Pessoas arrogantes são, muitas vezes, inseguras. Veja como lidar com elas

Sofia Esteves, da Cia. de Talentos, fala das estratégias para neutralizar a arrogância no ambiente de trabalho e na entrevista de emprego

arrogante: atitude denota insegurança (foto/Thinkstock)

Por Sofia Esteves, presidente do Conselho do Grupo Cia. de Talentos

As entrevistas de emprego, geralmente, são situações tensas, um momento difícil para o candidato de se expor para uma pessoa que ele não conhece. Mas, essa experiência pode se tornar ainda mais complicada se o entrevistador demonstrar arrogância e indelicadeza, sem nenhuma sensibilidade para identificar o que de melhor tem aquela pessoa que está em busca de uma oportunidade profissional.

E o que fazer diante de uma situação desconfortável como essa? Em primeiro lugar respire fundo! Depois tenha muita paciência e calma em responder bem claramente com tranquilidade e elegância. Sabemos que nesta hora é difícil controlar as emoções, e, portanto, é necessário fazer uso do autocontrole. Para o profissional que está diante de um entrevistador esses minutos são únicos e vitais! Portanto, aproveite da melhor forma possível, mesmo diante de certas indelicadezas.

Os candidatos devem se preparar profundamente para qualquer tipo de entrevista, seja online, presencial, em grupo…vale pesquisar tudo o que puder referente a empresa, se mostre interessado e faça perguntas! Muitas vezes o entrevistador não tem as qualidades essenciais para realizar uma entrevista de trabalho e aí você terá que contribuir com um certo jogo de cintura!

A arrogância também vale para os que estão se candidatando a uma vaga, principalmente para aqueles que possuem uma sólida bagagem profissional. Dá para vender o peixe e relatar toda a experiência corporativa sem demonstrar ser esnobe, apenas resumindo as informações e destacando o que de fato é mais relevante.

E no ambiente corporativo diário também é possível lidar com chefe arrogante e colega de trabalho prepotente. Mostre, sempre, que você está lá para ajudá-lo e nunca para competir. Outra sugestão é olhar sempre olho no olho, permanecendo firme e mostrando as posições e pontos de vistas. Diga o que sente, mesmo que não te deem ouvidos, mas pelo menos está fazendo a sua parte e sendo o mais transparente possível no trabalho.

Novembro Azul: uma história contra tabus

Com Arnaldo Cezar Coelho à frente, campanha de prevenção ao câncer de próstata celebra oito anos: Marlene Oliveira, cocriadora do projeto, fala sobre a origem da ideia e seus desafios

(Crédito: Divulgação)

Passado o mês de outubro, muitas das marcas e empresas que abraçaram a cor rosa para promover ações e programas de conscientização das mulheres acerca da importância do câncer de mama começam a trocar as cores da mensagem por tons de azul. Lançada há oito anos, a campanha Novembro Azul nasceu como um projeto de disseminação de informação do Instituto Lado a Lado pela Vida, que detectou a necessidade de quebrar tabus sobre o exame de câncer de próstata, o que ainda espanta muitos homens da prevenção e da possibilidade de ter um diagnóstico num tempo adequado.

Inicialmente, a campanha não tinha esse nome. Quando criou a ONG, em 2008, a jornalista Marlene Oliveira – incentivada pelo amigo, o urologista Eric Roger Wroclawski – batizaram a primeira ação em prol da prevenção ao câncer de próstata de “Um Toque, Um Drible”. Materiais informativos foram distribuídos nas ruas e a mensagem também foi propagada nas redes sociais. Era a primeira forma de alertar aos homens que a prevenção à doença era mais importante do que qualquer tabu ou preconceito associado ao exame.

A mudança da mensagem inicial para o “Novembro Azul” aconteceu em 2011 e teve duas fontes de inspiração: o sucesso das iniciativas do Outubro Rosa, que em 2011 já havia criado uma forte corrente em prol da causa do câncer de mama, e a campanha australiana Movember – junção das palavras mustache (bigode, em inglês) e november (novembro) –, que trouxe a ideia de usar todo o mês para ações de prevenção à doença.

