CRISE HÍDRICA: A mea culpa da Caema

A decisão da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), de dar descontos para alguns consumidores de água ligados do Sistema Italuís, é uma decisão louvável. Mas encerra em si um mea culpa da empresa, protagonista de uma das maiores lambanças institucionais, no sábado, 9, ao deixar quase 160 bairros da capital maranhense sem água por seis dias.

Ao tentar ligar o novo projeto Italuís – desenvolvido no governo Roseana Sarney (PMDB) e entregue praticamente pronto para o governo Flávio Dino (PCdoB) apenas fazer a conexão dos canos -, a Caema acabou por gerar um caos ao consumidor de água. Uma mudança no projeto, determinada no governo comunista, alterou as plantas das adutoras, com novos conectores, que acabaram não funcionando.

A decisão da Caema reconhece que a empresa errou, mas não encerra o assunto. O governador Flávio Dino chegou a denunciar suposto boicote à operação, o que soou ridículo aos olhos de toda a sociedade.

E já há, inclusive, denúncia formal, do deputado Hildo Rocha (PMDB), acusando o próprio Flávio Dino pela lambança de sábado, já que partiu dele a decisão de mudar o projeto, provocando um aditivo de R$ 31 milhões na obra, que acabou sendo descartada, pelo menos a médio prazo.

Não há prazo para nova tentativa de religação do sistema; e o antigo, construído no governo João Castelo, está funcionando com retenção de vazão, para evitar novos rompimentos. Nada mais justo que a Caema indenizar a população prejudicada.

(Da Coluna Estado Maior, O Estado do Maramnhão)

Os perigos do ‘disse me disse’ no ambiente de trabalho

O que fazer para evitar boatos e qual o ônus legal que uma empresa pode sofrer quando não combate este hábito?

Daniel Cristofi e Dhyego Pontes, Administradores.com

Em uma pesquisa realizada pelo LinkedIn, com divulgação na TV Justiça, sobre o que mais incomodava profissionais brasileiros em suas rotinas de trabalho, foi constatado que o excesso de fofocas era o principal aborrecimento para mais de 80% dos entrevistados. Segundo especialistas em gestão pessoal, a fofoca pode afetar não só o clima organizacional, mas o próprio desempenho dos empregados, impactando, diretamente, no foco, concentração e inteligência emocional dos colaboradores de uma empresa.

Com tantos prejuízos, o que as organizações devem fazer para enfrentar a geração de boatos em seus espaços? E, do ponto de vista do direito trabalhista, que medidas podem ser tomadas por aqueles que se sentirem prejudicados por uma fofoca? Abordaremos estes temas ao longo deste artigo.

Uma empresa ou funcionário pode sofrer sanções trabalhistas em caso da ocorrência de fofocas no espaço laboral?

No geral, sim. Embora não seja um tema incontroverso, tribunais regionais do trabalho tendem a julgar como procedentes, processos de danos morais ou pedidos de indenização movidos em razão de fofocas no ambiente do trabalho. Já que é claro perante os entes fiscais e justiça do trabalho que é de responsabilidade do empregador a conduta de seus colaboradores com seus companheiros de trabalho.

É o caso, por exemplo, de processo de 2005 julgado 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, que condenou instituição financeira a pagar R$ 55.205, visando compensar dor de vítima que teve exposto o não cumprimento de metas de produtividade, segundo informações do ConJur. Ficou determinado ainda que a instituição deveria impedir que este comportamento se repetisse.

Outro caso, de 2017, julgado pelo TRT da 2ª região de São Paulo, acolheu o pedido de indenização por danos morais de um funcionário que teve fatos de sua vida expostos de modo vexatório por superiores. A desembargadora, Sônia Mascaro Nascimento, e os magistrados, condenaram a empresa a pagar R$ 10 mil em razão da ofensa.

O que torna procedente tais processos, consiste no fato de que, fofocas e boatos podem configurar dano moral e, neste sentido, serem passíveis de indenização, conforme explica o inciso X do Artigo 5º da Constituição Federal Brasileira:

“São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.”

Para que um empregado possa mover uma ação por dano moral nestes casos, são imprescindíveis provas que demonstrem a incidência das fofocas o envolvendo, bem como, possíveis prejuízos causados pelos boatos. Tais provas podem ser de ordem testemunhal ou documental – e-mails, mensagens via aplicativos, conversas no Facebook ou até mesmo gravações, para que assim fique evidenciada a ocorrência, extensão e dano da conduta lesiva.

Qual postura adotar diante de um boato no ambiente de trabalho?

Profissionalismo é sempre a melhor postura a ser tomada por funcionários diante de uma fofoca. Isso envolve a discrição e, acima de tudo, não colaborar para que um boato se espalhe, uma vez que, além de prejudicar um colega de trabalho, o funcionário pode sofrer sanções tanto internas como legais, haja vista que medidas como advertências, suspensões e em última instância até a dispensa por justa causa podem ser tomadas pelo empregador com intuito de coibir práticas lesivas aos empregados e principalmente ao ambiente de trabalho.

Que medidas podem auxiliar o profissional a não ser vítima de fofocas?

Qualquer profissional também pode adotar algumas ações que minimizem as chances de que ele se torne vítima de boatos em uma empresa. Evitar a superexposição, tanto para colegas quanto em redes sociais (que hoje fazem parte do dia a dia organizacional) é um importante passo neste sentido. Outra ação útil recomendada por especialistas é manter-se neutro em discussões e evitar a formação de “panelinhas” que podem favorecer a difusão de boatos.

