Projeto inclui mudos e gagos entre pessoas com deficiência

O projeto do senador Antonio Carlos Valadares acompanha a Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e Desvantagens da Organização Mundial da Saúde

Senador Antonio Carlos Valadares.

Um projeto de lei do Senado (PLS 311/2018) prevê que mudos e gagos podem ser considerados pessoas com deficiência. O texto inclui as dificuldades de comunicação e expressão no rol de impedimentos que podem obstruir a participação plena e efetiva do cidadão na sociedade em igualdade de condições.

O PLS muda o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015). A lei em vigor considera com deficiência a pessoa com impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial. O projeto do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) acompanha a Classificação Internacional de Deficiências, Incapacidades e Desvantagens (CIF), aprovada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde 2001, o documento considera a gagueira como uma deficiência.

“A pessoa com mudez ou gagueira passa por sérios obstáculos na vida cotidiana. Ela tem prejuízos especialmente pela dificuldade de interagir durante situações como entrevistas de emprego, quando a empresa não está preparada para lidar com a questão. As dificuldades se tornam maiores quanto mais profunda for a disfluência da fala”, argumenta Valadares.

O PLS 311/2018 aguarda a publicação de relatório na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). De lá, a matéria segue para a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

Agência Senado

MINAS GERAIS: Um bom exemplo de gestão do governador Romeu Zema 4

Num momento em que todos os estados enfrentam grave crise fiscal e financeira, não deixa de ser elogiável a iniciativa Romeu Zema de abolir quadros que normalmente eram colocados nas paredes de órgãos do estado com a foto do governador.

Depois de mais um crime ambiental ocorrido no estado de Minas Gerais, desta vez na cidade de Brumadinho, eis que surge uma notícia positiva protagonizado pelo Governo do Estado.

O governador Romeu Zema (Novo) postou um vídeo nas redes sociais anunciando que a sua equipe encontrou centenas de molduras e fotografias de ex-governadores mineiros que eram colocados na paredes de órgãos públicos.

“Nossa equipe encontrou em um dos prédios da Cidade Administrativa centenas de molduras e fotografias daqueles quadros que normalmente eram colocados nas paredes de órgãos do governo com a foto do governador. Já tinha falado isso na campanha e agora determinei que no meu governo isso não vai existir. O dinheiro que seria usado para isso vai ser destinado pra saúde, educação e segurança. No governo do Novo o dinheiro público será investido onde realmente importa. Um gestor eleito não é rei e não está aqui para ser bajulado. Atitudes diferentes para termos uma Minas eficiente, é o que faremos.”

Num momento em que todos os estados enfrentam grave crise fiscal e financeira, não deixa de ser elogiável a iniciativa do governador Zema, além de servir de exemplo para os demais gestores estaduais pelo Brasil afora.

Confira o vídeo gravado por Romeu Zema explicando porque não vai querer ver a sua imagem penduradas no órgãos estaduais do governo de Minas.

Jornalista americano Glenn Greenwald comenta sobre posse do seu marido na Câmara em substituição a Jean Wyllys 4

Nascido na favela do Jacarezinho, David Miranda era amigo da vereadora Marielle Franco, assassinada no ano passado, e tem forte proximidade com o movimento negro.

O jornalista americano Glenn Greenwald usou a sua rede social do Twitter para comentar  sobre o posse do seu marido na Câmara dos Deputados, o também jornalista David Miranda (PSOL), em substituição Jean Wyllys, que anunciou que não assumirá o mandato deputado federal alegando ameaças de morte.

“O substituto de Jean Wyllys para o Congresso é meu marido, David Miranda. A saída de Jean significa que David se tornará o único LGBT em todo o Congresso na era de Bolsonaro. Conforme Jean sempre fez, David está muito pronto para lutar”, tuitou o Greenwald.

Glenn Greenwald.

Assim como Jean, Miranda é homossexual e ativista da causa LGBT. Em 2016, ele foi o primeiro vereador gay a ser eleito para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Nascido na favela do Jacarezinho, David Miranda era amigo da vereadora Marielle Franco, assassinada no ano passado, e tem forte proximidade com o movimento negro.