Hoje, dez anos após a criação do instituto Lado a Lado Pela Vida, Marlene Oliveira, presidente da entidade, celebra a força e o alcance do Novembro Azul. “Em dez anos criamos o maior movimento em prol da saúde do homem do Brasil. O Novembro Azul foi abraçado por outras ONGs; empresas privadas; hospitais; governos e escolas. Tornou-se uma campanha de domínio público, o que reforça que o nosso trabalho gera valor para a sociedade”, afirma Marlene.

Em entrevista ao Meio & Mensagem, a presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida conta sobre o início do Novembro Azul, detalha o mote da campanha desse ano, que conta com a participação do árbitro Arnaldo Cesar Coelho, e explica as outras causas na área da saúde nas quais a ONG também atua.

Marlene Oliveira, presidente da ONG Lado a Lado pela Vida, criadora da campanha Novembro Azul (Crédito: Divulgação)

Meio & Mensagem – Como surgiu o Instituto Lado a Lado pela Vida?
Marlene Oliveira – O Lado a Lado foi criado em 2008, a partir do incentivo do falecido médico e amigo Eric Roger Wroclawski, um renomado urologista, que me incentivou a criar um Instituto para divulgar aos homens a importância da prevenção e dos cuidados com a saúde e informá-los da necessidade de realizar os exames para o diagnóstico precoce do câncer de próstata. Começamos com um site para combater a desinformação sobre esse tipo de câncer e sobre o exame de diagnóstico. Em nosso primeiro ano de vida lançamos a Campanha “Um toque um drible” nas redes sociais, em espaços públicos de grande circulação, em empresas e hospitais, com a distribuição de materiais informativos e customizados para a população em geral.

Por que razão o Instituto achou que era preciso uma campanha para conscientizar os homens a realizar exames preventivos?
Tínhamos de desconstruir estereótipos, reduzir a desinformação. Desde então, trabalhamos para alertar a sociedade sobre a necessidade do cuidado de cada um consigo mesmo. Se em 2018 ainda há brasileiros que não fazem o exame por falta de conhecimento ou por preconceito, imagine há 10 anos!

Oito anos depois, como você avalia o crescimento da mensagem do Novembro Azul e a utilização do conceito em ações e campanhas de marcas diversas?
Em 2017, nossas ações na campanha Novembro Azul impactaram perto de cem milhões de pessoas no País com a distribuição de folhetos em eventos públicos e privados; nos pedágios; estações de metrô; postagens e compartilhamentos nas nossas mídias sociais; buscas em nosso portal; chats com membros do nosso Comitê Científico; palestras em empresas; notícias na imprensa e rodas de conversas em hospitais. Em dez anos, criamos o maior movimento em prol da saúde do homem do Brasil. O Novembro Azul foi abraçado por outras ONGs; empresas privadas; hospitais; governos e escolas. Tornou-se uma campanha de domínio público, o que reforça que o nosso trabalho gera valor para a sociedade.

Qual é a mote da edição de 2018 da campanha?
O instituto completa dez anos em 2018 e decidimos buscar parceiros que nos ajudassem e ampliar esse eco e a divulgar que o Novembro Azul tem a assinatura de uma Instituição séria e comprometida com a causa e não com demandas ou interesses específicos. Estava na hora de criar uma campanha que chegasse às TVs; às rádios; revistas e jornais. A agência 4/12 acertou no tema “A Vida Não É Um Jogo”, que usa símbolos do futebol, como o árbitro e o cartão “azul”, que assumiu o papel do alerta e não da punição, para engajar não só os homens, mas todos os brasileiros. As produtoras Casablanca e Lua Nova também abraçaram a ideia, assim como o fotógrafo Claudio Gatti. Sem falar na generosidade de Arnaldo Cezar Coelho, que além dos direitos da sua imagem, nos presenteou com o seu sábio bordão: “A regra é clara!” Ele cai como uma luva para o alerta sobre a necessidade do diagnóstico precoce, que não só aumenta as chances de cura, como proporciona melhor qualidade de vida àqueles que desenvolvem o câncer de próstata, uma doença assintomática, que mata 13 mil homens por ano no Brasil e que, em 2018, deverá registrar 68 mil novos casos… o equivalente a um estádio de futebol lotado.