Por parte das empresas, políticas claras de combate as fofocas, adotando, inclusive, punições internas para funcionários que estimularem a prática, são instrumentos necessários tanto para dar mais segurança para uma organização em eventuais casos envolvendo a justiça trabalhista, quanto para evitar que seu ambiente interno e a produtividade de seus colaboradores sejam afetados em virtude do excesso de boatos. Além disso, deve ser facilitado o acesso de seus colaboradores a canais de denúncia, que não deve ser limitado e exclusivamente realizado perante ao superior hierárquico direto do empregado denunciante, já que muitas vezes o superior é o responsável pela prática e conduta lesiva.

É, por fim, papel dos gestores, contribuir para a inibição das fofocas. Afinal de contas, como vimos aqui, elas podem gerar prejuízos muito mais sérios do que, talvez, pudéssemos supor, na fila do café.

Daniel Cristofi — Especialista em Previdenciário e membro da Grounds, empresa de consultoria inteligente especializada nas áreas contábil, tributária, trabalhista, previdenciária e financeira.

Dhyego Pontes — Especialista em Direto Trabalhista e membro da Grounds, empresa de consultoria inteligente especializada nas áreas contábil, tributária, trabalhista, previdenciária e financeira.

Sobrecarga de obras na Sinfra pode explicar atrasos e problemas de Engenharia. OU: A única Engenharia que tem vez no governo Flávio Dino é a “Engenharia de Gogó” 4

O governo não prestigia o quadro de engenheiros de carreira, profissionais que foram escanteados a segundo plano por conta de questões políticas

Há uma reclamação muito grande entre empresários da construção civil, prestadores de serviços, prefeitos e mesmo técnicos de carreira do Estado quanto à concentração de obras sobre a responsabilidade da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Sinfra).

Para início de conversa, o secretário da Sinfra não é da área da Engenharia e sequer foi visto ao lado do governador para ver o bagaço que foi o rompimento da nova adutora do sistema Italuís, por exemplo. Também pouco adiantaria, já que entende do assunto tanto quanto eu entendo física astronômica.

Ao que parece, segundo alguns técnicos, há uma concentração de tudo que obra na pasta da Sinfra. Nenhuma outra Secretaria de Estado licita, contrata ou executa obras, só a secretaria do Clayton Noleto. O governo levou tudo, absolutamente tudo pra lá, aí não tem equipe que dê conta de um Estado do tamanho do nosso fazendo obras de todo tipo.

Sem falar que é um governo que não prestigia o quadro de engenheiros de carreira, profissionais que foram escanteados a segundo plano por conta de questões políticas. O que também tem ocorrido no âmbito da Caema e no Detran, conforme apurou o Blog do Robert Lobato.

“No caso específico da Sinfra, a coisa complica ainda mais porque há uma equipe pequena sem autonomia para tomar decisões e na mão de um secretário que não possui experiência na área”, disse um experiente engenheiro consultado pelo Blog do Robert Lobato.

Enfim, pelo jeito a única Engenharia que tem vez no governo Flávio Dino é a “Engenharia de Gogó”, cujo engenheiro principal é o próprio.

Por que pessoas com valores duvidosos se dão bem na vida profissional? 2

Por Dr. Tomas Chamorro-Premuzic para a Harvard Business Review, via Vya Estelar

Como sabemos, não apenas os “mocinhos” sobem na carreira em organizações. Como disse Robert Hare em uma palestra: “Nem todos os psicopatas estão na prisão – alguns deles estão no topo das organizações.”

A psicopatia, o narcisismo e o maquiavelismo formam a “tríade sombria”. Deve-se notar que, ao contrário dos traços de personalidade patológica, esses traços são normalmente distribuídos na população – por exemplo, você pode ter uma pontuação baixa, média ou alta nessas características – e ter indicativos de funcionamento perfeitamente normais. Em outras palavras, só por que você apresenta fortes indícios dessas características não significa que esses valores tragam problemas para sua vida pessoal ou para o trabalho. E, apesar das implicações dessa tríade sombria, pesquisas recentes têm destacado uma ampla gama de benefícios derivados dessas características de personalidade.

Indivíduos psicopatas geralmente são mais desonestos, egocêntricos, imprudentes e cruéis que a média da população. O maquiavelismo está mais relacionado a um charme superficial, manipulação interpessoal, enganação, crueldade e impulsividade. Pessoas que têm altos índices nessa escala são moralmente fracas e têm a propensão a endossar a ideia de que “os fins justificam os meios” ou concordar com “é difícil avançar sem aparar algumas arestas aqui e ali”.

O narcisismo está relacionado a sentimentos irrealistas de grandiosidade, um ego inflado – embora frequentemente instável e inseguro – com um senso de autoestima e de sentir-se no direito egoísta de tratamento especial, aliado à pouca consideração pelos outros.

Assim como o termo e a lenda de Narciso sugerem, indivíduos narcisistas são tão autoindulgentes que podem acabar se afogando no amor-próprio – isso torna difícil para eles focarem em outras pessoas. Narcisistas frequentemente são charmosos, e o carisma é um lado socialmente desejado do narcisismo; Silvio Berlusconi, Steve Jobs e Jim Jones personificaram isso.

Em um estudo recente realizado em empresas alemãs, o narcisismo mostrou uma correlação positiva com o salário, enquanto o maquiavelismo se correlacionou ao nível de liderança e satisfação na carreira. Estas correlações eram significativas mesmo depois de controlar os efeitos demográficos, do cargo, do tamanho da empresa e das horas trabalhadas.