(Com informações da Revista Fórum)

Defensores públicos mobilizam entidades para discutir agenda de ações voltadas a melhorias no Hospital da Criança

Uma reunião realizada, recentemente, na sede da Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE/MA), marcou o início de uma atuação conjunta em prol do Hospital Odorico Amaral de Matos – o Hospital da Criança, localizado em São Luís. Foi apresentada uma agenda de trabalho, pelos núcleos de Defesa da Criança e do Adolescente (NDCA) e de Direitos Humanos (NDH), para atuação com diversas entidades a fim de garantir a celeridade na entrega das obras no hospital e a regularização do atendimento prestado na unidade.

Na ocasião, os defensores Davi Rafael Silva Veras, do Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente, e Jean Carlos Nunes Pereira, do Núcleo de Direitos Humanos, apresentaram uma agenda de trabalho baseada em cinco eixos.

“Uma das propostas é formar grupos de trabalho entre as entidades para que as mesmas possam atuar, conjuntamente com a Defensoria, realizando inspeções regularmente na unidade de saúde. Para isso, serão promovidos cursos de formação para capacitar os grupos quanto às normas para vistorias e outros assuntos afins”, informou o defensor Davi Veras

A partir desse trabalho, deverão ser emitidas recomendações conjuntas aos entes municipais responsáveis para garantir mecanismos que assegurem a destinação de recursos ao hospital, a normalização do atendimento, a habilitação de serviços pendentes e a plena assistência às crianças e seus responsáveis.

Enfrentamento – Segundo o defensor Jean Carlos Nunes, a mobilização da sociedade civil é mais um esforço para garantir o atendimento digno e adequado às crianças que precisam da assistência do serviço público. “Decidimos que não dá para uma questão como essa ser resolvida apenas no âmbito jurídico. Precisamos fazer o enfrentamento público porque isso, com certeza, vai ampliar o canal de diálogo com o prefeito e o presidente da Câmara e, também, porque o nosso trabalho não deve ser só de cobrança, mas de auxílio e contribuição. Todos os atores precisam entrar nessa mobilização para retirar o hospital da crise em que se encontra”, ressaltou.

Além de prestar assistência jurídica em tutelas individuais de alguns pacientes do hospital, a Defensoria Pública do Estado vem acompanhando há alguns anos a situação do Hospital da Criança, de forma coletiva. Vários procedimentos já foram adotados, com vistas a sanar irregularidades identificadas na instituição, mas alguns problemas persistem.

Ainda em 2008, o Ministério Público do Maranhão ajuizou ação requerendo a ampliação do Hospital da Criança, bem como melhorias na infraestrutura geral e sanitária. A DPE/MA, por meio do NDCA e do NDH, se habilitou para funcionar no processo como parte interessada, tendo em vista a atuação em diversos processos individuais relacionados ao hospital. Com a sentença proferida em 2014 pela Vara de Interesses Difusos e Coletivos, o Município de São Luís ficou responsável pelo cumprimento do pleito. As obras foram iniciadas, mas os serviços nunca foram concluídos.

Um Procedimento Administrativo Nº 01/2018 também foi instaurado pela Defensoria Pública para averiguar denúncias recebidas sobre irregularidades relacionadas às condições sanitárias, ao fornecimento de insumos, medicamentos e alimentação.

ACESSIBILIDADE: Quantas pessoas precisarão morrer para que os terminais de ônibus sejam restruturados?, questiona mulher com deficiência 4

“Por esse motivo, tanto a SMTT – Secretaria Municipal de Transito e Transporte, quanto a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, precisam cumprir com suas finalidades.”

O acidente aconteceu quando a vítima tentava embarcar no coletivo. (Foto: Reprodução / TV Mirante.

O título deste post é, originalmente, de um artigo assinado por Priscilla Selares, uma mulher portadora de deficiência.

Publicada na sua página pessoal no Facebook, Priscila chama atenção para a precária situação estrutural dos terminais de integração de São Luis.

Ela reporta, por exemplo, para um caso ocorrido no último dia 9 de janeiro quando um homem foi atropelado no Terminal da Praia Grande.

Trata-se do senhor Aqulies Ferreira Ribeiro, de 45 anos e deficiente físico.

“Que fique bem claro que o acidente ocorrido na última quarta-feira não guarda relação com a deficiência física da vítima. Qualquer outra pessoa, com deficiência ou não poderia ter sido vítima, uma vez que o acidente decorreu, essencialmente, da falha na conduta do motorista e na infraestrutura do Terminal”, alerta Priscila.