O instituto planeja lançar outras ações de conscientização sobre causas de saúde e/ou sociais?
Instituto já atua com outras ações e causas. Nossos pilares são: prevenção; diagnóstico precoce; tratamento e apoio aos sobreviventes. Fazemos um trabalho sério de Advocacy (influenciar nas tomadas de decisões das políticas públicas para a saúde) em três áreas: saúde do homem; doenças cardiovasculares (a primeira causa de mortes no Brasil) e ao que chamamos A Nova Cara do Câncer, com destaque à medicina personalizada. Já é consenso que os mesmos protocolos, as mesmas medicações não necessariamente terão os mesmos efeitos em pacientes com perfis e características aparentemente similares. O diagnóstico preciso a partir de exames genéticos e os tratamentos personalizados não só trazem melhores resultados como, no longo prazo, reduzirão os investimentos necessários para o tratamento do câncer. A Medicina Personalizada transformará o cenário da saúde no Brasil, não somente no Sistema Único de Saúde (SUS), como também na viabilidade econômica dos planos médicos e nas decisões de investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento que a indústria farmacêutica e de equipamentos fará.

Homicídio de funcionária do Magazine Luiza leva Luiza Trajano à luta contra abuso

“Eu sabia há muito tempo que uma mulher é morta no Brasil a cada duas horas, mas confesso que achei que era uma questão muito distante de nós”

(InfoMoneyTV)

(Bloomberg, via Infomoney) — Luiza Helena Trajano, presidente do conselho da varejista brasileira Magazine Luiza SA, tinha acabado de concluir uma palestra, no ano passado, quando recebeu telefonemas do time de segurança da empresa: a gerente de loja de Campinas Denise Neves dos Anjos, 37 anos, havia sido esfaqueada até a morte em seu quarto. O marido de Denise, o principal suspeito, tinha sido encontrado morto em seu carro.
O assassinato violento – o corpo de Denise estava amarrado e seu pescoço cortado – chocou Trajano, filha única que cresceu no Estado mais rico do Brasil e nunca enfrentou atos de brutalidade.

“Eu fiquei muito mal”, disse Luiza em entrevista na sede do Magazine Luiza, em São Paulo. “Eu sabia há muito tempo que uma mulher é morta no Brasil a cada duas horas, mas confesso que achei que era uma questão muito distante de nós”.

O choque se transformou em determinação. Após o assassinato, Luiza criou uma linha telefônica na qual os funcionários podem denunciar violência ou atividades suspeitas. A empresa já recebeu 180 chamadas, incluindo de homens, segundo ela. As vítimas recebem ajuda legal e psicológica e conselhos sobre como denunciar crimes às autoridades.

O Magazine Luiza também estabeleceu cotas: as mulheres abusadas agora devem representar pelo menos 2 porcento dos funcionários nas empresas terceirizadas, pois ter um emprego traz independência financeira e pode ser o primeiro passo para uma mulher ter os meios para deixar um marido abusivo, disse Luiza. A empresa também criou campanhas de vendas para arrecadar fundos para organizações não-governamentais que apoiam as mulheres.

A mais famosa dessas campanhas foi a venda de 30.000 colheres em dois dias, ao preço de R$ 1,80 por colher, no Dia das Mulheres deste ano, sob o lema: “Vamos meter a colher sim,” uma referência ao ditado popular “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.”

Ranking de bilionários

Luiza transformou a Magazine Luiza de uma pequena firma criada em 1957 por sua tia e tio, Luiza Trajano Donato e Pelegrino José Donato, em uma empresa com valor de mercado de R$ 28,8 bilhões (US$ 7,8 bilhões). As ações da varejista subiram 88 porcento este ano, em comparação com 13 porcento do Ibovespa. A valorização empurrou Luiza para as ricas fileiras dos bilionários brasileiros. Sua participação de quase 19 porcento, principalmente por meio de holdings com controle acionário, vale R$ 5,47 bilhões.

Luiza atribui parte desse sucesso ao fato de ser mulher, trazendo uma perspectiva que está faltando no topo de algumas empresas brasileiras.

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“Tenho reuniões em que sou só eu de mulher, mas eu tenho a minha intuição, a perspicácia de ser feminina, uma maneira feminina de administrar”, disse ela. “Eu não tenho nada contra os homens; acredito na união de forças masculina e feminina.”

Um exemplo: Luiza é conhecida por chorar em reuniões de trabalho. Enquanto esse tipo de emoção é reprimida em um ambiente de gestão dominado pelos homens, Luiza considera que ela humaniza a cultura corporativa.