Anteriormente, um estudo descobriu que indivíduos com características psicopatas e narcisistas gravitavam para o topo da hierarquia tradicional e tinham altos níveis de realização financeira. Alinhadas a essas informações, algumas estimativas apontam que a taxa básica de níveis clínicos de psicopatia é três vezes maior entre conselhos corporativos que na população geral.

Então, por que essas pessoas com valores duvidosos se dão bem na vida profissional?

Em parte, porque claramente há um lado-luz nesse lado sombrio. Um estudo que examinou a sobreposição entre as características positivas e negativas da personalidade revelou que extroversão, abertura a novas experiências, curiosidade e autoestima são geralmente maiores entre personalidades da tríade sombria. Além disso, traços dessa tríade tendem a aumentar a competitividade, no mínimo pela inibição da cooperação e dos comportamentos altruístas no trabalho.

Estudos também revelaram que tendências psicopatas e maquiavélicas facilitam táticas de sedução e intimidação que assustam potenciais competidores e encantam chefes. Isso explica por que indivíduos com essas características são frequentemente ótimos atores, além de bem-sucedidos (a curto prazo) nos relacionamentos sexuais.

É importante entender que todos esses ganhos individuais vêm com prejuízos para o grupo.

Embora obviamente exista um elemento adaptativo para a tríade sombria – o que explica por que pessoas com valores distorcidos muitas vezes tenham sucesso – esse sucesso tem um preço, que geralmente é pago pela organização. E quanto mais poluído e contaminado o ambiente – em um sentido político – mais essas personalidades parasitas prosperam.

Mas como diz o ditado, tudo é melhor quando usado com moderação. Por exemplo, estudos mostraram que um nível intermediário de maquiavelismo aponta o mais alto nível de “cidadania organizacional”, talvez por serem politicamente perspicazes e bons em estabelecer redes de relacionamento, especialmente nos níveis superiores para ascender profissionalmente.

Outro estudo que analisou a liderança militar apontou que os melhores líderes mostraram características do lado-luz de narcisismo enquanto inibiam os traços sombrios: eles tinham altos índices de autoestima e apreço por si mesmo, mas baixos em manipulação e busca de causar uma impressão positiva.

Assim é possível pensar que as tendências do lado-sombra são fortalezas usadas em excesso — tendências que são bastante adaptativas e conduzem ao sucesso em curto prazo, mas que levam a problemas no longo prazo, especialmente quando pessoas com estas tendências não têm consciência a respeito delas. Ou seja, o lado-sombra representa os ativos tóxicos da nossa personalidade. Você pode transformá-los em armas para sua carreira, mas o grupo poderá perder, enquanto você ganha. A personalidade é um lubrificante importante para a carreira, mas traços da tríade sombria são mais efetivos em nível individual do que para o grupo.

Lá vai o trem com o minério

Roberto Rocha, senador da República

Foi um maranhense, o poeta Ferreira Gullar, quem nos brindou com a linda letra das Bachianas brasileiras, composição de outro gênio, o maestro Villa Lobos. Nessa letra Gullar conta que lembrava da infância e da magia do trem da sua meninice, que cortava o Maranhão, de São Luis a Teresina. “Lá vai o trem com o menino, lá vai a vida a rodar”….

Outro maranhense de gênio e também poeta, João do Vale, cantou o trajeto do trem no sentido inverso, de Teresina a São Luis. “O trem danou-se naquelas brenhas; soltando brasa, comendo lenha”.

Como se vê, o trem faz parte dos nossos afetos mais profundos. Mas a vida rodou e a passagem da velha Maria Fumaça foi substituída por outras máquinas que não soltam brasa nem derramam poesia por onde passam. O trem do minério, com suas dezenas de vagões, atravessa o Maranhão com a nobre missão de gerar riquezas, mas deixa por onde passa, além do apito, um rastro de impacto ambiental.

Vinte e três municípios do Maranhão emprestam seu território para essa riqueza passar por cima. São hospedeiros, que praticamente nada recebem em troca. Essa realidade se arrasta há 32 anos, com os municípios pleiteando uma fatia maior na Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – CFEM, uma espécie de fundo compensatório, composto de um percentual obtido do aproveitamento econômico da exploração do recurso mineral, criado para auxiliar os municípios a mitigar os impactos ao meio ambiente.

Na semana que passou essa realidade começou a mudar. O Senado aprovou emenda de minha autoria que redistribui os recursos provenientes da CFEM, destinando 60% para os Municípios produtores, 15% para os Estados, 10% para a União e 15% para Municípios que são corredores de escoamento.

Essa a grande novidade, que irá beneficiar, por exemplo,  Açailândia, , Bom Jesus das Selvas, Buriticupu, Cidelândia, Itinga do Maranhão , São Francisco do Brejão,  São Pedro da Água Branca, Vila Nova dos Martírios, na região tocantina.  Mas não apenas elas. Todas as cidades afetadas por operações de embarque e desembarque, ou ainda, onde se localizem pilhas de estéril, barragem de rejeitos e instalações de beneficiamento de minérios, passarão a receber esses recursos, proporcionalmente à população e à extensão do território cortado pela ferrovia.

Para mim, é uma questão de justiça. Para os prefeitos e prefeitas do Consórcio Intermunicipal Multimodal (CIM), é uma questão de sobrevivência financeira. Por isso estivemos essa semana com o presidente Michel Temer, em comitiva, para assegurar que essa medida não seja sabotada por interesses menores.

Lá vai o trem, levando o minério. E lá vai o menino, das nossas pobres cidades do interior, que mais do que ninguém merece “ciranda e destino”, como cantou o poeta.