Confira a íntegra do texto/desabafo da palestrante e consultara Priscila Selares

Ontem, diversos noticiários locais divulgaram o acidente ocorrido no terminal da Praia Grande, o qual resultou no óbito de um homem de 45 anos, que tinha deficiência física.

De acordo com as informações divulgadas, o homem escorregou, quando tentava ingressar no coletivo, indo parar embaixo do ônibus. A queda teria ocorrido em razão do ônibus ter saído da plataforma, antes que o Sr. Aquiles tivesse subido completamente.

Esse triste acidente trouxe a tona uma antiga discussão acerca da péssima qualidade dos serviços prestados nos terminais de ônibus de São Luís e a mobilidade urbana de um modo em geral. Inicialmente, cabe esclarecer que, quando falamos em mobilidade urbana ou transporte público coletivo, não estamos falando, apenas, dos veículos que fazem o transporte mas, também, das paradas de ônibus, dos terminais e das pessoas que trabalham nesses espaços. Mais do que disponibilizar ônibus acessíveis, o Município precisa assegurar infraestrutura de qualidade e segura para os usuários do serviço de transporte, bem como treinar aqueles que prestaram esse serviço, seja como motorista, cobrador, fiscal, enfim.

E, antes que alguém alegue que o Terminal da Praia Grande é administrado por um consórcio de empresas privadas, cabe informar que a responsabilidade do Município não acaba com a concessão do serviço para o particular. O Município tem o dever de fiscalizar se as concessionárias do serviço público de transporte estão prestando o serviço de forma adequada. Por esse motivo, tanto a SMTT – Secretaria Municipal de Transito e Transporte, quanto a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, precisam cumprir com suas finalidades. Agora, paralelamente à responsabilidade do consórcio administrador daquele Terminal e do Município, no caso em tela, temos, ainda, a responsabilidade da empresa de ônibus que não qualificou seu preposto de modo a evitar que acidentes dessa natureza ocorressem. Mesmo a ausência de fiscais no Terminal, para controlar o embarque e o desembarque dos passageiros nos coletivos é um importante aspecto a ser analisado.

São diversas questões que precisam ser vistas, discutidas e corrigidas ou implementadas, porém, com toda a sua complexidade, precisam ser resolvidas urgentemente, a fim de se evitar que outras pessoas tenham suas vidas ceifadas prematuramente, por falhas na prestação do serviço público. Agora, quando falamos em prestação de serviço público de transporte, em mobilidade urbana, precisamos assegurar que ele seja para todos e não há como prestar um serviço para todos, sem se garantir a acessibilidade para pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida em todos os seus aspectos.

Entretanto, que fique bem claro que o acidente ocorrido na última quarta-feira não guarda relação com a deficiência física da vítima. Qualquer outra pessoa, com deficiência ou não poderia ter sido vítima, uma vez que o acidente decorreu, essencialmente, da falha na conduta do motorista e na infraestrutura do Terminal. Precisamos ficar atentos!

Priscilla Selares Mulher com deficiência

MEIO AMBIENTE: Projeto ‘Praia Limpa’ mobiliza voluntários para ação de limpeza na Praia do Meio em São Luís

Um mutirão de limpeza e coleta seletiva de lixo está programado para acontecer nos próximos dias 26 e 27, na Praia do Meio, uma das mais movimentadas de São Luís. A iniciativa integra o projeto “Praia Limpa”, uma das ações do programa SOS Águas do Maranhão, idealizado pelo senador Roberto Rocha, em parceria com o Instituto Cidade Solidária (ICS). As ações estão previstas para acontecerem em todas as praias da capital maranhense.

Praia Limpa: Mais um projeto em defesa do meio ambiente idealizado pelo senador Roberto Rocha.

Além de realizar a coleta do lixo, o objetivo do projeto, também, é conscientizar e sensibilizar os turistas, frequentadores e trabalhadores do comércio como donos de bares, restaurantes e barracas quanto ao uso do descarte irregular de resíduos sólidos e limpeza do litoral ludovicense.

Durante os dois dias do evento, além da distribuição de panfletos educativos, o Praia Limpa vai contar com lixeiras e sacos de material biodegradável para a coleta de lixo no local. Todos os resíduos sólidos recolhidos serão separados, pesados e doados para cooperativas e oficinas de reciclagem que trabalham com a confecção de artesanatos.