“Se eu tivesse de chorar, eu chorava”, disse ela.

No mês passado, Luiza esteve à frente de uma platéia de 200 pessoas, incluindo presidentes-executivos e presidentes de conselho, na inauguração do laboratório de inovação remodelado da varejista, uma operação com mais de 450 engenheiros e especialistas dedicados à criação de produtos e serviços com novas tecnologias. Ela falou sobre as medidas que as empresas poderiam adotar para enfrentar o problema da violência contra as mulheres no Brasil.

Alguns dos fatos preocupantes: mais de 500 mulheres são vítimas de agressão a cada hora no Brasil, e uma mulher é estuprada a cada 11 minutos. Um estudo da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais estimou que um terço das mulheres brasileiras assassinadas em 2013 foram mortas por um parceiro ou ex-parceiro afetivo.

Enquanto as mulheres representam mais da metade da população, elas passarão a ocupar apenas 15 porcento dos assentos nas duas casas do Congresso após pequenos ganhos nas eleições de domingo. A votação trouxe uma retumbante vitória no primeiro turno para Jair Bolsonaro, que chegou a dizer que não pagaria o mesmo salário para mulheres e homens, e afirmou a uma congressista que ela não “merecia” ser estuprada.

“Vou enviar meu diretor de recursos humanos aqui imediatamente”, disse Romeu Domingues, presidente do conselho da Diagnosticos da América SA, que participou do evento da Magazine Luiza. “Cerca de 75 porcento dos nossos funcionários são mulheres, assim como 75 porcento dos nossos clientes. Sempre soubemos que a violência era um problema, mas não pensávamos em como poderíamos agir.”

Outro participante, Fabio Coelho, presidente do Google para o Brasil, chamou Luiza de “uma das grandes embaixadoras dos direitos das mulheres no Brasil neste momento”.

Entre os outros empreendimentos de Luiza está o grupo Mulheres do Brasil, que apóia a igualdade de renda e gênero, bem como cotas para levar mais mulheres ao mercado de trabalho. Fundada em 2013 com 40 executivas, a organização conta atualmente com mais de 19.000 membros.

Como líder do grupo, Luiza tem falado com juízas, promotoras, chefes de polícia e outras mulheres em cargos de autoridade para incentivar políticas como mais delegacias de polícia abertas nos finais de semana e a contratação de psicólogos para ajudar mulheres vítimas de abuso. Ela também apóia iniciativas para levar programas de assistência para mulheres a mais centros de saúde pública. Na arena corporativa, o grupo está fazendo campanha por uma regra que estabeleça uma cota de 30 porcento para as mulheres nos conselhos de administração das empresas brasileiras.

Luiza, que diz que sua família lhe ajudou a ter uma “boa auto-estima”, sempre foi uma inovadora. A Magazine Luiza foi pioneira em 1991 quando criou um dos primeiros negócios on-line do Brasil, a chamada loja do ano 2000.

“Ninguém entendeu o que isso significava naquela época”, disse ela.

Enfrentando a controvérsia

À frente da varejista de 1991 a 2015, Luiza também se deparou com a pressão de analistas que pediam que a empresa separasse suas lojas físicas da plataforma digital. A empresa chegou ao valor de apenas R$ 174,2 milhões em dezembro de 2015 com a controvérsia.

“Não acreditávamos nessa separação, porque pensávamos que isso somente aumentaria nossos custos”, disse Luiza.

A empresa investiu em um centro de distribuição e de transporte integrado, em laboratórios de digitalização e inovação. “Hoje, somos uma empresa de tecnologia, visitada por pessoas de todo o mundo”, disse ela. O mercado acabou se rendendo ao modelo integrado e agora, enquanto os concorrentes tentam recuperar o atraso, a Magazine Luiza prospera, com mais de 900 lojas, 25.000 funcionários e um terço de suas vendas pelo comércio eletrônico.

Trajano não quis falar sobre seu candidato preferido na eleição presidencial deste mês. Mas deixou claro apenas um ponto: “Não gostamos de nenhuma declaração, de político ou não, que menospreze qualquer tipo de diversidade, de raça, gênero, que menospreze a mulher.”

–Com a colaboração de Julia Leite.