Dilemas: Como mudar um mau hábito? 2

Parar de fumar, emagrecer, se exercitar. Ter uma vida mais saudável, enfim. Essa parece ser a busca de muita gente, mas poucas pessoas conseguem, de fato, alterar sua rotina, sua maneira de ser e estar no mundo. A boa-nova é que isso é possível, mas demanda algo além do que simplesmente uma boa dose de força de vontade e determinação

Raul Aparici, via Vida Simples

Comer sem prestar atenção, procrastinar, fumar, usar excessivamente o celular, beber. A lista é imensa. Todos temos alguns maus hábitos e nos sentimos, na maioria das vezes, péssimos em relação a eles. Acreditamos que, se conseguíssemos controlá-los, seríamos mais felizes, saudáveis, presentes e faríamos tudo. Nossas relações melhorariam e isso causaria um efeito dominó ao nosso redor e, então, o trabalho e até a cidade onde moramos se tornariam mais agradáveis. Então por que insistimos em fazer coisas que sabemos serem ruins para nós e para quem está próximo? Como podemos mudar de destrutivos para produtivos? Por que, depois de diversas advertências de saúde, fotos explícitas em maços de cigarro, campanhas do governo sobre alimentação saudável e exercícios e anos de pesquisas em psicologia comportamental, ainda escolhemos nos autodestruir lentamente? O que podemos fazer com relação a isso? Temos força de vontade, obviamente. Instintivamente, sabemos que ela, no final das contas, é a única coisa que fará diferença, mas isso é só metade da história. Para termos a melhor chance possível de eliminar hábitos ruins, precisamos do que chamo de DCC da formação e eliminação de hábitos: Defensores, Curiosidade e Compaixão. Vou explicar. Há duas questões importantes a considerar quando decidimos deixar um hábito danoso para trás, seja emagrecer, seja parar de fumar: como e por quê.

Como?
É aqui que juntamos a força de vontade e outras fontes de apoio, incluindo amigos, colegas e qualquer outra pessoa que possa ter passado pelo mesmo problema com o qual lutamos, bem como todas as outras ferramentas e recursos que conseguimos encontrar: de livros a vídeos motivacionais no YouTube, aplicativos, planos de exercícios. Tudo isso é válido para ajudá-lo a construir uma estrutura que fará a força de vontade ter a melhor chance possível de sucesso. Coletivamente, são o que chamo de Defensores. O como é incrivelmente importante: sem um mapa claro de quais são nossos objetivos e recursos, provavelmente vamos fracassar. Embora, para alguns de nós, possa parecer restritivo microgerenciar a vida enquanto passamos de hábitos ruins para positivos, paradoxalmente é nessa estrutura que encontramos a liberdade para prosseguir. Pense na força de vontade como um músculo: quanto mais você usa, mais forte ele fica. No entanto, também como um músculo, você pode cansá-lo se o usar em excesso e cedo demais. Tente evitar situações nas quais sua força de vontade estará fraca e pense em estratégias que o ajudem a seguir em frente. É mais difícil dizer “não” para uma fatia de bolo se você pulou o almoço, ou recusar um cigarro depois do terceiro drinque, na happy hour da sexta-feira. Até desenvolver hábitos mais saudáveis, seria bom se manter longe de situações que o façam recair. Ou, ainda, se preparar do melhor jeito possível enquanto sente que ainda está no controle. Levantar para correr às seis da manhã é muito mais fácil se você tiver ido dormir cedo. E ter à mão petiscos saudáveis será útil para driblar a vontade de comer o cupcake oferecido pela colega de trabalho. Há muitos caminhos para ajudá-lo a descobrir como você deveria mudar um mau hábito (e, às vezes, fazer você se sentir um fracasso porque ainda não conseguiu!). No entanto, minha experiência já me mostrou que o como só deveria vir depois de você passar um bom tempo trabalhando no por quê.

Por quê?
A pergunta que deveríamos nos fazer é: por que precisamos romper o hábito e por que o começamos? Precisamos, antes de mais nada, desenvolver uma noção de curiosidade em relação a ele. A sociedade rapidamente nos diz que nossos hábitos nos matarão e o quanto somos um fracasso por não conseguir mudá-los, mas não aborda o motivo pelo qual fazemos o que fazemos. Precisamos aceitar que estamos tirando algo bom de nossos maus hábitos, mesmo daqueles que nos matam. Sempre há uma recompensa. Toda vez que falhamos em nossas tentativas de mudar, devemos evitar a culpa e a vitimização e, no lugar disso, pegar nosso chapéu de arqueólogo. Como Indiana Jones, precisamos entrar em um processo sistemático de seguir sinais e pistas externas para desvendar tesouros escondidos nas profundidades esquecidas de nossa mente. Precisamos confiar que há um motivo enraizado para nossos comportamentos e que tentar alterá-los sem entender o porquê deles não nos trará sucesso. Pense em seus maus hábitos como supervilões: só revisitando seu passado e entendendo sua história e escolhas é que eles conseguem, depois de muita luta e determinação, voltar a ser “bons”. No final, podemos sentir compaixão pelo vilão, que, bem no final, antes de morrer em um ato de sacrifício próprio, alcança a redenção ao se reconectar com quem era antes de se tornar mau. É altamente provável que tenhamos iniciado um mau hábito porque, na época, ele nos trouxe algum grau de conforto e proteção. Talvez tenhamos começado a fumar na adolescência para nos encaixarmos no grupo, ou comido um tablete enorme de chocolate ao terminar o primeiro namoro sério, mas, embora nossas necessidades possam ter mudado desde então, ainda repetimos os mesmos comportamentos: somos o que fazemos repetidamente. Um elemento essencial dos hábitos é que ele é automático. Ao tentar adquirir um bom hábito (exercícios regulares, por exemplo), o objetivo é garantir que não se precise mais pensar nisso. Ele é incorporado e se integra à vida.