As atividades serão executadas por monitores voluntários do curso de Biologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que conversarão com os banhistas sobre como agir corretamente com o lixo que é gerado nas praias.

Quem quiser se voluntariar para o projeto, a concentração vai ser às 10h, na Praia do Meio. Todos os monitores voluntários irão receber um kit contendo protetor solar, camisa e boné com a identificação da ação.

Yuval Noah Harari, autor de ‘Sapiens’: “A tecnologia permitirá ‘hackear’ seres humanos”

O historiador israelense de 42 anos, que vendeu cerca de 15 milhões de livros em todo o mundo, tornou-se um dos pensadores do momento. É o autor do fenômeno Sapiens, ensaio provocativo sobre como os humanos conseguiram dominar o planeta. Agora retorna às livrarias com 21 lições para o século 21 e nos recebe em Tel Aviv para conversar sobre os perigos do avanço tecnológico descontrolado, do fascismo e das notícias falsas.

Cristina Galindo, para o EL PAÍS

Há 10 anos, Yuval Noah Harari era um desconhecido professor da Universidade Hebraica de Jerusalém. Nada em sua carreira acadêmica —especializada em história mundial, medieval e militar— fazia pensar que se tornaria um dos pensadores da moda. Já vendeu 15 milhões de exemplares de seus ensaios em todo o mundo, passeia pelos fóruns de debate mais prestigiados, seus livros são recomendados por Bill Gates, Mark Zuckerberg e Barack Obama, e líderes políticos como Angela Merkel e Emmanuel Macron abrem espaço em suas agendas para trocar ideias com ele. A fama chegou de forma inesperada para esse israelense franzino, com um ensaio original e provocador sobre a história da humanidade. Sapiens: Uma breve história da humanidade (L&PM) foi um sucesso primeiro em Israel ao ser publicado em 2011 e depois em todo o mundo, com traduções para 45 idiomas. Em 30 de agosto, o historiador publica seu terceiro livro, 21 lições para o século 21 (Companhia das Letras), um guia para enfrentar as turbulências do presente.

Harari, de 42 anos, é vegano, medita duas horas por dia e não tem smartphone. Mora perto de Jerusalém em um moshav, tipo de comunidade-cooperativa rural formada por pequenas chácaras individuais que foi incentivada durante o século XX para abrigar imigrantes judeus. Como é morar em um lugar assim? Sorri. “Não tem nada de especial, na verdade agora é um bairro residencial tão normal quanto qualquer outro”, esclarece. Mas Harari não abre as portas de sua casa para a entrevista, organizada pela editora espanhola Debate para o lançamento mundial do novo livro. O encontro acontece em uma cobertura bem iluminada no centro de Tel Aviv que ele utiliza como base de operações na cidade. Nos primeiros minutos é acompanhado por seu marido, Itzik Yahav, seu braço direito em assuntos econômicos e de promoção, que sai assim que começam as perguntas. Casaram-se no Canadá, pois Israel só reconhece os casamentos civis, entre pessoas do mesmo sexo ou não, se foram realizados no exterior.

O historiador se criou em Haifa (norte do país) no seio de uma família laica com origens no Leste Europeu. Em 2002 obteve o doutorado na Universidade de Oxford (Reino Unido) e depois começou a dar aulas em Jerusalém. A inspiração para escrever Sapiens surgiu de um curso introdutório sobre história mundial que ofereceu porque seus colegas mais veteranos não aceitaram a incumbência. Nos meses de pesquisa que dedicou para escrevê-lo aprendeu muitas coisas, mas uma das que o marcou foi o uso impiedoso, em sua opinião, que o humano faz dos animais para seu próprio benefício. Desde então baseia sua dieta em alimentos de origem vegetal.

Depois do sucesso de Sapiens, publicou Homo Deus (Companhia das Letras), uma viagem a um futuro dominado pela tecnologia, que também foi muito bem recebido nas livrarias. Resta saber o que acontece com seu novo livro, que como o próprio Harari explicou foi inspirado em artigos dele publicados em vários jornais e debates que surgiram durante as conferências que pronunciou e as entrevistas que concedeu. Nele aparecem temas de seus livros anteriores, mas se o primeiro ensaio se concentrava no passado e o segundo no futuro, o terceiro se ocupa do presente.