Repórteres da matéria original: Fabiola Moura em São Paulo, fdemoura@bloomberg.net;Felipe Marques em São Paulo, fmarques10@bloomberg.net;Cristiane Lucchesi em São Paulo, clucchesi5@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Michael J. Moore, mmoore55@bloomberg.net, Steve Dickson, Dan Reichl

Advogado defende o exercício da tolerância, da urbanidade e do respeito entre advogados e magistrados

Tempos difíceis esses que vivemos atualmente, com relações pessoais e sociais sendo permeadas por ausência de empatia, respeito ao próximo e sem superação de preconceitos. O mundo já foi um lugar melhor para viver!

por Alex Borralho, advogado.

O furor dos ânimos e o conflito de posições que ocorrem entre representantes de classes de base estrutural para a sociedade, não deveriam preocupar a coletividade, eis que assim como em uma demanda judicial, são decorrências naturais de um contexto de confronto de idéias e de defesas de atuações funcionais.

A magistratura e a advocacia tem inquestionável interligação, dai a necessidade da preservação das características da tolerância, da urbanidade e do respeito, que advém tanto do berço, quanto do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, do Código de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil, da Lei Orgânica da Magistratura Nacional e do Código de Ética da Magistratura Nacional. A posição de equilíbrio deve pautar a conduta entre esses agentes essenciais à Justiça, para o bem da democracia, já que de um lado se encontra o Estado representado pelo juiz e do outro o povo que outorga ao advogado o caráter de indispensável à administração da Justiça.

Nada, absolutamente nada justifica, por quem quer que seja, o ataque ou o movimento de descrédito tanto dos advogados, quanto dos magistrados, mormente aqueles que extrapolam o direito de liberdade de opinião. Não devemos percorrer esse perigoso caminho, de atos de hostilidades, sob pena de disseminarmos o descrédito na coletividade e aqui faço um apelo aos colegas que disputam a presidência da Seccional Maranhense, da Ordem dos Advogados do Brasil, classe da qual sou integrante, de não esquecerem que “nossa entidade” além de ter como uma das mais relevantes missões a defesa do estado democrático de direitos, que preservem o respeito as instituições e aos poderes, o que constitui premissa básica para uma cidadania fortalecida. Aliás, o advogado tem que cuidar da preservação dos seus direitos e prerrogativas, devendo exigir igual tratamento de todos com quem se relacione. No entanto, também deverá observar nas suas relações com os colegas de profissão, agentes políticos, autoridades, servidores públicos e terceiros em geral, o dever de urbanidade, tratando a todos com respeito e consideração (artigo 27, caput, do Código de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil).

O direito de criticar, a combatividade, a discordância de opiniões, a tomada de posições são legítimas, porém com responsabilidade e sem excessos. A liberdade de expressão e a livre manifestação do pensamento não podem servir de norte contra a dignidade de pessoas, profissionais ou autoridades, sob pena de retrocesso inadmissível para a sociedade maranhense. Se assim não ocorrer, chegaremos a anarquia.

Tenho a mais absoluta convicção de que tanto o atual Presidente da Seccional do Estado do Maranhão, da Ordem dos Advogados do Brasil (Thiago Roberto Morais Diaz), quanto os demais candidatos a presidência de tal entidade (valorosos Sâmara Braúna, Carlos Brissac e Mozart Baldez), assim como, os Presidentes do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão (Desembargador José Joaquim Figueiredo dos Anjos), do Tribunal Regional Eleitoral (Desembargador Ricardo Tadeu Bugarin Duailibe), do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (Solange Cristina Passos de Castro Cordeiro), o Juiz Federal Diretor do Foro da Seção Judiciária do Maranhão (José Valterson de Lima) e o Presidente da Associação dos Magistrados do Maranhão (Angelo Antonio Alencar dos Santos), consentem com tais percepções, porque são acima de tudo pessoas comprometidas com as defesas responsáveis das prerrogativas dos advogados e dos magistrados e que além de não compactuarem com ataques pessoais e infundados a honra alheia, preservam o respeito a lei como primado basilar do convívio em uma sociedade moderna e vital para qualquer eixo civilizatório.