Autocompaixão
Em vez de usar todas as armas e, ao mesmo tempo, tentar parar de fumar, fazer dieta, começar a se exercitar, recomendo uma abordagem mais comedida. Primeiro, aceite, desde o começo, que a chance está contra nós; independentemente do que tenhamos lido ou ouvido em reportagens ou de amigos e colegas bem-intencionados, eliminar maus hábitos é um trabalho duro. Lembre que temos apegos emocionais diferentes a nossos hábitos; só porque foi fácil para um amigo não significa que será para você. A preparação para essa realidade é crucial e permitirá demonstrar autocompaixão quando as coisas ficarem difíceis e você fumar um cigarro ou comer um biscoito. Isso ajudará a dizer a nós mesmos: “Ok, era de esperar, tento de novo amanhã”. Queremos mudar o tipo de pensamento que diz “bom, comi bolo, então o dia/semana/mês já está arruinado” para “bom, dá para entender por que comi bolo agora: aquela reunião foi emocionalmente cansativa. Eu me perdoo e ainda consigo me manter nos trilhos com um jantar supersaudável hoje”. Essa autocompaixão nos permite seguir em frente apesar de nossas falhas. A compaixão também é essencial para adquirir hábitos mais saudáveis; embora a cultura popular insista em afirmar que são necessários 21 dias para que um novo bom hábito “pegue”, sabemos, por pesquisas, que esse não é o caso para a maioria de nós. Estudos mostraram que, embora desenvolver um novo hábito simples, como beber um copo de água ao acordar, possa ser atingido em 21 dias, a quantidade de tempo que uma mudança leva para se fixar está relacionada a quão fácil ou difícil seja executá-la. Para alguns participantes de um estudo, inserir exercícios na rotina levou a maior parte do ano. Portanto, se dê um desconto. Segundo, decida sobre uma coisa que você queira enfrentar primeiro e comece a observar como ela acontece em sua vida. Antes de morder aquele bolinho, se faça perguntas: “Que horas são? Sempre como algo ruim nesta hora? Estou com fome?”. Observe o que está acontecendo com você emocionalmente, ao seu redor e em seu corpo pouco antes de mordiscar o doce. Comece a montar um retrato, sem julgamento, de quais são as constantes quando você come distraidamente. Lembre que hábitos dependem de automação, então não ignore nada. Terceiro, mergulhe fundo. Faça a si mesmo as maiores perguntas. Use um amigo ou terapeuta para começar a ir além da superfície de suas ações. Lembre-se de que muitas razões para termos hábitos ruins são inconscientes, o que significa que não temos muita chance de mudar a não ser que possamos começar a iluminar os motivos frequentemente dolorosos e esquecidos por trás de nosso comportamento. Às vezes, pode ser verdade que fazemos as coisas simplesmente porque gostamos, mas te encorajo a olhar mais fundo e pensar na possibilidade de haver outras razões ocultas em jogo. Se esse tipo de questionamento não gerar nenhum resultado e não conseguirmos compreender a raiz do hábito, podemos olhar para a repetição em si. Uma das coisas mais fascinantes nos maus hábitos é a repetição. Ficamos envolvidos no comportamento, sabendo perfeitamente bem que ele nos prejudica de algum jeito. Pergunte-se: “Quem estou ajudando com esse comportamento? Quem estou machucando? O que diria para minha versão mais jovem antes de iniciar esse hábito?”. É nesse momento que, armados com as ferramentas do autoconhecimento e da autocompaixão, deveríamos iniciar honestamente a jornada de como romper um hábito. Devemos voltar recorrentemente ao nosso por que, adaptar e nos questionar a todo momento. Finalmente, há mais uma coisa a fazer quando conseguir eliminar o mau hábito. Em muitos casos, nossa relação com ele pode ser uma das mais longas que já tivemos, então é importante reconhecermos isso e tratá-lo como faríamos com qualquer outro rompimento: agradecemos nossos ex-parceiros pelo que trouxeram à nossa vida, aceitamos e lamentamos a perda e começamos a procurar um encaixe melhor para nossas futuras relações, armados com um conhecimento mais profundo de nós mesmos, nossos pontos fracos, gatilhos e, o mais importante, nossa capacidade de ter sucesso.

A série Dilemas é uma parceria entre a revista vida simples e a The School of Life e traz artigos assinados por professores da chamada “Escola da Vida”. A série tem como objetivo nos ajudar a entender nossos medos mais frequentes, angústias cotidianas e dificuldades para lidar com os percalços da vida.

Raul Aparici é professor da The School of Life em Londres. E trabalha, entre outras coisas, em programas de equoterapia para mulheres com problemas de abuso de substâncias no sistema carcerário do Reino Unido.

ELEIÇÕES 2018: Após ser exonerado por Flávio Dino, petista Márcio Jardim vai a 9% para senador, segundo Vox Populi 6

O mais importante entre os fatores que podem alavancar ainda mais um pré-candidatura com o perfil do Márcio Jardim é a sua relação política e pessoal com o ex-presidente Lula

Parece que o fato do governador Flávio Dino (PCdoB) ter resolvido exonerar o petista Márcio Jardim da Secretaria de Esperte e Lazer (Sedel), para barganhar com o PP do deputado federal André Fufuca, fortaleceu eleitoralmente o ex-secretário. Pelo menos é o que mostra a pesquisa Vox Populi, divulgada ontem, 4.