Exemplares de seus livros traduzidos para vários idiomas se amontoam na mesinha de centro da sala do escritório de Harari em Tel Aviv. O historiador comenta, em um inglês fluido com sotaque hebraico, que lhe parece especialmente curiosa uma versão ao japonês que ficou tão longa que precisou ser publicada em dois volumes. Seu cachorro, chamado Pengo, grande e peludo, cochila no chão de madeira do apartamento, enquanto Harari, amável a todo momento e muito paciente ao posar para as fotografias, serve água fresca aos convidados para aliviar os efeitos do calor úmido que invade a rua em pleno mês de julho.

Sete anos depois de sua publicação, Sapiens continua aparecendo nas listas dos mais vendidos. Ridley Scott anunciou planos de adaptá-lo ao cinema. Por que o livro conseguiu interessar tanta gente?

Nossas vidas são afetadas por coisas que acontecem do outro lado do mundo, seja a economia chinesa, a política americana ou a mudança climática. Mas a maioria dos sistemas educacionais continuam ensinando história como algo local. As pessoas querem ter uma perspectiva mais ampla da história da humanidade. Além disso, é um livro bem acessível, com um estilo simples, que não foi escrito para leitores especializados. E, claro, é preciso levar em conta o trabalho do meu marido e de todas as pessoas que trabalham conosco, porque uma coisa é saber escrever um livro e outra é promovê-lo.

Que impacto o sucesso teve em sua vida?

A popularidade é muito agradável. Quem não quer ter sucesso, que as pessoas leiam seus livros, ter influência? Mas há um lado negativo. Tenho menos tempo para ler, pesquisar e escrever, porque viajo muito, dou entrevistas e coisas assim…. Também existe o risco de subir à cabeça, de seu ego crescer e você se tornar uma pessoa desagradável. Você começa a se achar muito inteligente, e que todos deveriam saber o que você diz. Quando as pessoas começam a ouvir demais uma pessoa, não é bom para ninguém. Seja em política, na religião ou na ciência. O fenômeno do guru pode ser perigoso. Espero que muita gente leia meus livros, mas não por ser um guru que tem todas as respostas, porque não tenho. Tratam-se das perguntas.

Que perguntas são importantes para você?

O maior problema político, legal e filosófico de nossa época é como regular a propriedade dos dados. No passado, delimitar a propriedade da terra foi fácil: colocava-se uma cerca e escrevia-se no papel o nome do dono. Quando surgiu a indústria moderna, foi preciso regular a propriedade das máquinas. E conseguiu-se. Mas os dados? Estão em toda parte e em nenhuma. Posso ter uma cópia de meu prontuário médico, mas isso não significa que seja o proprietário desses dados, porque pode haver milhões de cópias deles. Precisamos de um sistema diferente. Qual? Não sei. Outra pergunta-chave é como conseguir maior cooperação internacional.

Sem essa maior cooperação global, você argumenta em seu último livro, é complicado enfrentar os desafios do século.

Nossos três principais problemas são globais. Um único país não pode consertá-los. Falo da ameaça de uma guerra nuclear, da mudança climática e da disrupção tecnológica, em especial o desenvolvimento da inteligência artificial e da bioengenharia. Por exemplo, o que o Governo espanhol pode fazer contra a mudança climática? Mesmo que a Espanha se tornasse um país mais sustentável e reduzisse suas emissões a zero, sem a cooperação de China ou Estados Unidos isso não serviria para muita coisa. Em relação à tecnologia, apesar de a União Europeia proibir fazer experiências com os genes de uma pessoa para criar super-humanos, se a Coreia ou a China fizerem isso, o que se faz? É provável que a Europa acabasse criando seres superinteligentes para não ficar para trás. É difícil ir na direção contrária.

Em Sapiens, você argumenta que a cooperação em grande escala é uma das grandes especialidades humanas.

Os chimpanzés, por exemplo, só cooperam com outros de sua espécie que conhecem pessoalmente. Talvez 150, quando muito. Nós, humanos, somos capazes de cooperar com milhões de humanos sem conhecê-los. E é graças a essa capacidade de criar e acreditar em histórias. Histórias econômicas, nacionalistas, políticas, religiosas… O dinheiro, por exemplo. Trabalhamos em troca de euros, confiamos nisso, mas um macaco nunca te dará uma banana em troca de um pequeno pedaço de papel.