Fepa: a má notícia II 4

“Diferentemente da disputa presidencial, onde mesmo que de forma superficial o debate previdenciário foi travado, na campanha para o governo do Estado o assunto passou quase incólume, a não ser por questionamentos trazidos pelo senador Roberto Rocha (PSDB) sobre a solvência do Fepa. O próprio governador reeleito, Flávio Dino (PCdoB), não abordou o tema, deixando transparecer que não havia dificuldades na área.”

Por Eden Jr.*

Não foi por falta de aviso. Em três ocasiões neste espaço – 08/10/2017; 15/07/2018 e 07/10/2018 – falou-se sobre os problemas financeiros enfrentados pelo Fundo Estadual de Pensão e Aposentadoria (Fepa) e da necessidade de uma discussão mais apurada sobre o assunto, que tem implicação direta sobre a vida de milhões de maranhenses. Diferentemente da disputa presidencial, onde mesmo que de forma superficial o debate previdenciário foi travado, na campanha para o governo do Estado o assunto passou quase incólume, a não ser por questionamentos trazidos pelo senador Roberto Rocha (PSDB) sobre a solvência do Fepa. O próprio governador reeleito, Flávio Dino (PCdoB), não abordou o tema, deixando transparecer que não havia dificuldades na área.

Porém, os transtornos no sistema de aposentadoria estadual vieram à tona muito mais rápido do que se supunha. Há poucos dias, segundo relato da imprensa, em uma reunião entre deputados e técnicos do governo na Assembleia do Estado, estes admitiram que o Fepa não teria recursos suficientes para pagar as aposentadorias e pensões no próximo ano. Ainda de acordo com as notícias, o fundo só contaria com reservas de R$ 200 milhões, mas para 2019 estariam sendo projetados gastos de R$ 2,4 bilhões. Para cobrir a diferença, seriam vendidos imóveis do Fepa. Na sequência, o governador Flávio Dino admitiu, pela primeira vez, que a previdência estadual enfrenta déficit financeiro há quase uma década e que medidas estão sendo tomadas para garantir o pagamento dos benefícios.

Em realidade, é indispensável frisar que o Fepa é responsável pelo pagamento dos servidores e pensionistas que auferiram o benefício de 1996 em diante. Para tanto, conta com receitas tais como: as contribuições de servidores, aposentados, pensionistas, do empregador (Estado), entre outras, e ainda dispõe de aplicações financeiras e de um estoque de imóveis (Centro Social Recreativo do antigo Ipem, Sítio Santa Eulália, Hospital Carlos Macieira etc.), que podem ser utilizados para garantir os compromissos do instituto. Os servidores aposentados antes de 1996 são pagos com recursos do Tesouro Estadual, e não há contribuições nem reservas para financiar tais desembolsos. Dessa forma, a previdência dos servidores tem dupla face: o Fepa (“Regime Capitalizado” ou “Plano Previdenciário”), que conta com receitas e bens próprios, e o “Regime Orçamentário” ou “Plano Financeiro”, que tem somente recursos do Tesouro Estadual para horar seus compromissos.

Pelos demonstrativos constantes nos sites oficiais do Estado, o Fepa teve déficits sucessivos de R$ 159 milhões (2016), R$ 520 milhões (2017) e de R$ 388 milhões (no acumulado de janeiro a agosto deste ano). Nesse mesmo período, as reservas financeiras foram minguando ano a ano: R$ 1,1 bilhão (2016), R$ 665 milhões (2017) e R$ 254 milhões (agosto de 2018). Esse cenário faz crer que as reservas foram sacadas para cobrir, período após período, os sucessivos rombos do fundo. A outra parte da previdência estadual, o “Regime Orçamentário”, que não tem receitas, mas somente despesas, e naturalmente é deficitária, vem contabilizando gastos de R$ 553 milhões (2016), R$ 571 milhões (2017) e R$ 331 milhões (janeiro a agosto de 2018). Como não há ingressos de novos beneficiários no “Regime Orçamentário”, é previsível que no decorrer do tempo os valores despendidos com aposentadorias e pensões nesse grupo vá diminuindo, até a sua completa extinção.