Márcio Jardim aparece com surpreendentes 9% das intenções de voto para o Senado Federal, isso sem o dirigente nacional do PT ter dito com todas as letras que é mesmo candidato a senador.

Esse índice alcançado não pode e não deve ser minimizado de forma alguma. Explico o porquê.

Em primeiro lugar, Márcio Jardim é militante destacado do PT do tipo que vai para o front do campo de batalha. Aliás, ele tem “Batalha” até no nome (Rsrsr).

Em segundo lugar, estamos falando de um dirigente com excelente trânsito nas correntes internas do PT, das mais à esquerdas as mais moderadas.

Em terceiro lugar, a vantagem competitiva de ser do PT aumenta a chances de crescimento de Márcio na medida que no Maranhão, segundo a mesma pesquisa Vox Populi, o partido tem a maior simpatia dos eleitores no estado chegando a 17%. O PMDB vem em segundo com 2%, seguido do PCdoB com apenas 1% da simpatia dos maranhenses. Partidos de outros pré-candidatos como o PDT, PPS, DEM sequer são citados.

Em quarto lugar, Márcio Jardim tem feito um contraponto público aos “golpistas” que ajudaram derrubar a presidente Dilma do poder.

O ex-comandante da Sedel não tem poupado críticas contundentes a aliados do governo Flávio Dino que tiveram papel central no impeachment. Igualmente tem batido no oportunismo de Ciro Gomes, pré-candidato a presidente da República pelo PDT, que no Maranhão tem o deputado federal Weverton Rocha como nome para o Senado Federal, inclusive “oficializado” pelo governador Flávio Dino.

Por fim, e talvez o mais importante entre os fatores que podem alavancar ainda mais uma pré-candidatura com o perfil do Márcio Jardim, é a sua relação política e pessoal com o ex-presidente Lula.

Meses atrás, o petista maranhense rodou o Nordeste brasileiro ao lado do Lula na caravana que líder do PT tem feito pelo país. Essa proximidade junto a Lula, que no Nordeste, e principalmente no Maranhão, é imbatível e consegue transferir votos, faz de qualquer pré-candidato majoritário um potencial “eleito”.

Dificuldades

Mas, nem todo são flores no caminho de Márcio Jardim mesmo com os 9% de intenção de votos para senador revelados pela Vox Populi.

Paradoxalmente, o PT maranhense é o principal problema para que Márcio viabilize a sua candidatura. Aliás, é o principal problema para qualquer pré-candidato majoritário petista.

Isso porque o PT no Maranhão tem dificuldades de acertar os ponteiros internos, e na hora que é para decidir coletivamente um projeto, o partido torna-se uma verdadeira Torre de Babel e ninguém se entende.

No caso específico de Márcio Jardim, ainda tem o fato de ser ligado às forças do “dinopetismo”, cuja subserviência aos mandos do PCdoB/Palácio dos Leões inviabiliza qualquer projeto do PT ou mesmo um espaço na chapa majoritária liderada por Flávio Dino, isso porque o comunista tem que abrigar outras forças, inclusive “golpistas”, no seu projeto de reeleição.

O fato é que Márcio Jardim colhe os bons frutos, entre outras coisas, por conta da sua exoneração da Sedel e a pesquisa Vox Populi mostra isso.

Agora é se movimentar intensamente no PT nacional e local, e tentar mostrar por “M mais J” que ele tem viabilidade de firmar-se como candidato a senador do PT e do Lula.

Entendeu, né?

Você tem medo de desagradar os outros?

Saiba como fortalecer sua autoconfiança

Thaís Petroff, via Vya Estelar

Não é incomum conhecermos pessoas que sentem necessidade de agradar outras ou medo de desagradá-las.

Há a necessidade de se sentir aceito e a opinião do outro tem um peso muito grande sobre como a própria pessoa se percebe.

Se você se identifica com essa descrição, já parou para pensar o que te faz sentir assim?

Com que muitas vezes se torna mais importante agradar ao outro do que a si mesmo ou até abrir mão de coisas importantes para você em prol de não desagradar outra pessoa?

Talvez você tenha respondido que se sente inseguro(a) ou tem baixa autoestima. Se foi isso que pensou você acertou.

Para podermos ser assertivos e lidarmos com a possibilidade de desagradar o próximo (e ligado a isso o medo da rejeição) precisamos ter autoconfiança.

Nosso valor como pessoa nada tem a ver com a opinião dos outros

Saber do nosso valor como pessoa e que este nada tem a ver com a opinião dos outros a nosso respeito, ou seja, que se alguém discordar de nós ou mesmo não gostar de alguma escolha ou comportamento nosso, que isso não diminui o seu valor ou te torna alguém pior.

Como fazer isso?

Para poder ter mais autoconfiança e não depender tanto da opinião dos outros, primeiro é preciso saber o que você pensa e deseja. Sem autoconhecimento isso é impossível.

Portanto, o primeiro passo é ir percebendo cada vez mais o que você pensa e/ou sente diante das diversas situações que te aparecem.

Uma maneira bastante fácil de fazer isso é se perguntar sempre que te fazem um convite, que você precisa tomar uma decisão, que você precisa ter uma ação, o que você realmente pensa sobre isso ou como gostaria de proceder.

Mesmo que no início seja difícil de fazer o que você realmente gostaria (por medo de desagradar o outro) isso já te auxiliará a ir tomando mais consciência das suas opiniões e desejos.

Conforme você for percebendo isso melhor, vá aos poucos testando em uma situação ou outra colocar sua opinião e/ou vontade. Se for necessário comunique ao outro que isso é algo importante para você.