Como entender o mundo atual?

Está mudando de uma forma tão rápida que é cada dia mais difícil entender o que está acontecendo. Nunca tínhamos vivido de forma tão acelerada. Ao longo da história nós, humanos, não sabíamos com exatidão o que ia acontecer em 20 ou 30 anos, mas conseguíamos adivinhar o básico. Se você morasse em Castela [na atual Espanha] na Idade Média, em duas décadas aconteciam muitas coisas (talvez a união com Aragão, a invasão árabe…), mas o dia a dia das pessoas continuava sendo mais ou menos o mesmo. Agora não temos nem ideia de como será o mercado de trabalho e as relações familiares em 30 anos, que não é um futuro tão distante. Isso cria uma confusão enorme.

Qual é a reação diante disso?

O futuro é tão incerto que as pessoas buscam certezas, se concentram nas histórias que conhecem e que lhes oferecem a promessa de uma verdade invariável. O cristianismo, o nacionalismo… E não faz sentido. Quantos anos tem o cristianismo? Dois milênios não são nada comparados com a história total da humanidade. Além disso, as religiões tradicionais não têm soluções para os problemas de hoje: a Bíblia não diz nada sobre inteligência artificial, engenharia genética ou mudança climática.

Há uma volta ao nacionalismo. Até que ponto é perigosa?

Em princípio, acredito que não há nada de ruim com o nacionalismo quando é moderado. Permite que milhões de desconhecidos compartilhem um sentimento, possam cooperar, às vezes para a guerra, mas sobretudo para criar uma sociedade. Eu pago impostos e o Estado dedica o dinheiro a proporcionar serviços para todos, apesar de não nos conhecermos. E isso é muito bom. Mas convém saber que o nacionalismo se torna fascismo quando dizem a você que sua nação não só é única como é superior, mais importante do que qualquer outra coisa no mundo. E você não tem obrigações especiais com seu país, apenas com sua nação e com ninguém mais, nem com sua família, nem com a ciência, nem com a arte… nem com o resto da sociedade. Assim, a maneira de julgar um filme bom reside, unicamente, em se serve aos interesses da nação. É a maneira fascista de ver as coisas.

Por que o fascismo continua sendo atraente?

Não sei como se ensina na Espanha, mas em Israel se apresenta o fascismo como um monstro terrível. Creio que é um erro, porque como todo mal tem uma cara amável e sedutora. A arte tradicional cristã já representava Satanás como um homem atraente. Por isso é tão difícil resistir às tentações do mal e, sem dúvida, do fascismo. Como é possível que milhões de alemães tenham apoiado Hitler? Deixaram-se levar porque os fazia se sentir especiais, importantes, belos. Por isso é tão atraente. O que acontece quando as pessoas começam a adotar pontos de vista fascistas? Que como lhes disseram que o fascismo é um monstro, custa a eles reconhecer nos demais e neles mesmos. Quando se olham no espelho, não veem esse monstro terrível, mas algo bonito. Não sou um fascista, dizem a si mesmos.

O Parlamento israelense aprovou uma lei que fala da “nação judaica” que foi muito criticada sobretudo pelos cidadãos árabes que vivem ali. No livro, o sr. afirma que seu país exagerou a influência real do judaísmo na história.

Muita gente tem uma imagem exagerada de si mesma como indivíduos e como coletivo. Coloco o exemplo de Israel porque é um país que conheço. Muitos israelenses acreditam que o judaísmo é a coisa mais importante que aconteceu na história. Ficam muito incomodados com as críticas sobre o que Israel está fazendo nos territórios ocupados. Têm uma imagem distorcida do lugar que ocupam no mundo e do que os israelenses estão fazendo agora em um contexto global. Aqui é muito difícil falar disso sem que taxem você de traidor. Sobre a lei da “nação judaica”, tenho orgulho de ser israelense, mas em meu país alguns direitos estão sendo restringidos.

O que mais o preocupa na tecnologia?