O problema mesmo vai ficar para o Fepa, que depois de pouco mais de 20 anos de sua constituição, já apresenta sérios danos e necessita de ajustes. Para se ter uma noção, pelos últimos demonstrativos disponíveis, somente no mês de junho deste ano o Fepa apresentou déficit de R$ 45 milhões (montante que corresponde quase ao orçamento total da Secretaria de Esportes para todo este ano, que é de R$ 50 milhões). Dessa forma, mesmo sacando as últimas reservas disponíveis, ou até mesmo vendendo os imóveis do fundo – o que em época de economia pouco aquecida e com amplos estoques de imóveis disponíveis na capital, parece ser tarefa quase impossível no curto prazo – ainda assim, dada a magnitude dos déficits, somente uma reforma mais severa pode garantir a sustentabilidade do sistema.

A reformulação, que não se queria admitir, deverá envolver o aumento da idade de aposentadoria, da alíquota de contribuição e a criação de um regime complementar de capitalização, com contas individualizadas para cada servidor. O Maranhão, que já esteve na vanguarda em medidas para ajustar a Previdência – foi o primeiro Estado a promover a “segregação de massas” em 1996, ao destinar recursos do Tesouro para financiar os benefícios concedidos até 1995 e instituir o Fepa, para arcar com as aposentadorias e pensões ocorridas de 1996 em diante – parece ter “dormido no ponto”. O Estado nem mesmo implantou o regime complementar de capitalização, que já existe no governo federal e em 15 unidades estaduais.

O colapso previdenciário espalhou-se pelo país. Recente estudo do Tesouro Nacional indicou que em 2017 o déficit agregado dos institutos de previdência estaduais foi de R$ 94 bilhões (valor equivalente ao orçamento do Ministério da Defesa para este ano). Uma parte da solução deverá vir da Reforma da Previdência, em âmbito nacional, a ser aprovada no próximo ano. Porém, não é recomendável que se espere as providências da União para se fazer o dever de casa e resolver nossos próprios problemas. Até mesmo porque as reformas federais serão insuficientes, e não estaremos isentos de promover ajustes no Fepa. Pelo menos agora, já há o reconhecimento público da gravidade da situação. Mesmo que tardiamente, isso é um começo. É hora de encarar o desafio.

*Doutorando em Administração, Mestre em Economia e Economista (edenjr@edenjr.com.br)

BRASIL, O PAÍS DAS COMPARAÇÕES: Pelé/Garrincha, Chico/Caetano, Cazuza/Renato, Ivete/Claudia Leitte, FHC/Lula… 4

Ao final das comparações, vamos chegar à conclusão de que todos são bons no que fazem e que o brasileiro deve ser orgulhar do que tem.

Penso que só a Psicologia Social pode explicar o porquê do brasileiro gostar tanto de comparações.

Seja no esporte, arte, música, política, enfim, sempre estamos lá nós fazendo comparações.

Quem é melhor, Pelé ou Garrincha? Chico Buarque ou Caetano Veloso? Cazuza ou Renato Russo? Ivete Zagalo ou Claudia Leitte? FHC ou Lula?

Vez e outra nos encontramos frente a essas comparações.

Ocorre que cada um bom no que faz e, assim, fica difícil chegar a um consenso sobre quem é melhor do que quem.

Quando vemos o que Pelé fez no futebol e os dribles desconcertantes de Garrincha não é fácil e nem justo fazer comparações, seja a favor de um ou do outro.

Escutar “Trocando em Miúdos” e depois se ligar em “Vaca Profana”, fica complicado dizer que Chico Buarque é melhor do que Caetano Veloso ou vice-versa.

No rock nacional idem.

Como e com quais critérios podemos afirmar que Cazuza é melhor do que Renato Russo, ou que o autor de “Faroeste Caboclo” é melhor do que compositor de “O Tempo não para”, dois monstros em termos de letras e poesias? Complicadíssimo!

Na política não é diferente, ainda que o povo, no geral, não esteja nem aí para saber quem é melhor do que quem. Na verdade, em se tratando de política, infelizmente, o povão prefere apontar o “menos pior”.

Fernando Henrique Cardos ou Luis Inácio Lula da Silva? O primeiro assegurou a estabilidade econômica, o segundo fez uma revolução social no país. Quem é o melhor?

E assim segue o brasileiro fazendo comparações: Melhor seleção, a de 70 ou de 82; melhor cantor de bolero, Nelson Gonçalves ou Altemar Dutra; melhor atriz, Regina Duarte ou Betty Faria; melhor ator, Francisco Cuoco ou Tarcísio Meira? etc, etc, etc.