Boas relações são aquelas onde há respeito e cuidado. Se o outro não demonstra atenção ou abertura para suas vontades e opiniões, cabe uma reflexão sobre a funcionalidade e qualidade dessa pessoa em sua vida.

Conforme você for praticando isso aos poucos, perceberá que a insegurança vai diminuindo e paralelamente sua autoconfiança estará crescendo.

O mais difícil é começar, como um carro que precisa de muito mais força para sair da inércia (por isso a primeira marcha e a ré são as marchas mais potentes do carro) mas, após começar a andar, a força a ser despendida vai diminuindo pouco a pouco.

Permita-se!

Governo terá candidato na eleição de 2018 e não será Alckmin, diz Meirelles

MARINA DIAS
JULIO WIZIACK
DE BRASÍLIA
Via FOLHA DE SP

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirma que o governo de Michel Temer terá um candidato à Presidência em 2018 e que ele não será Geraldo Alckmin (PSDB).

Na avaliação do ministro, o Planalto deve apoiar quem defenda por completo a atual política econômica, o que, segundo ele, não é compatível com o discurso do governador de São Paulo.

Meirelles não descarta ser esse nome, diz que, se for candidato, defenderá o “legado” do governo e provoca os tucanos: “Não quero ter a pretensão de entender o PSDB”.

Em entrevista à Folha, o ministro faz pela primeira vez uma avaliação assertiva do cenário para 2018, afirma que a polarização entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PSC) “tem teto de crescimento” e é direto ao ser questionado sobre um possível voo solo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ): “O mundo não acaba em 2018, principalmente para alguém tão jovem”.

Folha – Temer avalia que a melhora na economia permitirá ao governo ter um candidato competitivo em 2018. O sr. concorda?
Henrique Meirelles – Sim. Gradualmente a população perceberá a melhora da economia e, a partir daí, criam-se condições favoráveis para candidatos que defendam esse projeto de reformas.

O sr. é esse candidato?
A minha decisão será tomada no final de março.

Não será tarde, visto que os candidatos que polarizam hoje a disputa, Lula e Bolsonaro, estão em pré-campanha?
Exatamente porque são duas posições extremas, de esquerda e de direita, têm teto de crescimento. A grande maioria da população ainda aguarda um candidato que não tenha posições extremadas e que vai refletir essa posição de comprometimento com o crescimento do país.

O sr. acha, então, que o governo vai ter um candidato?
Acredito que sim.

E esse candidato não é o governador Geraldo Alckmin?
O PSDB está tendendo na direção de não apoiar o governo e isso terá consequências no processo eleitoral.

Alckmin vem tentando construir esse discurso de centro. Por que ele não pode ser o candidato do governo?
Porque uma coisa é o apoio a determinadas reformas, outra é o apoio à política econômica atual, com todas as suas medidas e consequências. Não há, pelo menos até o momento, um comprometimento do PSDB em defesa dessa série de políticas e do legado de crescimento com compromisso de continuidade.

Qual o fator decisivo para o sr. bater o martelo sobre sua candidatura em 2018?
Primeiro, a consolidação e a percepção pela população do crescimento econômico e, mais importante, dos benefícios que isso vai trazer. Segundo, essa articulação política.

No Datafolha, o sr. aparece com 1% ou 2% das intenções. Não é um percentual muito baixo para um nome que tem a máquina do governo? O tempo não é curto para obter um patamar competitivo em março?
As menções ao meu nome refletem o fato de que tenho dito que não sou candidato, não estou em campanha e estou completamente concentrado em garantir a recuperação da economia e a geração de empregos.

É viável defender um governo com 5% de aprovação, um presidente alvo de denúncias e uma agenda impopular?
O país está acostumado a anos de medidas populistas. Políticas como o teto de gastos e a reforma trabalhista têm uma primeira reação de baixa aprovação, porque não são populistas.

Quando o resultado ficar evidente, vai haver oportunidade para um candidato mostrar que o crescimento e a renda vêm das reformas. Essa posição pode prevalecer se alguém com credibilidade defender que esse é o legado.

No Datafolha subiu o percentual daqueles que acham que a inflação vai piorar e só 27% acham que a situação econômica vai melhorar. Quando a população sentirá no bolso que a situação melhorou?
Na saída de uma recessão grave, a percepção de melhora da economia é gradual. Aumentará aos poucos a percepção que o desemprego está caindo, que as empresas estão contratando. Isso gera confiança, reduz o medo de perder o emprego.

Esse processo vai refletir-se num Natal muito melhor do que nos últimos anos. No início de 2018 ficará mais clara a retomada do crescimento e o aumento da sensação de bem-estar.

Sem a reforma da Previdência voltaremos à recessão. Se ela não passar no Congresso, o sr. acha possível defender seu legado para os eleitores?
Se não passar, vamos enfrentar consequências. Não estamos discutindo se vai haver reforma, estamos discutindo quando vai haver. Se não fizer esse ano, vai ter que fazer no início de 2018. Se não, vai ser em 2019. É inevitável.

O sr. prefere fazer a reforma da Previdência agora ou como presidente?
Acredito que o momento é agora. Para qualquer candidato, inclusive aqueles que se opõem a ela, assumir um governo e enfrentar como primeiro desafio a reforma da Previdência, não é bom início.

É possível ceder aos pontos que o PSDB apresentou? O partido entregará todos os votos se isso ocorrer?
Não quero ter a pretensão de entender o PSDB. As propostas de uma das lideranças do PSDB trazem diminuição dos benefícios fiscais em dez anos em mais de R$ 100 bilhões, têm custo enorme e enfraquecem a reforma.