Os partidos fascistas nos anos trinta e a KGB soviética controlavam as pessoas. Mas não conseguiam seguir todos os indivíduos pessoalmente nem manipulá-los individualmente porque não tinham a tecnologia. Nós começamos a tê-la. Graças ao big data, à inteligência artificial e ao aprendizado por máquinas, pela primeira vez na história começa a ser possível conhecer uma pessoa melhor do que ela mesma, hackear seres humanos, decidir por eles. Além disso, começamos a ter o conhecimento biológico necessário para entender o que está acontecendo em seu interior, em seu cérebro. Temos uma compreensão cada vez maior da biologia. O grande assunto são os dados biométricos. Não se trata apenas dos dados que você deixa quando clica na web, que dizem aonde você vai, mas dos dados que dizem o que acontece no interior de seu corpo. Como as pessoas que usam aplicativos que reúnem informações constantes sobre a pressão arterial e as pulsações. Agora um governo pode acompanhar esses dados e, com capacidade de processamento suficiente, é possível chegar ao ponto de me entender melhor do que eu mesmo. Com essa informação, pode facilmente começar a me manipular e controlar da forma mais efetiva que jamais vi.

Isso soa um pouco como ficção científica, não?

Já estamos vendo como a propaganda é desenhada de forma individual, porque há informação suficiente sobre cada um de nós. Se você quer criar muita tensão dentro de um país em relação à imigração, coloque uns tantos hackers e trolls para difundir notícias falsas personalizadas. Para a pessoa partidária de endurecer as políticas de imigração você manda uma notícia sobre refugiados que estupram mulheres. E ela aceita porque tem tendência a acreditar nessas coisas. Para a vizinha dela, que acha que os grupos anti-imigrantes são fascistas, envia-se uma história sobre brancos espancando refugiados, e ela se inclinará a acreditar. Assim, quando se encontrarem na porta de casa, estarão tão irritados que não vão conseguir estabelecer uma conversa tranquila. Isso aconteceu nas eleições dos Estados Unidos de 2016 e na campanha do Brexit.

Dá vontade de ir morar em Marte…, de isolar-se. Como se concentrar no que é importante?

A atenção é um recurso muito disputado e está associado aos dados. Todo mundo quer atrair sua atenção. O modelo da indústria da informação foi completamente distorcido. Agora o padrão básico é que você recebe a maioria das notícias supostamente grátis (sejam reais ou falsas), mas na verdade faz isso em troca de sua atenção, que é vendida a outros. O novo símbolo de status é a proteção contra ladrões que querem captar e reter nossa atenção. Não ter um smartphone é um símbolo de status. Muitos poderosos não têm.

Mas parece que Donald Trump tem um smartphone, pelo menos passa o dia tuitando. O sr. também tem conta no Twitter desde janeiro de 2017.

Há pessoas administrando minha conta. Me parece que as redes sociais escravizam muito. Se quiser estar de verdade nelas, não se pode tuitar alguma coisa uma vez por mês. Precisa fazer o tempo todo. Eu não tenho tanto a dizer no Twitter!

Como você se organiza para manter sua atenção a salvo de sequestradores?

Tento limitar os tempos. Começo o dia com uma hora de meditação. Depois de tomar café olho os e-mails e tento responder todos. Tento zerar a caixa de entrada, porque, se deixo para depois, fica lotada. Então tento não olhar os e-mails o tempo todo. Como não tenho smartphone, não recebo notificações, nem tenho a tentação de entrar na Internet para ler alguma coisa. Simplesmente, pego um livro e leio. Uma ou duas horas. Só faço isso. Se tenho de escrever, escrevo. A prática de meditação me ajuda a manter a concentração.

Dizem que o sr. soube da vitória de Donald Trump várias semanas depois porque estava em um retiro meditando. Realmente. Soube algumas semanas depois.

Você acredita que a promoção do novo livro lhe deixará tempo para ir a um retiro este ano? Sem dúvida! Nunca falto. Vou para a Índia por 60 dias em dezembro.

 

Liderança e cultura organizacional

Os líderes do século 21 precisam entender o impacto de suas atitudes na construção de uma cultura conectada ao espírito do nosso tempo.

por Kaio Serrate, via administradores.com.br

A liderança no século 21 está cada vez menos fundamentada em poderes formais derivados da posição que o líder ocupa na cadeia de comando e controle.