Ao final das comparações, vamos chegar à conclusão de que todos são bons no que fazem e que o brasileiro deve ser orgulhar do que tem.

E nem Roberto Carlos é uma unanimidade.

Ainda que seja o “cara”.

Ótimo e abençoado sábado para todos.

Até amanhã.

O teu governo é uma mentira, que a tua vaidade quer. Ou: Desculpa-me, Cazuza 8

O teu governo é uma mentira
Que a tua vaidade quer
E o povo, numa poesia cega
Não pode ver

Não pode ver que no teu mundo
Um governo qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e a realidade concreta

O teu governo só inventa
Pra te distrair
E quando acaba a gente sente
Que ele nunca existiu

O teu governo
Você inventa
O teu governo
Você inventa

Te ver não é mais tão bacana
Quanto a semana passada
Você nem arrumou a casa
Parece que fugiu da realidade

Na verdade, ficou tudo fora de lugar
Café sem açúcar, dança sem par
Você podia parar dessa comunicação nada
romântica

O teu governo você inventa
Pra te distrair
E quando acaba a gente sabe
Que ele nunca existiu

O teu governo
Você inventa
Inventa
O teu governo
Você inventa

Só que nunca existiu.

PS: Parodiando a bela canção “O nosso amor a gente inventa”, do eterno Cazuza, a quem peço desculpas.

Ainda sobre o Mais Médico 6

Se o governo comunista de Cuba “garfa” parte do salário dos seus médicos isso é uma questão a ser resolvida entre os cubanos e não é Bolsonaro que deverá se prestar a fazer o papel de uma espécie de “Princesa Isabel” fora época.

E a polêmica continua.

O governo cubano anunciou que os médicos da ilha caribenha passarão o Natal em casa, pois vão deixar o Brasil após o presidente eleito Jair Bolsonaro impor condições para que esses profissionais continuassem atuando no Programa Mais Médico (PMM).

Há de tudo um pouco envolvendo essa questão do PMM e os médicos cubanos: desinformação, mistura de mentiras com verdades, oportunismo político (politicagem) e, claro, muita hipocrisia. Na verdade esse assunto virou uma verdadeira guerra de narrativas.

Há, ou havia, cerca de 8 mil médicos cubanos atuando no Mais Médico, profissionais que têm experiência em atendimento básico em saúde sobretudo em relação à Saúde da Família.

O presidente eleito argumenta que está “libertando os médicos cubanos da escravidão”, numa alusão ao fato do governo de Cuba ficar com cerca de 70% do salário dos profissionais que estão no PMM.

Ocorre, que há uma questão de ordem política, sociológica e cultural que envolve a forma como os médicos cubanos exercem sua profissão.

Ao contrário do Brasil, onde a Medicina é vista como uma profissão promissora financeiramente, tanto que os pais sonham com um filho médico, em Cuba a coisa é diferente, pois a profissão cumpre um papel social onde o famoso “Juramento de Hipócrates” é sagrado. Segue um trecho do juramento: “Estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes”.

É justamente por essa uma visão “mercantilista” da profissão, por assim dizer, que são poucos os médicos brasileiros que se dispõem ir lá para dentro do mato cuidar de gente pobre, quilombolas e índios. Isso é fato!

Já fui secretário municipal de Finanças no interior do Maranhão e no município pobre onde eu trabalhei, a prefeitura pagava 20 salários mínimos para uma médica na época.

Longe de mim querer que médicos, advogados, dentistas, engenheiros etc., sejam obrigados a fazer sacrifícios ou perder dinheiro em nome do “social”. Não se trata disso!

Trata-se, sim, de reconhecer a realidade de um país como o Brasil e de um outro país como Cuba.

Se o governo comunista de Cuba “garfa” parte do salário dos seus médicos isso é uma questão a ser resolvida entre os cubanos e não é Bolsonaro que deverá se prestar a fazer o papel de uma espécie de “Princesa Isabel” fora época.

No mais, é aguardar que o bom senso prevaleça tanto do lado de cá quanto do lado de lá.

Tratar uma questão humanitária como é o caso da saúde dos pobres em bases simplesmente ideológicas é ridículo.

Seja por porte de Brasília, seja por parte de Havana.

É a opinião do Blog do Robert Lobato.