirar nossas máscaras, que ao mesmo tempo que nos protegem também fazem o mesmo com os outros. Como disse Brené Brown, especialista americana em empatia e compaixão, é na vulnerabilidade que surge a conexão. Sair do diálogo superficial rumo a uma troca mais profunda é um ato de coragem, pois isso significa pisar fora da nossa zona de conforto — levando o outro junto com a gente. E, já que falamos sobre empatia, boas conversas podem, sim, nos tornar mais empáticos, pois é um meio pelo qual podemos enxergar além dos rótulos que usamos para identificar as pessoas. Escutar à procura de indícios de que ele/ela quer falar sobre determinado assunto e lhe dar a oportunidade, sem impor a nossa agenda. Esse exercício vai nos permitir algo muito difícil e necessário, que é dialogar com aqueles com quem não concordamos.

Também não podemos ignorar os efeitos da revolução da comunicação e da tecnologia sobre nossas conversas, e vale ficarmos atentos para que a TV, os videogames ou as redes sociais não substituam a experiência direta do mundo por versões secundárias e mediadas de experiência. É claro que as mídias digitais facilitam e expandem a comunicação, e agradeço a elas por permitirem, por exemplo, um contato antes inimaginável de meus filhos com seus avós, que moram na Suíça. A questão não é essa, mas sim o quanto essas milhares de mensagens que trocamos são trocas enriquecedoras, profundas e interessantes.

As conversas são como peças de artesanato, nunca haverá duas iguais, são sempre o resultado de um encontro único entre a matéria e as mãos do artesão. Sejamos, então, todos artesãos desse fluxo de significado. A vida agradece!

Mônica Barroso é professora, coach e curadora de programas da The School of Life no Brasil, onde dá aulas sobre Como Encontrar um Trabalho Que Você Ame, Como Pensar com a Mente de um Empreendedor, entre outras. Recentemente, Mônica se descobriu como uma facilitadora de boas conversas.

 

Matemática

A aritmética dos campos de extermínio nazistas era justificada pela purificação da raça ariana. A aritmética dos gulags e dos expurgos stalinistas se justificava pelo ideal comunista

por Luis Fernando Verissimo, via Estado de S. Paulo

O presidente Abraham Lincoln escolheu o general Ulysses S. Grant para liderar as forças do Norte na Guerra Civil americana porque Grant, segundo Lincoln, não tinha medo da matemática.

Além de ser um reconhecido estrategista, Grant não hesitava em ordenar ataques frontais ao inimigo sabendo que a contagem de baixas seria horrorosa. A tétrica aritmética da Guerra Civil americana só seria superada pela da Grande Guerra de 1914, quando milhares de vidas podiam ser sacrificadas num só dia por nada – como na batalha do Somme, em que 50 mil soldados ingleses morreram avançando contra fogo alemão sem que um metro de terreno fosse conquistado. Na verdade, mais de três milhões de seres humanos foram sacrificados nos três anos da Primeira Guerra Mundial sem que a frente de batalha se movesse, para um lado ou para o outro, mais de algumas milhas. Nos dois lados havia generais dispostos a enfrentar a aritmética. Durante três anos, generais, governantes, políticos, intelectuais, imprensa e povo dos dois lados conviveram, patrioticamente, com a aritmética. Justificando-a ou – o mais cômodo, pelo menos para quem não estava numa trincheira – ignorando-a.

A Guerra de 14 foi um exemplo extremo de estupidez militar e civil e até hoje historiadores discutem as causas reais de tamanha insensatez coletiva. Mas ela teve seus justificadores. Era a Europa liberal resistindo ao militarismo alemão. A Guerra Civil americana também tinha tido, pelo menos na superfície, a justificativa nobre da abolição da escravatura. A aritmética do terror aéreo que a Alemanha lançou na outra grande guerra, a Segundona, depois de ensaiá-lo na Espanha, teve por trás o sonho pan-germânico de Hitler, que só virou coisa de louco porque ele perdeu. A aritmética dos campos de extermínio nazistas era justificada pela purificação da raça ariana. A aritmética dos bombardeios gratuitos de Dresden e de Hiroshima e Nagasaki se justificava como castigo para quem tinha começado a guerra. A aritmética dos gulags e dos expurgos stalinistas se justificava pelo ideal comunista. A aritmética do terrorista suicida palestino se justifica por uma causa, a aritmética da represália israelense se justifica por outra. E há tantas maneiras de ignorar a aritmética como há de defendê-la, ou exaltá-la como uma virtude militar, como Lincoln fez com Grant.

No Brasil convivemos com a desigualdade e com um exército de excluídos que não são menos vítimas de um descaso histórico por serem um genocídio distraído, com o qual nos acostumamos. Mas a matemática do descaso histórico nos bate na cara todos os dias.