O governo está negociando um novo Refis para micro e pequenas empresas, o Funrual e outras medidas em troca de votos para a reforma. Existe espaço fiscal para isso?
Há necessidade de aprovação no Congresso, dessas e de outras medidas, como a tributação de fundos exclusivos, o adiamento do reajuste dos servidores públicos… Tudo tem que ser objeto de negociação.

O governo admite descumprir a meta fiscal para aprovar a reforma da Previdência?
A posição é de estrito cumprimento da meta.

Ser candidato do governo significa ter apoio do centrão, grupo que ganhou força com Eduardo Cunha [PMDB-RJ]. Não é incômodo?
É uma forma simplificada de definir aqueles que estão fora da polaridade histórica de PT e PSDB. Agora surgiu uma novidade, uma extrema direita, que não deve prevalecer. Existe uma série de partidos que não fazem parte desses dois polos e têm posições doutrinárias, como DEM e PSD.

O presidente do seu partido [PSD], Gilberto Kassab, quer ser vice na chapa do PSDB ao governo de SP. O sr. descarta trocar de legenda?
Kassab tem expressado apoio à hipótese de uma candidatura minha. Até fevereiro, teremos oportunidade de discutir o assunto e ver até que ponto são compatíveis esses dois projetos.

Temer gosta da ideia de uma chapa Meirelles-Maia. E o sr.?
Maia é um quadro político excepcional, tem um futuro enorme pela frente e não tenho dúvida de que será um nome extraordinário para qualquer chapa ou posição que optar por disputar.

O sr. está dizendo então que ele tem musculatura para disputar mais que uma reeleição a deputado federal?
Toda trajetória tem o momento certo e um dos segredos do sucesso na política é o momento adequado de tomar a decisão. Ele [Maia] está avaliando.

Acho que o mundo não acaba em 2018, nem o país. Temos, principalmente para alguém tão jovem, uma trajetória de caminho aberto para posições importantes. Para alguém na posição dele, 2018 é um ponto na caminhada, não o final.

O sr., portanto, não descarta ser o candidato do governo?
Não. Se a decisão [de ser candidato] for positiva, defenderei o legado deste governo, do qual sou parte.

O sr. prestou consultoria ao grupo J&F. Isso não pode ser usado contra o sr. em uma campanha?
Isso sempre pode ser usado contra mim, mas também contra outros candidatos existem pontos que podem ser usados.

Quem entra numa campanha tem que ter segurança. Tenho uma carreira no setor privado diversificada, não é uma ligação especial com determinado grupo. Não existia nenhum relacionamento [meu] de ordem política ou conhecimento das operações do grupo. Em nenhuma delação fui mencionado, a não ser quando houve aquela reclamação [de Joesley Batista a Michel Temer em conversa gravada no Jaburu] de que eu era duro, não aceitava nada.

RAIO-X

Nome Henrique de Campos Meirelles
Nascimento Anápolis (GO), em 31 de agosto de 1945
Formação Engenharia civil na Escola Politécnica da USP
Carreira Ministro da Fazenda desde 12.mai.2016, foi presidente mundial do BankBoston, do Banco Central (2003-2010) e do conselho de administração da J&F

São José de Ribamar: Grupos do Voluntariado são premiados e certificados

Cerca de vinte e seis comunidades integrantes do projeto Voluntariado Municipal, desenvolvido pela Prefeitura de São José de Ribamar, por meio da Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Renda (SEMAS) receberam na tarde da última sexta-feira (01) certificação e premiação em razão de diversas práticas que geram a cidadania e participação social.

Para o prefeito ribamarense, Luis Fernando Silva, que esteve acompanhado do vice-prefeito, Eudes Sampaio, concluir o primeiro ano de gestão com a certificação e premiação das comunidades, é sobretudo, despertar em cada cidadão a prática solidária de com um gesto simples poder colaborar para melhorar as realidades de cada localidade.

“O Voluntariado também é uma ação de reconstrução, afinal retomamos o projeto no início do ano e já estamos certificando mais de três mil pessoas em razão das mais variadas práticas de cidadania geradas ao longo deste primeiro ano de gestão”, disse o prefeito parabenizando todos os componentes do projeto.

Voluntária desde o início do projeto, dona Lucimar Arruda, além de parabenizar a iniciativa, falou também do impacto social que o projeto vem causando de forma positiva nas comunidades.

“O projeto chega para ampliar a participação da população, que deixa de ficar só assistindo e coloca a mão na massa também. Estamos estimulando nossas comunidades para a criação de práticas que levem a cidadania, que melhore a qualidade de vida e claro que dessa forma acompanhamos a gestão pública”, completou a voluntária.

Criado em 2005, quando da primeira gestão do prefeito Luis Fernando, o projeto trouxe inovações para 2017 e lançou desafios para as comunidades que passaram a ser observadas por uma comissão julgadora que avaliou todas as boas práticas desenvolvidas. De acordo com a secretária Sônia Meneses (SEMAS), os melhores grupos foram elencados como primeiro, segundo e terceiro lugar, resultando na premiação apontada pelas próprias comunidades.

“Não foi fácil porque todos se empenharam muito, porém chegamos as definições e hoje cada uma das três melhores práticas recebem os prêmios indicados por eles conforme regulamento do projeto”, explicou a secretária agradecendo ainda a participação e empenho das comunidades.

Premiação

Em primeiro lugar ficou a comunidade Roseana Sarney com 83 pontos. A localidade escolheu como premiação a construção de uma Praça. Em segundo, a Campina, que terá instalado uma Academia ao Ar Livre e, em terceiro, o Parque Jair.