A liderança exercida a partir da capacidade de articular uma visão de futuro por meio de relacionamentos significativos tende a ser cada vez mais valiosa. Em um contexto como esse, a execução está acima dos cargos; ser reconhecido como referência pelo time vale mais que autoridade; e, liderança circunstancial se sobrepõe à hierarquia.

A cultura organizacional, entendida como a ordem social invisível que molda comportamentos e atitudes de um grupo, é uma variável de importância crescente para as organizações que operam em uma lógica pós-digital.

Os líderes, mais do que nunca, precisam construir culturas que façam sentido no mundo de hoje, além de atuar como embaixadores dessas culturas em múltiplos níveis.

De acordo com um artigo publicado no início de 2018 pela Harvard Business Review, líderes que entendem profundamente os padrões complexos de comportamento em uma organização têm mais possibilidade de:

Avaliar a cultura da organização e seus efeitos intencionais e não intencionais.

Avaliar a consistência da visão dos funcionários sobre a cultura.

Identificar subculturas que expliquem desempenhos melhores e piores entre diferentes equipes.

Localizar diferenças culturais herdadas de fusões e aquisições.

Orientar os novos executivos sobre a cultura em que eles estão ingressando e ajudá-los a encontrar a melhor forma de liderar.

Perceber o grau de alinhamento entre estilos pessoais de liderança e a cultura organizacional para entender o impacto que cada líder pode ter.

Criar uma cultura aspiracional, traduzir e comunicar as mudanças necessárias para chegar lá.

Obviamente estas não são as únicas vantagens de um líder que chama para si o papel de articulador da cultura organizacional. O melhor é sempre considerar peculiaridades de cada organização e estar aberto às constantes transformações. Contudo, entender que a cultura é uma alavanca para os objetivos estratégicos ajuda a explicar o desempenho das empresas normalmente citadas como referências em inovação.

Dentre outros motivos, uma cultura alinhada ao espírito do nosso tempo libera energia criativa (que seria gasta com processos gerenciais inúteis e controles excessivos) para a construção da visão de futuro compartilhada.

Se você é ou deseja ser líder deveria entender que a cultura é o código-fonte das estratégias empresariais.

Ou, como disse Peter Drucker:

Cultura come estratégia no café da manhã.

VÍDEO: Por que é tão difícil mudar?

Muito interessante o vídeo do doutor em Ciências em Psiquiatria e Psicologia Médica, Pedro Calabrez, sobre o poder do cérebro. É um pouco longo, mas vale a pena assistir até o final. Confira

“Quando você tem a plena consciência que cada segundo da vida é precioso, não volta e é um investimento, você começa a valorizar aquilo que há de melhor na vida e para cada um de vocês é diferente…”

Carlos Brandão sanciona Lei de Cafeteira que determina Censo para população autista no MA

A Lei é fruto de uma Audiência Pública, realizada em dezembro de 2018, e visa estabelecer normas para uma efetiva promoção de inclusão escolar para crianças com transtornos funcionais específicos.

Na última semana, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que exercia interinamente a função de governador do estado, sancionou uma proposição aprovada na Assembleia Legislativa do Maranhão, de autoria do deputado Rogério Cafeteira (DEM), que dispõe sobre a implantação do Programa Censo de Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus familiares.

O objetivo da Lei sancionada é o de identificar, mapear e cadastrar o perfil socioeconômico das pessoas com TEA e de seus familiares, para garantir uma maior eficácia na elaboração de Políticas Públicas de Saúde, Educação, Trabalho e Lazer no Maranhão.

“Recebi com muita alegria a notícia da sanção desta Lei, cujo objeto, o Censo, será um norte e um avanço muito importante na elaboração de Políticas Públicas para a população de autistas em nosso Estado. Agradeço ao vice-governador Carlos Brandão, que assinou a sanção, e ao governador Flávio Dino, pela sensibilidade, carinho e cuidado com que tratam as pessoas com deficiência no Maranhão”, destacou o parlamentar.

Como funcionará

De acordo com a Lei, a cada quatro anos, deverá ser realizado um Censo para identificação e mapeamento dos autistas e o Estado poderá dispor de mecanismos que permitam atualização dos dados, mediante um auto cadastramento.

Entre as informações que deverão constar no questionário, estão: tipos e graus de autismo, localização, grau de escolaridade, renda e profissão das pessoas com TEA e familiares, entre outros dados.

(Assecom / Dep. Rogério Cafeteira)